História A vida é Difícil! - Capítulo 10


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Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Tags Todomomo
Visualizações 288
Palavras 4.625
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Hentai, Luta, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Yoo, minna! ~desu

Gomene, a tia estava doente e por isso demorou pra postar ~desu

Capítulo 10 - Coisas desagradáveis em família, acontecem


Fanfic / Fanfiction A vida é Difícil! - Capítulo 10 - Coisas desagradáveis em família, acontecem

Residencial Yaoyorozu I – Tia Ella POV’S ON

 Shouto bufou pela milésima vez, estava um dia absurdamente tedioso. Continuou admirando a vista da sacada do quarto de Momo na casa dos ais dela. Talvez, fosse a melhor vista de todas, já que ele podia ver todo o pomar e mais o pico Kameyaga, um tanto afastado da cidade.  A mansão Yaoyorozu fica num local um pouco afastado do centro justamente porque Keiji e Ringo sempre zelaram muito por tranquilidade e área verde, (fora que Momo sempre teve problemas respiratórios terríveis desde criança).

 

Viver no centro da cidade foi algo fora de cogitação para os dois... Mas Shouto admite que eles acabaram escolhendo um bom lugar para viverem em família, tanto é que isso o fez mudar de opinião em relação a casa que moraria com a Yaoyorozu pós-casamento.

— Você está bem?... -escutou a voz baixa da esposa e suspirou sem encara-la, ainda mantendo a pose desde que entrara no quarto.

— Não.

— O que foi? -Momo se aproximou mais, comprimindo seu dorso nas costas do marido, deixando seus braços enlaçarem a cintura dele- Você parece irritado.

— Estou mesmo.

— O que você tem?

— Você provavelmente vai rir disso, mas vou contar do mesmo jeito -retrucou de novo, ficando mais desanimado ainda- Acho que cheguei no auge da frustração sexual.

— ...

— Não vai rir?

— Nem um pouco. -Momo ainda estava de pijama, ovelhas nunca foram tão fofas antes- Isso é culpa minha, então não tenho motivos pra rir de você, Shouto.

— ...

— Bom, sua coluna voltou pro lugar, não é?

— Mas você ainda precisa de descanso, já que seu parto foi complicado.

— Hey... -ela o fez lhe encarar fixamente nos olhos, sorriu de canto, não muito depois, beijando-o sem pedir resposta para poder tocar as línguas- Eu cumpri os 50 dias de repouso, então não pode dizer isso.

— Momo...

— Além do mais, vamos considerar que eu fiquei sem transar a mais tempo, já que antes mesmo de saber sobre a gravidez, você ficou em coma por dois meses.

— B-bom, é verdade...

— Depois, tive que aguentar mais dez meses sem poder fazer esforço algum por causa da Mikan.

— ...

— O que significa, Todoroki, que eu estou exatamente a doze meses sem transar.

— Mas se parar para pensar, estamos na mesma situação. Eu fiquei dois meses em coma e mais oito meses em tratamento, fora que, ainda tive que esperar sua cinquentena pós-parto.

— Bom... faz sentido... -Momo contou mentalmente- De toda forma, agora você pode me comer o quanto quiser.

— “Comer” é uma palavra meio forte pra ser usada assim, tão repentinamente -pensou o dicromático- Talvez... “foder” seja mais apropriada.

— E você ainda diz que “comer” é um termo forte! -ironizou entre risos-

— Momo...

. . .

Não precisava gastar tempo discutindo com ela qual a melhor palavra para se usar quando pode simplesmente fazer.

Mesmo para um beijo simples, estava bem quente, o aperto das cinturas era agradável e os toques dos dedos nas cinturas eram gentis, porém...

— Momo-chan, seu Panda precisa de comida! -era o que escutava atrás da porta do quarto.  Ambos reviraram os olhos, se afastando e bufando na mesma sintonia de frustração.

— Já vou! -gritou de volta, entendo o motivo do ódio que seus pais sentiam quando ela ficava doente ou não ia na escola.

— Nessas horas, eu queria que a Mikan realmente dormisse. -o resmungo dele foi a coisa mais fofa daquele quase início de tarde.

— Shouto, não fique bravo com um bebê de dois meses, ela vai precisar de atenção por um tempo, então seja paciente.

— Esperei um ano todo!

— Se esperou um ano todo, espera mais algumas horas, não?

— ...

*

*

*

No escritório da casa, Keiji terminava de analisar alguns papéis quando Shouto pediu permissão para entrar.

— Ah, genro! -sorriu- Chega aí! Do que precisa?

— Bom, na verdade eu gostaria de perguntar uma coisa.

— O que é?

— Como o senhor cuidava da Momo?

— ...

— ...

— Isso é dúvida de um pai de primeira viagem, é?

— Digamos que sim.

— Bom... Eu mesmo não sei como consegui cuidar dela! -Keiji deu risada- Eu só fiz aquilo que achava certo pra Momo, eu fiz o que muitos pais fariam... -sorriu nostálgico- Veja... -na gaveta do meio de sua mesa, pegara um belíssimo e gigantesco álbum de fotos com o nome de Momo, Shouto pegara com cuidado e abriu lentamente.

Era o mais rico material em imagens que já pôde apreciar. – Não vou mentir que foi difícil... a Momo nasceu prematura também, foi um susto enorme para todos nós. Ela nasceu tão pequena, mas tão forte que até os três anos de idade, não chorou uma única vez sequer.

— Eh?

— Sabe, minha família sempre foi muito rígida com os estudos e trabalho. Eles queriam que eu me tornasse um grande cientista químico, mas eu queria me tornar um herói. Quando eu conheci a Ringo, ela era a pessoa mais incrível do mundo... Ela estudava, trabalhava e ainda conseguia tempo para se divertir com todos os amigos... Mais importante que isso, ela achou tempo para se interessar por mim e me amar... -admirou uma das fotos mais bonitas do álbum, em sua opinião- Olha, essa é a primeira foto da Momo depois de nascida. Foi a primeira vez que vi esse olhar na Ringo. Era um olhar que apenas as mães sabem dar... Naquele dia eu chorei pra caramba, eu estava assustado, muito assustado.

— Mesmo?!

— Sim. Mas aí... ela deu esse sorrisinho tão fofo e eu senti todos os problemas sumirem. Na época, eu morava em Aichi, e quando a Momo nasceu, tudo aquilo que eu havia construído pensando no que deixaria meus pais felizes, foi destruído.

— ...

— Quando vi a minha filha pela primeira vez, eu percebi que eu precisava ser alguém que ela valorizasse não apenas pelo meu esforço, mas também porque seria algo que eu gostasse de fazer. Ali, eu entendi que ser cientista não era o que eu queria, eu queria me tornar um herói e foi o que eu fiz. A Momo cresceu me vendo ser o que eu queria virar, eu só não sabia que isso a faria ter a vontade de ser uma heroína também...

Shouto continuou folheando o álbum e viu todo tipo de foto possível da esposa. Até corou quando encontrara uma foto dela completamente nua dentro de uma banheira. – Ah, eu fiquei apaixonado pela carinha dela, tirava fotos todos os dias... -Keiji sorriu animado- Esse aí foi o primeiro banho que eu dei nela, admito que tive problemas, eu sou péssimo em dar banho em bebês.

— Whoah...

— Essa foto aí embaixo é do primeiro limão que a Momo experimentou na vida. Ela tinha uns oito meses...

— Dá pra entender a careta engraçada. -Shouto sorriu, olhando uma outra foto- Eh?...

— Ah, vocês não devem saber bem, mas... -o mais velho suspirou- Vocês dois se conheceram muito pequenos.

— S-Sério?!

— Sim, esse aí ao lado dela, é você, Shouto-kun! -sorriu Keiji- Foi o primeiro festival de verão da Momo, nós encontramos seu pai por lá e você estava num canto, isolado de todo mundo. A Momo foi até você e beijou seus curativos.

— ...

— Foi a única vez em que vocês dois se viram antes de entrarem na Yuuei.

. . .

Shouto podia chorar agora e não ligaria. Saber da existência daquela foto o fez ficar tão feliz que não imagina o que teria acontecido caso não tivesse conhecido (outra vez) Momo na Yuuei.

Mesmo sendo um pouco chocante, não deixava de ser admirável, era como se de fato, estivessem mesmo esperado esse tempo inteiro para poderem ficar juntos. Aquela foto lhe significou muita coisa, sorriu doce e delicado, fechando o álbum e entregando-o de volta para o sogro. — O que quero dizer, Shouto-kun, é que você não precisa se apavorar com a Mikan, ela irá lhe ensinar exatamente como precisa ser cuidada, não há ninguém nesse mundo que possa cuidar melhor dela do que vocês dois. Apenas aceitem que são pais e tudo se resolve com o tempo.

— Desculpe te atrapalhar, Keiji-Sama. -levantou da cadeira à frente da mesa dele, fazendo mesura- Obrigado pelo conselho.

— Por nada!

— Keiji... -a porta do escritório fora aberta com certa pressa, de lá veio Ringo, com uma cara séria e bastante aturdida- a Aya está aqui.

— Droga... -o cenho dele também franziu rapidamente, deixando Shouto em estado de confusão.

*

*

*

Na sala de visitas, o casal Yaoyorozu estava um tanto espantado pela chegada repentina daquela que consideram uma das mulheres mais perigosas do mundo (apesar de seu rosto nunca ter sido mostrado em qualquer canal da mídia).

Yaoyorozu Aya, apesar de ter a mesma idade de Momo, é tia-avó de Keiji.

Isso de Momo, sua prima-neta, ou, prima de primeiro grau.

— Keiji-san, Ringo-san, é um prazer revê-los! -sorriu a jovem de belos cabelos escuros e olhos da cor de uma oliva.

Aya é paraplégica, então depende de uma cadeira de rodas para se locomover para qualquer lugar que vá. Seu rosto é muito parecido com o de Momo, tirando o fato de que seus olhos são mais claros e sua boca é mais vermelha.

— Aya-san, é bom te ver... -os dois sorriram com cuidado.

— Ara, e quem é você? Eu acho que já te vi em algum lugar... -olhou o total desconhecido da situação até o momento.

— Meu nome é Shouto, sou o marido da Momo.

— ...

— ...

— EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEHHHH?!

— Sinto muito, mas acho que é a primeira vez que lhe vejo. -fez mesura respeitável-

— M-Me chamo Aya, p-prazer conhece-lo... -corou- Nossa, eu não sabia que a Momo-chan havia se casado.

— Bom, ela te enviou o convite de casamento, você não o recebeu, Aya-san? -Keiji perguntou confuso-

— Não.

— Estranho. -pensou- Mas enfim... Você veio ver a Momo?

— Sim! Eu queria muito vê-la! -sorriu gentilmente- Onde ela está?

— Lá em cima, provavelmente ainda está amamentando, mas...

— EH?! E-Ela teve um bebê?! Sério?!

— S-sim...

— Me sinto como uma peça de museu, agora... -bufou-

— Aya-Sama... -lá vinha Nina, Secretária Executiva de Aya, estava sempre lhe acompanhado em todos os afazeres, e mesmo em visitas à família Yaoyorozu, já que ela também cuida das necessidades pessoais da mesma- Precisa ir com calma, acabou de sair da terapia.

— Eu sei, eu sei... -resmungou- Keiji-san, eu posso ver a Momo-chan?

— Ahn, claro! Eu vou avisar que você está aqui...

. . .

Nina é uma mulher um pouco mais velha que Aya, uma loira dos olhos azuis que muita gente admira em todos os sentidos, porém, ela é muito durona e claro, mandona.

Seu trabalho exige isso, já que Aya é uma preguiçosa de mão cheia.

Shouto nunca ouviu falar muito sobre os parentes de sua esposa, ao menos, não os que não apareceram com frequência. Sabe mais sobre as irmãs de sua sogra do que sobre os parentes de seu sogro, que em sua maioria, são difíceis de lidar.

Aya não é exatamente uma Yaoyorozu, na verdade, ela é meia-irmã do avô de Momo, mas seu biso fez questão de registra-la com seu nome, já que é a filha dele. Ao todo, Momo tem seis tios-avós (que conhece), Aya só foi aparecer em testamentos depois de vinte anos afastada, sendo criada pela mãe e o padrasto.

Ela nunca ligou pra essa baboseira de herança e testamento, se for o caso, não faz questão de pegar um centavo que seja, mas espera ao menos, que seja reconhecida e respeitada por todos, já que é o mínimo de obrigação de qualquer ser humano que conheça outro ser humano.

Os pais de Momo e ela própria foram os únicos a reconhece-la como família logo de cara, então não gostam quando Aya os visita junto de outros parentes em casa, é sempre um caos.

Aya fez seu nome sozinha, se tornou professora e depois, acabou fundando uma escola ela mesma. Mesmo tendo todo o trabalho como diretora, não deixou de ser professora e faz questão de ser atenciosa com cada aluno seu.

. . .

Enquanto Momo não descia, Shouto e Ringo ficaram de companhia para ela.

— Então, você é o marido da Momo-chan... -sorriu- isso é uma bela surpresa!

— Eu quem digo.

— Você é filho de algum herói? É que seu rosto é muito familiar.

— Sim, sou filho do Endeavor.

— ...

— ...

 — Endeavor? O Endeavor? Aquele Endeavor? O Grande Endeavor?

— É, esse aí mesmo... -bufou o dicromático- Você é prima da Momo?

— É, na verdade sou prima-avó dela.

— Como? -tombou a cabeça pro lado-

— Ela é minha prima de primeiro grau. Eu sou tia-avó do pai dela.

— Whoah... que complicado- ele massageou as têmporas- Ahn, você é alguma heroína?

— Não, mas alguns me chamam de Maga do Início.

— ...

— Aya-san, por favor, não conte pra ele. -Ringo pediu, porém, o rosto brando e sorridente da menina era mais convincente que o normal.

— Tudo bem, Ringo-san, ele é da família e precisa saber.

— Saber o quê? -Shouto interveio curioso-

— A Maga do Início não é vista como uma heroína. -Aya suspirou pesado- Ela é vista como a vilã mais perigosa do mundo.

. . .

— Tsc... -Nina rangeu os dentes em raiva-

— Por quê?

— Porque minha individualidade em si, já é um crime universal só por existir.

— H-hey, o que quer dizer com isso? -o Todoroki suspirou confuso e preocupado-

— Kronos, é o poder da Aya. -ouviram Momo no batente da porta da sala de visitas, ao enlaço vinha seu pai, carregando Mikan- Shouto, preste atenção nisso...

— ...

— Kronos é uma individualidade que te permite manipular o tempo.

— Eh?!

— É um poder altamente perigoso e raro. O usuário consegue manipular as linhas temporais e rasgar o tecido do tempo, fazendo com que tudo possa ser recriado ou destruído.

— ...

— Nas Leis Universais dos Heróis, individualidades relacionadas a manipulação do tempo que são utilizadas para qualquer atividade profissional, são consideradas criminosas, simplesmente porque é um crime universal viajar, manipular, brincar e rasgar o tempo. Isso afeta a humanidade inteira, até mesmo uma Galáxia. Então, pessoas como a Aya, tecnicamente devem ser mantidas em Campos de Concentração e Bases Secretas de seus Governos para que o mundo não saiba de sua existência. A única pessoa no planeta além da Aya a nascer com essa individualidade, foi um menino de cinco anos chamado Hugo. Hoje, se ele estivesse vivo, teria mais ou menos a idade do papai.

— C-Como assim?

— O Governo Caribenho encomendou a morte dele e fizeram tudo parecer um acidente. -Aya suspirou- Eu sofri vários atentados por causa disso, mas como nunca utilizei meu poder para manipular o tempo, não foi necessário que me trancassem num bunker ou algo do tipo.

— A Corte Marcial dos Heróis determina que, pelas Leis Universais dos Heróis, poderes que manipulam o tempo tanto para maldade quanto para bondade, são crimes contra a humanidade e não merecem perdão, acordo ou julgamento. É pena de morte imediata. -Momo respirou fundo- Aya é uma das quatro pessoas no mundo ainda vivas que tem esse tipo de individualidade, as outras três, estão confinadas sabe-se lá onde...

— ...

— É por isso que me chamam de Maga do Início. -a visitante sorriu- Eu consigo modificar as linhas temporais tanto do passado quanto do futuro e minha habilidade especial, a Ampulheta de Areia, pode simplesmente criar um Marco Zero no tecido do tempo, destruindo tudo o que já existe e recriar a minha maneira.

. . .

— Shouto, a vida da Aya é praticamente um segredo de Estado, as pessoas não sabem que ela tem essa individualidade. Quando perguntam, dizemos apenas que ela é assintomática, não nasceu com nenhum poder.

— Entendi. -ele suspirou forte, engolindo a informação de pouco em pouco- É meio duro de viver nessas condições...

— Você acha, Shouto-san? -o sorriso doce da jovem se fez presente- Eu gosto de fingir que não tenho nada especial além da minha capacidade para lecionar. Isso faz de mim, alguém importante apenas pra Educação, nada mais.

— ...

— Momo-chan, eu vim te visitar porque me disseram que você havia sofrido um acidente muito feio na Itália.

— Ahn, bom, isso já tem quase um ano.

— Assim como já tem um tempo que você casou e eu nem soube! -cruzou os braços inconformada- Poxa vida, isso foi cruel!

— Sinto muito, eu te enviei o convite, mas você estava na França, não estava?

— ...

— De qualquer forma, fico feliz em te ver!

— Eu também!

— Bom, eu já volto. -Momo deu um sorriso rápido e Shouto fez uma careta confusa.

— EH?! Mas eu acabei de chegar! -Aya fez bico-

— Eu tô vazando leite de novo e isso é um saco.

— ...

— Shouto, você pode me ajudar?

— Ahn, tá bem. -ele foi seguindo o mesmo caminho da esposa-

— Papai, deixo a Panda com você!

— Sim Senhora!

*

*

— Você não precisa da minha ajuda pra tirar leite, então, desembucha. -ele cruzou os braços e encarou a morena sentando na enorme cama do quarto.

— Poxa vida, Neném, não precisa ser grosso, eu me lembro de ter interrompido você num momento bastante importante, hoje... -o sorriso era malicioso e gentil, deixando-o a mercê de um colapso de insanidade.

— Tsc, não me provoca, Momo... -corou, virando a cara- Sabe que não dá pra fazer isso quando tem gente lá embaixo, te esperando.

— É, eu sei. -ela levantou, apertando-o num abraço quente e pedindo espaço com sua língua para poder tocar a língua alheia- Hey, gracinha, você me deixou de pau duro...

— Você tem um?

— Nasceu para dentro.

— Momo, não provoca... -Shouto pediu pela segunda vez, ele se conhecia muito bem ao ponto de entender que quanto mais enrolassem ali, pior seria para seu psicológico.

— Pode ao menos fingir que me ama e me dar um abraço?

. . .

Ela é chatamente fofa e fofamente chata, não dá pra discutir.

Shouto a abraçou, deixando sua testa recostar nos ombros menores, sorriu um mínimo ao lembrar de como era bom ter esse tipo de contato com ela. Parecia que não estavam juntos há anos, que não se viam, não conversavam e nem sequer, se tocavam.

Foram meses muito complicados para o casal, ele admite, por outro lado, recebeu algo muito importante no meio de tudo isso.

— Obrigada por ser você... -Momo agradeceu.

— Obrigada por ser você... -ele retribuiu.

— Mas agora me solta, eu tô vazando leite mesmo...

— Foi mal...

*

*

*

*

Fundação Internacional Yaoyorozu Momo

Dia seguinte. Ringo suspirou pela milésima vez, aquilo era irritante de se calcular, mas totalmente necessário. Olhou sua mesa com aquela papelada importante sobre as verbas usadas em cada projeto da Fundação e mais os fundos aplicados que precisavam finalmente de alguma movimentação.

— Ah, geralmente eu deixo isso com a Momo porque ela calcular num instante e melhor que ninguém, mas... -bufou- Com a licença ainda em vigor, não posso atrapalhar a recuperação dela com essas coisas.

— Senhora, esses dados precisam ser entregues pro Financeiro ainda hoje. -Bianca, uma jovem mulher estrangeira que fora trabalhar como Secretária Executiva de Ringo, dizia numa pilha de seriedade, Bianca tinha sempre que ficar de olho nela, já que Ringo tem mania de esquecer algumas tarefas de tanto que trabalha.

— Eu sei! Mas isso é muito chato de fazer!

— Então pare de se forçar, isso é ridículo. -escutaram no batente da porta do Gabinete e deram de cara com a própria Momo, que carregava Mikan nos braços com toda sutileza- O que está fazendo com esses papéis?

— DEUS ME AMA!

— Ah, você é um caso perdido... -negou com a cabeça- Bom-dia, Bianca-san. -fez leve mesura-

— Momo-Sama. -a loira fizera mesura longa e respeitável- Parabéns pelo bebê, há dois meses não lhe vejo então só pude cumprimenta-la agora.

— Obrigada! -caminhou devagar até a mesa que normalmente, é ela quem ocupa- Me diga que a mamãe fez algo certo desse vez, ao menos...

— Bom, Ringo-Sama acaba de calcular errado as verbas dos projetos e o Financeiro devolveu a papelada para ela refazer as contas...

— Como você conseguiu isso? -olhou a mãe com tédio-

— Aí, eu sou de Humanas, valeu?! -ironizou a mais velha-

— Ela errou a conta três vezes. -Bianca enfatizou com escárnio, vendo Momo bufar e revirar os olhos-

— Bianca!

— Não posso mentir, a Senhora não tem nenhuma habilidade com contas extremas.

— Esculacha, mas não ofende, caramba! -Ringo virou a cara num bico engraçado.

— Ah, pelos Deuses! -Momo suspirou forte- Bianca-san, pode segurar a Mikan um pouquinho?

— A-Ahn, eu... -corou, pegando a criança com certa dificuldade- Eu não sou boa com crianças, então...

— Não se preocupe, ela só dorme, se achar que não consegue segurar bem, melhor ficar sentada para evitar quedas.

— C-claro... -não tardou para seguir a recomendação e ficou impressionada com a fofura que Mikan era em pessoa.

Ringo olhou a filha e teve que dar espaço para ela ao ficar ao seu lado.

— O que vai fazer?

— Aquilo que você não sabe. Me dê a caneta.

. . .

A rapidez a jovem Yaoyorozu era assustadora, em três minutos, Momo refez as contas e revisou-as para ter certeza da margem de erro de cada uma. Assinou os papéis com toda elegância possível e carimbou com o selo de sangue da Fundação. – Tá aí.

— Eh?

— Eu te disse que se estivesse com problemas com esse tipo de documento era para me avisar, não foi?

— M-Mas...

— Escuta, o fato d’eu ainda estar de licença, não significa que eu não possa te ensinar a lidar com esses papéis, precisa me contar quando estiver com problemas ou isso pode afetar o trabalho dos outros. -seu cenho implicava aflição, fazendo Ringo suspirar vencida.

— Ok, sinto muito por te preocupar.

— Preocupou mesmo, recebi uma ligação do setor Financeiro agora de manhã.

— Ah, intrometidos... -resmungou baixo- Que seja...

— Bianca-san, quer ir comigo até o Financeiro? -Momo deu total atenção a mulher escocesa, que assentiu sem pestanejar. — Bem, nós já voltamos... -olhou a mãe num sorriso doce.

. . .

Ringo ficou olhando com cara de tacho pra porta assim que elas saíram, ficou pensando que diabos de filha tinha feito para ela ser tão boa em tudo o que faz e praticamente evita deixar suas falhas amostra.

— Deus, onde foi que eu acertei?

*

*

*

No setor Financeiro, encontraram com Aya, aquela pessoa com toda certeza causava muito espanto aonde estivesse.

— O que faz aqui, Aya-nee?! -Momo falou apressando o passo-

— Ah, Momo-chan, eu vim cuidar de uns assuntos com a Ringo-san, mas... ela disse para eu esperar enquanto terminava de cuidar de uns papéis.

— Ah... -bateu a mão na testa- Bom, de toda forma, tem algo que quero te perguntar.

— O que foi?

— Ahn, tem a ver com... “aquilo”...

— “Aquilo”?

— “Aquilo”...

— “Aquilo” é aquilo que eu estou pensando?

— Não, aquele outro “aquilo”...

— Hein?

— Ah... -revirou os olhos, dizendo entre sussurros ao pé do ouvido-

— Oh, aquilo... -Aya entendeu- O que deseja saber?

— É uma pergunta que não dá pra fazer aqui.

. . .

Após Momo entregar os papéis corrigidos para o fiscal e após receber os cumprimentos de todos, Foi com a prima para fora do setor, ficando na área de descanso do hall do andar, ambas suspiraram seriamente, e, entendendo isso, Bianca subiu de volta pro Gabinete, deixando Mikan com a mãe.

O tom da conversa ficou sério e mais baixo. — Você conhece alguém chamado Mizukatachi Mizuki?

. . .

— P-por favor, não repita esse nome... -corou a jovem-

— Então você conhece?!

— Aquele cara... Me dá náuseas... -a cara de nojo dela já dizia muita coisa que Momo não gostaria de imaginar.

— Eu tive o desprazer de conhece-lo.

— C-Como isso acont-

— Ele é parente do meu marido.

— ...

— Não foi uma opção, por assim dizer. -suspirou- Ele citou o seu nome.

— Aquele cara é assustador... -Aya pôs as mãos para dentro da cadeira, bem fixadas em suas pernas- Ele fazia coisas horríveis comigo na escola.

— Tipo bulliyng?

— Ah não, crianças que fazem bulliyng são santas perto do que ele fazia.

— ... -Momo fez uma cara séria e muito, muito desconfortável- Aya, ele tocou em você, alguma vez?

— ...

— Aya...

— A primeira vez foi na oitava série. -a morena tremeu em nervoso- E como eu não posso andar como você, é óbvio que ele conseguiria me alcançar da forma que entendesse. A segunda vez foi no primeiro ano. Eu achava que ele iria me deixar em paz depois de começar a sair com uma garota, mas... -suspirou- Ele me usou para traí-la, depois fez com que ela entrasse na “brincadeira”.

— ...

— A terceira vez foi no segundo ano, eu havia pedido transferência de escola, mas mesmo assim, ele foi atrás de mim e de novo... Me obrigou a deitar com ele. Naquele dia, o limite de maldade tinha transbordado. -Aya engoliu seco- Ele me acorrentou para que eu ficasse de pé, como eu não sinto minhas pernas, ele me obrigou a afasta-las de uma vez só... Mesmo que eu seja paraplégica, o resto do meu corpo sentiu aquela dor... Ele me bateu muito quando eu “não mexi as pernas” do jeito que ele queria. Quando me soltou, disse que eu teria de me virar pra voltar pra cadeira que ele havia escondido em algum lugar da casa dele.

— A-Aya, por que não contou isso pros seus pais?!

— Eu contei, eu tive que fazer tanto exames, eu tive que ficar afastada da escola por meses e decidi não voltar mais. Mudei de cidade e nunca mais o vi... Só que... Antes disso, ele acabou descobrindo a minha individualidade e foi dessa forma que o Governo começou a me vigiar e restringir tudo o que eu fazia.

. . .

Se Yaoyorozu Momo já sentiu tamanho ódio por alguém antes, a palavra era não. Mas com certeza, agora entendia de verdade porque Shouto odiava o primo mais velho.

— Mas espera, se você tem a minha idade, como é que el-

— Ele repetiu dois anos na escola.

— ...

— Esse cara já me fez muita maldade antes me estuprar.

— ...

— Sabe essas marcas estranhas nas minhas pernas? Foram feitas por um canivete. Ele apertou minha pele para saber se eu sentia dor. Fez isso com canivetes, martelos, agulhas, socos ingleses, até usou água quente uma vez pra me queimar.

. . .

Momo não queria mais escutar aquilo, doía muito. Doía muito ser incapaz de ajuda-la. — Não tenho hematomas permanentes por causa das quedas na cadeira. São cicatrizes das coisas que ele já fez comigo.

— Por que esse babaca não tá preso?!

— Ele cumpriu pena no reformatório, quando acabou fez 21, a sentença já tinha acabado.

— Tsc... -Momo rangeu os dentes- O quanto ele sabe sobre a sua individualidade?

— Não muito, mas o suficiente para fazer o Governo vir atrás de mim.

— Talvez, ele esteja atrás de você de novo, e tudo por culpa minha. -suspirou triste- Eu acabei escutando a conversa idiota dele e agora que ele sabe que somos parentes, talvez venha atrás de você sem mais e nem menos.

— Não se preocupe, dessa vez não vai acontecer nada. -Aya sorriu doce- Não se preocupe, não é culpa sua.

— ...

— Bom, eu vim aqui para falar de coisas boas! -riu animada- Vamos tratar das verbas que liberei pra Ringo poder realizar o primeiro projeto do próximo semestre!

— Ok... -Momo se forçou num sorriso gentil, olhou Mikan com delicadeza e suspirou.

*

*

*

*

Agência Internacional de Heróis Todoroki

Shouto recebera uma visita muito inesperada, foi até o hall do andar do Gabinete e sorriu como nunca.

— Alguém veio te ver. -Momo fez Mikan acenar de cima para baixo com sua mãozinha gorda e pequena.

— Hey, Panda... -ele sorriu mais, pegando-a com cuidado- Não tem muitas coisas divertidas pra fazer aqui além de dar bronca no seu avô.

— Eu fui na Fundação ajudar a mamãe. -Momo falou num sorriso torto e muito incomodado.

— O que houve? Você não parece bem.

— E não estou.

— Tá passando mal? -o dicromático a olhou meio preocupado-

— Shouto, o que eu tenho pra contar agora, é muito sério. Você não vai gostar nem um pouco de ouvir.

— ...

 

 



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