História A vida imita a arte - Capítulo 8


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Kim Taehyung (V)
Tags Bottom!jungkook, Hard Lemon, Kookv, Taekook, Top!taehyung, Vkook, Yaoi
Visualizações 436
Palavras 4.702
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oi meus anjinhos!!!! HJ EH MEU ANIVERSARIO MAS QUEM GANHA O PRESENTE SÃO VCS 💝 primeiramente happy bday to me, segundamente maioridade chegou CRISE, mas nao vou mentir adoroooo 🔞🔞🔞
enfim, aproveitem o capitulo, fiz com muito carinho! UMA BOA LEITURA E NAO ESQUEÇAM DO COMENTARIO!

Capítulo 8 - Spring day


As flores da primavera começavam a florescer anunciando a chegada da nova estação, mas para Taehyung era mais um dia no ano em que ele lembrava da tragédia de anos atrás. 

Por mais que houvesse bastante tempo do que havia acontecido, Taehyung nunca havia apagado as cenas da memória. Aquilo nunca iria embora das suas lembranças. Sempre estaria ali perseguindo-o, por mais que tentasse desviar. Hoseok apesar de morto, sempre viveria nos seus pensamentos.

Após uma noite turbulenta e mal dormida de Taehyung, o jovem olhava pela brecha da cortina inquieto percebendo que os paparazzis ainda estavam acampados em frente ao seu apartamento provavelmente esperando que ele saísse dali. Nos programas e sites de fofoca não era diferente. Todos comentavam sobre o suposto caso de Taehyung com seu colega de trabalho, o boato de que ele havia dormido em sua casa e estarem namorando se espalhavam cada vez mais. Até vazaram outras fotos onde era possível ver claramente o quão próximo ele estava de Jungkook, tornando a situação ainda mais polemica. O jovem tentara ligar para Jeon inúmeras vezes para pedir desculpas por toda a confusão que tinha o colocado, mas o mesmo não atendia, deixando tudo ainda mais difícil para Kim. 

Além de tudo, sugeriam até que Taehyung era uma má influência para os fãs jovens, tendo em vista que ele já havia sido flagrado mais de uma vez sob efeito de álcool. Muitos especulavam que o jovem fosse alcoólatra compulsivo e que era possível até ter problemas associados com drogas. Além de estarem também opinando inúmeras coisas sobre o drama, causando no ator uma tremenda dor de cabeça. 

Apesar de todos aqueles problemas vindos de uma vez só, Taehyung estava acostumado com a vida pública que levava e focava apenas em tentar sair dali sem que ninguém o visse. Precisava ir até um lugar e aquele amontoado de repórteres só dificultava os seus planos. 

Ligou para Jimin para ajuda-lo a sair mas o empresário não retornava as suas ligações deixando o mais novo, inquieto. No entanto, não desistiu e tentou ligar para yoongi e algum dos seus amigos mas por pior que fosse, ninguém atendia o seu chamado. Não queria ligar para os seus pais, já que toda aquela confusão já era o bastante para ele não querer contata-los. Apesar dos seus pais serem sempre compreensíveis, Taehyung tinha consciência de que todas aquele notícias também afetava a vida deles. 

Logo, sem conseguir mais ficar na própria casa esperando, resolveu sair dali, disfarçado. Colocou seus sapatos e um moletom com capuz, em seguida pôs a máscara no rosto, deixando que sua franja cobrisse parte dos seus olhos. Estava nervoso, não queria contrariar as ordens do seu empresário mas precisava ir, antes que ficasse tarde.

Taehyung abriu a porta do seu apartamento e observou o corredor, certificando de que não tinha ninguém por ali. Caminhou até o elevador e desceu para a parte do estacionamento, correndo até o seu carro mas parando ao ver que havia algumas pessoas circulando. Não podia ser visto e provavelmente se fosse de carro atrairia atenção dos jornalistas que estavam na frente do prédio.

Sem conseguir pensar em nenhuma alternativa, se virou e correu até a saída de emergência pelos fundos, saindo de dentro do local e correndo pela rua com a cabeça baixa, temendo ser visto, até chegar a avenida, onde conseguiu pegar um táxi em poucos segundos. 

Adentrou o veiculo ainda ofegante por ter corrido tanto e apoiou a cabeça no banco, dando as coordenadas para o taxista e tirando sua mascara por alguns segundos, tentando respirar melhor. 

O taxista conduzia o carro devagar, e olhava praticamente todo o tempo para o ator como se tivesse o reconhecido, e o mesmo se encolhia, voltando a se esconder com a máscara e o capuz do casaco, percebendo que o homem provavelmente já tinha o reconhecido.

— Pode parar aqui — pediu mandando que o motorista encostasse perto de uma floricultura. Não iria até o cemitério com aquele homem que já sabia a sua identidade e possivelmente entregaria aos repórteres onde ele estava em troca de dinheiro. Taehyung não queria julgar ninguém sem conhecer mas não tinha muita escolha na situação que se encontrava. 

Desceu do carro afoito e foi até a loja de flores comprando um buquê de girassóis para levar com ele. Por coincidência, estava perto da casa de Jungkook. Não queria incomoda-lo mas precisava da sua ajuda e ele era o único que poderia fazer aquilo naquele momento.

Sem hesitar, ainda tentando não ser visto, Taehyung caminhou até a casa de Jeon com as flores em mãos, rezando para que o moreno estivesse na sua casa. Tinha quase certeza de que ele estaria, uma vez que seu rosto estava nas fotos tirada pelo paparazzi e provavelmente ele seria reconhecido por alguém se saísse. 

Assim que chegou em frente a casa dele, olhou em volta, certificando-se de que não tinha nenhum reporter ou algo do tipo e foi até a porta do mais novo, surpreendendo-se ao perceber que a porta estava entre aberta dando acesso a sua casa.

Kim arregalou os olhos, pensando na hipótese de alguém ter invadido o lugar e adentrou preocupado, parando no meio do caminho ao ouvir as vozes que vinham da sala de estar do rapaz.

—  COMO VOCÊ TEM CORAGEM? — uma voz desconhecida por ele gritou e o mesmo estremeceu ao ouvir tais palavras. — Além de todos os rumores que você e aquele delinquente estão namorando, você ainda tem coragem de atuar num drama gay com ele? VOCÊ SÓ ENVERGONHA A NOSSA FAMILIA. 

— Seokjin... — Jungkook tentara falar num murmúrio mas o tal Seokjin, que ele ainda não sabia quem era, o interrompeu antes que Jeon pudesse dizer algo.

— Sabe, eu agradeço pelo meu pai não está mais entre nós, para não poder ver o que você esta se tornando.

Logo percebeu que era um dos seus irmãos que dizia aquelas coisas absurdas para Jungkook, também envolvendo a Taehyung, o deixando chocado. Não podia imaginar que a família de Jungkook não o apoiava nas suas escolhas e eram tão preconceituosos. 

— Não envolve o nosso pai nisso, por favor — Jungkook disse num tom de voz baixo, parecia tranquilo. Na verdade, Jungkook sempre parecia calmo não importava qual fosse a situação. Até mesmo na manhã anterior quando Taehyung havia falado todas aquelas coisas sobre ele ter o assediado, em nenhum momento ele havia levantado sua voz e também quando ambos se esbarraram e Kim o molhou, sua reação havia sido estranhamente calma. 

Aquilo era algo esquisito nele. Pensara Taehyung. 

— Por que você não quer envolve-lo, Jungkook? Por que você sabe o quanto deu desgosto a ele e mesmo assim ficou com a sua herança? — o irmão dele perguntou ainda com um tom de voz alto e furioso. — Você esta fazendo a mesma coisa com a minha mãe e eu não quero ver ela sofrer por sua causa. Eu não consigo suportar chegar na casa dela e vê-la chorando pelos cantos. Toda vez que a vejo nessa situação eu sinto que poderia acabar com você Jungkook. 

A forma como Seokjin falava guardava tanto ódio que Taehyung podia sentir a tensão entre os dois mesmo escondido e sem vê-los do outro lado da parede. 

— Eu não quero que ela sofra por mim. Não quero que ninguém fique afetado com as minhas escolhas. Não se preocupe que eu não irei tentar procurar nenhum de vocês ou causar algum tipo de vergonha na sua vida  — Jungkook falava ainda em um tom de voz baixo e podia se afirmar até triste. E não era pra menos. Ser tão odiado pela própria família e saber que causava angústia a sua mãe não eram coisas que ele ou qualquer outra pessoa gostariam de ouvir. 

— Eu espero que sim. Se eu ver a minha mãe se desgastando por sua causa eu nem sei o que eu sou capaz de fazer. — O irmão disse num tom de ameaça e Taehyung pôde sentir o peso daquelas palavras para Jeon. O seu irmão falava como se o desespero da mãe deles fosse culpa de Jungkook. Como se o fato dele ser gay fosse a culpa de todas as coisas ruins que aconteceram na família. 

Percebendo que a conversa já havia acabado, Taehyung saiu dali e voltou para rua, fora da casa, observando de longe o irmão de Jungkook. Ele vestia um terno extremamente típico de empresários e tinha uma boa aparência para alguém que tinha acabado de dar um show de preconceito e ignorância há minutos atrás.

Após perceber que o irmão de Jungkook havia ido embora dali, Taehyung ficou alguns minutos escondido e resolveu ir até a casa dele novamente, tocando a campainha. Tocou no botão enferrujado duas vezes e posteriormente o moreno foi até a porta abrindo ela. 

— Taehyung? — sua expressão era de pura confusão. — O que esta fazendo aqui?

— Preciso da sua ajuda.

 

                             JUNGKOOK POING OF VIEW 

Após Seokjin sair da minha casa, soltei o ar em que eu prendia, sentindo-me desistabilizado. Todas as suas palavras haviam me feito refletir. Saber que minha mãe estava sofrendo por minha causa, me fazia sentir culpado, por mais que eu não admitisse para ele. 

Não queria que ela me odiasse mais. Minha mãe e eu costumávamos ser próximos, mas após eu revelar a minha sexualidade, meu pai não quis aceitar e ela, como uma “boa” esposa, aceitou tudo que meu pai impusera pra mim. Foi a pior coisa que me aconteceu. Minha mãe virar as costas para mim no momento que eu mais precisei, foi uma das coisas mais difíceis pra mim e era algo que eu sentia que nunca iria superar. 

O fato de meu nome ter ido parado na mídia não era algo que eu planejava mas desde o dia em que eu aceitei fazer o drama e comecei a me aproximar de Taehyung, tive consciência de que isso uma hora ou outra iria acontecer mas não achei que fosse ocorrer tão rápido e de maneira tão inesperada. Por um lado era bom que finalmente fui apresentado para o país, mas por outro, era ruim, por ter sido de uma maneira não muito convencional. 

A verdade era que eu nunca devia ter saído de casa naquela noite para casa de Minho. Provavelmente Taehyung teria dormido na casa dele e nada teria acontecido. Não estaríamos nos sites de fofocas vistos como possíveis amantes, ninguém saberia que eu era um dos atores do drama antes mesmo de ter sido anunciado oficialmente o elenco, além de Taehyung e eu não teria brigado com Kim pelas coisas que ele havia dito. Tudo ainda estaria bem e naquele dia teríamos voltado a gravar o drama tranquilamente. Mas infelizmente eu não podia voltar no tempo e consertar os meus erros, o mínimo que eu podia fazer era lidar com tudo. 

Logo, depois de alguns minutos que Seokjin havia saído, a campainha da minha casa tocou novamente e eu franzi a testa, indo até a porta pensando que poderia ser ele novamente, mas quando abri a porta, me espantei ao ver quem realmente estava ali. 

— Taehyung? — observei-o dos pés a cabeça vendo que ele parecia tentar se esconder, uma vez que usava máscara e o capuz do seu moletom, deixando apenas seus olhos a mostra. — O que esta fazendo aqui? 

— Eu preciso da sua ajuda — falou, dessa vez mostrando seu nariz e lábios.

— Taehyung, eu pensei que tinha deixado claro...

— Jeongguk, por favor. Eu só preciso que me leve a um lugar. — pediu e eu encarei-o sem entender. Tinha ido até a minha casa pra me pedir para levar ele para algum lugar, era a desculpa mais esfarrapada do mundo. Eu sabia que ele apenas queria ficar a sós comigo para tentar me persuadir a desculpa-lo. 

— Não posso. E também você só irá piorar a sua imagem se for visto comigo. — falei no meu tom irônico que tinha costume de usar e ele suspirou. — Melhor você voltar para casa. Tchau, Taehyung.

Já estava pronto para fechar a porta na sua cara mas suas palavras seguintes me fizeram parar.

— Eu preciso ir até o túmulo do meu amigo. 

Engoli em seco ao perceber o quão havia sido difícil pra ele falar aquelas palavras em voz alta e apenas o encarei sem conseguir dizer mais nada. Ainda estava com raiva de Taehyung pelo dia anterior mas não podia negar um pedido como aquele. 

Encarei-o por alguns segundos sem saber o que dizer m, peguei meu casaco no cabideiro e vesti, voltando para onde estava e fechando a porta da minha casa. Com o olhar chamei-o para que me acompanhasse até o carro e assim o fez, sem trocar palavras comigo.

Permanecemos em silêncio durante todo o trajeto. Não conseguia nem ouvir a respiração de Taehyung ao meu lado. A situação não podia ficar mais estranha do que aquilo.

Assim que chegamos ao cemitério que ele havia dito, descemos do carro e eu travei o mesmo, acompanhando o acastanhado, que se distanciava no campo segurando um buquê de girassóis. Eu queria perguntar de quem se tratava. Quem era aquela pessoa que ele estava visitando. Mas, antes que eu pudesse fazer isso, ele parou em frente a um túmulo e eu pude identificar o nome que estava escrito ali. 

                  “JUNG HOSEOK (1991 - 2005)”

Logo aqueles nomes vieram a minha cabeça e eu lembrei da noite onde Taehyung havia chamado o nome dele aos prantos e depois disse que tinha o matado, deixando-me aflito. Me perguntava se aquilo realmente tinha acontecido. Se realmente Taehyung havia matado o seu amigo.

Ele encarava o túmulo com uma expressão que eu não conseguia identificar o que ele sentia. Apenas olhava vago, ainda com as flores em mãos, dando um suspiro sem que eu percebesse.

— O Hoseok adorava girassóis. — comentou sorrindo, ainda sem desviar seu olhar dali e eu engoli em seco sem saber o que falar, mas para o meu alívio, ele continuou. — Eu costumava compara-lo a essas flores, por ele ser alguém iluminado, que alegrava qualquer um por onde passava. Ele tinha um brilho sem igual, nos meus 25 anos de vida eu nunca conheci ninguém como ele. E eu sei que nunca vou conhecer alguém que se compare ao que Jung Hoseok foi enquanto estava vivo. Por mais que faça muito tempo desde que ele se foi, eu ainda consigo lembrar de tudo que nós fazíamos. Do quão ele era falante e gostava de dançar. Ele era um ótimo dançarino e também cantava muito bem. Ele sempre me dizia que nós iríamos fazer muito sucesso no futuro e seríamos estrelas e que eu não deveria desistir dos meus sonhos. Parece que ele acertou, mas não previu que fosse acontecer só comigo. 

Riu fraco, me encarando desta vez. O seu olhar guardava dor, era perceptível de longe ver que ele segurava as lágrimas. Parecia relutante em chorar na minha frente. 

— O que aconteceu com ele? — perguntei, sem conseguir evitar e ele baixou a cabeça, como se eu tivesse tocado na sua ferida, fazendo-me arrepender de ter falado. — Ahn, hm... Eu não sei porque eu perguntei isso. Você não precisa falar nada, desculpa...

— Suicidio. Ele tirou a própria vida. — Taehyung me interrompeu deixando-me surpreso. Nunca poderia imaginar que aquela era a causa da sua morte. — Eu e Hoseok éramos inseparáveis. Ele era o meu melhor amigo e o fato de morarmos próximos um do outro e também por sermos filhos únicos contribuía para que fôssemos como irmãos. Nós praticamente passávamos o dia inteiro juntos. Os pais dele eram muito ocupados, trabalhavam muito e isso o chateava demais porém minha família sempre o acolheu como um filho para que ele não se sentisse abandonado. 

Ele parou por alguns segundos e em seguida continuou, apertando o buquê em suas mãos.

— Eu realmente considerava o Hoseok como um irmão. Não tinha nenhum dia que não nos víamos durante toda a semana. Minha mãe dizia que éramos tão grudados que era possível ate o hoseok me acompanhar durante minhas necessidades e vice versa.

Riu e eu o acompanhei, esperando que ele continuasse. Eu não me importava mais com o fato de eu e ele termos brigado. Aquilo era o menor dos problemas naquele momento. Eu estava feliz por Taehyung confiar em mim e estar me contando tudo aquilo. Só provava que eu não era qualquer um pra ele.

— Nós também éramos bastante confidentes. Contávamos tudo um para o outro, entre nós não havia segredos. Pelo menos era o que eu achava. — sua voz mudou de repente e eu apenas permaneci encarando-o, vendo sua expressão também ficar diferente. — Um dia, aconteceu algo que fez com que abalasse nossa amizade. Quero dizer, que abalasse mais a mim. Quando eu descobri que tinha algo que ele escondia de mim. 

Apenas permaneci calado esperando ele continuar para saber do que havia acontecido exatamente.

— Um dia, eu fui na sua casa, para fazermos um trabalho da escola juntos e quando eu cheguei, ele estava no seu quarto escrevendo algo num papel, parecia algo como uma carta de amor pela forma que estava escrito e eu sem conseguir me controlar, me aproximei e peguei a carta tentando saber pra quem ele estava escrevendo. Foi a atitude mais idiota que eu já tive. Eu não achei que ele fosse ficar com tanta raiva, era para ser apenas uma brincadeira. Ele começou a gritar desperado e me deu um soco no rosto, mas naquela altura eu já havia visto pra quem ele escrevia e aquilo me chocou. Era pra um garoto da nossa turma. Uma carta se declarando para ele. 

Levantei as sobrancelhas sem consegui evitar e Taehyung deu um suspiro longo, parecendo irritado consigo mesmo por ter que contar algo como aquilo.

— Sabe, Jeongguk, quando eu era mais novo eu tinha muitos medos. Na verdade eu ainda tenho, mas naquela época era diferente. Eu ainda era uma criança. E para mim, saber que meu melhor amigo era gay, foi um baque. O fato dele ter escondido aquele tempo todo de mim e ainda ter me agredido, me assustou. Eu nunca tinha visto Hoseok daquele jeito. 

Deu uma pausa e logo continuou. 

— Não consegui enfrentar aquela situação e fugi como um garotinho medroso que eu era... E ainda sou.

Seus olhos marejaram e ele respirou fundo, tentando controlar que suas lágrimas escorressem pelos seus olhos. Era claro ver o quanto aquele assunto o machucava e eu não queria que ele de torturasse para me contar. Acho que já estava mais que provado que ele confiava em mim. Não era algo que ele podia falar para qualquer um e eu já me sentia feliz por ele ter desabafado comigo.

— Você não precisa continuar. — murmurei olhando em seus olhos mas ele negou varias vezes, mostrando que queria contar aquilo.

— Não, eu quero. Eu preciso. — respondeu, desviando seu olhar do meu e apertando suas pálpebras. — Depois de ter fugido, eu passei semanas evitando falar com ele. Criei inúmeras desculpas pra não ter que nos encontrarmos e aquilo só foi tornando ainda maior o vazio dentro de mim. Eu queria voltar a falar com Hoseok normalmente e apoiar sua decisão, mas o meu medo era maior e isso só aumentou quando o pessoal da escola descobriu da carta de Hoseok para o outro garoto. Todos o julgaram, o chamaram por apelidos homofóbicos, riram dele e o auge foi quando os valentões da outra turma colocaram ele contra a parede e lhe deram uma surra. Espancaram ele de todas as formas possíveis, sem motivo nenhum, apenas pelo fato dele gostar de alguém do mesmo sexo. 

Estava quase chorando, sua voz ficava embargada a cada instante e eu ficava ainda mais chocado com o que ele falava.

— Ninguém o ajudou e isso inclui a mim, que sem conseguir olhar ele naquela situação, corri pra longe dali. Eu tive tanto medo, Jungkook, você não sabe o quanto eu chorei ao ver o Hobi naquela situação, meu coração pareceu ter se partido em mil pedaços. Eu deveria ter ficado ao lado dele. Eu deveria ter o defendido de todo aquele bullying e daqueles babacas. Isso teria feito toda a diferença. Eu poderia ter o salvado, Jungkook, você tem noção disso?

Suas lágrimas caíram pelo seu rosto e eu engoli em seco, sem saber o que falar para ele. Eu podia me colocar no lugar de Taehyung. Podia sentir tudo que ele estava sentindo. Eu não queria que ele se sentisse culpado, por mais que suas atitudes não tivessem sido as mais corretas, ele não podia se culpar pela morte do seu amigo. Ambos eram vítimas da situação. A sociedade era e ainda é cruel demais. Ainda insistem em privar as pessoas de amar e serem amadas por esse maldito preconceito enraizado que insistem em perpetua-lo. É triste demais. 

— Você não tem culpa, Taehyung. Você ainda estava entrando na adolescência, aquela época era diferente e mesmo que pareça difícil de acreditar, eu entendo o seu lado. 

— Não, Jeongguk. Você não tem que mentir para me fazer sentir melhor. Eu sei que fui o culpado. Seus pais nunca o procuravam, tanto que não foram a escola saber o porquê dele ter apanhado, julgo a dizer que eles nem chegaram a saber o que havia acontecido. Ele não tinha amigos na escola e o garoto que ele gostava não sentia o mesmo por ele. Eu era a única pessoa que ele podia contar e mesmo assim, eu o abandonei. — Taehyung começou a chorar desesperado, deixando seu rosto coberto de lágrimas e eu sem conseguir evitar, chorei junto a ele, ficando sem palavras. 

Ele não era uma pessoa ruim. Eu sabia do quão arrependido ele estava pelo que não havia feito. Não era possível medir o tamanho da dor que tomava conta dele, saber que poderia ter salvado uma vida e não ter tido coragem o suficiente para fazer. 

Eu poderia até afirmar que o fato de Taehyung não se assumir ou evitar que ficássemos mais próximos era por causa de toda a história como Hoseok. Provavelmente ele ainda tinha receio de que fizessem o mesmo que fizeram com o seu amigo. Que o ignorassem, que o odiassem, que o agredissem e principalmente que ele terminasse tirando a sua própria vida.

— Depois dele ter sido violentado, ele passou dias sem ir para escola. Eu tentei ligar para ele, mas ele não me atendia e nem o seus pais até que eu resolvi ir vê-lo, de uma vez por todas e pedir pelo seu perdão. Mas, quando eu cheguei... Era tarde demais. — falou em meio a soluços e com o rosto corado — Eu chamei por Hoseok varias vezes mas mesmo assim ele não atendeu meu chamado, me deixando preocupado. Seus pais estavam trabalhando naquele horário e ele deveria estar em casa. Eu não tive alternativa a não ser abrir a porta e entrar na sua casa, que já estava aberta. Olhei em volta vendo que a casa estava completamente vazia e resolvi subir as escadas que dava até seu quarto, ainda hesitante, temendo que ele surtasse e me expulsasse dali. Mas sabe, eu daria tudo para que ele tivesse saído correndo do quarto e gritasse comigo, tivesse me xingado e me batido. Você não sabe o quanto eu queria que isso tivesse acontecido.

Aquela altura as lágrimas desciam pelo meu rosto sem parar e eu não me importava, mesmo que aquilo tornasse tudo mais melancólico. Eu não aguentei ouvir tudo aquilo sem sentir nada e evitar que eu chorasse. 

— Eu chamei pelo Hoseok três vezes, sem resposta e resolvi abri o seu quarto, fazendo meu mundo desabar ao ver o que havia acontecido. Ele estava no chão desacordado com algumas pílulas de remédio em sua mão. Seu rosto estava pálido e seus lábios roxos e mesmo sem ir até ele identificar se ele respirava, eu já sabia... Ele não estava mais vivo. Hoseok estava morto. E tudo por MINHA CAUSA. Por minha covardia. Por meu egoísmo. Se eu ao menos soubesse o que ele estava passando... Se eu ao menos tivesse chegado horas antes...

Ao ouvir tudo aquilo senti meu coração partir e Taehyung se debulhou em lágrimas, aos prantos. Não conseguia mais falar a não ser soluçar e se agachou ali em frente ao túmulo do amigo, ainda segurando o buquê de girassóis. Naquele momento, tudo fez sentido. No dia em que Taehyung estava bebado, dizendo que havia matado alguém e gritando que havia sido sua culpa. 

HOSEOK, ME PERDOA, ME PERDOA POR FAVOR. — Taehyung gritou, chorando e eu me abaixei ficando ao seu lado e quebrando a distância entre nós, agarrando seu corpo contra o meu. Afaguei seus fios castanhos escuros e ele apoiou a sua cabeça no meu peito, derramando suas lagrimas na minha camiseta.

Eu não falei nada. Sabia que nada do que eu falasse iria conforta-lo. A única coisa que eu pude fazer, foi abraçá-lo e consolar naquele momento que por mais que fizesse muito tempo, ainda o afligia. 

Eu não sabia por quanto tempo havíamos ficado ali, juntos um do outro, compartilhando as lágrimas mas após um tempo, Taehyung pareceu mais calmo e o sol já estava se pondo, deixando o céu com uma cor alaranjada. 

Ajudei-o a levantar e levei minha mão ao seu rosto, retirando todos os fios molhados e colados na sua testa devido ao tempo em que ele chorou. Ele apenas sorriu triste e eu me afastei mais, esperando que ele se despedisse de Hoseok.

— O céu está lindo. — comentou, colocando o buquê de girassóis sobre o túmulo — É exatamente assim que eu o vejo. Que o Hoseok esta brilhando junto com esse sol no céu. Que ele está trazendo paz e esperança na minha vida a cada amanhecer. E tudo que eu espero é que onde quer que ele esteja, que ele tenha me perdoado. Eu sei que nunca vou me perdoar, mas se ao menos eu pudesse saber que ele morreu sem me odiar pelo que eu fiz, faria toda a diferença. 

— Eu tenho certeza que não. Vocês tinha uma amizade muito forte. Eu sei que ele esta em algum lugar agora torcendo por você e te presenteando com esse pôr do sol, pra que você não esqueça dele e da amizade que vocês tinham que é além da vida e da morte. — disse, convicto das minhas palavras e o sorriso quadrado de Taehyung aqueceu meu coração.

— Obrigado, Jungkook. Me perdoa por tudo que eu te causei, por tudo que eu falei. Eu não quis te ofender em momento algum, nem causar problemas na sua vida...

— Está tudo bem. Eu te perdôo, não se preocupa com isso — interrompi-o sorrindo em sua direção e ele apenas fez o mesmo.

Após Taehyung passar alguns minutos sozinho perto do túmulo do seu amigo, ficamos olhando o sol se pôr, sentados no capô do meu carro que estava mais distante do cemitério. Algumas cerejeiras caíam sobre ele. Ambos em silêncio, apenas admirando o sol, que aos poucos sumia na imensidão do céu. 

— Jungkook-ssi — disse, após um tempo sem falar nada. — Obrigado.

Agradeceu, novamente, com os olhos fechados e a luz refletindo em seu rosto. Não tinham palavras o suficiente para expressar o quanto ele estava bonito naquele momento. Mesmo com o rosto inchado por conta do choro e totalmente despenteado, ainda sim, era a visão mais linda que já tinha visto na minha vida. E por impulso, sem conseguir controlar a minha vontade, segurei em seu queixo e selei os nossos lábios de uma vez por todas. Fazendo um arrepio intenso percorresse pelo meu corpo. 

Apenas um selinho demorado, sem língua, sem aprofundar, sem nada. Apenas o toque dos nossos lábios um no outro. Uma demonstração do quão eu estava feliz de estar ali com ele e por tudo que ele havia me contado. Não me importava mais com o que ele havia me dito. Não me importava se ele ainda relutava contra a sua sexualidade. Não me importava se ele era o ator o qual eu contracenava. Nada me importava. Eu não deveria me sentir daquela forma, mas ali eu percebi o que já estava claro para mim... Eu estava me apaixonando por Kim Taehyung.

                         ***

“Você sabe disso tudo
Você é meu melhor amigo
As manhãs virão novamente
Porque nenhuma escuridão, nenhuma estação
Pode durar para sempre

As cerejeiras estão florescendo
O inverno está no fim
Eu sinto sua falta...”  

SPRING DAY, BTS 

 

 

 


Notas Finais


e então? o que acharam???? coloquei no finalzinho o trecho de spring day do bangtan pq eu me inspirei na canção pra fazer esse capitulo e não vamos negar um HINO desses tem que ser apreciado todos os dias!
parece que o jungkook ja tá começando a se apaixonar, péssimo escolha hein vai sofrer muito ainda não mão do taetae! gente se vcs estiverem achando que ta tudo ficando muito rápido é só me dizer ok? críticas são bem-vindas como sempre falo!
acho que isto eh tudo! comentemmm ❤️


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