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História A Vida nos Pregou uma Peça - Capítulo 3


Escrita por: freelisboa

Capítulo 3 - Capítulo 2


— O caso da pequena Valentina ainda é muito delicado, Raquel.

— Eu sei, Prieto, mas eu não posso tornar a vida daquela menina mais angustiante. Ela precisa brincar e se divertir como uma criança. - comento séria enquanto descemos no elevador.

— Por isso trouxe o Lorenzo consigo? - pergunta. 

— Não, foi por… - Meu celular toca. 

— Oi, Mônica?! Poderia buscar o Lorenzo hoje na escola? Vou passar o dia todo no hospital. É mais um daqueles dias. Acredita?! - Antes que ela responda, Lorenzo puxa a saia do meu vestido.

— Mamãe, quero muito ir ao banheiro.

— Não acredito, Lorenzo! Irmã, espera, não desligue.

— Raquel, se resolva aí com a sua irmã. Eu o levo no banheiro do nono andar que é limpinho e vazio. Quase ninguém o usa. Me espera aqui.

— Obrigada, Prieto, Mônica só tem esse horário para falar no telefone.

— Tudo bem, sem problemas.

Ele se vira e o leva junto dele no elevador.

— Hemanita, eu não consigo buscá-lo hoje. O Sr.Román também está com muitos compromissos para hoje e exige que o acompanhe em todos eles. Como sua secretária sou obrigada obedecer. Mas posso ver se o meu namorado pode fazer isso. Quer esperar na linha enquanto vejo com ele?

— Poxa! Não precisa. Eu transfiro algumas consultas para amanhã. Vai ser o jeito.

Desligo o telefone e viro para ver os elevadores. Penso até em ir encontrá-los, porém, algo inesperado acontece.

Marsella sai de um dos elevadores. Meus olhos arregalaram e ele também se chocou ao me ver.

— Raquel… Oi?! - diz e olho por trás dele temendo que meu filho o veja, afinal, Lorenzo conhece a família do pai por fotos que eu mostro.

— Oi, Marsella. Licença, estou ocupada. - Nem mesmo reparo em suas mudanças depois de tantos anos sem vê-lo, apenas miro o saguão dos elevadores.

— Espera! O Sérgio já está descendo. Ele ia gostar de te ver, quem sabe conversarem e se resolvam de vez…

Sérgio está aqui. No mesmo ambiente que o meu filho. O ar me falta nos pulmões, meu corpo inteiro gela, as mãos tremem. O mundo parece girar.

— Eu não tenho nada para falar com o seu primo. Me dá licença. - Me desvencilho, entretanto, ele se coloca à minha frente me tampando a passagem.

— Ele já está vindo. É rápido. Estávamos no nono andar, é bem rápido mesmo.Vocês deveriam mesmo terem uma conversa, Raquel.

O andar que Prieto levou Lorenzo. 

Minha boca se entreabre e passo por ele afobada. Vou até os elevadores e o meu desejo maior é só pegar o meu filho no colo e sair correndo daqui.

Quando o elevador de andares ímpares abre as portas, eu sinto o chão se mexer abaixo dos meus pés com a cena que vejo.

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SÉRGIO MARQUINA 

Fiquei esperando a médica dar alta para o Palermo e passar as devidas recomendações para uma boa recuperação dos ferimentos.

Confesso que reparei as insinuações dela para cima de mim, mas estou fora das armadilhas do coração faz tempo. Não dou muita bola, prefiro fingir que não ouvi.

— Bom, senhores, acho que o Martín está liberado para ir para casa. - Diz, piscando sutilmente na minha direção. 

Essa médica não está mesmo para brincadeira. Fico um pouquinho sem graça.

— Me ajuda a levantar por favor Sérgio. - Pede, e eu vou correndo ajudar Palermo.

A médica sai. Ufa!

— Tantos anos e você ainda continua irresistível para as mulheres. - Tira sarro. - Vai ter que me ensinar seu truque, Sérgio. 

Idiota! No momento que ia responder á altura Palermo, meu celular vibra no bolso.

É uma mensagem do detetive, ou melhor várias dela. Um pequeno texto seguido do novo número de Raquel, fotos de sua formatura e a ida dela em uma loja de bebês.

Bebês? Por acaso Raquel adotou algum bebê? Não, não. Ela não faria isso. Balanço a cabeça. Isso é bem para algum recém nascido do berçário que os pais não têm condições e ela resolveu ajudá-los. Sempre fazendo caridade.

" Pablo, alguma informação de estado civil?"

" Não, senhor, nada, mas posso procurar com mais afinco".

" Certo. Continue cavando"

" Esteja certo que sim"

Fecho o aplicativo e me volto para o Palermo.

— Vamos para casa?!

— Vamos.

Saímos do quarto o hospital.

— Espero nunca mais volta aqui. - Fala Palermo, enquanto íamos rumo ao elevador.

— Então faça por onde e não ultrapasse as normas do trânsito. - Murmuro, na nossa frente à um homem com uma criança entrando no elevador.

— Segura o elevador, por favor - grito e arrasto pelas mãos Palermo. Correndo em direção ao local.

— Calma homem, acabei de receber alta do hospital não quero mais voltar - caçoa.

Entramos no elevador depressa, agradeço o homem e focalizo no tênis da criança ao seu lado. Bonito até. Ela cantarola, é a mesma voz de mais cedo.

— Que gracinha, uma criança cantando Ana Carolina. Isso é bem atípico - diz Palermo encarando o menino ao fundo e presto mais atenção no que canta:

"Eu não vim aqui

Pra entender ou explicar 

Nem pedir nada pra mim

Não quero nada pra mim 

Eu vim pelo que sei 

E pelo que sei 

Você gosta de mim 

É por isso que eu vim..."

Soa muito fofo na vozinha infantil. Reparo que é a mesma música que tocou quando ligaram o rádio no carro. Levanto a cabeça na intenção de ser simpático e o encaro. O garoto parece ter saído do meu retrato de infância.

Assim que os meus olhos batem nos seus, ele se cala e arregala os olhos negros escondidos nos óculos de grau.

— Olha, tio Prieto, é o meu pai! - ele diz apontando para mim e Palermo gargalha enquanto o avalio muito curioso.

— Imagina se o filho de Sérgio Marquina ia ser bonito assim, os óculos até que se combinam. Menininho, faça isso com a sua vida não. Esse homem aqui não tem sequer dinheir para comprar um sorvetinho para você. - ele zomba e o olho indignado. Me Agacho para encarar o menino de perto.

— Pai, você me achou - ele diz e apesar da semelhança, sei que é impossível ser meu filho, mas sinto dó da criança.

— Qual é o seu nome? - pergunto com ternura, deve ser uma criança sem presença paterna e deve ter transferido a figura a mim.

— Lorenzo.

No mesmo instante, meu smartphone toca e olho para a tela, onde aparece o número de Marsella. 

— Raquel está aqui. Desce rápido.

O menino parece comigo, gosta de música brasileira e Raquel está aqui... A única mulher que fiz sexo sem prevenção na vida.

Desligo o telefone.

— Lorenzo, qual é o nome da sua mãe? - questiono, já tendo a real noção do quanto estou fodido.

— Mamãe Quel.- balbucia a criança no exato momento em que as portas se abrem, me levanto e vejo Raquel com lágrimas nos olhos ao notar nós dois juntos.

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RAQUEL MURILLO

— Raquel, seu filho já fez amizade no elevador. Confundiu até o moço aqui. - Prieto ri, sem ter noção da gravidade. - Bem, está entregue. Já vou subir daqui mesmo. De nada, Raquel.

Ele acena e Lorenzo corre para mim. Eu me agacho e o pego em meu colo, deitando sua cabeça em meu ombro.

— É o meu pai. Eu quero falar com ele,mamãe.

— Fica quietinho, filho.

— E então, Sérgio, vamos embora? - questiona o homem que está com ele, seu braço está enfaixado.

— Martín, me dá uns minutos, por favor - diz ríspido e ele revira os olhos saindo da nossa vista. - Acho que precisamos conversar. Acabo de descobrir em um elevador que tenho um filho.

— Sérgio, por favor… Eu preciso levá-lo para a escola, agora, não.

— Agora, sim.

Marsella aparece no corredor e olha pálido para o meu filho.

— Mamãe, me deixa ver ele. - Sigo escondendo a cabeça de Lorenzo no meu ombro, acuada. - Eu quero ver o meu pai.

Sérgio se aproxima e eu fico paralisada sob o seu olhar impassível.

— Solte-o - ele pede, o rosto não demonstrando ódio, mas mesmo assim eu nego com a cabeça. Pânico é o que sinto. Estou desesperada.

Sérgio caminha até mim e frente a frente, nossos olhares ficam trancados em uma guerra silenciosa, um verdadeiro bombardeio.

— Solta o garoto, Raquel. Está machucando o menino. Olha ele, está chorando - Marsella diz e percebo o choro do meu filho. Estática, o solto vagarosamente no chão e ele enxuga as lágrimas olhando para Sérgio.

— Papai! - Lorenzo diz com um sorriso nos lábios e Sérgio olha para mim, completamente perdido.

— Por favor?! - suplico e ele se agacha. Sérgio abre os braços para o meu filho, que vai ao seu encontro e os dois se afagam. Sinto minhas pernas falharem, mas Marsella me ampara. 

— Pai, você me achou - ele diz olhando alucinado a figura paterna que sempre quis conhecer.

— Sérgio... A escola, ele precisa ir - digo nervosa e ele se levanta com Lorenzo no colo. Caminha na frente sem me dirigir a palavra.

— Aonde ele está levando o meu filho? - pergunto a Marsella, com medo.

— Calma! Dê um tempo a eles. Venha. Vamos todos embora no meu carro, fique tranquila. - Marsella me ajuda a caminhar, entro no carro ainda anestesiada. Sou obrigada a assistir meu filho no colo de Sérgio, que apenas olha a janela e nada diz. - Raquel , coloque aqui no GPS o endereço da escola dele para que eu possa nos guiar até lá 

Marsella oferece, e, trêmula, eu coloco o nome da escola no aplicativo.

De pronto aparece a rota. Meu filho repara nas mãos do pai, os olhos curiosos se demoram na barba dele. Sorrio vendo o encanto do meu pequeno e me parte o coração em pensar que Sérgio pode rejeitá-lo. Meu menino é louco pelo pai.

Abraço-me sentindo um frio repentino, medo. 

O trânsito sentido ao Norte está fluindo, não demoraremos a chegar na escolinha. Um silêncio sepulcral se formou dentro do automóvel.

— Mamãe, eu não quero ir para a escola. Quero ficar com o meu pai.

— Lorenzo, você precisa ir. Sabe que a aula é importante.

— Não, quero o meu pai. - Deita a cabeça no colo de Sérgio e ajeito a minha postura para dar uma bronca nele, mas, de forma surpreendente, Sérgio o acaricia os cabelos.

— Eu vou vir te buscar mais cedo. Só preciso que seja um bom garoto e me permita conversar com a sua mãe, tudo bem?

O meu menino ajeita os óculos sorridente.

Sérgio abre a porta do carro e meu filho o guia para dentro da escola.

— Acho que eles vão se dar bem - Marsella diz me olhando do volante e apenas viro o rosto para fugir de seu olhar, o que o faz voltar a ficar calado.

Parece ter sido uma eternidade, até que Sérgio regresse e entre no carro.

Sem me olhar, ordena ao primo:

— Nos leve à minha casa. Eu e Raquel precisamos ter uma conversa séria.



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