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História A Vingança - Capítulo 31


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Notas do Autor


Vamos que vamos, minhas deusas do rock!

Capítulo 31 - Cumplices


Fanfic / Fanfiction A Vingança - Capítulo 31 - Cumplices

P.O.V Steven

Aquela voz rouca e fraca ao telefone era a de uma senhora de idade, então Jason não havia se enganado quanto ao número. Fico alguns segundos mudo, sem nenhuma ideia do que falar; nunca havia falado antes com nenhum parente de Adriana, muito menos uma senhora.

- Alô? Tem alguém na linha ?

Ouço uma voz impaciente no ouvido e decido que é hora de dizer algo, por mais idiota que fosse.

- Olá! Eu posso falar com a senhora Mary Smith?

- É ela mesma, meu jovem. Em que posso ajudar ?

- Olá senhora... Meu nome é Steven Adler e eu... ha...

- Pois não, meu rapaz, pode falar sem medo, eu estou as ordens.

Rio comigo mesmo com a doçura e bom humor daquela simpática senhora. Não a conhecia de perto, mas já podia sentir que era tão carismática quanto a sobrinha.

- Eu sou o namorado de sua sobrinha, Adriana e ...

- Adriana ? Como está a minha menina ? Faz tempo que ela não me liga, meu pobre coraçãozinho já está bem apertado de saudades.

Um nó se forma em minha garganta e tenho que me controlar para não derramar lágrimas, aquela bondosa senhora mal sabia o que estava acontecendo e seria uma grande maldade contar assim como era a situação. Não, poderia ser covardia minha, mas eu não seria capaz de contar a ela o que estava acontecendo, se não pude proteger a sobrinha, pelo menos a tia eu polparia.

- Ah, ela também está com muita saudade da senhora! Está trabalhando muito e não tem tempo nem pra descansar, por isso me pediu pra ligar e dizer que está tudo bem.- tento fazer minha voz mais tranquila.

- Ah, como eu fico feliz em saber que a minha sobrinha está bem e que está trabalhando também! Ela desde moça sempre foi uma menina muito bondosa,  o orgulho da família.

- Sei bem como é, todos gostam muito dela por aqui também.- sinto o nó na minha garganta se estreitar. - E me diz, como o tio Phil está ? Adriana me pediu pra perguntar também. - falo aleatoriamente.

- Isso é uma lástima, meu querido ! Meu marido morreu já tem alguns meses, como já estou velha e esses olhos não enxergam mais como antes, não consegui ligar pra minha sobrinha para lhe dar a péssima notícia. Sabe, meu rapaz- ela toma fôlego, faz uma pausa antes de falar - Adriana é minha única parente viva, é o que me sobrou de família, então cuide bem dela.

- Pode deixar que sua sobrinha sempre estará a salvo comigo.- sinto meus olhos lacrimejarem e decido que já é hora de desligar, não suportaria nem mais um segundo daquilo. - Senhora ...

- Pode me chamar de Mary, por favor, na minha idade já não temos mais tantas formalidades como vocês jovens hoje em dia.

- Ok, Mary - mais um sorriso nasce em mim - Eu tenho que ir agora, mas foi um prazer conversar com a senhora!

- Que isso, meu jovem rapaz! O prazer foi todo meu! Se,pre que quiser conversar com alguém pode me ligar, tempo é uma coisa que eu tenho de sobra agora!

- Tudo bem, pode deixar que ligarei sim. Até mais!

-Adeus, meu jovem!

Bato o telefone no gancho sem querer e vejo que minhas mãos tremem e por meus olhos já escapam lágrimas. Para as pessoas da rua deveria estar sendo uma cena engraçada , ver um homem dessa idade chorar ao ar livre, mas eu já não me importava com as coisas que iam falar ou deixar de dizer sobre mim; o importante agora era achar Adriana, minha doce Adriana e eu não sossegaria enquanto não conseguisse! 

 

P.O.V Florence.

Vou me arrumar um pouco mais antes de sair com Axl. Confesso que ver Axl surgindo na varanda foi um alívio por não ter de me explicar a Izzy, mas ao mesmo tempo foi uma dádiva com espécie de maldição, pois afastou uma versão sorridente e carinhosa de Izzy de perto de mim. Me doeu ver o modo triste e silencioso que ele saiu dali; provavelmente agora ia pensar que entre Axl e eu haveria alguma coisa. Por mais que me doesse muito, seria melhor assim.

Lavo as mãos e saio do banheiro já mais tranquila e pronta para executar aos poucos meu plano. Que pelo menos valesse a pena e a distância de Izzy esse passeio de Axl hoje. Onde será que esse louco ia querer me levar ? Espero que não seja para um motel desses de beira de estrada; seria a cara dele fazer uma coisa dessas.

Volto a varanda com meu sorriso mais natural e vejo que ele fumava enquanto me esperava e que ao me ver não hesitou em jogar o cigarro fora; pelo menos isso.

- E então, para onde vamos ?

- Não, não, não ; sem perguntas hoje. Vai ser uma surpresa.

- Ah, mais eu sou tão curiosa!

- Vai ter que se controlar hoje. - ele diz e me lança um sorriso vitorioso. Mas que droga! Aquele patife achar que tinha alguma vitória sobre mim!

- Conseguiu achar as chaves do carro ?

- Você não se controla, né ? - ele me diz sorrindo e sorrio de volta, mas minha maior vontade era de esganá-lo com todas as minhas forças agora, sem pensar duas vezes.

- Consegui sim.- ele me corta de meus pensamentos e me mostra as chaves enroscadas nos dedos. - Vamos lá ?

- Só se for agora!

Falo isso e caminhamos até um opala preto que estava parado bem em frente a casa. Para minha surpresa era um carro novo e confortável pra uma banda que estava começando agora. Uma pitada de curiosidade me invade: Como será ou o que fizeram pra conseguir um carro desses ?

Deixo isso momentaneamente pra lá e sigo com Axl pra esse lugar emblemático que ele insistia em me levar. Pelo jeito o caminho ia ser longo, o que me daria muito tempo pra conversar e tentar arrancar algo a mais dele.

- É um belo carro esse do seu amigo. - começo.

- Digamos  que é um dos ócios do ofício.

- Como assim ?

- Deixa quieto, isso é um segredinho de Steven e Duff.

- Acho que ainda não os conheço direito.

- Não se preocupe, hoje no jantar te apresento melhor pra eles.

- Não vão ficar sem jeito com uma garota na casa ?

- Já estamos acostumados com companhias femininas.

- Então não sou a primeira garota que vai lá ?

- Me desculpe mas não.

- Olha só, alguém aqui é uma galanteador de primeira. - brinco.

- Imagina, eu sou um santo, quase um noviço.

- Você não engana a ninguém. - brinco mais e vejo que ele sorri com isso.

- É, sem querer me exibir, mas fazer parte desde cedo da indústria da música tem seus benefícios.

- Então o Guns não é sua primeira banda ? - me finjo de inocente.

- Não, já estive em várias, antes dela era a Hollywood Rose.

- Hollywood Rose ? - era essa a banda que ele cantava na época da morte de Nat.

- Sim, foi um agito e tanto.

- E posso apostar que tinha muitas garotas nisso.- jogo meu anzol esperando que ele fisgue.

- Sim, mas tinha uma em especial que mexeu muito comigo .

- É ? 

- Sim, Nathalye Gardner.

Maldito ! Praguejo em minha mente mas meus lábios ficam quietos.

- E o romance de vocês não deu certo ?

- A família dela era um verdadeiro pé no saco, sequer deixavam que nos vissemos.

- Por que ? - como se eu não já soubesse a resposta.

- Não sei, acho que não gostavam muito de mim.

- Hmm.

- Então nos víamos as escuras, sem que ninguém soubesse. Era arriscado e podíamos nos ferrar muito, mas era muito divertido.

- Parece mesmo.

- Era como se estivessemos num filme em que o casal tem que ficar junto e só pode se ver secretamente.

- Deveria ser pura adrenalina.

- E como era.

- Então pelos pais dela não deu certo a relação de vocês ?

- Não só por isso.- sua feição se fecha na hora.

- Pelo o que mais ?

- Ela me deixou e acabou se mudando de cidade.- sua voz agora é arrastada.

Por que ele estava mentindo agora ? Me perguntava mais e mais sem nem ao menos ter uma ideia do real motivo.

- Mas você nem foi atrás dela ? - lanço mas vejo que seu rosto está se fechando em uma careta de mal humor.

- Não. Vamos mudar de assunto,  pode ser ? - ele fala agora em seu tom seco.

- Pode ser sim, foi mal pelas perguntas. -  me encolho agora na conversa.

- Eu sinto muito, não quis ser grosso com você - ele suspira antes de acabar de falar - é que essa história ainda me dói muito, entende.

- Entendo sim, claro . - eu falava com meus lábios mas minha mente gritava um grande não. Provavelmente o peso do remorso pela morte de Nat ainda devia soar na alma dele. Mas que ser humano desprezível era aquele ruivo.

- Estamos chegando ? - pergunto depois de mais cinco minutos de estrada.

- Na verdade já chegamos. - ele fala e estaciona. Saio do carro e meus olhos ficam pasmos com o lugar em que ele havia me levado. Como poderia ser ?

 

P.O.V Slash

Acordo jogado no chão de meu quarto. Depois que aquela garota chegou, fiquei mais na minha e mal pude esperar para usar um pouco mais de minhas paradinhas. Sim, dançar com o Senhor Browstone, como dizia Izzy, valia muito a pena em várias ocasiões.

Vou um pouco até a janela e vejo que ainda está claro e que o dia aparenta mal ter começado e eu não tinha ideia nenhuma do que porra fazer. Vou até um aquário grande perto de meu criado mudo e tiro de lá minha velha companheira de tempos. Ela estava quieta em seu canto, assim como eu e se espanta um pouco quando a pego em meu braço, até que eu lhe sussurre baixinho:

- Calma, calma companheira, sou eu.

Sim, eu falava com cobras e não estava nem aí se um dia iam me internar por isso. Pego o longo animal e o enrolo em meu braço, voltando e me sentando em minha cama começo logo a conversar com ela:

- Então, o que faremos hoje ?

Se por acaso esse bicho me respondesse, ia ser a manchete principal do The New York Times.

- Que tal compor um pouco ? - eu falo como se ela pudesse me responder, mas, apesar disso ser bem estranho, era uma maneira meio que terapêutica de passar o tempo.

- Pois é, colega, uma mulher mexe bastante com a cabeça da gente.

Desde que Luiza apareceu em minha vida, tudo estava de pernas pro ar. Izzy era meu amigo e sei que isso era uma puta mancada com ele, mas não se pode mandar no coração, fazer o que ?

- É, é, eu sei que devia contar tudo a ele. - falo encarando o animal que agora me mostra sua pequena língua.

- Mas o que posso fazer se me apaixonei por ela ? Eu nem sei o que sinto, mal vi uma pessoa duas vezes e ela já entrou em minha cabeça, eu não posso mandar nisso.

Me encosto na parede e fico olhando pela janela por enquanto.

- Você está certa, ficar trancado aqui nesse quarto não vai me ajudar em nada.- falo me levantando da cama e a pondo de novo em seu viveiro.

- Obrigada, seus conselhos me ajudaram muito! - falo pra jiboia antes de sair do local.

Desço as escadas e vejo que Izzy está de pé na varanda e que meu carro também não estava ali. Axl! Xingo mentalmente antes de saber se era realmente ele que pegou meu carro sem minha permissão, mas conhecendo Axl Rose, não podia se duvidar de nada.

- Axl pegou meu carro, não foi ? - digo me aproximando de Izzy.

- Na mosca.

- No que tá pensando?

- Em várias coisas.

- Falando nisso, quando o empresário chega?

- Luiza já o conheceu, foi naquele dia em que matamos a reunião.

-Porra! E quem é ele ?

- Ela não me disse, prometeu a David.

Poxa, essa garota era fogo mesmo !

- Na única fodida reunião que não vamos o cara chega.

- David quer comer nosso rabo por isso.

- Sei não, ele tem um jeito de brocha. - brinco e Izzy ri com isso.

- E se tem.

- Sua prima não deu nenhuma dica de quem é o cara ?

- Ela falou que nos surpreenderíamos ao saber.

- Só?

- Também disse que o cara até parou uma turnê para nos assessorar.

- Então é alguém que mexe diretamente com música ? Espero que não seja um desses novos cantores pop que só fazem imagem por aí.

- Acho que não, Luiza me disse que é alguém bem do nosso feitio.

- Quem seria mais doido e fodido que o Guns and Roses ao ponto de querer nos assessorar ?

- Isso é um grande enigma.

- Tem que tá com muita merda nas costas pra querer fazer isso.

- E como.

- Temos alguma agenda pra hoje ? 

- Não,só um show daqui a dois dias.

- Pra quem ?

- Vai ser na abertura de um festival de música.

- Pô, legal.

- E também gravar um novo clip semana que vem.

- Nossa sucesso tá crescendo.

- Bastante.

Porra, não sei dizer direito o que era, mas parecia que algo na voz de Izzy denunciava tristeza. Não era nada com a prima, aquela perdição de mulher, mas mesmo assim uma faísca de dor ardia em sua voz. Tento algo para o distrair um pouco daquilo:

- Meu cigarro acabou, vem comprar mais comigo ? - o convido.

- Já é. - ele me diz e vamos até uma tabacaria . Pelo menos uma volta ia ajudar o cara a refrescar um pouco as ideias.

 

P.O.V Florence.

Mal acredito onde estou, um lugar totalmente lindo, pacífico e isolado ; bem ao contrário da imagem que Axl Rose passava.

- Axl, um quiosque de pescaria ? - falo espantada olhando as árvores ao redor.

- Sim, é um truque na manga que guardo quando estou estressado.

- Deve vir pouco aqui...- deixo escapar de propósito.

- Ei, o que quis dizer ? - ele fala tentando bancar o bravo mas já rindo.

- Nada não .- falo entre risos.

- Vem, vamos lá antes que os peixes vão embora.

Eu não era capaz de crer que Axl Rose, a pessoa que passava a imagem de ser machão estressado secretamente adorava pescaria, minha mente ia demorar um pouco para processar aquilo.

O acompanho até uma barraca forrada com teto de palha de coqueiro, onde um senhor de meia idade e com camisa floral havaiana o atendia simpaticamente:

- Ora, ora, o mãos mágicas voltou por aqui !

- Mãos mágicas? - falo sem entender nada.

- Sim, moça; esse daqui é um dos melhores, se não o melhor, pescador dessa região toda.

- Você nunca me disse isso. - falo olhando pra ele.

- Todo mundo tem seus talentos escondidos.

- Tô vendo.

- Joe, me vê duas varinhas de bamboo e um balde de iscas.

- Pra já, chefe!

O home exageradamente bronzeado some de nossa frente e logo volta com o que foi pedido, entregando a Axl que por sua vez o paga sem ao menos perguntar o preço; ele devia mesmo ir ali várias vezes.

Já em posse das coisas,ele se vira pra mim me convidando:

- Vamos conhecer o rio ?

- Claro!

- Não sentir muita firmeza, hein.

- Quer apostar uma corrida até lá pra aquecer os ânimos ? - sugiro.

- Você vai perder.

- É o que veremos. Pronto ?

- Sim.

- Então já!- grito já saindo correndo a sua frente. Já perto do ponto de chegada, olho pra trás e vejo uma cena inacreditavelmente engraçada: Axl todo desajeitado com um balde iscas e varas de pescar correndo todo desengonçado correndo em minha direção ; se não estivesse vendo, dificilmente acreditaria.

- Isso não vale! Você roubou! - ele logo me acusa rindo quando chega.

- Ah, vai choramingar agora ? - o pirraço.

- Não sou homem de choramingar.

- Ui ui ui.- continuo o provocando.

- Mas vou querer revanche.

- Marque o dia e hora.

- Você é muito convencida, sabia ?

- Vindo de você parece um elogio.

- É, assumo que tenho a auto estima alta de vez em quando.

- De vez em quando ?

- Ah, não exagera , eu já assumi.

- Tá legal, já é um bom começo.

- Mas agora vamos pescar.

- Vamos lá.

Com extrema paciência, Axl arruma as varas e me entrega uma, já estando ao meu lado me ensinando alguns truques.

- Olha, o segredo é manter o pulso leve para sentir a fisgada depois. - ele fala em meu ouvido me ajudando a manusear a vara e logo já se afasta de mim.

- Ok, acho que entendi tudo.

- Essa eu quero só ver.

Ficamos sentados na beira do incrivelmente extenso lago em silêncio, a espera que algo fisgue nossas varas. Aproveitando o silêncio, já puxo logo uma conversa.

- Axl ?

- Oi?

- Por que nunca contou a ninguém que vem aqui ?

-É um lugar onde gosto de manter os pensamentos em silêncio, se contar pra muita gente, logo não vai ser mais tão especial. Na verdade acho que você é a primeira pessoa que conto esse segredo. Confio em você.

Isso mesmo, confie rapidamente e muito em mim, penso.

- Entendo, é um cantinho só seu.

- Isso.

- Axl? - começo de novo.

- Pode falar.

- Por que escolheu esse caminho de fama e fortuna da música ?

- Não é só pela fama e fortuna.

- Sério ?

- Tá legal, a fama e fortuna são um grande bônus, mas... é difícil de se explicar, sabe. Quando você sente que o que você deve fazer pelo resto da sua vida te chama,é bom não tentar silenciar esse chamado.

- Isso é muito profundo.

- De vez em quando solto coisa boa também, mas é melhor não ir se acostumando.

Rio com isso. Era diferente ver essa nova versão de Axl. Seu rosto passava imensa serenidade, algo que nunca antes tinha visto; ele estava em paz com o mundo e consigo mesmo, sua personalidade era branda e o ego estava baixo, nem parecia o idiota que foi capaz de tirar a vida de minha irmã, parecia mesmo é outra pessoa.

Era estranho ver isso, como as pessoas podiam mudar com as situações; apresentar uma face para cada ocasião,chegava até mesmo a ser peculiar...

Fico desatenta pensando nisso e vendo a serenidade e harmonia em seu rosto e sou surpreendida com um verdadeiro puxão em minha vara de pescar, algo que estica toda a minha linha e já vai me levando pra água.

- Axl, me ajuda rápido! - é a única coisa que consigo dizer.

Ele não hesita em abandonar sua pesca e vai em minha direção, me abraçando pelos ombros e puxando juntamente comigo seja lá o que for que eu fisguei.

- Você pegou um dos grandes. - ele fala vermelho pelo esforço.

- Se duvidar peguei a Ariel pelo rabo.

Mas não temos tempo de rir com essa brincadeira, mesmo tentando manter o equilíbrio, meus saltos derrapam na lama e vamos parar nós dois no meio do rio, deixando que a varinha se vá juntamente com o peixe.

- Florence,está bem ? - ele fala emergindo da água.

- Estou bem, estou aqui... - tento falar mais um grande ataque de riso me sufoca. Axl olha para mim, também rindo, só que em menor intensidade.

- Vamos logo para a beira antes que congelemos aqui, sua louca. 

Seguimos até a beira, mas o frio já era cortante e não temos outra alternativa a não ser ir correndo para o carro de Slash.

- Ah, eu acho que vou congelar. - falo batendo a porta e tremendo.

- Calma, já vou ligar o aquecedor.

Logo o aquecedor está ligado e já consigo me sentir melhor. Quando vejo, um silêncio estranho está non carro e Axl olha para mim, boca perto de boca, respiração perto de respiração. O silêncio era tamanho que até me senti tentada a beijá-lo, mas antes que pudesse fazer qualquer besteira, ele me diz:

- Toma, pegue meu casaco. - e me estende sua jaqueta em meus ombros.

- Não, não precisa, você ficará com frio também.- tento impedi-lo, mas já é tarde demais.

- Eu vou ficar bem. - ele apenas me diz.

Apesar do excesso de gentileza, me sinto bem com sua jaqueta, confesso que sempre fui friorenta.

- E aí, quer ir onde agora ? Conheço uma lanchonete ótima. - ele me surpreende com sua empolgação.

- Mas olhe o estado em que estamos.- falo olhando para as manchas de barro em minha roupa, que era dele em sua maioria, na verdade.

- E daí? Dane-se geral.

Ele tem razão, meus planos estavam indo bem e não podia deixar que pequenos detalhes influenciassem nisso.

- Vamos pra lá,então.

Ele dirige até uma lanchonete no centro da cidade, me sentia meio desajeitada pelo meu estado, mas resolvo ignorar isso.

- O que vai pedir?

- Bem, na verdade não trouxe dinheiro...

- Para com isso, é por minha conta dessa vez.

Escolhemos nossos lanches e falamos ao garçom que não demora em nos atender. Em poucos segundos estamos devorando incríveis chesseburgers.

- Caramba, como você consegue ser magra ? - ele fala olhando pra mim.

- Segredos de família.

- Uau, preciso saber desses segredos.

Ah, você mal podia realmente imaginar quais eram.

Acabamos de comer e ficamos ociosos no que fazer, até que mais uma sugestão de Axl surge e agora vamos rumo ao pier da cidade. Era um lugar bonito de se ver, quase ninguém por lá e uma bela vista da cidade, me surpreendi pelas sugestões dele hoje.

- Gosta daqui ? - ele me pergunta.

- Sim, muito.

- Então viremos todos os dias.

No fundo gostei da ideia, mas um estranho sentimento me consumia, como se quisesse outro alguém, outra pessoa ali comigo, Izzy.

- Mas se viermos aqui todos os dias, vai deixar de ser especial. - falo.

- Com você sempre vai parecer ser a primeira vez.

Essa foi inesperada e me pegou desprevinida. Apesar de ser um baita miserável, assumo que pelo menos tinha as cantadas boas.

A noite logo chega e resolvemos que era melhor voltar pra casa antes que Slash surtasse pelo sumiço do carro.

Chegamos de volta  a Hell House, que estava tremendamente silenciosa, Axl sobe os degraus até o banheiro e eu fico ali na sala, até a chegada de um homem transtornado que julgo ser Steven e que logo vai até a garrafa de  uísque e a toma sem dó.

- Ah, oi moça.- ele fala ao me ver.

- Olá.

-Acho que você é Florence, né ?

- Sim.

- Legal, eu sou Steven.- ele fala e vira mais um copo de uísque no goela.

- O prazer é meu. Você está bem ?

- Tá tão na cara assim que eu tô mal ?

- Um pouco. Senta aqui, sempre me disseram que eu sou uma ótima conselheira.

- Té bom, mas se prepara que a história é longa.

 

Alguns minutos e copos de uísque depois.

- Então quer dizer que Axl roubou sua namorada e colocou um contra o outro ?

- Exato.

- Que filho da mãe!

- Mais exato ainda.

- Você não acha que ele merece uma lição por isso ?

- Como assim ?

- Ele também aprontou muito comigo no passado, mas sem se lembrar que sou eu.- lhe digo.

- E o que planeja?

- Pagar com a própria moeda, fazer ele provar um pouco do próprio veneno.

- Moça você parece um pouco sombria, mas eu topo fazer parte disso. Ele merece pagar pelas coisas que faz.

- Exato. - agora era minha vez de dizer essa frase.- Então será meu cúmplice, Steve?

- Pode contar com isso!- ele fala meio ébrio.

Com isso apertamos as mãos e firmamos nossas alianças. Quase que em seguida Axl me chama e subo os degraus, mas antes lanço mais um olhar a Steven que capta o recado. O dia de hoje havia sido de grandes vitórias e agora havia conseguido mais uma aliança, uma carta a mais na minha manga.

Subo as escadas triunfante.

 

Pequeno P.O.V John para tentar entender um pouco o que se passa na mente desse psicopata.

Naquele infernal beco escuro aquele brutamontes me jogava contra a parede e esmurrava sem dó nem piedade meu fígado ao ponto de quase fazer me cuspir sangue.

- Mas que inferno você quer comigo ? - falo olhando pra cara raivosa do tourino Jason.

- Isso é sá uma amostra do que posso fazer, se descobrir que você tem alguma coisa a ver com o sumiço de Adriana, as coisas vão ficar bem piores pra você.

Então seria só não deixar você descobrir que eu tinha a ver com isso, penso.

- Eu não tenho a mínima ideia do que você tá falando.

- Você não me engana, John. - ele fala antes de me jogar em cima de algumas lixeiras e sair andando.

Com imensa dor no abdômen, me levanto e cambaleio sorridente até meu apartamento. Ah, como essa situação toda me divertia e muito! Até as estrelas pareciam estar ao meu lado, tudo estava ao meu lado! Só precisava de uma cúmplice pra isso. Depois ia pensar em algo.

Ah,como tudo estava ao meu lado! Cantarolo uma música entre gemidos de dor enquanto caminho.

 

 

 

 


Notas Finais


Então meus xuxus, sei que ficou bem ruim, mas eu juuuro que tentei, meus amoressssss;
E ai, uma Cassandra boa ou má nessa história ? Deixem aí seus comentários, minha divas magnas!!!história. Beijinhosss
Ps: já já vai chegar a hora do nosso Popcorn se vingar de Axl. Muita justiça ainda será feita nessa
Beijinhossss e até a próxima!


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