História A Vingança da Mulher com a Face Cortada - Capítulo 30


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 1.770
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 30 - A Segunda Volta


Pela manhã, quando Nathan pensava que tudo estava restabelecido e nada poderia fazê-lo mais feliz, Philomène o mandou embora de maneira ríspida e mais uma vez, deixou a cidade.

Passou um mês em sua antiga e enorme casa, mas depois de três tentativas malsucedidas de vendê-la por um preço satisfatório, resolveu deixá-la nas mãos de um corretor, e que fosse o que Deus quisesse. Viu-se forçada a voltar a Nova York, era incapaz de permanecer sozinha naquele mausoléu por mais tempo. Ao menos, lá, ela tinha duas ou três amigas, fúteis e um pouco distantes, mas queridas e gentis.

Sua fiel e inseparável Lilian estava por aí, num cruzeiro caríssimo em companhia de uma nova amiga muito íntima, uma divorciada de 40 e poucos anos. Não tinha tempo para aplacar a solidão de Philomène.

De volta a Nova York, a francesa, a muito custo, se conteve por mais um mês inteiro. Mas não pôde ficar longe dele por muito mais tempo.

Nathan abriu a porta sem camisa, Philomène não esperou sequer uma palavra para se jogar nos braços dele, sedenta daqueles beijos, daquela paixão, daquela loucura que afetava todas suas decisões. Entregou-se ao beijo ardente dos amantes que não veem-se há muito tempo, e não admitiria em voz alta, mas estava ansiosa para entregar-se a algo mais.

— Meu Deus... Ela existe mesmo. — Uma voz de mulher entrou pelos ouvidos de Philomène, que por um instante se assustou, depois viu-se simplesmente desapontada. Nathan, para surpresa dela, não a soltou. Desconcertada com a situação, por não saber como agir, ela também não fez nada.

— Desculpe, Kate. Tinha me esquecido de que estava aqui.

— Claro, claro... De repente sua deusa apareceu, não é? — Katelyn deu uma risadinha nervosa. Vestia apenas a combinação naquele momento. Estava ali na mesma intenção e sentimentos de Philomène, mas esta, evidentemente, lhe tinha passado à frente. — Às vezes eu pensava que ela era uma alucinação tua. — Philomène se afastou um pouco de Nathan, ajeitou os cabelos e pegou a bolsa que tinha deixado cair no chão.

— Me desculpem. Eu vou embora.

— Não, Philomène. Por favor, fica.

— O que você quer? Um mènage?

— Não. Kate, por favor. — Indicou a porta com os olhos. A moça suspirou.

— Quando você me disse que eu era uma distração, não estava brincando mesmo, não é? — Ela vestiu seu sobretudo, ajeitou os cabelos e pegou sua pequena bolsa. — Muito bem, Nathan. Adeus. — Calçou seus sapatos e saiu, de queixo erguido, sem escândalo, sem passos fortes, sem bater a porta.

Ele voltou a envolver Philomène e tentou beijá-la, mas após um breve roçar de lábios, ela virou o rosto.

— Não consigo mais, estou constrangida.

— Está bem, então... Ah, só não vá embora. Está com fome? Eu tenho uma lasanha no forno. Acho que uma fatia não vai lhe estragar a silhueta, vai?

— Vai. Mas eu me recupero.

— Então vai jantar comigo?

— Vou. — Sorridente, ele deu um beijo rápido em Philomène e foi buscar duas taças.

— Querida, caso lhe interesse saber... Kate e eu não havíamos feito nada quando chegou.

— Está bem.

— Não quer tirar o casaco?

— Estou com frio. — Ele entregou uma taça com vinho à Philomène. Ela tomou um gole e deixou a taça sobre a estante.

— Pode se sentar. Minha casa é feia, mas é limpa.

Ela se sentou num canto do sofá e não disse mais nada. Estava pensativa. A presença de Kate pusera um frio a seu impulso, e agora ela refletia se devia continuar ali ou ir embora antes que se afundasse e afogasse mais na situação. Nathan apenas a observava. Depois de terminar sua taça de vinho, acendeu um cigarro, e ofereceu outro a Philomène.

— Agora você fuma, é? — Perguntou e pôs o cigarro entre os lábios. Ele o acendeu antes de responder.

— Mais do que eu gostaria. O que diria se eu pusesse música?

— Por mim, tudo bem.

— Eu ainda me lembro do que estava tocando na primeira vez em que nos beijamos.

— Eu também. — Ele acariciou o rosto de Philomène.

— Pensei que não a veria mais. Você vai sumir amanhã, Philomène? — Ela deu de ombros. — Te enviei cartas para todos os endereços que conheço. Não recebeu nenhuma?

— Recebi.

— E não quis responder? — Ela abaixou a cabeça e a balançou em negativa.

Ele se afastou e pôs na vitrola a música que, depois daquela noite, quase três anos antes, ele elegera como sua favorita.

A canção ajudou Philomène a se soltar. Depois daquela taça, ainda tomou mais duas. Nathan a proibiu de tomar mais. A queria bem acordada naquela noite.

Jantaram juntos, dançaram devagarinho. Ela foi aos poucos tirando suas roupas, o corpo internamente aquecido pelo álcool. Primeiro o casaco, depois os sapatos. Por último, o blazer. Da blusa, abriu um botão, deixando à mostra o rego dos seios. Nathan olhou para ali como um lobo faminto, passou a língua pelos lábios e mordeu o inferior.

Ela deciciu, então, beijá-lo. Engatinhou pelo sofá, deitou-se sobre o peito dele. Beijaram-se por muito tempo, ela sentiu a mão dele descer por suas costas, deslizar por sua coxa em direção à barra da saia, e de volta, agora agarrada ao tecido. Se levantou e se sentou na ponta oposta do sofá.

— Que foi? — Perguntou ele entre beijinhos no rosto.

— Não quero.

— Por quê?

— A moça.

— Que moça? Ela foi embora.

— Sim, mas... — O fotógrafo se pôs de pé, e puxando Philomène pelo pulso, convidou:

— Vem cá, vou te mostrar uma coisa.

Ele abriu uma das duas portas na sala, revelando seu modesto dormitório. Nada além de uma cama que, apesar de espaçosa, era de solteiro, um armário, um abajur e uma cadeira. No leito, o lençol repousava perfeitamente esticado, sem a menor marca ou ruga. Sobre a cadeira, o vestido azul xadrez de Kate, abandonado junto da camisa e do suéter de Nathan.

— Está vendo, Philomène? Nada aconteceu hoje neste quarto. Agora, se ainda assim não quiser nada comigo, vou aceitar e ir dormir. — Beijou as mãos da soprano e acrescentou: — Se quiser dormir comigo, e não se importar de se espremer ali, fique à vontade, eu vou adorar.

Ela tirou a blusa e deixou que ele fizesse o resto do trabalho. Nathan alternava suas maneiras entre a urgência desesperada e o carinho mais delicado. Uma vez mais teve a impressão de que ela jamais iria embora, e anseou pelo raiar do próximo dia, quando sua primeira visão seria Philomène em seus braços. Então ele iria trabalhar e voltaria, e lá estaria ela. Todos os dias.

Sonhou com esse futuro por alguns minutos depois do êxtase compartilhado, aspirou o perfume dos cabelos de Philomène e encheu o rosto dela de beijos.

— Te amo tanto, querida. Estou feliz que esteja aqui.

— Não consegui ficar longe. Eu ainda estou apaixonada por você. É dificil partir.

— Então fica, meu amor. Por que toda essa coisa de ir embora? É saudade da sua família o que você tem?

— Não somente. Mas não me peça para explicar, por favor.

— Eu queria que você tivesse dezessete anos.

— Por quê?

— Porque seu pai nos obrigaria a nos casarmos. E se eu te fizesse um filho... Aí você não teria como me escapar mesmo. — Philomène riu. — Mas estou falando a sério. Por que não se casa comigo, Philomène? Eu já pedi tantas vezes... Se não confia em mim, casamos em separação de bens. Para falar a verdade, eu faço questão disso.

— Nathan, deixe de ser bobo. Vamos deixar as coisas como estão.

— Aí você só me aparece daqui um ano. Eu posso ir te ver, ao menos?

— Não.

— Você tem outro, é evidente. Está morando na sua casa, ou só vem e vai?

— Quem é você para falar? Você tem a Katelyn.

— Sabe por quanto tempo eu a ignorei depois daquela noite com você? Quase dois meses. Apenas ontem voltamos a nos falar, ela me chamou para o cinema e fomos juntos.

— E foram para a cama depois do filme, eu suponho.

— E por que não? Somos jovens, queremos nos divertir. Por que eu tenho que ser fiel a você quando estamos separados? Você não me dá importância nenhuma.

— É claro que dou. — Ele apertou Philomène em seus braços.

— Isso me chateia, sabe? Você me usou no começo, como um instrumento qualquer. Eu perdoei isso porque amava você. Então agora eu cometo um pequeno erro, e nada mais pode ter conserto? Por que isso, meu bem? Não é justo.

— Você chama de pequeno erro me entregar de bandeja a quem queria me matar?

— Meu maior e único erro foi acreditar na pessoa que me deu a vida. Por isso eu mereço perder você? — Ela suspirou.

— Você não entende. Não tem nada a ver com tua mãe.

— Realmente não entendo. Se Kate é o que te incomoda, eu prometo jamais voltar a vê-la. Eu me afastei dela, Deus sabe que sim. Enquanto esperava por você, eu me afastei dela. Porque eu quero ser fiel a você. Mas... Eu não quero ficar sozinho, esperando por você para sempre. Eu nunca sei se você vai voltar... Você vai ficar comigo, Philomène? Me diz que sim.

— Eu não posso. Amo você, mas não posso.

— Olhe, estou começando a me fartar. Eu não sou mais aquele idiota, Philomène. Eu tenho 24 anos, agora. Não vou mais deixar você se divertir comigo e achar bonito como eu fazia naquela época, entendeu? Philomène, eu exijo que se decida. — A mulher não disse nada. Depois de um tempo, desviou o olhar. — Vá embora. E agora sou eu quem não quer que você volte. Eu não vou mais me humilhar por você. Não vou mais implorar. Vá, vá embora agora. Saia da minha casa.

Envergonhada e um tanto humilhada, por um momento ela não teve reação. Não esperava por aquilo. Depois se levantou e se vestiu rapidamente. Ia mesmo embora, mas ele impediu que saísse.

— Não, por favor. Me perdoa pelo que eu falei. Não vá, não. Fica aqui comigo hoje.

— É melhor eu ir, Nathan.

— Tem certeza?

— Eu tenho.

— Está bem. Vá, então. Acho um pecado reduzir tudo o que tivemos a somente sexo, mas se você prefere assim... Volte sempre que quiser, eu estarei aqui. — Segurou os lados do rosto de Philomène, a beijou e abraçou apertado, depois a deixou ir.



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