História A virada do milênio - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Kai, Sehun
Tags Angst, Anjos, Banda!au, Chanbaek, Chansoo, Sebaek, Viradadomilênio, Xiuchen
Visualizações 158
Palavras 4.609
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


AAAA VAMOS COMBINAR QUE TODO MUNDO ESPERAVA QUE EU FOSSE DEMORAR 2 MESES DE NOVO KKKK
Gente eu to tão feliz de estar atualizando hoje, sério. Mente 100 kg mais leve agora.
Dessa vez um capítulo grande, de vergonha, totoso como vocês adoram. Gente eu não to tendo tempo de responder os comentários, mas eu juro que estou lendo todos e adorando a recepção de vocês. Não esqueçam de sempre deixar a opinião de vocês.
O capítulo não está betado ainda, me perdoem qualquer erro - inclusive quem for beta e quiser se voluntariar eu agradeço kkk
Só mais uma coisa, esse capítulo é metade SeBaek e metade Chansoo então vamos preparar os corações, porque acontece bastante coisa. Estávamos precisando entender esse Chansoo né?
Boa leitura ^^

Capítulo 6 - Capítulo V - Machucar a si mesmo


Fanfic / Fanfiction A virada do milênio - Capítulo 6 - Capítulo V - Machucar a si mesmo

Capítulo V – Machucar a si mesmo

 

Baekhyun olhou para porta como quem olhava para seu pior inimigo, porém seu inimigo não estava detrás dela e sim atrás de si. Quando sentiu algo tocar no meio de suas costas, abriu as asas novamente e voou para longe, acabando por esbarrar na parede com força e cair no chão ao lado do vaso sanitário.

Kai arqueou a sobrancelha enquanto observava o anjo se levantar. Ele estava em silêncio, encostado na pia com as mãos nos bolsos da calça preta como se fosse completamente normal ele estar ali. Baekhyun tinha a mão na testa que latejava de dor e quando tirou os dedos de cima do local que bateu no chão, viu um filete de sangue escorrendo em seus dedos.

Você é um anjo, mas está em um corpo humano, Rafael. Eu já disse que não precisa se assustar assim quando estou por perto. Assim vai acabar matando o seu corpo. Revirou os olhos e suspirou. Baekhyun engoliu em seco tentado a perguntar o que estava acontecendo Você está caindo.

Impossível... Eu não fiz nada de errado...

Baekhyun olhou assustado para Jong In.

Você tem que tomar muito cuidado com o que faz próximo do seu protegido, Baekhyun. Qualquer erro pode ser fatal para ele e para você... Kai olhou para um relógio imaginário em seu pulso e arqueou a sobrancelha Tenho que ir... Lembre-se que você é um anjo, mas está no corpo de um humano, os sentimentos e desejos podem se mesclar se você não tiver cuidado...

Eu nunca deixei isso acontecer... Na minha existência...

Eu sei, mas isso não significa que não poderá acontecer no futuro... Como eu já disse... Anjos da morte podem prever certos acontecimentos, não é mesmo? Ele sorriu piscando o olho e desapareceu ali mesmo.

A porta continuava batendo e Baekhyun cuidou de esconder suas asas antes de abri-la. Sehun estava por trás dela com uma expressão preocupada, os dois se encararam por alguns segundos, Baekhyun sentindo medo do que estava para acontecer no futuro, mesmo que acreditasse ser impossível.

“Você está bem?” Sehun perguntou tentando tocar no ferimento na testa de Baekhyun, mas ele recuou, sentindo dor. Sehun negou com a cabeça, mal acreditando que o garoto tinha se machucado sozinho e o puxou até próximo da pia.

Tirou a camisa branca que estava usando e começou a molhar com água. Encostou Baekhyun na parede e olhou para o ferimento semicerrando os olhos. Suspirou e começou a limpar com a pontinha de tecido úmido. O anjo pensou em falar alguma coisa, mas o outro estava concentrado demais para ler os seus lábios.

Enquanto sentia leves pontadas de dor com o toque do outro em sua testa, Baekhyun observou a aura de Sehun ficar um pouco mais clara. Franziu a testa observando a cor ao redor do humano e inclinou um pouco a cabeça.

Sehun sorriu ao perceber que o outro estava olhando para algo ao redor de si e apenas ficou observando ele fazer isso. Ele parecia impressionado com algo e as boca delineada ficava entreaberta, os olhos brilhando e a testa franzida. Ele era bonito... E lhe passava uma paz que ninguém passava, como se não existisse nada além deles dois naquele lugar... Sehun não sabia dizer como, mas se sentia protegido ao lado dele, o que era um pouco contraditório porque era ele que estava limpando a ferida do mais novo.

Quando terminou, colocou a camisa na pia e sorriu para Baekhyun que continuava um pouco desatento.

“Tem algo de errado comigo?” Gesticulou fazendo a melhor expressão séria que conseguia.

“Não... É que...”

“É porque estou sem camisa?” Perguntou mostrando o muque e Baekhyun sorriu negando com a cabeça.

“Não é que... Eu acho que vejo a beleza interior das pessoas com mais facilidade...” Baekhyun parou de sorrir quando percebeu que a aura de Sehun voltou a escurecer “Falei algo de errado? Você preferia ter a sua aparência física elogiada?”

“Não é que... Eu não sou a pessoa mais bela do mundo se você quer saber, mesmo por dentro.” Ele desviou um pouco o olhar “Vamos sair daqui, está um pouco quente... Temos um ensaio para fazer...”

Baekhyun tocou nas costas de Sehun e eles se virou para saber o que era.

“Tenho que tomar um banho... Pode ir, avise que vou chegar um pouco atrasado para o ensaio.” Sehun assentiu e ambos saíram do banheiro para seguir caminhos diferentes.

 

***

 

Chanyeol colocava tudo o que podia dentro de uma sacola de lixo preta que tinha pedido na dispensa do hotel. Suas roupas, seus eletrônicos, tudo o que lhe pertencia e que ele não dividia com Kyungsoo ele estava jogando ali dentro sem falar nenhuma palavra.

Kyungsoo estava com fones de ouvido escrevendo algo em um caderno pequeno, mas nem mesmo olhava para o ex-namorado. Ambos não tinham mais o que falar e nenhum dos dois queria puxar qualquer assunto um com o outro.

Quando Chanyeol terminou de tirar tudo o que pretendia, puxou a sacola atrás de si e caminhou em direção à porta. Sentiu algo puxar o seu pulso. Olhou para trás surpreso e olhou para Kyungsoo. Ele segurava seu pulso desviando o olhar.

O que é, Kyungsoo? – Perguntou irritado.

Ele continua calado.

Não vai falar? Bufou revirando os olhos e afastou a mão do outro do próprio braço Então está bom... Se amor é se humilhar para aquele que eu amo... Eu desisto. Eu não vou fazer isso, esqueçe. Deu de ombros e saiu do quarto levando o que podia de suas coisas.

Kyungsoo voltou a respirar depois de tantos segundos paralisado e olhou para a janela tentando encontrar alguma solução para aquilo que estava sentindo.

Não podia ser o mesmo sentimento daquele dia. Ele não podia estar sentindo aquela dor tão forte.

 

***

 

Baekhyun tinha acabado de tomar banho quando olhou no relógio e percebeu que estava uma hora atrasado para o ensaio. Não era tão grave. Terminou de vestir sua roupa branca e saiu do quarto trancando a porta. Seguiu pelo corredor pensando no que aconteceu mais cedo. O alívio de ver a aura de seu protegido brilhar um pouco foi tão rápido que ele não conseguiu nem pensar em um motivo plausível para aquilo acontecer. Não foi efeito de sua voz... Então o que podia ser?

O anjo sabia que para entendê-lo precisava descobrir porque ele corria perigo e para isso... Ou teria que pedir ajuda divina ou teria que se aproximar de Sehun um pouco mais. Anjos não tinham acesso aos pensamentos humanos, e nem sabiam de tudo sobre eles. Apenas Ele sabia.

Senhor... Preciso de vossa ajuda... Parou de andar fechando os olhos e unindo a palma das mãos. O Senhor sempre sabe o que faz e se não tenho acesso aos pensamentos e memórias do meu protegido, existe um motivo, mas poderia, por favor, enviar algum sinal? Alguma ajuda? Qualquer coisa?

Oh meu Deus! Baekhyun abriu os olhos um pouco assustado e olhou para trás. É o Baekhyun! Uma garota falou ao lado de sua amiga e caminhou até o vocalista calmamente Você é o vocalista daquela banda Angel’s Wings, não é? Ela estava eufórica e ficou ainda mais feliz quando Baek confirmou timidamente.

Nós somos fãs de vocês! Isso é tão legal... E pensar que eu nem queria vir para esse hotel! A outra disse com as mãos nas bochechas Você aceita autografar nossos CD’s? Nós compramos há alguns dias... Por favor!

T-tudo bem... Sorriu um pouco sem jeito e sentiu a mais alta delas puxar sua mão para a direção contrária das escadas que lhe levariam para o porão.  

Dentro do quarto das duas garotas, Baekhyun recebeu os dois discos novinhos das garotas e assinou ambos com cuidado. Não acostumava dar autógrafos, geralmente não falava nada nas entrevistas por não gostar de falar em público, Baekhyun gostava de cantar e os autógrafos... Bom, as pessoas normalmente preferiam escutá-lo cantar.

 

Eu acho que melhor ir... Eu tenho um ensaio... Falou entregando os discos das garotas e uma delas ficou com uma carinha triste.

Ah, para... Fica mais um pouco! A gente nunca mais vai te ver. Que tal um chocolate quente? A gente soube que ao contrário dos outros do grupo você não bebe álcool. Isso é tão lindo da sua parte! A Hyuna está terminando de preparar! Ela disse colocando os CD’s em cima da mesa.

Ah...

Só o chocolate quente! Ai a gente te libera para o ensaio, está bem? A garota de cabelo curtinho perguntou dando joinha e piscando o olho.

Não, eu realmente estou atrasado. — Baekhyun sentiu uma mão tocar em suas costas — O que pensa que está fazendo? — Perguntou se assustando, pois o toque estava muito próximo de seu ponto sensível.

— A gente queria te mostrar uma coisa, não é Jung?— Ela perguntou para Hyuna que estava olhando para o anjo com um olhar predador.

— Parem! — Gritou tentando se soltar delas e por um instante suas asas ameaçaram sair. Segurou-se como pôde, sabia que em situações de perigo elas nasciam sozinhas. As duas garotas eram mais fortes do que aparentavam e enquanto Jung apertava seus pulsos, Hyuna tratava de puxar o corpo de Baekhyun para o quarto.

Baekhyun sentiu dor. O medo de estar sendo precipitado era maior do que o medo do que aquelas duas garotas iam fazer. Ele não tinha permissão para abrir as asas na presença de qualquer humano e podia ser punido por isso.

Quando entraram no quarto, Baekhyun ainda gritava por ajuda e pedia para elas pararem, as duas continuavam calmas e serenas, surrando palavras pecaminosas.

— Você é mesmo um anjinho... — Hyuna cantarolou — Porque não canta para nós? — Perguntou desabotoando a camisa de Baekhyun — Enquanto nós nos alimentamos de você. — O anjo arregalou os olhos.

Não eram garotas comuns.

Elas não eram suas fãs.

Eram Succubus. Demônios que se alimentam da energia sexual dos homens.

Baekhyun pôde perceber porque quando sentia fisgadas nas costas, com suas asas tentando sair, sua visão de anjo aprimorava e ele conseguia ver a verdadeira forma das duas criaturas. Na realidade elas eram feias, com asas de morcego, cifres de touro e dentes afiados. As duas estavam ali para se alimentar e ir embora.

 

***

 

Yixing e Sehun dançavam o instrumental da faixa título do disco com calma. O mais novo ainda estava aprendendo os passos e a melodia ainda não estava presa em sua mente. Precisava ouvir mais vezes até que a vibração fincasse em seus pensamentos e ele pudesse decorar a distância entre segundos de um passo para o outro.

Sentir a música era muito mais do que sentir o som. Era sentir as vibrações, sentir os movimentos e tudo aquilo que o corpo descobria ao se movimentar.

Todos estavam ali exceto Kyungsoo e Baekhyun. O que já era estranho o bastante. Baekhyun nunca faltou nenhum ensaio mesmo doente. Chen ficou ali entre ficar preocupado com os dois que estavam desaparecidos ou brigar com Minseok novamente por ter se esforçado demais durante a madrugada e inflamado as feridas das mãos.

 

***

 

O anjo já estava pronto para se defender quando escutou um estrondo vindo da porta. As duas criaturas olharam para ela irritadas e ao verem Sehun ficaram ainda mais animadas.

— Olha só, teremos sobremesa... — Ela cantarolou caminhando na direção de Sehun que ainda a olhava com ódio. Baekhyun chutou o rosto de Hyuna que estava distraída olhando para Sehun e se levantou da cama. — Você não é capaz de me ouvir? — Ela perguntou franzindo a testa e com as unhas já crescendo de irritação.

Baekhyun pegou uma cadeira qualquer que encontrou ao lado da cama e jogou na direção da mulher. Sehun arregalou os olhos assustado com o que acabara de ver. O menor correu até a porta e empurrou Sehun para fora trancando a mesma.

Escutou ela bater com força e sabia que Sehun queria que ele saísse dali, mas precisava dar fim nas duas criaturas.

 Abriu suas asas de anjo e uma luz divina iluminou suas plumas. As mulheres retornaram a sua verdadeira forma e apresentaram seus olhos vermelhos furiosos, as garras afiadas prontas para transformar Baekhyun em pedacinhos. Quando ambas avançaram na direção do anjo, ele abriu os olhos e gritou.

Sua voz tinha todo o poder de anjo que habitava em Baekhyun. Ele a usava para tudo, inclusive para destruir demônios. As duas começaram a se desintegrar com as ondas sônicas e escaparam pela janela antes de algo pior acontecesse.

Baekhyun desceu até o chão e escondeu as asas pegando sua camisa branca no chão. Vestiu ela com calma, ainda se sentindo um pouco tonto com o que aconteceu e abriu a porta.

Foi surpreendido por um abraço apertado de seu protegido.

“Eu senti uma grande vibração... Você está bem?” Perguntou tocando nos ombros do mais novo e Baekhyun assentiu

“Sim. Estou bem. Calma... Elas não vão voltar.”

“Eu não acredito que elas iam te obrigar a alguma coisa...”

— Tudo bem... Já passou... — Falou devagar para que o outro lesse seus lábios. “Como você me encontrou?”

“Você e o Kyungsoo estavam demorando demais... Então eu resolvi procurar por você, enquanto Yixing procurava por Kyungsoo.... Eu aquelas garotas falando com você preferi não interromper porque realmente parecia conversa de fã, mas quando elas te levaram para o quarto delas eu estranhei demais...”

“Espera... Kyungsoo... Onde está Kyungsoo?”

“É ai que está a questão. Ninguém sabe.”

 

***

 

Foi naquele palco, que ele conheceu a pessoa que destruiu a sua vida.

Foi ouvindo aquela maldita música que o problema começou e ele não fazia ideia de onde estava se metendo.

Não havia mais ninguém naquele lugar que o conhecia, ao mesmo tempo que era um alívio, ele considerava que tudo o que sofreu permaneceu apenas com ele, sem que ninguém se importasse, sem que houvesse pelo menos uma testemunha para confirmar a ele que suas lembranças eram verdadeiras e não apenas uma pesadelo ou loucura sua.

Do Kyungsoo morreu naquele lugar há cinco anos, depois de em uma noite, ter sido machucado para sempre.

— Me dê uma dose de vodka pura — Pediu ao barman que trouxe a bebida sem questionar. Fazia muito tempo que ele não bebia sozinho, Chanyeol não deixava, pois sabia tanto quanto ele das consequências. — Trás logo o litro inteiro, não vou sair daqui agora mesmo.

 — Terminou com a namorada, garoto? — O homem perguntou com um sorriso pequeno no rosto.

  — Não da pra terminar o que eu nunca deixei começar.

 — Se você não deixou acontecer então... A culpa é meio sua, não é?

Kyungsoo olhou para o homem com uma expressão mortal no rosto.

— Não é da sua conta, trás minha bebida. — O barman levantou os braços em rendição e continuou o seu trabalho enquanto o tecladista dava a primeira golada em sua bebida. Sentiu o líquido descer rasgando em sua garganta e bateu o copo no balcão.

Talvez não seja má ideia o mundo se acabar.  

 

            Eu machuquei a mim mesmo hoje

            Para ver se eu ainda sinto

            Eu me concentro na dor

            É a única coisa que é real

 

— Chanyeol! — Baekhyun batia sem parar na porta, sem desistir de avisar Chanyeol do que estava para acontecer se ele não fizesse nada. Finalmente fez o mais novo abrir a porta. Ele estava ali trancado desde que o ensaio foi cancelado por conta de Kyungsoo.

— O que é, porra?! — Perguntou mal-humorado e com muito sono.

— Soo... Ele...

— E não quero saber... — Tentou fechar a porta, mas Baekhyun a segurou como podia.

— Ele está correndo perigo! — Falou o mais rápido que conseguia — Chanyeol... Ele está naquele lugar... Aquele lugar perigoso... — Baekhyun não fazia ideia de até onde Chanyeol sabia da história de Kyungsoo, mas esperava que ele entendesse.

Ele entendeu.

A expressão de Chanyeol relaxou e logo seu rosto demonstrava todo o medo que ele tinha desde que conheceu Kyungsoo. Ele fechou os olhos sentindo uma dor dentro de si, como se tivesse acabado de levar uma facada nas costas.

— Se ele voltou lá... Eu não tenho nada a ver com isso... — Engoliu em seco. Engoliu todo o orgulho e todos os anos que passou sofrendo para superar o trauma de Kyungsoo junto com ele. Todos os meses jogados no lixo pelo próprio.  — Eu fiz o que eu podia, Baekhyun.

— Se você não for, eu vou lá... Mas... Pode ser tarde e você sabe que minhas palavras não tem o mesmo efeito que as suas. Chany... Por favor... — suplicou com os lábios tremendo e o mais novo pensou duas vezes.

 

A agulha abre um buraco

A velha picada familiar

Tento apagar tudo

Mas eu me lembro de tudo

 

O que eu me tornei

Minha mais doce amiga?

Todos que eu conheço vão embora

No final

 

— Meu filho vai ser um lindo juiz! — A mulher dizia depositando um beijo estalado nas bochechas gorduchas do filho mais novo. — Eu nem acredito! — Falava toda feliz, abraçando o pequeno pelas costas — Eu sempre soube que você conseguiria.

— Ele não fez mais do que a obrigação dele, querida. — O pai falou tentando cortar o clima, mesmo que na brincadeira, mas não conseguiu, todos ali estavam felizes demais com a notícia da aprovação.

— Não importa! Olhe para ele... Tão lindo... — Ela sorriu alegre e abraçou de novo o filho que mais amava. — Você merece tudo isso e muito mais, meu amor! Vamos chamar toda a família para comemorar!

Ela estava realmente animada. Kyungsoo sorriu feliz por mais que detestasse estar nas reuniões de família. Seu pai não demonstrava tanto, mas estava orgulhoso também e aquilo o deixava muito feliz, tinha provado que sua música jamais o impediria de realizar seus sonhos e obrigações.

           

E você poderia ter isso tudo

Meu império de sujeira

Eu te desapontarei

Eu te machucarei

 

— Ele era bonito. — Confessou com o queixo encostado na própria mão — Ele sempre tocava naquele palco. Sorridente e convencido, com sua guitarra e seus piercigs. Seus lábios carnudos e pecaminosos... Aish. — Já estava com sono e um pouco tonto por causa da bebida. — Ele era quente... Eu nunca tinha desejado ninguém, como eu o desejei. — Soluçou e tentou pegar um pouco mais de bebida.

A pessoa que lhe escutava segurou a garrafa e despejou a bebida no copo de Kyungsoo, como uma gentiliza. Kyungsoo sentiu um frio estranho na barriga e empurrou o copo para longe, sem derrubá—lo.

— Chega. Está bom... Eu já bebi demais... — Tirou um bolo de dinheiro do bolso e colocou em cima do balcão, se preparando para sair dali.

— Espere... Conte mais sobre ele. Eu sou um bom ouvinte. — O homem falou tragando um cigarro calmamente — Eu acho que você precisa desabafar com alguém. Pelo que vi... Terminou com ele agora, certo?

— Quê? — Sentou de novo na cadeira — Não... Eu não terminei com ele agora. Esse que eu estava falando, Wu Yifan foi o homem que destruiu a minha vida. O que me jogou na sarjeta... Esse homem, merece a morte, se eu pudesse, matava eu mesmo.

— E o que ele fez de tão errado... — Os olhos amendoados do outro lhe encararam cheios de indiferença.

— Ele me fez amá-lo. Eu... Confie nele. Deu tudo o que era mais precioso em mim por esse amor e no fim... Tudo se perdeu, porque ele me deixou sozinho, na hora que eu mais precisei.

— Você não está exagerando um pouco?

Kyungsoo cerrou os punhos e encarou o vazio.

 

            Eu uso essa coroa de espinhos

Sobre meu trono de mentiras

Cheio de pensamentos quebrados

Que eu não posso consertar

 

A merda estava feita. Seu irmão mais velho, aquele que sempre lhe invejou por ser o mais querido de sua mãe, descobriu o seu caso com o guitarrista. Oh, com certeza o problema não estava em ele namorar um roqueiro que vive da música, fuma e tem várias tatuagens e piercings pelo corpo. O problema estava em ele ser homem.

Kyungsoo nunca tinha apanhado de seu pai durante a sua vida inteira, mas naquela noite, quando chegou da universidade... Ele já estava esperando com um cinto na mão, como se fosse uma criança dez anos de idade que fez algo terrível por nunca ter “aprendido a lição”.

A surra foi dolorosa e silenciosa do lado de seu pai. Ele não falou nada, esperava que seus atos falassem por si só e que seu filho jamais voltasse para os braços daquele maldito novamente, porém não era tão fácil assim... Ele estava com nojo do garoto, queria ele longe, e só não o havia expulsado de casa por causa da mãe que não iria deixa-lo em paz.

           

Sob as manchas do tempo

Os sentimentos desaparecem

Você é outra pessoa

Eu ainda estou bem aqui

 

Kyungsoo achou que tinha o amor, que seria capaz de suportar todas aquelas humilhações dentro de casa utilizando o amor que nutria pelo outro, mas não era o bastante. Yifan ia se tornando mais distante. Ele sempre fora bruto e um pouco mais “foda-se” para o mundo, porém aquilo naquele momento estava realmente incomodando o mais novo... Ele estava passando por uma barra difícil e Yifan não parecia se preocupar nem mesmo com isso.

O tecladista parou de se encontrar com Yifan com menos frequência, pois precisava que as coisas em sua casa amenizassem um pouco. Seu pai e sua mãe ainda não falavam consigo e ele não tinha mais o direito de jantar com a família, tinha que esperar todos terminar de comer para se alimentar e nem sempre a comida sobrava... De propósito.

Um dia, praticamente três meses vivendo em um inferno que era obrigado chamar de casa, pois ainda não trabalhava, resolveu se desligar um pouco de tudo e sair com Yifan para longe. Os dois foram no bar que se conheceram e começaram a beber descontraidamente por lá. Sem falar nos problemas, sem mais...

No meio da noite, Yifan desapareceu. Kyungsoo estava bêbado demais para se lembrar se ele havia o abandonado ali sozinho ou se ele foi descarado o suficiente para traí—lo e levar outra pessoa daquele lugar para cama. Seu coração estava acelerado e ele andava praticamente caindo no meio do lugar. Apoiava—se nas paredes sentindo que iria sufocar e chamava por seu namorado inutilmente.

Precisava respirar, precisava sair dali.

Ele saiu do bar e cambaleou pela calçada até vomitar em um canto dela. Se apoiou como podia ali e continuou jogando para fora aquilo que estava lhe fazendo mal.

Quando terminou, sua cabeça estava prestes a explodir. Limpou os lábios com o punho do casaco e cambaleou para calçada em direção a alguns carros que ali estavam.

— Yifan... Se estiver ai... Eu vou te matar... Porque me deixou sozinho... Eu te odeio... — Murmurou ainda sentindo falta de ar e só percebeu que estava sendo seguido quando dois homens entraram na sua frente com olhares predadores.

— Olha só o que achamos aqui. Um viadinho... Está procurando o namoradinho? — Sentiu um tapa fazer sua bochecha arder e colocou as mãos no rosto sem acreditar.

— O que pensa que está fazendo?! — Gritou com a dicção ruim e o homem riu.

— Está morto de bêbado ainda por cima.

— Ele vai aprender o que pessoas sujas como ele merecem. — Kyungsoo viu o mias alto deles lhe puxar pela gola da camisa e tentou chutá-lo.

— Me solta! Me solta! Kris! Seu idiota! — Tentava se livrar das mãos daquele homem, mas parecia impossível.

— Não adianta gritar. Você não merece ajuda. — Kyungsoo foi empurrado até cair no chão de um beco sem saída, sem forças para levantar — Pessoas com você merecem a morte, você é um pecador. Será que não percebe?!

— Para! — Gritou quando sentiu o primeiro soco atingir seu estômago. — Por favor!

Um chute.

 

O que me tornei

Minha mais doce amiga?

Todos que eu conheço vão embora

No final

 

— Filho! — A mulher já tinha lágrimas nos olhos ao perceber que o rosto do filho estava muito danificado. Ele tinha sangue por todo o corpo e mal conseguia ficar em pé na porta de casa. Era o seu lar e nem mesmo ele queria lhe receber.

— Não toca nele. — O pai falou antes que a mulher tocasse no filho mais novo — Se ele está assim, é porque mereceu. Não era isso que ele queria? Liberdade para fazer o que ele quer? Então que ele arque com as consequências, sozinho. Eu não quero um filho gay na minha casa... E ainda mais... — Ele fez careta de nojo olhando para o corpo machucado do filho — Olhe para ele... Deve ter pegado alguma doença...

— Mas querido...

— Sem, mas. Arrume as malas dele e...

Kyungsoo não conseguiu mais ouvir aquilo. Tampou os ouvidos e saiu correndo até seu quarto. Sentia muita dor... Muita dor... Mesmo que tivesse com os ouvidos tampados, ainda conseguia ouvir as palavras horríveis de seu pai. Ainda sentia a dor tomar conta de todo o seu corpo, por onde apanhou, por onde foi violentado, mas nenhuma delas era tão dilacerante como aquela. As palavras se repetiam e se repetiam enquanto ele entrava em seu quarto e pegava os livros de sua estante.

Os livros que virava noites estudando. Abriu a janela e jogou todos para fora. Pegou todas as suas roupas, rasgou uma por uma enquanto gritava e chorava de dor.

“Eu não vou aceitar um filho gay.”

“Você vai pro inferno!”

“Você mereceu”

“Pare de chorar, você gosta! Não é disso que você gosta?”

“Deve ter pegado uma doença”

O estudante pegou seus instrumentos e começou a jogar pela janela.

— Filho! Pare, você vai destruir todas as suas coisas... Pare... — Sua mãe falou por trás da porta, mas ele não podia dar ouvidos a ela.

De todas as suas coisas, a única coisa que sobreviveu foi seu teclado. Kyungsoo puxou todos os fios da tomada e carregou seu instrumento favorito nos braços. Enquanto sua mãe gritava pedindo que o seu pai fosse menos rígido,                                                         Kyungsoo saiu de casa levando apenas uma roupa de corpo suja de seu próprio sangue e o teclado que nem sabia direito o que faria com ele. O céu nublado, a manhã chegando e nenhum destino certo para seguir, Kyungsoo estava completamente sozinho e destruído.

 

E você poderia ter tudo isso

Meu império de sujeira

Eu te desapontarei

Eu te machucarei

— Tenho que ir... — Falou se levantando o mais rápido que podia e caminhando para fora do lugar. Quando percebeu que o outro estava lhe seguindo parou — Pare de me seguir, eu não quero você perto de mim. — Continuou caminhando, porém os passos daquele homem ainda estavam seguindo os seus.

Quando ele segurou seu braço teve um momento de desespero.

— Me solta! Me solta, porra... Socorro! — Ouviu um soco ser deferido no rosto daquele homem e quis chorar quando viu ele caindo no chão. Olhou para trás e percebeu que ali estava o garoto mais idiota do mund0.

O garoto dos olhos redondinhos, das orelhas enormes, de altura desproporcional a sua, o garoto que lhe deu carinho e amor quando ele sempre recusou. Aquele que só brigava consigo porque ele provocava, aquele que só falava tantos palavrões porque ele mesmo influenciava...

Aquele garoto idiota.

Aquele nerd idiota.

 

Se eu pudesse começar de novo

A milhões de milhas daqui

Eu me salvaria

Eu acharia um caminho

 

Kyungsoo abraçou Chanyeol com tanta força que deixou o mais novo sem ar. Ambos caíram no chão do lugar e se não já fosse tarde da noite e todos não tivessem meio bêbados, estranhariam a cena.

— Eu te amo... Eu te amo... Eu te amo tanto que machuca... — Falou chorando e beijando o pescoço do outro — Eu me odeio por te amar... — Ele gritava aos soluços. — Eu não queria amar você... Eu não quero ter que passar por isso de novo... — Chorou por mais alguns minutos, barulho e constante. — Não faz... Não faz aquilo que ele fez comigo... Não faz... Por favor... Eu imploro...

 


Notas Finais


A música de hoje foi Hurt, está na playlist: https://open.spotify.com/user/misukisanlover/playlist/1rr6hIBInbWXZcFwcKrh3u
Gente eu to muito curiosa para saber porque o Sehun corre tanto perigo e doida pra saber também como a aura dele ficou mais clara tão de repente - aquela carinha.
Eu juro que tava com meu coração no peito quando fiz o passado do Kyungsoo, juro mesmo. ME PERDOEM por fazer mais um Kris fdp. Eu juro que não era a intenção - era e não era, vocês vão entender depois.
Espero que mandem correntes fortissimas para nosso Do se recuperar e até o próximo <3


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