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História A Viscondessa - Capítulo 11


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Notas do Autor


Olá meus amores, o ser noturno está de volta em menos de 24 horas (isso pq teve mais de 5 coments em menos de 24 horas) quero muito agradecer a @LadyPaiva pq lembro que ela foi a primeira pessoa que deu uma chance pra essa fanfic, e agradeço todas as meninas que realmente gostam disso, volto a trabalhar só dia 27,já aviso que no proximo cap vai ter muitos momentos fofos, espero que vocês gostem.
Boa Leitura (SEM REVISÃO COMO SEMPRE)

Capítulo 11 - Capítulo 10


Fanfic / Fanfiction A Viscondessa - Capítulo 11 - Capítulo 10

Festas em casas de campo são eventos perigosos. Os casados com frequência acabam desfrutando da companhia de outra pessoa que não o próprio cônjuge e solteiros muitas vezes voltam à cidade tendo noivado às pressas. De fato, os noivados mais surpreendentes são anunciados por causa desses feitiços da vida rural.

C

2

– Vocês decerto gastaram todo o tempo que podiam para chegar até aqui – observou George assim que Emma e Zelena alcançaram o grupo. – Peguem os tacos, estamos prontos para começar. Zelena, você fica com o azul – falou, entregando-lhe um taco. – Emma, você fica com o cor-de-rosa.

– Eu fico com o cor-de-rosa enquanto ela – retrucou, apontando para Regina – fica com o taco da morte?

– Dei a ela o direito de escolher primeiro – explicou George. – Afinal, é nossa convidada.

 – Emma costuma ficar com o preto – atalhou Heloise. – Na verdade, foi ela que batizou o taco.

  – A senhora não deveria ficar com o cor-de-rosa – disse Zelena a Emma. – Não lhe cai bem, de modo algum. Pegue – continuou, estendendo-lhe o próprio taco.  – Por que não trocamos?

   – Não sejam ridículos! – exclamou George. – Nós decidimos que a senhorita deveria ficar com o azul porque combina com seus olhos.

 Regina pensou ter ouvido Emma resmungar.

 – Eu fico com o cor-de-rosa – anunciou Emma, tirando o taco ofensivo de modo bastante enérgico das mãos de George –, e ainda assim vou ganhar. Vamos começar, está bem?

Assim que as apresentações necessárias foram feitas entre o duque, a duquesa e Zelena, todos largaram as bolas de madeira próximo ao ponto inicial e se prepararam para jogar.

 – Vamos iniciar do mais novo para o mais velho? – sugeriu George, com uma mesura galante na direção de Zelena. Ela balançou a cabeça.

   – Eu preferiria ser a última, pois assim teria a chance de observar a estratégia de jogadores mais experientes.

 – Uma jovem sábia – elogiou George. – Então faremos do mais velho para o mais novo. Emma, creio que você seja a mais velha entre nós.

 – Desculpe, querido irmão, mas Hastings ganha de mim por alguns meses.

– Por que eu tenho a sensação de estar me intrometendo numa briga de família? – sussurrou Zelena no ouvido da irmã.

 – Creio que os Swan levam esse jogo muito a sério – murmurou Regina em resposta.

 Os três Swan assumiram feições muito agressivas e todos pareciam bastante decididos a ganhar.

  – Não, não, não! – ralhou George, balançando um dedo para elas. – Não é permitido conspirar.

– Nem saberíamos por onde começar a conspirar – retrucou Regina –, já que ninguém pareceu achar adequado nos explicar as regras do jogo.

– Basta nos seguir – falou Heloise bruscamente. – Vocês vão entender quando começar.

  – Acho que o objetivo é afundar a bola dos adversários no lago – sussurrou Regina para Zelena.

  – É mesmo?

 – Não. Mas acho que é isso que os Swan fazem.

 – Vocês ainda estão cochichando! – gritou George sem nem mesmo lançar um olhar para elas.

 Então, berrou na direção do duque: – Hastings, acerte a maldita bola! Não temos o dia inteiro!

 – George – atalhou Heloise –, não comece a xingar. Há damas presentes.

 – Você não conta.

 – Além de mim, há outras duas damas presentes – insistiu ela. George piscou, então se virou para as irmãs Mills.

 – As senhoritas se importam?

– Nem um pouco – respondeu Regina, absolutamente fascinada.

 Zelena se limitou a balançar a cabeça.

 – Ótimo. – George virou-se de novo para o duque.

 – Hastings, prossiga.

  O duque empurrou a bola um pouco para a frente do restante da pilha.

– Vocês sabem – falou, para ninguém em particular – que eu nunca joguei isto antes?

– Apenas dê uma boa tacada na bola naquela direção, querido – orientou Heloise, apontando para o primeiro arco.

 – Aquele não é o último arco? – indagou Emma.

– Não, é o primeiro.

– Deveria ser o último.

 Heloise cerrou os dentes.

 – Quem arrumou o percurso fui eu, e digo que é o primeiro.

– Acho que isso pode se tornar violento – murmurou Zelena para Regina.

O duque virou-se para Emma e abriu um sorriso falso.

– Acho que prefiro acreditar em Heloise.

– Ela arrumou mesmo o percurso – atalhou Regina.

Emma, George, Simon e Heloise olharam para ela espantados, como se não acreditassem em sua coragem de se meter naquela conversa.

– Bem, é verdade – repetiu Regina.

 Heloise entrelaçou o braço ao dela.

 – Acho que eu a adoro, Regina Mills – anunciou.

– Que Deus me proteja – murmurou Emma.

O duque afastou o próprio taco e deu uma pancada na bola, que logo corria pelo gramado.

 – Muito bem, Simon! – gritou Heloise.

George deu meia-volta e olhou para a irmã com desprezo.

 – Ninguém parabeniza os adversários neste jogo – repreendeu, erguendo uma sobrancelha.

 – Ele nunca jogou – argumentou ela. – Dificilmente vai ganhar.

 – Não importa.

Heloise virou-se para Regina e Zelena e explicou: – A falta de espírito esportivo é um requisito importante no Pall Mall dos Swan.

 – Eu já tinha percebido – retrucou Regina.

 – Minha vez – disse Emma de forma brusca.

Lançou um olhar cheio de desprezo à bola cor-de-rosa, em seguida deu-lhe uma boa tacada. Ela se deslocou esplendidamente sobre a grama e bateu numa árvore, caindo feito uma pedra no solo.

– Excelente! – exclamou George, preparando-se para sua vez. Emma murmurou algumas palavras, mas nenhuma delas era adequada a ouvidos delicados.

 George lançou a bola amarela na direção do primeiro arco, depois se afastou para dar a vez a Regina.

– Eu poderia bater uma vez para treinar? – perguntou ela.

 – Não!

Foi um “não” bem alto, proferido por três bocas ao mesmo tempo.

 – Muito bem – resmungou ela. – Para trás, todos vocês. Não vou querer ser responsabilizada se machucar alguém na primeira tentativa.

Ela afastou o taco com toda a força e bateu na bola, que se deslocou no ar em um arco impressionante, em seguida bateu na mesma árvore que atrapalhara Emma e caiu no chão bem perto da bola dela.

 – Ah, meu Deus – falou Heloise, balançando o próprio taco para a frente e para trás para ajustar a mira antes de bater na bola.

 – Por que “Ah, meu Deus”? – indagou Regina, sem ficar menos preocupada ao ver o sorriso solidário da duquesa.

 – Você vai ver – disse ela.

Heloise assumiu a posição, então caminhou na direção de sua bola. Regina olhou para Emma. Ela parecia muito, muito satisfeita com o atual estado das coisas.

 – O que a senhora vai fazer comigo? – perguntou.

Ela se inclinou maliciosamente.

– A pergunta correta seria o que eu não vou fazer com a senhorita.

 – Acho que é minha vez – falou Zelena, andando até o ponto de partida.

 Ela deu uma tacada anêmica na bola e gemeu quando ela se deslocou apenas um terço do caminho das outras.

 – Use um pouco mais de força da próxima vez – instruiu Emma antes de ir atrás da própria bola.

– Certo – murmurou Zelena às costas dela.– Eu nunca teria imaginado isso.

 – Hastings! – gritou Emma. – Sua vez.

 Enquanto o duque batia na bola na direção do próximo arco, Emma encostou-se à árvore com os braços cruzados e o ridículo taco cor-de-rosa pendendo de uma das mãos, aguardando Regina.

– Ah, Srta. Mills – falou, afinal. – As regras determinam que cada um siga a própria bola!

 Observou-a caminhar pesadamente até o seu lado.

 – Está bem – resmungou ela. – E agora?

– A senhorita deveria me tratar com mais respeito – provocou ela, oferecendo-lhe um sorriso lento e irônico.

– Depois de a senhora se atrasar com Zelena? – retrucou ela – Eu deveria fazer picadinho da senhora.

– Uma jovem com sede de sangue – comentou ele. – A senhorita vai se dar muito bem no Pall Mall... um dia.

 Ele observou, muito divertida, o rosto de Regina enrubesceu , depois ficou pálido.

 – O que a senhora quer dizer? – perguntou Regina.

– Pelo amor de Deus, Emma! – gritou George. – Faça a maldita jogada!

 A viscondessa olhou para o local do gramado em que as bolas de madeira estavam – a de Regina, preta, e a dela, cor-de-rosa.

– Muito bem – murmurou. – Eu não gostaria de deixar o querido e doce George esperando.

 Ao dizer isso, pôs o pé sobre a bola cor-de-rosa, recuou o taco...

 – O que a senhora está fazendo? – perguntou Regina com a voz aguda. ... e bateu.

 A bola cor-de-rosa permaneceu bem firme sob a bota dela, enquanto a preta saiu voando morro abaixo pelo que pareceram quilômetros.

– Seu demônio – resmungou ela.

 – No amor e na guerra, vale tudo – observou ela, com ironia.

 – Eu vou matá-la.

– Você pode tentar – provocou. – Mas vai precisar me alcançar primeiro.

Regina encarou o taco da morte e, então, fixou os olhos no pé de Emma.

– Nem pense nisso – advertiu Emma.

 – É muito, muito tentador – retrucou ela.

 Emma se curvou e disse em tom de ameaça: – Nós temos testemunhas.

– E é só isso que vai lhe poupar a vida agora.

Ela sorriu.

 – Acredito que sua bola esteja bem longe agora, Srta. Mills. Acho que nós só a veremos em cerca de meia hora, quando conseguir nos alcançar.

Nesse momento, Heloise apareceu vindo atrás da própria bola, que parara perto delas sem que percebessem.

 – Foi isso que eu quis dizer com “Ai, meu Deus” – explicou, sem necessidade, na opinião de Regina.

– A senhora vai pagar por isso – sibilou Regina para Emma.

 O sorriso afetado dela era mais eloquente que qualquer coisa que dissesse. Ela seguiu morro abaixo, xingando em voz alta e de maneira pouco apropriada a uma dama quando percebeu que a bola se alojara sob uma sebe.

 

Meia hora depois, Regina ainda se encontrava dois arcos atrás do penúltimo jogador. Emma era a vencedora por ora, o que a deixou muito irritada.

A única coisa boa era que ela estava tão atrasada que não podia ver a expressão satisfeita dela.

  Então, enquanto aguardava a vez com as mãos entrelaçadas (havia muito pouco a fazer nesse meio-tempo, já que nenhum outro jogador estava nem remotamente próximo dela), ouviu Emma soltar um grito aflito.

   Isso atraiu sua atenção no mesmo instante. Sorrindo na esperança de uma possível morte, ela olhou a sua volta, ansiosa, até avistar a bola cor-de-rosa correndo pela grama direto em sua direção.

 – Ui! – berrou, dando um pulinho e atirando-se para o lado o mais rápido que pôde, antes que perdesse um dedo do pé.

 Ao olhar para a parte mais alta do terreno, viu George pulando de alegria e balançando o taco com força acima da cabeça ao gritar:

– É isso aí!

   Emma olhou para ele como se pudesse estripá-lo ali mesmo. Regina também teria feito uma pequena dança da vitória (se não podia ganhar, a segunda melhor coisa seria saber que ela não ganharia), não fosse o fato de agora Emma estar na mesma posição que ela no jogo. E, embora a solidão não fosse muito divertida, era melhor que ter que conversar com ela.

   Ainda assim, foi difícil disfarçar a presunção quando ela andou com dificuldade até ela, fitando-a como se uma nuvem negra tivesse se alojado acima de sua cabeça.

 – Que azar, milady – murmurou Regina.

 Emma só olhou para ela. Ela suspirou, sem dúvida apenas para provocá-la mais um pouco.

 – Tenho certeza de que a senhora ainda vai conseguir ficar em segundo ou terceiro lugar.

  Emma se inclinou de maneira ameaçadora e emitiu um som bastante parecido com um rosnado.

  – Srta. Mills! – chamou George ao descer o morro correndo:

 – É sua vez!

– Vamos lá – falou Regina, analisando todos os lances possíveis. Poderia mirar no próximo arco ou tentar sabotar Emma, deixando-a ainda mais para trás. Infelizmente, a bola cor-de-rosa estava encostada à dela, o que queria dizer que não poderia recorrer à manobra que ela usara contra ela antes, colocando o pé sobre a própria bola e lançando a do adversário bem longe. Era provável que isso fosse bom – com sua sorte, terminaria errando a bola e quebrando o próprio pé.

   – Que escolha difícil... – murmurou ela. Emma cruzou os braços.

 – O único meio de você estragar meu jogo é estragar o seu também.

  – É verdade – concordou. Se Regina quisesse acabar com as chances dela de vitória, teria que acabar com as próprias, pois precisaria bater na própria bola com toda a força apenas para fazer com que a de Emma se movesse. E, como não conseguiria manter a sua no lugar, Deus sabe onde ela iria parar.

   – Mas – falou, erguendo os olhos para Emma e sorrindo com inocência – eu não tenho mesmo chance de ganhar o jogo.

 – Você poderia ficar em segundo ou terceiro – arriscou.

 Ela balançou a cabeça.

– Improvável, a senhora não acha? Estou muito atrasada, e o jogo já se aproxima do fim.

  – A senhorita não quer fazer isso, Srta. Mills – advertiu ela.

 – Ah – retrucou ela de forma bastante dramática. – Eu quero. Quero muito.

 Então, com seu sorriso mais maligno, Regina afastou o taco e bateu, com toda a força, na própria bola, que por sua vez atingiu a dela com um impulso impressionante, lançando-a para mais longe ainda. Mais longe... Mais longe... Até alcançar o lago. Prestes a pular de felicidade, Regina observou a bola cor-de-rosa afundar na água. Uma emoção estranha e primitiva a invadiu e, antes que percebesse o que estava fazendo, começou a saltar feito louca e gritar:

 – Isso! Isso! Venci!

– Não venceu, não – retrucou Emma.

– Ora, é como se tivesse vencido – comemorou ela.

George e Heloise, que haviam descido o morro correndo, pararam diante deles.

 – Muito bem, Srta. Mills! – exclamou George.

 – Eu sabia que era digna do taco da morte!

– Sensacional! – concordou Heloise. – Absolutamente sensacional!

Emma não teve escolha a não ser cruzar os braços e encará-los com olhos severos. George deu um tapinha solidário nas costas de Regina.

– Tem certeza de que não é uma Swan disfarçada? A senhorita de fato fez justiça ao espírito do jogo.

– Eu não teria conseguido sem sua ajuda – comentou Regina graciosamente. – Se o senhor não tivesse lançado a bola dela morro abaixo...

 – Eu tinha esperança de que a senhorita assumisse o controle da destruição dela – retrucou George. Por fim, o duque se aproximou, com Zelena a seu lado.

 – Um desfecho muito inesperado – comentou.

– Ainda não acabou – lembrou Heloise.

 O marido lançou-lhe um olhar divertido.

– Parece um pouco despropositado continuarmos a jogar, você não acha?

Para surpresa de todos, até George concordou.

– Com certeza não posso imaginar nada que supere isso.

 Regina sorriu.

 O duque olhou para o céu.

 – Além disso, está começando a ficar nublado. Quero que Heloise esteja em casa antes que comece a chover. Por causa de seu estado delicado, sabem?

Regina olhou, surpresa, para a duquesa, que começou a enrubescer. Ela não parecia nem um pouco grávida.

 – Muito bem – atalhou George. – Proponho que terminemos o jogo e declaremos a Srta. Mills vencedora.

– Eu estava dois arcos atrás de vocês – objetou ela.

 – Ainda assim – disse George –, qualquer aficionado pelo Pall Mall dos Swan compreenderia que lançar a bola de Emma para o lago é muito mais importante do que conseguir passar a própria bola por todos os arcos. Isso faz da senhorita nossa vencedora, Srta. Mills. – Olhou em volta, então encarou Emma. – Alguém discorda?

 Ninguém levantou qualquer objeção, embora a viscondessa parecesse muito próximo de recorrer à violência.

 – Ótimo – decretou George. – Nesse caso, a Srta. Mills é a vencedora e Emma, você é a perdedora.

 Um som estranho e abafado irrompeu da boca de Regina, metade riso e metade engasgo.

 – Bem, alguém tem que perder – comentou George com um sorriso. – É a tradição.

 – É verdade – concordou Heloise. – Somos um bando sedento de sangue, mas gostamos de seguir a tradição.

 – Vocês são todos loucos, isso sim – falou o duque com delicadeza. – Agora, Heloise e eu devemos ir. Quero levá-la logo para casa, antes que comece a chover. Acredito que ninguém se importará se sairmos sem ajudar a recolher as coisas, certo?

Ninguém se importou, claro, e, pouco depois, o duque e a duquesa caminhavam de volta para Aubrey Hall.

Zelena, que ficara em silêncio durante toda a conversa (embora não parasse de olhar para os irmãos Swan como se tivessem acabado de fugir de um manicômio), de repente pigarreou.

 – Vocês acham que deveríamos tentar recuperar a bola? – perguntou, estreitando os olhos na direção do lago.

O restante do grupo apenas fitou as águas calmas como se nunca tivessem pensado numa ideia tão bizarra.

 – Ela não deve ter chegado ao meio do lago – continuou ela. – Talvez ainda esteja na beirada.

George coçou a cabeça.

 Emma continuava com uma expressão zangada.

 – Decerto vocês não querem perder outra bola – insistiu Zelena. Quando ninguém respondeu, regina jogou o próprio taco no chão, ergueu os braços para o alto e falou: – Muito bem! Vou eu mesma pegar aquela bola velha e ridícula.

 Isso tirou os Swan de seu estupor e ambos correram para ajudá-la.

 – Não seja tola, Srta. Mills – disse George de modo galante ao ir atrás dela. – Eu pego.

 – Pelo amor de Deus – resmungou Emma. – Deixem que eu pego a maldita bola.

 Então desceu o morro e ultrapassou depressa o irmão. Apesar de toda a ira, de fato ela não podia culpar Regina pelo que ela fizera.

Ela teria agido da mesma forma – a única diferença é que bateria na bola com força suficiente para afundá-la no meio do lago.

Mesmo assim, era humilhante ser vencido por uma frágil lady, em especial por ela.

 Emma chegou à margem do lago e começou a procurar. A bola cor-de-rosa era tão chamativa que deveria aparecer sob a água, desde que se encontrasse num local raso o suficiente.

 – Consegue vê-la? – perguntou George, parando ao lado do irmão.

 Emma balançou a cabeça.

 – De qualquer forma, é uma cor idiota. Ninguém iria querer ficar com a cor-de-rosa.

George assentiu.

– Até a roxa era melhor – prosseguiu Emma, dando alguns passos para a direita a fim de examinar outro trecho da margem. De repente, ergueu os olhos e encarou o irmão. – E, por falar nisso, o que diabo aconteceu com o taco roxo?

Ele deu de ombros.

 – Não faço a menor ideia.

 – Tenho certeza – resmungou Emma – que ele vai reaparecer como por milagre no conjunto de Pall Mall amanhã à noite.

 – Você pode ter razão – observou George, animado, passando pela irmã e mantendo os olhos na água durante todo o caminho. – Se tivermos sorte, talvez até hoje à tarde. – Um dia eu ainda vou matá-lo – comentou Emma de modo casual.

– Não tenho a menor dúvida. – George continuou avaliando a água, em seguida apontou para ela com o dedo indicador. – Achei! Lá está!

  De fato, a bola cor-de-rosa encontrava-se na parte rasa, a cerca de 2 metros da beirada do lago. Parecia estar a uns 30 centímetros de profundidade. Emma praguejou baixinho.

 Teria que tirar as botas e pisar na água. Tinha a impressão de que Regina Mills estava sempre obrigando-a a tirar as botas e entrar na água.

Não, pensou.

Na verdade, ela não tivera tempo de se descalçar quando fora jogada dentro do lago Serpentine para salvar Zelena.

 O couro ficara totalmente arruinado, fazendo um dos criados quase desmaiar ao ver seu estado horrível. Com um grunhido, Emma sentou-se em uma pedra para tirar as botas. Imaginava que salvar Zelena valesse um par de botas caras.

Já recuperar uma ridícula bola cor-de-rosa de Pall Mall não valia nem o esforço de molhar os pés. –

 Você parece estar no controle da situação – concluiu George –, portanto vou ajudar a Srta. Mills a recolher os arcos.

 Emma apenas assentiu, resignado, e entrou na água.

– Está fria?

Era uma voz feminina. Por Deus, era ela. Emma deu meia-volta e viu Regina Mills parada à margem.

– Pensei que a senhorita fosse recolher os arcos – comentou ela, com um pouco de impaciência.

– Zelena foi.

 – Acho que existem Srtas. Mills demais – murmurou. – Deveria haver uma lei que proibisse irmãs de debutarem na mesma temporada.

 – O que a senhora disse? – perguntou ela, inclinando a cabeça para o lado.

 Emma mentiu: – Eu disse que estou congelando.

 – Ah. Sinto muito.

Isso chamou a atenção dela.

 – Não. Não sente, não.

– Bem, não – admitiu Regina. – Não pela derrota, pelo menos. Mas não pretendia que a senhora congelasse os pés na água.

De repente, Emma foi tomada por um desejo incontrolável de ver os pés dela. Era uma ideia terrível. Ela não deveria desejar aquela mulher. Nem mesmo gostava dela. Suspirou. Isso não era verdade.

  Achava que gostava dela de um modo estranho e paradoxal. E pensou estranhamente que talvez ela estivesse começando a gostar dela da mesma maneira.

 – No meu lugar, você teria feito a mesma coisa – falou ela.

Emma não disse nem uma palavra, apenas continuou a caminhar devagar dentro do lago.

 – Teria, sim! – insistiu Regina.

Ela se abaixou e pegou a bola, molhando a manga da camisa. Droga.

 – Eu sei – respondeu.

 – Ah – retrucou ela parecendo surpresa, como se não esperasse uma confissão. Emma saiu do lago, dando graças a Deus pelo fato de o solo próximo à margem estar bem compactado e, portanto, a terra não aderir a seus pés.

– Tome – disse Regina, estendendo-lhe o que parecia um cobertor. – Estava no galpão. Parei lá antes de descer o morro. Achei que talvez a senhora fosse precisar de algo para secar os pés.

Emma abriu a boca mas, curiosamente, nenhum som saiu. Depois de alguns instantes, enfim conseguiu dizer “Obrigado” e pegou o cobertor das mãos dela.

 – Sabe, não sou uma pessoa tão horrível assim – comentou ela, sorrindo.

 – Nem eu.

– Talvez – admitiu Regina –, mas a senhora não deveria ter se atrasado tanto com Zelena. Sei que só fez isso para me aborrecer.

Emma levantou uma sobrancelha ao sentar-se na pedra para secar os pés, depois de largar a bola no solo perto de si.

 – A senhorita não acha possível que meu atraso tenha tido alguma coisa a ver com o desejo de passar um tempo com a mulher que desejo tornar minha esposa?

 Regina enrubesceu um pouco. Em seguida, murmurou:

– Talvez essa seja a coisa mais egoísta que eu já disse, mas não, acho que a senhora queria mesmo me aborrecer.

 Ela estava certa, mas ela não iria admitir.

 – Para dizer a verdade – falou ela–, foi Zelena que se atrasou. Não sei o motivo. Só achei que seria pouco educado ir atrás dela em seu quarto e exigir que se apressasse, portanto aguardei no escritório até que ela estivesse pronta.

Fez-se um longo momento de silêncio, depois ela falou:

 – Obrigada por me contar.

Ela sorriu com ironia.

 – Sabe, não sou uma pessoa tão horrível assim.

Regina suspirou.

 – Eu sei.

 Algo na expressão resignada dela fez com que Emma sorrisse.

 – Talvez um pouco horrível, então? – provocou Emma.

Ela se animou e o retorno à frivolidade claramente a deixou muito mais confortável com a conversa.

 – Ah, com certeza.

 – Ótimo. Odiaria ser entediante.

 Regina deu um sorriso, observando-a calçar as meias e as botas. Abaixou-se e pegou a bola cor-de-rosa.

 – Melhor levar isso de volta para o galpão.

 – Caso eu seja dominada por uma vontade incontrolável de jogá-la de volta no lago?

 Ela assentiu.

– Algo assim.

 – Muito bem. – Emma se pôs de pé.– Vou levar o cobertor também.

– Uma troca justa. – Quando se virou para subir o morro, Regina avistou George e Zelena desaparecendo ao longe.

 – Ah!

 Emma deu meia-volta para ver o que tinha acontecido.

 – O que foi? Ah, entendi. Parece que sua irmã e meu irmão decidiram voltar sem nós.

Regina lançou um olhar severo aos dois que se afastavam. Em seguida, deu de ombros, resignada, quando começou a subir o morro com dificuldade.

 – Suponho que eu possa tolerar sua companhia por mais alguns minutos, se a senhora conseguir tolerar a minha.

 Emma não disse nada, o que a surpreendeu. Parecia o tipo de comentário para o qual a viscondessa teria uma resposta espirituosa e talvez até mordaz.

 Ela se virou a fim de olhar para ela, então recuou alguns passos, surpresa. Emma a fitava da maneira mais estranha...

– Está... está tudo bem, milady? – indagou, hesitante.

 Emma assentiu.

 – Tudo ótimo.

 Mas ela parecia bastante distraído.

 Fizeram o restante da caminhada até o galpão em silêncio.

 Ao chegarem lá, Regina colocou a bola cor-de-rosa em seu lugar no carrinho do jogo e reparou que George e Zelena haviam recolhido e arrumado tudo de modo ordenado, incluindo o taco e a bola roxos perdidos. Lançou um olhar a Emma e não pôde deixar de sorrir.

 Era óbvio, pelo franzir da testa, que ela também notara.

 – O cobertor estava aqui, milady – falou, disfarçando o sorriso e afastando-se dela.

Emma não se importou.

 – Vou levá-lo para a casa. Deve estar precisando muito ser lavado.

 Regina concordou, elas fecharam a porta e partiram.


Notas Finais


O dia que eu postar (revisado) vocês vão achar diferente, pq sempre está SEM REVISÃO. beijinhos até logo...


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