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História A Vivacidade em Seus Olhos - Capítulo 4


Escrita por: Rottenest

Notas do Autor


Bonjour! Mas é claro que se você não estiver lendo isso em alguma parte da manhã a saudação vai parecer estranha. Bom dia/tarde/noite. Como cês tão galera? Se protegendo do Covid sem vergonha? Façam isso.
Só sei que pra evitar me influenciar pela série e escrever algo muito parecido na fic, ainda não assisti Sweet Tooth, embora estou morrendo de curiosidade, já que o casal Downey foram os produtores <3
Enquanto eu escrevo essa história (pq eu tenho um resumo do que vai acontecer em cada cap pq sou perdida), eu procurei vários fatos aleatórios de pantera e descobri cada coisa interessante... KAKAKKAKA mas chega de enrolação e bora pro capítulo, uma boa leitura e desculpa os erros.

Capítulo 4 - A alvoroçada


Steve tinha certeza de uma coisa agora: Tony era estupidamente forte para uma criança de seis anos, já que conseguia ter o empurrado no sofá e ainda deixado dois hematomas vermelhos em seu abdômen, por causa da força exercida em sua mão. Por essa razão, se viu fechando a loja um pouco mais cedo, não que tivesse a impressão de que alguém fosse aparecer, mas precisava buscar alguma pomada na farmácia perto dali, que era mais uma loja que vendia remédios e remédios naturais.

-Boa tarde, Steve- Saudou o moreno animado dos olhos sorridentes, seu nome era Scott- Como posso ajudá-lo? Não me diga que o mais forte do que touro Steve Rogers ficou doente?

Era de comum entendimento que Steve não era homem de ficar doente, todos na vizinhança tinham tido claros sinais disso quando uma onda gripal atingiu a pequena vizinhança, e o loiro foi um dos únicos que permaneceu sem os efeitos da doença. Desde então, Scott vivia lhe elogiando pela saúde de ferro e coisas do gênero.

-Não dessa vez, Scott- O loiro disse sorrindo- Hoje eu só quero uma pomada pra dor.

Os olhos esmeralda se tornaram mais preocupados enquanto assentiu.

-Aconteceu alguma coisa?- Scott perguntou e Steve pensou se poderia realmente dizer a verdade sem ser tachado de louco. Mas ao invés disso, sorriu.

-Dormir de mal jeito e já ter uma certa idade dá nisso- Steve brincou e Scott sorriu novamente pegando o produto para o loiro alto.

-Nem me fale, colchões são os piores inimigos quando a gente chega em uma certa idade- Passou o produto na máquina- Algo mais?

-Ahn... Sim. Eu quero repor o meu kit de primeiro socorros, apenas para estar seguro- Inventou, mas diziam que o péssimo hábito de um mentiroso era querer por detalhes demais em sua invenção- Então gaze, algodão e um frasco de clorexidina, por favor.

Dessa vez o moreno não lhe perguntou e Steve se sentiu mais aliviado por isso, apenas colocou o antisséptico e os outros produtos na bancada, terminou de pagar e voltou para o transporte que tinha chego, uma bicicleta amarela claro. Não usava muito o seu próprio carro (que nada mais era do que uma caminhonete), não via necessidade. Gostava de sentir o ar na pele enquanto andava em sua bicicleta, sendo um exercício bom para o corpo e para a mente. Quanto mais pensava em suas manias, mais se dava conta de que Tony não estava tão longe da verdade quando disse que era velho. Estava se tornando velho com muitas manias.

Cumprimentou as pessoas que viu ao longo do caminho, mas não parou. Desceu uma das ruas chegando assim em sua casa. A frente da casa de Rogers era amistosa, tinha duas árvores uma em casa lado da casa e um caminho de terra. Até você chegar de fato na entrada, seria rodeado de arbustos muito bem cortados e algumas flores enfeitando o lugar como um todo. Na varanda da casa tinha uma namoradeira, não que Steve sentasse lá, mas gostava do efeito que aquilo trazia e a linda casa amarelada trazia um ar de aconchego, era uma típica casa de vó, mas o loiro estava contente com tudo que tinha escolhido e feito.

Entrou em sua casa e foi até o banheiro para passar a pomada, no caminho, passou pelo quarto de hóspedes e ficou surpreso ao encontrar a coberta no chão e a cama que continuava com o lençol arrumado em cima da cama. Então mesmo tendo a cama, o garoto tinha dormido no chão. Fez uma nota mental sobre isso e foi tratar o hematoma. Não estava uma dor insuportável, latejava? Sim, mas não é como se nunca tivesse se machucado em sua vida.

Suspirando, decidiu não colocar a camisa de volta por medo de manchar, colocou então apenas uma regata fina branca e foi arrumar outras coisas. Pegou a coberta jogada ao chão e dobrou, pensou em pôr sobre a cama, mas lembrou o jeito que Tony se sujava de variadas coisas ao longo do dia e desistiu do pensamento.

Quando terminou de organizar as coisas pela casa e aquecer a janta, ia se sentar ao sofá, mas como quebrar a rotina, estava se tornando ironicamente sua nova rotina, se sentou ao chão da floricultura, tinha dois pratos, um que comia e o outro que colocou ao seu lado. Jantava despreocupado, até finalmente ouvir um barulho.

O farfalho da árvore próxima a floricultura chamou a sua atenção, olhou para cima e viu o exato momento no qual a cabeça de Tony apareceu de dentro as árvores e como ele se concentrou antes de dar um pulo em direção ao pequeno vitrô que Steve nunca fechava (até porque era muito alta para qualquer pessoa tentar invadir), percebeu que estava enganado em achar que ninguém conseguiria. Tony pulou de tão alto sem nem reclamar pelo impacto da queda.

Olhou para o loiro, no escuro, seus olhos tinham aquele estranho brilho de animais que enxergam em meio a escuridão. Na boca, carregava um animal. Se aproximou de Steve e se apoiou sobre as pernas, usou as mãos para tirar o pequeno animal da boca e entregar ao loiro.

Steve olhou para o animal, era um esquilo. Sentiu seu estômago revirar ao perceber a quantidade de líquido vermelho e que pelo corte, seria bem possível que seus órgãos iriam aparecer se mexesse naquilo mais do que o necessário.

-Por Deus, Tony- Steve se esquivou por um momento- Pra que esse bicho morto?

-Eu não devia ter tido a atitude que eu tive hoje cedo- Ele respondeu e mais uma vez empurrou o bicho para Steve, suas mãos manchadas de um escarlate brilhante- Por isso eu quero oferecer pra você esse esquilo em sinal de paz.

-Um sinal de paz com um animal morto?- Steve questionou ainda horrorizado- Não me tranquiliza nem um pouco, parece mais uma ameaça.

Nesse instante, as orelhas de Tony caíram e ele parecia perdido segurando o bicho, como se ainda pensasse o que podia fazer pra melhorar aquilo. Steve se recriminou em mente e decidiu começar de novo.

-Não tem problema, o que passou passou- Steve deu de ombros- Mas eu preciso que você pare de trazer animais mortos para cá, entendeu? De preferência, que deixe os pobres dos bichos da dona Verônica em paz.

Tony assentiu. Ordens. Isso o menino conseguia entender bem.

-Ótimo, agora se você quiser comer- Steve ia continuar, mas então a criança começou a enfiar o esquilo na boca, mostrando os caninos afiados prontos para mastigar aquilo- Não!- Na mesma hora o garoto congela e Steve suspira- Eu estava me referindo a janta, que eu fiz hoje.

Apontou para o prato e Tony olhou para o alimento e em seguida para o loiro.

-Ali também tem um animal morto- Falou por fim- E você não parece se importar em comer aquilo.

-É mas... Olha, pessoas comem carne desse jeito, é mais seguro e...

-Eu não sou um humano- Interrompeu. Não parecia bravo ou triste dizendo tais palavras, apenas se encaixavam como sendo a verdade indiscutível presente bem debaixo do nariz de Steve. Tony não era humano.

-De qualquer forma, quando sentir fome, você pode vir comer aqui, entendeu?- Steve explicou e colocou o prato pra perto dele- Então não precisa mais... Caçar esses bichos para comer.

Tony achou melhor não explicar que às vezes só caçava pelo bel prazer da caça, estava sendo criado dessa forma, afinal de contas. Mas da forma como Steve parecia sobressaltado a cada passo diferente que o moreno dava, decidiu dançar conforme o ditado pelo loiro.

Assentiu com a cabeça lentamente. Segurou o esquilo com uma só mão e ia pegar o prato mas Steve colocou para trás.

-Ah-ah- Fez o som de negação- Antes, precisamos lavar essas suas mãos, mais seguro, eu definitivamente não sei o que fazer com uma criança de seis anos doente.

Tony fez careta com mais uma regra, pra ele não tinha muita diferença e mais uma vez, se quisesse, ele seria mais rápido que o loiro e pegaria o prato. Mas o loiro não tinha feito nada contra ele ainda, então mais uma vez se permitiu a cumprir o que o dono da casa pedia.

O menino jogou o bicho no lixo (o que era uma pena depois de tanto esforço para capturá-lo) e foi ao banheiro lavar as mãos. Uma vez feito isso, foram para a mesa, onde Steve colocou o prato para Tony e aguardou pacientemente enquanto a criança comia, mesmo que com as mãos. Fez uma careta. Teria de esperar até o ensinar a usar algum talher, tinha coisas mais importantes a perguntar.

-Esse machucado na sua cabeça- Iniciou com um olhar calmo para não afugentar o menino- Foi alguém daqui?- Tony balançou a cabeça negativamente- Foi... Do lugar de onde você veio?

Por um momento torceu para resposta ser diferente do que esperava, já que lidar com uma criança seis anos perdida já era difícil, lidar com uma criança de seis anos perdida, metade felina, e com abusos familiares parecia impossível. Devia ligar para o conselho tutelar? Raios se Steve soubesse. Porém a vida gosta sempre de colocar uma pequena pedra no caminho para tornar a jornada mais difícil e para o grande azar do adulto, a criança assentiu a cabeça, mesmo que devagar e sem tirar os olhos da comida. Não queria ver a reação de Steve.

Steve não era homem de blasfêmia ou palavras de baixo calão. Naquele momento pediu perdão a Deus por seus pensamentos. Talvez mandar ele para os pais não fosse uma opção afinal de contas.

-Você... Pode me falar sobre isso- Mais uma vez uma negação- Então pode deixar eu dar uma olhada nesse machucado? Eu só quero ajudar.

Era um truque antigo na realidade, pedir algo irrealista a alguém para ter o pedido negado e depois oferecer algo menos impossível que faria a pessoa aceitar a condição do segundo pedido. Se Steve fazia isso consciente ou não, não se sabia. O importante é que para isso o menino assentiu, desconfiado, mas permitiu.

Steve se levantou, fazendo um barulho contra o piso e para isso, a orelha de Tony teve um reflexo pelo som emitido. Já tinha se preparado e deixado os primeiros socorros perto e seguiu em direção ao kit. Olhou primeiramente o machucado sem tocar, alguém parecia ter batido muito forte, não sabia ao certo com o que e tinha receio de perguntar. A sua vida estava realmente em uma maré de azar.

-Eu... Vou limpar isso e fazer um curativo, tudo bem pra você?- O garoto lhe olhou imediatamente, novamente, olhos grandes e curiosos quando perguntou.

-Por que você está ajudando?- O que tinha notado sobre o rapaz era que ele tinha uma dicção e linha de raciocínio boa para uma criança tão pequena, não titubeava, e quando falava era direto.

-Por que é uma coisa que alguém descente faria?- Não era pra ter soado como uma pergunta, mas agora as palavras já tinham deixado a sua boca.

Para isso, o garoto o analisou e então assentiu a cabeça mais uma vez.

-Então eu acho que não conheci muitas pessoas descentes- Falou e mesmo não conhecendo o garoto, Steve sentiu o corpo estremecer com a afirmação. Era isso, não confiava na família do rapaz.

Steve decidiu permanecer em silêncio enquanto fazia o curativo na cabeça do menino, e seja lá o que havia causado isso, parecia ter doído muito, não era mais tão surpresa no primeiro dia que apareceu na casa de Steve o garoto parecia tão feroz, qualquer pessoa com dor pode ficar mais agressiva, no caso de Tony talvez a palavra certa seria "arisco". Por pouco que Steve não pensou na possibilidade de ter que costurar a cabeça de Tony.

Terminado a tarefa, Steve perguntou se o garoto gostaria de ver televisão antes de ir dormir, tinha sido um dia cheio. O moreno concordou. Sentado no sofá, Tony havia sentado com as pernas sobre o peito e as abraçava, e ele ficava tão pequeno daquela maneira... Tão humano.

-Tony- Disse o nome e imediatamente os olhos do menino desgrudaram da televisão- Olha, eu estou tentando ser paciente com tudo isso e respeitar o que está acontecendo com você- Pode ver o momento que os ombros do garoto tensionaram- Mas não dá pra continuar assim pra sempre, eu tenho certeza que tem alguém procurando por você, então precisa me dizer para quem ligar, se foi seus pais que fizeram isso com você...

-Não foi eles- Tony disse sério e interrompendo.

-Eu sei que você pode estar tentando defender eles, Tony, mas...- Foi interrompido.

-Eu disse que não foi eles- Disse entre um rosnado e Steve decidiu se refrear.

Suspirou fundo, parecia um looping do que havia acontecido na mesma manhã e aquilo não terminou bem. O loiro tinha se cansado daquela conversa que não levava a lugar nenhum, queria sua vida normal de novo.

-Já chega disso- Falou negando com a cabeça e tateando os bolsos da calça- Eu vou ligar para o conselho tutelar e aí você vai ter um lugar com uma estrutura melhor.

-Não!- Veio o pedido desesperado.

-Então eu preciso que você me dê alguma coisa pra eu trabalhar em cima aqui, Tony!- Steve replicou exasperado- Que eu saiba, eu posso ser considerado um sequestrador ou alguma coisa do gênero.

Tony mordeu o lábio inferior e olhou para o lado, a televisão continuava ressoando um programa sobre animais do deserto e as cores alaranjadas refletiam sobre a pele branca, mas queimada de sol do garoto. Era interessante notar como Tony já tinha costeletas naquela idade, quase invadiam a sua bochecha, mas então os pelos afinavam e diminuíam. Mas pelo menos o garoto não possuía nenhum focinho animalesco.

-Eu não quero machucar mais ninguém- Falou baixo, parecia com medo da reação de Steve. Abraçou seus próprios braços, como para se proteger a si mesmo- Se ele me achar, se ele me pegar de volta, ele vai querer que eu machuque mais alguém e se eu não fizer...

As palavras pairaram sobre o ar, a frase incompleta da a entender muito bem o que Tony queria dizer, na verdade, o machucado na cabeça do menino lhe contava bem o que seria o final daquela frase. Apertou suas mãos, descarregando sua raiva naquele ato, a raiva não era voltado a criança, claramente, mas a qualquer que fosse a pessoa por trás disso. Deus, Tony tinha seis anos.

Como assim machucar alguém? Pensou que deveria se preocupar com Tony, mas uma voz pequena e egoísta no fundo de sua cabeça murmurou que o loiro não estava a salvo com aquela criatura, não havia nenhuma garantia de que o menino não estava mentindo, ou que o atacaria enquanto dormia. Mas novamente, se fosse para fazer algo, duvidava que Tony não conseguiria o machucar, já que aparentemente Tony era superior comparado a velocidade, força e os seus caninos eram bem afiados.

-Quem Tony?- Steve questionou.

Mas o menino negou com a cabeça mais uma vez, por seu olhar desesperado, parecia estar revivendo alguns momentos em sua própria mente.

-O homem mau- Tony respondeu com a voz fraca- Me deixa ficar aqui, eu prometo que não vou atrapalhar, não vou trazer mais nenhum bicho e... E eu posso ser útil, eu posso carregar peso ou limpar aqui- Falava rápido- E quando eu achar um lugar seguro, você nunca mais precisa me ver, eu prometo.

Steve parou seus movimentos enquanto pensava em tais palavras, desde criança Steve sempre fora uma pessoa que gostava das coisas sendo feitas da maneira correta, um homem sistemático muitos diriam, Steve só dizia que era um homem que andava na lei. Mas naquele momento, percebeu que pela primeira vez não iria fazer o lógico e ligar para polícia, iria deixar o menino ficar em sua casa. Suspirou.

-Já está tarde- Respondeu simples- Você já sabe o caminho do quarto de hóspedes.

Não esperou o menino agradecer, até porque sabia que provavelmente não receberia nenhum agradecimento. Simplesmente desligou a televisão e seguiu para o banheiro, fazer a sua rotina da noite e então dormir despreocupadamente. Ou quase isso.

No dia seguinte, acordou antes do despertador, mas não contou vantagem nisso, já que havia dormido mal aquela noite e o corpo ainda reclamava do pouco descanso que havia recebido. O lado de sua cama, Tony estava sentado sobre seus pés de uma maneira que se assemelhava a animais.

-Bom dia, Tony- Steve disse e esfregou a mão na sua cara para acordar- Você vai fazer isso de ficar me olhando dormir um hábito?

O menino não respondeu, só continuou sentado, o encarando e balançando o rabo em um ritmo calmo. Steve suspirou, bom, então aquilo provavelmente era um sim. Se levantou e foi fazer a sua rotina matinal e Tony o seguiu para o banheiro, mas foi ali que o homem lhe parou.

-Se quiser, pode desenhar enquanto vê televisão, ok?- O semblante da criança permanecia sério, mas era engraçado ver como a cauda preta balançava em uma maior frequência agora, não como a de um cachorro, mas balançava.

Em menos de um segundo, o garoto correu até a sala usando também as suas mãos no processo e Steve se viu livre para fazer a sua rotina matinal.

Terminado o que tinha de fazer, penteou os cabelos para trás e conferiu se não havia nada que quisesse mudar em si mesmo. Viu um fio fora de ordem e o forçou a ficar reto.

Foi fazer o café da manhã e mais uma vez pegar o jornal, enquanto voltava com o jornal na mão, parou perto de Tony que rabiscava intensamente no papel, em outro programa de animais, mais especificamente sobre insetos. Será que Tony não preferiria desenhos? O loiro não sabia e muito menos perguntou. Olhou pelo canto dos olhos a cabeça do menino e parecia bem melhor, agora que o ferimento estava limpo, podia ver o começo de uma casquinha se coagulando, o que era bom.

-Tony, café!- Chamou e se lembrou de dizer- Não se esqueça de desligar a televisão.

Sorriu contente para si mesmo quando ouviu o barulho do aparelho televisivo sendo desligado, o garoto tinha aprendido a não deixar ligado, e em poucos segundos, Tony apareceu, caminhava tranquilamente e se sentou em seu lugar de costume, enquanto o moreno sentou em sua frente.

-Como sua cabeça está hoje?- Questionou colocando dois waffles em seu prato e na do garoto. Logo em seguida, acrescentou a calda de chocolate, que estava no fim, no waffle do menino, não se importou de não ter o resto da calda para si mesmo.

Tony segurou a comida com as duas mãos e tomou um pedaço em sua boca e enquanto mastigava respondeu.

-Normal- Falou simples e dando de ombro.

-Mastigue antes de responder, Tony- Steve corrigiu e pegou os talheres para começar a desfrutar de seu café da manhã.

Notou que Tony comia na mesma intensidade que comeu as panquecas, e que parecia gostar mesmo de coisas doces. Sorriu com o pensamento, era bom quando via traços de criança em Tony, afinal, isso ele conhecia. Ou achava que conhecia, gostava de acreditar que crianças gostavam de si, mas não tinha tanta certeza. Chegou a pensar rapidamente que outras pessoas seriam melhor para lidar com Tony do que a si mesmo. Tirou o pensamento da cabeça rápido, não era hora de pensar em coisas assim.

Logo estava começando o dia para o seu trabalho, organizava as flores e já tinha aberto a porta para indicar que estava aberto. Em pouco tempo, as primeiras clientes chegaram. Maria, Carol e Mônica.

A criança corria na frente e assim que viu Steve deu um largo sorriso. Parou em frente a ele e juntos fizeram um toque secreto que compartilhavam entre si e por fim ela disse.

-Bom dia, Steve- Mostrou os dentes branquinhos em seu largo sorriso que combinava perfeitamente com a criança alegre que via.

-Oi, Mônica- Retornou o sorriso e somente para irritar, fez um cafuné nos cabelos altos e cacheados da garotinha, que dizia sempre que era um de seus tesouros.

-Toda vez você faz isso- Ela rolou os olhos e se afastou um pouco da mão do outro. A garota vestia um macacão rosa forte e uma camisa azul clarinho que a deixava com cara de verão e chiclete, era uma ótima combinação. O seu tênis eram da mesma cor que a camisa e ela segurava um panfleto alegremente em mãos.

-Bom dia, charlatão- Disse Maria com cara de poucos amigos e os dois loiros presentes riram da cara da mulher quando falou isso.

-Então o que vão querer?- Perguntou alegremente e já suspeitando que seriam mais flores para Maria, ao invés disso, a mulher lhe informou outra coisa.

-Verônica passou em nossa casa ontem- A mulher começou simples mas logo foi interrompida pela filha.

-E aí ela falou sobre o seu sobrinho estar aqui! Outra criança, finalmente- A criança regozijou animada- Já estava mais que na hora de isso acontecer, a única outra criança por aqui perto é a Cassie, mas não é toda vez que ela fica com o pai dela- A garota falava rápido e animadamente- Então eu vim aqui hoje convidar o seu sobrinho pra feira- Ela encerrou mostrando o panfleto e balançando para Steve ver.

A feira. Havia se esquecido do evento, Thor tinha mencionado de levar Tony em algum lugar para socializar ou algo assim, mas em meio os eventos dos últimos dias tinha se esquecido completamente disso. O lugar onde Steve e sua vizinhança morava era tranquila até demais algumas vezes e eles basicamente viviam entre si como uma grande comunidade, dividindo entre si o que podiam e muitos faziam negócios com as lojas em cidades grandes tendo assim dinheiro para sustentar a vida deles naquelas casas.

A feira acontecia às vezes mais de uma vez  por mês, ou apenas uma, variava. Se encontrava no local perto do centro da cidade e era bem famosa por vender as mais diversas coisas e com algumas atrações em parque de diversão para interessar até mesmo aos pequenos. Coisa que interessava Mônica grandemente, pelo visto.

-Qual o nome dele?- A garotinha questionou, enquanto Maria e Carol pareciam ocupadas discutindo sobre algum assunto em particular, enquanto olhavam uma das flores.

-De quem?- E então se lembrou de quem falavam, mas Mônica já tinha um olhar esquisito para Steve- Oh sim, meu sobrinho, Tony, se chama Tony.

Ao ouvir seu nome, as orelhas de Tony se moveram de imediato, ele então estava desenhando, mas mudou de posição e em um ponto mais escondido, começou a encarar os dois, já que desconsiderava a ideia de chamar aquilo de bisbilhotar, era seu nome que estava sendo usado afinal de contas.

Ficou abismado ao ver outra criança no recinto e inconscientemente, seu rabo começou a balançar. Quem era ela? Que feira ela estava falando? Como assim sobrinho? Foram as perguntas que sondaram a mente de Tony enquanto observava o rumo da conversa, mal registrou quando a garota começou a entrar no local de forma disparada, com Steve a dizendo para esperar.

-Tony!- Ela chamou sorrindo e correndo até a casa.

No mesmo instante, Tony acordou de seu transe momentâneo, mas ele não iria conseguir correr até o local onde costumava fugir, sua sorte foi ser mais rápido que a menina e correr até o banheiro. Mônica somente chegou quando a porta foi fechada e ouviu o trinco sendo passado.

-Filha- Maria que tinha visto o fuzuê vinha logo atrás- Meu bem, não entre mais assim na casa dos outros.

A garota parecia um tanto encabulada agora olhando para os três adultos que esperava a sua resposta. Não era de todo incomum ver Mônica entrando em algum problema, era de sua natureza ser curiosa e sempre querer uma resposta pra tudo e na hora, o que a fazia bem inteligente, no entanto, o revés seria que a colocava em enrascadas, como por exemplo entrar correndo na casa de alguém sem pedir.

-Desculpa, Steve- A garota olhou para o loiro- Eu não queria entrar aqui correndo. É que eu queria conhecer o Tony, só isso.

O loiro suspirou e sorriu. Não se lembrava de alguma vez ter ficado com raiva de Mônica, a menina tinha bom coração e era isso que importava.

-Não faz mal, Mônica- Steve disse calmo e ajoelhou na frente da menina- É que Tony é meio tímido, por isso qualquer pessoa diferente ele pode... Sair correndo.- Ou cortar essa pessoa, pensou o loiro.

Ela tinha novamente um olhar determinado e assentiu com a cabeça como que criando uma ideia. Por fim, virou-se para a porta novamente.

-Oi, Tony- A voz era entusiasmada, somente como uma criança conseguia ser- Foi mal ter te assustado, meu nome é Mônica. Nesse momento eu acho meio estranho falar com uma porta, então eu vou te mostrar o que eu tenho comigo- Ela abaixou e passou o folheto por debaixo da porta- É de uma feira que vai ter e se você quiser ir, bom, pode ter certeza que eu sou a melhor guia que você poderia arranjar. É isso. A gente se vê!

Tony estava parado, um pouco distante da porta, e quando o panfleto foi passado para ele, se assustou levemente antes de ir pegar o papel com cautela. Ficou encarando o pequeno panfleto que continha cores bem intensas e parecia ser de fato algo interessante. Só notou que estava encarando o papel por muito tempo quando ouviu batidas na porta.

-Tony- A voz do adulto que estava se acostumando- Elas já foram, já pode abrir a porta.

E assim o garoto o fez, andando devagar, destrancou a porta e o olhou para Steve. Não sabia de onde tinha tirado determinação, mas em um súbito ato de coragem ergueu o panfleto e mostrou ao loiro.

-Eu quero ir- Pronunciou firme. Sentia que era um passo ousado, sua mente já gritava para abortar missão, o que estava pensando? Repetiu em sua mente para se acalmar, afinal, Steve não era a mesma coisa dos homens do lugar de onde vinha, Steve parecia ser bom. Mesmo que não fosse, não parecia ser capaz de conter Tony se este realmente quisesse fugir. Ou atacar.

Steve o olhava de forma surpresa, Tony queria ir a uma feira? Um local aberto? Com aquelas orelhas e aquele rabo? Droga, até os pelos do menino eram mais grossos que de uma criança. Quis rir histericamente com as ideias do garoto, ou responder de forma irônica como ele achava que conseguiria fazer isso. Mas antes de conseguir dar qualquer resposta como essa, ele notou o olhar da criança para o panfleto.

Os seus olhos, voltaram a ficar vidrados no papel que era segurado firme em suas mãos pequenas, parecia estupefato com a ideia de um lugar como o panfleto dizia. E mais uma vez, Steve se perguntava como aquele menino podia parecer tão humano e ao mesmo tempo não? Foi por isso, que de sua boca foi deixado as palavras.

-Eu verei o que eu consigo fazer- E no mesmo instante os olhos estavam voltados para si e dava pra sentir a mensagem que eles transmitiam, um peso de gratidão que chegava a tirar o ar do pulmão de Steve.

-Obrigado- Foi baixo, quase inaudível, mas pela primeira vez, Tony agradecia por algo que Steve lhe fizera.

Steve já estava indo dormir, e com um pequeno sorriso no rosto pensava no olhar de Tony ao ler o panfleto, precisava comprar algumas coisas para o garoto. Estava com os pés descalços e o piso gelado mandava boas vibrações para seu corpo naquela noite de verão e podia ouvir o barulho de grilos a fora. Enquanto terminava de escovar os dentes, seu celular começou a tocar, vibrando na pia. Ergueu uma das sobrancelhas por ver apenas “desconhecido” na tela. Não é como se muitas pessoas o ligassem, decidiu ignorar e finalizar de limpar seus dentes. Conferiu o hematoma em seu abdômen, que já havia clareado e não mostrava nenhum sinal de que fosse perdurar por mais tempo.

Girava a cabeça enquanto mostrando os dentes no espelho como que para ter certeza de que estavam limpos. Mais uma vez, o celular começou a vibrar com o desconhecido na tela brilhante. Segurou o telefone em mãos e depois de ponderar, atendeu.

-Alô?- Perguntou calmamente enquanto desligava a luz do banheiro e seguia para fora do quarto.

-Boa noite- Uma voz masculina saudou- Estamos ligando porque a alguns dias atrás o senhor fez uma ligação para nós.

-Hm, olha, eu acho que não- Steve respondeu com um tom leve e caminhando até seu quarto.

-Mas eu acho que sim, você ligou para o serviço de animais, certo?- Steve paralisou na porta do quarto e inconscientemente olhou para a porta de Tony, continuava fechada.

-Como... Sim, liguei- Replicou desconfiado.

-Oh, e como você desligou antes de dizer o que queria, queremos saber se está tudo bem- Com uma ligeira alteração na voz continuou- O senhor já conseguiu resolver o assunto?

Steve deu meia volta em seu percurso do quarto. Algo estava errado naquela ligação, não sabia dizer o que daquilo lhe arrepiava os pelos da nuca, mas sabia bem que o serviço de animais não ligava novamente para as pessoas.

-Ah sim, no final das contas era somente um animal pequeno, foi mais pelo susto- Respondeu mantendo a voz calma, em um claro fingimento.

-Não parecia como nada- A voz saiu cética- Se quiser passar o seu endereço, nós podemos facilmente olhar ao redor.

Steve engoliu em seco e olhou para o celular em suas mãos. Eles podiam o localizar? Já tinha visto aquilo em filmes, mas não sabia o quão real aquilo poderia ser. E tinha certeza de que mais de uma pessoa ligava para o serviço de animais por dia, se não centenas. Haviam procurado seu número?

-Não precisa se dar ao trabalho- Falou agora mais baixo.

A linha ficou em silêncio por alguns segundos até ouvir a voz novamente.

-Então uma ótima noite para o senhor- Foi o que ouviu antes da linha ficar muda. Mas os batimentos cardíacos de Steve estavam mais uma vez acelerados. O que tinha sido aquilo?

Foi até a sala, abrindo a persiana levemente e observou por fora de sua janela, antes de fechar a mesma e confirmar que a porta estava trancada.


Notas Finais


HMMMMMM, começou um pouco da vibe dessa fic, que é mais focada em fazer Tony e Steve sofrer do que tudo KKKKKK brincadeira gente, mas que vai ter perrengue vai ter, e com fé vocês vão vibrar junto comigo em alguns capítulos.
Como bônus pra você, fato curioso sobre panteras negras (1):
Panteras não caçam humanos, na realidade, quando ameaçadas é muito comum que elas simplesmente fujam do local e subam em árvores, local onde se sentem seguras. Elas só atacam humanos em casos extremos.


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