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História A Volta da Raposa - Capítulo 23


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Capítulo 23 - Zorro Precisa Agir


Já era quase meia-noite, quando Zorro saiu de seu esconderijo cavalgando velozmente rumo ao quartel para realizar sua operação de resgate. Em cerca de vinte e cinco minutos, já conseguia ver a praça vazia e as poucas janelas iluminadas das casas. O povoado dormia, assim como a maioria do quartel.

Apesar de conhecer o lugar como a palma da mão, Zorro preferiu esperar um pouco antes de entrar. Ele viu que algumas nuvens se aproximavam e em breve cobririam a lua cheia, dando-lhe uma proteção maior e aumentando suas chances de sucesso.

Tornado era um cavalo extremamente bem treinado e seguia os comandos de seu dono a perfeição. Quando finalmente chegou a hora, ele moveu-se lenta e silenciosamente até o muro dos fundos do quartel. De lá Zorro pôde observar que, estranhamente, apenas um soldado guardava o portão do lado de fora, porém ele ainda precisava subir no muro para ver como estava a situação do lado de dentro.

Como sempre, o animal permaneceu imóvel para que Zorro pudesse ficar em pé sobre ele e alcançar o ponto estratégico que ele havia encontrado para escalar o muro de cerca de quatro metros de altura.

Assim que chegou ao topo, ficou em silêncio num canto escuro, para observar e analisar suas opções. Tendo certeza de que aquela seria uma armadilha, ele acreditava que haveria mais soldados por lá e olhou atentamente para todos os cantos para confirmar se não estavam escondidos, mas viu somente o guarda que tomava conta dos prisioneiros, que na verdade, não tomava era conta de ninguém, pois estava completamente adormecido na cadeira em frente às celas. As chaves estavam penduradas em um prego na parede atrás dele e alguns prisioneiros também dormiam. Ele viu que apenas três alojamentos ainda mantinham suas luzes acesas, sendo que um deles era o do Capitão. Ele sabia que seria perigoso, mas era preciso arriscar.

Sorrateiramente ele andou sobre os telhados que davam a volta no pátio do quartel até que finalmente alcançou a escada e desceu lentamente. Com calma, e protegido pelas sombras da noite, ele cruzou o pátio até se aproximar do soldado e comprovar que ele realmente dormia.

Um dos prisioneiros se deu conta de que Zorro estava lá e um pequeno alvoroço se formou em uma das celas. Zorro colocou o dedo indicador sobre a boca pedindo para que fizessem silêncio e em segundos já não se ouvia nenhum ruído. O mascarado então passou pelo guarda e finalmente alcançou as chaves na parede. Delicadamente abriu a fechadura e cochichou para os prisioneiros que já estavam livres, enquanto se preparava para abrir a outra.

- Saiam das celas em silêncio e aguardem no portão. Quando todos estiverem lá perto, sairemos de uma vez. Infelizmente eu não possuo montaria para os senhores, então precisarão correr. Tudo bem?

- Sim, Sr. Zorro! Somos muito gratos, assim que o portão se abrir, correremos cada um para um lado. – respondeu um dos homens também cochichando.

- Perfeito! Agora vão, enquanto eu abro a outra cela.

Um a um, os prisioneiros foram saindo. No total havia 16, porém, assim que as celas se esvaziaram, Zorro se deu conta de que Lupita não estava entre eles.

- Senhor. – chamou Zorro por um dos últimos prisioneiros a sair. – Eu soube que a senhorita Robles estava aqui também. O senhor sabe onde ela está?

- O Capitão a levou para seu alojamento há mais de uma hora, depois disso não soubemos dela.

- Entendi... – respondeu desapontado, mas sem deixar que isso atrapalhasse seus planos – Pois bem, então chegou a hora de darmos um susto no soldado lá fora. Assim que saírem, corram e boa sorte, senhores.

- O senhor não vai com a gente, Zorro?

- Infelizmente não poderei fazer parte dessa fuga audaciosa, cavalheiros, pois uma donzela ainda precisa de minha ajuda.

- Está certo, Sr. Zorro.

- Eu vou contar até três e abrir o portão e aí vocês correm. Certo? – todos concordaram com um aceno de cabeça.

- Um, dois, tr...

Antes que Zorro pudesse terminar sua contagem, a tranca do portão que estava em sua mão, escapou, pois no mesmo instante ele foi aberto bruscamente pelo lado de fora, deixando Zorro e os fugitivos sem reação pelo ato inesperado. Para a surpresa de todos, quem fazia a guarda não era um soldado qualquer, e sim o próprio Capitão Monastário. Zorro não acreditou que tinha caído pela segunda vez no mesmo truque. “Como pude ser tão estúpido?!” – pensou, bravo consigo mesmo.

- Pretende ir a algum lugar, Sr. Zorro? – perguntou Monastário com um largo e debochado sorriso, enquanto seus soldados saíam de seus alojamentos munidos de suas armas e espadas em punho. Zorro tinha razão em esperar pelos soldados, pois estavam todos de tocaia no escuro, apenas esperando a hora de agir.

- Confesso que tinha alguns planos para essa noite, Capitão, mas garanto que nenhum deles incluía me encontrar com o senhor dessa forma tão inesperada. – respondeu rapidamente, tentando não se deixar abalar pela surpresa infeliz.

- É bom tê-lo aqui Zorro, me poupa o trabalho de sair por aí para procura-lo.

- Fico feliz por poupar o trabalho do senhor, mas infelizmente, precisamos ir. Até logo, Capitão!

Assim que disse isso, Zorro desembainhou a espada e se jogou para cima de Monastário, que se desequilibrou, mas não caiu e também se defendeu com sua espada.

- Peguem eles, homens! Não deixem que fujam! – ordenou o Capitão.

Os prisioneiros tentaram seguir o plano de Zorro de sair correndo para todos os lados, mas a situação tinha se complicado. Havia muitos soldados armados contra eles completamente indefesos. Alguns conseguiram fugir, enquanto outros tentavam enfrentar os soldados com o que tinham em mãos, como pedaços de paus e pedras.

Zorro e o Capitão começaram seu duelo, enquanto os prisioneiros que tinham ficado para trás lutavam com os soldados. Alguns até conseguiram desarmar os soldados e pegar suas espadas. Já que não tinham conseguido escapar no momento em que o portão tinha sido aberto, permaneceram do lado de Zorro, fazendo o que podiam para ajuda-lo, pois jamais deixariam a única pessoa que tinha tentado ajuda-los, sozinha e lutando por eles.

Várias espadas se cruzaram pelo pátio do quartel, enquanto tiros eram disparados na direção daqueles que corriam para a liberdade.

Monastário sempre fora um adversário formidável e naquela noite não estava sendo diferente. Cada ataque de Zorro era defendido com perfeição, mas a raposa jamais ficaria para trás e também defendia os ataques do capitão com maestria.

- Vejo que o senhor andou praticando, Capitão! – provocou Zorro.

- Durante os anos em que estivemos longe, meu único pensamento foi atravessar o seu coração com essa espada!

- O que é isso, Capitão? Se eu fosse o senhor, teria aproveitado esse tempo para fazer coisas mais relaxantes, como cuidar do jardim e aprender a pintar. Jamais ficaria pensando em vingança. Ouvi dizer que isso faz mal a saúde.

- E faz mesmo. Faz mal a SUA saúde!

E assim continuaram os dois rodopiando e cruzando suas espadas, até que Zorro viu uma brecha e conseguiu derrubar o Capitão, após fazer um corte em seu braço direito, que começou a sangrar.

Enquanto Monastário verificava a gravidade de seu ferimento, Zorro teve alguns instantes para pensar, e compreendeu que não conseguiria resgatar Lupita naquele momento e o melhor a fazer seria fugir, ou então seria morto ali mesmo. Quando o soldado conseguiu se recuperar, percebeu que seu adversário já estava longe, voltando para o alto de telhado.

- Peguem ele, seus inúteis! Em cima do telhado! – vociferou o militar.

- Sinto muito, Capitão, mas agora eu preciso ir. – gritou Zorro educadamente do alto do telhado, enquanto fazia uma reverência. - Nosso duelo ficará para outra ocasião, quando não tivermos tantos soldados me deixando em desvantagem. Até lo...

Nesse instante, as palavras de Zorro foram interrompidas pelo barulho de um tiro vindo do lado do Capitão.

 



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