1. Spirit Fanfics >
  2. Abaixo de 0 >
  3. Quarto dia

História Abaixo de 0 - Capítulo 5


Escrita por: e ProjectLoidBR


Notas do Autor


Oioioi, não tenho muito o que falar já que postei o outro cap ontem, então... É, boa leitura ❤❤ skkdkskks

Espero que gostem!! ❤

Capítulo 5 - Quarto dia


Seria estranho achar que seus dias estavam melhorando? Len já havia até mesmo acordado de bom humor – o que era extremamente raro –, mas passar o resto do dia com o mesmo intacto? Isso nunca tinha acontecido. Até mesmo sua mãe havia perguntado se estava tudo bem quando ele deu um beijo na sua bochecha antes de sair para a aula, indo embora com um sorriso nos lábios.

“Acho que eu nunca havia me divertido daquele jeito com alguém antes.” Pensava Len.

Assim que acordou, Kaito já tinha ido embora de sua casa. Haku disse que ele tinha acordado antes mesmo de amanhecer, dizendo que não queria dar trabalho; ou atrapalhar Len em sua ida para a escola. Assim como também tinha trabalho pra fazer de manhã, logo não poderia se atrasar para o mesmo.

Foi então que Len havia se esquecido que não sabia absolutamente nada sobre Kaito. Fora o fato de que o mesmo sempre estava andando por aí durante a madrugada, como um fantasma ou algo parecido. Mesmo não tendo nenhum contato com ele, o loiro sabia que iria encontrá-lo mais cedo ou mais tarde.

Como estava de bom humor, Len decidiu ir para a escola de bicicleta, assim como não iria mais para o bar, então não teria preocupações em onde deixá-la. O loiro tinha medo de prender a mesma em um poste e alguém roubar. Len não teria dinheiro pra comprar outra bicicleta nem tão cedo, então evitar parecia a melhor opção. Enquanto pedalava estranhamente animado, Len avistou entre as nuvens no céu, alguns raios solares as ultrapassando, formando uma imagem linda que merecia ser fotografada.

Distraído, Len só notou que estava quase prestes a colidir quando ouviu um grito, freando a bicicleta instantaneamente. Era Gumi, sua colega de classe.

– Ou ou ou, calminha aí! – Disse a menina de curtos cabelos verdes, assim que ela notou quem era pedalando, engoliu em seco.

– Ah, desculpa. Não te vi. – Disse Len, com um incomum tom amigável.

Gumi demorou pra associar o que havia visto. Len era conhecido por responder todo mundo de forma fria e arrumar briga por bobagens, ser tratada daquela forma era uma raridade imensa.

– Tudo bem. – Gumi sorriu – Não sabia que tinha uma bicicleta.

– Eu tenho essa desde pequeno, mas raramente uso, acho mais prático vir correndo. Fora que tenho medo de roubarem.

– Pode deixar ela ali com as outras. – Gumi apontou para um local dentro do quintal do colégio onde todos guardavam suas bicicletas. – Te garanto que ninguém pegará.

– Obrigado.

“Okay, tem algo muito estranho aqui”, pensou Gumi.

Len entrou em sua sala conversando com a esverdeada calmamente, o que fez todo mundo olhar para ele sem entender. Pode-se dizer que o loiro chegava até mesmo a ser temido pelos colegas de classe por seu temperamento nada controlável, logo o fato de estar amigável com Gumi os fez terem curiosidade. Para eles, Len estava até mesmo parecendo alguém legal de se bater um bom papo.

– Ei, tem uma sorveteria aqui perto. Quer ir lá comigo depois da aula?

– Sorvete no frio? – Perguntou Len, logo se lembrando de alguém importante – Pode ser.

– Eu adoro doces, mesmo que as vezes congele meu cérebro.

Len riu.

Logo as aulas começaram, e na hora do intervalo, mais pessoas tentaram se aproximar de Len, aproveitando a sorte de Gumi ter quase sido atropelada em um dia que o loiro estava de bom humor. Len nem mesmo havia notado que estava sendo legal com eles, para ele sua forma de tratá-los estava normal, o que o fez achar estranho toda aquela misteriosa aproximação repentina.

E no fim da tarde, como prometido, Len acompanhou Gumi até uma sorveteria que tinha perto do colégio. A esverdeada pediu um sorvete de chocolate com morango e Len ficou com seu típico sorvete de banana – sua fruta favorita. Enquanto tomavam, sentados em um banco, os dois conversaram sobre as aulas que tiveram e sobre as provas que se aproximavam. O que fez Len lembrar que tinha de melhorar suas notas, ou poderia acabar repetindo de ano. Algo que atrapalharia seus planos futuros.

Enquanto estavam ali, Len avistou Kaito no outro lado da rua. Porém, ele estava acompanhado por uma mulher de cabelos castanhos e curtos. O loiro não soube descrever o que sentia, mas seu peito doeu de forma diferente, o deixando inquieto.

– O que foi? – Perguntou Gumi, notando o peso em Len.

– N-Nada.

– São conhecidos seus?

– Um... amigo. Eu acho.

Gumi pareceu entender o que ele quis dizer apenas observando sua expressão. Len não era muito do tipo que conseguia esconder seus sentimentos muito bem.

– Ei, é verdade que você é gay?

Len piscou. Aquele era um dos motivos dele não gostar de se socializar: pessoas sempre perguntam sobre a vida das outras pessoas, e isso nem sempre dava muito certo ou acabava bem. Porém, quase o colégio inteiro já sabia daquilo, e o pior, era por uma terceira pessoa que Len nem mesmo tinha ideia de quem era. Confirmar aquilo parecia uma melhor opção.

– Se não for, eu desminto os boatos. – Disse Gumi, simpaticamente.

– Não precisa, eu sou sim.

– Sério? Bom, então tudo bem. – Sorriu – Seria um problema se fosse mentira.

Len sentiu como se tivesse tirado um grande peso das costas.

– Sabe quem começou com esses boatos sobre mim?

– Dizem que foi o Yokune Rook. Mas não tenho certeza.

– E por que ele inventou isso? Digo, eu nunca fiquei com garoto algum do colégio, ou nem demonstrei gostar de garotos...

– Falta do que fazer. – Gumi riu – Mas dizem que ele é afim de você.

– Que? – Len entendeu como uma brincadeira – Isso com certeza nunca vai acontecer.

Os dois riram e logo Len avisou que tinha de ir embora pra buscar Oliver. Depois de se despedirem, o loiro seguiu até a rua onde a creche do pequeno se encontrava. Buscando-o da mesma.

– Olha, tio! – Oliver mostrou um desenho de vários bonequinhos. – É minha família! Essa é a vovó, esse é você, essa é a mamãe e esse aqui é o Kaito.

– Que desenho lindo, Oli. Mas por que o Kaito tá aí?

– Porque ele é legal! Hoje ele me deu um beijo na cabeça antes de ir embora.

– Ah, é? Mas sabe por que seu tio é mais legal ainda? – Oliver negou com a cabeça – Por causa disso!

Len pegou Oliver e o colocou sentado em seus ombros. Rindo, o pequeno abriu os braços imitando um avião e pediu que Len corresse. Segurando seu sobrinho com firmeza, o loiro fez o que foi pedido apertando o passo, e os dois foram para casa brincando de avião. Enquanto Len levava sua bicicleta com a outra mão, certificando-se de não esquecê-la em lugar algum.

– Chegamos! – Avisou Len, ao chegarem em casa.

Fazia tempo que Len não pisava ali tão cedo, já estava até acostumado a sempre chegar de noite ou de madrugada.

– Olá, meus amores. – Disse Haku, indo vê-los.

Len notou de longe que havia algo errado com sua mãe, ela estava suando frio. Ao perguntar, ela disse que estava apenas com um pouco de febre e que já havia até mesmo tomado remédio para melhorar. O loiro deixou essa passar, pedindo que Haku descansasse. Suas lembranças com ela passando mal não eram boas, e Len não parecia querer relembrá-las agora. Na verdade, ele não queria relembrá-las nunca mais.

– Que tal pedirmos uma pizza hoje? – disse Len, sentando-se no sofá ao lado de Haku.

– Não seja bobo, você nem mesmo tem dinheiro pra isso. – Len riu – Mas falando sério, o que aconteceu?

– Como assim?

– Sou sua mãe, não esconda de mim. Está apaixonado?

Len corou.

– N-Não! Digo... Não sei... Eu acho...

– Não está. Não sabe se está. Ou acha que está? De três, escolha apenas uma.

– Aaaaaah! – reclamou – Eu... Não sei.

– É o rapaz que dormiu aqui ontem?

– N-Não... supostamente... É ele e não é ele... Digo... – Haku cerrou seus olhos. - T-Tá! Sim, sim!

– Sabia. Kaito é um bom rapaz.

Len fez bico enquanto a albina ria de seu filho. Oliver, que estava brincando no chão da sala se anima ao ouvir o nome de Kaito e corre até sua mochila para pegar seu desenho, mostrando para Haku.

– Oli também gostou dele. – Disse Haku, brincando com Len – Já até considerou da família.

– Até meu sobrinho de três anos está contra mim. – Len suspirou com um leve sorriso nos lábios.

Porém, ao lembrar que havia o visto com uma mulher mais cedo, seu sorriso sumiu. Talvez o que achava que sentia nem mesmo pudesse ser mútuo. Se Kaito nem mesmo gostasse de garotos como ele, o que faria?

Quando Haku estava prestes a perguntá-lo o motivo da expressão mais cabisbaixa, a campainha tocou. Oliver se levantou disparado e foi atender a porta antes mesmo de Len pensar em fazer o mesmo, quando o loiro chegou no corredor, seu coração palpitou. Era Kaito.

– Boa noite. – Sorriu para Len.

– Tio Kaito! – Oliver festejava.

– O-Oi. – Len tentou manter sua postura – O que faz aqui?

– Queria vê-lo. – o coração de Len disparou mais uma vez – Fui no bar, mas aquela menina gentil que estava aqui ontem disse que você nem mesmo tinha aparecido lá hoje. Então vim ver se estava tudo bem.

– Sim, eu não vou mais voltar lá.

Kaito ia perguntar o motivo, mas Haku surgiu entre os dois de repente.

– Ora, visitas! Quanto tempo, Shion, como está? Vou fazer o jantar pra vocês em um instante.

– Não, senhora. – Len segurou Haku – A senhora vai descansar pois não está bem hoje.

– Não fale assim na frente da visita!

Kaito riu dos dois, enquanto finalmente entrava na casa por completo, tirando seus agasalhos.

– Posso pedir uma pizza? – Perguntou Kaito.

– N-Não preci-

– Claro! Você já é de casa! – Haku interrompeu Len, fazendo-o suspirar.

Logo o relógio já batia por volta das dez da noite e todos estavam comendo uma deliciosa pizza acompanhada com refrigerante de cola, enquanto Len tentava captar que Kaito já estava literalmente enturmado com sua mãe e seu sobrinho. O quão estranho era aquilo? Len não sabia nem o que pensar sobre.

Após o jantar, Kaito avisou que tinha de ir embora em breve e Len avisou que o levaria para fora. Ao saírem, os dois pararam pra conversar um pouco na varanda de casa.

– Como foi seu dia? – Perguntou Kaito.

– Bom. Eu estranhamente conversei com mais pessoas hoje. Até tomei sorvete com uma colega de turma.

– Hm, sorvete de que?

– Banana.

– Diferente. Prefiro sabores clássicos como mirtilo.

– Isso não é nada clássico.

Kaito riu.

– Ei – chamou Len – Hoje mais cedo, vi você na rua, perto do meu colégio...

– Por que não me chamou?

– Ah, eu... – Len corou – Sei lá. Você estava acompanhado, então não quis incomodar.

– Acompanhado? Ah, está falando da Meiko?

“Meiko”, pensou Len. Afinal, chamar alguém pelo primeiro nome diretamente era sinal de proximidade. Logo, Len ficou inquieto como mais cedo.

– Acho que sim.

Len queria perguntar mais sobre, porém sentiu que não deveria. Eles nem eram amigos por muito tempo, na verdade, só haviam conversado de verdade por um dia. O que era estranho, pois Len já se sentia tão confortável com ele, que parecia que tinham uma amizade de anos.

– Ela trabalha comigo. – Kaito sorriu – E é uma amiga de longa data... mas apenas isso.

As últimas palavras deveriam confortá-lo, mas Len ainda se sentia ainda mais incomodado. Ele realmente estava gostando de Kaito?

– Entendi.

– O que foi? – Perguntou Kaito, e Len o olhou com uma interrogação. – Sinto que tem algo te incomodando.

– Como assim?

– Não sei, apenas sinto.

Kaito o fitou com um olhar carinhoso e Len se sentiu obrigado a desviar o olhar, pois seu peito palpitava. Era estranho como desde aquela noite, cinco anos atrás, ele se sentia tão bem em apenas ter Kaito em seu campo de visão. Em apenas sentir sua proximidade, em apenas vê-lo – até mesmo de longe.

Naquela noite, e no bar, Len pensou que seria apenas um tipo de aura única que Kaito tinha. Como um tipo de pessoa que sempre acalma todos que estão perto, mas naquele momento; ele sentia que era algo a mais que aquilo. Talvez muito mais.

Enquanto encarava o céu estrelado, o loiro sentiu vontade de fotografar aquele momento. Não por querer desestressar, mas por querer guardar aquela sensação: a companhia; a luz do luar; e o brilho das estrelas. Todos tornavam aquele pequeno instante, único.

Kaito desceu um degrau da varanda, fazendo-os ficarem quase da mesma altura. Notando sua proximidade, Len desceu seu olhar, e encarou o rosto de Kaito tão próximo do seu pela primeira vez. Sua respiração era quente, assim como podia sentir sua temperatura de tão perto que estavam um do outro.

A mão direita de Kaito tocou o rosto de Len, fazendo sua pele se arrepiar: seu toque era frio.

– Fria...

– Eu não gosto de usar luvas, desculpe. – Sorriu.

– Por isso aquele floco de neve demorou tanto pra derreter.

– Sim, talvez.

Sem que percebessem, seus narizes estavam se encontrando, e logo, seus lábios. Em um toque áspero, molhado e quente. Este que se formou em um beijo que os aqueceu por completo no meio daquele inverno abaixo de zero graus.


Notas Finais


Mais um cap fofinho~ hehe


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...