História Abdicação - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Perspectivas


I

 

James seguiu em direção aos reinos humanos. A sua jornada parecia inacabável... parte por não poder compartilhar suas experiências com ninguém. A era de caos deixada pelo exílio dos magos foi de fato um período assombroso; James pressentia um temor constante e o ar carregado, mesmo que seus pulmões não respirassem. E mesmo que seu corpo não fosse afetado pelo calor ou qualquer outra coisa, um enorme cansaço tomava conta da sua cabeça e desta forma era impossível pensar em uma solução - talvez se tivesse sido diferente com Alag, este eventualmente poderia encontrar uma solução, talvez fosse bobagem pensar que os deuses do abismo nada sabiam sobre o tempo ou as dimensões.

Mesmo assim era confuso demais e terrível demais pensar nessas coisas e tudo que restava era o chão árido da terra, os ventos que traziam fumaça, ora sangue, ora gritos... nem todos os sentidos de James haviam se perdido, mas era preciso se esforçar. Por exemplo, não mencionei que ele ficou cego de um olho e perdeu boa parte da audição, fora isso tinha qualquer coisa de tato e olfato, o paladar não mais existia que não pela lembrança remota da fome e assim sentia fome, mas não podia se alimentar.

O pior sem dúvida era a certeza de que ninguém o percebia, de fato como se não existisse; sobre isto, as dores da alma continuavam vívidas como se sentidas na carne. Durante este tempo em que deixou o palácio, por dias James entreva na casa de alguém e passava horas, dias fingindo pertencer à família e ora seguia uma rotina, ora atestava a própria insanidade.

Passada essa fase ele conseguiu algum ânimo para procurar uma solução; e se as trevas tinham seres tão poderosos para ver entre a realidade presente e a realidade passada... a luz também deveria ter pessoas assim; foi pensando nisso que James visitava os templos.

Em dado momento James percebeu e isso o animou bastante, que ele podia ser visto através de reflexos, mas para tanto precisava se posicionar em determinado ângulo; claro que ele levou muito tempo para perceber isso... a vaidade é uma característica humana, entre os demônios espelhos não eram comuns. Foi em uma mansão de família abastada que James teve oportunidade de ver o próprio reflexo depois de todos aqueles eventos; o seu corpo continuava igual, com exceção de que estava meio apagado e por isso podia ver através de si... Agora que sabia disso James passou a pensar em uma estratégia para se comunicar.

 

II

 

Era bem simples. James surgiria no espelho para alguém e tentaria um contato visual e a partir daí poderia gesticular... mas acontece que naqueles tempos... um ser vestindo roupas estranhas surgindo no espelho do nada não significava outra coisa além de algo ruim. E em todas as tentativas James causou pavor nas pessoas... até então tudo de acordo com o plano.

Após surgir para muitas pessoas, James conseguiu chamar atenção da cidade e em pouco tempo a Ordem da Luz foi investigar. James escolheu o lugar certo para aparecer aos emissários da luz. Um local cheio de espelhos... aí veio a parte difícil. Indicar que ele não era uma ameaça, estabelecer uma comunicação gestual; para seu infortúnio vieram emissários ignorantes que não souberam interpretar os sinais; jogaram uma magia nos espelhos, selaram-no com ritos e os confiscaram. James sabia que em algum momento esses espelhos seriam avaliados por alguém mais inteligente. 

Tudo que James precisou fazer foi esperar por essa pessoa.

A Ordem da Luz surgiu em um cenário de caos e sombras. Quando os magos se exilaram deixando o mundo aos "apagados" (seres que não manifestam magia elemental), a ausência da influência arcana dos magos causou um desequilíbrio... as criaturas que dependiam e se alimentavam desta anergia enlouqueceram e passaram a nutrir-se da energia dos apagados. Como em uma cadeia alimentar, um "Abismo" se abriu entre os seres que dependiam da magia e os seres que não tinham magia. A carnificina e a destruição que se seguiram atraiu o lado sombrio destes seres e novas formas de magia, diferentes da elemental, surgiram nestas lacunas; em suma os grupos se divergiram entre aqueles que detinham a luz e os que estavam tomados pelas trevas: um diálogo ininterrupto que remonta a formação do cosmos, o debate do infinito, a dualidade das forças, o antagonismo... os opostos... dentro ou fora da compreensão humana, estas forças disputavam este mundo muito antes dos magos usarem os elementos a seu favor.

Foi com isto em mente que James precisou reformular toda a sua teoria...



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