1. Spirit Fanfics >
  2. Abismo >
  3. Capítulo 03

História Abismo - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Conforme o prometido, terceiro capítulo no ar! Deu um pouquinho de trabalho para escrevê-lo e esperamos sinceramente que apreciem. Boa leitura!

________________________

Capítulo repostado

_________________________

Capítulo 3 - Capítulo 03



Com a aproximação do Natal, a decoração no orfanato Filhos das Estrelas estava a todo vapor. As monitoras aproveitavam que as crianças haviam saído para uma excursão organizada pelo Instituto Okeanús, pertencente à Julian Solo. Eles somente retornariam no domingo. Enquanto Aya, a estagiária, cuidava das decorações do refeitório e dos corredores, Seika e Eiri montavam a árvore de Natal. Minu não se encontrava, pois fazia um curso de confeitaria às sextas e chegava tarde.

Os primeiros indícios que o inverno havia chegado foram os pequenos flocos de neve que caiam naquela tarde.

-Vai passar o fim de semana na mansão?-Perguntou a loira para a Seika, que montava a parte de cima da árvore.

-Sim, Seiya quer conversar algo comigo sobre esses cursos que Saori ofereceu para os rapazes. Com esse acontecimento da mãe do Shiryu, não tivemos tempo para conversar sobre isso.

-E nisso você aproveita para ver o Ikki, né?-Disse Eiri, marota. Era a única que sabia do relacionamento dos dois.

-É óbvio. Minha última parada nesta noite será nos braços da Fênix...-A ruiva fizera cara de apaixonada.

-Quando é que vocês irão contar para todos sobre esse namoro?

-Eu conversei com ele sobre isso. Não há motivos para esconder isso de Seiya e Shun, muito embora o irmão dele já esteja bem deaconfiado, mas como é uma pessoa discreta, não diz nada. Iremos contar na ceia de Natal!

-Você não tem receio que Seiya poderá achar disso?

-Não, mas torço muito para que ele aceite. Só achei ruim esconder isso dele durante esse tempo. Mas fiz para ele ter uma recuperação sem outras coisas com que se preocupar.

-Desejo toda sorte do mundo para você, Seika. E que dê tudo certo!-Desejou Euri, de coração.

-Obrigada, Eiri. Farei tudo possível para fazer o Ikki feliz. Depois de tudo que ele passou, merece essa felicidade, merece alguém que o ame e que cuide dele. Eu também estou feliz. Estar ao lado dele é maravilhoso.

As duas continuaram conversando e enfeitando a árvore, até que chegou o momento de Seika ir para a mansão Kido.

A noite já havia caído em Tóquio. Antes de ir jantar, Seiya conversava com Minu pelo telefone.

-Se eu estivesse na minha casa na Marina eu iria te buscar. É muito tarde o horário que você sai desse curso, sozinha. É muito perigoso.

-Não se preocupe, Seiya, eu pegarei um atalho que me fará chegar mais rápido no orfanato.

-Mesmo assim, é perigoso. Nesses becos sempre tem um mau elemento querendo assaltar ou outro tipo de coisa, sabe-se lá Deus o quê! Você é minha irmã e os irmãos tem o dever de cuidar e proteger...

Minu esboçou um sorriso. O amor fraterno era mútuo. Quem via de longe a forma que eles se tratavam, poderiam jurar que eram mesmo irmãos de sangue. Algo que nem faziam lembrar que quase se beijaram, na véspera da partida de Athena e de seus Cavaleiros para o Santuário.

-Prometo que vou tomar todo o cuidado pelo caminho, maninho. E irei separar alguns doces pra você. Agora tenho que desligar, o intervalo está quase chegando ao fim. Tchau.

-Tchau...-Pégasus desligou, ainda com semblante preocupado.-Essa Minu... É mais teimosa que uma mula.

Ikki desceu as escadas, indo em direção da cozinha, quando notou a expressão preocupada no rosto do amigo.

- O que foi, pangeré? Que cara é essa? - Perguntou Ikki.

- Estou preocupado com a Minu.

- Por quê? - O coração de Ikki palpitou.

- Ela vai sair tarde do curso e tenho medo que aconteça alguma coisa. Eu queria muito buscá-la, mas é muito tarde. Eu nessa cadeira não ajudo muito.

-E aonde fica esse tal curso?-Perguntou o Cavaleiro, não deixando transparecer a sua inquietude.

-Quase no final da Marina. É um curso de confeitaria, não é muito longe do Orfanato, mas é um lugar meio que perigoso, cheios de becos e todos sabem os tipos de elementos tem nesses becos. Não é legal para uma moça ficar andando sozinha, num local como aquele... Ainda mais para uma moça tipo a Minu, distraída e teimosa que só ela.

- Você tem razão... - Ikki queria dizer que iria buscá-la, mas seria dar muita vazão para o que sentia. - Mas se ela quer voltar sozinha, deixa ela. Não podemos fazer nada.

-É... Agora só me resta ficar aqui torcendo para que ela chegue logo ao Orfanato e esperar pela ligação dela.-Falou um desanimado Seiya.

Curso de Confeiteiro Noguchi

Era dez da noite quando os alunos preparavam-se para irem embora.

-Puxa, hoje o sensei tirou o nosso coro...-Falou uma mulher aparentando ter uns quarenta anos, fechando a porta do seu armário e encostando a cabeça no mesmo, com o ar cansado.-Precisa mesmo tanto detalhes para enfeitar um simples bolo de Natal?

-Precisasse de muita paciência para se fazer cada detalhe, Nara. Temos que dominar essa prática.-Respondeu uma jovem chamada Yoko.

-A única dentre nós que domina prática com perfeição é a Minu, outra vez a melhor da turma. Com méritos!-Nara tocou no ombro da colega de turma, que colocava o seu uniforme na bolsa.

-Não exagere, Nara, não é uma prática difícil assim. Com um tempo, todas aprendem.

-Eu queria ter essa disposição sua... Você trabalha num Orfanato, aguentando crianças o dia todo e ainda tem tempo para estudar e pegar oito horas de curso todas as sextas, dia que os jovens da sua idade saem para se divertirem... Eu só quero chegar em casa, tomar um banho quente, fazer um chá para comer os doces que fizemos hoje...

As alunas saíram do curso, ainda conversando sobre a aula.

-Irei aproveitar as festas de fim de ano para aprimorar mais. Meu esposo e filhos serão as minhas cobaias.-Nara riu.-Você vai mesmo sozinha, Minu? Quer que a gente te acompanhe?

-Não é necessário, de verdade. Podem ficar mais longe de onde vocês moram. Eu pegarei um atalho, não se preocupem.

-Tudo bem. Feliz Natal!-Se despediram Nara e Yoko.

-Feliz Natal!-Tanto Minu, quanto Nara e Yoko, foram em direções opostas.

Enquanto caminhava em direção ao Orfanato, tirou um caderno de anotações de sua bolsa e começou a folheá-lo. Também levava consigo uma bolsa térmica, contendo três caixas com pedaços de bolos e doces que fizera na aula. Era óbvio que havia separado uma caixa somente para o Seiya. Sorriu ao imaginar ele se lambuzando todo comendo os doces, igual as crianças mais novas do Filhos das Estrelas. Ele era realmente um meninão.

Uma caixa era para as amigas dividirem e outra, a sua. Iria prová-los em seu quarto, antes de dormir. Mas seu desejo mesmo era dividí-los com alguém. Ao pensar nele, seu belo rosto corou violentamente e seu coração bateu tão forte que se poderia ouvir a quilômetros de distância. Sacudiu a cabeça, para afastá-lo de sua mente. Não se permitia a passar o tempo pensando nele e de criar ilusões. Embora isso não adiantasse absolutamente nada. Ele apossara-se, sem nem ao menos saber, do coração, da alma e dos pensamentos dela.

Continuou caminhando. Como Seiya dissera, o lugar realmente era escuro. E naquela noite fria, as pessoas estavam recolhidas em seus lares, havendo pouquíssimos transeuntes na rua.

Apressou o passo, para não dar sorte ao azar. No entanto, viu-se interrompida por uma barreira bem maior do que ela, a qual de momento, ela não soube reconhecer.

Ao ser jogada no chão, ela se assustou ao avistar um brutamontes.

- Quem é você? - Perguntou, apavorada.

A resposta veio numa gargalhada debochada. O brutamontes sorria ameaçadoramente para Minu, que se rastejava tentando fugir do malfeitor. O sujeito alargou ainda mais o sorriso sinistro.

-Não precisa ter medo, meu docinho... Será bem gostozinho. Você irá adorar...

Minu queria gritar por socorro, mas a voz lhe fugiu. Rezava mentalmente para que Deus a ajudasse. O corpo frágil tremia de tanto medo.

Ele desafinelava o cinto da calça, olhando para a garota com os olhos famintos.

-Será div...-Foi numa fração de milésimos de segundos quando uma voadora atingiu o brutamontes, lançando-o contra a parede.

O golpeador não deu tempo de o covarde reagir. Limitou-se a puxar o braço de Minu e levá-la para longe dali. No entanto, quando percebeu que ela estava cansada de correr, parou. Já estavam em uma rua mais iluminada e então Minu pode ver que se tratava de...

- Ikki?

- Você é maluca por andar sozinha nessa rua a uma hora dessas?

-Eu...-Exausta e assustada, ela não soube o que responder.

Ikki a olhava, querendo esconder a preocupação e o alívio que sentia. Ficou dividido entre ir ou não ir, mas a preocupação com a segurança dela falou mais forte. Ele só precisava não demonstrar.

- Vamos embora.

E andou um pouco à frente dela, esperando que ela o seguisse.

Minu permaneceu imóvel por alguns instantes, processando o que acabara de lhe acontecer. Uma grande sensação de alívio a invadira. Vendo que ele se distanciava, apertou o passo para seguí-lo.

-Eu não costumo ir por aquele caminho, mas como está tarde, resolvi pegar esse atalho.-Ela se explicava.-Foi erro meu.

- Ainda bem que reconhece seu erro. - Ele se esforçava para parecer impassível - E se eu não tivesse chegado?

- Não quero nem imaginar o que aconteceria... - A voz dela soou com o pesar de pequenas lágrimas de lamentação.

Ele se comoveu. Virou-se para ela e sentiu-se tentado em abraçá-la. No entanto, tal ato seria escancarar o que sentia.

- Só não faça de novo. Vamos embora.

-Sim.

Após alguns minutos, chegaram ao Filhos das Estrelas. O único cômodo que havia luz acesa era a cozinha.

-Pronto, está entregue. Boa noite e cuidado na próxima vez.-Ele já se virava para ir embora, quando ela falou:

-Espera, Ikki.-Teria que aproveitar aquela oportunidade, pois não saberia quando o veria novamente.-Eu...quero lhe agradecer de alguma maneira o que fez. Não sei se você gosta, mas aceitaria tomar um chocolate quente?

Só Deus sabia o esforço que ela fazia para não gaguejar, enquanto fazia o convite.

Ikki sentiu-se tentado a aceitar, não pelo chocolate, mas sim pela companhia dela. Qualquer segundo perto dela deveria ser aproveitado.

Ele sorriu de lado ao responder:

- Deveria era me oferecer uma cesta de café da manhã por eu ter salvado você. Mas, me contento com o chocolate quente.

Minu sorriu timidamente e os dois entraram no Orfanato.

Na cozinha, colocou suas bolsas em cima da mesa e ligou o aquecedor e foi logo preparar o chocolate quente. Sentado, Fênix observava todos trejeitos dela e não conseguiu deixar de admirar o quanto Minu estava bela de cabelos soltos. Eram azulados, mesma tonalidade que os dele e caiam sob os ombros. Não demorou muito para que a bebida ficasse pronta. Ela pôs duas canecas, talheres de sobremesa e pratos sob à mesa.

-Estou fazendo curso de confeitaria.-Ela disse, abrindo a bolsa térmica para retirar as caixas.-Era o último dia de aula, entramos em recesso devido às festas de fim de ano. Graças a Deus, eu pensei que havia amassado tudo.-Abriu as caixas e os pedaços de bolos e biscoitos estavam intactos. Minu começou a serví-lo.

- Feito por iniciante, não deve estar essas coisas. - Brincou ele. - Mas deixa eu provar.

Ele pegou a caneca e levou o conteúdo dela à boca. A bebida estava deliciosamente quente e adoçada ao ponto. Era vez de provar o bolo. Pegou seu talher e comeu um pedaço da fatia. Uma explosão de sabor entrou em sua boca.

- Nada mal, hein.

Por dentro, a menina não se cabia em si de tanta felicidade. Sentou em frente à ele e também se serviu.

-É porque você não experimentou os que eu fazia, quando comecei a ir às aulas. Eu sempre achava que estava bom, mas o sensei ficara admirado de como ninguém adquiriu diabetes. Exagerava no açúcar. Mas hoje sei dosar bem na quantidade. Afinal, cuidar das crianças elétricas pelo açúcar não é fácil.

- Se as pragas daqui já são difíceis de conter, imagina com açúcar na veia. Vocês iriam precisar de um psiquiatra.

- Que horror, Ikki! - Minu soltou uma deliciosa gargalhada. Ikki ficou encantado. - Eles não são pragas. São apenas levados, o que é normal nas crianças.

O rosto dele se fechou quando ela falou sobre crianças, pois para ele o significado ela outro.

- Eu não tive tempo para ser "levado".

-Eu sei... Nenhum de vocês teve tempo.-Falou com tristeza na voz.-Antes de partir para o Santuário, Seiya me disse que cada um deve seguir o destino determinado por sua estrela. Mas agora, com o fim das batalhas, chegou o momento de todos seguirem com suas vidas e serem recompensados.

- Estou esperando minha recompensa. - A voz dele saiu desafiadora.

-Espero sinceramente que ela não demore a chegar.-Minu pousou sua caneca sob a mesa.-Não desmerecendo o que Seiya e os outros passaram durante os treinamentos, mas, de todos, você foi o que mais sofreu. Perdeu alguém que amava muito e, por conta disso, seu coração encheu-se de ódio, rancor e somente queria se vingar por tudo que lhe fizeram. Mas a amizade e o amor de Shun por você fizera com que a verdadeira Fênix renascesse dentro de você. Por isso...merece ser muito feliz.

Minu dissera cada palavra olhando diretamente nos olhos azuis tempestuosos dele.

O jeito que ela olhava fez com que ele sentisse vontade de tomá-la nos braços e beijá-la até faltar o ar. Mas conter o impulso era o ideal.

- A Esmeralda era sim tudo o que me fazia resistir naquele inferno. Se ela tivesse viva, seríamos muito felizes juntos. Até hoje me pergunto por que ela teve que partir...

- Tudo nessa vida tem uma razão, Ikki. Sei que ela morreu de uma forma trágica, mas era o destino dela. Você não poderia fazer nada para impedir.

-E o seu destino? Era esperar pelo Seiya?

Minu sorriu. Não se sentiu embaraçada pela pergunta.

-Quando ele retornou após o treinamento, achava que sim. Mas quando percebi dos sentimentos dele pela Saori e os dela por ele, entendi que não era para ser e, acredite, isso não me deixou triste. Na verdade eu tinha uma quedinha por ele. Eu o amo muito, mas como um irmão. Ele é o meu melhor amigo e quero muito que ele e Saori fiquem juntos.

Tal revelação aqueceu o coração que Ikki tentava esfriar. Era de conhecimento de todos que Minu tinha sentimento por Seiya, mas saber que ela já o tinha superado era bom para ela. E para Ikki também.

- Eu preciso superar a morte da Esmeralda. Acho que só um novo amor faria isso.

-Só um grande amor supera outro, é o que dizem, não? Um amor que te faça motivar a ir em frente, que te aceite do jeito que você é e te traga grandes alegrias. Também dizem que é um sentimento tão grande e intenso que não se sabe como cabe no peito. É você estar feliz pela felicidade da pessoa amada, mesmo que ela não esteja ao seu lado. É se doar a ela sem querer nada em troca, somente estar junto dela já basta. Deve ser algo...muito bonito de se sentir.

- Alguém que aceite meu jeito de ser? Acho meio difícil. - Ele disse em tom jocoso, estando encantado com as palavras dela.

-Não é meio difícil. Só basta ver que, por dentro, você é amável e gentil, que só se faz de durão para proteger que são importantes para você.

O telefone tocou, interronpendo-os.

-Oi, Seiya.-Atendeu a garota, já sabendo de quem se tratava.

-Ah, ainda bem que chegou! Por que não me ligou, mocinha? Não tá vendo que eu fiquei preocupado? Não está vendo que horas são?

-Desculpa, sei que deveria ter te ligado. Eu cheguei bem. Encontrei Ikki pelo caminho, ele me deu um sermão e me trouxe até aqui.-Respondeu ela, omitindo o fato ocorrido para não deixar Seiya ainda mais preocupado.-Mandarei seus doces por ele.

-Tá, tudo bem. Depois, você...me conta sobre você sabe o quê. Até amanhã.

-Até amanhã.-E desligou. Voltou a sentar-se à mesa e disse ao Ikki:-Não quero que ele saiba do que aconteceu. Ele ainda está em fase de recuperação e qualquer coisa pode deixá-lo nervoso. Também não quero que ninguém saiba.

- É um segredo nosso. - confirmou Ikki. - Bom, eu já vou. Espero que tenha se recuperado desse susto e que não passe por aquela rua de novo. Boa noite.

-Espera, eu quero que leve isto ao Seiya.-Minu deu a ele duas caixas com os bolos e biscoitos.-A outra é pra você. Como forma de agradecimento.-Minu olhava docemente para ele.

- Olha que assim fico com ciúme, hein. - Ele brincou. Era possível que estivesse jogando verde para colher maduro, apesar da insegurança de Minu.

Ele deu as costas e se foi. Minu pôs as mãos no rosto, consternada pelo que ele disse. Será possível que ele estivesse correspondendo ao sentimento dela?

Ao chegar na mansão, Ikki encontrou o grande saguão às escuras. Sinal de que todos já haviam se recolhido, mas supreendeu-se quando uma voz o chamou:

- Ikki. - A voz era feminina. Ikki estava de costas para quem lhe chamou e, quando se virou, deu de cara com Seika.

- Oi, Seika.

- Onde você estava até agora? - Ela perguntou.

-Fui dar uma volta. Encontrei a Minu andando sozinha e ela mandou isso aqui para o Seiya.-Ele entregou uma das caixas para ela.

-Verdade, Seiya e eu estávamos preocupados se ela chegaria bem no Orfanato! Ainda bem que ela te encontrou pelo caminho, sabe-se lá o que poderia acontecer com ela, sendo tão tarde.

Ikki sentiu-se um pouco mal quando Seika demonstrou preocupação com Minu. Sabia que ambas eram amigas e que o que ele fazia não era certo. Mas, infelizmente, coração e atração eram contradições que andavam de mãos dadas.

- Ela está bem. A deixei no orfanato só por precaução.

Seika sorriu de maneira sensual.

- Bom, já que está tudo bem e que você chegou... Por que também não me deixa em casa.. quero dizer, seu quarto?

Ikki também sorriu e sentiu a excitação subir por seu corpo com a pergunta dela. Então, deixou em cima de uma mesa a caixa de doces que Minu enviou, abraçou Seika e, ao pé do ouvido dela, sussurrou:

- Só se for agora.

Subiram rápido para o quarto dele. Trancaram a porta e, sem mais delonga, beijaram-se com violência.

-Isso tudo é saudade de mim?-A ruiva perguntou, quando foi levada para cama.

Não demorou muito para estarem nus, envolvidos numa transa deliciosamente voluptuosa. Seika movia-se sensual no colo dele, enquanto ele beijava-lhe os seios e passeava com as mãos pelo corpo dela. Foi quando ela o chamou:

-Ikki...

A voz lhe soou diferente. Era doce, terna. E reconheceu de quem era e abrira os olhos para se certificar. Ao levantar o rosto, a viu. Os fios azuis, úmidos pelo suor, estavam grudados em seu belo rosto. Os olhos verdes, tão brilhantes e puros como esmeraldas, o encaravam com veneração. Ela exibia um sorriso tão bonito e iluminado que o desarmava. Estava tão linda e serena quanto a lua.

Ela então levou suas pequenas mãos ao rosto dele e acariciou. Ikki fechou os olhos por um instante, desfrutando da delicada carícia, seu coração batendo na mesma intensidade que o dela. A menina beijou-lhe a testa, quando falou, num sussurro carregado do mais belo sentimento:

-Amo você...

- Seika? - Perguntou Ikki sem raciocinar, assim que voltou a abrir os olhos. Gelou quando viu que não era Minu ali.

- Claro que sou eu! Quem você imaginava que fosse? - Seika franziu o cenho.

Ele passou as mãos pelos cabelos, afastando-se de Seika.

-Meu amor, o que está acontecendo?-A ruiva estranhava a atitude dele.-O que eu disse te assustou, foi isso?

Ele não soube o que responder a Seika naquele momento. A imagem de Minu povoava sua mente.

Seika havia acabado de se declarar e ansiava por uma resposta. Mantinham um namoro escondidos de todos fazia um ano. Se conheceram após a batalha contra Hades. Durante a recuperação de Seiya, uma química muito intensa surgiu entre eles. Desde então, a ruiva vive uma paixão avassaladora com a Fênix.

Já Ikki sentia ternura e atração por Seika. Fazia algum tempo, não saberia explicar como, nem quando, que a monitora tímida, distraída e teimosa do Orfanato Filhos das Estrelas ocupava cada vez mais seus pensamentos, seu coração. No início, quando a conheceu, achava-a uma menina boba, chata e vivia implicando com ela, muito embora que ela não respondesse as sua provocações. Mas, quando começou a observá-la atentamente, descobriu que ela não era nada daquilo do que ele imaginava que ela fosse. Minu era inteligente, madura, dedicada, amável com todas as crianças e com as pessoas que a cercavam. E, quanto mais o tempo passava, mais bonita e interessante ela ficava.

-Ikki, está me deixando preocupada. Fale alguma coisa!-Seika tornou a falar, olhando sério para ele.

- Ah, Seika... Desculpe... É que... Eu também amo você. - Resolveu mentir. Não havia outra alternativa no momento.

Era tudo o que Seika queria ouvir. Durante esse um ano que namoravam, os corpos se encaixavam bem e se atraiam como imã e ferro. No entanto, a ternura deixava a desejar quando o tesão era latente.

Jogaram-se na cama e se amaram com loucura. Ao final, ficaram abraçados na cama e ela disse:

- Você me deixa louca, sabia?

- Sabia. - Ele riu.

- Ah, imbecil. - Ela riu também.

- Você sabe que eu não estaria com você se você não me deixasse louco, né?

- Eu sei. Te conheço bem. Foguento como a constelação que representa.

- Deixa só seu irmão saber do que a gente faz.

- Problema é dele. Não devo satisfação da minha vida para pirralho nenhum!

Ikki deu uma gargalhada.

- Somos dois. Mas às vezes o chato do Shun enche meu saco.

- Bom, vamos esquecer nossos irmãos e aproveitamos mais um pouco? Daqui a pouco alguém passa aqui e nos descobre.

E de novo se amaram. O corpo dele pertencia a Seika. Será que um dia o coração pertencerá a Minu?

Em seu quarto no orfanato, a garota via pela janela a neve cair, suavemente. Mas dentro de si ocorria uma tempestade intensa de emoções. Saberia que passaria a noite em claro. Não seria a primeira vez desde o dia que o conheceu. Ele entrara em seu coração como uma flecha flamejante. Porém , ela sabia que Ikki não a via como mulher...

Minu tinha a sua beleza e se aceitava bem da maneira que era. A beleza dela era singela, diferente das outras moças. Seu jeito tímido e meigo era encantador. Mas será que era o suficiente para conquistá-lo?

Suspirou, enquanto repassava os momentos que tivera com ele naquela noite. De como a salvou daquele brutamontes. Do jeito carrancudo de lhe passar uma bronca, merecidamente. Da felicidade que sentiu em conversar com ele. Há muito desejava dizer que o amava. Amava seu jeito de ser, amava a pessoa gentil que ele era. O fato ocorrido há momentos atrás a fizera criar coragem de se declarar. Não queria mais guardar um sentimento tão bonito e intenso para si.




Continua...


Notas Finais


_________________________


Uma vez ouvir alguém dizer que a paixão e o amor são coisas totalmente diferentes. Que a paixão dura apenas um pouco. O amor dura pra sempre. Que a paixão é apenas uma reação química com direito a adrenalina. Já o amor é um sentimento. Podemos dizer que Ikki vive esse dilema.

_________________________


No próximo capítulo


Hyoga e Eiri vivem um belo romance. Mas o que pode atrapalhar?



Até a próxima!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...