História About That Girl - Capítulo 8


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Categorias EXO, F(x)
Tags Fem!exo, Genderswap, Magia, Romance
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Palavras 6.838
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Bishounen, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Harem, Hentai, Lemon, Magia, Mistério, Misticismo, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLHA SÓ, ATÉ QUE FOI RÁPIDO ASIUDHIALUSHDLIUAHSD
Bom, espero que gostem, migos!
Eu quero muito agradecer por terem curtido e comentado bastante o último cap.
Eu fiquei realmente muito feliz em receber o amor de vocês, espero que continuem dando daqui para frente <3

Capítulo 8 - VII - Beijos e Surpresas


Fanfic / Fanfiction About That Girl - Capítulo 8 - VII - Beijos e Surpresas

CAPÍTULO 7 - LÁGRIMAS E SURPRESAS

Acordei tarde como de costume, já que dormira toda a manhã. Porém, não foi o cheiro gostoso da comida preparada por SeHun que despertou-me de meu sono, e sim a voz das duas mulheres conversando na sala. Só então me lembrei da tal prova de roupas, acordando de um pulo e me vestindo com um shortinho e uma camiseta larga. Não me dei ao trabalho de colocar um sutiã, era muito mais desconfortável do que parecia e as duas não deviam ser do tipo que se importava com isso, ainda mais dentro de casa.

    - Olha só quem acordou… - SoJung disse com um sorriso no rosto, meio irônica, enquanto me encarava.

    - Desculpem, é que é complicado ir dormir às seis da manhã. - Falei enquanto soltava um bocejo, coçando a nuca e encarando a dupla que ria para mim.

    - Tudo bem, o que importa é estar acordada. A Sra. Shin trouxe nossos vestidos. Eu achei uma gracinha! Mas… pode ser que você não curta muito. - Krystal disse com um sorriso meio torto, como quem já me conhecia o suficiente para ter entendido o que era realmente meu estilo. Aliás, eu já comprara mais um monte de roupas de garota, acho que era mais divertido do que roupas de homem. Sabe, geralmente eu só escolhia uma camisa e uma calça e pronto, mas mulheres tem um monte de opções e eu meio que tinha me encontrado nessa coisa de roupas esportivas.

    - Tanto faz, eu só não quero perder a porra do meu emprego. - O final da frase ficou meio confuso, já que eu acabei por bocejar enquanto falava. A idosa me encarou com grande desaprovação por conta do palavreado, eu apenas revirei os olhos. - Vamos provar logo isso.

    - HaIn! Fala direito! Parece até um troglodita. - Krystal pareceu só me repreender para impressionar o mulher que tirava meu vestido de dentro de uma mala.

    - Vai tomar no cu, SoJung, você fala mais merda que eu longe de gente velha. - Meu humor pela manhã estava ficando cada vez pior, eu me perguntava se por já terem se passado algumas semanas eu estava ficando de T.P.M. de novo. Era provável que sim.

    A outra garota apenas me encarou revirando os olhos, e eu apena fui até a geladeira de onde tirei a caixinha de leite achocolatado e abri, tomando da própria embalagem sem qualquer pudor. Assim que terminei de beber tudo em praticamente um só gole limpei o bigode amarronzado sobre meus lábios e dei um arroto baixo, fazendo com que a dupla de mulheres me encarasse de maneira incrédula.

    - HaIn, pelo amor de Deus, só veste a porcaria do vestido. - A mais jovem veio até mim com uma cara totalmente desgostosa, o que me fez rir. Estava apenas a provocá-la, pois dois dias antes havíamos tido uma pequena briga pelo KakaoTalk depois de ela descobrir que eu e Amber andávamos saindo apenas as duas e que bom… não era como amigas meramente. Já deixando claro: não era como se estivéssemos namorando nem nada do tipo, mas alguns beijos foram trocados. SeHun ainda estava puto por conta disso também e eu não entendi bem o motivo, porém , acho que para evitar confusão; o gerente não tocava muito no assunto.

    - ‘Tá bom. Me dá aqui. - Falei estendendo a mão depois de jogar a caixinha vazia de leite no lixo. - Vou me trocar no banheiro, não gosto de ficar pelada na frente de desconhecidos. - Respondi olhando para a Sr.Shin que já me encarava com cara de ódio, o que me fez rir internamente.

    Entrei no pequeno cômodo e me despi da bermuda e do camisetão, colocando uma calcinha e um sutiã simples, que já estavam pendurados no pequeno varal ao lado do box, e comecei a tentar vestir aquele negócio. Eram várias camadas, tinha uma blusinha também, um avental, faixa de cabelo e até a porcaria de um par de meias… era totalmente desnecessário e complexo além da conta. Devo ter ficado uma meia hora lá dentro para finalmente sair dali ainda sem avental e com a merda do zíper de trás da roupa aberto.

    - ‘Tô parecendo uma retardada, aposto. - Falei com a cara desanimada ao finalmente passar pela porta do banheiro e encarar a dupla.

    Meu foco inicial foi como Krystal estava sexy naquela roupa. Caralho! Se eu ainda tivesse meu pau ele teria ficado duro naquela hora. A saia dela parecia ser mais curta que a minha e as meias tinham aquela parada de prender e tal… não sei o nome, só sei que é sexy pra porra. Quase caí para trás e até comecei a pensar que poderia me sentir um pouco bem depois de me ver arrumado na frente do espelho, talvez eu até tocasse uma para mim mesmo. Eu sou uma mulher muito gostosa mesmo, no fim das contas…

    - Ficou uma graça, está até parecendo mais nova. - A voz de Sr. Shin parecia mais calma do que antes, também me passava a impressão de estar elogiando bem mais o próprio trabalho do que a modelo que o vestia.

    - Vem cá, vamos só ajeitar isso. - SoJung veio até mim enquanto falava, tocando meus ombros com delicadeza me fez virar de costas, primeiro subiu o zíper até o final, ajeitando para que a camisa não ficasse engruvinhada dentro do vestido, depois finalmente amarrou meu avental branco com um belo laço nas costas. Ela então começou a me empurrar até o quarto dos outros garotos, onde havia um bom espelho de corpo inteiro, me fez parar de frente para o objeto.

    Talvez por um ter feições mais arredondadas que a Jung eu não me vi de maneira sexy. Estava mais para algo fofo, na verdade. Parecia também ser mais próximo do meu “estilo” do que imaginei. Eu sabia que Krystal estudava coisas sobre moda e estética na faculdade, talvez isso a tenha ajudado a escolher algo que me agradasse e ainda assim fosse bem bonitinho… naquele momento me senti realmente uma menina bonita, mas de uma forma diferente. Não me encarei como se quisesse transar comigo mesmo, era mais um tipo de orgulho de mim… acabei sorrindo.

    - Até que ficou legal, né? - Comentei sem querer muito me dar por vencido, ainda que soasse bem assim.

    - Ficou ótimo! Acho que vai ficar ainda mais legal quando você estiver maquiada e com o cabelo arrumado. Com certeza. - Ela parecia satisfeita, ao mesmo tempo que ainda reflexiva sobre como eu poderia melhorar.

    - Que dia vai ser o evento mesmo? - Na verdade eu deveria saber, mesmo assim não me recordava. Não estava exatamente ansioso para tudo aquilo, os outros dois meninos sim. ZiTao alugou até um smoking para ele e SeHun, também estava estudando boas maneiras e o escambal… eu realmente não entendo esse cara.

    - No sábado, ainda temos uns dias, por isso fiz a prova agora. - Explicou Krystal, enquanto se observava na frente do espelho.

    

    Era já sexta-feira quando SeHun me obrigou a fazer hora extra ajudando ZiTao a dar uma limpeza maior no salão do café. Ambos varriamos com certo tédio, já que estava realmente vazio.

    - Tao, outro dia apareceu um cara bem inconveniente aqui… ele estava perguntando de você. - Falei quando finalmente comecei a varrer do lado de fora, me fazendo lembrar da visita daquele babaca que achou que poderia tocar em mim… nojo.

    -  Um cara? Que cara? - Ele pareceu achar aquela conversa bem estranha, até mesmo parou o que fazia para me dar mais atenção. Como eu não sabia bem do que se tratava, apenas diminuí a velocidade de minhas varridas.

    - Então, acho que ele era chinês também… tinha um sotaque mais forte e menos fofo que o seu. - Comentei com um sorriso divertido nos lábios. - Yi… YiZin… algo assim, não me lembro bem.

    - Seria… Ah, quer saber…? Deixa! Deve ser um primo distante ou algo assim. Eu não ligo. - O mais alto me encarava como se soubesse bem de quem eu estava falando, mas depois de refletir simplesmente mudou de assunto. Concluí que aquilo não me interessava e ele parecia também não querer me contar, apenas respirei fundo e continuei cuidando do meu trabalho.

    - Tanto faz quem seja mesmo, só avise que se ele aparecer aqui de novo eu quero que fique a metros de mim e não coloque as patinha na minha cutis maravilhosa de novo. - Expliquei revirando os olhos, fazendo um riso estranho sair dos lábios de ZiTao. Era como se ele misturasse um riso realmente divertido, advindo do que eu dissera sobre mim mesmo, e um certo nervosismo pela informação do aparecimento do cara ao mesmo tempo.

    - Boa tarde, princesa da minha vida! Não se preocupe, seja lá quem for, nunca tocará minha deusa! - A voz mais do que irritante de JunMyeon se fez assim que terminei de falar, fazendo com que nossa atenção se virasse para a porta que ele atravessava com um buquê de rosas imenso em mãos.

    - Deixa de ser retardado, moleque. Não preciso de ninguém me defendendo, não. - Retruquei com a voz cheia de tédio, só então me virando para as flores. - Que porra é essa? Já te disse um milhão de vezes que não quero mais ver flores na minha frente?

    - Nossa… essas não são pra você, ok? - O menino falou com a voz triunfante, já indo olhar o cardápio sobre o balcão. - São para a mulher mais importante da minha vida. - Me encarou como quem tentava criar ciúmes, mas eu já conhecia muito bem aquele truque.

    - Ah ta… saquei. Espero que sua mãe goste de flores, então. - Dei uma risada soprada ao final da frase, vendo os olhos ultrajados e surpresos do riquinho se esbugalharem.

    - Como…? Como sabe? - A voz dele tremia ao me perguntar como sabia daquilo.

    - Querido, eu sei de todos os truques que pode querer usar comigo… sei melhor que você, inclusive. - Completei com uma expressão de tédio e soberba, logo me voltando para começar a arrumar uns mangás em uma prateleira.

    - Você vem pro evento amanhã, né? - O chinês perguntou ao meu admirador, enquanto eu apenas me focava em trabalhar.

    - Claro que venho. Não vou perder a HaIn vestida de empregada por nada. - A voz de JunMyeon chegou a me dar arrepios… mesmo quando eu estava no corpo de homem não sentia grande atração por esse tipo de fetiche. Achava meio bizarro.

    - Eu não estava em casa quando as meninas provaram a roupa, mas a Krystal me mostrou os desenhos… a saia podia ser mais curta, mas fazer o que, né?

    - Ah, sei lá… eu acho bem sexy roupas um pouco mais tapadas. - Enquanto falava SuHo aproximou-se do colega, como quem lhe diria um segredo. - Dá mais vontade de tirar! - Sussurrou alto, mas não ao ponto de eu não conseguir ouvir. Inicialmente meus olhos se reviraram, porém acabei concordando internamente com o ponto de vista… ainda que algo me parecesse levemente idiota na dita linha de pensamento.

    

    O cheiro do cigarro de SeHun estava me deixando realmente estressado. Minha vontade de fazê-lo parar existia, só que simplesmente não conseguia mais ficar insistindo para que o fizesse, não era meu papel ficar pajeando marmanjos adultos. Apenas tentei focar no pedaço de pizza que comia, enquanto trocava algumas mensagens com Amber. Nossa relação estava parecendo algo sério às vezes, enquanto por outro lado era apenas uma amizade divertida.

    Sorri quando ela fez um trocadilho idiota, mas caí na gargalhada ao receber uma foto dela com pedaços de cenoura enfiados na boca como se fossem dentes. Quase que a coca que bebia escorreu para fora do meu nariz.

    - Você não aprende mesmo, né? Daqui a pouco você volta ao normal e essa garota vai estar apaixonada. - SeHun simplesmente não conseguia me deixar viver a vida em paz. Eu sabia que poderia ser uma má escolha me relacionar com alguém naquele estado, mas porra… eu estava praticamente a um passo de realizar meu sonho de saber na prática como era fazer sexo lésbico. Não podia deixar isso passar. Uma puta fantasia dessas, bicho!

    - Ah, para… só estamos saindo de vez em quando. Não é como se fosse um namoro ou algo assim. - Expliquei meio sem ânimo, largando o celular sobre a mesinha, enquanto ele apenas apagava o cigarro no cinzeiro e se sentava de frente para mim, pegando mais um pedaço da comida para si.

    - Você que sabe, só… tente não ser a grande bosta egoísta de sempre. - Eu não tive muito tempo de responder, apenas virei os olhos e o vi sair pela porta sem me avisar o motivo. Eu apenas revirei os olhos e voltei a me divertir com a conversa, sabendo que o dia seguinte seria realmente muito cansativo.

    

    Parado de frente para o espelho eu mal conseguia acreditar em todas as sensações que me atravessavam o peito. Em mais ou menos três meses eu passara de cara-mais-legal-pegador-capitão-do-time-beisebol-aluno-exemplar a semi-tomboy-gostosa-virgem-garçonete-vestida-de-empregada-em-um-café-qualquer… Simplesmente não fazia sentido; e por mais que eu pesquisasse não havia uma só explicação de como quebrar o feitiço. Principalmente sem a ajuda de quem me amaldiçoara… aquela vadiazinha filha da puta!

    Passei dias na frente do computador lendo histórias de quem dizia já ter estado em uma situação levemente parecida com a minha, mas todos diziam apenas terem voltado ao normal depois de algum acontecimento, como em um passe de mágica. Eu não entendia bem o motivo, porém a maioria dizia que ter passado por aquilo fora “a pior e a melhor coisas que já me aconteceram”. Como alguém, como a menina que acordou no corpo da avó velha e gorda, poderia achar que isso tenha tido um mínimo aspecto positivo?

    Eu estava me arrumando no quarto de Tao e SeHun, já que no meu não tinha um espelho de corpo inteiro. Me sentei na cama e soltei um suspiro, completamente saudoso de minha vida real… que naquele momento parecia tão distante. Eu só queria a porra da minha picora de volta! Seria pedir demais? Só aguentaria esperar mais um pouco até ter a chance de transar com a Amber, quando fizesse isso, achava que logo depois acabaria enlouquecendo por estar no corpo de mulher…

    - HaIn! Anda logo, temos que abrir lá embaixo! ‘Tá se arrumando pro casamento, é? - Pude ouvir a já conhecida voz de ZiTao, delicado como sempre.

    - Calma, filho da puta! - Gritei de volta sem me preocupar com a linguagem feminina, que aliás, eu passara a achar uma frescura sem tamanho. Nunca mais exigiria isso de garota nenhuma que saísse comigo. - ‘Tô quase terminando, porra!    

    - Boca suja do caralho! Vai se foder, garota! - Esse último grito me tirou do sério, fazendo com que eu corresse até a porta e abrisse já totalmente disposto a meter o maior socão na cara daquele chinês maldito. Porém, ele já prevera meus passos e assim que saí senti minha cintura ser segurada com força e meu corpo foi jogado contra um de seus ombros, deixando possível apenas que eu lhe batesse nas costas, enquanto me remexia pedindo que me largasse.

    - Você é muito violenta, mano… pelo, amor de Deus! Olha o seu tamanho e olha o meu. Só me defendendo eu já posso te machucar. - Explicou com uma voz divertida e levemente debochada, enquanto eu apenas parava de bater no garoto e o sentia me pôr de volta no chão. Não estava com ânimo para continuar aquela briga.

    - Filho da puta. - Foi tudo o que eu disse para o chinês trajado de mordomo enquanto já pegava no chão da sala o par de scarpins de salto que Krystal me dera de presente para usar com minhas roupas de empregada.

    - Calma, gatinha. Eu só queria te tirar logo do quarto. A fila lá fora está gigante, até a Krystal já ‘tá pronta; e a senhorita aqui fazendo a noiva.

    - Ah… para. Vamos logo, então. - Falei revirando os olhos e indo calçar os sapatos. No começo eu me sentia usando pernas de pau para andar com eles, porém logo fui me acostumando. Hoje acho que ando tipo uma daquelas modelos de Fashion Week, uma deusa realmente.

    - Você ficou bem bonita nessa roupa… tem vezes que eu até esqueço que você é mulher.

    - Vai tomar no cu. - Respondi com muito mais raiva do que gostaria. Fui totalmente seco. Na hora a ofensa pareceu ser muito maior do que fora no passado. Nem sequer olhei para ele ou esperei por suas desculpas, apenas abri a porta e saí descendo as escadas sem olhar para trás. Eu tinha certeza que ZiTao notara que aquela não era uma mera irritação de momento.

    Penso que o que me levou a ficar tão magoado foi o fato de eu ter feito um grande esforço para ser visto como mulher e me acostumar com toda a merda que estava rolando comigo. Ouvir que mesmo assim eu ainda era um homem para certas pessoas soava como se todos o meu esforço fosse jogado fora. Talvez tenha ficado também magoado comigo mesmo, já que era estranho me sentir ofendido em não ser visto como algo que eu inicialmente odiava ser.

    Finalmente cheguei ao salão com a cara fechada, mas não pude deixar de dar uma risada ao ver o gerente vestido de mordomo e com a cara mais desesperada do mundo ao observar o imenso número de pessoas que esperava para abrirmos.

    - Faziam seis meses que não fechavamos as portas. Ficamos só um dia fechados e a galera já fica louca. - Comentou SeHun encarando a multidão.

    - Não se faça de burro… sabe que ninguém lá liga para essa porcaria de café, só estão aqui porque somos lindos. - A conclusão de SoJung era a mais pura realidade, não havia um só dia que não recebíamos comentários do tipo “deve ser obrigação ser lindo para trabalhar lá”, “só vim ver os atendentes”... pois é. Se fossem fazer um filme nosso chamaria “As Vantagens de Ser Lindo Para Um Caralho.”

    - Cala a boca antes que eu te expulse daqui. - SeHun disse enquanto nós quatro nos posicionavamos de frente para a porta, enquanto KyungSoo e ChanYeol, que contratamos para ajudar na cozinha, nos encaravam de detrás do balcão.

    - Estamos fodidos. - ZiTao disse o que já se passava pela cabeça de todos, nós apenas concordamos em silêncio.

    

    - HaIn, minha princesa! Você é tão linda… fico bem emocionado de te ver tão sorridente! Escreva no meu glacê que me ama. - SuHo tinha um sorriso tão largo no rosto enquanto me encarava lhe servir o bolo, que eu quase enfiei um soco no meio daqueles dentes brancos. Ele estava se aproveitando de eu não poder negar as coisas para abusar da minha boa-vontade.

    - Obrigada, senhor! Aqui esta. - Falei ao terminar de escrever, com meu sorriso mais amarelo possível. Ele sabia que não era sincero, mas deixa o cara com suas fantasias bizarras…

    Escutei duas garotas começarem a dar gritinhos do tipo que adolescentes dão ao ver um grupo de idols e não consegui ignorar, automaticamente olhei para o lugar de onde vinha o som para encarar a cena. SeHun segurava ZiTao pela cintura, com uma das mãos, enquanto a outra pousava na face do chinês mais jovem; que por sua vez apoiava ambas as palmas no peito alheio.

    - Tem um pouco de chantilly aqui… - O gerente falava com a voz mais grave, sensual e totalmente fora do normal. Eles estavam com os olhos focados um no outro e ZiTao tinha uma expressão falsamente tímida no rosto. Tudo não passava de encenação, mas as garotas não pareciam ligar.

    - Deixa que eu limpo pra você… - O Oh passou delicadamente o polegar pelos lábios do garoto. Eu apenas revirei os olhos e dei uma risadinha de canto daquilo… geralmente esse tipo de coisa me deixava enojado, mas naquele momento eu comecei a pensar que tanto fazia… eu mesmo estava em um relacionamento homossexual, se fosse parar bem pra pensar.

    - HaIn! O pedido da mesa cinco! - ChanYeol me chamou com a voz um pouco mais alta, provavelmente eu não escutara aos primeiros chamados.

    Me virei e segui para o balcão, parando de frente para ele, depois virando o rosto para o grupo de meninos do ensino médio sentados na mesa cinco.

    - Não querer servir essa mesa… deixa pra Krystal. - Falei meio emburrado, revirando os olhos para a horda de garotos.

    - Ah para… eles só estão olhando; admirando sua beleza. Mas… se algum deles te encostar me chama que eu capo na hora. - Park respondeu com toda a sua falta masculinidade, ele estava longe de ser o tipo brigão, eu sabia bem disso.

    - Sua namorada vai ficar com ciúmes. - Respondi com leve ironia, sabendo que minhas palavras o atingiriam por serem um pouco verdade.

    - Que nada… Ela não quer nem mais olhar na minha cara.- Sua voz saiu fraca e os olhos ficaram baixos, enquanto me encarava e respondia. Isso fez com que me arrependesse pelo comentário.

    - Calma. Ela só precisa de um pouco de tempo. - Afirmei fingindo ter certeza, ainda que pensasse que talvez ela realmente tivesse motivos para nunca mais querer nada com ele. - Você só precisa fazer a sua parte e não sentir vergonha de estar com ela… tipo, ela parece uma menina legal e tal, isso que importa. - Completei com um sorriso simples, sem saber bem o que dizer. Peguei a comida sobre o balcão e fui servir a mesa cinco.

    Assim que terminei de colocar a refeição dos rapazes na mesa, em meio a elogios sobre minha aparência, ouvi o sininho da porta da frente bater e me virei automaticamente para dar boas-vindas a quem quer que fosse o cliente. Não pude deixar de sorrir ao ver que se tratava de Amber; entretanto ela parecia diferente, não tinha aquela aura alegre de sempre. Seus olhos estavam turvos e baixos, a face séria e o semblante pesado. Eu mesmo acabei perdendo meu sorriso sincero. A garota entrou calma e sentou-se em uma mesa distante, como quem esperava por algo, mas não por ser atendida.

    Segui com calma até a mesa dela, fingindo sentir que estava tudo bem durante o percurso, mas a verdade é que bem lá no fundo sentia um aperto desconhecido no coração. Como percebi que Amber se encontrava completamente desatenta ao redor, apenas coloquei minhas mãos sobre seus olhos, ficando atrás da menina, e falei divertida:

    - Adivinha quem é!

    - HaIn… precisamos conversar. - A voz dela estava realmente mais séria que o normal. Senti meu corpo gelar, afinal, todos sabem o efeito que essas palavras causam em nossos corpos e mentes.

    - Aconteceu alguma coisa? - Perguntei enquanto me encaminhava para ficar de frente para ela, meu rosto com certeza estava tomado pelo receio que aquele tipo de situação causava.

    - Só faz o seu trabalho, quando terminarem a gente conversa. - A Liu parecia tentar sorrir, contudo eu já a conhecia o suficiente para saber que algo estava errado. Tentei apenas respirar fundo e continuar com o que estava fazendo, voltei a sorrir com a cara de “empregada de rico” e lhe perguntei o que gostaria de comer. Ela apenas pediu um suco de laranja e um croissant. Entreguei o pedido de Amber sem dizer nada e segui para atender mais um grupo de garotos jovens com hormônios à flor da pele.

 

    Em dado momento do dia eu já não aguentava mais andar, era como se eu não tivesse pés e, mesmo assim, eles doíam como se eu pisasse em facas. Me senti obrigado a sair um pouco, aproveitando para fazer meu horário de almoço, já às três da tarde. Como eu sabia que não daria tempo de trocar de roupa apenas troquei de sapato e fui até a loja de conveniência na esquina, onde comprei um pão doce recheado com frutas e sentei-me em um dos bancos para comer. A rua estava vazia e eu morrendo de exaustão, até mesmo fechei os olhos por um instante, quase adormeci. Até que senti alguém sentar-se ao meu lado, bem mais próximo do que se espera de um estranho.

    - Quem é você? - Perguntei sem me preocupar com meu linguajar, pois já conseguia ver se tratava de um cara na casa dos quarenta anos, com boa aparência, mas nem de longe bonito. Estava mais para um assalariado de vida média que pinta os fios brancos para não parecer tão velho. Aquele típico “pai de família”... um bando de tarados nojentos e filhos da puta. Pelo menos essa era imagem que eu começara a ter deles quando fiquei preso no corpo de mulher.

    - Sou… um amigo. Você é muito bonita, sabia, mocinha? - Aquela voz de falsa simpatia me fez franzir o cenho, principalmente quando vi a mão dele lentamente se aproximando da minha perna.

    - Amigo, o caralho, tio! Nem te conheço. - Falei da forma mais suja que conseguia, já me levantando e ficando o mais longe possível daquele ser asqueroso. Até mesmo fingi que limpava minha perna, para deixar claro o nojo que sentia.

    - Você tem a boca muito suja para uma garota, sabia, mocinha? - Ele me falou com um sorriso irônico na face, deixando claro que estava com raiva de minha reação. Em um gesto que eu nem mesmo esperei ele me empurrou para uma pequena viela e prensou meu corpo contra o muro com toda a força que tinha. - Uma menina tão bonita, com roupas tão convidativas não deveria falar assim com quem está apenas elogiando… - Ele segurou meus braços contra os tijolos gelados e tudo o que consegui foi dar a joelhada mais forte que eu conseguia bem no saco daquele retardado. O cara caiu no chão e eu ainda aproveitei para descontar toda a raiva da situação que eu sentia nele, enfiando uma bicuda absurdamente forte em sua barriga.

    - Chupa minhas bolas, tio. - Falei cuspindo na cara dele como o JongIn que eu costumava ser. Senti até um calor no peito ao fazer aquilo, para depois sair correndo o mais rápido que podia de volta para o café, onde inicialmente tentei fingir que estava tudo bem, mas minhas bochechas vermelhas me denunciaram.

    - HaIn, o que aconteceu? - Um SeHun mais do que alinhado em seu terno, com os braços cruzados e uma expressão inquiridora, perguntou.

    - Um velho escroto tentando passar a mão em mim… ai, que nojo que eu sinto! Homem é uma merda mesmo. - Fui obrigado a concordar com quase todas as mulheres que conhecera. Pensando bem, depois de todo o tempo em que estava naquele corpo, talvez já tivesse algo de fêmea em mim gritando.

    - Que? Quem é o desgraçado? Vou enfiar a porrada! - A expressão dele mudou de tal forma que até eu senti um pouco de medo, nunca vira o gerente com tamanho ódio nas orbes. Ele já estava indo para frente, quase passando por cima de mim, eu apenas coloquei minhas mãos sobre seu peito e o segurei para que não saísse do lugar.

    - Calma, não foi nada! Ok? Eu sei me cuidar sozinha! Além do mais, eu saí correndo, não sei mais onde ele está. E meti um chute bem no saco dele para aprender o que é bom. - Falei com certa confiança, sentindo-o se deixar relaxar um pouco com minhas palavras.

    - Eu acho que você não tem noção real do que pode te acontecer, né? Você não tem mais um pau no meio das pernas e sei que isso pode te chocar, mas aquilo era uma proteção maior do que você imagina. Hoje você deu sorte, mas nunca se sabe como será amanhã. - Ele falou bem junto do meu ouvido, ao ponto de que algumas pessoas olharam para nós dois como se fôssemos um casal ou algo parecido. - Agora vai colocar seu sapato de volta e voltar a trabalhar. A Krystal está conversando demais com a Amber e não consegue dar conta das mesas. - Enquanto ele falava eu apenas piscava os olhos completamente atônito. SeHun sempre parecia aquela figura séria, ao mesmo tempo que despreocupada, vê-lo falar com tamanha firmeza usando de sua voz mais grave acabou me tirando do prumo por alguns momentos.

    - Não vou fazer isso, desculpa. Eu preciso de um tempo. - Acho que foi o choque ou coisa parecida, mas eu simplesmente me senti um lixo. Foi como se uma pedra tivesse sido arremessada bem contra o meu estômago. Apenas olhei para baixo e saí subindo as escadas em direção a nosso pequeno apartamento.

    Na verdade eu simplesmente não aguentava mais tudo o que estava acontecendo. Depois de alguns anos me vi chorando. Não é que eu não tivesse tido vontade de chorar antes, porém era quase que humilhante para Kim JongIn se render a qualquer merda que a vida colocasse em seu caminho… Corri para o meu quarto e comecei a chorar “como uma garotinha” e até mesmo soltei um riso irônico para mim mesmo ao olhar para o espelho. Lá estava eu me rendendo a todas aquelas merdas, a saudade que sentia da minha família, do time e até daquelas garotas que eu vivia chamando de chatas correndo atrás de mim… nenhuma delas era tão irritante quanto JunMyeon, isso é um fato.

    Enquanto encarava meu reflexo eu simplesmente não me via como parte daquilo, eu não era aquela pessoa por mais que tivesse tentado me encaixar na casta que me cobria. Linda, corpo atlético, roupas estilosas e um monte de seguidores no Instagram. Porém, uma mentira. Kim HaIn era uma mentira e ao mesmo tempo parecia tão real… por vezes eu até mesmo tinha me esquecido que não nascera naquela forma.

    Comecei a tirar as roupas fofas de empregada e não demorei a limpar meu rosto com demaquilante, encarando-me nu em frente ao espelho como fizera no primeiro dia daquele inferno maldito. A única coisa que se passava pela minha cabeça era como alguém poderia ter sido tão cruel e feito aquilo com um cara tão respeitado como eu. Aquela… eu não consegui xingá-la mentalmente, pois de certa forma era como se eu nem mesmo pensasse nela como alguém tão ruim mais. Existiam tantos sentimentos conflitantes dentro de mim, como se eu estivesse puto, triste, solitário e agradecido ao mesmo tempo. Em momentos como aquele eu odiava ser Kim HaIn, entretanto, existiam outros em que ela parecia ser a minha única chance de libertar vontades como a de chorar que eu estava me dando o direito de exercer naquele momento.

    Peguei a foto de meus pais em minha gaveta… Meu coração apertou de uma forma que eu simplesmente não conseguia explicar. Ao colocar o porta-retratos sobre meu peito e sentir ali o seio feminino tremi um pouco. Era provavelmente a sensação mais bizarra que poderia existir. Acabei colocando o objeto sobre a escrivaninha e me levantando para finalmente colocar uma roupa, a mesma que usara no dia em que saí de casa escondido. Mais uma vez me encarando no espelho e desacreditando naquilo. Como era possível? Magia e outras merdas não passavam de babozeira para mim até alguns meses antes.

    Ouvi um barulho dentro de casa e logo tratei de engolir as lágrimas, pegando a couxa da minha cama para limpar o rosto já absurdamente inchado e a maquiagem totalmente borrada. A quem eu pretendia enganar?

    - HaIn? Você ‘tá aí? - Escutei uma voz conhecida; era Amber. Me pergunto se ela me enquanto eu subia as escadas. No meio daquele monte de acontecimentos eu simplesmente me esquecera de como a menina estava mais cedo, ou que parecia ter algo para conversarmos.

    - Estou, é que passei um pouco mal com a comida depois do almoço, resolvi subir. Desculpa sumir. - Expliquei enquanto a via aparecer na porta do quarto.

    - Ei… você estava chorando? - Ela se apressou para perto de mim, sentando-se na cama e me dando um de seus abraços super quentinhos. Era tão bom me sentir completamente à vontade para demonstrar o que sentia. Quando estava em meu corpo real, aquilo não era nem um pouco aceitável. Acho que tirando em comemorações de pontos no baseball eu nunca abraçara um de meus amigos. Apertei meus braços ao redor da cintura dela e afundei meu rosto em seu pescoço, sentindo os dedos delicados da menina fazerem carinho em meus longos cabelos tingidos, que aliás, de acordo com Krystal, já deviam ter tido a tinta retocada.

    - É que… - Acabei tendo de pensar em algo que fizesse um mínimo sentido, acabei me lembrando de uma das milhares de mentiras que já tinha inventado sobre mim e continuei. - Hoje é aniversário de morte do meu irmão. - E mais uma vez eu estava lá com aquela cara de choro falando de um cara que nem existia. Por diversas vezes pensei que depois de passar por aquele inferno de corpo eu deveria tentar a carreira de ator, estava me saindo super bem.

    - Ah, sim… calma, vai ficar tudo bem. Ele está em um lugar melhor. - A garota me deu um beijo delicado na testa e eu me afastei um pouco, respirando fundo para me acalmar um pouco, precisava desviar o foco daquela conversa.

    - Mas, você tinha me dito que precisávamos conversar... Pode falar. - Fui bem simples, olhando para ela com o máximo de calma que conseguia.

    - Ficou um clima estranho, mas acho que não terei outra chance de falar. - Sua voz parecia desanimada em entrar no assunto, até mesmo meio desconfortável. Amber puxou minhas mãos para junto das dela, fazendo um carinho gostoso, enquanto me encarava bem dentro dos olhos.

    - Vou voltar pra China. - Acho que a intenção era que a notícia fosse como uma band-aid, saísse rápido para não doer mais. Isso acabou me deixando completamente sem reação. Até hoje não sei se estava fiquei triste, surpreso ou com raiva, entretanto lembro que existia até um leve alívio naquilo. Como se eu soubesse que agora não precisaria chegar a um momento em que contaria a verdade para minha… amante?

    - Mas… mas… - Nem sequer conseguir perguntar o motivo, estava simplesmente sem palavras, gaguejando completamente atônito.

    - Meus pais, eles resolveram que vamos ajudar minha avó materna com a loja de remédios tradicionais dela, e como minha faculdade oferece transferência… querem que eu vá. - Ela não parecia muito confiante em tudo aquilo, enquanto uma das mãos fazia carinho em minha bochecha e eu apenas encarava-a com os olhos baixos. Nunca passara por uma coisa como aquela, não sabia como me sentir. Só sei que era uma dor estranha no peito.

    - Quando? - Balbuciei meio sem jeito, apenas movendo o rosto de forma a me aconchegar na mão macia da garota. Ela me puxou para mais perto, nossos rostos bem próximos.

    - Semana que vem, mas não vou te contar o dia, não quero despedidas no aeroporto e coisas assim, vim aqui hoje para te ver uma última vez. - Senti aquilo como algum tipo de traição. Parecia que já decidira aquilo há algum tempo e mesmo assim não tinha me contado. Fiz um bico, mas não consegui me separar, o calor daqueles braços era bom demais para me desvencilhar. -

    - Mas… assim do nada? - Ergui minha face e vi os olhos dela bem de encontro aos meus. Eu realmente não me lembrava da última vez que me senti tão íntimo de alguém, era como se nunca me tivesse deixado abrir para outro ser humano, como fizera com Amber nesse tempo desde que a conhecera. Nunca me imaginei em um relacionamento com uma garota que tivesse uma imagem tão diferente, mesmo assim a cada olhar ela parecia mais bonita.

    - Na verdade já venho planejando faz um tempo, aproveitando que as férias começam esse mês resolvemos que era a melhor data. Eu só… - Antes de continuar o que dizia a Liu me deu um beijo delicado nos lábios. - não queria me despedir de você, estava postergando. - Terminou a frase com calma, massageando minha bochecha com o polegar.

    Era estranho me sentir daquele jeito, o dia com certeza não estava me fazendo bem. Apenas me encolhi contra o corpo dela e deixei que as mãos delicadas da garota de cabelos curtos me acalentava.

    De certa forma Amber era meio que uma mãe pra mim. Ok, isso soou muito estranho, já que eu estava pensando em transar com ela alguma horas antes. Mas era mais nessa coisa de me dar colo e tudo mais… eu é que geralmente não sabia muito como agir quando ela queria falar de coisas profundas comigo. Nunca fui acostumado a dar amparo para as pessoas, porém, era uma boa sensação quando eu conseguia acalmar o coração daqueles que me eram importantes.

    Ficamos ali, juntas. Acho que se passaram mais ou menos vinte minutos até Amber anunciar que tinha de ir para casa. Eu apenas a levei até a porta, dei um beijo carinhoso de despedida e resolvi que pelo horário nem valia mais à pena voltar ao salão. Por mais que soubesse que o trio lá embaixo provavelmente estava cheio de raiva por eu ter fugido do trabalho.

    Quando me vi novamente só dei um suspiro e resolvi tirar aquela roupa ridícula e tomar um banho. Acho que fiquei quase meia hora debaixo da água; e nem foi para “conhecer meu corpo” como eu estava me acostumando a fazer… foi só pra ficar sentado no chão do box pensando em todas aquelas merdas que aconteciam comigo e todo ódio que estava nutrindo por aquela maldita que me colocara na pior situação que um homem como eu poderia imaginar. Tantos caras por aí fazendo mil cirurgias ‘pra virar mulher por vontade própria e eu, sem a mínima vontade, tendo que viver naquele corpo.

    Meu dia devia ter sido o mais legal de todos, só que acabou sendo uma grande merda. Saí de debaixo da água e desliguei o chuveiro. Me enrolei na toalha e quando encarei minha cara limpa no espelho, pude perceber que ainda estava todo inchado. Ou inchada… ou sei lá que merda eu era. Fui pro meu quarto e enquanto me vestia olhei pela janela, ainda era tarde e o movimento lá embaixo parecia estar diminuindo, acabei me dando ao prazer de apenas colocar uma camiseta grande e uma calcinha, me deitar na cama e dormir. Dormir como se não existisse nenhum problema no mundo; como se eu fosse acordar em meu corpo de tanta paz que sentia.

 

    - HaIn, vamos comer! Acorda! O pessoal ‘tá aí! - Foi só a partir daquela fala que conseguir ouvir. A voz era doce, consegui reconhecer como sendo KyungSoo. Estranhei que ele tivesse tido acesso a nossa casa, mas concluí que SeHun deveria estar de bom humor, para deixar outros entrarem no apartamento dos funcionários. Mesmo assim, não quis acordar, apenas resmunguei e me virei de lado.

    - Anda logo! Tem teopoggi, ramyeon e kimchi, tudo caseiro. A avó da Krystal que mandou, SeHun ‘tá esquentando. - Sorriu para enquanto me via abrir levemente os olhos.

    - Ele não quer me matar? - Perguntei com a voz ainda completamente embargada e sentindo meus olhos ardendo.

    - Na verdade… ele só parece meio cansado. Mas não falou nada de você, não. - O Do parecia confuso com minha pergunta, mas eu apenas sorri, sem explicar muito sobre o assunto.

    - Ok. Eu vou. - Me sentei na cama e me espreguicei lentamente, dando um grande bocejo e coçando os olhos ainda inchados. Eu teria realmente que ignorar as perguntas sobre isso, ou apenas dizer que é por ter dormido demais. KyungSoo saiu do quarto e me deixou ter uns dois minutos de calmaria enquanto tomava coragem de me levantar e ir de encontro ao imenso grupo de jovens sentados pelo chão da sala, enquanto Oh SeHun se concentrava e colocar toda a comida para esquentar.

    A conversa era intensa, assim como a música e o cheiro de álcool no ar. Acho que todos os nossos amigos estavam no local; ChanYeol, que como sempre só falava sobre como estava triste sem seu princesa, SoJung e Victoria, ZiTao, JongDae… até aquele filho da puta irritante do JunMyeon tinha sido convidado para o encontrinho.

    Contudo; o que realmente me chamou a atenção foi quando percebi que sentada ao lado de suas amigas ela se encontrava. O motivo de eu estar tão puto com a vida, a grande causadora de todo o mal que me acontecera… Choi JinRi. Ria com aquela carinha inocente, que na verdade escondia a bruxa que ela era. E quando eu falo “bruxa” nem sequer é no sentido figurado da palavra.

 


Notas Finais


Falem o que acharam, meus amores, eu realmente quero muito saber o que estão achando <3


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