História Above and Below - Capítulo 10


Escrita por: e Redboozter

Postado
Categorias Good Omens
Personagens Aziraphale, Crowley
Visualizações 41
Palavras 6.891
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Sherlock Holmes Part I


 

O Demônio sorriu gentilmente e num ato impensado pegou a mão do Anjo e o levantou junto consigo. Ainda mantendo as mãos juntas, caminhou até a porta da frente, agindo um pouco mais possessivo do que o habitual "Vamos mais cedo pra beliscar alguma coisa, deve estar com fome..." Disse caminhando até o Bentley ainda pensando em tudo que leu no histórico de Aziraphale mais cedo.

Ao entrar ligou novamente o rádio colocando o mesmo CD no lugar onde parou, o bebop de antes, mas dessa vez não estava mais nervoso com o fato. Apenas queria passar o tempo ao lado do Anjo e se divertir bastante aquela noite... Quem sabe dançar, beber... Só sabia que não ia deixar ninguém chegar perto dele de maneira nenhuma. "É perto da minha casa... Acho que vai gostar." Disse sorrindo e começando a dirigir.

“Tudo bem, eu provavelmente vou ficar com um pouco de fome.” Aziraphale falou seguindo o outro como se estivessem numa dança. Se sentia assim, um pouco deslocado, mas, ao mesmo tempo, muito familiar com a situação.

Aquele tipo de carinho súbito do outro não estava sendo incomum. Entrou no carro e se acomodou como de costume, olhando mais para frente do que para Crowley. A música conhecida começou a tocar e Aziraphale deu um breve sorriso, disfarçando o que pensava.

“Precisamos visitar mais a sua casa, depois que voltarmos. Sempre ficamos na loja, não é? Mas sobre o lugar, tenho certeza de que vou gostar...” Comentou enquanto ajeitava o casaco, que estava todo fechado naquele ponto. Talvez quando estivessem dentro do bar ele pudesse relaxar um pouco mais.

Crowley olhou para ele com um sorriso confuso “Minha casa? Não tem nada de interessante lá....” Riu baixinho “Eu prefiro a loja... Além disso você precisa estar nela ‘trabalhando’ para manter as aparências, não é?” Realmente o Anjo precisava estar de corpo presente lá, caso contrário sempre ficaria fechada enquanto ele passasse o tempo com Crowley. Fora o fato de que tinha mais coisas para fazer na loja do que em sua casa de qualquer forma.... Ele tinha que cuidar do lugar.

“Mas sim, estou precisando de ajuda com minhas plantas, talvez você saiba um truque ou dois para que elas cresçam melhor...” Brincou dando de ombros. Talvez Aziraphale tivesse poderes curativos com vegetais também.... Crowley não era o jardineiro mais paciente do mundo com elas.

“Está convidado a ir lá em casa quando quiser, Anjo...” Disse com um sorriso. Talvez quem sabe fossem dormir juntos lá também.... Por Satã as coisas estavam realmente saindo do controle com sua imaginação demoníaca.

Olhou ele mexendo em seu casaco e ficou feliz por estar devidamente agasalhado, ia ficar realmente frio naquela noite... Apoiou a mão em seu joelho e descansou-a lá, estranhamente físico naquela noite. “Está me devendo um passeio noturno.... Me mostrar os seus lugares secretos de madrugada quando todos os humanos dormem.... Podemos ir ao teatro quando voltarmos de viagem...” Sugeriu apertando levemente a mão em seu joelho.

“Não tem? Mas sua casa é organizada, limpa, sem pó nenhum. E moderna. Tem aparelhos eletrônicos, obras de arte, plantas. É um estilo totalmente diferente da loja...” Aziraphale balançou a cabeça ponderando.

“Eu preciso estar lá, mas não todo o tempo. Você gosta da sua casa, não é? Se gosta, eu também gosto...” Não era justo ficarem só na loja. Assim como não era justo irem apenas nos restaurantes que ele gostava. O Anjo estava começando a levar levemente o que Crowley pensava em consideração também. "É claro que se você preferir privacidade, eu vou entender..." Disse ligeiramente mais triste.

“Oh...eu posso ter sim. Conversar com elas de outra maneira. Mais amorosa...” Sorriu, olhando o outro. Mais amoroso era o que ele tentava ser o tempo inteiro com Crowley na realidade. “Obrigado. Eu vou levar o convite a sério. ” Já havia passado a noite lá, mas havia sido mais um descanso compulsório depois do fim do mundo acompanhado da falta de ter para onde ir e tempo para decidirem sobre a troca de corpos. Ao contrário do que poderiam acreditar, nada havia acontecido, assim como continuava não acontecendo. Para a tristeza do Anjo.

“Sim, estou, mas espero que o clima esteja mais ameno. Não quero que passe frio...” Olhou o outro fazendo uma expressão fofa e amável ao mesmo tempo e colocou sua mão sobre a de Crowley, fazendo uma carícia leve, muito gentil e vagarosa. Então olhou novamente para o caminho e suspirou. Como aquilo podia ser tão bom?

“Exatamente, é... Clean, quase não tem nada a não ser as paredes...” Riu pensando que realmente morar sozinho numa casa moderna podia ser bem chato depois de passar tanto tempo se entretendo na livraria de Aziraphale. Lá sim tinha muito mais coisa pra fazer e se ocupar. Principalmente com a companhia do dono. Crowley mantinha sua casa sem nada para não ter tanto trabalho, afinal era um Demônio preguiçoso.

“Naaam, que privacidade Aziraphale? Não tem nada lá demais, você sabe que não tenho nada pra esconder... Está convidado pra um chá... Ou chocolate quente se preferir...” Disse rindo, não ia se incomodar de receber o Anjo em sua casa, apenas se ainda estivesse sendo perseguido por Demônios... Ai pediria pra ele trazer um pouco de água benta apenas para o caso de.

Tomaria conta também de não deixar o Anjo tocar em seus pertences amaldiçoados ou demoníacos para não se queimar... Sentiu falta dele depois da noite que passou lá depois do fim do mundo... Queria que tivesse vindo por vontade própria e não por que a livraria tinha sido reduzida a cinzas... Mas no final foi um mal que veio para o bem.

Não diria em voz alta, mas adoraria ver o Anjo tratando suas plantas com ternura.... Na verdade ele mesmo adorava ser tratado com ternura por Aziraphale, não ficava... Forçado como quando era o Demônio tentando ser doce... Realmente trazer uma aura mais pura e mais bondosa para sua casa talvez as fizesse até florescer. Quem sabe?

Pensar em Aziraphale rodeado por flores o fez morder o lábio... Era uma visão tão.... Fofa. A mão dele logo estava sobre a sua e ele não pôde dizer mais nada.... Aquela sensação de calor invadindo seu peito, retornou as carícias que ele fazia gentilmente, transferindo um pouco de seu calor ao Anjo, já que o carro era antigo e não tinha aquecedor.

“Eu na verdade admiro pessoas que conseguem ter casas assim. Com tudo no lugar e o mínimo para viver. Eu jamais seria assim, mas parece um jeito prático de resolver tudo. Em uma semana eu transformaria a sua casa em um minidepósito de quinquilharias. Pensando bem, talvez seja melhor minimizar o meu acesso. Sabe aquele conceito de colocar apenas o essencial na mala? Eu não conseguia nem na idade média. Eu fico pensando... Bem, e se eu quiser parar e ler um livro? Daí eu ponho um. E se de repente eu ficar cansado dessa leitura? Melhor colocar dois, então...e assim por diante.” Aziraphale tagarelou falando de si rindo.

“Um chá não pode fazer mal. Mas prometo não levar nada. Só me concentrar na companhia.” Falou rindo um pouco também. Antes daquela noite, depois do Armagedom que não houve, eles não tinham o costume de dormir no mesmo lugar, então Aziraphale realmente ficou surpreso e grato pelo convite.

Não sorriu exatamente, mas seus olhos podiam dar uma ideia da emoção que sentia. Teve que piscar um pouco para levar as lágrimas para longe e fingir que o convite era algo muito normal, quando na verdade era uma benção. Estava profundamente feliz e realizado da mesma coisa poder acontecer novamente sem precisarem de uma desculpa dessa vez.

Aziraphale mordeu o lábio discretamente e olhou o outro de esguelha. Pensamentos estranhos o invadiam sem permissão de vez em quando. Era inevitável depois da tarde na internet, mas ele estava até se comportando bem. Pelo menos enquanto ainda não havia bebido nada. Sentiu o calor sendo transferido e aquilo era o mais próximo de...uma troca mais objetiva em outro sentido.

Crowley não pôde deixar de pensar em Aziraphale querendo mudar uma coisa ou outra em sua casa, ele se incomodaria? Provavelmente não. Afinal era seu melhor amigo.... O ajudaria a manter tudo em ordem pois apesar de um depósito, tudo era organizado. Riu dele tagarelando sobre suas manias, o Demônio detestaria admitir mas gostava muito até mesmo delas... Ele acabava por se esquecer de levar uma coisa ou outra por não ser detalhista como Aziraphale.

“Mi casa es su casa, Anjo.” Disse brincando. Não minimizaria seu acesso de maneira alguma. Até gostaria que ele esquecesse uma coisa ou outra em sua casa.... Seu laptop já tinha ficado na livraria, e Azi esqueceu um livro em sua casa na última vez que esteve lá.... Estava tudo se misturando e isso era algo bastante interessante de se reparar. Ao menos para Crowley

“Se você ou eu nos esquecermos de levar alguma coisa na viagem podemos comprar... Não se preocupe de levar muita coisa... Acho que não tem limite de bagagem em... Cruzeiros...” Não tinha visto sobre isso mas tinha quase certeza que não.” Franziu a testa pensando a respeito.

Reparou em como o Anjo depois de falar ficou silencioso novamente, e tinha algo errado no brilho intenso de seus olhos... Isso mesmo não querendo o preocupou. Apenas a música podia ser ouvida o que deixou o Demônio ligeiramente tenso.

Estava feliz por ter dito que se concentraria apenas na companhia.. Se sentiu especial que não ficaria em sua casa enorme sozinho.... Tinha aprendido a ter paciência e gostar da companhia do Anjo.... Estava ficando cada vez mais estranho e difícil ficar longe dele após o quase fim do mundo... Não queria se afastar mesmo sem nenhuma desculpa para isso. Depois dele ter admitido seus sentimentos, menos ainda.

Mantendo a mão onde estava ainda fazendo carinho perguntou olhando para a estrada “Você.... Acha que daria certo se morássemos juntos, Anjo? ” Perguntou num tom calmo tentando disfarçar seu nervoso. “Digo, ignorando o fato de nossos dois lados se odiarem... Pense em apenas eu e você.” Claro que os Céus e o Inferno ficariam furiosos de saber que estavam morando juntos, um Anjo e um Demônio, que audácia! Iriam querer destruir isso a todo custo e os dois correriam perigo.... Mas ele podia sonhar nao podia?

“Consegue imaginar uma casa meio moderna meio antiquada, só nossa...?” Riu um pouco para quebrar o gelo, mas sua mão sobre seu joelho meio trêmula, denunciava seu nervoso. Aziraphale nunca abandonaria a livraria por ele...

“Que bom, Crowley. Eu digo o mesmo. Fique à vontade lá... Fique sempre que quiser...” Isso era se oferecer demais? Talvez fosse, mas ele tinha fazer dessas aqui e acolá, ou não seria ele. Sempre na esperança de ter alguma chance mesmo que tudo apontasse para o contrário.

E se eram melhores amigos, e agora sem impedimentos, não existia motivos para restringirem o casa um do outro para o que fosse. Aziraphale gostava de um pouco de sossego e solidão às vezes, mas Crowley era a exceção de todas as regras. “Sim, acho que vou ter que comprar roupas mais adequadas. Mais leves. E trajes de banho...”

Aziraphale arregalou o olho instantaneamente com a pergunta. Sua surpresa foi evidente. Era quase como um pedido de casamento. Sem sexo, mas casamento. " Ah...oh...C-Crowley, você acha isso adequado? Quero dizer, não seria ruim, seria...ótimo, mas você tem a sua casa, não é? " Por um instante ele nem sequer conseguiu pensar em quanto era absurdo dividir uma casa com um Demônio. Isso importava para os outros, não para eles. Mas quando conseguiu voltar a pensar, considerou esse ponto. “Sim, é verdade... Ele não ficariam muito felizes. Mas você ficaria? ” Falou, claramente ansioso, mal podia encarar o Demônio.

“A gente resolve isso nas lojas de lá mesmo...” Deu de ombros pensando “Quem sabe comprar umas roupas mais desse século te faça bem hein?” Crowley imaginava que Aziraphale não fosse ficar tão confortável com sungas e chinelos, ainda mais vindo de onde vivia.... Mas teriam que tentar. Fora que a visão dele apenas com roupas de banho era.... Encantadora para dizer o mínimo.

“Adequado não é exatamente uma palavra que exista no vocabulário de um Demônio, Aziraphale...” Disse ligeiramente brincalhão. Desde quando fazia as coisas por serem adequadas? Ainda mais quando se tratava de Aziraphale. Pensava apenas em sua segurança e em cuidar dele.... Morar junto parecia uma alternativa interessante para realmente... Protege-lo. Depois de pensar que o perdeu naquele incêndio.... Crowley não foi mais o mesmo.

“Eu tenho sim, é... Uma suposição, eu... Não quero que abandone seu lugar na livraria....” Disse honestamente. O Anjo quem construiu aquilo tudo sozinho, não ia querer que saísse de lá para morar consigo, ou que os dois tivessem outra casa... Era apenas uma suposição que ele levou bem a sério... O que deixou Crowley mais feliz do que demonstrava.

“Eu ficaria muito feliz.” Disse com um sorriso genuíno. "Eu adoraria na verdade...." Disse ficando vermelho e abafando uma risada. Mudou a mão de posição e agarrou a de Aziraphale “Você... Ficaria...?” Engoliu em seco ao perguntar.

“Vou precisar de roupas adequadas para tomar coquetéis com guarda-chuvinhas.” Aziraphale brincou com base na própria piada de Crowley sobre ele e seus hábitos um pouco... Frescos. O que na circunstância atual não fazia nenhuma diferença já que os dois pareciam bastante gays. Teria de superar seu medo de mostrar um pouco mais de pele, afinal, ali fazia o maior sol. Não ia morrer de calor.

“Não falei nesse sentido... Acho que você não entenderia... ” Suspirou. O outro não estava entendendo e talvez fosse melhor que ele não entendesse mesmo. Estava pensando num sentido humano. Para todas as pessoas, seria como se eles realmente assumissem um relacionamento. Num nível último. “Mas sei que só está pensando em ficar mais perto de mim e... Me sinto honrado com isso.”

“Verdade, seria difícil para mim, mas...” Ele realmente amava Crowley. Mais do que livros, mais que sua livraria. Seu semblante amenizou ouvindo o outro dizer aquelas palavras. Ele de fato se sentiu como uma noiva, o que era bizarro, mas, ainda assim, agradável. “Eu.. Eu também, querido... Acho que seríamos muito felizes. Nós somos, não é?” Falou com um sorriso de felicidade. Aquele era o melhor sentimento do mundo.

Crowley como sempre não dando a mínima pra opinião dos outros, mesmo a de Aziraphale, não percebeu o sentido claro e mais amplo que teriam na terra se morassem juntos... Para ele nada mais era do que unir o útil ao agradável. Ele poderia ficar de olho em Aziraphale enquanto o Anjo o faria companhia em troca.... Viveriam felizes. Em sua concepção. E pro Inferno o que pensassem da relação dos dois....

Apenas, dentro de seu ser egoísta e possessivo, queria evitar qualquer possibilidade de outra pessoa se envolver ou fazer algo de ruim com seu Anjo. Morando com ele talvez deixasse as coisas mais claras ainda que não era pra se meterem com Azi, que realmente tinham algo a mais do que apenas amizade.

Assentiu com a cabeça “Sim... Mais perto pra evitar de você fazer alguma bobagem....” Comentou gentilmente com um sorriso. Não era normal de Demônios quererem proteger ou achar que precisassem de proteção... Mas Crowley a respeito de seu Anjo era completamente diferente nesse aspecto... Azi era sua exceção e seu ponto fraco. Se algo acontecesse com ele, ainda mais por descuido seu, não saberia nem o que fazer.... Já tinha acontecido uma vez e não queria arriscar acontecer novamente.

“Eu te salvei de quase tudo ao longo das eras, Anjo, sempre aparecia quando você estava com a corda no pescoço... Seria uma maneira de apenas.... Continuar com meu ‘segundo trabalho’ da melhor forma possível” Colocou entre aspas. O primeiro era semear o mau e o segundo cuidar de Aziraphale nas suas furadas. Riu pensando quem era a babá de quem ali. Dois homens adultos.... Mesmo assim era um prazer cuidar dele.

“Somos sim, meu Anjo.” Disse gentilmente fazendo a última curva e estacionando o Bentley na frente do bar "Acho que não seria mais feliz do que sou ao lado de nenhuma outra pessoa.... Nem humano, nem Demônio e muito menos Anjo." Confessou desligando o som e suspirando ao olhar para Aziraphale “Vamos nos divertir...” Disse saindo do carro depois de um leve carinho em seu cabelo que acabou por bagunça-lo todo.

“Oh, que bobagem eu poderia fazer, querido?” Aziraphale devolveu o sorriso, agora realmente acreditando que Crowley só queria o seu bem e mantê-lo seguro. Além de, claro, ficar perto dele. O pensamento acabou por aquecê-lo por dentro.

Pensando bem ele se metia em muitos perigos. Mas no fundo da alma, tinha a esperança de que o outro aparecesse para o seu resgate. Será que fazia aquilo de propósito? Talvez não de maneira consciente. Crowley costumava sumir de tempos em tempos e ás vezes um pouquinho de perigo poderia trazê-lo de volta, para um jantar, quem sabe. O Anjo sentia saudades também, essa era a verdade “Eu não acho que eu vou precisar de tanto salvamento nos dias de hoje. Somos mais civilizados, me refiro à humanidade, ela parece ser um pouco mais...”

Olhou de volta com a face de puro contentamento. Era lindo ouvir aquilo. Ele também era muito feliz, mesmo tendo um interdito vindo de Crowley sobre o que podiam ou não fazer dentro daquela 'amizade'. “Sim, mal posso esperar!” Falou rindo com o gesto e tentando recolocar os cabelos no lugar, enquanto saía do carro, procurando o lugar para onde iam. De longe pode perceber que parecia um lugar muito interessante.

“Bem, quando eu voltei da última vez pra te procurar eu só encontrei um Inferno de chamas e nada de você,” Crowley deu de ombros, que outras bobagens poderia fazer? “Depois você tinha sido desincorporado.... E me aparece no corpo daquela senhora....” Riu se lembrando “Aziraphale, você faz muita bobagem mesmo querendo fazer o certo, sinto lhe dizer...” riu dando uns tapinhas nas costas do amigo batendo a porta depois que ele saiu do carro.

“Para não dizer quando foi se meter com aqueles nazistas... Eu tenho queimaduras nos pés até hoje...” Fez uma careta se lembrando do chão sagrado. Naquela época Aziraphale não pode curá-lo das feridas então foi da maneira tradicional..... Tinha marcas ainda. “Nem eu me metia com a galera do Fuhrer...” Até ele tinha receio de certas figuras ruins que ajudou a criar ao longo da história... Não acreditou que Aziraphale foi bobo de acreditar nas lorotas deles sendo um Anjo tão esperto, mas ainda bem que os livros foram salvos e ninguém (fora os nazistas) morreram.

“Então sim, acho que precisa de alguém pra tomar conta de você...” Disse caminhando e sorrindo ao rever a fachada de ‘seu’ bar. “Bem-vindo ao Sherlock Holmes, meu Anjo, criado em homenagem ao próprio que tive prazer de conhecer, incrivelmente inteligente o rapaz...” Disse cheio de orgulho de si mesmo. “Viramos amigos e a ideia de abrir um bar em homenagem a ele foi minha após sua... Partida dessa pra melhor...” Gostava de manter pessoas inteligentes perto de si desde sempre mesmo que durassem pouco.

Passou um vento gelado pelos dois e Crowley estremeceu, sendo menos corpulento e resistente que o Anjo “Bem, vamos entrando não é? Tenho uma mesa lá dentro no andar de cima....” Disse com um sorriso querendo mais que tudo se aquecer agora.

Chegou na porta da frente e foi recebido por uma moça jovem que parecia que já o conhecia de outros carnavais “Senhor Crowley... Há quanto tempo!” Disse ela animada abraçando-o. “Jane, por favor me chame de Anthony.” Não queria ninguém naquele lugar usando seu sobrenome.... Era conhecido e quem poderia dizer se os Demônios não estavam por perto. Tudo tinha ouvidos àquela altura.

“Mesa para dois?” ela perguntou sorrindo vendo que tinha companhia “Sim.... Esse é meu.... Amigo.” ponderou por um instante sobre que termo usar. “Aziraphale, vim apresentar o bar a ele, então, o de sempre, só que hoje em dobro.” Disse com um sorriso gentil enquanto a menina cumprimentava o Anjo e seguiam para a mesa previamente conhecida.

“Desculpe se te preocupei de verdade, Crowley. Aquilo foi totalmente acidental... Mas eu entendo que você deve ter se sentido realmente...mal...” Aziraphale fez o que precisava ser feito. Não tinha ideia do que Crowley tinha passado nem tinha visto sua loja em meio ao fogo, teria sido terrível. Mas conseguiu imaginar como se sentiria se pensasse ter perdido o Demônio para sempre. E não havia desculpas que tornassem aquilo mais fácil. “O resto da história acabou sendo muito engraçado, mas no seu lugar eu teria ficado péssimo...”

“Vejo alguém sendo um pouquinho possessivo aqui? ” Perguntou apenas para irritar o outro ou ao menos para fazê-lo perceber. “Oh...Crowley, que lugar agradável! Não imagino porque pensou que eu não gostaria... Ele não é um personagem? ” Achou que o outro estava brincando. “Não foi Sir Arthur Conan Doyle quem conheceu?”

Foi acompanhando o outro e observando tudo discretamente, mas não tanto quanto gostaria de parecer. Era um lugar antigo, mesmo que Crowley alegasse não gostar tanto assim desse tipo de coisa. Mas dizer que um pub era antigo era chover no molhado. A moça chegou abraçando Crowley e Aziraphale franziu a testa, principalmente quando o Demônio chamou-a pelo nome. Muito íntimo para seu gosto... “Parece que você tem amigos mesmo...” Disse num tom levemente irritado.

'Amigo? Ah...certo...' Pensou olhando o Demônio de canto. Ele sorriu forçosamente para a moça e seguiu os dois, já que não lhe sobrava alternativa.

“Possessivo? Eu?” Crowley riu do Anjo “De maneira nenhuma.” Possessivo seria apenas acerca do Anjo, mais ninguém “Sim, foi ele mesmo, mas colocar um nome tão grande assim na fachada de um prédio não ia dar certo, não tinha estética.... Sem falar que ninguém o conhecia por esse nome, apenas os mais íntimos...” Como ele.

“Eu o chamava pelo nome do personagem... E ele pelo meu sobrenome... Para ele eu também era um... Personagem por assim dizer...” Crowley foi o responsável por muitos dos crimes que Sherlock Holmes ajudou a solucionar, afinal era ele quem semeava o mal e os fazia acontecer, dando trabalho ao personagem.

“Ela? Só uma conhecida, Anjo.” Disse explicando baixinho a ele notando que ficou aborrecido “Eu costumava vir muito aqui beber quando estava mais deprimido, acabei a conhecendo entre algumas conversas antes do bar fechar quando amanhecia. Além do mais ela tem namorado.... Sorte a minha ele não estar por perto quando eu a cumprimento, ele sim é um cara possessivo.” Fez uma careta explicando para Aziraphale e achando uma graça o fato dele ter ficado.... Com ciúmes talvez? A moça foi na frente dos dois guiando-os para o lugar.

Viu seu sorriso forçado e sem pensar um instante novamente envolveu sua mão na do Anjo agarrando a enquanto subiam as escadas. “Bem vindo ao Holmes, Aziraphale...” A moça quase pronunciou seu nome errado por ser muito comprido. Sabia que ele era o ‘Anjo’ que Crowley tanto falava quando estava bêbado mas jamais ousaria chamá-lo de um apelido que era tão, íntimo dos dois. “Anthony nunca trouxe nenhuma companhia para cá então o senhor deve ser alguém realmente especial...” Ela disse cordialmente olhando as mãos dos dois juntas com um sorriso enorme sabendo que o homem consigo não era apenas um amigo.

Estava muito feliz por Crowley não ter aparecido dessa vez sozinho e deprimido como de costume. Parecia que se quer tinha vindo com o intuito de encher a cara. Parecia até... Feliz. “Já ouvi muito falar do senhor, muitas coisas boas...” Crowley ficou vermelho quando ela foi tão aberta, após notar o bico que Azi fez quando se abraçaram. Quando ele ficava bêbado e emotivo com saudade de Azi desatava a falar um monte sobre ele.... E ela quem ficava incumbida de ouvir seus chororôs.

Chegaram à mesa e Crowley fez questão de puxar a cadeira para o Anjo se sentar e manteve as mãos unidas sobre a mesa. Não estava nem ai pra qualquer um que visse, só não queria Aziraphale aborrecido ou pensando que ele tinha alguma relação com a moça.

Jane sorriu para os dois “Eu já trago os menus e as bebidas pros senhores serão por conta da casa... Muito bom ver um velho cliente nosso retornando ao estabelecimento...” Crowley apenas sorriu para a menina “O de sempre...” Olhou para Aziraphale “O dele com gelo.” pensou que o Anjo não gostaria muito de bebidas no estilo cowboy. Ela se afastou dos dois e Crowley encarou o Anjo “Está tudo bem?” perguntou ainda com as mãos sobre as dele.

“Pensando bem, você é um personagem. Até eu sou. Mas ninguém precisa saber disso.” Aziraphale riu discretamente. “Conhecer pessoas famosas, estar em todos os pontos da história que se poderia imaginar, viver para sempre, participar de eventos que só existem na memória coletiva por milagre, tudo isso é épico. Você teve muita sorte de conhecê-lo. Eu amo as histórias.” Confessou com um sorriso.

"Hm... Sei " Não queria amolecer tão fácil com o outro tentando se fazer de difícil. “E porque ficava deprimido?” Perguntou com certa curiosidade “Bem, de qualquer forma ela pareceu gostar de você... Bastante...” Crowley era bonito e nem todo mundo notava que ele tinha um lado mais...flexível. Pior, algumas pessoas deviam notar. Era melhor se preocupar com os homens também.

Ficou feliz quando o outro segurou sua mão. Ele o chamava de amigo, mas depois as coisas ficavam mais difíceis de definir. “Obrigado. É um lugar adorável.” Ele falou um tanto mais cordial. “Ah, mesmo? Eu nunca imaginaria isso...” Falou com Jane com um sorriso incontestável, sentindo-se importante. "Eu realmente espero que sim." Riu. “Nem sempre o... Anthony está com muita paciência comigo...” Tinha certeza de que nem todas as vezes o outro tinha falado tão bem dele, mas estava alegre pela conversa tomar aquele rumo. Se sentia... Oficializado.

“Ah, obrigado.” Falou quando o Demônio puxou a cadeira para ele e se sentou. Depois do pedido atravessado para morarem juntos, ele estava oficializando e em seguida, puxando cadeiras no seu lugar secreto... Oh, meu Deus!

“O que pediu para mim?” Questionou, sempre curioso. “Ora, está tudo ótimo! Maravilhoso! Por que não estaria?” Disse com o maior sorriso do mundo, apertando a mão do outro.

Crowley assentiu as palavras do Anjo. Realmente foi um privilégio poder ter conhecido o personagem e ter participado até de algumas de suas aventuras. Ambos tinham vivido muitas. Quem sabe um dia contasse algumas delas para Azi.... Se ele não fosse morrer de ciúmes.

Olhou para ele com um certo desconforto “Eu.... Cansava de apenas fazer maldades por aí sozinho... Sabe? Era as vezes algo muito vazio, a solidão sempre era algo que me incomodava.... Mas ninguém nunca soube disso.” Olhou para ele, Crowley sempre fingiu que ficar sozinho nunca o incomodava, mas no fundo.... A verdade não era essa e só Aziraphale sabia disso.

“E às vezes eu sentia bastante a sua falta. Mas não conta pra ninguém...” Piscou para ele de brincadeira. Realmente sentia saudades do Anjo de tempos em tempos.... A ponto de sair pra ir beber pra esquecê-la. Estava sendo mais honesto que tudo naquele momento.

“O que posso fazer se as pessoas gostam de mim, Anjo..? Será o meu charme?” Disse brincando com ele cheio de si. Podiam até gostar, mas Crowley só fazia tratos com elas de seu interesse, nada mais. Nenhuma relação profunda, apenas amizades... Já tinha também dado seus foras para pessoas interessadas nele.... Algumas ele se quer chegava a saber o nome, Jane foi uma exceção.

“E não se preocupe, eu não falei nada de constrangedor sobre você. Juro.” Disse apenas o quanto gostava dele, ria, contava histórias sobre seu melhor amigo, dizia o quanto sentia falta dele.... Se gabava por ter a amizade de Aziraphale. Por isso a menina ficou encantada com a imagem do Anjo que foi pintada por Crowley... Ou Anthony.

"O que eu pedi, o de sempre é Bailie Nicol Jarvie, um whiskey. Mas é um doce, eu peço o meu sem gelo normalmente e pedi o seu com." Disse sorrindo, até mesmo nas bebidas ele escolhia um mais doce pra lembrar de Aziraphale quando ia beber. Riu de como ele soava forçado, mas sabia que sua ideia tinha funcionado.... Teria de mimar muito seu Anjo para ele se sentir melhor, achou que segurar suas mãos estava ajudando bastante já. “Só pra ter certeza....” Riu baixinho.

Continuou acariciando-as “O que gostaria de comer...? Eles tem um cardápio delicioso de tortas que você poderia experimentar aqui...” Disse apoiando o queixo sobre a palma da mão e o cotovelo sobre a mesa admirando o Anjo “Doces e salgadas.... A doce é de maçã e as salgadas tem de carne, de cogumelo, de frango...” Disse a lista de comidas “Eu gosto mais dos hambúrgueres daqui se quer saber.. Mas você pode escolher o que quiser.” Logo Jane apareceu com o menu e os drinks, sorridente ao ver que eles poderiam ser algo a mais do que simples amigos e já estavam se entendendo.

“O que vão querer rapazes?” olhou para Crowley “Alguma ocasião especial?” Disse com uma risadinha o que deixou o Demônio sem jeito “Sim... Er.... Vamos viajar amanhã, só eu e meu Anjo...” Opa escapuliu. “Er...passar uns dias fora sabe? Precisamos de umas férias.” Explicou brevemente com um riso nervoso e o rosto rubro, não ia dizer que iam para um cruzeiro romântico depois de terem se cansado impedindo o fim do mundo.

“Viemos aqui para comemorar nossa... Amizade...” Disse levantando o copo de whisky para um brinde tentando prestar atenção no Anjo e apertando sua mão gentilmente para que o desse atenção. Queria dizer comemorar que conseguiram parar o Armagedom mas.... Um pouco demais. Jane riu um pouco mais com a menção de Anjo, realmente ele era o tal Aziraphale que Anthony falou tanto a respeito.

“Entendo. Fazer qualquer coisa sozinho, por um tempo prolongado, não pode ser bom.” Aziraphale disse mirando o Demônio com certo ar de compreensão. “Eu não conto, meu querido, minha boca é um túmulo.” Havia arrancando um sorriso dele, embora em certa parte fosse um pouco triste. Ele não pudera estar sempre perto. E nem de longe tão perto quanto sentia vontade de ficar. Ele sentiu falta de Crowley muitas vezes, mas o que fez foi apenas esperar...

“Com certeza é o seu charme.” Falou elevando a auto estima do outro. Será que ele também tinha o seu charme? Ou somente Crowley enxergava alguma coisa de interessante nele? Bem, só ele importava para o Anjo. “Posso entender. Você é expansivo. Um pouco largado. O seu jeito faz as pessoas pensarem que é fácil se aproximar.” Pensou um pouco. “E o que de constrangedor poderia contar? ” Eram amigos, certo?

"Ouvi falar. Pensei que não fabricassem mais. Deve ser uma reserva." Ponderou. Ele não tomava muito whisky, mas quando tomava, era para valer. Normalmente depois de algumas doses sua memória começava a ficar um pouco mais borrada, suas ações menos pensadas. "Obrigado por se preocupar. Você está cuidando de tudo hoje. Eu gosto de whisky porque funciona rápido e não dá ressaca. Pelo menos os bons." Falou enquanto brincava com os dedos do outro, como se fizesse isso todo o tempo, mas sem manter o olhar nele muito prolongadamente.

Hambúrgueres definitivamente não eram o estilo dele. “Vou dar uma olhada no cardápio. Eu realmente estou com desejo de algo mais picante hoje. Mesmo que seja um hambúrguer.” Ele foi mais aberto a atendente dessa vez, já que só soltou a mão de Crowley para poder olhar o menu e tomar a bebida. Depois voltou a segurar.

Esperou o outro dizer qual era a ocasião especial. Ele ia e vinha no seu 'comprometimento'. De mãos dadas, mas viajar apenas para comemorar a amizade. Hmmm. Aziraphale alternava entre o radiante e o levemente desapontado e nesse momento apenas observou Crowley, indicando o que queria comer. Sim, era um hambúrguer, com a carne mais verdadeira possível, molho jalapeño e barbecue. Ele estava falando sério quando disse que queria algo picante. A moça parecia feliz por eles e, pelo menos, por esse lado, ele sentiu boas vibrações emanando, sendo simpático com a jovem.

Crowley corou ligeiramente com o outro o fazendo elogios... Também sabia que Azi tinha Seu charme... O que deveria encantar muitas damas e senhores durante todo o tempo... Com seu jeito gentil e doce... Até mole demais de vez em quando. Sabia que Aziraphale tinha gosto por homens, com certeza, não apenas ele. Isso o fazia fumegar de ciúmes.

“Você também é alguém fácil de se aproximar...” elogiou de volta “Um sorriso doce, muito educado, carinhoso e bastante comedido...” disse sorrindo ao ver que tinha sorte de ter Aziraphale consigo "Um verdadeiro gentleman." Riu baixinho “Como não se encantar por alguém como você?” Acabou falando alto sem pensar num tom apaixonado não proposital.

“Ah poderia contar a vez que você...” pensou por um instante. Todas as coisas constrangedoras que os dois passaram foram coisas que ele não podia falar em voz alta... Jane não entenderia nada. "É... Realmente nada, então pode deduzir que apenas falei bem de você omitindo as partes de que não somos humanos..." explicou brevemente. Não tinha do que reclamar de Aziraphale... Até os truques de mágica irritantes dele Crowley no fundo gostava. A única coisa que reclamava era de sua ausência. E claro as vezes que eles brigavam ou Aziraphale era cruel consigo.

Assentiu silenciosamente sobre a bebida "Pode acreditar que esse não dá, Anjo, eu já bebi diversas vezes é no outro dia estava inteirinho." Riu se lembrando dos porres que tomava sozinho. Agora ao menos podia tomar com Aziraphale... Daria todo um novo significado aquela bebida... Não sabia se o Anjo queria ficar bêbado aquela noite... Mas seu ato foi para encorajar.

“E não fabricam mais.” Piscou para ele, tinha sido um milagre o whisky estar disponível para os dois. “Eu gosto de cuidar de tudo pra você...” Disse vermelho olhando pra baixo “Se quiser eu posso cuidar de tudo sempre, não me incomoda...” Ofereceu timidamente... Já tinha se oferecido pra cuidar do Anjo e ficar mais perto dele... Brincou com seus dedos gordinhos de volta, sorrindo, nervoso demais para dizer algo a mais.

Escolheu um hambúrguer pra acompanhar o Anjo, o mesmo do dele... Já que ele tinha pego o mesmo prato que o seu anteriormente. Sabia que tinha bom gosto para comida e não ia se decepcionar. Tomou um gole do whisky se lembrando como era gostoso. Agora era outra situação mas não deixava de ser bom como nos velhos tempos.

"Eu já volto..." disse a menina depois de anotar o pedido e retirando-se. Crowley observou ela se afastando e sorriu para o Anjo. "Eu... Er..." se perdeu um pouco nas palavras "Obrigado por hoje o dia foi... Incrível." ele disse com um sorriso tímido olhando para as mãos dos dois sobre a mesa. Tinha sido tão bom... Fazia tempo que não se sentia bem daquele jeito.

"Obrigado. Eu certamente não sou tão extrovertido, mas fiz minhas amizades." Aziraphale ainda as fazia quando conveniente, desde que a pessoa compreendesse suas esquisitices, o que não era tão complicado assim de entender para um dono de um sebo de meia idade com costumes bem britânicos. " Ah.... Eu não sou tudo isso. Sou só gentil, quando é possível." Riu baixinho.

“Não seria uma boa ideia dar pistas de que não somos. Eu às vezes também acho difícil conversar com as pessoas, tendo que omitir tanta coisa sobre mim mesmo. É sempre preciso estar criando um eu novo para que ninguém desconfie. ” Sabia que Crowley se preocupava mais com essas coisas do que ele. Sempre trocava de nome e de aparência, enquanto Aziraphale era menos cuidadoso. Subestimando os humanos de certa forma. Com certeza um ou outro já teria percebido a natureza real dos dois apesar de nunca terem perguntado. Não acreditavam, certo?

“Vou acreditar, já que você bebe bastante.” Deu risada, tomando um gole. “Oh...eu não poderia deixar, não sempre, eu também quero fazer isso por você...” Respondeu com doçura.

Esperou a moça ir embora e retomou a conversa com Crowley. “Foi mesmo ótimo. Mas ainda não acabou...” Falou com um sorriso mais fácil. “Não me agradeça. Você se esforçou.” Tomou outro gole e observou o outro enquanto virara o copo. Porque tão sem jeito no ambiente que deveria ser praticamente a sua segunda casa? Era por sua causa?

Mesmo Aziraphale não sendo o Anjo mais extrovertido de todos, ele tinha sim suas qualidades para atrair outras pessoas... E possíveis concorrentes para Crowley. Ao menos era o que ele pensava, mesmo sabendo que o coração do Anjo era seu... Em teoria. Sorriu quando ele foi modesto. Aziraphale era isso e muito mais, apenas não admitia.

Assentiu brevemente, adorava se empetecar para cada ocasião no tempo. Assim não chamava tanta atenção. Atualmente até sentia falta de seu cabelo mais comprido. Será que o Anjo também gostava? Sorriu amarelo quando ele disse sobre beber bastante... Teria virado alcoólatra a um tempo atrás se não tivesse se policiado. Sua face se suavizou ao ouvir que o Anjo queria tomar conta de si também... Apesar de nunca ter querido alguém para esse fim... Era gostoso saber que Aziraphale se importava tanto assim consigo.

Crowley tomou mais um gole com avidez. Estava sem jeito de apresentar seu lugar para o Anjo... Não sabia se ele ia gostar ou não... Se era de seu agrado. Apenas queria que a noite fosse perfeita. “Ainda não acabou...” virou de uma vez o resto do whisky. Algo o dizia que podiam terminá-la muito bem.

Percebeu em um momento as luzes de cima serem diminuídas dando lugar a um ambiente soturno e mais íntimo... Tinham poucas pessoas no bar àquela hora o que fazia eles serem pouco percebidos. Mordeu o lábio olhando para o Anjo. Estava realmente tentando olhar pra dentro de si e entender o que estava sentindo sobre ele.

Jane voltou perguntando se ele queria mais uma dose o que Crowley aceitou prontamente. “Não sei se vai se incomodar Anjo, mas hoje eu quero beber....” disse sorrindo pra ele. Agora era por outro motivo, estava muito feliz.

“Está convidado a me acompanhar se quiser.” Apertou sua mão sobre a mesa. A menina sorriu e foi buscar mais uma dose sabendo que Crowley provavelmente terminaria a noite ancorado ao bar ou ancorado a Aziraphale. O bom era que ela não precisaria tomar conta dela dessa vez.

Aziraphale continuou bebendo silenciosamente enquanto Crowley não dizia mais nada. A bebida estava boa e ele estava sim com vontade de beber bastante, mesmo sendo véspera de uma viagem. Não é como se nunca tivesse feito isso antes.

Observava os detalhes do lugar, imaginando quantas vezes o Demônio havia vindo ali sozinho, talvez um pouco cabisbaixo, tomar uma bebida para esquecer algumas coisas, ou das vezes em que ele foi ali para ter uma boa companhia e se divertir. Era um lugar que tinha história.

“Estou feliz que tenha me trazido aqui... No seu lugar secreto, digamos. ” E riu depois disso. Não era nada secreto, mas era especial para Crowley, ele sabia e ele sentia que o outro estava confiando nele em trazê-lo ali. Ele apreciou a diminuição da iluminação, sorrindo misteriosamente para o amigo, enquanto parecia pensar algo.

“Eu aposto que posso beber tanto quanto você ” Disse desafiador. Talvez bebesse um pouco mais, ou um pouco menos, mas o que interessava era que ambos não se contivessem. Ele não se importava de servir de suporte para Crowley. Nem um pouquinho." Espero que possamos aproveitar antes que você fique bêbado demais..." Falou acariciando a mão do outro com o polegar.

Crowley engasgou e riu alto “Você? Senhor Anjo Robusto?” Riu ainda mais... “Se considere desafiado... Essa eu quero ver.” Olhou pra ele com um o olhar lascivo e tirou os óculos para provar que falava sério. Logo pediu mais 2 doses para ambos antes mesmo de terminar as que tinham.

Olhou de soslaio para o canto do andar de cima “Quero que beba até se soltar o suficiente pra ir dançar comigo...” Apontou pra pista de dança com o polegar. “O que acha? Posso te mostrar alguns movimentos...” Disse sugestivo sabendo que uma de suas armas era seu rebolado... Sabia que teriam que beber um pouco mais por conta de irem comer.

“Aproveitar...?” Disse se aproximando e enlaçando os dedos do outro puxando sua mão levemente para mais perto. “O que quer dizer com isso, meu Anjo?” Provocou com o mesmo sorriso afiado.

A noite estava apenas começando para os dois.


 



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