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História Above The Coffee Shop (Choi Minho - SHINee) - Capítulo 12


Escrita por:


Capítulo 12 - Doze


Kim Kibum: Estou pensando em fazer alguma coisa hoje à noite

Sei lá, ficar um pouco louco

Quero te tirar da minha cabeça

Preciso fazer alguma coisa

Quando eu tirei aquela foto nossa que estava na gaveta, eu pude ouvir sua voz

Isso foi erro meu?

Bae Hara: Se distraia 

Não foi erro seu, não foi erro de ninguém, só foi necessário 

Kim Kibum: Diz que não me ama 

Bae Hara: Não vou fazer isso 

Kim Kibum: Eu te amo demais

Kakao Talk, conversas arquivadas, Junho de 2016 


*** 


Consegui um final para a minha história, ainda naquele fim de semana. Um final prematuro, sem muitas explicações. Tentei fingir que a intenção sempre fora deixar em aberto. 

Fui à sala do Song J.K. no início da outra semana, pela tarde. Uma tarde abafada demais, fora um alívio quando ele abriu a porta e pude sentir o ar condicionado. Mostrei a ele rapidamente tudo o que eu tinha feito, revisado, alterado e corrigido. Sentia meu estômago revirar, pelo real motivo de eu estar ali. 

Certo, Bae Hara. - disse Song J.K. - Minha assistente financeira irá te passar seu pagamento já no final desta semana. 

Ele ia se levantando, mas o impedi. 

Professor. - chamei, um tom de voz já trêmulo. 

- Sim? - ele ergueu uma sobrancelha, me olhando de cima. 

- O senhor disse que poderia dar uma olhada no… 

- Ah! - ele riu e apontou para cima. - Eu li seu projeto. Sim, eu li. 

Até franzi as sobrancelhas, surpresa. 

Mesmo sendo orientado por aquele professor, ficou perfeito. - ele sorriu. O sorriso era meio torto, como se ele não exercitasse os músculos risórios com frequência. 

- Obrigada, hm. - limpei a garganta. Nem me atentei ao elogio, pois não me importava. - Mas não era isso. 

Ele semicerrou os olhos, curioso. 

Eu tenho um final. - disse nervosa. - Para aquela história. 

Ele ergueu as sobrancelhas, admirado. 

E aonde está? 

Rapidamente me levantei e abri meu notebook. O posicionei de frente para ele, com o arquivo aberto. Ele ajeitou os óculos no rosto e começou a ler. Dava para ver que ele pulava bastante coisa. Ainda sim, parecia compenetrado, em alguns momentos lia o que pareciam ser páginas inteiras. 

Demorou um bom tempo. Demorou demais. Mas não tempo suficiente para que ele lesse as duzentas páginas. Ele parou de ler e olhou para mim.

Alguém mais já leu? 

Balancei a cabeça, negando. Ele tirou os óculos do rosto e olhou bem para mim. 

Com algumas alterações minhas… Ficará perfeitamente publicável. 

Apertei os lábios, para esconder a empolgação. 



Saí daquele escritório como se estivesse sufocando. Sentia que ia chorar. Me perguntava o que aconteceria comigo. Abracei a bolsa do notebook contra o peito e caminhei até a saída da faculdade.

Um vento esquisito soprava forte demais, eu andava olhando para baixo. Passei pelas catracas, já estava chegando aos portões. Chuva. Chuva de verão. 

Apertei os olhos pois eu não tinha um guarda-chuva e só queria ir para casa. 

Vários alunos passavam por mim, correndo na chuva mesmo, colocando cadernos ou bolsas sobre a cabeça. Eu não podia colocar minha bolsa sobre a cabeça, danificaria o que havia dentro, e era precioso demais. 

O jeito seria esperar passar, torcer para que Song J.K. não passasse por mim enquanto esperava. 

Uma hora se passou, escureceu. Mesmo debaixo da pequena cobertura que havia antes do portão, muitos respingos me atingiam, mas a chuva já estava mais fraca. Olhei para um lado, procurando abrigo, para que fosse correndo aos poucos. Olhei para o outro lado, antes de dar o primeiro passo. 

Não vi mais pingos caírem a minha volta. Um guarda-chuva surgiu sobre mim. 

Fui subindo meu olhar, mesmo que já reconhecesse quem estava ali. Reconhecia até a camiseta que ele usava, os jeans, o sorriso fraco que encontrei em seu rosto. 

Como você sabia que eu estaria aqui? - perguntei séria. 

- Você basicamente só faz um caminho no seu dia a dia, Bae Hara. - disse Minho, parado ao meu lado, segurando o guarda-chuva. 

Mordio lábio. O jeito que ele me olhava era diferente. 

Mas como sabia que eu sairia essa hora? - quase gaguejei. 

- Kim SiAh. - ele suspirou. Arregalei os olhos. - Você deveria ter se encontrado com ela duas horas atrás. 

Cobri a boca, assustada, preocupada. 

Ele colocou o braço por cima dos meus ombros, para que ficássemos mais próximos, e começou a me guiar pela chuva. Não consegui dizer nada, apenas o acompanhei até o carro. Entrei no banco do passageiro, olhei em volta curiosa, enquanto ele corria para o lugar do motorista, deixando a sombrinha no banco de trás. 

Então você falou com a SiAh. - tomei coragem para falar, quando ele começou a dirigir, e ambos olhávamos para frente. O fato de eu estar no carro dele nem me incomodou, por estar mais preocupada com aquele outro assunto. 

- Sim. - notei ele mordendo o lábio, parecendo nervoso. - Ela disse que saiu hoje mais cedo,  que você combinou de se encontrar com ela.

Também mordi o lábio, me lembrando disto. Esquecera completamente que ela tinha planejado me distrair. Para você nem pensar nele, ela dissera no sábado. Peguei meu celular, que estava jogado pela bolsa. Várias mensagens. 

Você demorou demais, ela te mandou mensagens, você não respondeu. Ela decidiu te procurar e, bom… Foi ao café. 

- Hm. - engoli a seco. 

- Começamos a achar estranho quando você começou a demorar ainda mais. 

Apertei os olhos, eles haviam conversado. Minho riu um pouco, mas sem graça. 

Decidi vir te procurar. 

- Por quê? - olhei para o lado, para ele. 

- Sei lá. - ele olhou para mim, com o canto do olho. - Senti que havia algo errado de verdade. 

Olhei para frente, sem conseguir encará-lo. 

E começou a chover. - ele fez uma pausa. Paramos atrás de alguns carros, engarrafamento entrando em uma principal. - Achei que eu deveria te devolver um favor. 

Senti meu coração dar um salto. Me virei para ele, que sorriu. 

Que favor? - quase gaguejei. 

Ele soltou o ar pelo nariz, os carros andaram um pouco. 

SiAh contou qual a escola vocês estudaram em Incheon. - ele dizia olhando para o trânsito. Tive vontade de me esconder, mas não havia escapatória. 

- Você nunca perguntou onde eu estudei. - limpei a garganta. 

- E você também nunca falou. - ele balançou a cabeça e riu. - Lembrei de você comentar que trabalhou em cafés durante a adolescência. SiAh disse que você ficou um tempo em um próximo da escola, exatamente 10 anos atrás. 

Eu olhava pela janela, sem acreditar como ele ligara os pontos tão rápido. SiAh deveria achar que ele sabia de tudo, mas nem SiAh sabia sobre aquela tarde, aquela chuva. 

O carro parou mais uma vez. Já estávamos perto do café, do apartamento, mas a fileira de carros fazia parecer que havia uma distância enorme a ainda ser percorrida. Não conseguia olhar para ele. Sentia ele me olhando. 

Hara. - ele chamou. Apertei os lábios e olhei para baixo, deixando o cabelo cobrir meu rosto. - Você está fazendo a mesma coisa que fez naquele dia. 

Respirei fundo e o encarei. Ele riu baixinho. 

Foi com isso que eu confirmei que era mesmo eu?  

- Sim. - ele piscou devagar, calmamente, me deixando ainda mais nervosa. - E com essa pergunta confirmou que você sabia o tempo todo quem eu era. 

Passei a mão pelo cabelo, imaginando que ele deveria estar me achando esquisita, maluca, de verdade. 

Você mudou bastante. - ele observou. - Mesmo que pelo pouco que me lembre.  

Concordei. Pela aparência, tinha sido impossível me reconhecer até então. 

Acho que continuo basicamente a mesma coisa. 

- Não. - balancei a cabeça. - O cabelo. 

- Ah, claro. - ele riu baixinho. - Foi a primeira coisa que a sua amiga disse. Seu cabelo fica bem melhor assim. 

Só de imaginá-la chegando falando isso me dava vergonha, mas era mesmo a cara dela. Fiquei calada. 

Hei. - ele disse. Olhei para o lado, a mão dele estava estendida para mim, perto do câmbio. - Não estou bravo com você. 

- Nem me acha uma esquisita? 

- Isso eu já achava. - ele riu. Apertei os lábios, ainda olhando para a mão dele. - Só quero entender. Por que você não me contou? 

- Porque achei que você nunca se lembraria de mim. - apertei a alça da bolsa, que estava no meu colo, com força. - Que não tinha importância.

Ele pegou uma das minhas mãos, a segurou com firmeza, para que eu olhasse para ele. 

- Aquele foi um momento que fez tudo mudar na minha vida. 

Ele olhava bem nos meus olhos, eu não tinha como desviar, e não queria desviar. 

Eu estava desacreditado, era muito novo. Não podia jogar, perdi amigos que na realidade nunca foram meus amigos. - ele balançou a cabeça e riu. - Te contei o que aconteceu comigo naquela noite, mas você já sabia. 

Não tive como negar. Respirei fundo.

- Foi bom ouvir de você, de certa forma. 

Ele balançou a cabeça.  

- As pessoas podem ser terríveis, você disse. 

Silêncio. 

- Mas algumas ainda valem a pena. - quase sussurrei, quase tarde demais, quando ele ia soltando minha mão. 

Ele sorriu. Não consegui sorrir de volta, o coração pulava demais. 

Pode parecer que foi algo simples, e foi. Mas me deu forças para continuar. 

Nos entreolhamos. 

- Me deu… De alguma forma, esperança. 

Me perdi na face dele, e a impressão que eu tinha era que ele se perdera na minha. Ouvimos buzinas. Os carros começaram a andar. Ele soltou minha mão rapidamente, para voltar a dirigir. Respirei fundo. 

Tentei te agradecer depois. - ele suspirou.

- Você poderia ter agradecido naquele outro dia. 

Ele balançou a cabeça. 

Não consegui. - ele riu, encabulado. - Tive muita vergonha. 

- E eu hm, te afastei. 

Ele concordou. 

- Se soubesse quem era você o tempo todo, muita coisa não me surpreenderia. 

Ele riu, meio irônico, meio envergonhado. 

- Me surpreendeu você ser tão tímido. - também deixei uma risada escapar. 

Ele franziu o cenho e me encarou.

Naquele dia você realmente me afastou. Por quê? 

- Não achei que você deveria falar comigo. 

- Por quê? 

- Porque era... Você. Todos sabiam quem você era. Todos queriam ser seus amigos. Como te chamavam? Flaming Charisma? 

- Nossa. Você se lembra mesmo de mim. - ele franziu as sobrancelhas. 

- Era ridículo demais, impossível esquecer.  

Mesmo implicando, havia pesar na minha voz. Estava ainda tensa. Ele pegara na minha mão. Nossos olhares. Meu chefe. Lembrar do meu chefe me dava náuseas. 

Ah. - ele riu. - Aquele era um personagem. Até hoje, acho que o Ensino Médio, apesar de tudo, foi minha melhor performance. 

- É, realmente. Acreditei mesmo que você era… - ia completando, mas me calei. 

- Que eu era o que? - ele ergueu uma sobrancelha. - Um completo idiota? 

- Você quem está dizendo. - limpei a garganta. Ele riu baixinho. 

Chegamos, finalmente. Ele estacionou na vaga de sempre, mas não saímos. Ele tirou o cinto, para ficar mais de frente para mim. 

Aconteceu alguma coisa. - ele não perguntou, e sim afirmou. 

- Sim. - suspirei, virando apenas minha cabeça para ele, encostada no banco. 

Ele respirou para falar, parecia preocupado. E eu precisava dele. 

Você pode subir comigo? - perguntei antes que ele falasse qualquer coisa ou que a coragem desaparecesse. 


Ele pediu para que eu esperasse um pouco perto das escadas, e assim eu fiz. 

Já. - ele disse, aparecendo com sua mochila nas costas. - Vão fechar por mim. 

Respirei fundo e balancei a cabeça. Fiz sinal para que começássemos a subir. 

Chegamos ao terraço, passamos pelos bancos. Coloquei a senha na porta, ele não questionou. A abri, entrei, e a deixei aberta atrás de mim. Acendi as luzes, enquanto tirava os sapatos próximo da porta, ouvi ela se fechar. 

-Me desculpe, mas eu só tenho uma pantufa extra. - me virei para Minho. Que já olhava em volta. - E acho que hm, não serve em você. 

- Sem problemas. - ele sorriu, começando a tirar os tênis. 

Fui andando, deixando minha bolsa sobre a mesinha de centro, me jogando no sofá. Minho estava mesmo curioso, parecia analisar cada detalhe, de pé próximo à mesinha. 

É um apartamento bem padrão. - limpei a garganta. - Entramos e já vemos a cozinha. Depois, a porta do banheiro, depois o resto. 

Ele balançou a cabeça. 

É bonito. 

- Bom, é novo. Tudo branco, móveis claros. - disse meio nervosa.

- Hei. - ele foi até a parede perto da escrivaninha. 

- Pôster da sanidade. - suspirei. 

- Eu achei que fosse um pôster do BTS. 

- Sanidade, BTS, pleonasmo. 

Ele riu um pouco e apontou para um dos garotos. 

Esse aqui parece muito um amigo meu. - ele franziu o cenho. 

Me levantei, para me aproximar dele, cruzando os braços. 

Esse é Kim Taehyung. - apontei. - Ou só V. 

Ele balançou a cabeça. 

- Eu sei. Já vi todos em vários lugares. 

Esperei o comentário sobre aquilo ser bem infantil, assim como as pantufas, assim como os band-aids. Não houve comentário. 

Ele voltou para o meio do cômodo. 

Então é aqui que você se esconde. 

Ri, meio sem graça, e confirmei. 

Voltei para o sofá, cruzando as pernas sobre ele. Fiz sinal para que ele se sentasse. Ele deixou a mochila no chão e se sentou bem ao meu lado. 

Desculpe não ter te contado desde o início… - fui logo dizendo. 

- Hara, você poderia mesmo ter me contado. - ele pensou um pouco. - Mas você está chateada agora. - mordi o lábio, ele suspirou. - Conta. 

Hesitei um pouco, mas eu precisava falar. Desabafar.  

Terminei o… Não sei se posso chamar de livro.  

- Pode chamar. 

- Hm. - limpei a garganta. - Enfim, terminei. 

Ele me olhou, esperando mais detalhes. Respirei fundo. 

E mostrei ao Song J.K. hoje mais cedo. 

- E…? - Minho se virou bem para mim. 

- Ele leu. Leu bastante coisa, de verdade. - mordi o lábio, Minho percebia a tensão na minha voz. - Por isso sumi, levou bastante tempo. E ele... Disse que estava perfeitamente publicável. 

Minho riu, incrédulo. Mas sua expressão mudou drasticamente quando eu completei:

Como uma obra dele. Perguntou quanto eu queria para vendê-la para ele. 

- Como é que é?! - ele exclamou, indignado. 

Só de me lembrar da maneira que ele falara aquilo, ficava enjoada. 

Ele disse que publicar no nome dele seria melhor, mais rentável, mais difundido. Que eu deveria pensar nisto como um pseudônimo, que a história ainda sim seria minha. 

Minho balançou a cabeça, mais inconformado. 

E o que você disse? - ele quis saber. 

- Fechei o notebook na hora e me levantei. Falei que muito obrigada, mas que eu não aceitaria, que a obra era minha. E saí da sala. Acho que praticamente corri para fora e bati a porta atrás de mim.

Ri nervosa, me lembrando de tudo. Minho mordeu o lábio. Ele abriu os braços e eu, sem pensar duas vezes, aceitei o convite para aquele abraço. Deitei minha cabeça em seu ombro, encostando meu rosto em seu pescoço. Ele afagou meu cabelo e costas. Achei que eu fosse chorar, mas nenhuma lágrima saiu. 

Não deveria ter mostrado nada a ele. - eu disse, baixo. 

- Não mesmo. Deveria ter me mostrado antes. 

Mordi o lábio com força. Balancei a cabeça negativamente. Senti ele me abraçando mais forte, fechei os olhos. 

Ele se mexeu no sofá. Encostou bem as costas, e me deixou de lado, em seu colo. Não reclamei, não tentei mudar de posição. Ele afastou meu cabelo do rosto. 

Não sei o que vai acontecer comigo agora. - suspirei. 

- Vamos publicar seu livro, sem Song J.K. e com seu nome na capa. 

Balancei a cabeça e ele segurou meu rosto, para encará-lo. 

Eu disse que te empurraria, Hara. E vou continuar empurrando. 

Respirei fundo e segurei a mão dele, a tirando do meu rosto. 

Mas eu não te ajudei em nada ainda. 

- Você já esqueceu do que eu te disse no carro? - ele sussurrou, balancei a cabeça. - Vou te mostrar umas coisas. 

Ele pediu para que eu pegasse sua mochila, me afastei um pouco para que ele conseguisse tirar algo de dentro. 

- Você se importa de segurar? - ele perguntou. Fiz que não. Ele deixou o notebook sobre as minhas pernas. 

Ele colocou o queixo sobre o meu ombro, enquanto procurava por algo no computador. Apertei os lábios, com o rosto dele tão perto, por eu sentir até sua respiração quente. 

Então hm, o que você descobriu hoje à tarde… 

- O que tem? 

- Não hm, não vai mudar nada? 

Ele riu. 

Acha que eu ficaria estranho com você? - ele perguntou, afirmei. - Não, eu não conseguiria. Incialmente fiquei chateado, mas… Não conseguiria ficar por muito tempo. 

Mordi o lábio. Não era mesmo uma reação que eu esperava. 

Ele achou o que queria me mostrar, abriu em tela cheia. Arregalei os olhos. A imagem parecia estar com um filtro vintage, tudo tinha tons de cinza, não completamente preto e branco. Uma garota que eu reconhecia apareceu. Sunny número dois. Ela parecia triste. Ao redor estava escuro, era noite. Um homem apareceu, sentaram-se no parapeito de um terraço. 

Essa é uma das cenas sem nexo. - Minho explicou, quase sussurrando. 

- Nunca mais conversamos. - disse o rapaz no vídeo. 

- Não tenho mais vontade de conversar. - disse a garota. 

Me surpreendi por ela parecer tão fria. Só me lembrava dela tímida e doce. 

O vídeo tinha apenas cinco minutos. O diálogo era bom, meio arrastado, mas existencial o suficiente. Minho pausou antes de chegar ao fim. 

Aqui só dá para me ouvir falando para cortar. - ele explicou e riu. Me olhou, novamente encostando o queixo no meu ombro, aguardando comentários. 

- Não vou mais duvidar que você goste de artes e filmes cult. 

Ele riu, soltando o ar pelo nariz. 

Vou entender isso como um elogio. Mas ainda quero os comentários verdadeiros. 

Olhei para ele, ali tão perto. Foi difícil fazer expressão de dúvida. 

Consegui entender o filtro cinza. Deu pra sentir a melancolia. Diálogo existencial. 

- Porém? 

- Extenso. 

- Isso que eu pensei. - ele suspirou, colocando seus braços ao redor da minha cintura. Meu coração não me ouviu e disparou. 

- É aí que eu entro? - perguntei. 

- Só se você quiser. 

Pensei por um momento, quieta. Ele sorriu. 

Mas vamos cuidar do seu livro primeiro. Esfregar na cara daquele idiota que você é melhor do que ele. 

Tive que rir. E ri de verdade. 

Ele provavelmente vai me demitir. 

- E daí?

- Vai me dar um emprego no seu café para que eu pague o aluguel? 

- Posso te deixar morar no escritório. Não conto pra ninguém. 

Balancei a cabeça e ele riu. Apontei para o notebook dele. 

Há mais coisas suas aqui? 

- Sim. - ele suspirou. E abriu mesmo mais vídeos. Alguns só dele, alguns dele e do amigo.  

Em alguns aparecia a Sunny número um, depois a número dois, era difícil distingui-las. Geralmente cenários noturnos. Surpreendente, tudo parecia bem produzido e bem… Pessoal. Me pegava olhando para ele de vez em quando. Em alguns ele aparecia, em alguns estava mais novo, o cabelo diferente, as expressões totalmente diferentes.

- Você também atua. 

- É. De vez em quando. 

 Ele mexia a boca, falando algumas falas, e eu apertava o lábio para não rir. 

Isso tudo está escondido? - indaguei. 

- Não. Algumas coisas já passaram em alguns cinemas pela cidade, pelas universidades, pela internet. - ele deu de ombros, e eu abri a boca. - Mas nada… 

- Relevante? - ergui uma sobrancelha. Ele suspirou. 

- Não o suficiente. 

- Manda mensagem pro seu amigo. Vai ser relevante desta vez. 

- Terá diálogos seus? 

Confirmei balançando a cabeça. Minho sorriu, mas não pegou o celular. Ele fechou o notebook e eu o deixei na mesinha. Ele afagou minha bochecha levemente e encostou a testa na minha. Gostei de sentir o corpo dele tão perto, me protegendo. Engoli a seco, era frustrante não conseguir mais controlar meus sentimentos perto dele. 

Sábado. - eu disse. 

- O que tem? 

- Nada. - engoli a seco, perdendo a coragem. 

Pensei comigo mesma que ainda tínhamos tanto a conversar. Respirei para falar, determinada a puxar aquele assunto. 

Sábado. - ele disse antes de mim. - Sábado eu preciso fazer uma coisa. 

Ele olhou para o nada, pensativo. 

No próximo sábado? - limpei a garganta, como se não fosse falar nada antes. 

- Sim. - ele suspirou um pouco alto. - E eu hm, pensei agora que… Se… Se você não gostaria de ir comigo. 

Desencostei minha testa da dele e franzi o cenho. 

É um casamento. - ele coçou a cabeça, em um reflexo nervoso. - Não quero ir sozinho. 

- Um casamento. - ri, ainda mais nervosa. - Não tem ninguém mais que possa ir com você? 

- Ninguém que faria comentários ácidos e sarcásticos. - ele deu de ombros. 

Um casamento. Tive que rir mais, por ser bem inusitado. 

Você vai precisar de comentários assim? 

- Talvez. - ele limpou a garganta. 

Pensei mais um pouco. 

Vai, Hara. - ele cutucou meu braço. - Não posso ir só. Não vou aguentar. Até te salvei hoje. 

- Devolveu um favor, você disse. 

- Não te julguei por você ter escondido o passado. E estranhamente saber até meu apelido do Ensino Médio. Hei, sabia que isso foi bem estranho? 

Cobri a boca dele com as minhas mãos, envergonhada, e ele riu. 

Tá. Vou com você. 

Ele tirou minhas mãos da boca, para sorrir. Ele se inclinou, ia me beijar. Por mais que meu coração e corpo quisessem, não permiti. Ele suspirou, mas não forçou. 

O que a SiAh te disse hoje? - quase sussurrei. - Você não contou direito. 

Ele suspirou e pensou por um momento. 

De primeira, achei que ela não tivesse ido com a minha cara. - ele riu. Apertei os lábios. - Disse que só estava ali porque realmente estava preocupada, mas logo começou a falar bastante. Bae Hara só some assim quando algo ruim acontece, disse ela, eu a conheço há uma vida. E aí disse: você sabe não é, estudamos todos na mesma escola. - ri envergonhada, ele balançou a cabeça. - Fingi que sabia, queria que ela me contasse mais coisas. E ela contou, sem perceber. 

O encarei arregalando os olhos, ele riu e beijou meu ombro. Estômago sentiu.  

Eu só queria saber, de verdade. Como você era? - ele perguntou, me mantendo em seus braços. - Naquela época? 

- Invisível. - suspirei. 

Conversamos mais. Conversamos tanto. A visão de cada um daquela época era contrastante e interessante. Esqueci Song J.K. por horas. Esqueci o que ocorrera no sábado. Esqueci que havia outras pessoas. Parecia que éramos só eu e ele.




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