História Abraze - Capítulo 39


Escrita por: e somerzz

Postado
Categorias Gigi Hadid, Justin Bieber
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Justin Bieber, Revelaçoes, Segredos
Visualizações 355
Palavras 4.248
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Especial de sábado ❤
Espero que gostem!

Capítulo 39 - Trying.


Fanfic / Fanfiction Abraze - Capítulo 39 - Trying.

Esfrego meus olhos com força, soltando um suspiro. Tinha que ficar acordado, só mais um pouco, os barulhos da máquina não me deixava fazê-lo. Havia ficado a noite inteira acordado com Emerson, depois quando ela estava instabilizada e eu estava sendo enquadrado pelo meu pai, eu fui para casa, bom, não pra casa e sim para o Emmett. Não queria falar com Kurt naquele momento e nem com nenhum dos garotos, sabia que os mesmos iriam querer uma resposta e eu não estava pronto pra dar.

Tentei ao máximo dar as respostas que os polícias queriam, mas não estava muito a par da situação para fazê-lo. Algumas horas mais tarde de sua internação Ximena e Ramon apareceram assim como Giana que ultimamente parecia estar em todo lugar que eu ia. Fiquei tentando a socar a cara de Ramon quando ele me pegou pela goela da camiseta e me prensou contra a parede, acusando-me seja do que tenha acontecido a ela, mas por instinto ou talvez apenas para não ver uma merda acontecer no corredor, meu pai apartou.

Depois da cena, eu fui ao Emmett, precisava tomar um banho, porém teria que ser totalmente escondido, não seria interessante ficar andando pelas espreitas em sua casa, principalmente com tantas mulheres ao seu redor. Era só pra eu tirar o sangue de Emerson que estava em minhas roupas, porém a situação saiu meio do controle. Bom, talvez fora de controle não seja exatamente o termo que eu deveria usar. Quando vi Alyssa olhando pra mim com raiva a única coisa que conseguia pensar era na corrida de ontem, lembrando-me que eu perdi pra menos mais do que Dylan Davenport, e se não fosse ruim o suficiente, a mesma disse que não queria mais nada comigo, o que por um lado, era ótimo, por outro fodia totalmente com meus planos. Todos eles, por mais que tivesse certeza que não perderia naquele momento, eu sabia que não iria ajudar Dylan com ela, isso nem era sequer é uma hipótese. Preferia passar o resto da vida na cadeia a dar outra Hester para um Davenport.

Solto o ar devagar, apoiando minha cabeça em minhas mãos. Eu estava um porre e sabia que Kurt não parava de me ligar, não sei se ele sabia o que estava acontecendo, mas por meio das dúvidas, resolvi não contar. Os pais dela era o suficiente para saber da merda que fez com ele e sozinha.

Mal conseguia olhá-la, como ela pode fazer uma coisa dessa? Apesar de ser uma adolescente totalmente desprovida de qualquer inteligência, a mesma sabia que não era assim que se livrava de uma criança, principalmente em não se livrar. Para começo de conversa, ela nem deveria estar grávida mais agora que estava não teria ter tentando matar o bebê, poderia ter muito bem levado a gravidez adiante e dado o bebê quando chegasse a hora, mas não, ela quis fazer do jeito burro e mais difícil.

Ainda não havia a visto acordar, quando saí da manhã ela ainda estava dormindo. O tempo que levei de ir pra casa da casa do Emmett foi pouco, não dei explicações a nenhum dos meus amigos, apenas passei reto pro meu quarto, tentando recobrar a consciência do que havia acontecido minutos atrás. Não consegui encarar Kurt e sei que o mesmo ficou mordido por isso, contudo, ainda tinha em mente que o mesmo não sabia e eu iria manter assim até quando fosse necessário.

Algumas horas mais tarde eu estava ali, esperando a mesma acordar, não sabia o que diria para mesma, acho que não havia algo para falar, queria gritar com ela, mas seria expulso do quarto e não era o que eu queria. Tinha que ter paciência e compreender a situação. Na verdade, eu estava tentando entender como ela engravidou de Kurt sem que eu sequer notasse essa merda.

Bufo com raiva ouvindo os barulhos da máquina se alterarem, levo meus olhos até ela, observando seus olhos piscaram devagar. Ela já havia acordado para falar com seus pais e pelo o que pude entender eles foram expulsos aos gritos. Levanto calmamente da poltrona nada confortável, andando até sua cama. Solto um suspiro, encarando sua mão, sua boca forma-se em uma linha reta assim como sua feição que endurece.

— Não vai gritar? Me xingar? — Ela pergunta depois de um tempo, assim que percebe que eu só a encarava.

Balanço minha cabeça negativamente, soltando um suspiro.

— Não vou, não agora pelo menos. — Respondo, colocando minhas mãos no bolso. — Só quero saber como você está e entender o porquê disso.

Seus olhos piscam rápidos e elas os desviam várias vezes para os aparelhos aos seus lados. Eu solto, sabendo que se não apertasse, ela não diria.

— Não precisa contar pra mim, mas vai ser pior se Kurt vim aqui. — Indago, vendo seus olhos sobre mim. — Pela situação que te encontrei, aposto que o mesmo não sabe sobre isso.

— E nunca vai saber. — Sua voz embarga e olhos enchem de lágrimas, eu seguro o ar. Estava cansado, nenhuma lágrima faria eu ceder, honestamente.

— Ele vai, Emerson, inevitavelmente. — Digo, sentindo-me cansado demais para entrar em uma briga.

Ela limpa as lágrimas, engolindo o choro, agradeço por isso, não passaria a mão em sua cabeça por uma merda que ela mesma havia feito consigo mesma.

— Vai me fazer entender ou eu passo ir embora? — A fito intensamente, se a mesma resolvesse não me contar, eu iria embora, sem olhar para trás. Sempre fui o irmão que ela não teve, a presença que os pais dela não conseguiam preencher, o mínimo que ela poderia fazer era me contar a verdade.

— O bebê está morto — ela começa, não me encarando, eu já imaginava isso pela quantidade de remédio que a mesma havia tomado. Haviam feito uma lavagem estomacal nela, então era de se esperar que a situação não fosse boa. — Não queria ele, não podia tê-lo. Mal consigo cuidar de mim mesma, imagina de um bebê chorão? — ela ri, apertando os olhos com força. — Não dava, não podia.

Não interferi em seus pensamentos, Emerson só tinha dezesseis anos, não cabia mim dizer do que ela precisava ou não fazer, muito menos o que ela deveria sentir em relação a isso. Mesmo que eu soubesse que devia, não era meu dever, os pais dela estavam ali pra isso, certo? Errado. Os pais dela não ensinavam nada de bom na vida dela, mas apesar das limitações, esperava que eu fosse uma luz no fim do túnel.

— Aquele dia lá, quando você cortou os freios de Bryce, eu fui para seu apartamento. Escutei uns murmurinhos que alguém havia tomado um tiro, fiquei preocupada e fui ver se foi você. No final acabei encontrando-o, tentando tirar a bala do braço. Acabei o ajudando e depois ficamos conversando sobre como você estava caidinho pela Alyssa, até porque não víamos outro motivo plausível para você deixar seu melhor amigo ferido, em casa sozinho. — Emmy balança a cabeça, olhando para o teto, evitava todo custo o meu olhar. — Eu estava um pouco alterada e ele bom, estava um pouco aéreo por causa dos medicamentos... acabamos transando.

Faço uma careta, não queria pensar na cena.

— Depois daquele dia eu me afastei, mas acabamos nos encontrando na arena, estava vendendo drogas por lá e ele também. — Sei que a mesma daria de ombros se não tivesse deitada. — Acabou rolando de novo e de novo e de novo...

— Por favor, corte para parte que explica tudo. — Peço calmamente, passando as mãos por meus fios de cabelo.

— Não estávamos namorando, apenas ficando, mas... você sabe como o Kurt é... — balanço a cabeça, sabia muito bem, ou pelo menos achava que sim. — Ele... ele queria que ficássemos juntos e eu não queria isso. Porque eu vou sair dessa cidade, vou ir pra longe com meu pai e não queria um relacionamento e também porque sabia que você nos olharia com essa cara — semicerro meus olhos em sua direção, acompanhando. — Depois de um tempo descobri que engravidei, talvez tivesse sido naquela noite, ou em outra, não importava, eu não iria ficar com o bebê. Fui convicta para dizer a ele que iria abortar, mas ele estava fazendo tantos planos, falando sobre tantas coisas que eu desisti.

Aproximo-me da cama, soltando um suspiro exasperado.

— E você achou que cortando sua barriga iria resolver seus problemas?

— Eu não sei o que estava pensando, okay? Bebi um monte de remédios da minha mãe antes de fazer um furo em minha barriga, mas percebi que precisaria ir bem mais fundo para poder alcançá-lo, então desiste da ideia e tomei um chá que a mulher da farmácia havia falado. Com tudo isso, eu comecei a sagrar e fiquei desesperada. — Contemplo seu rosto, queria dizer mais alguma coisa, algo que pudesse reconforta-la sobre isso, mas não tinha nada. Ela havia feito uma coisa tão estúpida e sem escrúpulos que eu mal conseguia falar sobre isso.

— Conseguiu o que queria. — Digo, observando uma sombra passar pelo corredor, pelo visto Ramon havia voltado.

— Eu vou para casa em breve. — Ela múrmura, fazendo-me trazer os olhos para ela.

— Duvido muito isso. — Comento, estreitando meus olhos. No mínimo ela ficaria em recuperação, passaria em uma psiquiatra além do assistente social que grudaria nela que nem pulga.

— Eu vou sim. O xerife Bieber irá garantir que eu vá para casa rápido. — Ela abre um sorriso que poderia dizer muita coisa, todavia não estava a fim de perguntar. — Vai ficar aqui a noite?

Dou de ombros, levantando-me da cama.

— Vou ficar aqui até você dormir, preciso da minha cama hoje. — Respondo, olhando seus olhos, já estava mais acesos e a mesma não parecia nem um pouco preocupada com o fato que havia tentando arrancar um feto de dentro de si violentamente, acho que não deveria esperar mais de uma garota de dezesseis anos.

— Dormiu a madrugada aqui? — Emmy faz uma careta e eu balanço minha cabeça. — Como as enfermeiras deixaram?

— Melinda. — Solto apenas o nome para fazê-la entender imediatamente, ela abre um sorriso, balançando a cabeça. Eu volto na poltrona, ouvindo a mesma falar sobre sua moto, enquanto estava indo na ambulância com ela, tentei a todo custo fazê-la se distrair, até chegarmos ao hospital, então falei sobre sua moto, que estava esperando por ela. Duvidava que ela fosse subir nela tão cedo, todavia uma esperança de fazer isso daqui um tempo a reconfortava, ela iria querer correr quando a merda viesse à tona e eu honestamente não queria estar por perto quando isso acontecesse.

Algumas horas mais tarde Emmy caiu no sono, me fazendo pensar se eu dormia ali mesmo ou iria para casa fazer companhia a minha cama, estava um porre, realmente, contudo sabia que teria que voltar de manhã, ficaria com ela até a mesma ir para casa, mesmo que soubesse que poderia demorar um pouco. Precisava mesmo de um tempo de Alyssa e isso seria bom de uma forma ou de outra. Entanto, via um problema nisso: meu pai, nem preciso dizer que e mesmo me foderia caso eu faltasse no meu trabalho idiota de fazer relatórios, mas tentei pedir com jeitinho para deixar um policial fazer isso, pelo menos por aquela semana, estava de saco cheio e ainda coloquei em cima que estava cogitando a hipótese de falar com minha mãe. Estava mentindo, mas faria qualquer coisa para fazê-lo ceder. No final das contas, ele aceitou, contudo eu ficaria devendo um final de semana inteiro para revisar as viaturas da polícia. Eles tinham um mecânico próprio que ficava um pouco mais longe do centro da cidade, era mais compensador arrumar no Emmett, então tive que negociar isso e prometer que o faria. O que seria horas de baixo dos carros em comparação a ficar pegando Alyssa pelos corredores?

Faço uma careta.

Isso seria péssimo, mas era melhor assim. Ela disse que não queria ficar comigo, então aceitei, momentaneamente, e ainda tinha Dylan, também não sei se a mesma iria querer olhar na minha cara depois que soubesse o que fiz. De todo jeito, a situação era ruim. Estava entre contar a Emmett sobre eles ou contar a ela o que fiz, talvez amostrasse alguma coisa sobre a índole dele, sei lá. Sinceramente estava em uma encruzilhada, havia um péssimo jeito dela descobrir o que eu fiz, ou melhor, o que nós fizemos. Entretanto não sabia se seria melhor se eu contasse ou deixasse ela descobrir, para todo o caso, eu resolveria isso depois.

Estico meu pescoço assim que vejo Melinda na porta, suspiro calmamente. Não havia nada melhor para minhas costas doendo do que mais uma transa em um lugar pequeno. Eu me levanto, dando uma última olhada em Emerson antes de seguir a enfermeira pelos corredores do hospital. Amanhã eu resolveria isso com Alyssa, talvez...

ALYSSA HESTER

Eu geralmente sou uma pessoa fácil de superar as coisas — devem ter percebido. Não havia nada na minha vida que não fosse resolvido com dinheiro, uma viagem ou um soco na cara, porém naquele momento, eu me sentia estranhamente chateada e eu não queria me sentir chateada, era tão ruim e patético ao mesmo tempo que nem conseguia pensar nisso por muito tempo. Estava com raiva e minimamente arrependida — e por mais que soubesse que o que fiz foi o certo para mim, sentia que havia cometido um grande erro. Mas a pergunta pairava em minha cabeça: desde quando fazer algo para mim não se arrepender posteriormente, era ruim? Fiz muitas coisas por Keeran quando era mais nova, vi minhas amigas fazerem grandes merdas também, então não havia nada de mais em eu ser cautelosa só porque estava gostando de Justin.

Gostando.

Que palavra mais ridícula, eu não deveria, mas estava, não deveria mesmo, mas estava mesmo gostando dele, não poderia ser mais burra que isso. Ele me odeia, me odeia e só estarmos juntos porque um ajuda a merda do outra, era tão simples, por que eu estava complicando tudo? Bom, porque para começo de conversa, eu sou complicada. Sou mal resolvida com muitas coisas, não queria ser com Justin também, daqui alguns meses eu estarei em meu apartamento em São Francisco, pensando que diabos eu estava pensando quando pensei que gostar de Justin fora um erro... Daqui alguns meses eu estarei no meu apartamento... sinto um desespero na hora, tendo que respirar várias vezes para conter o pânico de pensar nisso. Por que isso me apavorava? Sair da cidade e voltar a minha vida é tudo que quero, a não ser por um detalhe: ficarei longe de Emmett e de Justin também. Não deveria querer sentir falta dele, o mesmo não valia meu tempo, mas meu coraçãozinho burro e machucado insiste em ir para o lado oposto.

Sofri tanto com Keeran que evitei bad boys por um bom período de tempo — os mesmos só me usam e de quebra ainda vão pra cama com minha irmã mais nova. Mas insistia em pensar que Justin era diferente, um idiota arrogante e caipira, mas diferente. Não havia esquecido do que ele pensa de mim, suas palavras estavam bem firmes em minha cabeça para me manter no chão. Eu tinha que me manter no chão, eu não tinha outra escolha.

Na segunda-feira meu coração não estava mais calmo, porém tenho a sensação que foi reconfortante o Justin não ter aparecido na porta da minha casa aquele dia, mas ainda assim custava acreditar que fosse por minha causa. Ele não faltaria ao trabalho só por isso, não é? Ele não podia, era o trabalho dele, mesmo que ele tivesse aceitado nossa relação chegar ao fim, o mesmo não iria fazer isso... ou será que faria? Afasto todos questionamentos da minha cabeça, concentrando-me nos meus afazeres, afinal seria a última semana ali e eu não podia estar mais do que satisfeita. Quando o turno acabou, além de Emmett eu tive a ilustre presença do xerife Bieber, por mais que ele não fosse minha pessoa favorita do mundo, cumprimentei-o com educação. O mesmo faria meus relatórios aquele dia e eu fiquei tentada a perguntar por que Justin não havia vindo para o trabalho hoje, mas desisti, não era do interesse dele e nem devia ser do meu.

Já na terça-feira eu tive a companhia do policial Christian, ele fez as rondas pelo local, brincou com as crianças do orfanato, fez uma amizade impressionante com Anne e ainda teve tempo para me contar sobre seus tempos de garoto na escola, se ele não fosse tão boa gente, eu daria pra ele. Estava condenada a dar para trastes e me apegar a eles mesmo sabendo que eles me viam como uma simples satisfação sexual. Sua companhia foi boa, principalmente pelo fato que minha rotina estava voltando a ser motona e chata de novo, depois da bebedeira que tivemos na festa de Mary-Jane, Daisy voltou a me ignorar, entanto estava com a certeza que não iria deixar nossa recém-amizade — se poderia chamar disso, apagar.

Naquele mesmo dia, invadi seu quarto e falei o seguinte:

— Olha eu não estou pedindo para você ser minha amiga, nem nada do tipo, mas não sei quanto tempo você vai ficar aqui e ainda em quantas festas eu vou para ficar bêbada, então acho que seria interessante e recíproco a gente se falar. Normalmente, que nem duas pessoas normais que moram na mesma casa. — Falo, observando sua cara patética e confusa. — Então, eu decidi que vou te arrastar para onde eu for, você precisa mesmo pegar um sol. Vamos fazer compras na sexta, não estou perguntando, nós vamos, eu preciso de compras, urgentemente e você vai comigo. 

Depois dei as costas, voltando para meu quarto. Precisava mesmo de compras, tudo que me acalmava mais do que contar dinheiro era fazer compras, eu adorava.

Na quarta-feira eu queria um controle que nem do filme Click para poder pular logo para parte aonde eu estava banhada de roupas de grife em uma loja da Sax. Sentada na minha cama, contentei-me em ler meus únicos dois livros de medicina que havia trazido em minha bolsa — tinha em mente que ficaria entediada, como estava e precisaria de algo para me livrar de companhia. Desde a noite de sábado não havia falado muito com Emmett, não fizera de propósito, só sentia que se eu conversasse com ele mais do que cinco palavras o nome de Ethel viria à cabeça dele e eu queria poupá-lo de qualquer coisa. Quando seu corpo pareceu na porta quase quis me jogar janela abaixo, mas segurei-me esperando que o mesmo dissesse exatamente o que queria.

— Está fazendo o quê? — Pergunta, aproximando-se. Subo o livro para o mesmo ver, ele faz uma careta olhando um corpo aberto cheio de veias, dou de ombros para o mesmo.

— Você se acostuma. — Comento indiferente, abrindo um sorriso.

— Hmm... Nunca de te perguntei porque resolveu fazer medicina, por que escolheu isso?

Tento não expressar um desconforto com a pergunta, ele deveria saber que eu odiava aquela pergunta, mas com tanta merda acontecendo em sua vida acho que ele não havia se tocado.

— Teve um tempo em minha vida que... — começo, balançando a cabeça. — Não ligava para nada, realmente nada. Teria entrado na faculdade de direito se tivesse sido só por minha mãe, teria feito moda se não fosse tão instável. Acho que escolhi porque naquele momento pareceu certo, pareceu algo que eu deveria fazer, sabe, sei lá. Só... não sei explicar.

Eu volto meus olhos aos livros, sentindo meu coração acelerado, ultimamente eu estava tensa ao ponto de não conseguir dar uma resposta sobre o porquê deu ter entrado em uma faculdade. 

— Entendo... só espero que você não tenha escolhido isso para irritar sua mãe. É vida de pessoas que estão em jogo. — pisco devagar, soltando o suspiro calmamente.

— Eu sei. — Respondo calmamente, sentindo meu coração acalmar. O nervosismo passava quando a raiva rugia em meus olhos. — Mas então, o que você quer?

Ele suspira, balançando os braços, estreito meus olhos. Aí, não.

— Estava pensando em você passar um tempo comigo sábado, lá na mecânica, sabe. Pode ser legal, você parece gostar de carros, Ethel também gostava, então pensei...

— Ótimo, isso parece legal, vamos sim, vai divertido. — Corto-o, concordando. Eu abro um sorriso, lembrando-me, gostar de carros era um pouco demais. Gostava de me exibir com os carros de última geração, sair com gatos de carros de meio milhão e gostava de ouvi-los falar sobre suas máquinas. É isso.

Emmett abre um sorriso, concordando. Saí do meu quarto logo em seguida, fazendo-me respirar profundamente. Apoio minhas costas na cabeceira, fazendo uma careta assim que escuto o estilo de música de Daisy soar em seu quarto, tinha que concordar que heavy metal não era meu lance preferido. Tento ignorar ao máximo, conseguindo assim que me concentro na leitura de anatomia, consegui ler dez páginas e entende-las antes de Justin entrar sem bater, novamente, em meu quarto. O mesmo estava bem vestido, bem vestido mesmo, ele vestia uma camiseta branca social até os cotovelos, junto a uma calça jeans preta justa e se não fosse pelo tênis hocks em seus pés, diria que ele estava pronto para uma festa da elite.

— Como estou? — Justin abre os braços, sorrindo. Dou uma olhada conferindo, ao modo que a mesmo dá uma volta, quando seus olhos voltam a mim, eu lhe respondo.

— Bonito, muito bonito. — Confirmo, fechando meu livro de anatomia. O mesmo coloca as mãos no bolso e eu estreito meus olhos, pensando. Definitivamente ele não iria pra qualquer lugar, com qualquer pessoa, o único nome que me vinha a mente era Danielle e rapidamente eu solto um suspiro, evitando que a raiva transbordasse em meu rosto. Não, eu não vou fazer isso comigo mesma, não posso e nem vou.

Me recompondo, eu o olho, me endireitando.

— O que você quer? — Suas sobrancelhas se levantam e eu rapidamente saco do que se trata. Dou um pulo em direção a minha bolsa, achando-a no meio de minhas tralhas. Abro-a, jogando tudo que está nela sobre a cama. Demoro um pouco para encontrar minha carteira, mas assim que encontro retiro as notas grandes, nem as contando antes de esticar para Justin. Quando meus olhos caem sobre eles, o mesmo está com uma foto na mão, não era tão grande e eu mal conseguia lembrar o que tinha nela.

— Foto bonita. — Ele comenta, ainda com as fotos em mãos. Faço uma careta e o mesmo vira ela para mim. Era eu, Daphne, Myles e Keeran, na festa de ano novo de 2008 quando fomos no Caribe.

— É, essa foi no tempo que respirar o mesmo ar que Daphne era aceitável. — Comento, dando uma risada, o mesmo abre um sorriso pequeno, ainda olhando a foto.

— Quem está na foto? — Ele junta as sobrancelhas.

— Daphne, Myles e Keeran. Ele é o que está me abraçando por trás. — Respondo, sabendo o que o mesmo queria saber.

— Ah... Ele deve ter muita grana. — Justin diz, devolvendo a foto, um uma risada surgi em sua boca e eu estreito meus olhos.

— Olha, ele tem mesmo, mas posso garantir que fiquei com ele pelo tamanho do pau. — Digo, vendo seus olhos saltarem. Keeran era um idiota, mas não podia negar que o cara é um gato. Dou o dinheiro a Justin, puxando as coisas que estão em minha cama para colocar de volta em minha bolsa. Sempre trazia alguma foto comigo, mesmo que fosse uma que eu odiava, quando estava longe me fazia sentir em casa.

Justin se afasta de mim, me encarando com um sorriso nos lábios. Uma vontade devastadora de perguntar pra onde ele ia me abateu, porém resolvi não perguntar, era melhor pra mim se não soubesse.

— Divirta-se. — Digo ao mesmo que abre um sorriso gigantesco enquanto anda para a porta. Em nenhum momento ele me deu as costas, caminhou para trás até estar atrás dela.

— Irei. — Ele pisca e eu vejo minha porta se fechar rapidamente. Um peso caí em meus ombros, me deixando com uma tremenda raiva.

Ele estava agindo normalmente, como se nossa “relação” não o tivesse afetado em nada. Não duvidava que fosse exatamente isso. Ele deveria estar indo encontrar a tal Danielle em uma exposição de arte da mãe maluca dela —, pois não conhecia nenhum artista plástico minimamente talentoso que não tivesse um parafuso a menos na cabeça, ele iria sair com ela, por aí, talvez até reatar o namoro inacabado que eles tinham. Cerro meus dentes, tinha que parar de pensar no que ele estava fazendo e com quem, senão iria enlouquecer, mesmo que tivesse terminado com ele, sabíamos que não tínhamos exclusividade, então não tem porquê disso.

Gostar dele nunca foi uma opção e mesmo assim, eu gostava. Não deveria, não podia, mas o fiz, não havia mais nada naquela altura do campeonato além de esquecer que eu poderia fazer. Tinha que esquecer Justin, urgentemente, e o faria, de uma forma ou de outro. E parecia que o destino estava ao meu favor, porque uma mensagem de Dylan foi meu guia perfeito.

Teríamos um encontro na sexta, fiz questão de combinar com Mary-Jane sobre aquele shopping que ela havia falado, tinha o plano perfeito. Teria um álibi com meu pai, cumpriria minha promessa a Daisy, e talvez descobriria o que Mary-Jane quer de mim, faria compras com ela e Daisy e mais tarde me livraria delas e teria meu encontro com Dylan ali mesmo. Não deveria, mas fiz questão de Justin ser meu motorista durante a noite inteira, se não poderia aproveitar seu corpo para minha satisfação maior, o torturaria mentalmente. No final das contas seria divertido, não havia como nada dar errado. Nada.


Notas Finais


n esqueçam de me dizer o que estão achando!
até segunda! :))


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