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História Absinthe - Vhope - Capítulo 7


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Notas do Autor


Já aviso aqui possui fortes emoções, e que por favor leiam as notas finais.

Tenham uma boa leitura ☕

Capítulo 7 - Sétimo: A ira do Sir


Fanfic / Fanfiction Absinthe - Vhope - Capítulo 7 - Sétimo: A ira do Sir

                          ∞

A noite já chegava outra vez, os últimos raios de sol sumiam a sombra das paredes claras da mansão. Hoseok estava debruçado sobre a sacada de seu quarto, olhando os seguranças perambulando pelos jardins.

Ele havia acordado bem cedinho pela manhã, passou o dia todo trancado na biblioteca, devorando livros e mais livros, enquanto inconscientemente esperava a aparição do Sir.

Embora não admitisse sequer para si mesmo, estava mexido, completamente balançado com o primeiro contato direto que tivera com os lábios doces do Kim.

Ele estava confuso, intrigado com a brusca mudança de humor de Taehyung, ainda que estivesse acostumado com o jeito tirano do Sir. Não entendia o porquê de ter pedido a ele que o beijasse, quando deu por si aquele pedido já havia saltado de sua boca e em seguida sentiu seu corpo ser embalado por uma sensação de êxtase e euforia, ao ter os lábios tomados por Taehyung.

Ele se amaldiçoava por isso.

Não queria nutrir um sentimento por Taehyung que não fosse o do puro ódio.

Não o havia visto durante todo o dia, ele não havia saído do quarto para nada, nem mesmo para trabalhar ou atender o entojado que o havia ido visitar na parte da tarde.

Hoseok escutara pelos corredores que o Sir havia tido um surto, mas não entendera muito bem o que aquilo significava, visto que Taehyung costumava a ter mini ataques sempre que possível e pelas coisas mais banais, então ele não entendia o motivo para tanto burburinho.

Não queria continuar com a mente vagando pelas indecifráveis atitudes do Kim, não queria nem mesmo lembrar-se que ele existia.

— No que tanto pensa, querido? — Abigail pousou delicadamente a mão sobre seu ombro esquerdo.

— Nada importante — sorriu apagado. Não queria que Abigail soubesse que havia sido estúpido ao ponto de beijar Taehyung.

— Passou o dia inteiro pensando em nada importante? — ela riu curtamente, afastando a mão dele.

— Abi.. O que houve com Taehyung na noite passada? — ignorando a pergunta lhe feita pela mais velha, ele se virou defronte a ela, totalmente atento à sua mudança brusca de humor. — Ouvi os empregados dizerem que ele teve um surto — continuou a falar, enquanto a mais velha se distanciava de si.

— Os empregados aqui são muito fofoqueiros, não devia lhes dar ouvidos — ela parecia apreensiva, vagando sem rumo seu olhar espantado.

— Eles pareciam bem convictos do que diziam — insistiu, pressionando a mais velha a dizer o que ela parecia estar ocultando.

Antes ele achava que tudo o que ouvira não passara de meras fofocas de desocupados, no entanto ao ver o estado de nervosismo de Abigail, passou a crer que não era apenas isso. Havia algo a mais, algo que o estavam escondendo.

— Você se preocupa a toa, querido — o olhou, mas logo desviou seus olhos para o chão — O Sir lhe espera em seu escritório — o falou baixamente, como se estivesse com o pensamento vagando longe.

— Oh, então quer dizer que ele resolveu dar as caras? — riu curtamente, cruzando os braços em frente ao corpo.

— Por favor, não o provoque — pediu-lhe ao passo em que o segurava pelos ombros. — Não provoque a ira de Taehyung — seus olhos estavam levemente esbugalhados, assustando o dançarino que nunca havia visto Abigail em tamanho estado de apreensão.

— O que está me escondendo, Abi? — Segurou seu rosto pálido dentre as mãos, vasculhando seus olhos como se buscasse decifrar seus pensamentos.

— Ora, querido, não estou lhe escondendo nada — ela sorriu e então se afastou dele, caminhando até a saída da sacada — Agora vá, antes que ele se zangue — o chamou com a mão segurando sobre a semelhante dele, o guiando para fora do quarto.

Abigail sumiu pelos corredores da mansão antes mesmo que Hoseok pudesse se dar conta. Ele respirou fundo, rumando o escritório do Sir logo em seguida. Bateu sobre a porta, recebendo quase que de imediato a permissão para entrar.

— O que quer agora? — o questionou assim que fechou a porta atrás de si, sem medo de soar rude, parando a alguns passos da mesa dele.

Taehyung estava sentado em sua cadeira atrás da mesa grande de madeira, sustentando um tabaco pela metade entre seus dedos longos. Ao lado sua costumeira bebida esverdeada. Ele mirou o ruivo, os olhos profundos de uma noite mal dormida os analisaram por completo.

— Queria avisar que irei viajar esta noite — murmurou sem muito ânimo, não desgrudando os olhos dele. Hoseok vacilou por um instante, a notícia da viagem do Sir para si, era mais que inesperada. — Ficarei no máximo uma semana fora do país.

— Para onde vai? — ele quis saber aproximando-se do mais velho todo acanhado, sentando-se na cadeira a sua frente.

— Marrocos — aspirou a fumaça tóxica por entre seus lábios, soltando-a no ar.

— E irá sozinho? — fingiu desinteresse na pergunta, brincando descontraidamente com a ampulheta que enfeitava a mesa.

— Isso não é da sua conta — balbuciou entrecortadamente, apagando o cigarro no cinzeiro. — Era somente isso — gesticulou para que ele saísse.

— Você é inacreditável — riu sarcástico, levantando-se com vagareza, olhando para Taehyung com ira. Não podia acreditar que ele continuaria agindo como se nada tivesse acontecido entre eles, mas se tratando do Sir, ele já deveria esperar. — É bom saber que não precisarei olhar para essa sua cara cínica, por um bom tempo — murmurou entre dentes cerrados, aproximando o rosto a face obscura do Kim.

— Veja bem como fala, Hoseok — indignado com a ousadia alheia, levantou-se da cadeira confrontando-o de perto. — Não me faça perder a paciência — travou a mandíbula.

— Não adianta me ameaçar, eu não tenho medo de você — cuspiu as palavras contra o rosto raivoso do Kim, afastando-se dele na sequência.

— Não estou lhe ameaçando, garoto — puxou uma respiração mais longa, espremendo os olhos com força — Estou lhe alertando — o olhou.

— Que seja! — esbravejou. A cada palavra que Taehyung dizia, mais irritado ele ficava.

Ficaram em silêncio, a respiração pesada de Taehyung era o único som audível naquele cômodo escuro. Hoseok rolou os olhos através da sala, percebendo como ela parecia estar desorganizada, diferente da habitual arrumação impecável que Taehyung sempre a mantinha.

Voltou a olhá-lo, ele estava pálido e só agora notara o curativo em forma de X acima de sua sobrancelha. Sua mente girou naquele instante, uma forte sensação de querer cuida-lo lhe acolheu. O surto havia sido real? O dançarino se autoquestionava, enquanto seus olhos curiosos faziam uma breve análise no Sir.

O olhou de cima à baixo, notando as escoriações em seus punhos quando o mais velho passeou as mãos sobre o rosto cansado. E foi então que ele teve a certeza de que os burburinhos que se estendiam sobre os corredores da mansão eram verdadeiros.

Kim Taehyung havia surtando! Mas porque?

— O que houve com as suas mãos? — externou sua curiosidade, dando a volta da mesa para ficar cara a cara com o Kim. Ele o olhou de cima, os lábios secos, o olhar lúgubre. — Então era verdade — contatou para si mesmo, não contendo o impulso de tocá-lo.

Passeou a ponta dos dedos sobre a face pálida dele, vendo-o fechar os olhos e suspirar lentamente. Quis beijá-lo ali mesmo, porém se afastou ao ser tomado repentinamente por esse desejo.

— Eu já disse que não deve se meter nos meus assuntos — desviou o olhar do rosto inelegível do dançarino, olhando a noite através da janela.

— Você é sempre tão babaca — não sabia o motivo de ainda insistir em falar com o Sir, já que era sempre maltratado. — Não me surpreende que a única pessoa que te suporta seja o entojado do Jongsuk — enrolou os lábios em um sorriso carregado de desdém.

"A Abi disse para não provocá-lo."Seu subconsciente o lembrou, entretanto Hoseok fizera questão de ignorá-lo.

— Saia! — ordenou com a ira oscilando em sua voz, os punhos cerrados e mandíbula rígida — Eu mandei sair — pousou os olhos tempestuosos sobre ele. 

— Se continuar agindo feito um filho da puta insensível, ninguém nunca irá amar você, Sir — vociferou contra ele, farto de sua indiferença e grosseira, entretanto ele não contava que seu pequeno atrevimento acenderia a chama da ira implacável do Kim.

Tão ligeiramente, Taehyung se virou para ele o empurrando com brutalidade contra a parede, agarrando-o pelo pescoço. Hoseok se apavorou, tentou empurrá-lo, porém Taehyung sequer moveu-se.

O Kim cerrou o punho erguendo-o no ar, e quando o Jung achou que seria agredido, fechou os olhos com força, ouvindo o estrondo ao lado da sua cabeça.

Ele abriu os olhos, estavam marejados por conta do medo, Taehyung estava a sua frente com o punho ensanguentado contra a parede ao seu lado. Sua cabeça pousou brevemente sobre o peito dele, e a mão que envolvia-lhe o pescoço, descansou em sua cintura.

— Saia daqui agora — murmurou com a voz cansada, e se afastou abruptamente, apoiando ambas as mãos sobre sua mesa.

O dançarino o olhou com espanto, jamais pensara que Taehyung seria capaz de tal ato covarde por mais estúpido que fosse. Hoseok ofegou em desespero, e então correu para fora do escritório dele, trancando-se em seu quarto.

Agora que estava sozinho em sua sala, Taehyung desabou sobre a cadeira outra vez,  os olhos embebidos em lágrimas analisando o sangue fluir pelo machucado recém aberto em seu punho.

Ele estava ficando pior, e sabia disso, entretanto ao invés de seguir os conselhos de Abigail, optaria por se afastar de vez de Hoseok. Apenas tempo suficiente para concluir sua negociação.

[...]

Três semanas haviam se passado desde que Taehyung viajara para o Marrocos. Pelo visto sua uma semana havia se triplicado.

Hoseok havia voltado a treinar pole dance, graças a sala de prática que o Sir mandou construir para ele antes de viajar. Ele parou defronte para o imenso espelho grudado na parede em frente ao poste metálico. Em seu corpo magro apenas um short curto da cor preta, para facilitar seus movimentos na hora da dança.

Ele estava exausto, havia passado o dia todo praticando.

Abigail adentrou a sala, trazendo-lhe um copo de suco de laranja, entregando-o ao garoto.

— Taehyung volta hoje de viagem — o informou olhando-o pelo canto dos olhos.

— Bom para ele — murmurou secamente pouco antes de ingerir o líquido alaranjado do copo.

Ainda não havia entendido o porquê do Kim ter agido daquela maneira bruta consigo, parecia estar totalmente fora de si quando o jogou contra a parede.

Aquelas lembranças lhe atormentavam dia e noite. O nome de Taehyung ecoava em sua mente sem parar, como um grito de desespero no escuro.

— Você anda tão estranho desde que ele se foi — o tirou de seus devaneios, fazendo a observação com cautela e precisão, notando a inquietação do garoto. — Aconteceu algo?

— Não — respirou fundo, devolvendo o copo a bandeja. — Só estou cansado, Abi — sorriu-lhe apagado.

— Oh, meu Deus! — espantou-se ao olhar para o tronco do garoto e ver uma cicatriz recente abaixo de suas costelas. — Onde se machucou? – preocupada o questionou.

Jung comprimiu os lábios, não queria dizer a ela que por culpa do Sir havia se ferido, quando ele o lançou sobre a parede, fazendo com que atingisse a estante ao lado e assim abrisse um corte em sua pele.

— Abi, não se preocupe, já passou — tentou acalmá-la, visto que a mais velha estava mais que apavorada com algo bem simples.

— Não me diga que... — Se afastou tapando a boca com ambas as mãos, negando constantemente com a cabeça. — Foi o Taehyung, não foi? — aquilo não era um questionamento, estava mais para uma acusação e Jung apenas espremeu os olhos, dando a entender que a mais velha estava certa — Eu deveria saber que isso iria acontecer mais cerdo ou mais tarde — engoliu em seco, enterrando os dedos curtos sobre os cabelos dourados.

— O que quer dizer com isso, Abigail? — franziu o cenho, estranhando a movimentação constante da mais velha, que geralmente era calma e serena

Abigail o olhou, seus olhos estavam cheios de lágrimas, o que apenas serviu para deixá-lo ainda mais intrigado com a situação.

— Há oito anos atrás.. — engasgou-se com a própria saliva, continuando logo em seguida — Taehyung foi diagnosticado com transtorno explosivo intermitente

Nessa hora toda a cor do rosto de Hoseok havia sido drenada.

— Ele é um T. E. I? — estava mais que surpreso, e fora necessário se apoiar sobre o poste para que não caísse ali mesmo. — Por que não me disse antes, Abi? Por que ele não me disse? — eram tantos os seus questionamentos, que o deixavam tonto.

— Taehyung não queria que ninguém soubesse, não quer que pensem que ele é louco — respirou fundo.

— Eu jamais imaginaria isso — agora fazia sentido, tudo fazia sentido. O motivo de Taehyung se alterar tão facilmente, estava claro diante de seus olhos.

Agora ele sabia o porquê do surto aquela noite no escritório.

— Não pode contar a ele que eu o disse — pediu-lhe segurando uma das mãos. — Ele ficaria louco se soubesse que eu revelei o segredo dele.

— Não irei dizer nada, Abi, eu juro — sorriu fraco.

— Me desculpem, eu bati na porta, mas ninguém respondeu — era Namjoon quem chegava ofegante, o rosto pálido e mãos trêmulas.

— Namjoon, o que faz aqui? — perguntou estranhando a repentina aparição do Kim.

— Infelizmente não trago boas notícias — Hoseok sentiu o peito apertar ao ouvir a voz grave de Namjoon vacilar. — O avião em que Taehyung estava, caiu no deserto do Saara, pouco tempo depois de ter alçado vôo.

Hoseok pensou que era uma brincadeira de mal gosto, ou ao menos tentou acreditar que era, no entanto ao ver a expressão de desolação do Kim, soube que ele falava sério.

— E onde ele está? — Abigail perguntou aos berros, o rosto sendo banhado por grossas lágrimas

— Não encontraram sobreviventes, muito provavelmente Taehyung está morto.

Jung sentiu o corpo amolecer e no instante seguinte, estava caído ao chão, completamente inconsciente.


Notas Finais


*O transtorno explosivo intermitente (abreviado TEI) é uma desordem comportamental caracterizada por explosões de raiva e violência, que são desproporcionais com a situação em questão.

Ou seja, não é uma atitude premeditada e nem algo que os portadores dessa doença possam controlar. E antes de julgarem a atitude do Taehyung, tentem ver que o fato dele ter conseguido se controlar e não agredir o Hosoek, já demonstra o tanto que ele se esforçou em não fazê-lo e o tanto que o Seok importa para ele.

Temos um Taehyung desaparecido e um Hoseok desmaiado.
Não vai demorar muito por Tae aparecer na fic de novo, mas durante os capítulos que ele não parece, vocês irão saber mais sobre o passado misterioso dele.

Vão ler Caliente: https://www.spiritfanfiction.com/historia/caliente--vhope-18330684

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