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História Abstract Body - Capítulo 5


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Notas do Autor


Dessa vez não tem ficha de personagem, porque na verdade eu deveria ter deixado pra postar a da Guess só agora (vai ser cap sim cap não) =P Eu sei que provavelmente ninguém se importa, mas eu acho legal soltar essas trivias kk eu queria poder incluir mais coisa como background das personagens e comentários médicos, mas ia acabar sendo spoiler tururu~
Enfim XD boa leitura!

Capítulo 5 - The Upper Floor


O Stone Ocean Asylum era uma construção de tamanho generoso e, apesar das afirmações de que as pacientes tinham liberdade para circular por toda parte, é claro que haviam lugares de acesso restrito. O último andar, acima daquele onde ficava o quarto de Guess e Jolene, era um exemplo, já que lá se localizavam as salas e quartos destinados à diretoria do asilo.

Juntando todos esses fatores, é claro que uma pessoa que estava lá há menos de um dia não teria como conhecer todas as instalações. O primeiro andar era de área comum. Afora o salão onde faziam as refeições, havia uma biblioteca, além de salas de música e pintura... tudo o que uma jovem senhorita poderia achar necessário para se sentir confortável. No segundo e no terceiro, eram os quartos e seus respectivos banheiros.

E nesse momento era num desses banheiros que se encontravam Jolene e sua sórdida companheira de quarto, Guess. Logo abaixo de onde ficavam os quartos das enfermeiras que geriam o asilo.

O plano de Guess era na verdade bem simples. Ela e Jolene subiriam até lá enquanto o pássaro dela ficava “de guarda” no terceiro andar — ela jurava que podiam confiar nele. Guess havia anotado os nomes de todas as enfermeiras durante seu tempo ali, então era só questão de ir até o quarto da chefe e roubar a chave das janelas.

— Da janela? — Perguntou Jolene enquanto caminhava segurando no braço de Guess. — Por que não pegar logo a chave da porta da frente?

Guess a estava ajudando a subir as escadas de olhos fechados. Se os abrisse, a vertigem causada pela sua percepção de tamanho das coisas seria grande demais. É claro, Guess estava bastante contente por se encontrar nessa posição de poder... Não devia ser algo que podia acontecer todo dia ali dentro.

— Elas precisam trancar e destrancar as portas todos os dias, então perceberiam na mesma hora o sumiço de uma chave tão importante. Além do mais, a chave da porta principal não é deixada no quarto, ao menos não numa hora dessas. Está provavelmente no bolso de alguma das que está com as outras lá no pátio.

Fazia sentido.

Elas subiram sem cruzar com nenhuma outra mulher, fosse enfermeira ou paciente. Parecia que a suposição de Guess tinha uma boa dose de racionalidade. Mas, ali em cima, era possível ouvir vozes.

— Vá em frente. Eu fico aqui como distração se alguém aparecer.

Isso era uma mentira. Jolene sabia, pela gota de suor que escorria de perto da sobrancelha dela e pelo batimento acelerado do coração de Guess. Uma coisa ela falara certo, sua audição realmente estava mais, aguçada.

Ela não podia entender por que alguém iria querer mulheres psicologicamente instáveis com os sentidos aguçados, mas teria que deixar esse questionamento para outra hora.

— Qual porta é a certa? — Jolene perguntou, fingindo não notar.

— Procure pelo nome Müller. Ela é a manda-chuva, as chaves certamente estão no quarto dela.

— Tá, mas como vou saber que chave é a certa? E como eu sequer vou entrar no quarto?! Com certeza vai estar trancado!

— Não prestou atenção na janela? É uma chave de pino. Ela é cilíndrica, como um tubo—

— Eu sei o que é uma chave de pino.

Guess suspirou e tirou de dentro do decote um par de grampos.

— Encontrei isso outro dia. Ouvi falar que dá para abrir uma fechadura usando grampos.

Jolene teve que se segurar para não gritar com ela.

Abrir uma porta usando grampos! Esse tipo de coisa não dava certo na vida real!

Guess notou a hesitação dela e deu um sorriso torto mostrando os dentes. Então subitamente empurrou Jolene contra o chão bem onde a escada começava.

— Vamos lá, Jolene, você não quer ficar contra mim, quer?

Jolene engoliu seco. O chão parecia longe, muito longe. Ela sentia que poderia cair e se machucar feio até mesmo para o primeiro degrau. Sua visão ameaçou escurecer e ela sentiu a náusea voltando.

— Isso não é real — respondeu, destemida.

— É, mas dá bastante medo, não é?

Guess a puxou de volta.

— Só ache o quarto da Müller, abra a porta, pegue a chave e volte. Simples assim.

Elas se cruzaram os olhos e Jolene tentou afastar a mão dela com um tapa. Ela errou a distância, mas Guess a soltou mesmo assim.

Jolene resolveu engatinhar. Era mais seguro para o seu senso de estabilidade do que caminhar. Ela podia ouvir as vozes, mas estavam dentro de quartos mais ao fundo do corredor. Se elas resolvessem, ela estaria ferrada.

Ela investigou porta atrás de porta de nomes duplos que nem as dos quartos das pacientes, até que chegou a uma com uma placa só.

M. Müller

Cuidadosamente ela se ajoelhou e pegou os grampos ficando na altura da fechadura. Ela os abriu e experimentou enfiar um dentro da fechadura.

Então, por um momento, colando os olhos no buraco da fechadura, ela pareceu esquecer que era todo um corpo ajoelhado ali naquele corredor. Por uma fração de segundo, ela podia sentir as micro-vibrações do grampo e detectar tudo em seu caminho... quase como se fosse uma extensão de seu próprio braço.

Ela afastou sua mão em choque. E olhou para o grampo. Ele parecia gigante, como tudo ao seu redor ainda parecia.

“O que é isso?”

A jovem torceu quase que inconscientemente a ponta do grampo de um certo jeito e depois, mais embaixo, de outro. Então voltou a aproximar a haste metálica da fechadura.

— Ele não deve voltar até o final da semana... — ela ouviu uma das vozes num quarto próximo.

— Mesmo assim, nós temos que aprontar logo a clínica — dizia outra voz. — O que você ainda está procurando?

Jolene suspirou e permitiu que sua consciência fugisse para ela se concentrar apenas nas tranças daquela porta.

— Meu colar... dá azar entrar na casa de Deus sem ao menos uma medalha de santo.

— Eu nunca ouvi falar disso...

Elas pareciam estar próximas de saírem. Jolene não tinha muito tempo. Ela continuou movendo as mãos em movimentos ágeis e sutis.

De repente, um clique. Seu coração palpitou forte.

Mas não era na fechadura em que ela mexia. Era na porta ao lado, no quarto onde as duas enfermeiras conversavam.

Um segundo se passou e ela continuou trabalhando. As vozes estavam lá, mas num mundo diferente. Que falassem, isso lhe daria mais tempo. Dois segundos se passaram e ela recolheu o grampo para torcê-lo de outra forma. 

Três segundos. Um rangido de uma porta que há muito não recebia o óleo que deveria. A porta emperrou um pouco na madeira do assoalho e reclamações foram proferidas. Cinco segundos se passaram.

A porta estava aberta.

As duas portas estavam abertas.

Jolene mais jogou-se que entrou dentro do quarto e fechou o mais rápido que pode a porta atrás de si.

Estava lá dentro.


Notas Finais


Esta é puramente uma obra de ficção, caso não tenham notado ahsuahsuahsuah eu tenho ZERO compromisso com a realidade quando se trata de arrombamento de portas, uso de drogas experimentais e arquitetura vitoriana X'D já diria João Grilo: não sei, só sei que foi assim u_u
Como sempre, me deem amor na forma de comentários, favoritos e compartilhamentos da história, eu agradeço muito!
Até a próxima!
Sutoruberi kissus~


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