História Abused - Capítulo 6


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Abused, Abuso, Couple, Dark Lemon, Gore, Insane, Lemon, Sangue, Seme, Sexo, Uke, Yaoi
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Palavras 3.263
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishounen, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Lemon, LGBT, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shounen, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Eu tenho uma ligeira impressão que está enorme. Tem muita, muita informação e doidera nesse capítulo. As palavras em outra língua são em russo (spoiler) e a lembrando que a ficha de William é de 2010.
Boa leitura!

Capítulo 6 - Stranger words, stranger actions



Matthew Walton mal havia acordado, quanto sentiu o corpo quente e molhado de William parcialmente jogado em cima de seu colo. Os cabelos frios estavam completamente esparramados pela cama e rosto e sua respiração descompassada causava chiados perturbadores. Se não fosse tal situação e o fato de estar ainda mais doente, o médico o chamaria de fofo e o pegaria no colo como um pequeno cão de madame. O garoto estava ainda mais ofegante, se agarrando aos cobertores e lençóis com tamanha força que sentia a maciez se prender entre seus dedos. Um pesadelo havia lhe acordado no meio da tarde, seguido por gritos estridentes e lágrimas nos olhos. O moreno estava confuso e atônito; desde quando gritava daquela maneira, parecendo ainda mais assustado.

- Fique longe de mim! Saia daqui! Saia agora! - William arremessou o travesseiro na parede a sua frente, gritando ainda mais alto e encharcando os olhos com lágrimas.

- William Davey! Por Deus! Acalme-se aqui! - O médico agarrou parte dos aros dos óculos agressivamente, colocando no rosto de uma maneira descuidada. Seu coração pulsava rápido, e como ato reflexo, se arrastou para a beirada da cama, agarrando os lençóis. O albino calou-se, ainda com os dedos fincados nos tecidos que protegem o colchão e com o rosto molhado.

- Eto konets. (É o fim.) - Os olhos como diamantes se fecharam no vazio do quarto. Não havia qualquer ruído, e Davey não parecia ser capaz de ouvir nada que não fosse si mesmo.

- O q-que disse?

- Ya bol’she ne khochu kontrolirovat’! (Eu não quero ser mais controlado.) - Despejou de uma só vez enquanto fitava o rosto do médico com raiva nos olhos. As veias de seu corpo estavam evidentes e sua frequência cardíaca parecia estourar. Ainda, Matthew ficou sem entender. A pronúncia das palavras era peculiar, e o contexto era incomum. Talvez fosse latim, ou quem sabe russo. Um arrepio percorreu sua nuca.

- Bol’. Gnev. Stradaniya. (Dor. Raiva. Sofrimento.) - Moveu o rosto para o lado, fitando os lençóis que agarrava com força e medo e deixou que algumas lágrimas mais caíssem. - Bol’. (Dor.)

- William? - Walton tentou se aproximar e foi recebido por um grunhido e um “sorriso” com dentes à mostra. O outro permaneceu no lugar, agarrado aos lençóis com receio de soltar e ser pego novamente, pego e torturado.

- I ya ub’yu vsekh vas. (E eu matarei todos vocês.) 

- Eu vou sair… Se precisar de mim, eu estou pela casa.

- Vá embora. 

Um sussurro lento e cativador, como um aviso para fugir do perigo. Sem hesitar, o médico se levantou em um ato brusco, caminhando até fora do quarto e encostando a porta. Um segundo até receber o choque de realidade e notar o quão trêmula estavam suas mãos, e notar o suor escorrendo no canto de sua testa. Desde quando William agia daquela maneira? A ficha dele era específica, mas não o suficiente a ponto de enumerar cada feito que fez ao longo do tempo. Mencionava também um diário; um caderno de anotações de maneira geral, que lhe foi dado logo após completar cinco anos. Walton não tinha esse caderno. Tinha a ficha, papéis a parte, exames e anotações de seu comportamento, fotografias do que fazia nas paredes logo após perder a razão e ampolas com sangue. Tudo menos o maldito diário. Deu uma última olhada na porta, correndo para seu escritório, imediatamente, indo abrir um armário de aço. Destrancou os cadeados e as senhas e abriu um cofre, pegando a ficha do menor e colocando na mesa. Certificou de manter a porta fechada e tudo perfeitamente organizado caso algo viesse a ocorrer. Um suspiro. Um suspiro árduo, firmando uma nuvem branca no ar abafado, e no clima frio que vinha; A chuva viria e viria ainda mais forte do que de costume. Ainda trêmulo, ousou ler a nova ficha alterada, com dados de 2010 enquanto dedilhava os dedos de maneira sincronizada na mesa.

Ficha médica, impressão de 2010:

Parecer do Serviço de Psiquiatria

Visita n° -

Data: -

Horário: Indefinido

Fontes: Inúmeros hospitais, todos com mandatos e autorizações. Verificar pasta quatro, parágrafo cinco da página 166.

Identificação: William Gerre Davey, sexo masculino, pele clara e características albinas, sem nacionalidade fixa definida, seguido apenas pela hipótese de que fosse adotado. Trazido aos hospital com três anos pelos pais, nascido em 1994. Nunca foi a escola, mas disse a mãe disse (verificar formulário 7) que já frequentou a creche uma vez e não se adaptou. Não tem profissão, não tem emprego, é solteiro e não possui religião ou crença a ser seguida.

Queixa principal: Tem frequentes alucinações sobre diferentes situações ocorridas, não lembra-se do passado como um todo e pode tornar-se destrutivo ao ser tocado. É violento e agressivo, tendo um comportamento estável e bipolaridade. Foram relatados indícios de esquizofrenia e a síndrome do pânico. Insiste em dizer que dividia o quarto com um garoto com o nome de Tyler.

Nota a parte: Quem ou o que é Tyler? O paciente recusa-se a falar aprofundadamente sobre tal coisa.

Histórico da doença atual: Tornou-se ainda mais agressivo após os intensos tratamentos. O hospital afirma ter tentado aplicar doses de diferentes medicamentos no corpo do paciente para tentar controlar o número de pesadelos e ataques. O mesmo apresentou uma piora significativa após tais testes, deixando apenas soluções drásticas a serem tomadas. Passou por procedimentos de ampliação memorial, choque elétrico, implementação de falsas memórias e tortura física. Todos os procedimentos foram aprovados e legitimamente assinados pelos médicos e sócios do hospital.

História fisiológica: Nasceu em 22 de novembro de 1994, no hospital Santa Helena, às 17h24min. Já nasceu uma criança forte, que imediatamente foi ignorada pela mãe, que não aceitava o fato de ter um filho albino. Meses mais tarde, a mãe afirma tê-lo visto escrevendo alguns dados e cálculos em um bloco de notas, evidenciando sua grande capacidade mental. Com apenas um ano, escreveu o próprio nome, e disse a primeira palavra que afirmam ser Tony. Preocupada com o bem estar de seu filho, a responsável por tal encaminhou imediatamente o garoto para um tratamento intensivo, aguardando fazer três anos até ter a permissão legal. Diz a responsável que não havia ninguém na família com o nome de Tony, por isso classificou o próprio filho como louco. Ao chegar ao centro psiquiátrico, o paciente não apresentava qualquer distúrbio evidente, apenas uma inteligência acima da média e uma curiosidade típica do perfil infantil. Ao conversarem com ele, descobriram que Tony era o nome do repórter que havia escutado na televisão. Todavia, a mãe não aceitava mais tê-lo em mãos. Aprendeu a andar logo depois de falar, sendo ainda mais fácil tal comunicação e terapia.

História patológica pregressa: Esquizofrenia, distúrbios neurológicos, síndrome do pânico e transtorno de bipolaridade. O hospital pronunciou-se dizendo que não é necessário a apresentação dos procedimentos utilizados e que a saúde do paciente nunca fora comprometida. Afirmaram que o mesmo passou um tempo em outro hospital, para a verificação de melhora ou problemas na saúde.

História familiar: A responsável nunca se pronunciou sobre tal tópico, defendendo apenas que seu filho era, parafraseando, “Um débil mental que havia tentado matá-la com apenas um ano na cozinha enquanto fazia o jantar.”

História pessoal: Jamais teve qualquer relacionamento com alguma figura do hospital. Descobrimos que tinha preferência sexual para ambos os sexos e que não se envergonhava em assumir isso. Disse também que nunca havia amado ninguém, e sentia falta de ser tratado com carinho. O hospital lhe deu um caderno e uma caneta, para que fosse capaz de fazer anotações e narrar o dia a dia sem tornar-se ainda mais violento.

Paciente: 0719

Prontuário/Responsável: Doutor Lyan Hiilborn Norrinton, Doutora Samantha Juan, enfermeira Vicktoria Raillon, enfermeiro Raymond Carrey e cirurgião Manuel Atylo Gestter.

Leito: Quarto 33, cama de solteiro e paredes acolchoadas.

Recomendações: Exames de sangue frequentes, medições do funcionamento neural, caminhadas diárias e doses de calmantes.

Exame psíquico: Resultados verificar ficha 8.

Súmula psicopatológica: Por Doutor Lyan: “É completamente consciente sobre as perguntas que lhe foram feitas, todavia, é frio e emotivo, não apresentando alteração no tom de voz e nos músculos da face, mesmo com perguntas pessoais. Pareceu mover a sobrancelha do lado esquerdo com maior facilidade, como se desse os ombros ao perguntarmos sobre abuso. Agiu de forma relutante e psicótica quando afirmamos tocá-lo e ver seu corpo, quebrando a mobília e arranhando de forma agressiva as paredes.”

Exame físico: Verificar observação no prontuário geral.

Anotações gerais: Mantê-lo longe de objetos cortantes, aparelhos com alta frequência de som, ambientes muito pequenos, aromas desagradáveis, aparelhos eletroeletrônicos, remédios e qualquer coisa que possa melhorar ou expandir seu potencial. O hospital acredita que Davey pode ter sinestesia e visão aguçada.


Matthew engoliu saliva, apertando os músculos do cenho com o polegar eo indicador, relendo as anotações gerais algumas vezes mais antes de retornar para o próprio quarto e encarar os olhos azuis do albino. As informações pareciam cair como jatos de água, despejando teorias e palavras infundadas e quase sem nexo, piorando o seu o próprio mapa mental. Uma ideia pareceu surgir como um lâmpada na escuridão e o fez pegar um papel e caneta para montar um planejamento. Começou a anotar, em forma de listas com tópicos e flechas.


Planejamento para 0719:

* Descobrir sobre seus pais, históricos possíveis e um pouco sobre as memórias de família.

* Entender o que ou quem era Tyler.

* Descobrir sobre todas as possíveis doenças.

* Entender a Sinestesia.

* Fazê-lo falar.


Com a força que tinha, grifou as últimas palavras da lista, deixando notavelmente evidente que essa era sua tal prioridade. Tinha que conseguir a confiança de William sem parecer apenas mais outro médico. Talvez com gestos carinhosos, troca de olhares, troca de carícias…. Seus pensamentos sanos foram cada vez se mais se esvaindo, abrindo uma brecha para pensamentos eróticos e desviados, criando ilusões românticos com o albino. Não, não, ele não seria capaz de amar um homem, ele não seria capaz de deixar María para trás. Havia muito para se fazer, muito que certamente seria em vão, mas era impossível salvá-la após a morte. “María e Amanda estão mortas, descansando em paz nos leitos do Paraíso”, insistia em dizer enquanto pressionava com força a caneta esferográfica. “William é um homem fraco, ele precisa de você. Ou você precisa dele.” Creck. A caneta se partiu entre suas mãos, deixando um vestígio azulado; limpou os dedos no papel em branco e suspirou novamente. Como era difícil lidar com tudo isso e os próprios sentimentos.

- Matthew. - Falando no Diabo… William tocou a porta lentamente, colocando a cabeça na madeira, a espera de qualquer ruído. Matthew estava trancado no próprio escritório, tentando manter-se o quão quieto fosse capaz. - Eu sei que você está aí dentro. Pode sair?

- O que quer agora?

- Quero conversar.

- Com você não tem conversa, vou te deixar de castigo por ter levantado a voz daquela forma. - A mesa foi socada e o moreno permaneceu impassível no lugar, ajeitando os óculos quando necessário. O albino socou a porta da mesma maneira.

- Você não pode fazer isso. - Davey estava aprendendo a dizer não, aprendendo a negar o que lhe pediam, tendo em mente que não era um escravo feito para seguir ordens. Arqueou as sobrancelhas de modo violento, socando a madeira como antes. - Abre. A. Porta.

- Eu não vou abrir, William. Não abrirei para ouvi-lo ser grosso daquele modo. Se tem algo em que realmente quer conversar, que conversamos aqui, dessa forma. - O médico iniciou um processo de arrumação rápida, guardando os documentos novamente no cofre e colocando os objetos nos legítimos lugares. Ele não abriria, porém temia que o outro fosse capaz de arrombar a porta.

- Por favor, eu não quero conversar com a porta fechada. Eu quero ver você Matthew, eu quero.

Walton sentiu o choque elétrico percorrer suas veias, como se Davey estivesse tocando seu corpo. Fechou os olhos com força, sentindo as mãos tremerem e o corpo começar a reagir. Seu coração batia rápido apenas de imaginar como o outro estaria.

- William não…

- Mas você disse que ia me proteger! Disse que eu era seu! - William parecer querer cutucar a ferida, não de maneira intencional, apenas naturalmente. Não tinha estratégia suficiente para armar contra um adulto tão maduro.

- Sim, eu sei, confesso que lhe prometi tal coisa, você é realmente meu. Apenas ainda não entendo o porquê de querer entrar aqui para podermos conversar.

- Porque eu quero vê-lo. Quero outro beijo… Não tem problema se não quiser abrir. - O voz de albino era baixa e rouca; Ele parecia magoado, com um mistura de medo no tom, passando a ponta dos dedos pela porta seguido por outro toque. - Não tem problema se estiver com medo de mim. Eu não sou uma criatura que merece afeto de qualquer maneira. - Suspirou cabisbaixo e deixou a porta, caminhando lentamente pelo corredor. Matthew destrancou a porta rapidamente, abrindo-a e fitando William à sua frente, perfeitamente normal e com os cabelos bagunçados.

- Não, você é meu. - Agarrou a mão frágil do outro, apertando com força e cruzando os dedos. Eles sempre faziam isso quando havia a necessidade de um gesto mútuo, que acolhia perfeitamente o momento e cruzava a mente de pessoas com pensamentos e linhas opostas. O menor agarrou ainda mais, sentindo o toque quente e o calor que a mão do outro exilava, enquanto se segurava para não fitá-lo. Se ambos se entreolhassem perderiam o rumo e se tocariam da maneira mais carnal o possível.

- Desculpa... Eu não queria ter dito aquelas coisas. - Sua pele claro ficou ruborizada, e seus olhos pareciam cintilar com lágrimas ainda pairadas. Estava dócil novamente.

- Não importa, eu perdôo você.

- Mas você disse que eu estava de castigo. - Rebateu olhando baixo.

- Não quer dizer que só porque está perdoado que não terá a consequência de seu ato, Davey.

William congelou, segurando a respiração e levantando o pescoço para encarar o moreno a sua frente. Davey. Ele não gostava desse nome, desse sobrenome; não gostava de ser chamado assim.

- Eu vou embora. - Com um ato agressivo, soltou-se dos dedos do médico e voltou com os passos lentos em direção à porta. Estava completamente bem até ouvir o próprio apelido sendo pronunciado pelo homem que gostava.

- Will.

Foi como se um imã estivesse tentando puxá-lo de volta para Matthew, tentando unir ambos os corpos em um ato quente e erótico com apenas um sussurro. O albino cessou os passos, dando meia volta e olhando para as íris escuras por trás das grades de vidro do olhar penetrante do médico.

- Vai mesmo ir?

Ah sim, ele estava entregando e permitindo ao outro o benefício da dúvida. Nunca foi de seu feito forçá-lo a ficar ou ameaçá-lo com palavras de ódio; apenas lhe foi dado o benefício de escolha e da tomada para novas decisões.

- Matthew.

Carinhosamente, aproximou o corpo com passos lentos até o médico, e foi acolhido por um abraço forte e um calor aconchegante. Estava trêmulo, com o corpo totalmente controlado por inúmeras sensações e sentimentos, sentindo a famosa sensação de borboletas no estômago. O suor pingava de seu rosto ruborizado pela febre, deixando gotas marcadas no chão.  Matthew parecia ainda mais quente para ele, mesmo quase desmaiando de febre e assustado pelo próprio surto.

- Você está molhado novamente.

- Você me chamou de Davey. - Quase se derretendo para desvencilhar daquele abraço quando parou para encará-lo novamente. Davey. Era como chamá-lo de algo ofensivo.

- É o seu sobrenome.

- É quase um sinônimo para Devil, que quer dizer demônio do inglês. Eu ganhei esse sobrenome da minha família, mas estranhamente ninguém em lugar algum tem esse sobrenome.

Will acariciou os próprios dedos, desviando do olhar magnético do outro. Falar sobre si mesmo era quase uma missão impossível todas as vezes que tentava.

- Como sabe? - Matt ajeitou os óculos, tentando olhar para sua face úmida enquanto abaixava gentilmente a cabeça.

- Eu pesquisei. No celular que me deu. Não existe. Eu - ele reforçou com uma voz mais alta - não existo. Eu pelo menos tenho uma mãe?

A primeira coisa que o moreno pensou em responder foi a verdade, a nua e crua verdade que acabaria machucado qualquer indício sentimental que ainda restava em Will, trazendo apenas, o seu lado ainda mais obscuro. O albino tinha mãe? A mãe considerada figura materna, que ama e protege do mundo e das pessoas ao redor? Uma figura cheia de compaixão e cuidado? Não, ele não tinha. A mãe, ou a suposta mãe de William Davey estava agora, em uma das grandes cadeias do município, presa com prisão perpétua por crimes hediondos. Os olhos escuros de Matthew se tornaram um tom embaçado pelas lágrimas paradas, quase impossíveis de se reparar. Um sorriso de canto.

- Claro que tem, tudo mundo tem uma mãe. Além disso, você teve que vir de algum lugar, certo?

- Eu tenho? Onde ela está? Posso vê-la? Ela sente a minha falta como eu sinto a dela? - A empolgação, a respiração eufórica, o sangue correndo pelas suas veias e os olhos esbugalhados azuis tão próximos do maior. A felicidade, um sentimento novo com uma mistura de adrenalina fazia seu corpo suar mais e mais e sua pele corar pela alta temperatura. Walton engoliu saliva algumas vezes, tentando pensar em uma explicação plausível, em uma maneira de não ter que enganá-lo ou mentir de forma nada gentil na frente do homem que agora, sentia mais do que um mero carinho. Com as costas do dedo indicador, levantou o queixo claro e ruborizado com gentileza, se aproximando dos lábios rosados.

- Oh sim, você tem uma mãe e tenho certeza de que ela o ama imensamente que faria qualquer coisa para protegê-lo.

- Me ama? - Davey piscou com leveza, sentindo outra gotícula de suor escorrer pelo seu rosto, pingando nos dedos de Matt. Sua ingenuidade era fascinadora a ponto de excitar o homem mais velho a sua frente.

- É Will. Sabe amor. Nunca ouviu alguém dizer isso? - Sua outra mão livre entremeou os cabelos albinos com mesclas escuras, passando os dedos em movimentos como carícias em um gato. William apenas corou imensamente.

- Não, alguém mencionou algo do tipo uma vez para mim. Disseram-me que eu morreria sozinho e que não faria nenhuma diferença, já que nada poderia me amar.

- Mas você está comigo agora. - Reforçou como uma promessa de proteção.

- E eu apenas sou capaz de te aborrecer.

Matthew calou-se, agarrando William para outro abraço forte e calmo, sentindo o mergulhar o rosto nos ossos de seu pescoço, puxando levemente o tecido da gola da camisa. O albino tentou segurar os próprios sentimentos, mas o corpo não aguentava mais manter aquelas lágrimas apenas no canto dos olhos.

- Will, você está chorando?

- N-Não. - Soluços ecoavam pelo corredor junto com engasgos e suspiros cortados. Ele chorava para limpar a própria consciência, para mostrar-se forte.

- Shhhh não precisa chorar, você não é um incômodo pra mim, eu o quero aqui. Entende o que sinto?

- Não sou capaz de entender tanta coisa assim, Matthew. - Respondeu o outro engasgado com os soluços e o abraçando com maior intensidade. Se William era um gênio de fato não tinha ciência do que ou como o amor era um funcionava. Matthew havia basicamente se declarado para o menor e mal tinha reparado no pequeno detalhe. No grande detalhe.

- Eu gosto de você Matthew. Eu gosto muito de você. Do cabelo, do cheiro, do gosto dos seus lábios. - O albino piscou lentamente, fitando os olhos imprecisos do médico e transmitindo um sentimento misto no olhar. Os azuis como mar pareciam ainda mais claros, transparentes como um vidro, uma borboleta translúcida.

- Eu mais que gosto de você, Will.

 


Notas Finais


Já se perguntaram o porquê de 0719 e "Projeto 33"? :3c


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