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História Abyssum Abyssus Invocat (TRADUÇÃO) - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo II


Fanfic / Fanfiction Abyssum Abyssus Invocat (TRADUÇÃO) - Capítulo 2 - Capítulo II

“O presente muda o passado. Olhando para trás, você não encontra o que deixou para trás. ”


- Kiran Desai.


Eu não queria ir para a Inglaterra. Meu coração clamou em agonia toda vez que eu pisei lá. A Inglaterra me lembrou Voldemort. Do Lorde das Trevas que eu adorava com tudo o que eu era. O homem que eu amava o suficiente para vender minha alma a um demônio, a fim de lhe dar vida mais uma vez.


Ir para a Inglaterra era como incendiar meu próprio coração, rasgando minha pele e gritando com a perda.


Mas minha alma ...


Minha alma ronronou com a necessidade de obedecer, de se render à ordem dada por quem a mantinha acorrentada. Eu não podia nem considerar desobedecer.


A marca não permitiria.


Então eu iria para a Inglaterra, mas ele não disse que eu tinha que ir para a mansão Phantomhive imediatamente. Eu planejei tomar meu tempo doce sobre isso.


- E agora ele me ordenou que o fizesse companhia enquanto ele cuida de um garoto que não gosta! Um dia, eu vou vê-lo morrer e será delicioso. Claro, pode demorar alguns milênios, mas quem está contando, certo?


Eu reclamei irritado, meus braços cruzados em desafio enquanto eu balançava no meu poleiro calmamente.


Meu companheiro durante a noite riu da minha desgraça, mas sua resposta foi abafada e pouco clara. Pulei da tampa do caixão com um bufo e levantei sua superfície brilhante e polida rapidamente.


- Desculpe, eu não entendi.


O sorriso de Undertaker era largo, largo demais para ser natural, e suas mãos estenderam-se para acariciar minha bochecha como se eu fosse uma boneca favorita que ele havia tirado para admirar.


Considerando o que o homem pensava como seus "brinquedos", eu provavelmente deveria estar preocupado, mas eu não estava. Havia um tipo estranho de camaradagem entre nós dois, um que eu ainda não conseguia entender, mas ele ainda não parecia inclinado a lançar luz uma explicação.


Muitas vezes eu o encontrava me olhando, um olhar de apreciação e profundo afeto em seu rosto. Eu não conseguia descobrir por que aqueles olhos me confundiam tanto. Era quase como se, quando Undertaker olha para mim, ele visse outra coisa. Algo que o resto do mundo não podia, e ele o admirava. Ele o admirava como um colecionador admira uma peça de arte cobiçada ou um dono olha a nova ninhada de filhotes de seu cachorro.


- Eu disse que ele está puxando suas tranças, meu querido.

Um olhar de confusão o encorajou a continuar:

- Michaelis é como o valentão no jardim de infância. Ele enfurece você para ganhar sua atenção. Essa é a única maneira que ele sabe manter o seu foco nele por todos esses anos e parece que ele decidiu adotar uma nova abordagem para sua perseguição. Ele está trazendo você, o perseguido, para ele ao invés de segui-lo pelo mundo tentando incitá-lo. Ele deseja você, Harry, e ele não será gentil ao tentar obter sua submissão.

Ele precisava de mim perto para que ele pudesse ... me cortejar?


Mas recorrendo a chantagem e táticas secretas ? Um valentão de fato. 


Sebastian não fez segredo de seus desejos por mim ao longo dos anos. Desde que ele me virou, ele deixou bem claro suas intenções de acasalar comigo e me tornar seu consorte, mas ele precisava que eu estivesse disposto, que me submetesse conscientemente.


Ele poderia usar truques sujos e subterfúgios, desde que eu consentisse, mas ele não poderia simplesmente ordenar que eu fosse seu companheiro. 


Até agora, ele me deu todo o motivo para precisar sair do país sempre que sentia a presença dele.


Aparentemente, ele estava cansado da minha corrida.


Bem, ele podia esquecer. Eu tinha apenas um amante e, graças a Michaelis, nunca mais o veria. 


Suspirei e dei a Undertaker um olhar triste.


- É melhor eu ir antes que ele venha me buscar.


Sem dúvida ele ordenaria que eu fizesse algo horrível em retribuição.


- Vejo você em breve, Undertaker.

- Até lá, Harry.


[...]


O sono estava além de mim depois que eu me tornei um demônio. Os habitantes do inferno não precisavam disso, mas sonhar não era impossível. Até os humanos tinham sonhos diurnos. 


Tudo que eu tinha que fazer era afundar no meu subconsciente e experimentar por mim mesmo. Assim como um sonho adormecido, porém, nem sempre se podia controlar qual sonho eles viam.


Atualmente eu estava assistindo uma imagem agridoce de dias passados, absorvendo a felicidade que uma vez foi minha.


Eu assisti enquanto meu eu mais jovem, muito mais humano, sentava-se sob uma bétula, pesado e grávido, inclinando-se para o abraço quente do Lorde das Trevas. O próprio Voldemort tinha um sorriso raro no rosto, segurando um livro na mão, mesmo com os braços em volta de mim. 


Ele estava lendo para mim naquele dia, um livro de contos de fadas dos quais ambos éramos privados quando crianças.Ocasionalmente, eu chegava e virava uma página para ele e ele passava um braço amoroso pela minha cintura. A grama ao nosso redor era alta, escondida da vista da casa em um prado cheio de flores silvestres e luz. De vez enquando uma fada voava para fora das ervas altas quando um gato ou uma cobra escorregava deixando um rastro de grama achatada.


Há muito que eu parei de chorar de tristeza por sonhos como esse, mas a perda ainda era pesada comigo, mesmo depois de cento e cinquenta e três anos de separação. Eu realmente nunca acreditei em amor verdadeiro, mas sabia sem sombra de dúvida que Voldemort estava tão perto disso quanto a hipótese de que eu chegaria a esta terra.


Meu único consolo foi saber que, por termos sido separados, ele estava vivo. Meu sacrifício havia garantido sua sobrevivência.


Eu tinha que lembrar desse fato no final do dia, mantê-lo escondido no meu coração. Eu tive que valorizar o conhecimento de que isso não foi tudo em vão. Caso contrário, eu ficaria louco. 


Uma presença por perto me tirou do meu sonho e permiti que a cena se torcesse e desaparecesse antes de abrir os olhos.


Joguei o capuz da minha capa por cima da cabeça apenas para irritá-lo. Meu cabelo longo, de um tom escuro meia-noite, estava preso em um rabo de cavalo baixo na minha nuca, mas ainda tão indomável como sempre. Mesmo amarrando-o com uma tira de couro, os fios sempre estavam escapando e causando estragos, ficando loucos e me deixando louco. 


A menos que enfiasse os fios no capuz de modo que cobria meu rosto por inteiro, o que não é o caso agora, os mesmo ficavam quietos, se não fizesse, eles iriam para onde queriam, não importando quantas vezes eu tentava conte-lo de maneiras diferentes. 


Sebastian agarrou uma mecha rebelde à toa em meu ombro, passando a escuridão suave e sedosa por sua mão pálida com alguma diversão.


- Que agradável sua chegada tão oportuna, meu pequeno corvo. Como sempre, meu coração se deleita em vê-lo.


Seu tom era quase zombador e eu assobiei com as falsidades, o sarcasmo perceptível.


- Estou aqui, fiz o que você pediu.


Pediu, humpf! Mais como mandou.


Ainda assim, a marca pulsante que se estendia pelas minhas costas deu um palpitar de prazer, me causando um arrepio e o demônio olhou-me satisfeito com o mesmo, como se estivesse apreciando um bom vinho.


- Então você veio. Talvez uma recompensa esteja em ordem...


Sebastian subitamente se aproximou e invadiu o meu espaço pessoal, deslizando uma mão para o meu quadril possessivamente.


- Talvez não.


Meu assobio era quase serpentino. Apesar do mesmo parecer perigoso, de seu lugar perto de mim, eu podia ver como o som o afetava, seus olhos vermelhos se contraíram de prazer.


Somente um demônio podia ver negação e rejeição como preliminares. Ele realmente deveria considerar fazer uma terapia. Muita e muita terapia.


Os lábios se inclinaram para perto, como se ele fosse me beijar, mas não o fez. Bom, eu odiaria ter quebrado o nariz dele em retribuição.


Não, pensando melhor, eu não odiaria.


- Você não pode continuar fugindo de mim para sempre, Harry. Você está sozinho aqui, meu corvo. Não há amigos, nem Lorde das Trevas para mantê-lo aquecido à noite. Só existe eu e o longo e solitário trecho da eternidade diante de você. Sou tudo o que você tem neste lugar.


Meus olhos esmeralda brilhavam com uma intenção perversa enquanto nós dois nos encaravamos.


Ele não estava errado. Eu sabia que ele não estava e eu o odiava por isso. Sebastian estava sozinho há eras antes que eu aparecesse, mas ele tinha uma única vantagem sobre mim que eu não podia me gabar. 


Ele nasceu um demônio.


Eles eram criaturas em grande parte solitárias, exceto por seus companheiros e filhos. Eu nasci humano, uma criatura social, se é que alguma vez existiu um eu social. Eu precisava de pessoas, companheiros. Até agora as lembranças de meus amigos e entes queridos, de Voldemort, me fizeram companhia, mas ele estava certo. Só as lembranças que eu tinha impediriam temporariamente minha necessidade de companhia, mas não para sempre.


Mas como diabos eu iria trocar o homem que amo por isso?


Parecia uma violação, uma traição. Ir ao demônio que me queria para o seu próprio conforto era como cuspir no rosto de Voldemort.


Ainda me lembrava da expressão de resignação em seu rosto...


Ele estava disposto a desistir de seus objetivos, seus sonhos, a fim de garantir o meu lugar na vida. Ele me deixou matá-lo para que eu pudesse manter meus entes queridos por perto. Submeter-se a Sebastian parecia a mais pura e tremenda traição.


- Eu vou me arriscar.


Foi a resposta sussurrada que eu dei a ele enquanto deslizava nas sombras, permitindo que elas se enrolassem ao meu redor. Passei por elas e fui deixado nas sombras pertencentes ao telhado, sacudindo aquelas palavras venenosas da minha cabeça.


Sebastian estava certo. O que eu estava pensando?




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