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História Academia de Vampiros - A saga - Capítulo 12


Escrita por: LirioAranhaRed

Notas do Autor


Bem vindos!

Tenham uma otima leitura.

Capítulo 12 - Não Tem Um Minuto de Paz!


Fanfic / Fanfiction Academia de Vampiros - A saga - Capítulo 12 - Não Tem Um Minuto de Paz!

Capitulo 12

Não tem um minuto de paz!




Ariel

- Drácula...? – Perguntei pasma.

- Sim. – Respondeu Doug. Demétrio voltou ao mundo como se fosse um vampiro de puro sangue, o que ele é já que praticamente renasceu. Mas se Demétrio não se alimentar de sangue humano, ele vai sofrer, seu corpo sentirá a dor seca nas veias e vai agoniar de dor. Seu corpo não aguentando mais, vai acabar adormecendo e se transformará em pedra, e ainda sentirá dor.

- Pedra... - Meus olhos arderam e encheram se de lágrimas. A lembrança de seu corpo frio e endurecido naquela montanha me veio a mente e ao meu coração. Eu estava me sentindo repartida novamente, eu não podia deixa-lo assim, não podia deixar meu amor se transformar em pedra novamente.

Num movimento automático, minhas pernas deram meia volta para fora daquele quarto.

- ARIEL! NEM PENSE – Gritou a diretora, mas eu a ignorei. Estiquei as mãos para a porta da saka onde eles estavam e a fechei com meu poder, os seguranças tentaram me alcançar, mas eu me tranquei no quarto de Demétrio.

Enquanto as batidas ecoavam na porta, e as palmas das mãos de Tathiana faziam ‘splash’ no vidro do outro lado da sala, eu me aproximei lentamente de Demétrio.

Ele me encarou, fulminante e vermelho, suas presas me ameaçaram mas eu não temia, certo, talvez eu temia um pouco mas é o Demétrio, e eu estava disposta a fazer qualquer coisa por ele.

Eu me sentei na ponta da cama, ainda chorando.

- Me desculpe. – Sussurrei. Eu me aproximei lentamente dele. – Vou fazer essa dor parar. Você precisa tomar uma pouco do meu sangue, e vai ficar bem.

Demétrio continuou me fuzilando com aquele olhar, e eu ia me aproximando cada vez mais, chegando na cama,  até que sua mão direita se soltou das correntes que lhe prendiam, Demétrio me segurou e me lançou para o canto da parede.

“Ele está me evitando...”

Demétrio está resistindo a mim, até mesmo quando seu corpo queima de dor.

- Você resistir a mim nesse estado, só me faz querer ainda mais te salvar. – Sussurrei. Eu corri pra cima dele o abraçando. - Oh meu amor, está tudo bem. Vai ficar tudo bem.

Eu o abracei com toda a força que tinha. Ele estava totalmente descontrolado, batia a cabeça na parede em resistência. Notei que os barulhos lhe perturbava, me virei fazendo sinal de silêncio para Tathiana que me observava através do vidro. Eles pararam de fazer barulho e Demétrio pareceu se acalmar mas ele ainda continuou a tentar me afastar.

- Sai...daqui! – Disse ele lentamente.

Toquei em seu rosto, ainda mais comovida e emocionada por ouvir sua voz.

 - Não pode me afastar. Eu comecei isso e vou terminar. – Pude notar o olhar de protesto daqueles olhos vermelhos de Demétrio. - Você esta duvidando de que eu sou forte, Demétrio?  Não ouse me desafiar, eu o trouxe da morte, eu fiz isso! – Enquanto ele tentava resistir, eu peguei a faca em meu sinto e elevei para cima. – Depois disso você não vai poder fazer mais nada além de aceitar.

Então eu lancei meu cabelo para trás e fiz um corte fino em meu pescoço, qual escorreu um pouco de sangue.

Demétrio se soltou totalmente das correntes, e me prensou na parede, parecia tentar o máximo resistir, mas eu toquei em sua boca com os meus dedos molhados com o sangue de meu pescoço. Demétrio lambeu o sangue de seus lábios e pude notar seu rendimento vir aos poucos.

- Eu não vou conseguir parar. – Disse. Seus olhos derramaram lagrimas de sangue, e aquilo me doeu ainda mais. Demétrio estava sofrendo tanto, lutando para ficar forte consigo mesmo. Eu inclinei meu pescoço para o lado.

- Eu sei que vai. – Falei. – E tudo bem se não conseguir. Eu morreria por você, Demétrio.

Eu o abracei novamente, até que senti suas presas afiadas cravarem no meu pescoço.

Era doloroso.

Não tinha nada haver com os meus estudos sobre os Morois. Um humano quando mordido por um vampiro Moroi sente prazer e excitação.

Mas tudo que eu senti de Demétrio, foi dor.

Eu podia sentir ele sugando meu sangue aos desesperos, era uma onde de resistência e rendição. No entanto, eu estava disposta a sentir isso por ele. Para salva-lo.

***

Meus olhos se abriram encontrando uma luz forte e branca, sentia meu corpo cansado e pesado. Eu mal me lembrava de ter dormido, porém eu me lembrei dele.

- Demétrio. – Sussurrei preocupada.

- Xii. Descanse. – Eu ouvi a voz de Kenzi, o que fez olhar para o lado aonde ela estava sentada em uma poltrona e Lise em pé ao seu lado. Notei que eu estava em uma maca.

- Kenzi, onde ele está? Demétrio, ele está bem? – Perguntei.

- Deveria descansar, ruiva. – Disse Lise.

Tentei me sentar.

- Não se movimente muito, garota rebelde. – Olhei para a porta daquela sala branca, vendo a diretora Tathiana. – Se não percebeu, você teve que receber uma transfusão de sangue. Quase morreu... - Ela apontou para a bolsa de sangue. - Mas você o salvou. – Minha atenção voltou a mulher, quando ela pronunciou tais palavras. – Demétrio está bem...

- Demétrio... ele está bem?! – Meus olhos se encheram de lagrimas, sentindo meu peito arder em alivio e felicidade.

- Na medida do possível, ele está bem. – Continuo a Diretora.

- Como assim, na medida do possível? – E a preocupação voltou.

- Senhorita Tathiana, não deveria assustar alguém no leito assim. – Nell surgiu atrás da diretora.

- Nell. Você ainda está aqui. – Eu a olhei sorrindo. Era importante, eu havia descoberto que Nell é a minha irmã, ela e Jean, então eu me senti aliviada de vê-la. – Você ficou...

- É claro que eu fiquei. – Disse ela. – Eu não poderia deixar a minha irmã nessa situação.

- O que houve... antes de eu perder a consciência?

- Demétrio bebeu o seu sangue. – Disse a Diretora. – As portas que estavam fechadas com o seu poder, se abriram. Foi quando eu percebi que ele estava bebendo sangue demais e você já havia perdido a consciência, ai nós interferimos. Mas nem foi preciso muito, Demétrio nunca se demonstrou tão controlado como quando te carregou no colo depois de beber seu sangue.

- Ele me trouxe pra cá? – Perguntei.

- Não. Demétrio passou você para um dos guardas da diretora, e se sentou na cama. Ele está calmo e seus olhos não estão mais vermelhos vibrantes como antes, voltaram ao castanho escuros. – Disse Lize.

- Mariana está fazendo um feitiço para que Demétrio possa andar durante o dia sem que o sol o queime. – Disse Kenzi.

- Eu posso vê-lo? – Olhei para a diretora na esperança.

- Ariel,  deve esperar até que Demétrio tenha superado o desejo por sangue. – Disse a Diretora. – É claro que ele não vai superar, até porque ele é um vampiro. Mas ele provou o seu sangue e pode se descontrolar, ele ainda não está preparado para uma caminhada em meio aos humanos, mas logo estará pronto para voltar ao seu posto dentro da academia. E você deve descansar por agora.

- Eu preciso de férias. – Murmurei aliviada.

- Talvez depois que as aulas terminarem. – Disse a diretora. – Quero as duas frequentando as aulas a partir de amanhã, ouviu Ariel e senhorita Mackenzie?

“Onde está a diretora acolhedora de alguns segundos atrás ?”

- Ok... – Assenti desanimada. E a diretora se retirou.

- Eu vou voltar para casa. – Disse Nell.

- Agora não, eu quero saber mais. – Falei.

- Mais sobre o que? – Perguntou Nell.

- Sobre você, é claro. Alias eu nem te apresentei. – Falei.

- A gente já sabe sobre ela Ariel. – Disse Kenzi.

- É. Você dormiu bastante. – Comentou Lise.

Nell sentou ao meu lado na cama.

- Vou lhes contar mais sobre mim e meu irmão. – Disse ela. – Nós vivemos sempre juntos depois que nosso pai morreu, apesar de sermos cuidado por Fênix, a bruxa de quem falei. Nós aprendemos muito com ela, ate alcançarmos uma certa idade e irmos morar sozinhos naquela casa, depois Jean conheceu Linda, sua esposa e tiveram uma menina e um menino.

- Nosso pai era um bruxo poderoso? – Perguntei. Ela me olhou com estranheza.

- Nosso pai não era bruxo, Ariel. – Disse ela. – Somos Aswang.

- As – O que? – Perguntei confusa.

- Aswang são seres da noite, meio bruxos, ao contrario de um bruxo eles não precisam invocar um feitiço através de fala como os bruxos comuns, podem invocar diretamente com a mente... – Disse Lise. – Só existe mais uma coisa que os diferencia dos bruxos.

- O que é? – Perguntei.

- Nos alimentamos de falecidos. – Disse Nell. Eu olhei para ela enojada, sem saber o que dizer.

- Vocês se alimenta de defuntos? Tipo zumbis?

- Não fala defunto, eu prefiro falecidos! E Ariel, zumbis não tem raciocínio próprio, e nem podem comer comida. – Disse Nell. – Nós podemos comer comida normal, mas não nos faz muita diferença por nossa fonte de alimento ser um falecido.

A lembrança de Jean carregando um saco preto vem em minha mente.

- Quer dizer que aquilo que Jean carregava era um di – um falecido?...

- Exatamente. – Afirmou Nell.

- Isso é nojento. – Falei.

- Ei! Pelo menos não nos alimentamos de pessoas vivas e nem matamos para termos comida. – Retrucou Nell.

- É, foi mal... - Falei. – Mas continua sendo nojento.

- Você é horrível, Ariel. – Disse Nell rindo. – Alias, você é metade Aswang também.

- É, mas não me alimento de gente morta... alias porque?

- Acho que por Lilian, sua mãe não ser um Aswang, ao contrario da nossa que é. – Disse Nell.

- Faz sentido. – Falei. Me estiquei preguiçosa na cama. – Meninas, se não se importam eu vou dormir mais um pouco. Tenho que aproveitar antes que tudo volte a ser uma perturbação.

Elas riram.

- Descansa, Ariel. – Disse Kenzi.

- Eu amo vocês, minhas putas. – Falei.

- Também te amamos. – Disse Kenzi.

- Alias, vocês podem dar um recado para o Wesley. Diga a ele que eu vou detona-lo no próximo treino.

Kenzi e Lise ficaram me encarando de modo tenso.

- Quem é Wesley? – Pergunto Nell.

- Eu o conheci quando cheguei aqui. Você precisa conhece-lo, Nell. O Wesley tem o jeito meio bobo mas é um amor. – Falei.

- Ah... Ari. – Kenzi se aproximou. Senti aquele sentimento de tensão vindo dela novamente.

- Gente, o que foi? – Perguntei.

- Ariel, o Wesley faleceu, após a luta. – Disse Lise.

- O que ?

- Depois que você correu para a montanha, Wesley foi atacado por um strigoi. – Disse Kenzi. – Recebemos essa informação após o seu desaparecimento.

- Não... não pode ser. – Sussurrei aflita. Meu peito doeu em saber que perdi um amigo.

- O funeral aconteceu antes de você voltar. – Disse Lise.

- E por que não me falaram antes? – Perguntei aflita.

- Estava acontecendo tanta coisa, que nem sequer deu tempo. – Disse Kenzi.

- Mais uma morte por conta de Edigar... O que estou fazendo parada aqui? – Murmurei com raiva.

A raiva era tanta que eu senti minha própria cama estremecer.

- Ariel, precisa se acalmar. – Kenzi colocou suas mãos levemente sobre o meu ombro.  Eu me senti aflita lembrando daquele sorriso bobo quando o encontrei pela primeira vez. Desde a vez que Wesley me ajudou a encontrar a sala da diretora, nos tornamos amigos.

Eu olhei pra ela, me recompondo.

- Preciso dormir um pouco. – Falei.

- Eu posso ficar aqui se quiser. – Disse Kenzi.

- Eu quero ficar sozinha. – Falei.

Elas assentiram, saindo.

Eu pensei tanto em Edigar que no fim acabei dormindo e quando acordei, estava anoitecendo novamente. Me sentei na cama e notei que eu já não recebia mais a transfusão de sangue. Escutei minha barriga roncar e senti meu corpo pesado.

- Droga, estou molenga! – Murmurei tentando me levantar. - Mas não me importa, eu só quero vê-lo.

De repente senti um par de mãos tocar os meus ombros. Eu olhei para trás lentamente, vendo o homem de sobretudo me olhando com aqueles olhos castanhos, pouco iluminado pela luz laranja do sol.

- Demétrio. – Sussurrei.

- Xii. Tem guardas na sua porta. – Disse ele se recostando sobre um canto da parede.

- O sol. – Falei. Alias estava entrando pela janela. Mas ele me mostrou um anel de pedra quadrada e cinza escura.

- Mariana lançou um feitiço no anel. Enquanto eu estiver com ele, sol nenhum vai me ferir. – Disse ele.

- Que bom. - Sorri aliviada. Eu estava maravilhada de vê-lo. Não havia mais aquele olhar de sofrimento e de dor. Era apenas o Demétrio ali, me olhando com seus olhos castanhos e seu sorriso suave e discreto. Cheguei a pensar que ele não existia, pois era único demais. Eu não poderia suportar um mundo onde o único homem singular em minha vida, não existisse. Senti as lagrimas acumularem em meus olhos, e eu desviei.

- Ariel. – Senti sua voz preocupada.

- Me desculpa. Eu não sabia que ele iria te matar, muito menos pensei que te trazer de volta a vida, te daria tanto sofrimento. – Eu abaixei minha cabeça, tentando esconder o choro.

- Ariel, me trazer de volta a vida, foi a melhor coisa que já me fez. – Disse ele. Seus lábios continha um sorriso tão suave.

- Você estava claramente sofrendo. – Falei. – Como poderia ter sido a melhor coisa.

- Não estou mais. E sim, eu estou ansioso para que eu possa tocar seus lábios sem desejar cravar meus dentes em sua pele. – Disse ele. Me fazendo rir.

- Então, você anda quebrando as regras, agora? – Perguntei.

- Você estava indo primeiro. – Disse ele. Demétrio alargou seu sorriso por um momento breve, porém logo o suavizou. – Mas eu precisava te ver. Me disseram que estava bem, mas eu precisava ver com meus próprios olhos.

“Ah, esse homem realmente não existe.”

Dei algumas palminhas na cama.

- Sente aqui. – Falei. Ele me olhou com receio. – Vem.

Demétrio caminhou lentamente, se sentando na ponta da cama. Eu peguei em sua mão fria.

- Acho que não é a mesma coisa de quando eu estava totalmente vivo. – Disse ele. Segurei firme em sua mão, me aproximando.

- Não se aproxime, por favor. Eu não quero te machucar. – Disse ele.

Mas eu continuei, lentamente. Até que reclinei minha cabeça sobre seu peito.

- Estou feliz por estar aqui. – Falei.

- Eu também. – Disse ele.

***

Já havia se passado três dias em que eu voltei as aulas, eu não via Demétrio desde então. Ele havia mudado para o quarto no topo do castelo, e eu estava proibida de vê-lo. Bocejei de sono, saindo da aula de treinamento de feitiços com Mariana, quando encontrei Kenzi e Lize no corredor. Ambas estavam com roupas esportivas.

- E ai, você vem? – Perguntou Kenzi empolgada. Ela parecia elétrica enquanto saltava levemente com um tênis esportivo. Seu rabo de cavalo castanhos, preso por um laço azul, balançava conforme o corpo de Kenzi se movia. – Lize já cansou.

- Nós demos vinte e uma voltas ao redor desse castelo, já está bom. – Disse Lize.

- Eu estou fora. – Falei.

- Duas fracotes. – Disse Kenzi.

- Você está empolgada. – Encarei ela com um olhar malicioso. – A noite foi boa entre vocês?

- Gozamos sete vezes. – Disse Kenzi.

- E juntas. – Completou Lise. Me fazendo rir desconfortável. – Espera! Ariel, você nunca...?

Eu olhei pra ela assustada e desviei o olhar, me sentindo constrangida.

- Nunca o que? -   Perguntei fingindo não entender.

- Sexo. Nunca fez sexo?! – Perguntou Lise!

- O que? Claro que já! – Exclamei. Claro que era mentira, o único pau que eu havia visto era de um velho com Alzheimer que morava na rua da minha antiga casa, eu estava brincando no quintal e lembro de Gina, sua filha correr atrás de seu pai gritando que ele deveria voltar para o banho, e eu só tinha cinco anos, aquilo foi assustador. – Eu já fiz muito sexo.

Dei um sorriso forçado.

Lise olhou para os meus olhos, com desconfiança. Em seguida ela olhou para Kenzi que estava tendo um ataque de riso e estava vermelha. Provavelmente Kenzi estava sentindo meu constrangimento aumentar.

- Mackenzie! – Olhei pra ela em protesto.

- Me- Me desculpas. – Continuou a rir. – Eu não consegui esconder.

Virei os olhos ainda me sentindo envergonhada.

- Droga, você vai ficar fodida. Com a força que Demétrio tem agora, ele vai te arrebentar, é melhor alerta-lo que a sua flor ai embaixo nunca foi cheirada. – Lise riu.

- Vocês não tem que se exercitar, vão correr. – Falei, desviando do assunto.

 – Eu cansei. Preciso de um banho, te vejo depois, benzinho. – Lise deu um beijo em Kenzi e se foi.

- Benzinho. – Ri.

- Para! Você só está com inveja. Queria que Demétrio lhe chamasse assim também. – Disse ela rindo.

Me recostei na parede atrás observando os alunos irem e virem de corredores.

 - Até que queria mesmo. – Murmurei desanimada.

- Ainda não pode vê-lo? – Perguntou. Acenei negativo.

- Eu tentei. Mas tem muitos guardas. – Respondi.

- Fique tranquila. Assim você tem mais tempo para preparar sua flor. – Disse Ela rindo ainda mais. Olhei para a mesma com surpresa.

- Você anda muito ousada. Vem cá, não era pra você ser a certinha e eu a rebelde?!

- Sim, mas você é a virgem aqui. – Disse ela.

Nós rimos mais.

Por um momento entre os risos aquela tristeza retornou novamente. Assim como ela as vezes me visitava durante as aulas e intervalos. Durantes as refeições e treinamentos, desde que eu soube. Os cartazes e memoriais do único aluno que morreu durante a guerra, estavam espalhados pela escola inteira.

- Essa seria uma das horas em que Wesley surgiria do nada, fazendo algum comentário bobo e iniciaria alguma fofoca. – Falei.

- É... – Concordou Kenzi.

Alguns segundos de silêncio e tristeza reinaram.

- Você não vai correr? – Perguntei. Mudando de assusto.

- Desisti. – Disse ela. – Vem Ariel. Lise e eu vamos ter um encontro romântico hoje. Me ajuda escolher um look.

Kenzi me arrastou para o seu quarto, e ficamos lá por um bom tempo até ela decidir a roupa, após isso ela começou a se arrumar. Eu assistia Kenzi se arrumar no espelho com um belo vestido azul, ela ondulou as pontas de suas mechas castanhas e amarrou seu laço azul em uma mexa trançada de seu cabelo. Kenzi passou um leve gloss nos lábios. Eu podia sentir sua alegria passar por meu corpo.

- Abaixa o fogo, gatinha. – Falei. Kenzi riu.

- Está na hora. Bye. – Disse caminhando em direção a porta de saída.

- Ei. – Segurei seu braço. – Eu vou te acompanhar.

- Não precisa. Por que não vai ver Demétrio? – Perguntou ela.

- Os guardas estão cercando a passagem. – Respondi. – Está escuro, eu vou te acompanhar.

- Ariel. Eu sou uma vampira. Enxergo no escuro. – Disse ela. Kenzi me deu um beijo na testa. – Relaxa ai, está vindo de encontro.

Kenzi saiu, fechando a porta atrás de si, me deixando lá.

- Ela está mesmo ousada. – Murmurei.

Eu sai do quarto de Kenzi e subi a torre, ficando na sacada do castelo o lugar onde abri a caixinha com as coisas de minha mãe. Coloquei minha arma de lado e me deitei sobre o chão, observando o céu azul coberto por estrelas e uma lua cheia e exuberante. Peguei uma foto de minha mãe do meu bolso, observando suas lindas mechas ruivas. Eu notei o quanto eu era parecida com Lilian, minha mãe.

- As coisas tem andando tão complicadas, mãe. – Sussurrei. Eu fechei meus olhos repousando a foto sobre meu peito e meu corpo pesou.

- Ariel, me ajuda!

Num súbito, abri os olhos ouvindo uma voz feminina que me soava familiar. O céu estava quase claro.

- Quanto tempo eu dormi? – Me perguntei. Parei pensativa quanto a voz que havia ouvido.

“Quem poderia ser?” Eu me perguntava de onde havia vindo aquela voz. Apesar de que o sentimento familiar de reconhecer tal voz, gritava no meu coração.

- Mãe... – Sussurrei.

De repente, eu não via mais o céu ficando claro com o sol nascente, minha visão estava turva e tudo que eu via era uma torre de sinal, com um ponto de luz vermelho no topo, pela janela de um carro em movimento. Notei que o sol estava nascendo atrás de algumas montanhas rochosas de areia.

Era minha Kenzi visão que durou por menos de 15 segundos.

Voltei a ver o céu da sacada e me levantei rapidamente.

- Kenzi!. – Eu sentia a preocupação de minha parte e o desespero da parte de Kenzi.

Eu sentia que algo estava errada, só não havia notado que eu dormi demais. Peguei minha arma e sai correndo pelos corredores, diretamente para o quarto de Lise.

Estava vazio.

Então corri para o outro prédio onde ficava o escritório da diretora. Eu sabia que ela estaria lá tomando uma taça de sangue, e precisava alerta-la.

Quando cheguei já abrindo a porta, lá estava Mariana, Lise estava chorando enquanto a diretora andava de um lado para o outro.

- Onde está Kenzi? – Perguntei.

- Eu não sei. – Respondeu Lise. – Nós estávamos andando em direção ao meu quarto, mas do nada eu apaguei e acordei no campos.

- Não deveria estar com ela, Ariel!? – Perguntou a diretora, nervosa.

- E assistir a um pornô lésbico? – Respondi ainda mais nervosa. – Enfim, eu—

Antes que eu pudesse falar, a minha Kenzi visão ativou novamente. Kenzi estava rodeada por grades enferrujadas. Eu sentia uma estranha sensação de desespero vindo de Kenzi. Desespero e pânico.

- Kenzi. O que está havendo?! – Perguntei mesmo que ela não pudesse me ouvir.

Ouvi a voz da diretora me chamar, mas eu continuei focada em minha visão. Até que Kenzi olhou para baixo e pude ver que suas mãos estavam amarradas nos braços da cadeira onde ela estava sentada.

Repentinamente o som de passos pesados começou a ecoar naquele ambiente, se aproximando lentamente.

 A porta de grade rangeu ao ser aberta.

- Então, mocinha. - Uma voz claramente masculina -  Eu gostaria de algumas informações suas.

O rosto de um homem de chapéu e bigode, vestido como aqueles valentões do faroeste, sorriu olhando bem nos olhos de Kenzi.

Ele caminhou até um canto da sala onde havia uma janela quadrada coberta por uma tampa cinza, o homem pegou numa alavanca aonde levantaria a tampa daquela janela, permitindo que a luz adentre o ambiente.

Ele a levantou um pouco, fazendo com que Kenzi se desesperasse ainda mais.

- Essa não, o sol! – Falei. Senti o desespero de Kenzi se misturar com o meu ainda mais. Kenzi não estava com feitiço de proteção ao sol.

- Não, por favor! – Clamou Kenzi. Porém o homem a encarou em silêncio, parecendo pensativo.

- Me diga, garota. – Disse ele. – Eu sei que ela está lá. Aonde vocês a aprisionaram?!

- Eu não sei de quem você está falando! – Respondeu Kenzi. – Nem sei quem você é.

Ele a encarou furioso.

- Estou falando da minha filha!

- Por favor! Eu não faço ideia!

O homem puxou a alavanca lentamente e pude ver o sol adentrar aquela janela, e queimar as pernas e mãos de Kenzi, lentamente.

- NÃO! Socorro! – Gritou.

E a minha Kenzi-visão, apagou-se. Sobrando somente o pânico, o medo, desespero e angustia dentro de mim. Esses sentimentos eram tanto os meus quanto os de Mackenzie.

- Ariel o que viu? – Perguntou a diretora.

- Kenzi. Ela foi sequestrada.


Notas Finais


Até o próximo!


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