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História ACADEMIA SHIELD: Renegados - Capítulo 56


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Notas do Autor


Algumas explicações sobre a New Hydra e Jemma tem uma surpresa...

Capítulo 56 - Despertar


- John Garrett inscreveu Daniels na Reciclagem, alegando que seu pupilo estava traumatizado.

- Aparentemente, durante uma missão com outros dois agentes, as coisas não saíram conforme o planejado. Seus companheiros foram mortos e ele acabou ferido.

- Mas, na verdade, foi ele mesmo quem sabotou a missão. E feriu a si mesmo. Tudo isso para fundamentar sua entrada na Reciclagem. Ele confessou quando passou pelo polígrafo.

Jemma se lembrava vagamente de Daniels dizendo, durante um treinamento, que ainda estava se recuperando de um ferimento no joelho. Ela chegou a ver a contusão. 

- Utilizando como justificativa o trágico ocorrido, Daniels fingiu insegurança em participar de outras missões e se disse traumatizado pela perda dos outros dois agentes.

- Agentes que ele mesmo alvejou. Os tiros foram fatais. 

- Aquele hipócrita canalha. Quando Garrett o enviou para a Reciclagem, eu já sabia que tinha que manter o olho bem aberto com ele, pois já o conhecia… Já tinha um passado com Daniels. Sabia que ele poderia aprontar.

Na sala de espera, as vozes de Bobbi, Natasha e Alistair se alternavam a fim de narrar para Simmons os eventos envolvendo Will. Toda aquela torrente de informações atordoou Jemma. Mais tarde, no entanto, quando ela estivesse com a cabeça mais fresca e refletisse sobre as palavras ditas ali, sabia que tudo faria sentido.

- Depois, Joey acabou revelando a Fitz sobre a noite da festa, quando ele envenenou um copo com ponche na tentativa de sequestrar uma inumana e usá-la como trunfo.

O olhar da bioquímica repousou sobre a amiga, Daisy, que não muito longe dali procurava consolar a mãe de Fitz, que se encontrava próxima à cama do filho; uma das mãos da inumana repousava no ombro de Lynda, em um gesto de amparo.

- Joey também falou sobre o antigo quarto utilizado por Rogers... Fitz compreendeu se tratar do esconderijo de Daniels. Fazendo uma pequena busca pelo local, ele encontrou o material utilizado para pichar as mensagens racistas nos muros da Academia.

- E quando Will passou pelo polígrafo, acabou revelando sobre as pichações nos muros, a tentativa de envenenamento...

- Eu já estava sabendo disso... – informou Jemma com uma voz fraca, lembrando-se do que Deke havia lhe dito.

- Pois é. Ele apenas conseguiu omitir a participação de John Garrett.

- Eu tinha certeza de que a intenção de Daniels ao ingressar na Reciclagem era recrutar novos membros para Hydra. Eles são covardes, não são capazes de agir sozinhos, apenas em bando. E o grupo que ele abordou era bem propício a servir a uma organização nefasta. Especialmente Grant Ward, que já mostrava há muito tempo seu descontentamento em obedecer às ordens vigentes da SHIELD. O que eu não imaginava é que Garrett estivesse por trás disso tudo. Enviando seu discípulo para reviver a Hydra.

- Queríamos muito acreditar que Garrett, rígido como era em seu treinamento, havia colocado Daniels nos trilhos. Ou, na pior das hipóteses, que houvesse sido enganado por ele... Mas não. – Natasha sacudiu a cabeça, decepcionada – Nós é que fomos ludibriados durante todos esses anos. Em algum momento, Garrett foi seduzido pela ideologia da HYDRA e seus propósitos sórdidos de dominação mundial.

- Os pressionamos contra a parede... Ward, Will, Kara e Ophelia. Eles entregaram o nome de John Garrett. Usamos Will para atraí-lo para uma emboscada. Agora, preso, ele terá de se entender com Coulson e Fury – completou Bobbi.

- Eu só me arrependo de ter facilitado para Ophelia – Alistair suspirou – A promovi como líder, dei acessos a ela como parte de um plano que eu julgava perfeito. Sabia que ela ia utilizar suas informações e acessos privilegiados para auxiliar o grupo. Sabia que ela estava envolvida. Mas era uma iniciante... No momento em que ela deixou minha sala, ordenei que a seguissem a fim de descobrir qual seria seu próximo passo. Ela lançou mão de seus acessos para deixar que Will, Kara e Ward retornassem. Foi tão previsível irem até o Ônibus. Eu só não esperava que Jemma e meu filho estivessem lá no instante em que eles ousassem sequestrar o avião. 

Alistair parecia mais calmo, embora não conformado com a situação de seu filho. Jemma arrependeu-se, naquele momento, de ter pensado mal do sogro. Enquanto estavam sob a mira das armas de Ward e Daniels e, posteriormente, no fundo do oceano, chegou a passar por sua cabeça a ideia de que Alistair poderia estar envolvido naquilo tudo... Que era ele o mandante. Que ele seria capaz de fazer algo como aquilo contra o próprio filho. No entanto, o tempo todo, ele esteve do lado de Fitz. Estava apenas disfarçando seus sentimentos a fim de executar seu plano com perfeição. No entanto, seu esquema foi frustrado por uma imprevisibilidade...

De braços cruzados em frente ao corpo, sentindo-se pequenina e frágil, Jemma ouviu atentamente cada palavra proferida por Alistair, Barbara e Natasha a fim de elucidar os fatos para ela. Ela compreendia as intenções dos agentes, mas achou cruel que os três houvessem mantido ela, Fitz e os outros no escuro, a mercê da Nova Hydra. No entanto, não queria se aprofundar em uma discussão naquele momento. Estava preocupada demais com Fitz. De modo que optou por falar apenas o necessário.

- Eu entendo que, quanto menos pessoas soubessem do plano, melhor seria para vocês o executarem. Que seria melhor que Will e os outros que ele atraiu para sua causa pensassem que todos ao redor estavam totalmente alienados quanto à real intenção por trás de seu ingresso na Reciclagem. Eu entendo. Mas não concordo com seus métodos…

- Jemma… – Bobbi tentou, mas foi imediatamente interrompida pela bioquímica.

- Will representou um perigo para todos nós. Eu fui das que mais esteve em contato com ele. Quase fui envenenada por ele… E graças a Will e aos demais integrantes da nova geração da Hydra, Fitz está em coma agora e… Não sei quando ou se um dia ele irá acordar – sua voz ficou embargada de repente, mas ela queria ser objetiva e finalizar seu raciocínio – portanto, eu não vou me privar de criticar abertamente a postura de vocês. Sinto muito, superintendente Fitz – disse, dirigindo-se a Alistair que a encarava mudo e inerte – mas, na minha opinião, vocês agiram errado.

Com aquela conclusão, ela deu as costas ao trio e encaminhou-se novamente para perto da cama de Fitz, onde encontravam-se Lynda e Daisy.

- Ela está revoltada e perturbada diante da situação – exclamou Natasha – é compreensível.

- Não, Nat… Ela está certa. Não deveríamos ter agido na surdina durante todo esse tempo. Deveríamos ter comunicado a ela e aos outros nossas suspeitas acerca de Daniels antes que ele agisse.

- É por isso que você estava infiltrada no grupo, Barbara. Para protegê-los – interveio Alistair.

- Eu sei. Mas não podia estar em todos os lugares ao mesmo tempo. E cada vez que Daniels agia, eu me sentia um pouco culpada por não ser onipresente – tornou com uma pontada de ironia.

Alistair suspirou, resignado. 

- Eu achava que… Sustentando a farsa, seria mais fácil pegá-lo em flagrante. Não medi a extensão das consequências… Esse é o meu castigo – ponderou o superintendente olhando em direção à cama onde o filho jazia exangue.

Nat tocou seu ombro, em sinal de alento.

- Se culpar agora não vai te levar a nada. O senhor reconhece o seu erro e isso é ótimo. Agora, o melhor que faz é… Ter fé. 

Fé. Era tudo que havia lhe restado.

*

- Oi. Creio que ainda não fomos apresentados… Eu sou Deke – o primo de Fitz se apresentou para Hunter, enfim conhecendo o melhor amigo do engenheiro pessoalmente – meu primo falava o tempo todo de você… Isto é, quando não estava falando de Jemma.

Hunter, que permanecia de braços cruzados diante da parede de vidro que separava o quarto da antessala, observando seu amigo dormir por tempo indefinido sobre o leito de hospital, virou-se surpreso ao ouvir a voz de Deke. Estava tão compenetrado e aflito pelo seu amigo que havia bloqueado os sons ao redor e se desligado do restante do universo. Só se atentou para o rapaz ao seu lado quando este tocou levemente seu braço.

O falante primo de Fitz portava um sorriso melancólico, tristonho. Estava tão angustiado e ansioso acerca do estado de Leopold quanto ele. Provavelmente, delineando cenários indesejáveis em sua mente – como seria se Fitz não acordasse... Ambos tentavam espantar para longe pensamentos como esse de suas cabeças, mas eles eram inevitáveis.

- Oi – disse, enfim, respondendo a saudação de Deke e estendendo a mão para cumprimentá-lo – Fitz me falou sobre você também. Que maneira de se conhecer, não? – eles trocaram um firme aperto de mãos.

- Jamais imaginei que seria em uma situação dessas – tornou Deke, desviando o olhar e fitando novamente seu primo.

*

Daisy se aproximou de sua amiga, já antecipando que não seria fácil persuadi-la a abandonar temporariamente seu posto e sua missão pessoal de velar o sono de Fitz na esperança de que ele acordasse a qualquer momento.

- Jemma, você está pálida feito cera – comentou. A bioquímica não se importou com aquela observação. Sua amiga estava provavelmente certa, pois parecia fazer séculos que ela não via seu próprio reflexo no espelho, mas não poderia estar menos preocupada com isso.

A inumana suspirou e tentou argumentar novamente.

- Você está sem comer há horas…

- Não estou com fome – ela respondeu, taxativa.

Foi a vez da mãe de Fitz se aproximar.

- Jemma, você precisa se alimentar – disse, com uma voz suave. Simmons tornou o rosto na direção de sua sogra, encontrando angústia em seu olhar, mas um sorriso doce e compreensivo nos lábios.

A bioquímica suspirou, já sentindo lágrimas se acumularem em suas pálpebras.

- Eu não posso sair daqui… Eu preciso estar aqui quando ele acordar… Ele pode ficar confuso… – as palavras saíram atropeladas.

- Eu tenho certeza que Leopold só irá acordar quando você estiver por perto.

Diante da convicção e da doçura contidas na voz de sua sogra, Jemma se viu sem palavras, mas profundamente tocada e enternecida.

- E para se manter de pé, uma vez que você também não quer dormir, precisa comer alguma coisa – completou Daisy.

Jemma suspirou, ponderando as considerações de sua sogra e melhor amiga. Mas terminou por assentir, permitindo que Daisy a guiasse para fora do leito de Fitz, a fim de rumarem para o refeitório do centro médico.

*

As horas passavam lenta e dolorosamente. 

Dia após dia, Jemma permanecia sentada na cadeira ao lado da cama de Fitz esperando que ele acordasse. Às vezes, deixava o quarto, convencida por Daisy, de modo a se alimentar. A mãe de Fitz se encarregava de fazer companhia ao filho nas horas em que Jemma se via obrigada a se ausentar para não morrer por inanição, como observou Daisy, em uma de suas tentativas de afastar a amiga do quarto para respirar ar puro, tomar um pouco de sol e, logicamente, comer alguma coisa.

Deke, Hunter e Bobbi compareciam regularmente ao centro médico para verificar o estado de saúde de Fitz e também se certificar se estava tudo bem com Jemma e Lynda. A bioquímica, às vezes, se afastava com a desculpa que iria ao banheiro para que pudesse irromper em prantos longe de sua sogra. Não queria preocupá-la e nem aos demais. Passava pela sua cabeça a possibilidade de Fitz nunca mais despertar do coma e esse pensamento resultava em seus rompantes emocionais.

Alistair vinha todos os dias. Permanecia próximo à cabeceira do filho por longos minutos, calado, imerso em um silêncio reflexivo. Vez ou outra, tocava a cabeça de Leopold e ia embora sem trocar nem meia dúzia de palavras com Lynda e Jemma. Certas vezes, puxava a doutora para o lado a fim de fazer algumas perguntas sobre o estado de seu filho. Jemma, no entanto, poderia jurar que, durante seus longos silêncios ao lado de Fitz, ela era até mesmo capaz de ler em seu rosto os incontáveis pedidos de perdão de Alistair.

Após nove dias, os nove dias mais longos de sua vida, Jemma despertou de um rápido cochilo causado pelo cansaço físico, mental e emocional decorrente de toda aquela situação; verificou a hora em seu relógio de pulso (que registrava três e quarenta e cinco da madrugada); fez uma careta de dor ao sentir os músculos rígidos e o pescoço e a coluna travadas devido à má postura; olhou ao redor, ainda um tanto desorientada, procurando se situar. Espiou a mãe de Fitz que dormia em uma cadeira relativamente próxima à sua. Então, seu olhar repousou em seu namorado. Tudo aconteceu muito rápido. De repente, os olhos do engenheiro se abriram e Jemma levou a mão ao peito, sentindo o coração acelerar. Tantas vezes, ao pegar no sono nos últimos nove dias ao lado da cama de Fitz, sonhou que ele despertava do coma. E agora, lá estava ele, realmente acordado. Ela mal conseguia acreditar que não se tratava de um sonho.

Esperou um instante. O observou piscar, fitando o teto. Quando teve a certeza de que ele estava mesmo desperto, o chamou em um sussurro cauteloso.

- Fitz…? - disse fracamente, com um sorriso contido curvando seus lábios. Um sorriso inevitável. Uma onda de alívio tomou seu corpo por inteiro.

O engenheiro tornou os olhos na direção de Jemma.

- Bem vindo de volta! –  falou, sentindo o peito se encher de alegria e regozijo ao vê-lo interagir, ainda que modestamente.

Ele a fitou de modo penetrante por um momento, então abriu os lábios. Jemma esperou pelas palavras que não vieram. Confusa, ela o observou abrir e fechar a boca várias vezes, como se quisesse falar, mas não conseguisse… Suas cordas vocais pareciam incapazes de produzir algum som. De repente, ele foi ficando frustrado por não conseguir se expressar verbalmente, seu rosto assumiu um tom de vermelho vívido, tomado pela angústia e agonia ao perceber que sua voz não saía. 

- Não! – Jemma procurou dizer, docemente – não se esforce… Não tente falar – ela levou a mão ao seu rosto, deslizando os dedos por ali em uma carícia suave, na tentativa de apaziguar os ânimos do enfermo – fique calmo, sim? - disse, a voz embargada. Doía vê-lo daquela forma. 

A doutora havia dito que poderiam ficar sequelas devido ao tempo em que o cérebro de Fitz permaneceu sem oxigenação. Mas Jemma não havia parado para pensar sobre isso ainda… Por isso, o fato de ele não conseguir pronunciar uma palavra, a alarmou. Entretanto, ela procurou disfarçar seu choque e surpresa de maneira a não afligi-lo ainda mais. Tentou tranquilizá-lo.

- Estou feliz que esteja de volta – disse, contendo o pranto.

Ele apenas retribuiu seu olhar, parecendo ligeiramente satisfeito por ela estar ali ao seu lado. 

- Eu vou comunicar aos outros que você acordou – ela queria avisar Lynda que ainda dormia na cadeira próxima aos pés da cama; e Alistair que havia ficado na antessala, naquele dia, como se houvesse premeditado que Fitz acordaria. Jemma ainda queria ligar para Hunter e Deke, a fim de lhes dar a boa notícia, uma vez que sabia que eles pouco estavam dormindo desde que souberam do estado de Fitz. Passavam a noite inteira preocupados e chegavam, no outro dia, no centro médico, com profundas olheiras. Hunter parecia até mesmo ter perdido peso. Era como se fosse um de seus familiares naquela condição. Fitz era, para Hunter, um irmão.

No entanto, quando fez menção de se distanciar, Fitz agarrou o pulso dela reunindo os poucos resquícios de força que possuía. Ela sentiu o aperto suave da mão dele em torno da sua e tornou a olhar em sua direção. O engenheiro sacudiu fracamente a cabeça em negativa, como se pedisse a ela para que não avisasse a ninguém.

Ela não conseguiu compreender, mas permaneceu ali, como era seu desejo. Jemma manteve a mão dele na sua e se aproximou como se fosse segredar algo ao seu namorado, falando em um tom de voz baixo, mas nítido. O rosto próximo do dele.

- Fitz… Estão todos muito preocupados com você. Me deixe, ao menos, acordar sua mãe…

Os olhos dele piscaram contínuas vezes enquanto ele se limitava a fitá-la. Então, Jemma observou a angústia crescer em suas íris azuis e lágrimas se acumularem nas pálpebras. Havia tanta dor no rosto de Fitz que ela própria não foi mais capaz de conter seu pranto. Enquanto observava as lágrimas deslizando livremente pela face de seu namorado e o tremor em seus lábios, Jemma apertou os olhos. Precisava ser forte. Ignorando seu próprio choro, ela levou uma mão ao rosto do engenheiro, secando suas lágrimas com a ponta dos dedos.

- Está bem… – murmurou – eu vou ficar aqui com você… Mas vou avisar a doutora depois. Ela precisa saber que você acordou.

Fitz assentiu levemente e Jemma sorriu para ele. Um sorriso melancólico, mas repleto de ternura.


Notas Finais


No próximo: o quadro de Fitz é uma pouco mais alentador.


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