1. Spirit Fanfics >
  2. Academia Terfi - Caos Elemental >
  3. Dreydan Alf Drake

História Academia Terfi - Caos Elemental - Capítulo 22


Escrita por:


Notas do Autor


Hello.
Tô com pouca bateria então não vou me demorar aqui.
Capítulo longo e é um flashback.

Boa leitura ^^

Capítulo 22 - Dreydan Alf Drake


 Era dia. Um dia nublado, e o sol timidamente escondia-se atrás das nuvens. Cortando a floresta próxima às montanhas, havia um rio. 
 Pescando às margens do rio, havia um velho. Era relativamente alto, e usava uma roupa pesada que escondia seu corpo. Tinha cabelos longos em tom cinzento, uma barba que enquadrava seu rosto e observava pacientemente o rio. 
 E foi nisso que o velho viu um barco aproximando-se, descendo o rio. O barco, pela posição e direção, provavelmente iria parar às margens do rio, mas apenas alguns metros à frente do velho homem.
 Após pensar um pouco, ele decidiu primeiro confirmar se havia tripulação. Quando o navio passou por ele, percebera a total ausência de pessoas.
 Um pouco curioso e meio desconfiado, o velho se levantou de onde estava e passou a acompanhar calmamente o barco. Quando ele parou na margem do rio, como havia imaginado, o velho deu um olhar despreocupado. Duvidava muito que algo que estivesse naquele barco pudesse representar ameaça para ele.
 O homem aproximou-se do barco, e ouviu um choro. O choro de um bebê. Quando chegou, vira uma pequena criança, enrolada em mantos e peles, chorando. 
 O velho deixou escapar um pequeno sorriso. 

- O que você está fazendo aqui, pequeno? - "Ele não chorava quando era carregado pelo rio. As águas confortam-te, criança?", pensou o velho.

 Pôde sentir uma leve aura azulada e clara emanando da criança, que inconscientemente liberava-a. O velho ficou surpreso. 
 "Despertando a Jadu tão cedo? Faz muito tempo que não ouço algo sobre isso…"
 O homem pegou o bebê, que não podia ter mais de um ano de idade, e levou-o nos braços em direção às montanhas próximas. A criança, após um tempo, havia parado de chorar e adormecido. O velho sabia que o choro logo retornaria. 
 "Deve estar com fome, garoto", pensou ele. 
 Levou a pequena criança de cabelos grisalhos com cuidado. "Seus cabelos são piores do que os meus." O velho finalmente chegou na sua casa. Era feita de madeira negra, com um único andar. Algumas árvores estavam próximas à casa, mas no geral a floresta mantinha-se afastada da casa. 
 O velho levou o garoto para dentro de sua casa. Era um lugar simples, porém bonito, bem cuidado. Ele deixou o bebê em um canto, em um cesto, e foi até um armário. Abriu-o e era possível ver diversas coisas nele. Alimentos comuns, pelo menos para aqueles que moravam onde o velho morava. 
 O reino de Daranor era alguns quilômetros ao sul. Havia então uma floresta e algumas montanhas, e aquele era o pedaço de terra mais próximo possível do local mais perigoso do mundo. O Norte Bestial.
 Após o reino de Daranor e a floresta que o velho estava, havia uma parcela do Oceano Sem Fim, chamada de Mar Morto de Hamsef. Após cruzar esse mar, o que levaria cerca de um mês navegando, seria possível chegar até o Norte Bestial.
 E a localização tão próxima do Norte era proposital do velho homem. Aquela floresta em que morava devia ser um dos locais com a maior concentração de Bestas Elementares fora do Norte.
 O velho abriu um compartimento atrás do armário, e vários itens menos comuns podiam ser identificados com facilidade.
 Ele adotou um ar pensativo. Por fim, pegou um pote que guardava um líquido que qualquer um poderia jurar ser sangue. Ele pegou o pote e levou até o garoto.

- Este aqui é o leite de um Apatok - disse o velho. - Beba isso, e eu espero que funcione tanto quanto o leite comum.

 Apatok. Era uma Besta Elemental rara encontrada naquela floresta. O leite dela podia ser extraído com facilidade e era muito nutritivo para quase qualquer espécie. O velho costumava ter algumas reservas desse leite, que permitia a uma pessoa ficar um dia inteiro sem sentir fome.
 O velho deu o leite ao bebê, e era uma cena meio estranha, principalmente pelo tom vermelho do líquido. 
 O velho cuidou do pequeno garoto por três dias, até resolver que não era bom mantê-lo ali. O homem então pegou a criança e a levou por um caminho entre as montanhas. Havia algumas Bestas Elementares, e o próprio terreno era de certo modo traiçoeiro. Nada disso era problema para aquele homem. 
 Quando enfim chegou a determinada localização, esta no meio das montanhas, relaxou. Em uma das montanhas havia um caminho por uma caverna relativamente escondida. O velho entrou nela e caminhou dezenas de metros no escuro. Após um tempo caminhando, pôde ouvir algumas vozes conversando. 

- … e daí eu peguei meu machado e desferi um golpe tão forte naquele Halbatzay que ele foi partido ao meio e morreu na hora - vangloriava-se um homem de voz grossa.

- Acredito tanto em você quanto daquela vez que disse que o chefe na verdade era algum tipo de cabra ambulante - comentou outra voz, aparentemente de um jovem.

- Rá! Nillos, admita que tu é um puta d'um mentiroso! - acusou uma mulher soltando uma sonora gargalhada.

- Ei! Mentiroso é teu pai! - protestou o tal Nillos.

- Ayra, pare de duvidar tanto do Nillos. Todos sabemos que ele é forte - repreendeu outra mulher.

- Mas o Halbatzay é a terceira Besta Elemental mais forte - reclamou a primeira mulher, chamada Ayra -, atrás apenas da Fênix e do Dragão Cataclísmico! Não faz sentido ele conseguir vencer aquelas coisas! O Halbatzay e a Fênix são Bestas nível 5! 

- E eu peito elas todas - afirmou Nillos convencido.

 E então o velho chegou onde eles estavam. Dentro daquela caverna, estendia-se uma vasta área onde fora construída uma fortaleza de pedra pequena. A fortaleza modelava-se às paredes da caverna e criava uma defesa quase impenetrável. O velho havia passado pela pequena ponte que precedia a fortaleza, e agora chegara à primeira sala, com paredes de pedra e piso de madeira. A sala era grande, e alguns bancos e cadeiras estavam espalhados aleatoriamente pelo local. Sentados neles, em uma "rodinha", estavam Ayra, Nillos e um jovem rapaz de menos de 25 anos. Um pouco afastada estava outra mulher, de cerca de 30 anos, lendo um livro.

- Você só poderá enfrentar Bestas Nível 5 sem a ajuda de outros cem Jadukaras quando eu estiver morto, Nillos - zombou o velho, mas com sinceridade. 

- Siegfried-sama - cumprimentou Ayra. Os demais repetiram o gesto.

 Ayra era uma mulher de cabelos roxos bagunçados e curtos, rebeldes, mas sem nem um fio no rosto. Seus olhos violetas eram belos, e ela vestia uma cota de malha sob uma túnica também roxa. Portava uma espada curta na bainha. 
 
- Siegfried-sama, é bom vê-lo novamente - disse Nillos, sorrindo.

 Era um homem alto, "parrudo", com barba cheia e cabelos curtos, loiros. Tinha um tapa-olho no olho esquerdo, onde uma cicatriz cortava-lhes da testa à bochecha. Estava sem camisa, revelando vários músculos e uma tatuagem de gralha. Estava desarmado, mas como Jadukara era comum manter a Arma Celeste guardada. Não eram todos que possuíam uma arma de sinmthyl, o metal mais forte do planeta, como Ayra.

- Siegfried-sama, fui bem sucedido na minha missão - informou o jovem rapaz. - Deixei a cabeça daquele Rexenandy no seu quarto!

- Fizeste bem, Kaniry - elogiou Siegfried, o velho, mas sem sorrir.

 Kaniry era um rapaz jovem, de cabelos azuis penteados para trás, com alguns fios rebeldes indo de encontro à sua face. Seus olhos amarelos tinham um aspecto belo, e até meio assustador. Vestia um belo terno azul-escuro, com uma gravata preta. 

- Sieg, o que trouxe para nós hoje? - indagou a outra mulher.

- Uma criatura interessante, Rhaenia - garantiu Siegfried.

 Rhaenia tinha cabelos vermelhos e longos amarrados em uma trança que caía do lado esquerdo de seu rosto. Seus olhos eram azuis, mas sua beleza era certamente comprometida pela desagradável cicatriz que possuía: rasgava-lhe a bochecha direita até a boca, como se algo tivesse devorado sua pele naquele local. Estava com um belo vestido cor de marfim.

- Hã? Que porra é essa, Siegfried-sama? - indagou o parrudo Nillos. 

 Todos, com exceção de Rhaenia, aproximaram-se do velho e viram o pequeno bebê de cabelos grisalhos.

- Que fofinhooo - exclamou Ayra com os olhos brilhando. - Posso segurar?! Posso, Siegfried-sama?!
 
 O velho não era um homem de muitos sorrisos, mas inclinou os lábios, quase sorrindo.

- Pode, Ayra.

 A mulher pegou o bebê e sorriu, maravilhada.

- Onde achou ele? Como se chama? - perguntou o jovem Kaniry.

- Veio rio abaixo quando eu estava pescando - respondeu o velho Siegfried. - Não sei seu nome, o que houve com seus pais, ou qualquer coisa do gênero.

- Chamaremos ele de Nillos Segundo - sugeriu Nillos, sorrindo animadamente.

- Será Kellas - protestou Ayra.

- Eu ia sugerir Halt - comentou Kaniry murmurando.

 Os outros dois olharam mortalmente para ele.

- Você chama de Halt qualquer ser sem nome com mais de dois neurônios - ralhou Ayra.

- Nillos Segundo é muito melhor - afirmou Nillos.

- Será Kellas!

- Nillos Segundo!

- Kellas!

 Ayra e Nillos continuaram discutindo. O velho apenas permitiu. Compreendia a ansiedade dos outros membros. Kaniry apenas ficou quieto, secretamente torcendo para o velho aceitar Halt.

- Hum… - resmungou Rhaenia pensativa encarando o bebê, sem se levantar. 

 Por fim, estalou a língua. 

- Chamaremos ele de Dreydan - afirmou ela com convicção. 

 Ayra, Kaniry e Nillos olharam para ela.

- Por que Dreydan?

- Era o nome do primeiro Abhibabakadera após os Originais e Hikaru. Hikaru, Tharven, Dawemond, Chisaki, Hamsef, Avalak, Kayra e Dreydan. Estes eram os Oito Lanças originais. 

- Hum… É um bom nome - concordou Ayra. - Carrega poder.

- Gosto do som ao pronunciar - também aceitou Nillos. - Dreydan. Dreydan.

- Pode ser - resmungou Kaniry. - Mas ainda prefiro Halt.

- Então será Dreydan - disse o velho Siegfried.

- E como será seu sobrenome?

- O sobrenome dele virá da primeira Besta Elemental superior que ele matar sozinho - informou o líder. - Até lá, ele será Dreydan Namaney.

- Sem nome. Que criativo - reclamou Ayra.

 Dreydan Namaney começou a crescer. Passou os últimos oito anos com aquelas pessoas, junto de muitas outras. Eram cerca de 50 membros do Olho da Besta, cada um mais forte que o outro. Todos eles, após um tempo, começaram a ver o garoto como parte do grupo, mesmo que ele não saísse para as missões. 
 O pequeno Dreydan agora estava em uma sala separada. Estava sem camisa, e seu corpo revelava algumas cicatrizes. Seus cabelos claros eram belos, e estavam em pé. 
 Quanto a seus olhos, amarelos e assustadores, eram semelhantes aos de Kaniry. Isso rendeu a Kaniry algumas zombarias de seus companheiros. 
 O velho Siegfried estava em uma plataforma acima de Dreydan. Havia acabado de voltar de uma missão, e havia capturado vinte rodezigs. Estava com uma armadura de metal desgastada, brilhante como platina.
 "Uma armadura inteira feita de sinmthyl", pensou Dreydan. "Siegfried-sama é mesmo incrível."
 
- Mais uma vez - ordenou o velho.

 O cristal azul acima de Dreydan começou a brilhar novamente, e uma poderosa descarga elétrica foi liberada e foi até Dreydan.
 O garotinho gritou, mas manteve-se firme no lugar enquanto a poderosa energia ameaçava seu corpo. Após um tempo curto, o raio cessou.

- Mais uma vez - repetiu o velho.

 E o procedimento se repetiu. Apenas após mais duas descargas o pequeno Dreydan caiu.
 
- Ele aguentou cinco desta vez - comentou Rhaenia.

- Um dia esse garoto será mais poderoso do que todos nós - disse outro membro da organização espantado.

 Siegfried sorriu com certo orgulho. Apenas por um momento. Todos os demais saíram e Siegfried se aproximou de Dreydan. Foi quando o garoto subitamente acordou, impressionando Siegfried.

- Não ficou desacordado nem por dois minutos…

 Dreydan olhou para ele, ainda meio tonto. Quando recuperou completamente o sentido, levantou-se depressa e fez uma reverência. 

- Siegfried-sama.

- Muito bem, Dreydan - elogiou o velho, sem sorrir. - Está avançando em uma velocidade surpreendente. Tem apenas oito anos, e mesmo assim seu nível está maior que o de um Jadukara iniciante comum.

 Dreydan também havia conectado-se à Jadu desde que o velho o encontrou, e Siegfried ainda não sabia o que aquilo significava. 
 Dreydan e ele ficaram juntos por algum tempo, então Siegfried deixou a criança e caminhou calmamente até os fundos da fortaleza. Quando chegou lá, outro membro da organização estava olhando para as criaturas à sua frente. Morcruy, Rodezigs, Rexenandys, Apatoks, etc.
 
- … para realizar nosso objetivo - dizia um velho baixinho de túnica branca. - A origem delas é um mistério, mas estamos conseguindo grandes avanços em relação a suas características, fraquezas e costumes. 

- Não será suficiente - interveio Siegfried. - Precisamos achar um jeito de controlá-las.

- Bem, Siegfried-sama - disse o baixinho -, houve apenas dois humanos que conseguiram controlar Bestas Elementares…

- Zeds da Lua Negra e o Arquiduque Tharven Vallin, eu sei - cortou Siegfried. - A questão é descobrir como fizeram isso. Tharven foi até o Coração Bestial com Hikaru e os Originais, talvez lá existissem respostas. Mas e quanto a Zeds?

- Não podemos descobrir nada do passado - disse o velho baixinho. - Precisamos nos virar com as informações que temos. Se Tharven adquiriu domínio delas no Coração Bestial, então…

- … temos que ir ao Coração Bestial - completou Siegfried friamente. - Mas ainda não temos forças para ir para o Norte. Precisamos de mais membros, ou que os membros novos cresçam em poder.

- Fala do jovem Dreydan, não fala? 

- Sim. Dreydan tem um potencial que nunca vi em nenhum ser humano. Ele pode ser de grande ajuda. Quando ele estiver mais poderoso, iremos para o Norte Bestial - decidiu Siegfried.

 E assim foi decidido. Dreydan seguiu os próximos anos treinando cada vez mais, se tornando cada vez mais poderoso. Siegfried era paciente, e não teve problemas em aguardar que Dreydan crescesse. Poucos membros sabiam da futura missão no Norte, e a meia dúzia que sabia se mostrava ansiosa. 
 Dreydan foi exposto a diversos tipos de perigos. Nadou nas águas venenosas do Pântano dos Vermes, enfrentou o Abismo Cortante nas profundezas de Planície de Anksheram, viajou sozinho até Colheita da Tempestade para refinar sua Jadu, e até encontrou-se, na Colheita da Tempestade, com um homem muito estranho, que falava sobre cozinhar dragões cataclismicos…

*

 Nillos, Ayra, Kaniry, Rhaenia e Siegfried estavam juntos correndo. Nillos e Ayra iam por um lado, enquanto Kaniry e Rhaenia foram por outro. 
 
- Está indo na sua direção - informou Nillos.

 Os cinco membros do Olho da Besta acompanhavam uma criatura, mas ela era rápida para seu tamanho e estava ganhando distância. Quando a criatura deixou a proteção das árvores e surgiu em uma clareira, foi atingida por um poderoso golpe que não viu de onde veio.
 A criatura era semelhante a um dragão, porém não possuía asas e era consideravelmente menor. Tinha escamas verdes e olhos amarelos em fenda. A Jadu liberada pela criatura era um pouco maior que a de um aluno do 5° ano.
 Acima dela, estava Dreydan, agora com 25 anos, com um olhar frio.
 Quando Siegfried e os outros chegaram, o velho deu ordens para que os demais membros parassem. Encarava Dreydan sem nenhuma preocupação. 

- Dreydan completou seu treinamento de resistência. Está na hora dele vencer uma Besta Elemental superior por conta própria - declarou o velho Siegfried.

- Como quiser - resmungou Nillos. - Eu venceria aquele Drake com um único golpe.

 Siegfried não duvidava disso. Nillos era o atual quarto membro mais poderoso da organização.
 O Drake desferiu um golpe com a cauda, e Dreydan defendeu pondo o braço na frente. A criatura rugiu, e chamas foram expelidas de sua boca, mas Dreydan ergueu uma parede de água que anulou as chamas da criatura.
 Dreydan criou cinco lanças de água e disparou contra o Drake, mas a rápida criatura desviou facilmente e investiu contra o rapaz. Ela abriu a boca para engolir Dreydan, e o garoto criou um machado de água para acertar a criatura. Um escudo azulado formou-se acima da criatura e defendeu do golpe de Dreydan. 
 "Um escudo de Jadu?!", pensou o velho Siegfried. "Então é um Alfa… Manipulação perfeita da Jadu comum…"
 O Drake ia abocanhar Dreydan, mas o garoto criou múltiplas adagas de água e atirou para todos os lados. Siegfried apenas liberou parte de sua Jadu para anular o ataque de Dreydan, mas o Drake não teve essa ideia e foi acertado por diversas lâminas d'água. 
 Sem desistir, o Drake rugiu alto e liberou uma quantidade assustadora de Jadu, logo após cobrindo seu corpo inteiro com uma "armadura de chamas". Dreydan sorriu minimamemte, admirado com a habilidade de domínio da criatura. 
 Dreydan então assumiu um olhar sombrio.

- Pradarsita, Azrael - proferiu ele.

 Vários jatos de água surgiram do nada e circularam Dreydan como um furacão. Quando dissipou-se, um magnífico tridente estava nas mãos do garoto.
 O Drake rugiu em desafio, avançando contra Drake com a armadura de chamas. O garoto apenas segurou Azrael e lançou-o contra o Drake.
 O tridente passou voando pelo Drake e cravou-se em uma árvore ao lado de Ayra. O tridente e metade da cabeça do Drake.
 A Besta Elemental caiu no chão já sem vida, dissipando a armadura de chamas. Dreydan sorriu, sinceramente feliz.

- Siegfried-sama, eu consegui!

- Claro - comentou Kaniry maldosamente. - Nossa perseguição já tinha cansado ele.

 Ayra, entretanto, estava chorando cachoeiras de lágrimas. 

- Dreydan-kun, você quase me acertou!!! 

- Perdão, Ayra-sama - desculpou-se o rapaz.

- Parabéns pela caçada pirralho - disse Nillos. - Você agora não é mais o bostinha que teve dificuldades com aquele morcruy.

- Eu tinha 8 anos! - reclamou Dreydan.

- Chega - ralhou Siegfried. Então, olhou com orgulho para Dreydan. - Não são muitos dentro da organização que podem matar um Drake com tamanha facilidade. Dreydan Namaney, deste dia em diante serás conhecido como Dreydan Alf Drake, o Matador de Dragões. 

- Ele nem matou um dragão - reclamou Kaniry.

- Ainda - disse Siegfried com convicção. 

- Que seja - disse o rapaz de cabelos azulados. - Dreydan, bom trabalho. Talvez eu deva te levar naquele lugar que eu prometi…

 Porém, Rhaenia estava liberando uma intenção assassina assustadora. Siegfried apenas deu um passo para trás. 

- Ele é só uma criança.

- Tem 25 anos. De acordou com todas as leis - disse Kaniry - já é um homem.

- Ele é um Jadukara. Com 25 não passa de um adolescente - rebateu Rhaenia. - Além disso, aqui as regras da organização é que valem. Você só é um homem após os 40 ou quando matar uma Besta nível 5.

- Tá, tá - rendeu-se Kaniry.

 Nillos deu uma gargalhada.

- Que pena, Dreydan, não vai poder conhecer a felicidade.

 O jovem apenas inclinou a cabeça, sem entender.
 Siegfried ignorou os assuntos aleatórios e ordenou que todos voltassem para a base. Ele ficaria com Dreydan para ajudá-lo a "retirar o prêmio".
 Então Nillos, Ayra, Rhaenia e Kaniry se retiraram, e os dois ficaram a sós.

- Sobre o que o Kaniry-sama estava falando? - indagou Dreydan, inocentemente.

- Não é algo que você precisa saber, meu filho - garantiu Siegfried, e Dreydan aceitou na hora.

 Os dois Jadukaras então foram até o Drake morto. Dreydan ajoelhou-se, enquanto Siegfried o guiava.

- Dreydan Alf Drake - iniciou. - Em nome das Seis Estrelas, você deve honrar seu inimigo. Um Drake faz parte das raças dracônicas, sendo uma das Bestas Elementares mais antigas. Você deve cortar-lhe as escamas no peito direito e então abrir caminho com uma lâmina de sinmthyl ou Arma Celeste até seu coração. No momento de tocar o coração, deve fazê-lo com as próprias mãos, para abençoar seu corpo com a vontade dos antigos dragões. 

 Dreydan ia seguindo o processo conforme seu pai instruía.

- Agora, deve revestir o coração com sua própria Jadu e proferir as palavras: Santite Bisrama.

- Santite Bisrama - repetiu Dreydan, com o coração da criatura nas mãos. 

 O órgão desfez-se em cinzas, que foram levadas pelo vento. Um pequeno cristal amarelo havia sido deixado no lugar. Dreydan analisou o cristal.

- É parecido com o seu, pai - comentou ele.

- Sim. Eu recebi o meu após matar um dragão - disse ele.

- Um dragão?

- Eu tinha quase 40 anos - contou ele. - Meu grupo e eu, junto de meu mestre, havíamos ido até um lugar chamado Vale de Tezen, e lá encontramos um dragão antigo. Ele nos pediu uma última luta, pois estava no fim de sua vida. Meu mestre decidiu não lutar, pois ele disse que seria desonroso com o dragão. Eu e meus companheiros lutamos com o dragão. Ele matou todos os meus companheiros, mas finalmente eu o matei. Meu mestre disse que morrer honrosamente contra um dragão antigo garantia um lugar no Plano Celeste, e que eu não deveria chorar por meus amigos. Ele me ensinou o ritual e eu fui abençoado pela vontade do dragão. 

- Que poderes isso dá?

- Nenhum. A vontade do dragão faz com que seres dracônicos te reconheçam como um humano que merece viver. 

- Hum… - Dreydan ficou pensativo. - Quem era seu mestre? Como ele era?

- Um homem estranho, que falava sobre cozinhar dragões - comentou Siegfried evasivamente.

 Dreydan arregalou os olhos.

- Eu o vi! Conheci ele no Pico da Tempestade!!!

- Eu sei. Fique feliz, Dreydan, pois você conheceu o Jadukara mais poderoso do planeta.

 Dreydan arregalou os olhos. Aquele sujeito estranho, mestre de seu pai, era o Jadukara Mais Forte?! Dreydan tentou puxar na memória essas memórias. Na época ele tinha 22 anos, e se aquele homem era o Rei Sem Coroa, ainda mais no local em que estavam (Pico da Tempestade), seria mesmo difícil sentir sua Jadu.

- O Jadukara mais poderoso…

- Sim. Ele é algo além de um ser humano. Eu não sei há quanto tempo ele está vivo, mas ele é sem dúvidas o Jadukara mais poderoso da atualidade. Eu arriscaria dizer que talvez um dos Jadukaras mais poderosos que já existiu.

- E eu o conheci? - Dreydan, por fora, estava sério, mas por dentro estava animado em ter conhecido o Grande Deus Esquecido.

- Ele é alguém diferente de tudo o que eu conheço. Ele era um homem extremamente leal e honrado, mas que vivia entediado e triste, filho.

- Por quê?

- Porque neste planeta não há desafio para ele. Ele já está há muitos anos procurando algo que o faça novamente ir até o seu limite. Bem, acho que falar sobre alguém que morrerá em breve pela idade não faz sentido. Precisamos voltar, Dreydan, para a nossa maior missão. 

- Como assim, Siegfried-sama?

- Dreydan. Eu venho esperando que você cresça, que você evolua, para iniciarmos a nossa possível maior missão. Agora você superou todos os membros desta organização…

- Menos você, Siegfried-sama.

- Sim. Agora, nós e todos os membros do Olho da Besta iremos até o Norte, rumo ao Coração Bestial. E também estaremos atrás de uma criatura acima do que procuramos normalmente. 

- Siegfried-sama, nós já pegamos até um Halbatzay! Se é uma besta acima disso, e você não aceita enfrentar uma fênix, então… - A voz de Dreydan falhou.

- Exatamente, filho. Nosso alvo… é um dragão cataclísmico.

*

 Quando voltaram para a base, Siegfried deu a informação sobre a viagem para o Norte. Alguns membros receberam a informação com empolgação, enquanto outros se mostraram temerosos. Seria uma missão com a participação de todos os 52 membros da organização. 
 O que se seguiu foi uma grande expedição que deve ter sido a maior para mais da metade da guilda. Até aquele momento - estavam navegando havia três semanas sem pausa pelo Oceano Sem Fim -, Dreydan achava que as provas principais do treinamento do pai foram muito mais arriscadas, porém o velho Siegfried já o avisara que no Norte as coisas poderiam ser bem piores.
 Não tiveram grandes problemas. O maior que tiveram foi quando uma Serpente Colossal da água emergiu diante deles e atacou o navio, mas Rhaenia e Kaniry lidaram facilmente com a criatura.
 Após a morte da serpente, aproveitaram o corpo dela como alimento. E foi apenas quando uma enorme tempestade cercou o navio foi que eles sabiam que haviam chegado. 
 As ondas furiosas balançavam o navio, chocando-se umas contra as outras, e algumas delas tinham vários metros. Dreydan, em um momento, viu uma delas subindo e subindo. Dez metros. Doze. Quinze. Vinte. Vinte e um metros, e começou a cair. O garoto, junto de outros Jadukaras de água, dividiram a onda ao meio e livraram o navio do impacto. 
 O vento também não ajudava. Devido a sua forte interferência e ao fato de não haver como remar em meio aquela tempestade, Dreydan e os outros 7 Jadukaras de água foram obrigados a guiar o navio gastando sua própria Jadu para abrir caminho na tempestade.
 Chegaram. "Furaram" a tempestade e surgiram em um local que nunca tinham visto.
 Havia uma pequena praia inicialmente, que se abria para uma enorme floresta densa, de árvores com dezenas de metros de altura e largura. Distante, era possível ver uma montanha de proporções tão gigantescas que alguns acreditaram que um reino caberia dentro dela.
 Quando atracaram o navio, todos desceram. A areia estava carregada de Jadu. Ou melhor, tudo, areia, água, ar, floresta, tudo. Cada centímetro do lugar emanava uma Jadu tão intensa quanto um Jadukara iniciante.
 "Será que minha Jadu será subjugada aqui?", pensava Dreydan. "Eu sei que se encontrarmos alguma Besta Elemental de alto nível há grandes chances de minha Jadu não aguentar a oposição…"
 Dreydan Alf Drake estava ciente que, se a diferença de Jadu fosse alta demais, a Jadu do inferior podia ser suprimida até o ponto dele perder temporariamente todos os poderes de Jadukara. Seria necessário muito esforço para atravessar essa opressão espiritual. Se encontrasse um dragão cataclismico, Dreydan temia que não poderia usar Jadu. 
 Ele e todos os membros com exceção de Siegfried.
 Foi quando Dreydan sentiu algo estranho. Uma perturbação na sua Jadu que atravessou sua Detecção. Abaixo da areia.
 Um enorme verme de 20 metros de comprimento ergueu-se.

- Um verme do deserto?! - indagou Kaniry. - Pensei que só existiam no Deserto de Selethen e no Continente da Areia Maldita!

- Estamos literalmente no lar de todas as Bestas Elementares - ralhou Rhaenia. - É provável que aqui encontremos uma criatura a cada passo.

- É óbvio - disse Siegfried. - Meu mestre me disse que aqui no Norte Halbatzays e Fênixes são comuns, e até alguns dragões cataclísmicos.

 Quando havia informado do objetivo de capturar um dragão cataclismico, a maioria ficou com medo. Outros, como Nillos, animaram-se ainda mais. 
 Siegfried apontou para o verme à sua frente.

- [Desejo no Vazio]! - bradou ele.

 Todo o ar ao redor da criatura foi afastado, e seu corpo começou a se desfazer. 
 Ayra assobiou.

- Privar um ser de ar é maldade, Siegfried-sama - comentou ela. 

- Essa habilidade é um pouco apelona em alguns casos - disse Nillos. - Você pode desintegrar quase tudo. 

- Quase - concordou Siegfried. 

 O Jadukara do Ar guiou seus subordinados pelo Norte. A praia abrigava outros dois vermes do deserto. Quando adentraram a floresta, imediatamente um Rexenandy e alguns morcruy mais agressivos que o normal surgiram. Após derrotá-los, os cinquenta Jadukaras continuaram.
 Eles só pararam quando passaram da metade da floresta, indo em direção à Grande Montanha. 

- Ei, quais as chances daquela montanha ser o Pico do Arquidragão? - indagou Ayra após um tempo.

- Nenhuma - disse Rhaenia secamente. - O Pico do Arquidragão fica em outra parte do Norte, de acordo com os registros.

- A maior parte dos registros foi perdida - lembrou Kaniry.

- Essa não - cortou Rhaenia.

 Após alguns metros avançando, Siegfried fez sinal para que eles parassem. Os outros membros estranharam. 

- Algum problema, Siegfried-sama?

 O velho Siegfried não respondeu.

- Unnata Jadu! Pradarsita, Joldguevig!

 Simultaneamente à ativação da Jadu Avançada, o ar criou um tornado que, ao se desfazer, revelou um enorme escudo no braço esquerdo de Siegfried. 
 
- Siegfried-sama? - Nillos estava preocupado. - O que está havend…

 Parou de falar quando Siegfried disparou uma enorme rajada de vento que afastou centenas de metros todos os membros do Olho da Besta. Quando recuperaram o sentido, Nillos começou a esbravejar. 

- Mas que porra foi ess…

 Uma rajada poderosa de lava atingiu Siegfried. A quantidade de Jadu emanada por aquela lava era ridícula. 
 "Aquela Jadu é maior que a minha, e é apenas Jadu residual", observou Dreydan impressionado.
 Quando foi possível ver melhor a cena, viram Siegfried parado a alguns metros do local onde estava inicialmente, com a Arma Celeste (se é que podemos considerá-la Arma) levemente desfigurada. Vapor saía do local e Siegfried, mesmo com a proteção da Unnata Jadu e Arma Celeste, parecia cansado e ferido. Olhava com seriedade e até certa apreensão para a grande sombra que cobria o sol. Uma sombra que pairava por todo o local.
 Estavam na frente de um dragão cataclísmico.

*

 Se perguntassem a Dreydan como o grupo havia sobrevivido àquele primeiro encontro, não saberia responder.
 A criatura era igual aos dragões que via nas lendas. Um corpo longo, mas não tanto quanto uma serpente (claro, em relação ao resto da criatura). Era robusto e forte, com a parte de baixo aparentemente desprotegida enquanto a parte de cima, bem como as patas, braços, pernas e cabeça, cobertas por escamas alaranjadas e brilhantes. No peito da criatura, uma luz forte alaranjada. As asas abertas tinham o comprimento do próprio dragão (o que podia chegar a mais de 100 metros facilmente).
 A cauda era 1/3 da criatura, longa e com uma espécie de lança na ponta. Seu pescoço era outro terço, longo como uma serpente. Sua cabeça era, na parte superior, coberta por escamas laranjas e brilhantes. Havia diversas cicatrizes ao redor de sua boca cheia de dentes afiados que se projetavam para fora da criatura. Ela possuía dois pequenos chifres nas "bochechas", bem como um na ponta do focinho, enquanto dois chifres mais longos que projetavam-se encaracoladamente para a frente saíam da parte superior traseira da cabeça.
 Era uma criatura magnífica, assustadora, e sua Jadu era pior ainda.
 "É mais de 10 vezes maior e mais intensa que a do pai", pensou Dreydan assustado por dentro.
 O poderoso e colossal dragão cataclismico bateu as asas, e uma onda de vento foi liberada varrendo parte da floresta e afundando no chão todos os Jadukaras, com exceção de Dreydan e Siegfried. 
 "Isso foi equivalente a um Jadukara do Ar?!", observou Dreydan impressionado. Ele sabia que até entre as Bestas Elementares elas eram conectadas a um único elemento, tendo como exceção apenas o Rei Dragão, conectado a todos os elementos, variações, formas de domínio e Jadu, liberações especiais e qualquer outra habilidade. Algo que nem Hikaru di Terfi pôde alcançar.
 
- Se isso não foi domínio de Jadu, foi apenas a pressão de suas asas?! - indagou Rhaenia, chegando à mesma conclusão que Dreydan.

 A criatura voou até Siegfried, e este pulou na direção dela com escudo erguido. A Besta Elemental escancarou a boca, na intenção de devorar Siegfried. 
 Nillos se levantou e saltou em velocidade impressionante, criando uma enorme pedra acima de sua cabeça e jogando-a no dragão. 
 A pedra desviou a bocarra da criatura, e Siegfried liberou sua habilidade de Arma Celeste.

- [Final Crow - Sky's Abyss]

 Uma aura branca rodeou Siegfried, e seu corpo saltou em velocidade assustadora contra o dragão cataclísmico, acertando em cheio sua cabeça e deixando um rastro de vazio atrás de Siegfried.

- Nem as partículas presentes no ar tiveram tempo de se afastar… - murmurou Rhaenia.

 Mesmo assim, o dragão apenas agarrou Siegfried e jogou-o para longe, logo em seguida virando a cabeça para o grupo do Olho da Besta.

- JÁ DEU UM MINUTO! - bradou Rhaenia para avisar a todos.

 Apressados, todos os membros do Olho da Besta foram até Rhaenia. Enquanto os Jadukaras da água, terra e qualquer outro elemento se preparavam, o brilho no peito do dragão passou a subir até sua cabeça.
 Ergueu-se uma parede conjunta de água, logo atrás uma de terra, uma de fogo, uma de ar, uma de metal, uma de plantas, uma de gelo, e todos os Jadukaras da organização haviam criado uma fileira de barreiras protetoras.
 O dragão disparou seu sopro de lava, este que foi voando em direção à barreira. 
 Água foi vaporizada, terra foi destroçada, fogo foi absorvido, ar foi dissipado, metal foi derretido até parecer água, planta virou pó, gelo virou água e depois vapor, e todas as barreiras foram atravessadas pelo Sopro Dracônico do Dragão Cataclismico de Lava.
 "Não é surpresa", pensou Ayra. "Essa coisa derreteu levemente uma Arma Celeste, ainda mais a do Siegfried-sama, que é voltada para a defesa. Então… esse é o poder da mais poderosa Besta Elemental?"
 Ayra ia aceitar a morte que se aproximava quando viu Rhaenia surgir na frente do grupo. Invocando sua Arma Celeste, uma lança dourada, a Jadukara do Fogo correu na direção do sopro de lava e ergueu a lança na direção dele.
 Quando ambos se encontraram, a lança parou o sopro e os dois poderes começaram a disputar. A lança estava derretendo, mas permanecia firme, enquanto o sopro, já afetado pelas barreiras, estava se desfazendo.
 Foi quando ele se dissipou que o dragão surgiu na frente deles e deu um golpe com sua cauda em Rhaenia, mandando-a quilômetros e quilômetros de distância antes de bater as costas em um Halbatzay. Todos os órgãos internos de Rhaenia explodiram, e ela morreu instantaneamente. E ninguém poderia saber disso com certeza.
 O rastro de destruição aberto era enorme, mas Dreydan não se permitiu hesitar por medo. Invocou sua Arma Celeste, assim como todos os membros da organização.
 Espadas, machados, adagas, alabardas, piques, escudos e outras armas. E nem o poder de todos os 50 membros juntos podia superar a Jadu do dragão. 
 "Ele não é como os dragões antigos", pensou Siegfried. "Ele é muito mais poderoso, mas desprovido de racionalidade… Isso é uma verdadeira Besta Elemental."
 Siegfried era o único com Jadu suficiente para notar que a Jadu de Rhaenia já não se encontrava neste plano. O velho lançou um olhar assassino para o dragão cataclismico e avançou contra a besta. 
 Sem perceber, motivou outros 50 a fazer o mesmo.
 Armas elementares gigantes. Criaturas mágicas feitas de Jadu. Habilidades especiais e até mesmo algumas habilidades supremas. Siegfried, Dreydan, Nillos, Ayra e Kaniry lideravam o ataque, e os outros 45 membros restantes os seguiam. 
 Nillos criou um braço gigante feito de pedra e bateu na cabeça do dragão, e Kaniry surgiu logo em seguida criando gelo e congelando a cabeça do dragão. 
 Ayra estava correndo pelo corpo do dragão e cortando-o enquanto corria. Sua espada curta de sinmthyl era poderosa, mas ainda havia certa dificuldade em ferir a criatura.
 Enquanto corria, Ayra recitava o que sabia sobre o dragão. 
 "Dragões cataclismicos possuem duas proteções. Externamente, têm escamas que podem resistir a golpes de sinmthyl e Armas Celestes com facilidade, além de ter alta resistência elemental. Debaixo das escamas, há o couro, mais resistente que o aço. Mesmo que consiga atravessar ambas, apenas uma Arma Celeste perfurando seu núcleo ou um ataque elemental de altas proporções podem tirar a vida de um dragão cataclismico."

- Vou precisar chegar até o coração dele - decidiu Ayra.

 A garota estava quase chegando no pescoço da besta quando Dreydan pulou nela e, juntos, caíram ao ar.

- QUE MERDA VOCÊ TÁ FAZENDO?!?!?! - gritou ela irada.

 Foi quando uma súbita onda de calor foi liberada do corpo do dragão, desintegrando outros dois membros do grupo que tentavam escalá-lo, como Ayra.
 A garota olhou assustada para o dragão cataclismico.

- Essa coisa não tem pontos fracos? - indagou em um sussurro.

- Tem - respondeu Dreydan. - Por ainda ser jovem e não ter nem metade de seu poder total, basta abrir caminho em sua pele e perfurar seu coração. Ele ainda não está tão forte e resistente quanto um adulto.

 Ayra arregalou os olhos.

- Então existem dragões com o dobro do poder dessa coisa?!

- Eu diria que uma meia dúzia pode ter até o triplo, se duvidar - respondeu Dreydan com seriedade, assustando Ayra.

 "Precisamos capturar esse. Nem o Siegfried-sama poderia nos salvar de um adulto…", concluiu ela.
 Nillos, Kaniry e, principalmente, Siegfried estavam causando danos ao dragão. Os outros membros do Olho da Besta auxiliavam com ataques elementares à distância, porém nenhum deles era poderoso o suficiente para causar grandes danos à Besta Elemental mais poderosa. 
 Nillos e Kaniry também haviam ativado a Unnata Jadu, já que eles, Siegfried, Dreydan e Ayra eram os únicos membros fortes o suficiente para utilizá-la.
 Mesmo assim, o dragão não cedia. Foi quando ele rugiu alto, e jatos de lava explodiram da terra indo em direção aos seus atacantes.
 Nillos criou uma barreira de pedra, mas Siegfried não pôde salvar Kaniry, que foi atingido pelo jato de lava e uivou de dor. 
 Ainda vivo, despencou do ar e caiu ao solo. Dreydan e Ayra sabiam que deveriam se apressar, pois nem Siegfried junto de Nillos poderia parar o dragão. 
 Quando a dupla chegou, Nillos estava com os braços transformados em mãos de pedra gigantes e desferindo múltiplos socos contra o dragão cataclísmico. Siegfried atacava diversas vezes, e seus golpes eram os que mais danificavam o grande dragão. 
 Ayra ergueu as mãos, e enormes relâmpagos foram criados e disparados contra o dragão. Enquanto Ayra e Siegfried davam golpes elementais, Dreydan juntou-se a Nillos com sua Arma Celeste. Em questão de poder ofensivo, sua Arma Celeste era a mais forte da organização. 
 Azrael, com apenas três estocadas, conseguia perfurar as escamas da besta, mas não chegava a atravessar o couro na hora.
 Enquanto lutavam, Dreydan percebeu que Siegfried estava segurando sua Jadu por algum motivo. Mas não cabia a ele desafiar o pai. Sabia que o velho Jadukara sempre escolhia a melhor tática. 
 Outro Sopro Dracônico acertou Nillos em cheio. Mesmo com a proteção de terra, de Jadu Avançada e da Arma Celeste, estava perdendo. Sua Jadu ia se esgotando, suas manoplas (Armas Celestes) iam derretendo com o calor. 
 Foi quando Ayra surgir acertando o dragão com o corpo revestido de raios. Atingiu uma voadora no dragão que desviou o raio de lava, fazendo-o acertar a floresta.
 Quando a lava acabou, todos viram que Nillos estava derrotado.
 Dreydan, mesmo com a Unnata Jadu, não estava conseguindo causar grandes danos.
 "Se eu fosse mais forte… Tantas pessoas não teriam morrido…", pensava ele enquanto golpeava o dragão. 
 Foi quando Siegfried finalmente liberou toda a sua Jadu.
 "Já era hora", pensou Siegfried ao notar que finalmente podia utilizar novamente sua habilidade especial. 
 O velho apontou para a perna mais danificada do dragão. 

- [Desejo no Vazio]!!!

 O vácuo surgiu, e a perna esquerda dianteira do dragão foi desintegrada.
 Um rugido estridente de agonia. O dragão bateu novamente as asas, e o vento afastou os Jadukaras. A criatura alçou voo. Siegfried anunciava em voz alta:

- Temos que segui-lo! Não podemos parar!!!

Os 34 membros da organização seguiram Siegfried e os outros. Mesmo os mais feridos ainda se esforçavam para acompanhar.
 E assim, a caça pelo dragão cataclismico continuou.

*

 Estavam seguindo os rastros do dragão havia dois dias, mas não tornaram a encontrá-lo. Dreydan sinceramente agradecia por isso, pois deu tempo para que todos os membros enchessem as reservas de Jadu.
 Agora estavam em um acampamento que haviam feito, cozinhando uma besta que haviam encontrado. Enquanto isso, os membros da organização discutiam.

- … que podemos vencer? - perguntava um membro. 

- Sim. Agora que Siegfried-sama está com o poder completo, ele pode desintegrar a cabeça do dragão - afirmou outro.

- Não é tão simples - interveio Ayra. - Agora o dragão também recuperou as reservas. Para desintegrar deve-se subjugar a Jadu inimiga e então destruir seu corpo enquanto a Jadu não o protege. Essa é a habilidade de Siegfried-sama. Agora ele não pode fazer isso, pois o dragão está com a reserva cheia.

- E quanto a habilidade suprema dele? - indagou um membro novato.

- Ela serve mais para controle de multidões - quem respondeu foi Dreydan. - É poderosa, mas não poderia danificar um dragão cataclismico. Ele desperdiçaria muita Jadu em um ataque ineficaz. E é por isso que estamos todos aqui. Para ajudá-lo.

- Ei - disse outro membro, após um minuto de silêncio. - Vocês acham que o dragão foi para aquela montanha gigante?

- Sim - respondeu Ayra. - Dragões cataclismicos de fogo, terra, lava, gelo e muitos outros elementos sempre preferem cavernas e montanhas como lares. É um espaço vasto e bem protegido.

- Se é o lar deles, não é perigoso ir lá? - disse o membro novato. - Não é possível existirem outros dragões naquela montanha?

- Dragões cataclismicos são extremamentes territoriais. É difícil ver dois dragões cataclismicos em um raio de dez léguas - informava Ayra. - Se eles são "egoístas" com o território, imagina com o lar? Isso pode ter certeza: não encontraremos outro dragão cataclismico naquela montanha.

- Mas ela é bem maior que o normal - observou Nillos.

- Isso não muda o fato - disse Siegfried rispidamente. 

 Após isso, eles foram dormir. Dreydan ainda pensava nos companheiros, e até alguns amigos, que perdera na batalha. 
 "Rhaenia… Me perdoe…", pensava ele, com os olhos lacrimejando. "Eu sou fraco. Que tipo de pessoa deixa parte da família morrer?!" Dreydan adormeceu com estes pensamentos amargos.
 Quando acordaram, seguiram rumo a Grande Montanha.

*

 Lá estavam eles. Siegfried, Dreydan, Nillos, Ayra, Kaniry (que finalmente havia se recuperado) e os outros membros estavam na entrada da Grande Montanha. 
 Após a floresta, havia uma clareira. O chão de terra chegava até a entrada da grande caverna. Era um buraco negro na base da montanha, com vários metros de altura.
 Nillos suspirou.

- Se for para morrer, não há nada que um guerreiro possa pedir além de o fazer lutando, de arma nas mãos. Que os deuses guiem nossos passos! - bradou ele. 

- Que os deuses guiem nossos passos! - formou-se um coro com alguns membros.

 Kaniry bocejou.

- Eu quase morri. Parece que foi apenas o teste. Agora é hora de morrer de verdade. Mas morrer enfrentando um dragão? Eu não poderia pedir nada além disso!

- Você vai morrer só dele liberar a presença - provocou Ayra.

 Nillos gargalhou. Kaniry enrubesceu. Siegfried silenciou o grupo.

- Vamos honrar nossos irmãos mortos - declarou ele. - Para os portões do inferno!

 E guiou os membros do Olho da Besta para dentro da enorme montanha.
 A caminhada foi dura e silenciosa. A cada passo a apreensão crescia. Algumas pessoas cochichavam, mas não tinham coragem de manter um diálogo por mais de meio minuto.
 Siegfried e Dreydan, os mais poderosos do grupo, estavam com uma sensação estranha. Como se uma aura residual estranha estivesse presente no ar. Dreydan imaginou que seria apenas a aura do dragão, mas Siegfried sentia algo pior.
 Conforme avançavam, as raras conversas tornavam-se nulas. Ayra e Kaniry eram os membros de "elite" que mais demonstravam medo. Siegfried e Dreydan continuavam frios e Nillos parecia animado com um reencontro com o dragão de lava.
 Os membros da organização chegaram no verdadeiro interior da montanha, onde ela se abria em um vasto espaço. Agora tinham certeza que tinha um tamanho quilométrico. 
 Lá, caído no meio desse espaço vazio, estava o dragão cataclismico de lava, aparentemente morto. Mas não, respirava. Estava apenas caído e fraco.
 Todos se animaram com a visão da poderosa criatura enfraquecida, mas Siegfried sentia que algo estava errado.

- Conseguimos! - exclamou Kaniry. - Vencemos!

- Que pena - disse Nillos soltando uma gargalhada. - Eu planejava uma boa briga de revanche. Hahahahahahaha.

- Quieto, idiota! - ralhou Ayra. - Um dragão adormecido é ainda mais fraco!

- Ayra-sama, você foi a que falou mais alto - comentou Kaniry com uma gota na cabeça.

- Silêncio - disseram Siegfried e Dreydan simultaneamente. 

 A entrada pela qual vieram desmoronou subitamente, assustando alguns. Mesmo assim, tinham um trabalho a fazer. Sempre havia apenas um dragão cataclismico, e ele estava parado ali na frente deles.
 Foi apenas quando estavam a menos de 200 metros do dragão que sentiram aquilo. Presenças aterrorizantes e poderosas. Era como se tivessem saído da neve subitamente para um deserto escaldante. 
 Dois dos membros mais jovens caíram no chão aterrorizados, e começaram a rir. Suas mentes entraram em colapso. Foi quando todos puderam ver aquilo. Aos poucos, a escuridão do local deixava de existir. E todos puderam ver.
 Eram mais de cem deles. Eram mais de 100 dragões cataclismicos, todos no mesmo lugar. A pressão provavelmente era do tamanho de toda a Jadu de Hikaru di Terfi, era uma sensação tão sufocante que ninguém conseguia se mexer.
 Siegfried olhou para o chão. 

- É a maldita toca - murmurou ele. - A tempestade deve ter desviado o navio da rota original. Atravessamos metade da ilha. Estamos em Pico do Arquidragão. 

 Cem Dragões Cataclismicos. Era provável que todos os espécimes do mundo, ou 99% deles, estivesse agora diante deles. Aquela visão de dragões de múltiplas cores e presenças fez com que Siegfried entendesse que não havia chance de sobrevivência. 
 Mas foi a visão seguinte que o fez perder o último resquício de esperança.
 Seu tamanho era quilométrico também. Deveria ter o tamanho de um feudo inteiro, mas só era possível ver sua cabeça. Suas escamas brilhavam, em tom de platina, cada uma do tamanho de um dragão cataclismico comum. Não era possível ver nada além de sua cabeça, de escamas platinadas. Seus dentes era todos para dentro da bocarra, mas era possível imaginar que o menor de seus dentes era do tamanho de uma fortaleza. 
 Embora tão aterrorizante, era o ser mais belo que todos já haviam visto. Possuía apenas três chifres. Um na ponta do focinho e dois na parte de trás da cabeça, projetando-se para trás. Tinha finos bigodes, um par de cada lado, que estendia-se até 500 metros longe de sua cabeça. 
 Mas eram seus olhos enormes que impressionavam. Tinham um belíssimo tom dourado, e a fenda em suas pupilas tinha um tom vermelho exatamente igual o sangue. 
 A criatura imensuravelmente colossal emanava uma presença tão poderosa que quase todos os membros restantes morreu na hora, e o resto caiu de joelhos perante a presença do ser mais poderoso de todos os planos.

- O Rei Dragão - balbuciou Nillos, estupefacto. 

 A criatura ficou surpresa por todos não terem morrido.

- "Então essas criaturas detém o poder do sangue de meus filhos?" - proferiu o Rei na linguagem dracônica.

- "Sim, V-Vossa Onipotência" - disse Siegfried, na língua dos dragões. - "Justamente concedemos a teus filhos uma vida de paz."

- "Um humano com o conhecimento de nossa língua? Sinto o cheiro dele em você. Maldito seja, Bendalk Arkanturius Sayllor!" - praguejou o Rei Dragão com ódio na voz. - "Que seja. Dar-lhe-ei minha misericórdia, humano. Se conseguiste tão 'corajosamente' machucar meus filhos, conseguirás sair daqui vivo? Pois assim digo: aqueles que deixarem esta montanha com vida, esforçarei-me para deixar viver."

 Siegfried repetiu a decisão do Rei aos poucos membros restantes. Eles arregalaram os olhos.

- Fugir?! Não vamos conseguir! - disse Ayra aterrorizada.

- Temos que lutar! - declarou Dreydan. 

 Kaniry olhou para ele espantado.

- Lutar?! Você nota a Jadu presente no ar? Um único deles já tem a Jadu de todo mundo aqui!

- Não irei fugir - disse Dreydan convictamente. 

- Kaniry está certo - concordou Siegfried. - Porém, lutar é nossa única opção. Nossa saída foi barrada. Abrir caminho pela montanha é a única opção. 

- Pela montanha e uma centena de bichos mais fortes que você - reclamou Ayra.

 Siegfried olhou-a friamente.

- Apenas um ser nesta montanha é mais forte do que eu.

  Os outros não entenderam até que o velho liberou Unnata Jadu e Arma Celeste, porém mesmo assim sua Jadu não alcançava o nível dos dragões cataclismicos. 

- Onde está todo o maldito poder que você alega ter?! - irritou-se Ayra.

 Siegfried ficou em silêncio. Sua Jadu começou a adquirir, surpreendentemente, uma forma sólida. Uma luz intensa foi liberada. Então, Siegfried sussurrou ameaçadoramente:

- [Ultimate Cataclysm: Herald of the Air God].

 Um pilar de energia branca atravessou a montanha, abrindo um buraco no teto e abrindo uma cratera ao redor de Siegfried. 
 Quando o discípulo do Jadukara Mais Forte terminou, lá estava ele, com uma armadura cinzenta com detalhes dourados. Era uma armadura completa, com elmo, peitoral, manoplas, etc. Era belíssima, e eram ainda mais impressionantes em conjunto com o par de asas feitas de ar. Emanava uma aura branca cintilante.

- Ultimate Cataclysm - murmurou Nillos. - O auge do poder dos Jadukaras… Quem diria que você ainda escondia isso, Sieg…

 O velho líder entrou em posição de batalha, e os dragões também. Os outros membros do grupo avançaram. Kaniry com seu gelo, Nillos com sua terra, Ayra com seus raios, Dreydan com sua água. 
 Então Siegfried avançou. Dois dragões cataclismicos voaram em sua direção, mas o poderoso Jadukara sumiu da vista deles. No outro segundo, os dragões despencavam do ar com as asas arrancadas. Siegfried tossiu sangue.
 "Merda. Não usei nem por vinte segundos e já estou assim… Arkanturius-sensei, como conseguia manter por tanto tempo?!"
 Siegfried sumia e reaparecia com golpes poderosos, mas mesmo assim seu poder equivalia, no máximo, aos mais poderosos daqueles dragões. Não seria suficiente para derrotar todos e ele não podia manter tempo o suficiente para sair com vida. 
 Foi quando ouviu Dreydan gritar. Quando Siegfried olhou, Nillos e Kaniry haviam sumido pelas chamas do Sopro Dracônico de um dos dragões. O velho arregalou os olhos, e então o Sopro Dracônico de um dragão do raio acertou-lhe, mandando-o contra a parede da montanha.
 Quando cessou, entretanto, Siegfried estava quase ileso.
 "Apenas uma Ultimate Cataclysm pode vencer outra", pensou Siegfried avançando novamente contra os dragões. 
 Dreydan surgiu na sua frente com vários tentáculos de água acertando múltiplos dragões, embora causasse pouco dano a eles.
 "Meu filho, sou o único que realmente pode machucá-los", pensou amargamente. "Nillos, Kaniry, Rhaenia…"
 Eram seus membros mais estimados, aqueles que mais dividia seus momentos. Claro, abaixo do próprio Dreydan.
 Foi quando Ayra liberou centenas de relâmpagos que atingiram múltiplas vezes todos os dragões, mas eram desfeitos antes de chegarem perto do Rei. Ayra atacava sem medo, pois sinceramente não achava que poderia sobreviver. E seu pensamento revelou-se correto quando um dos dragões, de escamas verdes, abriu a boca em sua direção. 
 Uma onda de veneno foi liberada, e acertou Ayra. Sua Jadu havia sido desgastada, e em pouco tempo seu corpo começou a apodrecer. Não demorou mais de trinta segundos para que Ayra desse seu último suspiro. 
 Dreydan gritou, e liberou toda a sua Jadu, criando dezenas de armas feitas de água. Tormenta de espadas, e elas atingiram todas as criaturas. Entretanto, a maioria dos dragões sequer sentiu o ataque.
 Dreydan arremessava seu tridente, golpeava com o punho envolto em água, mas nada adiantava. Começou a praguejar a cada golpe ineficaz, enquanto via o pai lutar praticamente sozinho contra 100 dragões cataclismicos, já que nenhum dragão morreu até agora.
 Dreydan estava em pé em um dragão cataclismico, se esforçando para forçar o dragão para cima, para o buraco aberto por Siegfried. Sua Jadu estava se esgotando, mas Dreydan não podia desistir. Toda a organização estaria perdida se seu pai morresse ali.
 Dreydan via Siegfried voar velozmente pelos dragões desferindo golpes de todos os lados. Um dragão abriu a bocarra em sua direção, mas o Jadukara olhou friamente para o dragão. 

- [Desejo no Vazio]!!! - bradou Siegfried, e criou vácuo onde estava a cabeça do dragão. 

 Sem a cabeça, foi a primeira baixa dos dragões. 
 Siegfried dava pontapés enquanto defendia com o escudo. Sua Arma Celeste estava absolutamente desgastada, mas Dreydan sabia que eram inquebráveis. 
 O velho criou um tornado que começou a puxar todos os dragões, logo em seguida mandando-os para longe.

- É agora! - percebeu ele.

 Siegfried usou o teleporte elemental para chegar até Dreydan. Pegou o rapaz e voou em alta velocidade até o buraco. Foi quando um dos Sopros Dracônicos atingiu-lhe. Demorou a perceber que havia sido o sopro do dragão de lava que caçavam inicialmente. 
 Mesmo assim, ele estava vivo. Mas percebeu o que ocorreria em seguida.

- Temos que vingá-los! - dizia Dreydan. - Não podemos fugir!!!

 Siegfried olhou para Dreydan com serenidade, desfazendo o elmo.

- Dreydan… Filho. Por favor - deu um sorriso triste, mas não se permitiu chorar. - Cresça. Viva. Sua vida tem um propósito muito maior do que qualquer um de nós pode imaginar.

 Com um último olhar, Dreydan sentiu uma poderosa rajada de vento atirá-lo para cima, em direção ao buraco aberto no céu. 

- NÃO! PAI!!! - gritava Dreydan desesperado, vendo a cena seguinte.

 Disparos de energia. 100 Sopros Dracônicos fundiram-se em um único sopro de luz branca disparado por todos os dragões cataclismicos. Siegfried manipulou o ar e criou uma onda de vento que jogou Dreydan para o lado.
 Siegfried sorria, com os olhos marejados, enquanto relembrava tudo o que havia passado. Com seu mestre, com sua falecida esposa, com o Olho da Besta, com Dreydan. Sim, principalmente com Dreydan.
 O velho Jadukara sentiu o raio conjunto destruir a Ultimate Cataclysm e chegar a seu corpo. Siegfried foi desintegrado com o Sopro Dracônico Divino, e o raio de luz branca atravessou o buraco e chegou ao céu, subindo quilômetros e quilômetros até finalmente explodir em uma esfera de luz branca. A explosão tinha o tamanho do Planeta Terra, e varreu céu, nuvens, a própria tempestade que circulava o Norte e a pressão de tal ataque pôde ser sentida de Norte a Sul do planeta. Dreydan desmaiou na hora com a pressão, e seu corpo foi disparado pela pressão e jogado em direção ao Oceano Sem Fim. 
 Todos haviam morrido. Siegfried, e todo o Olho da Besta foi com ele.

*

Tudo estava escuro. Conseguia ouvir vozes conversando calmamente, próximas a ele. Tinha medo de abrir os olhos. Tinha medo de descobrir que tudo fora real. 
 Dreydan abriu seus olhos, e pôde ver um teto de madeira. Pelo modo que balançava, imaginou corretamente que estava em um navio. Pelo modo calmo que balançava, duvidava que estivesse próximo ao Norte.
 As vozes pareceram ficar mais ansiosas, e então viu alguém se aproximar dele. Era um homem de us 40 anos, com uma barba negra e careca, com um tapa-olho e um sobretudo preto.

- Então finalmente acordou - comentou ele. - Sou Berus de Daranor. Caso queria saber sobre o tapa-olho, é só pelo estilo. Tenho dois bons olhos.

 Dreydan sentia dor de cabeça.

- Onde estou?

- No meu navio, o Doce Cadela. Dorme já faz duas semanas. Encontrei você há algumas léguas do território proibido. - Referia-se ao norte, Dreydan sabia.

- Havia mais alguém comigo?

- Estava sozinho - informou Berus. - Após aquela explosão colossal, eu decidi que não queria ficar muito tempo perto daquele lugar. Bem, não seria correto deixar alguém para morrer sozinho no meio do mar. Você tem família?

 Dreydan ficou em silêncio por um tempo.

- Tinha.

- Oh… Entendo… Bem, posso te levar para minha terra. Você segue sozinho a partir daí. 

- Iremos para onde?

- Daranor, o maior dos reinos humanos. O lar dos mais poderosos Jadukaras do planeta. 

 Dreydan assentiu.
 O jovem passou as próximas duas semanas na companhia de Berus e sua tripulação. Eram boas pessoas, mas Dreydan não quis se aproximar de mais.
 Após a travessia do Oceano Sem Fim, ou parte minúscula dele, contornaram a floresta onde Dreydan morou e seguiram pelo litoral. Após mais uma semana de viagem, chegaram a um porto em Daranor.
 O navio atracou. Após uma troca de cumprimentos entre Berus e o dono do porto, o capitão se virou para Dreydan.

- Aqui nossos caminhos se separam.

- Agradeço-lhe, Berus-san.

- Desejo sorte em tua jornada, meu bom rapaz.

- Que os ventos estejam a seu favor na próxima vez que velejar, senhor. 

- Hahaha, obrigado garoto. Espero te ver de novo um dia.

 Dreydan nunca chegou a saber que Berus, em um passeio a navio com as filhas gêmeas um mês após aquele dia, morreu atacado por uma Serpente Marinha, junto de sua tripulação. Nunca chegou a reencontrar o bom jovem que resgatou próximo ao Norte.

*

 Havia três meses Dreydan vagava por Daranor. Pensara em voltar para casa, mas no fim não o fez. Não havia mais nada naquele lugar quando sua família estava morta.
 Dreydan viajou pelo reino, mas sua comida estava acabando. Não havia mais ninguém lhe ajudar. Dreydan estava no meio de uma floresta, que procurou alimento e falhou, e agora caía no chão, sem forças. 

- Me perdoe, pai - balbuciou ele. - Me perdoe, Rhaenia. Me perdoe, Ayra. Me perdoe, Kaniry. Me perdoe, Nillos. M-me perdoem, todos vocês. Me perdoe, Hank. Me perdoe, Deva. Me perdoe, Luk. Me perdoe…

 Recitou o nome de todos os membros de sua organização. Pediu perdão também a Berus e sua tripulação. Pediu perdão ao homem estranho, Ben, e a todas as pessoas que conheceu em sua viagem por Daranor.
 Foi quando ouviu passos na floresta silenciosa. Não pôde ver direito, até que viu a parte inferior de uma túnica branca e um cajado. Uma voz gentil soara em seus ouvidos.

- Bem imaginei ter sentido uma Jadu poderosa - comentou. - Diga-me, criança, o que faz aqui?

- Sobrevivo - respondeu Dreydan indiferente. - Talvez nem isso.

- Entendo… Meu filho, eu vou cuidar de você. 

- S-Sieg… fried… sama?

 Dreydan desmaiou.
 Quando acordou, notara que não era seu pai. Era um homem ainda mais velho, com barbas e cabelos longos e uma presença imponente. Apesar disso, tinha um sorriso gentil. 
 Após conversar com o velho, descobriu que se chamava Yolfun Santir, descendente de Chisaki Santir e atual diretor da tal "Academia Terfi". Com a conversa, Yolfun descobriu que Dreydan tinha alto conhecimento sobre Bestas Elementares, mais do que muitos que conhecia.
 E fez a Dreydan uma proposta. Perguntou se ele não queria virar um professor na academia e ajudar as futuras gerações. Dreydan não deu tanta atenção, até chegarem realmente à Academia Terfi.
 Era uma construção belíssima. Enorme. Dreydan olhava admirado cada centímetro dela, até que, após passar por vários e vários alunos e até alguns professores, chegaram em uma sala diferente das demais.
 A sala em que ele estava era pequena, com uma prateleira cheia de livros no lado esquerdo e com uma caixa com arquivos da academia, além de três bancos de espera, do lado direito. O chão parecia ser feito apenas de madeira, enquanto as paredes eram brancas e o teto marrom.
 
- Dreydan Alf Drake. Seu conhecimento sobre Bestas Elementares é impressionante, e a Jadu…

- É do nível de um professor. Eu sei.

- Muito bem. Vamos testá-lo.

 E assim ele fez (não, não vou mostrar o teste agora hehehe). Yolfun sorriu.

- Bem-vindo à Academia Terfi, Professor de Bestas Elementares Dreydan Alf Drake.

 Ele e Yolfun então saíram do local. Dreydan deu um leve sorriso, pela primeira vez em muito tempo.

- Talvez… Talvez eu possa me acostumar com isso.

 Yolfun gargalhou e pôs a mão em seu ombro.

- Claro que pode, filho. Você tem muito potencial. Quero que saiba que sempre vai poder contar comigo, meu rapaz. 

 Então Yolfun foi embora, sorrindo. Dreydan também sorriu.

- Talvez…

 


Notas Finais


Passado do Dreydan, aparição do Rei Dragão e agora o nome do mestre do pai do Dreydan, o Jadukara Mais Forte
Algumas partes talvez estejam meio corridas. Sorry.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...