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História Ação, Reação e Consequência... - Capítulo 19


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Notas do Autor


✦Aproveitem a leitura ^^

Capítulo 19 - Dualidade


Alguns erros não podem ser corrigidos, o melhor a se fazer é aguentar suas consequências de cabeça erguida.

Dualidade

Shisui conseguiu disfarçar bem a decepção quando viu que quem entrou pela porta foi Sasuke e não Itachi. Aquela fuinha teimosa não havia retornado para casa desde a noite anterior e a culpa era sua, quase se arrependia por tê-lo beijado. Quase. Sorriu para o primo mais novo.

- Olha só quem está se tornando nativo de novo – caçoou abraçando-o e despenteando o cabelo dele só porque sabia que isso o irritaria.

- Eu vou te avisar logo Shisui – Sasuke grunhiu se afastando. – No continente americano você não é nada engraçado e no asiático também não.

- A culpa não é minha se você não tem um pingo de senso de humor.

Do corredor, Naruto observou a interação com cuidado. Achava estranho Itachi nunca ter mencionado aquela pessoa, ele geralmente era tão atento a tudo que cercava o irmão e Sasuke parecia gostar dele. Mas quem era ele para julgar. 

- Sasuke? – Chamou para lembra-lo que precisava de ajuda. Estava com Boruto adormecido em um braço e segurando Daisuke no outro.

- Desculpa – o moreno pegou o próprio filho que resmungou irritado. – Naruto esse é Shisui Uchiha, meu primo de segundo grau. Shisui esse é Naruto Uzumaki um... velho... amigo.

Tanto o loiro quanto o Uchiha mais velho, que brincava de apertar as bochechas de Daisuke, fingiram que não notaram o claro desconforto de Sasuke e se cumprimentaram de forma amigável. Institivamente simpatizaram um com o outro. Era como se soubessem que iriam se dar bem, já que ambos eram pessoas de espirito naturalmente quente.

- Eu te apresentaria ao meu filho, mas ele decidiu brincar de bela adormecida.

O moreno mais velho riu, o menininho no colo do Uzumaki era parecido com ele na mesma proporção que Daisuke era com Sasuke. Falando nele, o pequeno Uchiha estava emburrado e impaciente ameaçando chorar. Por sorte o pai parecia saber exatamente o que era e foi direto para cozinha preparar uma mamadeira fresca.

- Eu acho que lembro de você Naruto – Shisui franziu a testa pensativo. – Eu fiquei alguns meses aqui no Japão quando estava na faculdade, à gente deve ter se esbarrado em algum momento. Você era vizinho dos meus primos, não era?

- Sim – sorriu abertamente trocando o filho de posição, pois seu braço já começava a doer. –Eu acho que me lembro também, você ficava mais com o Itachi, não era? Engraçado ele nunca falou de você.

Sasuke bateu a porta do armário com um pouco mais de força que o necessário e encarou o Uzumaki com os olhos estritos. Esse empalideceu um pouco e mordeu a bochecha ficando ainda mais sem graça ao reparar que os ombros de Shisui haviam caído de leve depois da sua observação.

- Melhor você colocar o Bolt no quarto – Sasuke instruiu. – Daqui a pouco a gente acorda ele ou então ele vai virar outra noite acordado.

A quantidade de açúcar que ele e Kushina ingeriram na sorveteria manteve os dois despertos, boa parte da madrugada e Boruto parecia disposto a recuperar isso.

- É... Eu vou sim – sorriu amarelo. – Prazer em te conhecer.

Os Uchihas adultos permaneceram quietos até o som dos passos do Uzumaki desaparecer depois de alcançar o topo da escada. Daisuke balbuciou ansioso ao ver sua mamadeira quentinha e agarrou-a com as duas mãozinhas, sugando avidamente o leite assim que a teve em seu alcance, bastante confortável no colo do pai.

- Desculpe por isso. Ele não faz por mal.

- Tudo bem.

- Então... – Sasuke ajeitou o filho sentando no sofá da sala. – Você e meu irmão?

Shisui riu anasalado. Malditos genes Uchiha de observação. Havia esquecido como aquele pentelho era astucioso. A culpa daquilo era toda do Madara. Ia comentar sobre isso, mas reparou a expressão dele, que era uma estranha mistura de desconforto e medo.

- O que foi? – Perguntou preocupado, sentando no lugar ao lado do dele.

- Nada, é que... – Sorriu com escarnio. – Acredita que essa é a primeira vez que eu me refiro ao Itachi como o meu irmão desde que voltei para cá?

O outro suspirou silenciosamente. Não sabia todos os detalhes da causa que levou os dois irmãos a se afastarem de forma tão violenta. Apenas pescou pedaços de conversas aqui e ali sempre que visitava a Califórnia. Era um assunto proibido e Tobirama fuzilava qualquer um que tentasse perguntar demais. A única coisa que sabia com certeza, era que Sasuke tinha ouvido algo horrível, tão horrível que foi capaz de afetar as cordas vocais dele por meses e que Itachi parecia estar envolvido de algum jeito. Não acreditava nisso. Algo realmente terrível podia ter acontecido, mas nunca achou ou pensou que Itachi tivesse feito algo para o irmão que sempre foi o centro do seu universo.

- E qual o problema nisso? Ele é seu irmão e sempre se importou muito com você.

- Achei que ia conseguir usar o ressentimento e magoa como um escudo para manter as lembranças afastadas. – Admitiu com a voz baixa. – Não consigo mais.

- Não sei o que houve entre vocês há doze anos, Sasukito. – O mais novo bufou com o apelido. – Mas tanto tempo já passou, tanta coisa aconteceu e mudou. Por que você não tenta ter uma conversa séria com ele? Eu sei que as habilidades comunicativas não é o ponto forte dos Uchihas, com algumas raras exceções como o Izuna, e eu obviamente. – De novo Sasuke bufou pelo tom convencido. – Mas eu acredito que com um pouquinho de esforço vocês se entendem.

- É um pouco mais complicado que isso – colocou Daisuke no ombro com o intuito de fazê-lo arrotar.

- Mais complicado do que morar sob o mesmo teto que Madara Uchiha e Tobirama Senju? – Arqueou a sobrancelha brincando. – Porque eu acho que depois de anos convivendo com aqueles dois, você tira qualquer coisa de letra.

Seu tio mais velho e pai adotivo viviam para brigar pelo menos duas vezes por dia. O motivo não poderia ser mais irônico e era o mesmo para ambos que morriam de ciúmes dos próprios irmãos com os companheiros e não os achavam bons o bastante para Hashirama e Izuna. Era ótimo que os dois últimos tivessem uma personalidade tão tranquila, ou então Santa Mônica inteira já poderia ter explodido.

- Acho que você tem razão – deu os ombros cansado emocionalmente. – O que houve entre vocês?

- Muita coisa Sasukito – sorriu tristemente. – Eu errei, ele errou e a gente deixou o tempo passar como se não fosse nada. Fiz a idiotice de me casar porque era o sonho do meu pai ter um neto e agora mal vejo a minha própria filha.

- Mas você vai conseguir a guarda dela, não vai? – Indagou tenso. Foram poucas as vezes que viu Naori, mas lembrava-se que ela era uma menina muito doce. Completamente diferente daquela mãe insana.

- Depois que eu garanti uma excelente pensão para Anko ela rapidinho abriu mão do processo. – O tom de Shisui saiu enojado. – Só estou esperando o ano terminar para tira-la daquele maldito internato e da uma vida normal para ela. É só por causa da minha garotinha que eu não afirmo que mudaria tudo, só queria que o dano colateral tivesse sido menor.

É, teria sido incrível se o dano colateral tivesse sido menor e direcionado para outras pessoas, pensou Sasuke observando o rosto sonolento do filho. Aquele garoto podia dormir com o mundo se acabando desde que estivesse com a fralda seca e a barriga cheia. O que seria diferente se alguma coisa mudasse no passado? O que ganharia? O que perderia? Havia chego ao ponto que não queria mais descobrir.

Os dois morenos viraram o pescoço para a escada, Naruto havia voltado. Tinha trocado de roupa e o perfume amadeirado encheu a sala.

- O Itachi não esta em casa?

- Não, ele saiu ontem dizendo que ia trabalhar, mas não voltou à noite – Shisui trocou olhares com Sasuke. – Deve ter ido para casa de um amigo e eu precisava tanto falar com ele.

- Ah, ele deve ter ido para casa do Kisame... Não é tão longe daqui. Quer o endereço? – O Uzumaki foi para cozinha e começou a preparar um lanche.

- Eu – hesitou por um instante. – Quero. Vou lá – o tempo de esperar já tinha passado.

Naruto adicionou o numero de Shisui no celular e enviou para ele pelo aplicativo de mensagem o endereço do biólogo da Akatsuki. O Uchiha mais velho se despediu deles rápido e partiu parecendo bastante ansioso.

- Casos de família – riu o loiro.

- Você não faz ideia. – Sasuke colocou o bebê adormecido no tapete felpudo com alguns ursinhos em volta. Deu a volta no sofá e olhou para o balcão que estava intacto até cinco minutos atrás, mas que agora parecia uma zona de guerra. – Me diz uma coisa. Como você consegue fazer tanta bagunça só com um sanduiche?

Naruto que se preparava para da à primeira mordida no pão parou e olhou para o moreno piscando lentamente. Já havia recebido aquela critica antes, contudo Sasuke não parecia aborrecido. A interação deles tinha mudado depois daquele momento no seu quarto.

- Desculpe... Quer um?

- Deixa comigo. – Respondeu se posicionando ao lado do Uzumaki.

Esse deixou a comida de lado e passou a observar os movimentos do moreno. Ele era rápido e pratico, parecia ter experiência fazendo aquilo e o sanduiche dele ficou bem mais apetitoso que o seu e mais arrumado também, apesar de ter os mesmos ingredientes. A lembrança dos toques e gemidos que trocaram vieram vividamente na sua memória e não resistiu em tocar o antebraço dele e acariciar a pele branca.

Os olhos negros voltaram-se para ele e pareciam arder com uma profundidade que deixava Naruto completamente louco. Contudo, para sua surpresa foi o moreno que tomou a iniciativa e beijou de leve seus lábios em uma caricia suave.

- Não vai comer?

- Eu vou... Eu tenho que ir na Red... Eu tenho que falar com a Karin – franziu a testa ao perceber que estava balbuciando. – Você consegue me deixar louco, sabia?

- É... eu meio que reparei.

- Nosso encontro ainda esta de pé, certo?

- Está – respondeu calmo.

Heroína não havia conseguido vicia-lo, mas o toque de Naruto o fez. Uma única imersão e queria mais, queria tudo e como fugir não adiantava nada ao menos daria uma chance e lidaria com as consequências depois.

- Ótimo – entrelaçou os dedos com os dele e quase grunhiu quando o celular vibrou.

Separou as mãos de má vontade e desbloqueou o aparelho telefônico com impaciência. Era um e-mail do escritório de advocacia dos Hyuuga. Gelado abriu a mensagem e ficou mais aliviado ao ver que o remetente era Neji. Uau, e ele tinha mandando bastante coisa.

- Algum problema?

- E-mail do Neji – manteve a testa franzida.

- Isso é ruim? Ele não é seu amigo?

- Ele é – guardou o celular, não estava com cabeça para isso. – Eu vou passar na Red e depois na minha prima. Pode olhar o Boruto?

- Claro.

- Obrigado – deu um selinho de leve no Uchiha que sacudiu a cabeça e pegou o sanduiche que ele tinha colocado no guardanapo. – Até mais tarde.

- Até...

Já no elevador indo para garagem quando o assunto no e-mail voltou a perturbar Naruto. Neji era seu amigo intimo, se ele queria entrar em contato podia mandar mensagem pelo aplicativo ou só ligar. Fez uma promessa silenciosa de que leria tudo assim que chegasse ao seu escritório na boate.

Pensar em Neji o fez lembrar-se de Gaara e eles também precisavam discutir uma coisa. Foi até a lista de contatos e ligou para o Sabaku que atendeu no segundo toque.

- Ei, já voltou da casa dos seus pais?

- Cheguei hoje mais cedo. – As portas do elevador abriram e caminhou até seu Toyota destrancando a porta com a chave. – E aí? Acha que podemos nos ver? Na última vez que nos vimos eu disse que precisava ter uma conversa séria com você.

~*~

A água fria não estava sendo muito agradável, mas ajudou Itachi a sair daquele torpor de sono misturado com uma leve ressaca. E também ajudou a aliviar aquele dorzinha de cabeça incomoda resultante de tomar quase uma garrada de vinho praticamente sozinho. Fez uma nota mental para comprar um novo vinho para Kisame. Já que havia acabado com o dele.

Secou o cabelo sem muita vontade e tentou não se incomodar com as gotículas escorrendo pelos fios longos. Era sorte que na casa do antigo colega de irmandade tivesse algumas mudas de roupas suas. Ele não era alguém vaidoso ao extremo, mas não conseguia colocar as mesmas roupas do dia anterior.

- Entra – autorizou ao ouvir batidas na porta.

O Hoshigaki girou a maçaneta e perdeu momentaneamente a fala ao ver o perfil do Uchiha com os cabelos soltos e úmidos. O universo estava no auge da sua inspiração quando fez aquele clã maldito. Aquela beleza icônica era compartilhada por Sasuke também, e pelo filho dele que mesmo com poucos meses de vida já ficava claro que seria tão deslumbrante quanto o pai e o tio.

- Precisa de uma aspirina?

- Não – enrugou a testa. – Eu vou ficar bem. – Detestava tomar qualquer remédio ainda mais se fosse comprimido. – Tenho que ir para casa, Sasuke e Naruto devem ter voltado.

- Você vai precisar adiar essa ida para casa por mais algumas horas.

O tom do outro fez Itachi virar para ele surpreso. Kisame não podia ser chamado de alguém muito animado, contudo dificilmente seu tom de voz ficava serio e pesado daquele jeito. Ele também estava evitando olha-lo de maneira direta, o que era no mínimo peculiar.

- O que foi? – Estendeu a toalha de volta no aparador. – Kisame?

- Pain, Konan, Deidara, Sasori e todo o resto da Akatsuki estão lá na sala. Eles querem conversar com você e é um assunto bem sério e do seu interesse.

O biólogo sentia seu peito comprimido. A mensagem de Yahiko dizendo para segurar o moreno lá foi absurda e estranha, mas fez o que foi pedido. Quando eles chegaram lá, Itachi tinha acabado de entrar no banheiro para tomar banho e sabia que ele ia demorar por causa do cabelo longo. Nesse meio tempo foi informado qual seria a conversa e seus dedos estavam dormentes de ansiedade. Só quem conhecia o Uchiha de verdade, e eram poucos, sabiam que por baixo daquela expressão impassível e ilegível a maior parte do tempo, existia alguém volátil e impiedoso.

- Toda a Akatsuki? O que é? O mundo tá acabando?

“Não, mas vai chegar bem perto disso”.

Itachi estava intrigado, contudo assim que pisou na sala e viu todos os seus antigos companheiros de irmandade reunidos em uma atmosfera pesada a sensação se multiplicou por dez.

- Ok, o que tá acontecendo aqui? – Virou para Kisame que estava parado atrás dele com os braços cruzados.

Todos da sala se remexeram desconfortáveis e jogaram os olhares para os pontos mais aleatórios possíveis. Alguns até fixaram-se no teto. Deidara que tinha mantido a cabeça baixa desde que Konan narrou para os outros o acontecido e o porquê deles estarem lá se encolheu tanto no canto do sofá que parecia ansioso para se fundir ao estofado.

Sentindo o corpo do namorado tremer, Sasori segurou a mão dele com firmeza. Era uma forma silenciosa de dizer que não sairia do seu lado sob nenhuma circunstância. Isso fez Deidara tomar folego e erguer a cabeça, desejando conseguir manter a coragem.

- Itachi – pigarreou engolindo a seco ao ter as íris negras em sua direção e precisou lutar para não se encolher de novo. – Tem uma coisa que eu preciso contar para você. Uma coisa que aconteceu há muito tempo, que afetou bastante gente, mas que afetou principalmente o seu irmão.

- Meu irmão? – Repetiu confuso. – Do que você tá falando?

- E-Eu fiz...disse algumas coisas que magoaram seu irmão.

O Uchiha abriu a boca para questionar aonde o artista plástico queria chegar, porém a campainha do apartamento soou e todos os visitantes de entreolharam confusos. Estavam todos lá... Quem poderia ser?

O silencio voltou a reinar na sala, sendo ofuscado apenas pelos passos do proprietário. Contudo, Itachi não estava prestando atenção nisso. Seu olhar mantinha-se fixo em Deidara que na primeira oportunidade que teve voltou a encara o chão. Ao lado dele, Sasori parecia igualmente tenso. O Akasuna geralmente era apenas hostil com sua pessoa, mas agora parecia quase temeroso. Konan e Yahiko estavam em um canto e em suas expressões a expectativa e angustia eram claras. Apenas Hidan e Kakuzu mantinham-se ilegíveis, embora notavelmente desconfortáveis.

- Me desculpe, eu estou procurando meu primo Itachi Uchiha.

Na sala o coração de Itachi trovejou com força ao ouvir aquela voz. Sua reação foi tão violenta que seu rosto transpareceu sua surpresa e certo pânico a ponto de Sasori perceber e arquear a sobrancelha de leve para ele.

- Ele está aqui – Kisame retornou com Shisui ao seu encalço. – Então você é o passado, uh? Ouvi bastante ao seu respeito ontem à noite.

Os dedos do Uchiha de cabelos longos se contraíram e só de olhar para cara dele dava para notar que se pudesse ele mataria Kisame ali mesmo do jeito mais doloroso possível.

Deidara, por outro lado, pareceu sair do estado mórbido para analítico e as peças se juntaram rapidamente na sua cabeça. Só de ver a reação de Itachi, que era famoso por não ter reação nenhuma. O jeito que ele parecia se controlar para não ofegar. E a forma como ele e o tal Shisui trocaram um olhar que durou menos de cinco segundos, mas foi o suficiente para deixar tudo claro. Agora fazia sentindo. Itachi nunca poderia tê-lo amado ou qualquer outra pessoa. Porque durante todos aqueles anos ele mantinha-se apaixonado por alguém. A constatação o fez rir de leve. Estava aliviado, aliviado por não estar doendo como achou que doeria. Isso só reforçava o fato de ter superado tudo que envolvia o Uchiha.

- Como foi que você chegou aqui? – A voz do editor tremeu na primeira palavra.

- Seu irmão chegou com o Naruto e ele me deu o endereço já que você não me deu noticias. Eu fiquei preocupado.

- Naruto? O primo do Nagato? – Deidara interrompeu a conversa.

- É... Ele está morando com o Sasuke e o Itachi – Konan respondeu desconfiada daquele súbito interesse.

- Eu acho que seria legal ele está aqui também. – Murmurou olhando firme para azulada. – Ele teve uma participação nesse rolo. – Virou para Shisui que estava nitidamente confuso com aquela situação, e preferia falar com o recém chegado do que com Itachi. – Pode ligar para ele?

~*~

Naruto olhou para o grupo de adolescentes com um sorriso de pura nostalgia no rosto. Os três garotos e as duas meninas pareciam ter se reunido para fazer algum tipo de trabalho da escola, mas não estavam muito dedicados a tarefa. Aquele tempo era incrível, sem preocupações, responsabilidades no mínimo, uma infinidade de possibilidades para o futuro e mais tempo para lidar com as decisões erradas.

Não que não gostasse do rumo que sua vida tinha tomado. Boruto era o centro do seu mundo e a cada dia sentia-se mais próximo a ele, contudo não negava que gostaria que as circunstâncias do nascimento do filho fossem outras. Sua falta de maturidade para lidar com a gravidez de Hinata e a percepção para enxergar o quanto ela estava doente tiveram consequências graves. Graças a Deus, Sasuke tinha retornado para o sua vida. Foi por causa do Uchiha que as coisas começaram a se encaixar de novo e seu garotinho até tinha falado. Uma palavra. Mas tinha falado.

Karin recomendou uma excelente psicóloga infantil, era uma das suas professoras do mestrado, muito experiente e que com certeza ajudaria eles a passarem por aquele processo. Não iria sossegar enquanto seu menino não voltasse a desfrutar de uma vida plena e feliz. O que o fazia lembrar-se de Hinata. Aquele e-mail de Neji sombreava seus pensamentos e só não havia parado para lê-lo todo porque no momento outro assunto tinha prioridade. Além disso, a família Hyuuga deixou claro que não tinha interesse nenhum em Boruto, até mesmo Neji não perguntava muito sobre o primo de segundo grau. Só não sabia se era para evitar pensar na prima que estava internada em algum lugar remoto da Europa ou se era por ordens do tio estupido.

Aquele era o único alivio que tinha. Hiashi nunca mais poderia chegar perto de Boruto. O documento que ele mesmo fez como desembargador retirou toda a responsabilidade de Hinata sobre o filho deles e quanto assinou aquilo tomou para si a função de criar o bebê por completo. Gaara lhe garantiu isso depois de analisar o documento e confiava plenamente na competência jurídica do Sabaku.

- Ei! – Falando nele, o ruivo chegou e sentou na cadeira de frente para sua sem nem que tivesse o visto de aproximar. – Tá viajando por qual galáxia?

- Nenhuma, na verdade eu estava bem preso a Terra – sorriu divertido. – Estava pensando no Boruto. Ele falou.

- Jura? – A garçonete se aproximou e o advogado pediu um chá e Naruto um cappuccino. – Isso é ótimo.

- Foi só uma palavra – tentou não desanimar. – Eu queria ter gritado de alegria, mas o Sasuke disse que é melhor não e recomendou procurar um profissional, então semana que vem começaremos terapia.

As íris verdes ficaram mais suaves ao notar que o sorriso de Naruto estava mais radiante. Como nos tempos que eles eram adolescentes. Depois do acidente que ceifou a vida de Nagato, o primo que ele amava como um irmão, e deixou graves sequelas na mãe, o espirito dele tinha rachado. E trincado em várias direções depois daquele casamento fadado ao fracasso. Para finalmente quebrar por completo ao precisar encarar que não havia sido um bom pai para o próprio filho.

- Alguma coisa boa aconteceu? – Agradeceu quando a funcionaria da cafeteria retornou com seus pedidos. – Suponho que tenha haver com o pirralho Uchiha.

- Ééeeee – riu meio sem graça e meio malicioso. – Nós meio que tivemos um ótimo momento na casa dos meus pais.

- Deus – sacudiu a cabeça descente. – Você não tem jeito mesmo, não é?

- Ei! Ele tomou a inciativa e não tinha a menor chance deu recusar! Nós vamos sair de verdade esses dias. Acho que ele parou de fugir de mim e sei lá, vamos ver no que vai dá. – Se ajeitou no estofado. – E falando no Sasuke, eu te contei que ele sempre pareceu ressabiado perto de mim e não sei, nós éramos próximos quando crianças. O que mudou? Você lembra de algo que possa ter acontecido? Estou perguntando para você porque...! – Naruto bufou ao sentir o telefone tocar e crispou os lábios ao ver que era Shisui, será que ele não tinha encontrado o endereço de Kisame? – Alô?

- Naruto, me desculpa te ligar assim. Imagino que esteja ocupado.

- Não, tudo bem. O que foi? Está perdido?

- Não, eu consegui achar o apartamento do amigo do Itachi, mas a irmandade da faculdade dele toda está aqui e eles parecem bem nervosos.

- Akatsuki? Reunida? – Enrugou a testa. – Por quê?

- Olha, eu não sei de todos os detalhes, mas parece que tem alguma coisa haver com o Sasuke. – A voz de Shisui ficou mais baixa. – E a coisa parece bem séria. O tal do Kisame disse que era ótimo eu ter aparecido, quanto mais gente para conter o Itachi melhor e o loiro, Deidara, disse que seria legal você está aqui também.

- Eu? – Repetiu confuso com a afirmação. – O que eu tenho haver com assuntos da Akatsuki. Meu primo fazia parte, mas ele faleceu já tem anos.

- Fala que nós já estamos a caminho. – Gaara levantou em um pulo tirando o dinheiro da carteira para pagar a conta.

O volume da ligação de Naruto era tão alto que o ruivo conseguiu ouvir a conversa inteira. Se eles estavam com medo da reação do Itachi então o assunto só poderia ser um.

- Que foi isso Gaara? – Seguiu o amigo assustado.

- Veio de carro? – O loiro assentiu. – Ótimo, o transito não tá tão ruim a gente vai levar pouco tempo para chegar. Naruto – colocou a mão nos ombros dele. – Lembre-se que nós éramos jovens, estúpidos e estávamos embriagados, ok? Tente não se martirizar muito pelo o que vai ouvir.

O Uzumaki fechou o rosto com indignação por causa daquele suspense e articulou um protesto, contudo o Sabaku deu as costas e andou rápido cortando sua queixa. Sem opções, apenas o seguiu irritado, e com o peito estranhamento pesado.

 


Notas Finais


✦Admito que me senti escrevendo um capítulo final de novela rsrsrs
✦Beijos


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