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História Ação, Reação e Consequência... - Capítulo 23


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Notas do Autor


✦Olá! ✦
✦Como tá a quarentena de vocês? Vamos evitar sair de casa e aproveitar para ler e comentar as fics ^^! ✦
✦Boa leitura! ✦

Capítulo 23 - Consolação


O lugar mais seguro do mundo são os braços das pessoas que amamos.

Consolação

A família ficou se encarando por alguns segundos e o primeiro a expressar reação foi Izuna que ergueu os braços, no instante seguinte Sasuke já estava abraçando-o com toda força que tinha e Tobirama envolveu os dois morenos rapidamente.

- Pai – a voz do Uchiha mais novo tremeu.

Todas as emoções que vinha sentindo naqueles ultimas horas pareciam estar emergindo de dentro do seu âmago com violência aterradora. E foi com relutância que permitiu que Izuna se afastasse um pouco dele.

- Meu amor, o que foi que aconteceu? – O moreno sentia o filho tremer, mas o conhecia bem o suficiente para saber que ele não ia quebrar. Não na frente dos outros.

- Ele se engasgou com um pedaço de pelúcia que causou uma crise de asma como aquela de quando ele era recém-nascido – explicou deixando os pais adotivos entrarem no quarto para olhar o bebezinho que dormia sereno.

- Prognóstico? – Como sempre Tobirama era mais o mais pragmático dos três.

- A pediatra que acompanha ele desde que chegamos aqui em Tóquio disse que o pior já passou e ele só vai ficar internato para observação.

- Mais alguma coisa aconteceu, além disso? – Sasuke ergueu os olhos para o Senju que o encarava com a aquela expressão de conhecimento que sempre o assustou. Assentiu de leve, era agonizante precisar pensar em tudo que ocorreu naquele dia. – Quem é o seu amigo?

Naruto que mantinha-se em silêncio desde a entrada repentina do par Uchiha-Senju sentiu vontade de se encolher ao ser mencionado por quem só poderia ser Tobirama. O outro com certeza era um Uchiha de nascença porque sua semelhança com Sasuke era absurda e ele definitivamente parecia mais como um irmão do moreno do que como tio.

- Esse é Naruto... Naruto esses são os meus pais Izuna Uchiha e Tobirama Senju – Sasuke apresentou em voz baixa.

A testa de Izuna franziu um pouco, mas ele disfarçou bem qualquer reação e sorriu de leve para o loiro murmurando um muito prazer. Tobirama por outro lado estreitou os olhos avermelhados e permaneceu mudo até se aproximar do Uzumaki que levantou do sofá tenso.

- Naruto... Uzumaki?

- Pai...

- Tobirama não é hora para isso – O moreno mais velho puxou o companheiro para o canto. – Sasuke porque você não vai comer alguma coisa? Pelo jeito que está pálido eu tenho certeza que não se alimentou direito... Naruto o acompanhe, por favor? Pode deixar que eu vou ficar de olho no Daisuke.

O Uzumaki assentiu, nunca tinha se considerado um homem covarde antes, mas naquele momento sentiu-se completamente aliviado em ter uma desculpa plausível para sair das vistas do pai adotivo de Sasuke. Do lado de fora do quarto deixou um suspiro de alivio sair sem nem se dar conta.

- Ele é assustador quando quer – Sasuke comentou com um pequeno ar de riso. – Mas é uma boa pessoa.

- Certo, certo – pigarreou querendo limpar a garganta. – Então ele... eles sabem de tudo, não é?

Tomando fôlego Sasuke concordou solene. Há cinco minutos não queria nem tocar naquele assunto, mas agora... Agora que tinha as duas pessoas que foram seu alicerce de vida a poucos metros de distância sentia que tinha forças para enfrentar qualquer coisa. Inclusive aquela conversa com Naruto. Sentou em uma das mesas mais afastada na cafeteria do hospital. Não sentia fome e não existia a menor possibilidade de colocar alguma coisa no seu estomago enquanto falassem daquele assunto. Engoliu a seco quando Naruto sentou á sua frente e forçou-se a olhar dentro dos olhos azuis que estavam nublados por uma quantidade exorbitante de culpa e tristeza.

- Em primeiro lugar eu quero que você tente não se sentir culpado pelo o que aconteceu no passado. – Decretou sério.

- Mas eu disse...

- Disse – afirmou sem titubear. – Você disse que só me fazia companhia porque sentia pena de mim e porque sua mãe te obrigava. Não importa, não importa mais. – Apertou os olhos, eles estavam ardidos e um pouco inchados graças a todo estresse que tinha sofrido, mas preferia se esclarecer com Naruto de uma vez.

A conversa que teria com o loiro seria recheada de embaraço, em especial por causa da recém-aprofundada que a relação deles havia tido. Contudo nem de longe seria tão intensa quando a que teria com Itachi, então era melhor aliviar pelo menos uma das cargas emocionais que vinham pesando nas suas costas.

- Sasuke eu juro pela vida do Boruto que não me lembro disso – o loiro disse com a voz embargada. – Aquela fase da minha adolescência foi louca demais. O Nagato me apresentou ao álcool e a maconha, um pouco depois de você ir para os Estados Unidos chegou ao ponto dos meus pais precisarem afastar a gente por um tempo. – As sobrancelhas do Uchiha subiram com a informação. Disso nunca soube. – Eu não estou justificando o que disse, mas eu preciso que saiba que eu jamais, jamais mesmo faria algo com a intenção de te machucar. Falar aquilo foi horrível, sem noção e estúpido... Sinto muito, eu sinto de verdade. – Hesitante segurou os dedos do moreno que estavam sobre a mesa e uma felicidade fora do comum o invadiu ao senti-lo receptivo ao seu toque.

- Eu não vou dizer que aquilo não me magoou, porque magoou e muito. – Naruto se encolheu como se tivesse levado um tapa. – Mas a questão é o que tem por trás de toda essa fragilidade. Não devia ter ferido tanto.

- Como assim?

- O problema real dessa história toda é a carga emocional que vinha sendo acumulada. Eu não era uma criança feliz, normal com problemas de uma criança normal – gesticulou buscando palavras que se misturavam dentro da sua cabeça. – A minha família era totalmente disfuncional, caótica... Mãe depressiva, pai autoritário beirando ao abusivo e os dois foram bem negligentes comigo. A carência e a atrofiação emocional que isso causou culminou em uma dependência enorme nas duas únicas pessoas que conseguiam me alcançar de verdade; você e o meu irmão.

Os lábios de Naruto estavam esbranquiçados pela força que ele fazia ao aperta-los. Um nó enorme havia se alojado na sua garganta. As lembranças de como aquele garotinho estavam sempre sozinho e abandonado martelavam na sua memória em flashs rápidos e apenas aumentavam o remorso que sentia. Sua mãe mesmo muitas vezes teceu críticas aos Uchihas pela forma que tratavam o filho caçula. Como podia ter se esquecido de tudo isso?

- Sasuke eu-

- Deixa eu terminar – pediu calmo. – Você não deveria ter sido meu único amigo, eu não deveria ter sido tão dependente de você e do Itachi. Aquelas palavras não deveriam ter tido o poder que tiveram, mas pensar nelas agora não adianta nada.

Os dois ficaram em silêncio sem se olhar. Um grupo de enfermeiros passou por ali. Pareciam estar felizes com alguma coisa, talvez algum procedimento que deu certo. Esperava que sim, todo mundo deveria ter uma segunda chance de viver.

- Eu disse antes de repito – Naruto falou depois de um tempo. – Nunca senti pena de você. Eu adorava, adorava demais ficar com você, sempre foi uma criança tão adorável com seu jeitinho emburrado e independente que nem por instante foi possível criar nenhum tipo de sentimento mesquinho. O meu erro foi ter me distanciado quando fiz novas amizades, foi egoísta.

- Foi natural – rebateu Sasuke neutro. – Eu mesmo aos dezesseis anos não era o ápice da maturidade e nem possuía amizades com crianças quatro anos mais novas. Há tantos “e se” por trás de tudo isso. E se eu fosse uma criança que tivesse sido criada em um ambiente saudável, e se eu tivesse uma família minimamente normal, e se... e se... Quero deixar o passado para trás Naruto e me concentrar no futuro.

- Então... Você me perdoa? – Indagou com a voz fraca.

- Eu venho te perdoando desde o dia que te vi na minha sala de estar se apresentando como meu mais novo colega de quarto. – Os dois trocaram sorrisos leves. – Eu escolho deixar essa história para trás.

O loiro suspirou silenciosamente olhando bem para o rosto de Sasuke, a expressão dele mostrava sinceridade e determinação. Ele era inacreditável ao extremo. Que força. Mas também a julgar pela união que tinha visto entre ele e os pais adotivos há poucos segundos conseguia imaginar de onde vinha aquela estrutura forte. Abençoadas eram as pessoas que tinham bons pais.

- Quando o Daisuke estiver melhor a gente continua de onde parou?

- Continua...

- É melhor eu ir agora, vou para casa da Karin pegar o Boruto e devo dormir por lá. Acho que o Itachi precisa só do primo de vocês agora. – Gesticulou as sobrancelhas de maneira insinuante para o moreno que apenas sacudiu a cabeça em negação. – Mas antes vou pegar alguma coisa para você comer, seu pai tem razão, você tá pálido.

A perda de calor das mãos do Uzumaki foi inegavelmente desconfortável para Sasuke. O alivio no seu coração lhe indicava que tinha tomado à direção certa. Agora só precisava se reestruturar para conversar com mais uma pessoa.

~*~

- COMO ASSIM VOCÊS ESTÃO NO JAPÃO?

Hashirama franziu o cenho assustado com o repentino grito de Madara que andava de um lado para o outro com o telefone na orelha. Eles estavam em hotel em Manaus, capital do Estado do Amazonas no Brasil. Havia recebido um convite para fazer parte de uma equipe que estudava a onça pintada em um de seus habitats naturais, a esplendorosa floresta Amazônica. Claro que não negou, era apaixonado por todos os animais, mas os felinos selvagens tinham um lugar especial no seu coração. Tanto que as fotos que conseguiu ficaram uma mais linda do que a outra. Não duvidava nada que seria indicado a alguma premiação e quem sabe não conquistava outro prêmio internacional.

Convencer Madara a acompanha-lo não foi à tarefa mais fácil de todas, o moreno nunca se esqueceu do safari que fizeram na savana africana acompanhados de Sasuke. O jovem Uchiha aproveitou muito a viagem e achou o máximo ficar tão perto daqueles animais que só se via pela televisão ou encarcerados em zoológicos. Livres na natureza eles com certeza emitiam outro nível de beleza. Madara, por outro lado, era a típica pessoa da cidade que apreciava bastante os confortos da modernidade tecnológica do século XXI e sofreu bastante com as limitações da viagem. Isso sem falar no maior problema de todos, os insetos. O grande e poderoso Madara Uchiha tinha aversão completa e absoluta por todos os bichinhos que se enquadravam naquela descrição. As moscas e mosquitos estavam em primeiríssimo lugar e só por causa disso pareciam persegui-lo. Entretanto ao argumentar que ele poderia ficar no hotel conseguiu convence-lo. Riu baixinho, Deus como era mal humorado.

- Você tinha que ter me avisado! – O Senju voltou a ficar intrigado com as falas do companheiro. – Não interessa que foi uma decisão tomada as pressas! Se vocês estavam indo para o Japão tinham que ter aviso à gente... O que? O que aconteceu com Daisuke? – As linhas de aborrecimento no rosto austero foram substituídas por linhas de preocupação. – Mas ele está bem agora? E o Sasuke...? Tudo bem, entendi. Vamos pegar o primeiro voo para aí, mas deve demorar quase um dia ou mais para chegarmos. De qualquer forma eu aviso você. Até mais otouto.

- Por que o Izuna e o Tobirama decidiram ir para o Japão? – Hashirama perguntou assim que o outro encerrou a ligação.

- Eu não sei ao certo, mas assim que chegaram lá eles descobriram que o Daisuke teve uma crise de asma muito forte – respondeu jogando as roupas de qualquer jeito dentro da mala.

- Igual aquela que ele teve quando tinha menos de um mês? – A crise asmática de Daisuke pouco depois de ele ter recebido alta foi um teste cardíaco para todos eles.

- Sim e o Izuna disse que o Sasuke não parecia bem. Estou com medo de ele ter se desentendido com o Itachi ou pior ainda com o Fugaku. Acredita que quem estava com ele no hospital era o amigo de infância que também estava naquela maldita festa.

O queixo de do castanho pendeu, mas ele se recuperou rápido. Um tempo atrás Sasuke tinha ligado a fim de se aconselhar sobre qual era o melhor jeito de lidar com a presença do tal Naruto e do filho dele. Deu sua opinião sincera sobre o assunto. As pessoas mudavam, o tempo sempre seria um excelente professor. Não conhecia as motivações dos envolvidos naquela noite, só sabia que Sasuke tinha saído muito machucado. Mas se ele tinha superado pelo menos uma daquelas feridas por escolha própria iria apoia-lo como sempre.

- Maddie , se acalma... Se não tiver voos a gente pode fretar um jato – sugeriu segurando os ombros do moreno que estava agitadíssimo. – Tobirama e Izuna estão com ele agora, não é? Ele não está mais sozinho. – Estreitos os olhos ao ver a expressão do outro pesada. – Mas não é isso que tá te incomodando. O que foi?

O músico revirou os olhos e permitiu-se sentar na cama que estava toda bagunçada com as mudas de roupas deles.

-É que eu acho que chegou a hora de conversar com Fugaku e eu sei que não vai ser nada fácil.

- Acha que ele vai querer te ouvir?

Todas as tentativas de Madara se comunicar com o irmão foram ignoradas através dos anos por ele. Fugaku tolerava apenas a presença de Izuna, provavelmente porque ele era apenas um bebê quando a mãe deles precisou fugir do Japão e sem falar que o caçula dos três tinha um talento especial para conquistar os corações mais duros, prova disso era ele ser casado com seu irmão turrão há anos.

- Acho que ele não vai ter escolha.

- Como assim? – Uniu as sobrancelhas, confuso.

- Porque eu não vou dar essa opção a ele. – Afirmou categórico.

Hashirama trancou o maxilar para se impedir de rir. Tão impetuoso, mas ao ver a expressão do outro cair à graça morreu dando lugar a preocupação.

- Madara?

- Ele destruiu a própria família Hashirama, exatamente como o nosso pai. – Lamentou recordando do estado do sobrinho mais jovem quando veio para tutela deles. – Queria ter feito alguma coisa.

O Senju acariciou os fios revoltosos e beijou a boca macia com carinho. Apesar da aparência severa Madara amava a família mais do que tudo na vida e machucava-o profundamente saber que parte dela estava tão despedaçada.

- Vai ficar tudo bem. – Prometeu. – Você vai ver.

~*~

O terceiro quarto do apartamento de Sasuke era ocupado por Itachi desde o dia em que se tornou hospede do irmão praticamente a força. Era um cômodo espaçoso, pintado em tons pastel e mobiliado de com móveis de madeira bem organizados, em resumo era um quarto agradável e sem muitos detalhes, bem típico para ser usado por visitantes. Não era um problema para Itachi, nunca foi ligado em coisas muito chiques mesmo. Porém até o arejado cômodo parecia sufocante naquela noite. Suspirou alto ao ouvir batidas na porta.

- Entra Shisui.

O moreno de cabelos ondulados trazia consigo uma bandeja que continha um frasco de aspirina e chá quentinho. Ele colocou sobre a cama observando a expressão contrariada de Itachi. Sabia que ele queria ficar perto de Sasuke nesse momento tão delicado, mas depois de tudo o que aconteceu em menos de vinte e quatro horas deduziu que o melhor era dar um pouco de espaço para o seu primo mais novo. Ele precisava colocar a cabeça no lugar e só conseguiria fazer isso depois que o filho dele estivesse bem.

- Como você está se sentindo? – Entregou um comprimido para ele que colocou na boca sem reclamar, o que era grave já que pelo que recordava Itachi odiava tomar qualquer tipo de remédio.

- Com raiva ainda – admitiu engolindo a aspirina a seco. – Incrédulo e preocupado.

- Ninguém pode te culpar por isso – sentou na frente dele. – Sei que é difícil para você, mas precisa esfriar a cabeça para decidir o que vai fazer a partir de agora. Esse entendimento com Sasuke não vai vir fácil.

No fundo do seu coração sempre soube que algo tinha acontecido, mas na sua imaginação era algo relacionado aos seus pais. Que ele tinha visto ou ouvido algo que o feriu e afetou daquele jeito. Nunca passou pela sua cabeça que essa coisa grave tivesse relação consigo.

Kisame, Kakashi e até o próprio Naruto chegaram a questionar porque dele não ter ido atrás do irmão nos Estados Unidos, a resposta vinha na forma de uma simples pergunta: por que iria? O que ele tinha a oferecer para Sasuke? Em todos aqueles anos manteve contato com os tios que o atualizavam sobre o estado do mais novo de tempos em tempos durante o restante da infância e adolescência dele e o fato era que Sasuke estava feliz, bem cuidado e tendo a chance de experimentar uma família de verdade. Não tinha o direito de intervir naquilo, não tinha o direito de priva-lo disso. Mas se soubesse, se ao menos desconfiasse das verdadeiras razões dele ter ido embora teria esclarecido tudo muito antes.

Parte da culpa também era sua, por ser tão atrasado emocionalmente a ponto de deixar o tempo passar.

- Eu deveria ter tomado uma atitude antes, devia ter questionado os motivos dele, especialmente quando voltamos a conviver. – Lamentou bebericando o chá de forma automática. – Esse é o arrependimento que eu vou carregar o resto da minha vida.

- Todos têm arrependimentos Itachi. A vida não vem com um manual de instruções e consequentemente estamos fadados ao erro em algum momento. – Shisui apertou o joelho do primo solidário. – Nada vai trazer o tempo que vocês perderam de volta, mas também nada impede que vocês construam uma maravilhosa relação a partir de agora.

O mais novo suspirou meio irritado meio receptivo ao conselho. Sabia que o que o outro pontuava estava certo, mas era tão injusto. A fúria que sentia só de pensar em Deidara fazia suas extremidades formigarem. Porém Shisui estava certo. Precisava esfriar a cabeça.

- Você tem algum arrependimento?

- Claro que tenho – afirmou com os olhos e a voz baixa. – Nosso envolvimento foi muito rápido e quando terminou daquele jeito tão brusco eu também tive os meus dias de estupidez. Nunca deveria ter me casado. – Passou as mãos pelos cabelos em uma tentativa de aliviar a agonia. – Não deveria ter cedido ao desejo do meu pai por netos e o pior é que eu nem posso lamentar porque eu amo minha filha.

- Doeu muito Shisui – o dito olhou para Itachi cujos olhos estavam tão intensamente opacos que chega lhe causou uma dor física. – Doeu demais quando eu soube que você tinha se casado.

O mais velho cerrou os punhos intimidado pela intensidade daquele olhar. Na época não esperava que a notícia de seu matrimônio chegasse ao Japão, mas foi muita ingenuidade sua achar que Itachi não procuraria saber sobre si, não quando ele mesmo não passava de uma semana sem buscar alguma coisa sobre o primo.

- Sinto muito Itachi. Como você eu também queria ter o poder de mudar o passado.

O editor esticou os braços para que o outro se acomodasse entre eles e Shisui não recusou o convite. Os lençóis estavam pré-aquecidos pelo corpo alheio. Ficaram em um silencio que estava dividido entre ser ou não ser desconfortável.

Tanto arrependimento. Tanta vontade de recomeçar.

~*~

Sasuke agradeceu Sakura e a acompanhou até o estacionamento do hospital e se certificou de que ela tinha entrado no carro. Fez uma nota mental para comprar algum agrado para a médica que havia cuidado com tanto esmero do seu bebê. Ela inclusive tinha estendido seu plantão apenas para ficar mais tempo com Daisuke na observação, a dedicação da rosa era inquestionável.

Voltou para o prédio do hospital e sentou em um dos bancos da área externa respirando um pouco de ar fresco e sem o odor constante de remédio e álcool. Izuna estava com Daisuke no quarto, o horário de visita já tinha acabado a um tempinho e não entendia bem como seus pais conseguiram autorização para continuar com ele no hospital. Só sabia que Tobirama tinha ido até a administração por vinte minutos e voltando já anunciando que eles podiam passar a noite. Até conseguia imaginar o terror que o albino tinha colocado na direção do hospital.

- Ei – o Senju sentou ao seu lado. Era a primeira que ficavam a sós desde a discussão em Santa Mônica. – Como você está?

- Menos preocupado... – Respirou fundo tomando coragem. – Por que vocês...

- Viemos para cá? – Completou com a seriedade usual. – Você não atendeu minhas ligações e nem respondeu minhas mensagens.

- Hmmm... tá dizendo que entrou em um avião e veio para outro continente porque eu não atendi a ligação e sem respondi suas mensagens? – Repetiu meio incrédulo.

- É – respondeu como se fosse óbvio.

- Pai você decididamente exagera de vez em quando – observou rindo para si mesmo.

Os olhos castanhos avermelhados estavam fixos no perfil do filho adotivo. Ele ainda não tinha o encarado diretamente e estava bastante retraído. Conhecia aquele garoto com a palma da sua mão e sabia que alguma coisa a mais tinha acontecido.

- Eu tive um pressentimento que você precisaria de suporte... E não acho que me enganei. – Tocou os fios negros idênticos ao do próprio marido. – Precisa de mais algum tempo ou vai me contar o que aconteceu? Por que não foi só a crise de asma do Daisuke, foi?

Apesar de ter sorrido com a sentença os olhos de Sasuke brilharam com lágrimas não derramas e isso foi o suficiente para fazer o coração de Tobirama pesar. A coisa mais difícil de acontecer era aquele moleque chorar. Depois que o processo de adoção terminou e ele passou a ser legalmente filho deles, nunca mais tinha visto-o derramar uma lágrima sequer. A única exceção era Daisuke e ele estava seguro agora então o que poderia ser...?

- Eu descobrir que as coisas que ouvi naquela festa, pelo menos no que diz respeito ao meu irmão... não foram do jeito que eu sempre achei que tinham sido. – Pigarreou para tentar recuperar a voz que foi falhando a cada nova palavra dita.

- Quer falar sobre isso agora ou quer esperar o seu outro pai está perto?

- Prefiro falar com os dois de uma vez – coçou os olhos para disfarçar o choro. – Não vou conseguir expressar isso duas vezes e ainda preciso falar com o meu irmão e... e...

- Calma – puxou pelos ombros para um semi abraço e beijou a testa pálida de leve. – Sempre achei que você tinha que ter acertado os ponteiros com seu irmão há muito tempo e nunca te forcei porque sabia que não estava pronto para lidar com o seu passado. Está agora? – Sentiu-o assentir devagar mais firme. – Bom... Porque eu e o Izuna não vamos a lugar nenhum e pelos gritos que o Madara deu no telefone mais cedo ele já deve esta vindo para cá com o Hashirama.

A novidade fez uma risada curta e verdadeira escapar dos lábios de Sasuke. Aquela era a sua família, sua louca, disfuncional e vibrante família que a maior parte do dia vivia para pontuar o quando se perturbavam, mas era só um deles, especialmente ele precisar de ajuda que eles moviam céus e terra para ajuda-los.

- Sasuke.

- Uh?

- O que o Uzumaki estava fazendo aqui?

Por um momento o moreno se sentiu retornando a adolescência, quando era colocado contra a parede por estar escondendo alguma coisa dos pais.

- Nós meio que estamos nos envolvendo – esticou o corpo sentindo as bochechas esquentarem por estar tendo esse tipo de conversa com Tobirama, geralmente era Izuna que cuidava dessa parte. – Mas não precisa se preocupar – apressou-se em dizer ao ver a expressão do albino. – Eu e o Naruto desenvolvemos outro tipo de relação por causa do filho dele que eu gosto muito e as coisas foram acontecendo de um jeito bem natural.

Os olhos do Senju se diminuíram enquanto avaliava o jeito que a expressão do filho tinha ficado um tantinho mais iluminada ao falar daquele pirralho loiro. Sabia que ele não era nenhuma criança ingênua, mas considerando a maneira quebrada que ele havia ido para baixo de suas asas, ninguém podia julga-lo por ser desconfiado.

- Confio no seu julgamento e sempre vou confiar.

- Você já me desculpou por... sabe...

- Ter usado heroína com um filho recém-nascido e logo depois de ter se tornado pai solteiro? – Indagou sarcástico vendo um bico de contrariedade se formar nos lábios alheios. – Está desculpado sim e é melhor que não aconteça de novo.

- Não vai pai – prometeu seguro. – Não vai.

Até porque finalmente tinha controle de verdade de própria vida.

 


Notas Finais


✦Beijos no Coração e cuidem dos seus velhinhos✦


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