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História Accidental Love (Catradora) - Capítulo 28


Escrita por: EvelinGeller

Capítulo 28 - Na Roça da Glimmer p2


A manhã estava tranquila e levemente fria naquele dia de inverno. A neve já não caia como antes, e parecia que o dia prometia ser agradável e chuvoso, sem falar que era aniversário de Frosta. A amável e doce...

- Eu não quero! – a garota fazia birra. Empurrou o prato de panquecas de chocolate que Glimmer tinha feito para ela.

Glimmer parou para pensar como seria viver na prisão. Pensava seriamente em enfiar a frigideira goela abaixo da prima.

Desde que Frosta tinha se mudado para a sua casa, Glimmer não tinha mais um minuto de sossego. Sentia falta de morar na faculdade sem ter toda aquela perturbação durante as manhãs.

- Qual é o seu problema? Foi isso o que você disse que queria comer na manhã do seu aniversário! – Glimmer suspirou, tentando controlar toda a raiva que estava sentindo. – É tão difícil assim ser grata? É tão difícil tentar ser um pouco normal?

Flora, como já conhecia bem a irmã que tinha, não se meteu na discussão. Sabia que Frosta ficaria agressiva se ela falasse algo. E tinha como prioridade sua saúde mental.

No andar de cima, Catra não conseguiu dormir muito bem porquê Adora não parou quieta do seu lado no colchão. A loira se revirou a noite toda, estava desconfortável com o chão e o frio.

- Hey – sacudiu um pouco a loira para ver se ela estava acordada.

- Hum?

- Tudo bem?

- Sim. Por que? – Se apoiou nos cotovelos para encarar a amada.

- Conseguiu dormir um pouco pelo menos? Você se remexeu a noite toda Adora – Catra parecia realmente estar preocupada. Fez um carinho na barriga da loira.

- Sim consegui – Adora deu um sorriso para a namorada.

Catra sentiu uma imensa vontade de dar um tapa naquele rostinho. Adora era insuportavelmente linda quando queria, o que só fazia a raiva de Catra crescer.

- Pois parabéns sua idiota. Você dorme e não deixa ninguém dormir né? – afastou os fios que caiam pelo rosto e Adora pôde admirar a bela face da morena com a pouca luz que entrava no quarto.

- Nossa amor. É assim que você me dá bom dia?

- EU JÁ FALEI QUE NÃO QUERO!!! – alguém gritou do andar de baixo.

Todos os que estavam deitados se assustaram com o grito. Todos do quarto estavam acordados.

- Ai que garota chata! – Mermista bradou de repente, se sentando toda descabelada na cama.

- Não entendo esse comportamento dela – Perfuma falou se sentando no colchão esfregando os olhos em seguida. Seus cabelos estavam presos em uma trança perfeita demais para quem estava dormindo.

- Hoje o dia promete – Adora disse para Catra, se lamentando. Com certeza ela e os amigos teriam um dia de trabalho árduo para agradar Frosta e a baixinha ficaria reclamando o tempo todo.

- Grr! Sua loira sem vergonha – bufou, Adora riu. – Vai descer agora? – olhou para ver se os outros não estavam prestando atenção nelas, mas eles estavam ocupados demais falando sobre o mau comportamento de Frosta e no quanto Glimmer era uma pão dura que não deu quartos para cada um deles.

- Não. Daqui a pouco eu levanto. Acho que vou dormir mais um pouquinho – fez um biquinho. – Me dá um beijinho vai. Adoro ver seus olhinhos pela manhã.

- Tem alguém de putaria aqui! – Sea falou de repente e se sentou no seu colchão, ao lado de Mermista. – Isso sim é uma aventura! Já imaginou correr o risco dessa maneira amor? – falou para a morena, que o olhou com nojo. – Adoraria fazer assim.

- Sai fora – a garota se virou de costas para ele.

- Seus idiotas! – Catra falou com agressividade. – Não tem ninguém de putaria aqui. Voltem a dormir. Mas que banana! Putos!

- Calma... – Perfuma levantou um pouco os braços em sinal de rendição.

Catra revirou os olhos e deu um selinho demorado em Adora. A loira sorriu e fechou os olhos para tentar dormir novamente. Catra pegou as coisas que tinha comprado de aniversário para Frosta e desceu para parabenizar a aniversariante e comer algo.

Quando chegou, Frosta reclamava com Flora que estava sentada tomando o seu café da manhã tranquila porque não admitia que a garota ficasse tão fria naquele dia. Queria que a irmã se animasse.

- Bom dia Catra – Flora deu um sorriso para a amiga, ignorando a irmã. – Conseguiu dormir bem? Como passou a noite? – foi educada.

- Bom dia. Não consegui dormir. A minha loirinha não parava de se remexer na cama – Catra bufou. – Aquela ogra não sossega o facho nem pra dormir.

- Oi Catra.

- Oi Glitter – Glimmer revirou os olhos. Mesmo brigadas Catra não perderia a oportunidade.

- Vira-lata miserável – a garota de cabelos cor de rosa falou baixinho para si mesma.

- Purpurina maldita!

Catra arrastou uma cadeira e se sentou ao lado de Flora no balcão que ficava no centro da cozinha. Frosta olhava atentamente para cada gesto da garota. Estava afiando a língua, pronta para brigar a qualquer instante.

- Não vai me falar nada? – perguntou e olhou para Catra de olhos cerrados. – Tá esperando o que?

Catra se assustou, não achava que a garota iria caçar briga logo cedo, e de graça ainda por cima. Buscou apoio das outras, mas elas estavam de cabeça baixa, não queriam mais discussões.

- Bom dia? – Catra fez o mesmo gesto que a menor.

- Só isso?

- Queria que eu ne ajoelhasse aos seus pés só porque é seu aniversário?

- Sim?

Até onde Catra sabia, Frosta não era tão nova no grupo. A garota vinha vez ou outra para Etheria visitar Glimmer e a tia. Se mudou para a mansão com a irmã depois da morte do avô.

- Frosta. Menos – Flora disse calma, enquanto bebericava seu suco de laranja. – Não é porquê hoje é seu aniversário que você tem o direito de ficar humilhando as pessoas. Tenha um pouco de senso.

- Cala a boca! Hoje é o meu dia e vocês tem que me respeitar – as outras três bufaram. – É tão difícil assim me obedecer?

- Por que está com raiva de mim? Não te fiz nada.

- Eu não estou com raiva de você.

“Eu vou quebrar os dentes dessa garotinha do caralho daqui a pouco.” Pensou Catra.

- Aqui o seu presente – Catra entregou tudo o que comprou para a garota de cabelos azuis de uma vez, para se livrar logo daquilo.

Frosta olhou para tudo o que ganhou da outra garota com incredulidade. Esperava presentes muito melhores. E mais “bonitos”. Sem olhar os outros presentes, Frosta soltou o ursinho na bancada de qualquer jeito e encarou Catra com desdém.

- Essas coisas de criança? – deu uma olhadela para os outros pacotes e sacolas que Catra tinha lhe entregado.

- Affe criança mimada da desgraça – Catra revirou os olhos. – Que porra. Aprenda a agradecer pelo o que tem! Já parou para pensar que tem pessoas que queriam estar no seu lugar? Receber presentes e comemorar o aniversário rodeado de amigos? Sinta-se com sorte.

Frosta sentiu-se desafiada. Era muita ousadia para uma “qualquer” e ela não sabia como rebater o que a morena disse.

- Quem você acha que é pra me chamar de criança? Saiba que eu estou fazendo 18 anos hoje! – Frosta estufou o peito.

“Será que se eu agredir ela eu vou presa? Tô pensando em testar” Catra olhou para uma faca que estava em cima da pia.

- Com esse comportamento? Tá de brincadeira comigo né? – Catra se levantou da cadeira para voltar para o quarto. Se arrependeu de ter levantado para dar os parabéns para Frosta.

- Ei! Volta já aqui! – Frosta fez uma cara emburrada. – Minha festa! Quero você sentada aqui junto com todos! – Catra jurou naquele momento que aquela garota à mataria se pudesse, e tinha certeza que as outras pensavam o mesmo.

- Ué? Achei que não gostasse de mim. E tá todo mundo deitado e eu levantei cedo de trouxa. Porra!

- Não estamos mais – Mermista apareceu. – Com essa barulheira quem é que dorme? – bufou e pegou o prato de panquecas de Frosta.

- Isso é meu! – olhou de olhos arregalados para a outra.

Mermista não se importou com a birra de Frosta, muito pelo contrário. Adorou ver que a outra estava com raiva por ter perdido suas panquecas. Sentiu-se vingada por ter acordado na base da gritaria.

A raiva sem sentido da garota de cabelos azuis só aumentava. Não era o aniversário que ela queria, com quem ela queria, onde ela queria.

- Você não quis Frosta, para de escândalo – Flora revirou os olhos. – Você que deve ter acordado todo mundo falando auto desse jeito. Onde está a sua educação? Não fomos criadas dessa maneira.

Mermista ignorou Frosta e começou a comer tranquilamente. Glimmer esquentava a frigideira para também fazer panquecas para os outros amigos.

- Me dá um pouquinho ai – Sea apareceu atrás da namorada, pegou um garfo limpo na pia e começou a comer as panquecas com ela.

Glimmer, Frosta e Flora olharam com um pouco de nojo para o casal meloso que começou a falar coisas românticas um para o outro ali mesmo. Catra não julgou eles, porque sabia que ela e Adora teriam começado a se amar por ali mesmo. Se estivessem sozinhas, é claro.

- Tem calda ou algo pra comer junto? – Sea perguntou para Glimmer quando parou de melação com a namorada.

Frosta olhava com ódio para o casal. Só conseguia sentir raiva naquela manhã. Olhou feio para todos e foi pegar outro prato de panquecas que Glimmer tinha acabado de preparar. Pegou um pouco de calda e sorvete para acompanhar.

- Chegamos! – Netossa apareceu na porta da cozinha, acompanhada de Bow.

- Oi gente – Spinnerella deu um sorriso para os amigos. – Oi Frosta. Feliz aniversário.

- A-am é-é... Obrigada – as duas se abraçaram, e Netossa também deu parabéns para a garota e entregou os presentes que ela e Spinne tinham comprado.

- Glimmer você fez panquequinhas de chocolate – parecia que iam começar a sair corações dos olhos de Bow. – Eu não sabia que você sabia fazia panquecas. Na verdade eu não sabia que você sabia cozinhar.

- É porque essa é a única coisa que ela sabe fazer – disse Catra, e Glimmer lhe lançou um olhar mortal, pior do que os que Frosta lhe lançava quando abria a boca.

- Am é... Eu fiz. Quer? – ele fez que sim e se serviu.

Glimmer abriu a geladeira e tirou mais coisas de lá para os amigos comerem. Estava se controlando para não dar na cara de um.

- Por que vocês demoraram tanto pra chegar? – Sea perguntou e pegou uma panqueca inteira e enfiou na boca. Depois começou a colocar bolas de sorvete de baunilha em cima das panquecas.

- Argh! – Mermista se lembrou que era namorada do homem de cabelos castanhos. – Merda, ainda tá cedo pra ficarmos comendo isso – fitou-o como se ele fosse um criminoso.

- E qual o problema? – Sea perguntou para a namorada.

- Pode fazer mal né.

- Nós chegamos no horário que combinamos – Netossa respondeu a pergunta do homem, estranhando-a. – São oito da manhã. Vocês que acordaram cedo e estão achando que já é tarde.

- Ah... Tinha alguém transando no quarto durante a noite – disse Perfuma, aparecendo na cozinha e se sentando ao lado de Mermista, abrindo um sorriso sugestivo para os amigos, que ficaram interessados no assunto. – Ouvi sussurros. “Fala baixo”, “você em mim”. Quem será que foi? Alguém quer apostar um dinheiro nisso? – olhou traquina para os outros.

- Dou... 10 – Glimmer disse. – Tenho certeza de que eram Sea e Mermista. Esses parasitas estavam no cio ontem.

- Ei! – a morena de cabelos azuis se ofendeu. – Se você ouviu, por que não foi ver quem eram? – se dirigiu a Perfuma.

- Sai fora! – as bochechas da garota ruborizaram. – Não quero ver ninguém no ato.

- Hum – Mermista fingiu que acreditou.

- Hummm, dou 15 na Adora e na Catra – Netossa ficou interessada. – Tenho certeza de que essas duas coelhas estão envolvidas nisso.

- Vocês são nojentos e tarados – Catra falou. – Por que tudo para as pessoas dessa cidade tem que se resumir a sexo?

- Calma Catra. Tá nessa por quê? Você é a mais sem vergonha aqui – Glimmer falou.

- Vai fritar suas panquecas! Tks!

Catra começava a traçar planos para sair da cozinha de fininho. Sabia que não teria mais nenhum minuto de sossego se chegassem até ela. Mesmo que não tenha feito nada de errado as vozes eram dela e de Adora.

- Amor, não se comporte dessa forma. É errado – Spinnerella falou para Netossa, repreendendo-a por apostar naquele tipo de coisa. Ela era a única que respeitava os amigos de coração. – Aposto 10 na Glimmer e no Bow.

“Tinha até me esquecido de que eu e Bow éramos falsos namorados!” Glimmer ficou desesperada. Entrou no jogo sem saber que ela estava de “casal” com o garoto.

- Talvez tenha sido a Catra mesmo – Frosta disse. Esteve observando a morena ter uma crise silenciosa enquanto os outros conversavam.

- Am... – Catra corou.

- Sea e Mermista. Certeza – Glimmer disse se encostando no balcão e fitando os dois inocentes que comiam enquanto todos olhavam para eles. – Transando no meu quarto né?

- Gente vou subir – Catra disse antes que chegassem nela.

- Deu pra ouvir as vozes pelo menos? – Netossa se sentou e se serviu. Spinnerella fez o mesmo.

- Eu estava ouvindo vozes femininas – Perfuma falou e todos olharam para Catra.

- Tchau. Fiquem com Deus – a morena se virou para sair, mas se lembrou de que estava com fome.

Catra voltou e se sentou, olhando atentamente para Glimmer.

- Mudou de ideia rápido hein? – Netossa disse enquanto ria junto com os outros. – Quero meu dinheiro. Ganhei.

- Tô com fome – anunciou ignorando a mulher ao seu lado.

- E? – Glimmer olhou para a garota esperando alguma piadinha.

- Me serve Vadia – os outros começaram a rir.

- Vai se foder Catra – Glimmer revirou os olhos, e serviu quatro panquecas de chocolate para a morena.

- Muito bem – a garota começou a comer agradecida pelo amigos terem se esquecido das suspeitas que tinham dela.

Catra ficou começou a comer em silêncio enquanto os amigos que tagarelavam a todo vapor. Estavam animados com a festa de aniversário de Frosta, não por ser aniversário dela, mas por terem uma desculpa pra se entupir de comida e fazerem baderna juntos.

- Oi gente.

Adora apareceu na cozinha ainda de pijama. Usava um shorts confortável e uma camiseta. Estava descabelada e com um pouco de olheiras ao redor dos olhos, não aparentava ter dormido bem apesar de ter dormido e não ter deixado a namorada dormir enquanto se mexia no colchão.

- Eai loira – Netossa abriu um sorriso malicioso. – Como foi a sua noite com a Catra?

- Ótima. Por que? – não percebeu nada de errado, mas os amigos abriram sorrisos maliciosos com a fala da loira.

- Por nada. Sua noite foi prazerosa? – foi a vez de Mermista zoar com a amiga.

- Filhos da puta do caralho – Catra falou baixinho para si mesma enquanto jogava calda de chocolate nas panquecas.

- Sim? Eu acho... – se sentou ao lado da namorada e percebeu que Catra parecia que ia explodir. – Eles estão de palhaçada né? Apostaram pra saber quem transou? – sussurrou pra Catra e pegou o prato da namorada.

- Sim. Devolve minhas panquecas!

Depois de comerem, começaram a preparar tudo para o aniversário de Frosta, que colaborava minimamente.

Uma pequena festa foi organizada. Adora e Glimmer ficaram encarregadas do buffet. E é óbvio que Adora estava fazendo quase tudo sozinha. Perfuma e Mermista decoravam a sala, que era onde a festa aconteceria. Netossa, Bow, Sea e Spinnerella tentavam armar o pula pula e miseravelmente falhavam. Catra tinha fugido de seus afazeres e Flora ajudava a irmã a se arrumar.

- Mas nem fodendo que eu vou ajudar a arrumar nada daquela criancinha endemoniada. Tenho que me esconder, daqui a pouco a Adora vai vir brigar comigo porquê não estou fazendo nada... Acho que vou... Nossa não tem nenhum lugar pra me esconder aqui – falava para si mesma enquanto andava de um lado para o outro.

Catra estava no grande quarto cor de rosa de Glimmer, onde ela tinha passado a noite acordada e os amigos tinham dormido na noite anterior.

- Acho que vou recuperar a noite perdida. Me esconder e dormir – deu um sorrisinho de satisfação, imaginando que ninguém pegaria ela no flagra fugindo do serviço.

Catra saiu do quarto e resolveu entrar em algum cômodo desocupado, para que ninguém pegasse ela no flagra. Se lembrava de várias portas aleatórias por perto. Alguma devia ser um quarto de hóspedes. Nem que tivesse que se esconder no armário ela não trabalharia.

Fez uma trouxinha com dois cobertores, e um travesseiro, saindo sorrateira do quarto. Olhou para os lados e não viu ninguém, tudo nos conformes. Se sentia uma meliante.

- Catra! – Flora apareceu no corredor e abriu um largo sorriso ao ver a amiga ali, desocupada. – Preciso da sua ajuda.

- Com o que?

“Tantos planejamentos para fugir, para me esconder, para não ter que trabalhar... Tudo por água abaixo. Até quando vou viver nesse sistema onde as pessoas não me respeitam e me forçam a trabalhar nessas coisas Inúteis?” Se perguntava com um peso na consciência.

- O que está fazendo? – olhou para o que Catra carregava.

- Só... Trocando os lençóis sujos. Mas diga o quê que você queria.

Catra olhou para os lados novamente, torcendo para que mais ninguém aparecesse atrás dela. Principalmente Adora, a loira parecia uma maluca quando queria que a morena fizesse algo.

- Frosta precisa de ajuda com o vestido que ela escolheu. Ela... Não quer vestir, e está olhando de maneira estranha para ele.

- Ela pediu ajuda?

- Hum... Não.

- Então deixa ela se lascar.

- Catra! – Adora apareceu para acabar com qualquer esperança que a morena tinha de conseguir fugir e dormir enquanto os outros trabalhavam.

- Ah não... – bateu o pé no chão e sentiu vontade de chorar.

– Tá querendo se esconder, dormir e só aparecer na hora de comer não é? Pois vá fazer os brigadeiros que eu mandei mais cedo! Vá colocar esses lençóis e esse travesseiro onde você pegou.

- Sua vaca...

- Como é? – Adora não acreditou no que tinha acabado de ouvir.

- Gente... Se acalmem por favorzinho – Flora olhou um pouco nervosa para o casal. – Ela não estava atoa Adora. Estava me ajudando com a Frosta.

Adora não acreditou nem um pouco no que Flora falou. Era meio óbvio que só estava querendo limpar a barra da morena, ou talvez fosse inocente demais. Quem não conhecia Catra direito ia acreditar que a morena estava ajudando, mas Adora sabia bem com quem namorava, morava junto e amava. Não era boba.

Olhou para as duas garotas que estavam na sua frente e tomou sua decisão.

- Vou junto. Depois a Catra vai pra cozinha me ajudar. Guarde logo essas coisas! Você não vai dormir agora.

- Que saco! Você é muito mandona.

- E você muito submissa.

- Eu me nego a sentir tesão nisso – Catra disse em alto tom para Adora. Flora estava sobrando ali na cena, e estava muito envergonhada com a conversa das outras duas.

Catra obedeceu Adora para que a loira não ficasse em seu pé. Só queria tirar um mísero cochilo de dez horas seguidas. Não tinha nada de errado nisso. Colocou as fofas cobertas e o travesseiro onde tinha pegado e acompanhou as outras duas.

“A Adora fica insuportável quando quer mão de obra grátis. Ainda mais quando a trabalhadora sou eu.” Catra queria estapear Adora, mas tinha que se controlar. “Que droga! Ela deveria apenas fugir do serviço junto comigo e pronto. Poderíamos até mesmo nos divertir com isso.” Olhou de soslaio para a mulher loira.

“Essa insolente deveria se por no lugar dela. Ela acha mesmo que eu fugiria junto com ela do serviço? Por que não me chamou antes? Seria muito mais fácil sair dessa. Agora que já estou trabalhando não tem como parar, e preciso da ajuda dela.” Devolveu o olhar para Catra.

Juntas elas entraram no quarto de Frosta, que parecia ser igual ao de Glimmer. A única diferença é que tinham decorações azuis que alegravam o ambiente, posters de bandas e... A garota parecia ser fã de carteirinha da Magicat. Essa informação era nova. E Catra achou que seria útil em algum momento.

“Nossa, que interessante...” Sentiu vontade de rir.

A garota estava sentada na cama, e olhava fixamente para baixo com tristeza e pesar. Mantinha todo o seu foco em um belo vestido azul claro com flores brancas em seu colo, como se ele fosse algo que a deixava triste ao invés de feliz. Era um belo vestido, não tinha porquê a garota ficar daquela maneira. Catra até sentiu um pouco de pena dela. Sentia lá no fundo que apesar de ser um pequeno ser humano insuportável Frosta ainda tinha luz dentro de si.

- O que vocês estão fazendo no meu quarto? – perguntou sem nenhuma emoção.

Ver a garota falar sem deboche, raiva ou ódio era algo novo. Mesmo com pouco tempo de convivência Catra pôde sentir que aquilo não era normal, confirmou suas suspeitas ao ver a reação de Flora e Adora.

- Viemos ajudar – Adora falou. – Tem algo de errado com seu vestido? – se aproximou da garota com cuidado.

- Vão embora. Não quero ninguém no meu quarto. Flora, eu tinha lhe dito isso – olhou para a irmã, estava com os olhos vermelhos e inchados.

- Estava chorando?

- Disse pra saírem. Por favor... – a voz tremeu de maneira significativa.

As três garotas saíram do quarto um pouco relutantes, respeitando o pedido da aniversariante.

Quando fecharam a porta, se entreolharam em busca de uma resposta para o que tinha acabado de acontecer no quarto.

- O que rolou?

- Eu não sei muito bem. Quando sai ela não estava chorando, apenas estava estranha, olhando estranho para o vestido – Flora se sentiu mal por ver a irmã daquele jeito. – Acho que tem algo de errado. Vou conversar com ela. Não se preocupem meninas – deu um sorriso para as garotas e voltou para o quarto.

Catra suspirou pelo nariz e olhou melhor para Adora. A loira estava bonita de vestido azul claro, mesmo sendo um modelo simples. Não tinha reparado naquilo antes. Olhou para os próprios trapos e entendeu por que perguntavam ou ofendiam ela sobre suas condições financeiras. O que não sabiam era que ela roubava as roupas da namorada para usar. A culpa de seu visual ruim era da loira.

- Vamos para a cozinha. Tá pensando em fugir? Não é mesmo?

- Eu nem lembrava disso. Obrigada por me lembrar Adora – começou a se afastar da loira para correr, se esconder e finalmente dormir um pouco.

- Deixei Bow lá no meu lugar pra vir aqui atrás de você!

- Perdeu seu tempo então – falou, já de costas para a mais alta.

- Nada disso. Você vai me ajudar – segurou a mão da namorada para impedir que ela avançasse.

- Adoraaaaaaammmm.... – Catra começou a bater os pés no chão choramingando. Nada de anormal no dia a dia delas.

- Catra! Por favor – fez biquinho.

- Ai que saco! – decidiu ajudar. – Você é insuportável Adora. Para de ficar mandando em mim desse jeito. É chato, vergonhoso e cansativo. Você não é minha dona pra ficar me tratando dessa maneira.

- Na cama você não fala isso. Você é muito contraditória Catra.

- Idiota. Não flerte comigo nesse momento. Estou com ódio!

- Por que eu mando em você?

- Cale-se!

As duas desceram as escadas ainda naquela discussão boba enquanto a casa mais parecia que pegaria fogo a qualquer instante. Perfuma e Mermista brigavam para escolher a decoração, e nenhuma das duas estava sugerindo algo de que Frosta gostasse. Os outros lutavam do lado de fora contra a cama elástica que não conseguiam montar de jeito nenhum no meio do frio que fazia. A sorte era que não estava mais nevando. E Sea, agora, trazia uma caixa de som e um microfone para um karaokê improvisado.

- Pra que isso? – Perfuma perguntou, logo depois de Mermista ter jogado água em seu rosto. Se preparava para enfiar um buquê de flores na goela da amiga quando o homem apareceu.

- Seria legal se nós pudéssemos cantar e... Sei lá – ele deu de ombros. – É apenas diversão gente. E tomem cuidado com essa água aí. Não quero que caia no som!

Catra e Adora seguiram para a cozinha, Glimmer e Bow tinham tudo sob controle por lá. Adora tinha confiado aos amigos a honra de ajudarem na cozinha. Quando entraram, estava um caos. O bolo estava derretendo de alguma maneira misteriosa que as duas não sabiam explicar como. Uma frigideira pegava fogo, os brigadeiros derretiam, e os refrigerantes e algumas outras bebidas ainda estavam fora da geladeira.

- Por que esse bolo está desse jeito? – Catra olhou perplexa para o bolo, que derretia.

- Merda! É por causa do sorvete. Não era pra esse bolo estar aqui. Temos que comer ele depois dos parabéns, ela disse que também queria esse tipo de bolo. Temos outro bolo que Frosta pediu, para bater os parabéns – apontou para o bolo de chocolate intacto e bonito que estava em cima da pia.

- Hum... O que eu devo fazer?

- Os brigadeiros.

- Eu já fiz – Glimmer disse. Ela estava de costas lavando a louça para não acumular pratos.

Catra se aproximou do doce e olhou com estranheza. Não dava para fazer bolinhas com aquilo.

- Isso é o brigadeiro? – Catra olhou para o chocolate derretido e grudento que se espalhava pela bandeja com vontade de rir. – Isso tá mole demais para enformar.

- Eu falei que estava fora do ponto Glimmer!

- A culpa é da Adora, ela confiou em mim! – apontou para a amiga desesperadamente com as mãos ensaboadas.

- Nada disso. Eu nas mãos da Glimmer – Adora não queria levar a culpa por aquele desastre. – A culpa é toda dela.

- Ela não sabe cozinhar Adora – Bow deu de ombros.

- Mas eu fiz panquecas hoje! – ficou indignada com a fala do amigo.

- E isso é só o que você sabe fazer não é mesmo Glimmer? – Catra provocou com gosto.

- Faça melhor então!

- Pois eu faço!

- Vou aproveitar e jogar alguns confeitos azuis no bolo de sorvete. E jujubas – Adora falou e foi tentar arrumar o bolo que Frosta quis porquê quis que tivesse na festa.

Glimmer e Catra ficaram discutindo por um bom tempo, enlouquecendo Bow e Adora com aquela briga. Como se já não bastasse os outros brigando e acabando com tudo pelo resto da casa ainda tinham elas para aturar.

- Catra! Você é uma idiota. O que tem de legal em debochar de mim? O que ganha com isso?

Glimmer se aproximava de Catra, e Bow ficou esperto para separa-las se inventassem de se estapearem ali mesmo. Foi até a pia e escondeu as facas para se caso houvesse alguma tentativa de homicídio. Adora resolveu se preocupar quando Bow fez aquilo.

- Você não pensou nisso quando ficou me ameaçando e debochando de mim não é mesmo? O dinheiro da recompensa era bem atrativo para você não é Glitter?

- Quem você pensa que é pra me julgar? Você é tão suja quanto eu, e faria o mesmo se estivesse no meu lugar!

- Não faria não. Eu não sou uma sem vergonha que não é fiel as amizades. Eu nunca ameaçaria você, por mais insuportável que você seja.

- Sua imbecil! Gata de rua.

- Porca!

- Já chega! – Adora falou, largando os enfeites que colocava no bolo derretido em cima da mesa e foi até as amigas. – Não dá pra trabalhar com vocês brigados.

- Isso mesmo – o garoto concordou veementemente com a amiga.

- Você também Bow. Vão se resolver agora! – Apontou para a porta de saída que ficava na cozinha, que dava para os fundos da casa – Agora!

Os três bufaram e saíram juntos dali. Não estava tão frio quanto no ia anterior. Boa parte da neve tinha derretido, mas isso não impediu Catra de sentir um frio absurdo. Bow e Glimmer usavam simples moletons, assim como os outros amigos dentro da casa, que usavam casacos ou roupas de manga longa para ficarem aquecidos.

- Então. Catra, me perdoa – Bow parecia uma criança pedindo desculpas, e também estava sem graça.

- Tá tudo bem Bow. Sei que você não ficou de encheção de saco por mal. Sei que você só estava me idolatrando como os outros fazem. Apenas me senti desconfortável, mas de boas parceiro.

- Na verdade eu estava me desculpando por causa do que falei pra Adora. Eu não tinha o direito de falar nada pra ela. Mesmo com um boneco de coleção como refém. Foi errado. A sua vida é muito mais importante.

Catra sentiu um pouco de vontade de rir do amigo. Era muito drama. E de qualquer forma, Adora não tinha ficado muito brava, e ela duvidava muito de que contaria a verdade para a namorada um dia. Se ela pudesse, teria apenas enterrado o seu passado e ponto final.

- Ah é mesmo. Eu ia te assassinar naquele dia. Deixa só eu achar um pedaço de pau por aqui – começou a olhar ao redor. Não estava realmente pensando em agredi-lo, mas adorava ver o desespero nos amigos.

Bow e Glimmer se olharam e entreolharam em pânico. Se lembravam muito bem de como foi no dia em que a morena resolveu tentar mata-los, de como ficaram tensos com suas vidas por um fio. Não queriam correr o risco novamente.

- Nem comece! – Glimmer resolveu ser sincera. – Olha só, eu sei que errei tudo bem? Sei que não deveria ter feito aqueles joguinhos com você.

- Não me diga.

- Cala a boca eu estou falando.

Bow ficou ali parado sem saber o que fazer. Mas por via das dúvidas, ele seria ótimo para separar as amigas caso elas resolvessem se matar como fizeram no dia anterior.

- Continuando. Peço perdão pelo o que fiz – Catra abriu um sorrisinho sacana. – E não venha de gracinha pra cima de mim não!

Catra pensou em várias maneiras maldosas para se vingar. Queria punir Glimmer.

- Ajoelhe-se, e beije os pés de sua deusa – Glimmer e Bow olharam para Catra se perguntando se ela estava falando sério. – Seu animal...

- Eu vou contar pra Adora que te pedimos desculpas e você tá tentando nos humilhar – Glimmer cruzou os braços.

- Não, não... Era brincadeira Glimmer. Onde está o seu senso de humor?

- Perdeu a pose né?

- Vamos entrar meninas. Temos que trabalhar, esqueceram que a Adora tá lá na cozinha – Bow já estava ficando envergonhado.

- Iam morrer se comprassem tudo pronto?

- Sim – os dois amigos responderam em uníssono.

Entraram novamente na casa, e Adora tinha sumido da cozinha. Pensaram que Talvez a loira tivesse ido dar bronca em outra pessoa, ou pegar algo de que precisava.

Começaram a trabalhar para terem produtividade e se livrarem logo do fardo que era montar uma festa de aniversário passo a passo.

“Eles nem parecem gostar da Frosta. Não sei pra que essa palhaçada. Estão fazendo isso só ora encher a cara e o cu de comida.” Pensava e olhava os amigos trabalharem de canto de olho.

Uma figura loira apareceu na porta dos fundos da cozinha. Mas não entrou, apenas permaneceu ali, parado.

- Oi – a voz grossa e masculina fez com que os outros parassem seus trabalhos e focassem suas atenções no homem.

- Adam? – Catra, Bow e Glimmer disseram.

- Adam? – Adora tinha voltado para a cozinha não acreditava no eu estava vendo ali. – Ah não...

- Gente o Adam – Mermista se animou e chamou os outros. – O gostoso do irmão da Adora tá aqui!

- Adam? – Perfuma também apareceu com um estranho sorriso no rosto.

- Olha só, os irmãos delícia estão presentes aqui – Perfuma cumprimentou ele com um abraço apertado.

- Perfuma, achei que você jogasse no nosso time – Netossa falou e apontou para ela, Catra e Spinnerella.

- Oxe, e eu? – Adora ficou indignada.

- Oooommm minha irmã sapatinha ficou de fora – fez charme para a garota.

- Ham... – Perfuma não sabia o que dizer.

- Te entendo Perfuma, acho os homens melhores – Glimmer falou pomposa.

- Mulheres são melhores – Netossa estava pronta para começar um debate.

- Gente, pra que essa briga? – Adam perguntou. – Sou bi e estou muito feliz com isso. Deu mole é vapo... Oi casada – engrossou a voz para falar com Catra, apenas para provocar a irmã.

- Adam... Você vai morrer... – Adora ia esganar Adam mais tarde.

- Que sem graça você hein? – deu um abraço e um beijinho na irmã. – Frosta me convidou para a festinha de aniversário dela.

- Pra que?

- Porque ela é minha amiga né porra?

- Ah.

- A Adora vai trancar a gente aqui dentro e vai tacar fogo daqui a pouco. Querem ver só? – Sea apareceu.

- Boa ideia. Vamos terminar logo isso. Já tô ficando com dor de cabeça.

- Eu te ajudo irmãzinha – Adam sorriu e abraçou a loira por trás.

- Pelo menos pra isso você presta né?

- Calma... Você está brava? – deu um sorriso ladino.

Todos voltaram para o seus afazeres e antes que anoitecesse conseguiram terminar tudo. Frosta se juntou a eles já arrumada com o mesmo vestido de antes, e com a mesma expressão triste. Sea colocou uma música e todos começaram a se divertir, menos a aniversariante.

- Gente, Juntem-se aqui. Vamos bater os parabéns! – Spinnerella chamou os outros.

- Calma! Estamos indo – Bow falou, e todos se juntaram à mesa de jantar, onde organizaram o buffet preparado por Adora e Adam, já que o resto apenas atrapalhou.

Frosta ficou de frente para o bolo e ouviu todos cantarem parabéns alegres para ela, e se sentiu um lixo por estar mal naquele momento. Tentou afastar a tristeza fingindo felicidade. Começou a sorrir e a bater palmas junto com os outros.

- Parabéns! – comemoravam.

- Agora que você tem dezoito anos oficialmente. O que quer fazer? – Spinnerella perguntou animada para a garota.

- Beber álcool, usar drogas e fazer sexo – Frosta foi sarcástica.

- Essa é das minhas – Catra ergueu seu copo de refrigerante, porquê Adora tinha tomado o whisky que bebia em sinal de brinde.

- Isso é que é vida irmã – Adam fez o mesmo. Só que segurava uma garrafa de cerveja.

- Não temos idade pra isso – Adora olhou para os amigos e bufou.

Tinha medo de que algo desse errado por causa de todas aquelas bebidas e sabe se lá mais o que os amigos tinham arrumado. Sabia bem como eles eram.

- Mas isso não nos impede de fazer não é mesmo? – começou a analisar uma tequila que Sea tinha levado para a festa.

- Catra. Limites – Glimmer disse entredentes.

- Catra! Não incentive a menina a fazer coisas ruins! – disse Perfuma.

- Você? Falando isso? – Glimmer estranhou.

- Ah tá. Tks! Gente... Espera aí... Eu vou no banheiro rapidinho – Catra falou para os outros pegou a garrafa e saiu.

Subiu as escadas para usar o banheiro que ficava perto do quarto de Frosta resmungando, já que o que ficava no andar de baixo estava ocupado, provavelmente era Bow vomitando por ter se divertido na cama elástica depois de beber.

Sentiu o celular que estava no bolso vibrar e tirou o aparelho do bolso para ver quem era que esteva ligando. Pensou que talvez fosse Scorpia, já que a amiga estava sumida junto à Entrapta. Mas o número era desconhecido.

Ignorou a ligação, mas logo o mesmo número estranho voltou a ligar. Pensou que talvez fosse cobrança ou algo assim. E resolveu atender, só por precaução.

- Alô? Quem é? – perguntou um pouco desconfiada. Em todo o tempo em que esteve em Etheria nunca tinha recebido uma ligação de número desconhecido. – Alô? Alguém?

- Como vão as férias? – estremeceu de medo ao ouvir a voz de Prime do outro lado da linha. Pensou que estava alucinando, e torcia para realmente ser isso.


Notas Finais


Essa nota final é só pra avisar que tô demorando pra postar pq tô revisando. Tem muito erro no início dessa fanfic que eu nem tinha percebido. Espero que tenham curtido o cap.


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