História Accursed - Interativa - Capítulo 11


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Bishounen, Comédia, Crossover, Drabble, Drabs, Drama (Tragédia), Droubble, Ecchi, Esporte, Famí­lia, Fantasia, FemmeSlash, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Fluffy, Harem, Hentai, Lemon, Lírica, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Orange, Poesias, Policial, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Seinen, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Shounen, Slash, Sobrenatural, Steampunk, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Self Inserction, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Antes de tudo, vejam as notas finais, tem uns desenhos lá.

Capítulo 11 - Ato 11 - Casamento


Idoneus

Não houve tempo para descansar as pernas, queria ter o traseiro redondo novamente, a sela era desconfortável e o rebolar da égua em que montava jogava o corpo pequeno da menina de um lado para o outro, fazendo-a rebolar sobre a sela junto do animal. Era de manhã cedo e já estavam na estrada, passaram uma noite no Forte Shalgoth, mas mal conseguiu descansar, e mais ordens chegaram antes que pudessem se dar conta, e como a boa amiga que era acompanhou Annie. Ao menos pôde saborear uma boa carne de ganso assada e um corno de vinho quente pela manhã. Sentia-se bem por enquanto, mas este não era o caso do elfo:

— O-Oquê? Por que ela não abre a boca pra me explicar nada? Havia aquele elfo de cabelos prateados no Forte, e ele estava sem capuz! Minha cabeça está suando sob esse aqui, porque é que eu não posso tirá-lo? Eu nem comi nada — Donoghan resmungava sobre o corcel. — Ido... Ido?

— Idoneus. — a menina respondeu com um sorriso. Quase um mês de viagem juntos e ele não decorou o meu nome.

— Isso. Desculpe — ele se inclinou no cavalo para chegar perto dela. —, mas porque ela não fala comigo? Vocês me tiraram da minha cama e me colocaram num cavalo e aqui estou eu. Sem contar que você me acordou batendo com um pau na minha testa. — Donoghan franziu as sobrancelhas enquanto Idoneus gargalhava.

— Hahaha... — ela suspirou. — Não chame de “pau”, isso soa estranho e, além disso, meu “pau” tem um nome. Chama-se Vysage, e é um cajado, um cajado de mago. — não esperava que ele entendesse algo sobre magos ou magia, mas era impossível um elfo não saber o que era um cajado.

Circulavam o sopé de uma grande montanha rochosa cujo nome fora dado pelos habitantes locais: Sar. A estrada estendia-se ao longo da floresta, coberta por uma crosta de neve fofa que mais parecia um grande tapete branco dentre tanta grama. Essa troca climática ainda vai acabar me matando, pensou. Cavalgavam ao lado de uma encosta que terminava num rio que corria lento e calmo, e de suas margens saíam vapor.

— Ah, claro, claro. Minha irmã disse que queria um desses, mas em Euclidia é bem difícil achar um, sabe? — ele agarrou as rédeas do corcel. — Ela usava um livro, um caderno, eu não sei como esse se chama.

— Tomo ou grimório.

— Isso, ela usava algo assim. Mas ainda não entendi o porquê eu estou aqui. — ele voltou a olhar para Annie, que guiava o caminho a frente.

— Você é sempre tão exigente? Um soldado não questiona, só segue as ordens. — era impossível discutir com ele, ele era sempre resmungão e só fazia o que queria.

— Está me vendo com a porra duma águia no peito? Pois bem, não. Não sou um soldado-águia igual aqueles do Forte, e exijo saber em que trabalho estou envolvido.

— Tem medo de fazer escolta sor? — Annie quebrou seu silêncio e perguntou, movendo a cabeça para o lado como se olhasse para trás.

— Não.

— Lady Shalgoth está retornando com toda a guarnição para o Forte, e Lorde Laurence está com poucas espadas para defendê-lo na volta do casamento da irmã. Estamos indo para as Torres a mando de Lady Shalgoth para escoltar nosso Lorde. Satisfeito? — Annie voltou a olhar para frente. Admirava a capacidade da mulher de poder falar sem aumentar o tom de voz nem de parecer de algum modo nervosa.

— Casamento? — Donoghan perguntou.

— Sim, com um grande banquete e uma grande festa. — Idoneus respondeu para ele, e ele parecia triste sob o capuz.

— Algum problema com casamentos? São chiques demais pra você? — Annie brincou.

— Sim. É exatamente esse o problema.

— Laurence vai pedir para que eu participe, sei disso — Annie disse enquanto suspirava. — Ele exigirá que vocês dois também entrem no Salão e comam e bebam.

— Nem pensar! — não faltavam susto e medo no tom em que Donoghan falou. Do modo que falou era quase como se fosse um trauma.

— Por quê? — Annie olhou-o.

— E-Eu não sirvo para ambientes da corte, não mesmo. Eu sou desajeitado. — Idoneus entendeu... não serve para ambientes em que precise ser educado.

— Servirá como soldado, não como dançarino, sor. — Donoghan engoliu seco.

— Você não me ouviu falar que eu sou um Wolfhowl? — ele sorriu, mas seu rosto era só preocupação e ansiedade.

— Mentira. — Annie virou o rosto para a estrada.

— Diga-nos o seu problema, você parece um cão com frio, o que te deixa tão ansioso? — Idoneus sorriu enquanto fazia a pergunta.

— Eu sei que... eu sou... selvagem. Eu nunca neguei isso, ninguém nunca negou também — ele olhava para o chão, e franziu as sobrancelhas ao dizer isto. — Quando minha mãe cozinhava uma ave para eu e minha irmã, ela usava os talheres e eu agarrava a perna da ave e sujava a boca inteira, sugando cada carne que restava no osso, depois ficava brincando com ele nos dentes. — suspirou. — Uma vez eu tentei estudar magia na Universidade de Euclidia. Lá tinha um rapaz extrovertido e muito brincalhão, mas ruim em todas as matérias... minha irmã tentava ajudá-lo, dava algumas lições pra ele no tempo livre, e eu... uma vez ele tentou dar um beijo nela e eu atravessei sua mão com o meu lápis. Já fui expulso do Palácio duas vezes por estar sujo de sangue, mas eu só estava querendo visitar minha outra irmãzinha. Bem, eu já disse, esse é o tipo de situação que acontece comigo sempre que entro em lugares em que é necessário um bom comportamento.

— Tudo bem. Vamos trocar nossas posições — Annie sorriu. — Você fica atrás de Laurence, parado como uma estátua, encarando a tudo e a todos, e eu fico nalguma das grandes mesas do Salão, comendo e bebendo à vontade.

— Como quiser senhorita. — ele disse enquanto encarava o chão.

Estranho, parecia ter escutado o pensamento de Annie quando elas se olharam. Donoghan talvez não confiasse em si mesmo, e preferisse ser uma pedra vigilante a um soldado se divertindo num casamento. Ele, ao menos, seria mais intimidador que Annie se ficasse perto de Laurence, e talvez os soldados prestassem mais atenção no que Laurence dissesse. Já ouvira no Forte muita gente comentar sobre a beleza da moça, e não era à toa.

— Aaaah! — Donoghan grunhiu de alívio, e quando Idoneus voltou a olhá-lo, ele estava sem capuz.

Uma camada de pelos verde-musgo havia crescido sobre o maxilar e acima do lábio superior do jovem, eram pelos grossos e bagunçados. O bigode era suficientemente grande para pegar uma parte do lábio, mas não eram tão cheios como o de um idoso. Havia pelo menos dois centímetros de distância entre a pele e a extremidade da barba. Donoghan coçou o queixo com os dedos.

— C-Como? — Donoghan a olhou. — Como cresceu tão rápido? — lembrava-se de quando o viu pela primeira vez no cais, e ele não tinha mais que um tufo sobre o queixo e alguns pelos jovens no bigode.

— Hum? Minha barba? — ele coçou de novo e remexeu o maxilar. — Sei lá — ele sorriu. — Meus cabelos crescem rápido desde os doze anos, todos eles. Cortei os da cabeça com a minha faca três vezes desde que nos encontramos no porto, para mantê-lo do mesmo tamanho. — assustador, ela pensou.

Ela continuou a observar.

— Pare de olhar. Eu sei que a coloração dos meus pelos não são das mais comuns, mas pra mim sempre foi normal — Idoneus corou e virou o rosto. — A não ser que queira olhar mais de perto. — ele sorriu como sempre sorria.

Teve vontade de agarrar um punhado de neve e jogar no rosto dele, mas não alcançaria dali. Se estivesse com o cajado poderia bater nele, mas infelizmente, conhecia o histórico de Lorde Tower com magos e deixou-o no Forte, novamente. Já sentia falta de Vysage e Eremyr, principalmente Eremyr. Sem seus equipamentos ela se sentia fraca, tola e indefesa. Já estava cansada de usar os outros como espada e escudo, ou melhor, Annie. Ao menos dessa vez tinha duas espadas, uma de olhos azuis e a outra de olhos verdes, maior e mais forte, mas mais tola que a outra. Mexeu no bolso, a procura de Laguna, e lá estava ele, um de seus acessórios. Pelo menos podia carregar Laguna sem ser incomodada.

— Ei, Lady Annie — Donoghan começou. —, estamos indo para sul do Forte, não é? É mais pra lá que eles odeiam elfos, certo?

— Sim. — Annie foi direta.

— E por que diabos está me levando pra essa direção? — ele franziu as sobrancelhas e agarrou as rédeas, sem puxá-las.

— Estamos indo para as Torres, sim. Mas Lorde Laurence está lá, e você estará sob a proteção dele, ninguém irá te ferir se você não desferir o primeiro golpe. É bom que se lembre disso.

— “É bom que se lembre disso”?

— Olhe pra você, você não tem nenhuma disciplina. Já que vai tomar a minha posição, faça o que lhe é ordenado. Seja uma rocha, não fale com ninguém, não interfira em nada, não faça nada, muito menos dar em cima das criadas ou da filha donzela de algum nobre. Apenas siga o Lorde para onde ele for e faça o que ele mandar. Laurence não será muito exigente, garanto.

Donoghan calou-se, mas pelo olhar que lançava à Annie, sabia que reclamava e xingava em sua cabeça.

— Donoghan, antes você estava falando sobre sua irmã — Idoneus o chamou. —, disse que ela usava magia e estudava...

— Sim, uma boa menina. Educada, gentil e alegre. — ele sorriu para o nada.

— Onde ela está agora? Ficou em Euclidia?

— ... Sim. — mentira, soube na hora.

Idoneus arfou devido ao frio com um leve tom de risada.

— Você sabe que não é bom com mentiras, não sabe? — ela sorriu, e Donoghan a encarou com uma expressão que não contava muito sobre o que ele estava pensando.

— Eu não sei — ele se ajeitou na sela e lambeu o lábio inferior. — Não sei onde ela está, mas acho que ela está aqui, em Mormolyse. — não parecia mais triste, mas raivoso.

— Na carta que mandaram quando anunciou que você chegaria, sua rainha disse que houve um massacre em algum lugar de Euclidia, e culparam uma das facções mais perigosas de Mormolyse, a Calamidade. — Annie virou-se para ele.

— Ah... é. O bordel em que eu estava hospedado. Mataram todas as moças e clientes, todos eles. Eu não estava lá na hora, estava caçando alguns bandidos que haviam tentado assaltar eu e minha meia-irmã na estrada. Nessa mesma noite, minha irmã e minha mãe também sumiram, logo após o navio partir do porto. Eu não acho que tenha sido coincidência. — Donoghan parecia falar a verdade.

— Entendi. — Annie virou-se para a estrada. — Quando Laurence estiver de volta em casa, poderemos discutir sobre isso.

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Jeffrey

— Lorde Jeffrey retornou! — anunciou o homem sobre o portão.

Os grandes portões de madeira reforçados com metal rangeram, e Jeffrey viu as portas se afastarem como gigantes de madeira lentos e cansados. Eldran escarrou e cuspiu na terra, entrando logo após Jeff entrar. O seu povo e o do pai vieram, saudando e gritando para ele... ali era o único lugar que sabia que era amado, pelo menos pelas pessoas que cuidou. Diferente do pai se importava com a população, com os camponeses. Não eram desconhecidos, conhecia os seus rostos desde que era apenas um bebê e mal conseguia correr com suas pernas curtas e bamboleantes. Recebeu beijinhos, saudações e principalmente sorrisos. Amava aquilo.

Viu grandes torres de pedra se erguendo altas, tão altas que pareciam atravessar as nuvens e além. Frequentemente perguntava-se como seus ancestrais haviam construído aqueles colossos cinzentos e seus outros irmãos no resto da cidade. Nem o tempo ousou tocá-los.

Quando desmontou do cavalo, duas crianças que corriam e ofegavam como coelhos se chocaram contra suas pernas. Os gêmeos Olly.

— Cuidado! — ele deu uma palmada na cabeça de cada um antes que eles voltassem a correr. — Eldran, irei ver meu irmão Donn, me acompanhe se quiser, ou caso prefira...

Eldran bufou e agarrou o pomo da espada, se dirigindo para a taverna mais próxima. Um homem de poucas palavras...

Jeff foi direto para os aposentos do irmão, era o dia de seu casamento, não poderia faltar. Esforçou-se para que pudesse chegar no dia certo, com longas cavalgadas entediantes e noites sem dormir. A pobre da égua precisava de um descanso, escolheria um outro cavalo para usar daquele dia em diante, até que a égua se recuperasse bem.  

Subiu as longas escadas serpenteantes da torre até que os joelhos começaram a doer, e finalmente alcançara o quarto do irmão. Entrou sem bater, nunca bateu na porta. Ele estava sem camisa, e duas criadas do pai o ajudavam a escolher uma roupa apropriada para o casamento. Donn estava sobre um pequeno banco de madeira de frente para um espelho.

— Jeff! — o irmão mais novo gritou ao vê-lo, e saltou do banco, vindo em sua direção.

— Irmão. — Jeff sorriu e o abraçou.

Quando se afastaram, viu o quanto o irmão crescera no espaço de tempo entre sua saída e seu retorno. Donn havia aparado a pequena barba castanha que tinha para parecer mais bonito e menos rude no casamento, seu cabelo era mais claro que o de Jeff, quase como se fosse loiro. Combina com o da esposa, Lady Lily tem cabelos claros também, lembrou-se. Donn estava quase de seu tamanho, mas ainda faltavam alguns poucos centímetros para que o passasse na altura. O irmão era mais bonito e mais galante que Jeff, mas eram muito parecidos. Donn agora tinha os cabelos de tamanho médio, e possuía uma franja bagunçada jogada para a direita da testa. Estava odiosamente bonito naquele dia.

— Achei que não fosse comparecer ao meu casamento. — ele sorriu.

— É isso que pensa de mim? — Jeff sorriu de volta. — Nunca faria isso.

— Por onde andou? — Donn perguntou preocupado, vendo toda a sujeira nas roupas do irmão.

— Primeiro tive que atravessar o Vale Rochoso e visitei os Coyle no Forte da Geada. Depois, fui até a casa de sua querida esposa no Forte Shalgoth, deixei nosso Fabian lá para servir como escudeiro, assim como nosso pai ordenou. E então, fui para o Santuário do Lobo e discuti algumas coisas com Lorde Lars.

— Que coisas?

— Essa conversa... deixarei para nosso pai. — ele sorriu e deu duas palmadinhas no ombro de Donn. — Vá, não deixe as moças esperando. Hoje é seu dia, sem preocupações pra você! — Jeff puxou a porta e fechou-a ao sair.

Fazendo seu caminho para fora da torre, uma criada o parou e lhe entregou uma carta.

“Lorde Archon II Sieghart Wolfhowl liderou e venceu a batalha no Olho de Prata e retomou o Castelo de Alantar para os lobos. Ainda estamos propensos a fazer um acordo.

- Lars III Wolfhowl.

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Donoghan

Anoitecera, e a música já começara fazia algum tempo. A porta finalmente se abriu, e Laurence pulara de dentro dos aposentos seguido por Annie. Era um rapaz elegante e estava sorridente, provavelmente feliz pela irmã.

— Olá. Vi-te antes, mas não lhe cumprimentei adequadamente. Sou Laurence Shalgoth. — ele estendeu uma mão para Donoghan que fazia a guarda da porta. Era um comportamento estranho para um Lorde, normalmente Donoghan teria de se ajoelhar, algo que não gostava muito.

— Uh... Donoghan Wolfhowl. — os olhos de Laurence pularam. As mãos do rapaz pareciam pequenas na dele.

— Então é por isso que não tentou se curvar, estou diante de outro lorde, ora. Apesar de não se parecer nada com um Wolfhowl.

— Eu...

— Ele não é lorde nenhum, é só um mentiroso. — a voz de Annie interrompeu-o.

A mulher surgiu de dentro dos aposentos de Laurence e fechou a porta. Ela estava ranzinza e envergonhada, sentiu isso no tom de voz de Annie. Trajava um vestido âmbar com águias Shalgoth cosidas ao longo de toda a decoração. Tinha também fios de ouro ornamentando a roupa. Os cabelos estavam lavados e secos, e sua pele branca não tinha uma mancha. Deram a roupa de uma donzela para uma guerreira... é quase como vestir um cão com um elmo, mas... deuses, como ela é linda, pensou.

Donoghan sufocou um riso na garganta, sabia que levaria alguns tapas e chutes se risse da situação dela. Ele estava quase na mesma situação, ninguém havia avisado para ele que teria que usar um gibão Shalgoth se quisesse ser o guarda do lorde, aquelas costuras charmosas faziam-no coçar o pescoço como um cão sarnento. Quase tocaram em sua barba, mas ele deu a desculpa de que pareceria mais selvagem caso alguém decidisse atacar o lorde, então a penteou.

— O que te faz dizer isso? — Laurence perguntou, virando para ela. — Ele não parece um guerreiro Wolfhowl pra você? Ele é dois de mim.

— Ele é um elfo de Euclidia, com cabelos e olhos verdes. Se for um Wolfhowl, é um bastardo e não tem o direito de usar esse nome. — ela cruzou os braços sobre os seios, ainda envergonhada.

— Cuidado com a língua, não gosto de te ver brava. — Laurence sorriu gentilmente para a irmã adotiva. — E você, Donoghan... veremos o que sua rainha tem a dizer sobre sua alegação. Não acho que esteja mentindo, mas... Annie é meu braço direito e acredito em tudo que ela diz.

— Entendo, milorde. — Donoghan sorriu, mostrando os caninos.

— Essa espada — Laurence o rodeou. —, a que carrega nas costas, ela é feita de que? Nunca vi algo desse tamanho, nem dessa largura.

— Essa é só uma parte dela, minha mãe me deu no meu aniversário de quinze anos. A outra parte se perdeu, é uma relíquia de família, passada de geração em geração. Meu avô não teve filhos homens, e minha mãe preferia magia... então ela me deu essa parte da espada. — Donoghan o respondeu, enquanto agarrava o punho da espada sobre o ombro.

— Incrível. Parece ser pesada. — Laurence voltou para onde estava. — Bom, teremos tempo o suficiente para conversar pela manhã. Por enquanto, sugiro que nós banqueteemos. — ele sorriu e começou a desceu as escadas.

Idoneus apareceu logo depois, teve de se despir de suas roupas de mago para que não ofendesse aos anfitriões, e vestiu couro e lã. O couro combinava com seus cabelos, e os olhos vermelhos se destacavam mais do que antes, apesar de parecer um garotinho magro e pequeno.

Mais tarde, a música começou a ficar mais agitada e com ela vieram as danças. Vez ou outra Laurence lhe entregava na mão um corno de hidromel, mal conhecia o pequeno lorde, mas sabia que se daria bem com ele. Devia ser maravilhoso servir alguém assim. E a coceira no pescoço não parava.

Serviram carne de pato cozida com manteiga derretida, fatias de queijo branco temperadas com fragmentos de plantas que ele não conhecia; bolo de limão com pedaços de morango; salada de frutas; carne de cavalo embebida em mel e limão, costelas e peito de garula com óleo de bacon; cerveja preta, hidromel, vinho de Euclidia, doces e muitas outras comidas... eram de dar água na boca, mas não ousou tocá-las.

Donoghan encostou-se junto da parede de pedra com os braços cruzados, dali podia observar todo o salão, tinha altura o suficiente para isso. Annie estava sentada ao lado de Laurence onde deveria estar a sua mãe, e às vezes dava olhares invejosos a Donoghan, querendo estar onde ele estava.

Viu casais pularem para o centro do Salão e começarem uma dança lenta acompanhada de violino e de olhares curiosos. Um sujeito que deveria se chamar Todd aproximou-se de Laurence pela frente e ajoelhou-se, Donoghan não ouviu o que ele falou, mas Laurence riu para Annie e ela corou, tentando discutir algo. Depois, a mulher levantou-se e ele a tomou pela mão, dançando junto com os outros jovens e idosos casais, as maçãs do rosto de Annie estavam tão vermelhas que pareciam duas maçãs de verdade. O noivo pegou na mão da noiva e saltou para lá também, era uma lady donzela a irmã de Laurence, observou. Eram a atração principal. Donoghan sorriu, novamente para o nada, e acolheu-se junto ao calor cinzento da parede, fechando os olhos enquanto cruzava os braços. Não queria ser mais que isso... só parte do cenário, era isso que era. Nunca foi mais que isso, nunca seria mais que isso. Eu? Dançando? Sou uma aberração gigante, isso seria muito esquisito e desgostante.

Dançar? No que é que eu estou pensando? Eu sou um assassino e é só isso que eu sou. A minha única dança é com a espada e com ninguém mais... e o sangue carmim, quente, é meu deleite.

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Notas Finais


Espero que tenham gostado!
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Desenhos (aviso: não sou bom com corpos e roupas):
https://imgur.com/a/khJR8MO
O Donoghan eu consegui representar perfeitamente como eu imagino (sim, a barba também, mas no desenho está maior do que está atualmente na história, porque vai ficar assim depois), então sintam-se livres pra imaginar ele do jeito que está no desenho (inclusive a cicatriz debaixo do olho)
A Annie é a primeira vez que desenho, então não sei se é exatamente assim que eu quero, mas por enquanto é :v (detalhe: eu não tenho muita experiência em desenhar mulher, por isso o Donoghan tá muito mais detalhado, isso é bem perceptível no tamanho dos olhos)
A Penny faz bastante tempo que desenhei, mas imagino ela assim ainda. (reparem na diferença de tamanho entre a orelha dela e do Donoghan tbm, isso foi proposital)


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