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História Aceito? Aceito! (Taekook - Vkook) - Capítulo 5


Escrita por: felicity_nown

Notas do Autor


hm.. oi, sou eu de novo kkkkkk quanto tempo né
espero que não tenham desistido 😅
enfim, eu falo melhor nas notas finais
e aproveitem que esse é o último capítulo! (leiam ao som de "Never Not", de preferência rs)

boa leitura 💜💜💜

Capítulo 5 - Kim Taehyung


Kim Taehyung


— Jungkook..? — eu indaguei, extremamente confuso.

Eu jamais esperava vê-lo em frente à minha casa e, muito menos, que ele segurasse um violão e tivesse um olho roxo. O que ele queria, afinal?

E o que aconteceu enquanto eu estava em meu sofá, derramando-me em lágrimas?

O mais novo foi direto para o meu sofá, sentando-se lá, parecendo extremamente exausto. E eu sequer pude ficar irritado pela invasão porque, nesse momento, minha preocupação era bem maior do que minha cólera. Por isso, não hesitei em correr para me sentar ao seu lado, afoito.

— Antes que você me encha de perguntas, eu vou explicar tudo, ok? — ele me interrompeu assim que eu abri a boca e eu me calei logo em seguida.

Eu realmente estava prestes a disparar milhares de perguntas para cima dele!

 — Espere. — pedi, correndo em direção à cozinha rapidamente.

Alguns minutos depois, eu voltei com uma bolsa de gelo, e também uma pomada anti inflamatória, que era tudo que eu tinha naquele instante, já que eu não costumava usar muito meu kit de primeiros socorros.

Sentei-me ao seu lado, já começando a tirar uma boa quantidade do tubo do medicamento.

— Hm, o quanto você sabe? — questionei.

Já havia notado que, pelo menos, de algo antes da perda de memória ele havia se lembrado.

E isso me assustava um pouco.

— O suficiente. — ele disse, simplório, e eu franzi o cenho com sua resposta.

Mesmo nada satisfeito com sua resposta incompleta, eu ignorei por ora, começando a aplicar um pouco do conteúdo viscoso na região dolorida.

Jungkook fechou os olhos, aceitando o contato com timidez, e eu me permiti sorrir um pouco quando suas bochechas adquiriram um tom rosado. Era algo comum entre nós — e com “comum” eu quero dizer ‘’antes de toda a história maluca do casamento e da perda de memória’’ —, pois o mais novo sempre ficava envergonhado com esses contatos.

Como se ele tivesse acanhado por ser cuidado por alguém.

Ou, apenas, como se não fosse acostumado a isso, o que talvez fosse o pior.

Por fim, quando terminei de aplicar a pomada, eu o entreguei a bolsa de gelo, que ele usou para amenizar a dor. Eu o olhei com o cenho arqueado e ele logo entendeu que eu queria que ele começasse a se explicar.

O mais novo passou a mão na testa, inclinando-se para perto, como se estivesse se preparando para uma longa narrativa.

— Quando você saiu correndo mais cedo, eu… percebi que algumas coisas precisavam ser esclarecidas. E, bem, por incrível que pareça, a escolha perfeita no momento pareceu ser falar com minha noiva, então eu me encontrei com ela. — ele contou e eu balancei a cabeça positivamente, mostrando que estava ouvindo. — E, sendo direto, a gente terminou. — ele revelou, rindo daquele fato, e me vi confuso.

— Eu… sinto muito..? — falei, em tom de pergunta, porque ele realmente não parecia nada chateado.

— Oh, Tae, você já sabe o porquê. — ele falou, como se fosse óbvio, e meu coração acelerou; será que era mesmo o que eu imaginava?

— Foi porque você falou o nome errado no casamento, não é? — questionei, entrando em desespero. — Ah, se foi por isso.. foi só um mal entendido, sabe, eu tava bem do seu lado e você tava olhando pra mim na hora e… você se confundiu, então... — eu comecei a falar, atropelando as palavras e gesticulando muito.

Eu não queria ser o motivo para Jungkook ter terminado um casamento e ser infeliz pelo resto da vida!

No entanto, Jungkook largou a bolsa de gelo apenas para segurar minhas mãos naquele momento. O contato gélido de nossos dedos, de alguma forma, tranquilizou-me, ao mesmo tempo que fez meu coração acelerar ainda mais. Ergui meu olhar para ele, perdendo-me mais uma vez naqueles orbes escuros.

— Não se preocupa com isso, ok? Eu sei que você deve estar se culpando agora, mas acredite, nada nessa situação é culpa sua. — ele disse com uma voz muito suave, me passando o conforto que eu precisava. Meus olhos marejaram nesse instante; ele sabia realmente como eu estava me sentindo. — Além disso, era óbvio que esse casamento estava fadado ao fracasso.

— O quê..? — eu questionei e ele balançou a cabeça afirmativamente.

— Claro que era. Bom, meu pai… ele que planejou isso tudo. Por puro lucro. E, também, porque… — ele crispou os lábios, parecendo inseguro. — Ele queria, bem, me “consertar”.

— Como assim?

— Ele queria que eu “virasse homem’’, Tae. Palavras dele. — admitiu de uma vez e meu estômago inteiro se revirou em cólera. — Eu tentei falar pra ele que eu não queria nada disso e ele, de algum jeito, achou que adiantando o casamento eu seria "consertado o mais rápido possível”. E, quando eu disse que estava apaixonado por alguém, ele deduziu quem era, e... ele me ameaçou tirar... tudo. Então... eu me vi sem escolha. — dessa vez, ele encolheu os ombros, balançando a cabeça como se estivesse envergonhado com a lembrança. — Eu quis afastar você, Tae. Eu percebi que não podia te prender naquela relação merda que tínhamos. Não seria justo pra você. Eu tinha que te poupar disso, mesmo que... você me odiasse. E mesmo que isso significasse não te ter mais em minha vida.

Dessa vez, imergimos em um silêncio, que eu sequer pude distinguir se era incômodo ou não. Eu repassava mentalmente os últimos momentos, no dia anterior ao casamento, mas dessa vez tentando enxergar por sua perspectiva. Agora, o olhar que Jungkook direcionou para mim ao me agredir com aquelas palavras não parecia mais odioso, mas sim doloroso. Como se o peso das próprias palavras se voltassem contra ele mesmo.

Agora, aquela noite antes do casamento, parecia… uma despedida.

E eu estava tão preso aos meus sentimentos e à minha decepção naquele momento que sequer cogitei que aquilo pudesse ter afetado a ele também.

Ele estava realmente disposto a lidar com o peso daquilo, apenas para que eu pudesse seguir em frente sem ele?

Mesmo sabendo que eu provavelmente o detestaria?

 — Então, bem… você sabe, a história de sempre… Minha memória resetou, esqueci meu casamento, falei o nome da pessoa errada no altar, e toda a mídia ficou sabendo, em segundos, do que eu quis esconder toda a minha vida. — ele falou com a maior naturalidade do mundo, mas rindo sem humor. — E, depois de falar com a Soobin sobre algumas coisas, eu… eu decidi me esclarecer com meu pai. De novo. — ele continuou o relato. — A diferença é que… eu não estava disposto a ceder aos subornos dele.

— O-o que quer dizer, Jungkook? — questionei, mesmo temendo a resposta que viria.

— Bom... ele disse que tiraria tudo de mim se eu não me casasse. Então, eu aceitei. — ele contou, dando de ombros como se não fosse nada de mais, e eu arqueei as sobrancelhas, surpreso.

— Você é louco!? Você… você perdeu tudo! A empresa, a herança… — eu comecei a falar, já hiperventilando, mas o mais novo voltou a segurar as minhas mãos a fim de me passar tranquilidade, mais uma vez.

— Eu apenas fiz o que já deveria ter feito há muito tempo, Tae! Eu não tinha nada a perder, só a ganhar. — ele disse, olhando-me com um brilho atípico nos olhos, o que fez minhas bochechas arderem. — Ele disse que me tiraria tudo, mas a verdade é que… ele não podia. Ele não pode me tirar a alegria de ser quem eu quero, fazer o que quero… e, bem, estar com quem eu quero. — ele me lançou um sorriso sem graça e apontou para o próprio ferimento, revirando os olhos. — E, claro, ele me deu isso em troca.

 — O quê!? — exclamei, com a cólera voltando a me atingir bruscamente. — Você tem que denunciar esse desgraçado!

— Tae, calma...

— Calma!? Você pedir isso só me deixa mais estressado!

 — Eu sei, mas eu queria que você pudesse ouvir o resto do que eu tenho a dizer!

— Oh, então você veio pra me dizer que apanhou do seu pai e decidiu vir aqui fazer uma serenata? Bela história! — bradei, cruzando os braços em ironia.

Ele olhou para mim com uma sobrancelha arqueada, e eu sabia o que aquilo significava. No final, suspirei pesadamente, descruzando os braços e mordendo os lábios.

De fato, pensei, ainda era Jungkook ali.

— Você… pode continuar, mas conversaremos sobre isso depois! — fiz questão de deixar claro, e ele sorriu.

Eu o observei pegar um pedaço de papel amassado de dentro do bolso, que continha algumas linhas soltas. Inclinei-me um pouco no sofá, espiando a fim de reconhecer alguma palavra. Parecia ser um poema.

— Eu sei que pode parecer bobo, mas…

— Ah, meu Deus! É mesmo uma serenata!? — eu exclamei com exaltação e ele olhou-me com a sobrancelha arqueada novamente. — Oh, desculpe, pode continuar…

Ele riu, como quem já estava acostumado com aquilo.

— Eu… estava escrevendo uma música antes de perder a memória. Eu não me lembro muito bem, mas, quando eu vi a letra… — ele suspirou pesadamente, como se não soubesse quais palavras usar.

— Bom… você pode me mostrar, ao invés de falar. — eu disse, incitando-o a continuar.

Eu sabia o quanto era difícil para ele lidar com esse talento, pois seu pai nunca o apoiara neste sonho. Então, quando o seu pai o desmotivava, eu o motivava três, quatro… ou mesmo cinco vezes mais. Além disso, a música era o melhor meio pelo qual Jungkook, um homem extremamente reservado, conseguia se expressar. Então, jamais permiti que seu pai tirasse isso dele.

E sempre valia a pena no final, apenas para vê-lo sorrindo ao ouvir a própria melodia.

Não seria diferente agora.

Jungkook puxou o violão, apoiando-o sobre a coxa, do mesmo jeitinho que o Jungkook antes de perder a memória fazia. Ele passou os dedos levemente no instrumento, do cavalete à pestana, explorando cada pequena peça como se tentasse se familiarizar com elas. Em seguida, de uma só vez, ele fez o primeiro acorde, que soou muito bem aos ouvidos.

Ele pareceu ter gostado, então testou uma segunda vez, que pareceu ainda melhor. Jungkook então sorriu, como se finalmente tivesse se lembrado como tocar.

Em seguida, enfim, sua boca entreabriu-se, e a primeira melodia bonita saíra dela:

“We were so beautiful”. — eu pisquei algumas vezes, enquanto o canto de Jungkook me envolvia, quase calorosamente, numa onda de nostalgia. — “We were so tragic”. — continuou, elaborando mais um acorde com precisão.

As lágrimas já começavam a se formar no canto de meus olhos. Sua voz lembrava-me de uma época que eu jamais esperava que fosse voltar.

E sequer pensei que, algum dia, sua música seria direcionada especificamente a mim.

“No other magic could ever compare”. — mas sua voz falhou de repente e ele parou; ergui os olhos, apenas para ver que seu nariz estava levemente avermelhado.

Então eu demorei para perceber as primeiras lágrimas caírem por seu rosto e eu me desesperei no mesmo instante. Era a primeira vez que ele desabava assim em minha frente!

Ainda assim, eu não hesitei em me aproximar do mais novo, estando quase colado a ele. Ergui os dedos, enxugando suas lágrimas com muita cautela.

Céus, ele nunca havia se expressado tanto em minha frente!

— Desculpe. — ele pediu.

— Não se preocupe. — eu falei, desviando minha mão do seu rosto para sua coxa; inclinei a cabeça, testando um sorriso para fazê-lo ficar melhor, e isso teve efeito imediato, pois o mais novo sorriu de volta imediatamente. — Continua..?

Ele assentiu, voltando a segurar o violão com firmeza. Antes de olhar para mim uma última vez, ele sorriu, dando um pesado suspiro como se incentivasse a si mesmo a prosseguir tocando.

E eu soube que, finalmente, era agora.


Lost myself, seventeen

(Me perdi, dezessete anos)

Then you came, found me

(Então você veio e me achou)

No other magic could ever compare

(Nenhuma magia poderia se comparar)


There's a room

(Tem um quarto)

In my heart with the memories we made

(No meu coração com as memórias do que fizemos)

Took 'em down but they're still in their frames

(Escondi-as, mas elas ainda estão frescas)

There's no way I could ever forget

(Não tem como eu esquecer)


For as long as I live and as long as I love

(Enquanto eu viver e enquanto eu amar)

I will never not think about you

(Eu nunca não vou pensar em você)


Os belos acordes mesclados à bela voz de Jungkook cessaram, deixando um vazio atípico no cômodo.

Ele parou, mas dessa vez fora porque eu quem desabei em lágrimas.

Parecia que cada pedacinho do meu coração fora juntado novamente, em apenas alguns instantes. Agora, ele encontrava-se inteiro e aquecido. Então, eu tive que externar isso.

Jungkook apenas largou o violão encostado no sofá da minha sala, esticando os braços para me acolher. Eu deitei no peito dele, desabando em sua frente mesmo, e sentindo seu aroma me envolver calorosamente.

— Tae. — ele continuou, só que ainda mais baixo dessa vez, e eu ergui o rosto para escutá-lo, ignorando o fato de que eu estava, provavelmente, completamente vermelho. — Quando vi isso que eu escrevi, eu finalmente percebi, provavelmente não pela primeira vez, que… eu já me apaixonei por você. Me apaixonei antes, e você conseguiu fazer eu me apaixonar de novo, agora. Então, bom… não tenho receio algum de te dizer que… sim, Tae, eu também te amo. — ele soltou de uma vez, sem sinal algum de hesitação, olhando para mim com um grande sorriso, como se tivesse acabado de se livrar de um grande peso.

De repente, eu fui transportado novamente para o dia antes do casamento.

Dessa vez, entretanto, não parecia uma mera memória, e sim um pequeno flash do que realmente deveria ter acontecido.

O que nós dois queríamos que tivesse acontecido.

Eu diria aquelas palavras, pela primeira vez, externando a verdade que eu queria há tanto tempo dizer para o Jungkook. Ele, por outro lado, sorriria largamente, respondendo de volta o que acabou de responder agora: eu também te amo.

Essa frase parecia flutuar em minha mente, tornando-se cada vez mais real.

E, logo depois, acabaríamos na cama, sem roupa, cansados e cheio de paixão.

E foi o que realmente aconteceu.

Só que, dessa vez, uma pequena película havia sido quebrada entre nós. Isso porque, pela primeira vez, nós sabíamos de um sentimento que era real para nós dois. Cada toque, cada palavra, cada suspiro… 

Tudo isso era real.

— Só há uma coisa que eu não entendi. — eu falei, atraindo sua atenção; nós nos viramos na cama, ficando de frente pro outro. — A Soobin aceitou “isso” numa boa? — questionei, mas Jungkook riu soprado, mesmo que eu estivesse sério.

— Deixe eu te falar algo sobre nosso relacionamento, Tae. — disse, mantendo um sorriso; depois de hoje, um sorriso se formava facilmente em nossos rostos. — Eu tinha que aguentá-la falando da garota que ela gostava e, ao mesmo tempo, eu enchia o saco dela, falando do garoto que eu gostava. — admitiu e eu pisquei algumas vezes, muito surpreso com a revelação. — Então, sim, ela aceitou isso muito bem. Na verdade, ela até criou coragem para se declarar.

— Oh… — ergui as sombrancelhas, ainda processando tudo. — Que bom… ao menos ela não precisou falar o nome errado no casamento pra perceber o que deveria fazer há muito tempo. — brinquei, arrancando uma risada do mais novo.

— Tae. — Jungkook chamou, atraindo minha atenção para si mais uma vez. — Você…

E, quando eu notei o quão tímido ele estava, eu soube o que era.

— Sim, Jungkook. — respondi.

Sorrimos em sincronia, entrelaçando nossos dedos, e aquilo foi o suficiente para que compreendêssemos. Tive certeza de que, nesse momento, ambos tínhamos pensamentos no futuro.

Talvez, pela primeira vez, pensávamos num futuro em que estaríamos juntos.

.

.

.

Jeon Jungkook


Três anos.

Faziam três anos desde a perda de memória.

Três anos desde o pior casamento da história.

Três anos desde que o meu pai expulsou-me de casa.

Porém, faziam justamente três anos desde que eu me sentia livre para ser quem eu quisesse, tal como finalmente ir para a faculdade de música, sair com os amigos que eu gosto e até mesmo ter a dieta que eu quisesse.

Inclusive, faziam quase três anos que eu sou o homem mais sortudo do mundo simplesmente por namorar Kim Taehyung.

— E se foi um carma? — pisquei algumas vezes, focalizando o loiro em minha frente.

Estava tão nervoso e aéreo que havia esquecido que estávamos em uma conversa. Eu acenei com a cabeça, indicando que estava ouvindo, ao mesmo tempo em que entrávamos no nosso apartamento.

Depois que meu pai me tirou o dinheiro, eu me mudei para o apartamento dele, e até hoje nos mantemos aqui, pagando as contas e a faculdade com o fruto de nosso próprio esforço. E, mesmo depois que Namjoon, recém formado como advogado, conseguir colocá-lo na cadeia — por crimes de agressão e de ameaça — e eu finalmente recuperar minha herança, nós preferimos ficar aqui, nesse ambiente bem mais aconchegante e caseiro.

E, definitivamente, não era nada ruim morar no mesmo teto que Taehyung.

— Tipo — ele continuou, colocando a sacola de compras em cima da mesa, com minha ajuda —, você passou tanto tempo sendo um gay enrustido que o universo quis te tirar do armário a força.

Ri soprado juntamente dele, finalmente me recordando do que estávamos falando.

Desde a epifania que eu tive há quase três anos, quando me declarei para Taehyung, a minha memória vem voltando paulatinamente. Dessa forma, vez ou outra me lembro de fatos curiosos sobre mim mesmo. Ainda assim, ninguém sabe exatamente o que provocou a perda dela, mesmo que houvesse muitas teorias.

E, mesmo que minha memória não estivesse a cem por cento, eu estava satisfeito.

O Jungkook de antes e o de depois da perda da memória se mesclaram em um só, gerando um Jungkook bem mais autêntico e desconstruído.

E eu gostava bem mais dessa última versão, e do que ela me proporcionou.

— Só agradeceria se o universo tivesse feito isso de outra forma. — brinquei, revirando os olhos.

A lembrança daquele dia ainda me perseguia, mesmo que já não me incomodasse mais. Na verdade, eu tratava aquele dia como algo sagrado, que me proporcionou as melhores coisas possíveis.

Mas eu ainda tinha que lidar com piadas o tempo inteiro!

Taehyung franziu o cenho, como se avaliasse minha fala, então ele estalou a língua, chegando numa conclusão

— Não, eu prefiro dessa forma. — ele deu de ombros, rindo, e eu arqueei o cenho, fingindo estar ofendido. — O quê? Eu só acho que o universo tem um ótimo senso de humor!

Eu revirei os olhos mais uma vez, me rendendo às risadas dele.

— Sabe o mais interessante? — falei, atraindo a atenção do outro, que parecia curioso. — Tecnicamente, estamos fazendo três anos de casado. — falei, retirando-me da sala depois de deixar a sacola de compras em cima do balcão.

— Como assim?

Taehyung arqueou a sobrancelha, me seguindo, como se quisesse um resposta mais clara.

— É que eu aceitei você como meu marido, logo, todos esses anos nós estávamos casados. — falei, dando de ombros, e ele finalmente riu, como se entendesse. — E faz todo o sentido!

Ele me ultrapassou no corredor, indo em direção ao quarto, exatamente como eu queria.

— Claro que não, você me aceitou, mas eu não aceitei você. — ele riu, finalmente girando a maçaneta e adentrando o cômodo.

E era exatamente isso que estava em meus planos.

Taehyung arfou em surpresa, quando viu o que o esperava no local.

Ele adentrou o ambiente, que era iluminado por dezenas de velas que estavam em todos os móveis possíveis, com o aroma floral que ele tanto gostava por todo o local. Ele andou através do caminho de pétalas de rosa, parecendo em êxtase.

Ele estava sem reação.

Kim Taehyung, o homem mais espontâneo e expressivo que eu conhecia, estava diante de mim, sem reação aparente.

Essa era exatamente o que eu tinha em mente.

E, quando ele se virou novamente para mim, teve outra surpresa.

Porque eu estava de joelhos.

Taehyung arregalou os olhos, levando as duas mãos à boca, incrédulo. Seu olhar baixou para a a aliança reluzente em minhas mãos, guardada por uma pequena caixa de coloração azul.

— Eu… — comecei, sentindo meu estômago se revirar inteiro em ansiedade; pigarreei logo em seguida, recomeçando minha fala: — Tae, esse pedido passou por muitos altos e baixos. Basta perguntar ao Jimin sobre isso. — falei, entre risos, vendo-o atento a cada palavra. A verdade é que eu estava nervoso. — Eu realmente achei que importasse onde, ou quando... e sempre achei que nada seria o suficiente para te pedir. Mas, o que acontece é que… nada disso importa. Eu parei para pensar, e acho que o que realmente importa é que eu quero continuar indo naquela doceria com você, apenas pra te ver provar todos os sorvetes da loja, e me obrigar a comer junto. Eu realmente quero continuar indo a sessão de romance nos cinemas com você, apenas pra gente se beijar durante o filme todo e precisarmos alugar ele depois, sob sua insistência. E eu realmente gosto de, todos os dias, te ver tirar uma roupa nova do guarda roupa e fazer uma combinação maluca que sempre vai ficar bem em você. E foi em um desses momentos simples, quando você tava rindo daquele cara que tropeçou na rua, que eu percebi que era o que eu queria ter pelo resto da vida. Mas não com qualquer pessoa. Eu quero ter isso com você, Kim Taehyung.

Suas pernas fraquejaram, como se não tivessem força para sustentar a si mesmo e, em segundos, ele também se encontrava de joelhos, em minha frente. Pude vê-lo lacrimejar e não foi necessário muito para que ele começasse a realmente chorar.

— Então, você...

— SIM! EU ACEITO! — ele gritou tão alto que, nesse momento, a rua inteira já devia saber do nosso casamento. — Sim, sim, mil vezes sim!!

Nós rimos um pro outro, e eu senti meus olhos lacrimejarem. Eu coloquei a aliança em seu dedo, com muita dificuldade, porque minhas mãos tremiam por conta do êxtase.

— Jungkook, eu… eu não sei o que dizer. — ele falou, com a voz embargada. — Eu sempre quis viver um romance digno de filmes, sempre quis ter um príncipe encantado e ter o meu típico e clichê "felizes para sempre". Mas você me mostrou que… não é bem assim que as coisas funcionam. Você me ensinou a ter um relacionamento real, me mostrou seus medos, suas inseguranças, suas imperfeições, assim como eu o mostrei as minhas. E, acredite, Jungkook, isso é bem melhor do que qualquer filme da Disney. Eu ainda quero ter o meu "felizes para sempre", e com você, mas tendo plena consciência de que teremos altos e baixos em nossa vida, e que nem sempre estaremos montados num cavalo branco ou caminhando por um bosque encantado. A vida é uma grande incerteza, e tudo pode mudar. Mas a maior certeza é que eu quero passar por todas essas incertezas com você, Jeon Jungkook.

Sorrimos um para o outro, nos abraçando em meio às lágrimas. As palavras do Taehyung tocaram o meu coração e toda a minha alma, e a certeza de que eu queria casar com aquele homem incrível aumentou mais ainda, se é que isso era possível.

E ele ainda tinha dito que não sabia o que falar!

— Podemos sair?

— Estamos quase morrendo aqui!

Taehyung assustou-se ao escutar as vozes histéricas de Jin e Jimin, mas nós rimos logo em seguida. Nos levantamos, e eu permiti a entrada deles.

Nossos amigos invadiram o local folgadamente, aos berros e gritos, comemorando o que, sinceramente, deveria ter ocorrido há um bom tempo.

Eu e Tae trocamos olhares naquele momento e eu já sabia o que significava.

Significava que ele havia me aceitado de verdade.

E, finalmente, eu também havia aceitado Kim Taehyung.

Não importava quantas vezes eu perdesse a memória — mesmo torcendo pra que isso não aconteça novamente —, seria sempre ele, e eu sempre saberia disso.


Eu sempre aceitaria Kim Taehyung, assim como ele sempre me aceitou.



Notas Finais


todo mundo aceitou todo mundo, e foram felizes para sempre! kkkkkkkk
e o título faz nem mais sentido agora né? não era apenas um "aceito" de casamento, mas uma aceitação de si próprio. era isso que eu queria passar (além de outras críticas..)

o Jungkook foi basicamente moldado pelo pai (e pela sociedade) para repudiar a homossexualidade, e era por isso que ele desgostava dele mesmo: ele era tudo aquilo que foi ensinado a odiar.
Taehyung apareceu na vida dele justamente pra desconstruir isso, mas então aconteceu tudo aquilo e... bem, ele voltou a estaca zero, como foi explicado. Jungkook finalmente conseguiu se livrar de boa parte do preconceito que foi ensinado a ter, e finalmente aceitou a ele mesmo... e ao Taehyung :)

gostaria de agradecer a @m4ry_tk , a @Laris_cs e a @Abby_Rodrigss por me aguentarem enchendo o saco pra betar essa história kkkkkk muito obrigada pelo apoio, vocês me inspiraram a persistir nessa história e eu devo muito a vocês 🥺💖

espero muuuito que tenham gostado, pq essa história significa muito pra mim, e espero que tbm tenham aprendido com ela 💜💜💜


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