1. Spirit Fanfics >
  2. Acima das árvores >
  3. O brilho

História Acima das árvores - Capítulo 19


Escrita por:


Notas do Autor


Oi, galerous, como vocês estão? Espero que em casa, né? Ficar de quarentena é horrível, mas é o que temos pra hoje.

Mas, enfim, fé no pai que o inimigo cai.

Espero que gostem ❤️

Vou tentar publicar mais um capítulo ainda hoje

Capítulo 19 - O brilho


O olhar dele me fitando enquanto eu ia embora ainda aparece em minha mente, de vez em quando, como um lembrete do que eu estava fugindo. E mesmo que eu já pudesse ver minha casa e minhas pernas já estivessem exaustas por aquela corrida, a imagem não se afastava. Nunca. Nunca. Nunca se afastava. Ficava lá comigo me acompanhando pelas ruas desertas enquanto eu corria feito louco em direção a um lugar seguro, um lugar que não me lembrasse de seu olhar triste e implorando para que eu ficasse, para que eu permanecesse ao seu lado. Escapando principalmente daquele aperto característico em meu coração murcho, repicado e estilhaçado em mínimos pedacinhos que lembravam pó ao lembrar da forma possessiva que suas mãos seguravam as minhas em uma tentativa um tanto fútil e desesperada de me fazer ficar quando seu olhar suplicante falhou em seu objetivo. Como antigamente, éramos apenas duas crianças que acabavam de se descobrir em meio à escuridão. Estávamos curiosos. Era madrugada. Mas não dormiríamos. Impossível até pensar em tal possibilidade. Tudo - aquelas circunstâncias, a maneira como nos fitávamos e meus olhos verdes se mesclava emm uma mistura deliciosa e misteriosa aos seus, de um azul profundo, semelhante as praias de um azul intenso que tínhamos aqui, na Califórnia, e que eu daria tudo pra me afogar, e principalmente o jeito carinhoso e meio bruto que ele me segurava, me impedindo de ir embora quando tudo que ele mais queria era que eu ficasse depois de nos descobrirmos dependentes e viciados um ao outro -,  tudo era um motivo maior que o outro para que sequer pensássemos  na possibilidade de dormir, em ignorar o que estava ao nosso redor. Nossas descobertas, nossos segredos mais íntimos expostos um ao outro. Demoraramos muito para estarmos conscientes, e agora não passávamos de duas crianças assustadas e maravilhadas que se descobriam em meio à escuridão, onde tudo era proibido e liberado e poderíamos esquecer de nossos nomes, idades e familiaridade enquanto tivéssemos o tato e a boca um do outro como um único guia. 

Senti algo quente cair em minha boca, e não sei bem dizer se era o meu suor, ou as minhas lágrimas, porque não conseguia parar de chorar desde que Gumball disse aquilo. "Darwin, gosto tanto de você que dói". E eu sabia. Sabia de tudo isso. Sabia o quão doloroso era tal procedimento, o de alimentar sentimentos que mais parecem consumir você do que o contrário. Não é de amor que ele se alimenta, mas de seu desgaste, de seu desespero quanto a situação e da vergonha que você sente toda vez que vê seu irmão e percebe o quão bastardos e confusos seus pensamentos se encontram quando ele aparece, e principalmente quando vá embora. Não deveria ser assim, mas tanto para mim quanto para Gumball, o sentimento era alimentado principalmente com dúvida e ficávamos com medo de lhe dar um pouco de amor, de afeto, de admitir para nós mesmos que de fato estávamos apaixonados um pelo outro. Ao invés disso, a dúvida crescia. E era com isso que o seu pequeno e peculiar bichinho de estimação poderia se alimentar. E quando você percebe, já está o alimentando de maneira inconsciente, nem sabendo como ou porquê, só sentindo as mudanças ao perceber que, mesmo cansado e implorando por descanso, seu corpo não consegue dormir. A insônia é uma consequência de ter tal sentimento como um bichinho de estimação. E,  assim como um parasita, tal sentimento roubava todas as suas energias antes mesmo que você pudesse perceber ou pedir por ajuda, resgate. 

Mas agora isso não importava. Não, não importava de forma alguma. Nada importava de fato. Gumball me amava. Eu o amava. Nos amávamos. Éramos jovens e estávamos apaixonados. Pela primeira vez na vida, alimentei o sentimento que residia dentro de mim com um pouco de amor e afeto. Tudo o que ele sempre precisara e que nunca fora concedido. 

E agora meu coração batia enlouquecido no peito, alegre por finalmente ser correspondido, enquanto eu sentia que lá dentro algo quente e meloso, semelhante a caramelo, transbordava de dentro de meu coraçãozinho já farto, repleto de amor e contentamento, e que se espalhava por todo o meu ser e cada partezinha de meu corpo, até que me senti afogar, imerso em mim mesmo enquanto a sensação quente e boa se espalhava e se apoderava de mim. 

Me senti brilhar, radiante, e que nem minhas pernas tinham mais forças o suficiente para aguentar um ser tão transcendente e sobre-humano como eu. 

Meu corpo formigava, queimava. E eu sabia que estava brilhando. 

Sinto o baque das minhas costas contra a porta e seu barulho alto retumbar em meus ouvidos, minha mente, meu corpo, meu ser. Sinto tudo e nada. Estou arfando e sentindo a madeira da porta, suas pequeninas farpas, contra as minhas costas, servindo de encosto para as minhas pernas trêmulas e doloridas. Tudo parece tão intenso, e ainda ouço o estrondo da porta junto as minhas bochechas que pegam fogo e o meu coração que não para quieto por sequer um segundo. O silêncio que antes pairava naquela casa inabitada é substituído pelo barulho da minha respiração irregular. E quando abro os olhos, depois de um longo tempo mantendo-os fechados, percebo como meu corpo formiga, cintila, brilha em meio à escuridão da casa. Talvez seja porque estou perto das cortinas, onde um único deixo de luz entra pela janela do que parece ser a sala de estar da casa. Mas acho que não. Talvez seja eu mesmo. E quero acreditar que é, pois sinto todo o meu corpo como nunca o senti antes. Meus braços, minhas pernas, meu peito. Sinto tudo quente, latejando e formigando. É uma sensação tão agradável que quase me sinto voando enquanto passeio pelo que deveria ser a sala, pelo que eu acho que é a sala. Já não sei de mais nada. Só me sinto flutuando em todo o meu potencial. Voando pelo cômodo tão misterioso quanto o ser que acabei de me tornar. 

Eu tropeço em algo, acho que a escada. Mas não sei o que estou fazendo e só levanto a perna o suficiente para subir no que  parece ser um degrau. Só sinto minha pele, o formigar agradável. A ardência onde as mãos de Gumball estiveram, me tocando, acariciando, finalmente me amando.

Sorrio, acho, na penumbra, indo para não sei onde, só sentindo o torpor em meus lábios, onde ele havia beijado, onde senti que ele me devolvia a vida.

Me joguei no que eu acho que era minha cama e os lençóis machucaram o meu corpo todo eriçado. Meus lábios ardiam. Eu não parava de sorrir. Ainda sentia sua saliva. Seu gosto. Gumball.... 

Tudo que ele tinha tocado ainda ardia. E agora cada célula do meu corpo parecia reagir ao seu toque, como se ele não tivesse só me beijado, mas tocado em mim por dentro e por fora.

 Tudo em mim ardia e suplicava por mais dele. Mais um sorriso. Mais uma ardência.

Minhas bochechas se rasgando, meu coração se dilacerando. 

Gumball... 


Notas Finais


Não sei se ficou muito curto. Mas é isso aí.

Vou tentar escrever um outro capítulo ainda hoje

Beijos até a próxima ❤️


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...