História Acima Dos Trilhos - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Suga
Tags Sobi, Sope, Yoonseok
Visualizações 41
Palavras 3.114
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Slash, Universo Alternativo

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Então... Eu tinha postado essa fanfic antes, mas acabei apagando e editando algumas coisas. Como ela participou de uma das minhas fases mais difíceis, está aqui mais uma vez sz
Obrigada sz

Capítulo 1 - A Estação



Quanto tempo mais
Terá de cair neve
Para os dias de primavera chegarem?

Spring Day

 

 

Eu estou sentado na plataforma, em cima dos trilhos de trem enquanto penso em morrer. Vejo ferrugem e o que um dia poderia ter sido uma fita de garota, o que me faz lembrar o dia em que joguei as bonecas da minha irmã no lago atrás de nossa antiga casa. Sempre me pergunto por que não me joguei, ao invés delas, porque sentei embaixo daquele carvalho observando os objetos flutuarem e inesperadamente me senti vivo. O motivo ainda me parece bem banal, mas o que realmente passou pela minha cabeça era que ainda havia alguma luz, não importava onde estivesse.

Não sou exatamente o tipo de filho do qual os pais se orgulham, passo metade do tempo confuso e a outra parte verificando as possibilidades de uma morte acidental para não magoar ninguém. Sou pessimista nato e gosto de fingir que sou de outro planeta quando começo a perder o controle das coisas. Acontece que frequentemente perco controle. E quando isso acontece, deixo minha velha cidade natal com alguns hematomas no rosto e corro pela trilha de folhas secas no meio da floresta, até chegar à estação ferroviária abandonada, cujo único visitante em três décadas de isolamento é apenas eu.

Há bastante tempo livre para fazer isso, são férias de verão. Então eu deito na lateral da plataforma e imagino minha vida daqui a quarenta anos, minha formatura, o início e o fim dos meus pacatos anos de faculdade, a família que um dia eu terei. E exatamente nesse ponto eu paro no tempo, sem conseguir atingir míseros vinte anos de vida depois, dado que nem mesmo sei no que vou me formar, muito menos se um dia eu terei uma família. Não tenho boas experiências para desejar ter outra, por isso acabo flutuando em minha década e meia, sentindo a hiperventilação controlar meu destino, sem encontrar uma solução apropriada para prosseguir.

É como estar andando em pura satisfação no meio do deserto, mas então seus pés param e você percebe que não há ninguém em lugar nenhum, que está sozinho em algum ponto cego no mundo, entre o ontem e hoje. Você tenta começar pelo início, mas ele simplesmente escapou como areia entre os dedos. O sol permanece imóvel. E embora seja ao ar livre, se sente esmagado e pequeno, porque simplesmente parou na contramão. Você precisa de um recomeço, mas somente pensar nisso pode deixá-lo cansado e sem ar. E essa é a parte mais difícil. A luz do lago sumiu. Estou estagnado. Sem propósito e cheio de cicatrizes feitas por minha própria mente.

Mas hoje prometi não ser tão cruel comigo mesmo, por isso vago em uma simples ideia de fuga enquanto sinto os ferros tremerem por causa do vento. É quando ouço um ruído nos arbustos aos arredores da estação, o som de sapatos apressados e respiração acelerada. Em seguida um grito na floresta pedindo para que alguém parasse de correr.

— Para de me seguir, cacete! — uma voz masculina soou inesperadamente perto, ecoando. — Vai pro inferno!

Xinguei internamente quem quer que fosse antes de me levantar, seguindo para a antiga bilheteria da estação. Quis fechar a porta quando me escondi embaixo da mesa empoeirada, cheia de teias de aranha, mas o ruído de coisa velha possivelmente despertaria a atenção do intruso e só causaria mais problemas. Para mim, exclusivamente, porque nunca fui bom em ser sociável.

— Eu vou contar pra tia! — uma segunda voz gritou, era aguda e distante, o que indicava que estava do lado de fora da estação, na estradinha. — Hoseok, seu merda, eu vou contar tudo pra ela!

— Conta pra puta que pariu — o intruso gritou de volta, — eu tô nem aí.

Os passos de uma única pessoa começaram a ecoar pela estação, cada vez mais perto da bilheteria, tão perto que ouço uma respiração afoita e palavrões baixinhos, um pior que o outro. Hoseok – acho que esse é seu nome – provavelmente está procurando um lugar para se esconder de seus perseguidores e percebi isso pela sua sombra, crepitando de um lado para o outro sem rumo.  Ele deveria ser novo na cidade, já vi pelo menos dois assim, animados para se aventurarem numa estação abandonada da cidadezinha, conhecida por ter fama de mal assombrada. É claro que essa fama era baboseira que costumam inventar quando a cidade não é interessante para turistas –  a não ser, é claro, que a assombração em questão seja eu. Acontece que esse espírito de aventura que nasce em novos moradores, morre nos primeiros meses, quando já conhecem tudo e nada mais é interessante.

Saio debaixo da mesa apenas para espiar Hoseok pelo vidro embaçado da bilheteria. Ele está literalmente muito perto, ao lado da cabine, perto da porta, olhando para entrada da estação a procura de algum movimento. As vozes estão cada vez mais audíveis, suor escorre pelo seu rosto e alguns fios de cabelo alaranjado estão grudados na pele. Por um instante parece que ele está a ponto de chorar e é somente por isso que resolvo puxá-lo para dentro do meu esconderijo.

Ele começa a gritar e eu tenho que colocar minha mão em sua boca para abafar o escândalo, o que não surtiu muito efeito uma vez que ele fechou os olhos e tentou me bater. De cotoveladas à tentativa de chutes – tentativa, no singular, pois a primeira deu tão errado que ele bateu o joelho na perna da mesa. Ótimo, eu tento salvar o idiota e ele quer acabar comigo. Ótima ideia, Yoongi, que belo bom samaritano você é.

— Fica quieto, eu tô tentando te ajudar — sussurro, ele não parece ouvir, até que a voz de seus perseguidores ecoa pela estação e chega aos ouvidos dele.

Seus olhos arregalaram e pela primeira vez ele fica completamente imóvel com um olhar de quem implora por misericórdia.

— Merda — diz ele. — Eles não podem me encontrar.

Eu o xingo mentalmente pela décima segunda vez, mas indico para nos escondermos embaixo da mesa, o que ele prontamente atende. Não tinha muita espaço ali e minutos depois estamos um do lado do outro, espremidos entre madeira podre e parede com mofo. Estamos tão perto um do outro que eu sinto o suor dele e sua respiração lentamente ficar mais calma.

— Eu deveria ter te mandado embora! — o perseguidor grita enfurecido.

Hoseok revira os olhos e ri para mim. O queixo encosta no meu ombro sem querer.

— Vamos embora, ele vai ter que voltar pra casa mesmo — um segundo perseguidor surge e o outro parece consentir: Ficou calado pela primeira vez em longos cinco minutos de xingamento e começou a se afastar.

Quando a estação ficou em silêncio e até mesmo os passos na floresta não puderam ser ouvidos, o fugitivo, vulgo Hoseok, arregalou os olhos com um sorriso enorme no rosto. Em seguida, nós dois suspiramos alto e eu não perco tempo para sair debaixo da mesa e certificar de que eles realmente tinham ido embora.

— Eles já foram? — perguntou ele, saindo do ninho de teias e espiando pelo vidro da cabine. Sua expressão estava engraçada. E percebo que faz muito tempo desde que achei algo engraçado.

— Vou checar — contenho o riso e caminho até a o fim da plataforma.

Não há ninguém por perto e tudo está silencioso, o que me permitia ouvir o ruflar de asas dos pássaros em vôo. Voltei na direção da bilheteria e Hoseok estava sentado na beira da plataforma.

— Limpo? —  ele quer saber e eu digo que sim. — Ainda bem. — Suspira. — Eu odeio meus primos, sério, é meu segundo dia morando na casa deles e sinto que estou dando oi pro capeta. Nem acredito que vou ter que passar o resto da minha adolescência aqui.

— Você veio de onde? — pergunto depois de sentar ao seu lado.

— Seoul — ele colocou um boné preto no topo dos cabelos cobreados. — Meus pais estão trabalhando nos Estados Unidos, então eu tenho que morar com a minha tia e meus dois primos demoníacos nessa cidadezinha no meio do nada; Sem ofensa.

— Não ofendeu — dou de ombros e observo o fugaz raio de sol que se espreita pelas colunas de ferro que nos cercam. Quando olho para Hoseok ele está rindo, provavelmente de mim. — Que foi?

— Nada — responde, mas não consegue conter o riso.

— Fala logo, merda.

— Não é nada — continua rindo, a tal ponto que quase cai nos trilhos de ferro. — É só que… Eu tô lembrando da sua cara quando eu comecei a gritar.

— Eu quase tive um infarto nessa hora! Você tem uma garganta ou um alto falante? Pobre dos meus tímpanos.

— Foi mal — sua risada finalmente finaliza e ele parece constrangido. — Foi mal também por tentar te bater... Mas valeu por ter me salvado, se eu tivesse que enfrentar meu primo de novo provavelmente eu seria expulso de casa, isso se eu não fosse pra cadeia. Valeu mesmo.

Dou de ombros e volto a olhar para luz, que agora se expandira um pouco mais. Não digo nada. É primeira vez que não estou ignorando um estranho e tenho medo de estragar tudo sendo arrogante.

— Você mora onde? — pergunta Hoseok.

— Perto da escola.

— Uau, eu também! Você ainda é colegial?

Franzo a testa e agora estou ofendido. Cacete, eu pareço tão velho assim?

— Eu tenho tanta cara de velho assim?

— Sim — diz ele, distraído, mas dá um pulo que faz o boné cair nos trilhos. — Não! Digo... Você tem jeito de ser bem experiente e tudo mais. Como aqueles sabichões, sacou? — eu estreitei os olhos, o deixando sem graça. — Foi mal, eu não sou muito bom em me expressar.

Concordo com  um aceno de cabeça, observando Hoseok pular da plataforma para pegar o boné que havia caído. A luz que outrora se escondia entre ferros atinge sua pele, deixando-a mais dourada.

— Eita, faz quantos séculos que não usam esse terminal aqui? — quis saber Hoseok, distraidamente olhando para a ferrugem nos trilhos e restos mortais de insetos. — Falando nisso... — Hoseok fica perfeitamente em pé e ergue a cabeça para olhar para mim.  — O que você está fazendo aqui?

— Nada... Só gosto de vir aqui pela manhã. — É uma verdade meia-boca, no entanto, não posso responder que estou pensando em morrer, seria no mínimo bizarro.

— Ah, passa-tempo legal.

— Na verdade é um passa-tempo bem merda, mas é melhor do que ficar naquela cidade.

Ele ri e acaba concordando comigo.

— Você já leu Tomates Verdes Fritos?

— Quê? — pergunto sem entender. Ele repetiu o nome novamente e eu o interrompo. — Não... Eu já ouvi. Só que... Isso é o nome de um livro?

Quando Hoseok afirma não consigo segurar a risada. Meus deuses, quem coloca o nome de um livro assim? Minha risada o incomoda, mas eu não posso parar. Ele acabou cedendo a risada, mas simulou jogar uma pedrinha em mim.

— Que nome bosta — confesso.

— Tomates verdes fritos é um prato típico do sul dos Estados Unidos — ele esclareceu orgulhosamente, balançando o boné entre as mãos. — E como parece que você não leu, vou logo dizendo que fala sobre uma mulher que é infeliz com o casamento e conhece uma idosa que começa a contar umas histórias sobre uma tal de Idgie... não sei pronunciar o nome direito.

— Muito menos eu — tentei confortá-lo.

Também sou péssimo em confortar.

— Idgie é bem rebelde e ajuda outra mulher com o marido problemático. Eu não vou dizer mais coisas, pra não soltar spoiler, mas onde eu quero chegar é que o trem tem uma simbologia interessante nesse livro — Hoseok jogou pedrinhas no ar. — Ele marca dois acontecimentos ruins que mudam profundamente a vida delas… Então, nessa história, o trem simboliza a vida. As pessoas vêm e vão, como os sentimentos que entram e saem. Dor. Alegria. Uma estação de trem é bem maior, é como o coração da cidade que insiste em pulsar.

Eu olho para os cílios alheios luzindo entre a luz e percebo o ar peculiarmente confortante que Hoseok carrega em seus olhos.

— Se basearmos no livro e na condição caindo aos pedaços dessa estação, é como se essa cidade estivesse morta. Como se todos nós estivéssemos mortos.

— Estivéssemos? — perguntei.

— Ainda estamos vivos, né? Ainda respiramos esse ar poluído e temos que tomar decisões bem merdas como passar um período de purgatório com meus dois primos. Fazer o quê? É a vida. Ela não pergunta nada à ninguém.

Acabei dando uma risada, ele também. E a sonoridade delas continuaram ecoando por um bom tempo.

— Isso é tão livro auto ajuda, obrigado.

— De nada. Sou psicólogo nas horas vagas, a propósito, quando quer a próxima sessão? — sua voz ficou mais grossa com a tentativa de parecer mais maduro e eu acabo soltando mais gargalhadas do que pretendia. — O que foi? Não gostou da terapia?

— Quero essa sessão agora.

— Agora?

— Agora.

— Hmmm. Ok. Então vamos começar. Primeiro — ele me puxa para os trilhos. — Você parece introvertido demais, senhor…?

— Min Yoongi.

— Min Yoongi — repete ele, dando um sorriso distraído. Pigarreia, voltando ao seu papel de meu psicólogo. — Então, para nossa segunda sessão, grite.

— Hein?

— Estou pedindo para você gritar, senhor Min Yoongi.

— Gritar?

— Sim, qualquer coisa. Sinta-se num clipe de Crooked.

— Isso é ridículo. Não vou fazer. Qual é o propósito disso mesmo?

— Se libertar dessas teias, Yoongi — Hoseok segura meus ombros e me chacoalha de leve. — Qual é, você não se sente preso no padrão pacato dessa cidadezinha? Eu estou aqui há dois dias e já tô sentindo que vou me transformar num estudante exemplar, me formar, casar com a minha vizinha e passar os fins de semana tomando cerveja na frente da TV. Também quer isso?

— Não! Credo.

— Então quebre pelo menos o começo desse padrão: Grite suas mágoas!

— Eu não tenho mágoas — cruzo braços, sentindo seus dedos no meu pescoço.

— Qual é, Yoongi.

— Qual é digo eu… Eu, e não vou gritar... Isso é ridículo.

— Grita.

— Não vou.

— Grita logo, merda! — Hoseok gritou extremamente alto.

— Não! — gritei na mesma intensidade.

— Grita!

— Ah! Tá bom! Cala boca!

Quando me dou conta, estou gritando para Hoseok, tão alto que os pombos alojados entre vigas e telhas voam para longe, e tão longo que sinto que posso destruir minhas cordas vocais e ficar mudo para sempre. Fico com medo e a hiperventilação volta. Contudo, Hoseok se afasta me puxando pela mão e começa a gritar tão mais alto que eu. Sua silhueta está tão brilhante sob as luzes do sol daquela tarde que eu preciso parar de gritar e fechar os olhos para vê-lo. Começo a rir quando ele olha com um misto de felicidade e surpresa em minha direção.

— Continue! — gritou ele.

Bronca e leveza se misturando em sua voz e eu senti que podia ir em frente. Nós gritamos e rimos naquela tarde. O suficiente para toda cidade escutar e alguns policiais aparecerem preocupados. Quando viram que eram apenas adolescentes sem ter o que fazer, ficaram com raiva e ameaçaram chamar nossas mães. Eu não tinha mãe há mais de cinco anos e Hoseok simplesmente continuou me puxando e me puxando, enquanto corríamos pelos trilhos abandonados entre poeira, ferrugem, terra e tempo.

Eu perdi o controle, pela primeira vez de uma forma boa, e segui Hoseok como se soubesse muito mais sobre ele do que sobre mim. Sentindo todos meus ossos vibrarem e o coração acelerar não por medo e sim por me sentir leve.

Depois de quase dois quilômetros pela floresta, os policiais pareceram desistir de nós, ou fomos rápidos tanto quanto o necessário para deixá-los para trás, de qualquer forma o sol está se pondo, estamos arfantes e exaustos, voltando para estação de trem. Hoseok machucou o tornozelo ao escorregar no próprio cadarço durante a corrida, de maneira que servi de apoio para seu braço direito durante todo o caminho. E isso não me incomodou muito, já que estava genuinamente confortável escutando-o falar sobre as diversas formas de Seoul.

— Eu amo Seoul, mas acho que posso me acostumar aqui — disse ele por fim.

Hoseok sentou nos trilhos de trem engolidos pela penumbra que se formava a noite, parecendo não muito afim de entrar na estação, poucos metros distante de nós.

— Sério? E a história de “cidade morta e pacata”?

— Eu encontrei uma exceção — Hoseok piscou. Lancei um olhar confuso para ele. — Acho que essa cidade ainda tem um pouco de vida.

— Tem?

— Sim. Você. — Faço uma expressão incrédula e Hoseok gargalha, quase perdendo o ar. — Tô falando sério. Não acredita em soul partner?

Fiz uma careta e Hoseok riu.

— Pode parecer estranho, mas acho que encontrei o meu.

A noite havia chegado mais rápido do que eu imaginava e de repente me peguei observando o estranho invasor quase engolido pela escuridão. Quase, pois seus olhos brilhavam tanto quanto as estrelas que insistiam em ser refletidas naquelas íris escuras. Jung Hoseok poderia parecer estranho, mas eu era ainda mais por acreditar que tudo fazia sentido agora que tinha sua companhia. Nunca acreditei em nada parecido com almas gêmeas, mas pela primeira vez, quis acreditar. Foi somente por isso que eu sentei ao seu lado e disse que também havia encontrado o meu.

Era esquisito. Não deixava de ser esquisito ter uma ligação tão forte com um mero desconhecido abandonado pelos progenitores. Mas algo em sua energia me fazia acreditar que de alguma maneira, ele era minha luz, devorando-me aos poucos para me tirar do deserto.

Me fazia acreditar que poderíamos ser infinitos.

Quando estava suficientemente tarde ele foi embora. Disse que voltaria. Eu desconfiei, como sempre, mas no dia seguinte ele está em pé no meio dos trilhos, sorrindo como se pudesse me acompanhar até marte. Ele volta no outro dia. E no outro. E no outro depois do outro. A cada ida e vinda sinto que um novo trem havia chegado na minha velha estação congelada pelo tempo. Aberto as portas e mostrado que ainda havia luz por detrás das trevas. Ainda havia esperança depois do fim.

A porcaria do livro com título esquisito está certo, preciso admitir. Os sentimentos embarcam e desembarcam, percorrendo por infinitos trilhos de destin. Até que um dia atinge o ponto chave e podemos recomeçar tudo outra vez, com aquela mesma ponta de esperança que volta no olhar de alguém. Tudo faz sentido, mesmo que ainda estupidamente. E compreendemos que está tudo bem parar por um tempo no meio do caminho, um dia ou outro sempre acabamos sendo covardes. Um dia ou outro, o mundo vai voltar a girar e o que sentimos ontem, já não é o que sentimentos hoje.

Então seguimos percorrendo os trilhos, rindo e gritando enquanto ainda podemos, pois os trens passam, mas a vida continua.

Agora eu estou deitado na plataforma, acima dos trilhos de trem, ouvindo Hoseok falar sobre o mundo, enquanto penso em viver.

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...