História Acontece Que Eu Te Amo - Capítulo 11


Escrita por:

Postado
Categorias Agustín Bernasconi, Carolina Kopelioff, Karol Sevilla, Michael Ronda, Ruggero Pasquarelli, Sou Luna, Valentina Zenere
Personagens Ámbar Benson, Delfina, Gaston, Jim, Luna Valente, Matteo, Nina, Ramiro, Simón, Yam
Tags Amor, Brigas, Família, Lutteo, Romance
Visualizações 218
Palavras 5.046
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Literatura Feminina, Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 11 - Capítulo 8


Voltamos três semanas depois. Assumi meu posto de editora chefe no canal  de TV,  e, como  era ano eleitoral eu trataria de coisas sérias, não apenas noticiários cotidianos, pois sempre me identifiquei com a política, e, para mim, os debates e as propostas políticas de cada candidato eram coisas pelas quais eu me interessava.

Enfim, tudo estava indo muito bem no trabalho e pouco via Matteo, quando ele chegava, ou eu estava trabalhando já em casa, no escritório, ou estava dormindo.

Todas as manhãs, ele levava Sol para a escola e eu a buscava no almoço. Três vezes por semana, ela ficava o dia inteiro por conta das atividades extracurriculares e ele sempre a pegava ao final do dia. Levávamos essa rotina já há dois meses, não brigávamos, só de vez em quando soltávamos nossas farpas. Para quem disse que minha vida iria se tornar um inferno, ela até que estava pacata.

Nesses dois meses, nunca fizemos sexo. E nunca mais tivemos contato algum, principalmente como o da última vez na Sicília. Às vezes, quando eu acordava antes dele, ele estava sempre abraçado a mim pela cintura, puxando-me ao encontro de seu corpo. Eu sempre tentava me desvencilhar, mas não conseguia, era patético, pois tinha que ficar ali abraçada até ele acordar, e o pior de tudo é que eu gostava daquele contato. Ele me parecia sempre tão cansado e tão frágil quando estava ali, dormindo indefeso. Não tenho certeza, mas acho que as pessoas pensavam que éramos um casal perfeito, pois estávamos sempre juntos nas solenidades do meu trabalho ou no dele, bem como nas festas de fim de semana que porventura surgissem ou na escola de Sol, sempre sorrindo, de mãos dadas — porque ele sempre me prendia. Vez ou outra ele deixava escapar um beijo em meu pescoço, mas quando chegávamos em casa, éramos totalmente mudos.

Hoje pela manhã, ele me avisou que iria viajar e passar duas semanas fora. Achei ótimo, assim eu ficaria mais à vontade naquela casa que, apesar do conforto, não sentia que era ali que eu morava. Eu tentaria aproveitar a piscina no fim de semana com Sol.

A primeira semana passou rápido e, no sábado da segunda semana, quando eu tive uma  folga, levei Sol para passear num shopping e comprarmos alguns itens pessoais. Estávamos numa loja de brinquedos quando Sol encontrou uma menina linda, de uns cinco anos mais ou menos, brincando com uma boneca. Ela aproximou-se da garotinha e logo fez amizade.

Ela sentia a necessidade de ter uma irmã, sentia-se sozinha, quando menorzinha cobrava isso de mim. Eu achei tão lindo ela cuidar daquela garotinha como se fosse sua irmã. Paguei o que ela pediu e retornei ao local e, surpreendentemente, um homem estava sentado com a garotinha no colo e brincando com as duas meninas. Ele estava de costas e só quando me aproximei que ele se virou e eu o reconheci.

Fazia mais de sete anos que não nos víamos. Ele continuava bonito. Os cabelos lisos e castanhos continuavam os mesmos. Seu sorriso era o mesmo dos dentes brancos perfeitos de quem usou aparelho ortodôntico por muito tempo. Pensei que ele fosse me ignorar, mas ele não fez isso, afinal de contas, Rodrigo sempre foi muito sensato e racional, com exceção de quando quis casar-se comigo quando eu tinha apenas dezoito anos.

Ele hoje contava trinta e três anos e ainda possuía os mesmos traços dos vinte e cinco de quando namorávamos. Ele colocou a garotinha no chão e se dirigiu a mim, surpreso, abrindo os braços longos para me aninhar num abraço.

 Que surpresa boa, Luna! Nunca pensei que fosse voltar a te encontrar um dia. Apesar de querer sempre. Como você está, o que está fazendo, onde mora? Eu soube por amigos em comum que você não morava mais na Argentina.

— Eu estou bem, Rodrigo. Trabalhando com o jornalismo. Graças a Deus, faço o que gosto, e estou morando aqui mesmo, voltei há pouco tempo.  Não quis dizer que havia me casado e que morava com o pai de minha filha, por isso tratei de mudar logo de assunto, perguntando sobre ele.

— Estou na capital, como sabe, sou promotor, tenho essa filha linda...

— Que bom, Rodrigo, você se casou. Construiu uma família.

— Não casei, tenho uma filha. É, me envolvi com pensão alimentícia, mas nada de confusão. A mãe da minha filha também é uma  promotora e estamos tranquilos quanto a isso, nada de brigas para o bem dela.

E como ela se chama?

— A mãe dela? Você não a conhece.

— Não, como se chama sua filha.

— Lu.

— Que lindo! Ótima escolha.

E quando fui cumprimentar a garotinha, essa, muito inteligente que era, corrigiu o pai, dizendo que o nome dela era Luna. Fiquei realmente sem jeito, a menina tinha o meu nome. Olhei para Rodrigo e ele me lançou um sorriso torto e sem graça.

— Não pude evitar. Acho que o primeiro e grande amor a gente nunca esquece mesmo. Mesmo aprendendo a viver sem ele, é um amor que dilacera a alma, você leva anos para fazê-lo dormir até que ele fica lá, dormindo, pois um outro grande e mais poderoso amor surge na figura de uma filha.

Pensei no que Rodrigo falava sobre nunca esquecer o primeiro amor e me vi refletida naquelas palavras. Eu começava a entender que não havia esquecido Matteo. Eu apenas o havia colocado para dormir em meu coração.

— Nem sei o que dizer, Rodrigo.

— Não diga nada, apenas aceite tomar um sorvete comigo e com minha filha.

— É pra já!

Até aquele momento, eu não havia falado nada sobre Sil ser minha filha. Quando sentamos na sorveteria, ele me perguntou sobre ela, pensando se tratar de minha irmã mais nova. Ele pensou que fosse filha de minha mãe com o marido. Quando eu contei que era minha filha, percebi que ele fazia contas mentalmente e, de cabeça baixa, olhando para o sorvete que tomava, mexendo de maneira que não ia tomá-lo, me perguntou de quem.

— Luna, eu não sou excelente em matemática, mas... namoramos quando você tinha dezesseis para dezessete anos, estávamos juntos quando você fez dezoito, nunca tivemos nada, eu...

— Rodrigo, esse não é o lugar para falarmos sobre isso.

— Quem é ele, Luna? Foi por causa dele que você não aceitou meu pedido? Você já estava grávida de outro?

— Não! Eu não estava grávida. Por favor, Rodrigo, vamos mudar de assunto agora.

— Eu mereço saber.

Sol e Luna, que não estavam tão atentas à conversa, então, na tentativa de impedir que elas ouvissem alguma coisa, ofereci-lhes mais sorvete e vibraram com a oportunidade de, além de tomar mais sorvetes, andar nos brinquedos da praça de eventos onde estávamos, dessa forma foi possível que conversássemos sem que corrêssemos riscos.

— Luna, eu não consegui parar de pensar em você esse tempo todo. E agora que eu te encontrei, não quero mais te perder. Perder você duas vezes não é saudável. Outra coisa que não parei de  pensar é em quem é o pai dessa criança.

— Você não conhece.

— Olha que eu conheço um monte de gente, hein...

— É, mas pra que mexer nisso agora? 

— Eu preciso saber, Luna. Você me traiu com ele, foi por isso que não aceitou meu pedido de casamento? Eu me lembro de que você era toda indecisa sobre sexo e, de repente, você faz, tem uma filha e ele ainda te abandona?

— Não foi nada disso, Rodrigo.

— Quem é o pai?

— Rodrigo, por favor...

— Por favor, Luna!

— O nome dele é Matteo Balsano. De fato, eu o conheci quando ainda namorávamos, mas nunca tivemos nada, apenas me encantei com ele.

— Matteo Balsano? O mesmo Matteo Balsano, presidente do Jornal de maior circulação do Estado? O mesmo jornal em que você começou estagiando? Mas ele era um velho, Luna!

— Ele não é um velho! Conhecemo-nos fora do jornal e nos encontramos quando eu estagiava lá, era caloura na universidade, mas...

— Você me traiu com ele?

— Eu já disse que não. Foi depois que rompemos. Não quis me casar com você porque não podia te enganar, não queria me casar e nos fazer infelizes.

— E me fez infeliz sozinho.

— Pior seria se eu tivesse me casado com você sem amá-lo.

— Eu te amaria do mesmo jeito. Ouvi dizer que ele se casou recentemente. Ele sabe da existência de sua filha?

— Rodrigo, eu sinto que vou te decepcionar de novo, mas você tem que saber. Matteo não me abandonou à própria sorte... não exatamente assim. Ele não sabia que eu havia engravidado.

— Pior ainda. Se ele não sabe que tem uma filha, eu posso ser o pai dela.

— Não, Rodrigo. Eu nunca menti para minha filha sobre o pai dela. Eu também nunca contei a ele sobre a existência dela, até eu trabalhar com Gastón, seu irmão, e descobrir tudo e exigir que eu contasse a verdade a Matteo.

— Então ele sabe agora e mesmo assim não se importa? Vai ver ele não tem idade para cuidar de uma criança. Meu Deus, Luna, como você teve coragem? Um cara velho demais pra você.

— Para com isso, Rodrigo. Ele não era velho para mim, tampouco o é agora. E agora ele sabe, sim, da existência de Sol e ficou muito zangado comigo por não haver contado, ameaçou tirá-la de mim, eu morava nos EUA na época e ele entrou com um pedido de guarda, então precisei voltar. Você é pai, você entende, eu não podia permitir que ele a roubasse de mim.

— E por isso você voltou?

— Voltei.

— Nenhum juiz é louco o bastante para tirar a guarda de uma mãe, a não ser que tenha motivos sérios. Ele tem que ouvir o ministério público, eu falo com alguns amigos meus para saber quem é o de seu caso e você fica livre desse canalha.

— Ah, Rodrigo, o juiz do qual você fala não se encaixa no que julgou meu caso. Ele é completamente sem noção, maluco mesmo. Estamos no ocidente, meu Deus, senti-me como se tivesse sido estuprada e ter de casar com meu ofensor para que ele não seja punido. Gostaria de ter te encontrado antes. Infelizmente, te encontrei só agora, eu não sabia a quem recorrer, então...

— O que eu não entendi é que agora ele sabe da existência de sua filha e quer ter direitos sobre ela, mas casou-se recentemente com outra.

— Sim, ele se casou. Mas a notícia sobre o casamento dele foi comigo.

— Você se casou com ele, Luna? Mas, por quê?

— Eu precisava.

— Ele te coagiu a casar com ele? Ele não tem caráter. Eu jamais faria uma coisa dessas com você. Se ele amasse a menina, não faria você sofrer dessa maneira. Ele é mesmo um idiota egocêntrico!

— Vamos esquecer isso. Agora temos que ir. Está ficando tarde.

Apesar da loucura que foi o dia e o reencontro com Rodrigo, dormi bem naquela noite. Eu e Sol passamos o domingo na piscina, foi muito bom para nós. Na manhã seguinte, eu tinha muito trabalho a fazer e pretendia dar continuidade a uns projetos que havia pensado em desenvolver, paralelo aos debates políticos.

Atrasei-me e Sol já estava de pé, a empregada já a havia preparado e eu corri para tomar um banho. Não gostava de me atrasar, pois tendia a esquecer uma coisa ou outra e Jazmín, minha colega de trabalho, que havia conhecido antes de ser transferida para os EUA, adorava fazer chacotas comigo. Ela era muito agradável, transbordava alegria aquela mulher. Sabia exatamente quando eu não estava bem e quando estava. Ultimamente, ela dizia que eu não estava muito bem, a luz em meus olhos não estava brilhando, estava se apagando e não gostava de me ver assim. Eu podia considerá-la uma boa amiga, pois sempre nos demos muito bem. Hoje, ela me disse que eu não estava tão bem quanto queria aparentar. E quando Jazmín diz, Jazmín  estácerta.

— É verdade, Jaz. Eu ando pensando em meus projetos e quero que você me ajude, só isso. É muita coisa.

— Mas eu sempre ajudo e você sabe disso, mas alguma coisa está deixando-a tensa e você não diz o que é.

— Eu esqueci o meu celular em casa. E você sabe, sou escrava dele. Mas, tudo bem, na hora do almoço, quando eu for levar Sol para casa, eu  opego.

— Matteo já chegou?

— Não.

— Quando ele chega, então?

— A qualquer momento.

— Por que você não chega em casa e se prepara toda para recebê-lo, hein? Por que não veste aquela lingerie especial e o seduz loucamente? Quando você voltou da lua de mel, parecia bem,  agora só quer saber de trabalho. Você precisa se cuidar, menina.

— Jaz, você não tem jeito mesmo. E ele não confirmou quando volta. Quando ele confirmar, vou ouvir o seu conselho.

— Vocês são recém-casados. Mantenha a chama acesa o máximo que puder. Com homem é assim, minha querida, a gente deixa ele ir bem longe, bem longe mesmo, só que a corda, filha, está presa no fim no pezinho dele. A gente finge que ele é livre, mas, no fundo... está preso pra sempre.

— Você e suas teorias, né? Mas, tudo bem, eu vou em casa na hora do almoço e hoje nós não poderemos almoçar juntas, tudo bem pra você?

— Por mim, tudo bem. É por uma boa causa.

Na hora do almoço, fui buscar Sol na escola, levei-a para casa e, para minha surpresa, Matteo estava em casa. Ele mal respondeu “boa tarde” quando eu o cumprimentei. Não me importei, senti que tudo ficara tenso novamente com a sua volta. Subi para o quarto, entrei no banheiro, tomei um banho enquanto ele estava falando com Sol da viagem. Ele não parava de mimá-la e isso está errado. Prefiro que ela tenha menos desejos realizados para ter mais os pés no chão. As coisas não são tão fáceis como se imagina. A vida não é fácil.

Eu ouvia as vozes de ambos do banheiro. Eles estavam no quarto, sentados na cama. A felicidade dela foi grande com a surpresa da chegada dele em casa. Eu saí do banheiro ainda enrolada na toalha e o roupão por cima, e pedi licença a ambos para se retirarem e eu poder trocar de roupa.

— Por gentileza, filha, você pode ir para o seu quarto enquanto eu troco de roupa? Não posso me atrasar mais, querida.

— Ah, mamãe, mas você sempre trocou de roupa na minha frente. Você não está gorda, e eu não me incomodo se você ficar bem gorda.

Eu queria que ela saísse porque não queria trocar de roupa na frente de Matteo, e a pobre criança não entendia. Foi então que ele interveio. Sol saiu e eu pensei que ele fosse fazer o mesmo. Ele apenas acompanhou a filha até a porta do quarto. Eu não tinha o que conversar com ele, sinceramente. E então, quando ele voltou, me surpreendi.

Já estava trocando de roupa apressadamente quando ele, de repente, entrou no quarto e trancou a porta. Seu olhar continha raiva e eu pensei: Deus do céu, o que aconteceu com ele, qual será a personalidade que assumiu agora, a do médico ou do monstro? Pelo visto, deveria ser a personalidade monstro do monstro. Quanta raiva! Falando entre os dentes e baixo para não ser ouvido. Imaginei que a viagem não havia sido proveitosa, as coisas não haviam dado certo. Ele parecia transtornado de ódio.

— Você pode me explicar o que diabos está acontecendo?

— Do que você está falando?

— Não se faça de idiota. Aliás, não queira me fazer de idiota.

— Eu não faço ideia do que você está falandoSeja claro, ou me deixe terminar de trocar de roupa.

— Por que você está fazendo isso comigo, Luna? O que foi que combinamos antes de nos casarmos? Nada de casos, nada de ser infiel. Eu a avisei de que  você se arrependeria amargamente se viesse com esse tipo de comportamento.

— Você está louco!

— Estou louco mesmo? E o que essas mensagens em seu celular querem dizer?

Ele jogou meu celular em cima da cama e eu li as mensagens que haviam me enviado: “Ontem foi o melhor dia da minha vida. Após oito anos, nunca pensei que poderia voltar a tê-la novamente.” “Eu ainda te amo, Luna. Quero ficar com você.” “Cuidarei de sua filha como se fosse minha”. “Aquele homem não te merecia.” E o remetente? Rodrigo. Definitivamente, Rodrigo estava delirando! Nem eu entendi porque ele havia enviado tais mensagens, não dei nenhuma esperança de que ficaria com ele. Eu lhe disse que eu e Matteo estávamos casados. Todavia, não gostei de Matteo haver bisbilhotado meu celular.

— Você não tinha o direito de bisbilhotar o meu celular.

— Tinha e tenho, sim. Ele passou a manhã tocando aviso de mensagens. Fiquei curioso. E não foi em vão. Eu não vou tolerar isso.

— A vida é minha e eu a vivo como quiser. Você não tem o que tolerar. Eu não sou sua propriedade ou sua escrava.Posso falar com quem eu quiser.

— Viver como eu quiser. O que foi que ele fez, hein? Está saudosista agora? Está querendo voltar  a viver o passado com o janotinha? Você se abriu para ele? Você transou com ele?

— Para com isso, Matteo, você está louco!

— Transar com ele é melhor do que transar comigo?

— Eu não sei. Não transei com ele nem com ninguém e você sabe muito bem disso. Para com esse papo, assim você vai me atrasar. Eu quero terminar de trocar de roupa, com licença agora, por favor.

Eu não queria brigar com ele, então continuei vestindo minhas roupas, ignorando-o completamente. Definitivamente, eu não queria que minha vida se transformasse no inferno que Matteo havia prometido.

— Você quer comparar agora o que é transar com ele e transar comigo? Ou você é tão vadiazinha que quer ficar com os dois?

— Não admito que você me ofenda dessa maneira. Eu já disse que não fiz nada com Rodrigo nem com ninguém.

— Deixa eu cheirar você, ainda está com o odor dele em seu corpo?

— Matteo, você é doente!

— Fala, sua cínica!Você se lavou bem?Ou eu preciso dar banho em você para tirar a energia dele de cima? Fala!

Eu pedia para que ele parasse com aquelas acusações, mas ele não parecia me ouvir, estava transtornado e pensei que, dessa vez, minha vida se transformaria verdadeiramente num inferno. De súbito, ele me puxou de forma nada delicada e me levou ao banheiro, abrindo o chuveiro bem forte enquanto puxava minha lingerie. Fiquei tão surpresa com toda aquela loucura dele que não tinha forças para reagir, não aguentei e chorei. Ele pegou o sabonete e esfregou em mim, em meus braços, em minha barriga, em meus seios, em meu ventre. Parecia um louco. Quando escorreguei na parede, chorando, ele parou... e me abraçou. Dizia que eu lhe pertencia. Então me beijou o pescoço, os lábios, sentia urgência e aquele beijo despertou de vez em mim um desejo adormecido por ele. Eu o beijei de volta, abri sua camisa molhada com toda a força, deixando os botões saltarem pelo chão, beijei seu peito, ele segurava meu rosto com as duas mãos e beijava minha boca num vai e vem frenético entre meus lábios e meu pescoço, eu tirei seu cinto e abri sua calça jeans e, completamente nus e molhados no chuveiro, ele me possuiu. Parecíamos dois leões famintos, mas a nossa fome era desejo, um desejo enorme de sexo. Dali ele me levou para a cama, e, sem nos preocupar com o fato de estarmos molhados, pois isso não interessava no momento, chegamos ao clímax. Mantivemo-nos abraçados por um tempo, seu corpo pesado em cima do meu, me permitia sentir seu coração bater acelerado, respiração ofegante, estávamos exaustos. Havíamos extravasado a libido que existia dentro de nós há muito  tempo, e, confesso, eu queria isso desde a primeira vez em que nos reencontramos. Estávamos completamente extasiados! Adormecemos por um tempo, abraçados, e só acordei quando senti que o peso de seu corpo não fazia mais pressão sobre mim.

Quando levantei, ele não estava mais no quarto, e quando olhei no relógio, já passava das três da tarde. Eu tinha que voltar ao trabalho. Vesti-me e, quando perguntei sobre ele à empregada, ela disse que havia uns quinze minutos que ele saíra. “Por que ele não me acordou?” pensei. Lógico que ele não iria me acordar, ele jamais me pediria desculpas pelo tratamento que me dispensou. Senti-me ultrajada com seu abandono. Ele poderia ter ficado ao meu lado para permitir que eu me explicasse e se explicar por seu comportamento. Não me senti violada, senti apenas que eu queria, sim, aquilo há muito tempo, desde nossa viagem. Eu estava louca, eu queria mais, eu precisava de mais um pouco de Matteo, mas se ele continuasse com a atitude de que sou sua posse, eu não teria sossego. De volta ao trabalho, Jazmín tentou bisbilhotar minha vida, saber o motivo do meu atraso, mas não dei chance. Eu conhecia o tipo, iria falar horas e horas sobre o que eu fiz ou deixei defazer.

— Nossa, Luna! Você voltou iluminada! O que houve, você está linda!

— Continuo a mesma, Jazmín. O que aconteceu em minha ausência?

— Aqui? Nada demais!

Então, continuamos o trabalho e as mensagens de Rodrigo também continuaram. Eram loucas mesmo. Eu tinha que dar um jeito nisso. Resolvi telefonar e marcamos de nos encontrar para o almoço no dia seguinte. Mais tarde, quando cheguei em casa, Matteo não havia chegado ainda. Eram onze horas e todos já estavam dormindo, menos eu, e nem sinal dele. Eu achei que fosse normal, visto que esteve ausente duas semanas e precisava estar atualizado sobre o que havia acontecido no jornal.

Era madrugada, passei a mão no espaço ao lado da cama e não o encontrei. Onde ele estaria a uma hora daquelas e que horas eram mesmo? Tentei voltar a dormir, mas dormi pouco. Logo cedo, levantei-me, levei Sol na escola e fui trabalhar. Na hora do almoço, como combinado, fui encontrar Rodrigo.

— Eu acho que você não entendeu, Rodrigo. Casei-me com Matteo porque quis.

— Ele te coagiu.

— Eu podia ter dito não. Ele não me obrigou a nada. Eu quis me casar com ele. Matteo é um excelente pai para Sol. Eles se amam e estão felizes. Podemos ser amigos, mas se você insistir, nem minha amizade você terá.

— O que aconteceu com você, Luna? Você não era assim.

Não vi que ele havia entrado e que estava ali, parado e de pé, puxando a cadeira para juntar-se a nós na mesa. Ele havia ouvido a conversa com Rodrigo e continuou minha frase, atrapalhando todo o diálogo que eu procurara estabelecer.

— Você não entendeu o que minha mulher disse? Nos casamos e somos uma família agora. Afaste-se de nós, doutor Rodrigo, ou eu posso destruir você.

— Tente. Você tem a imprensa, mas não tem a lei, a verdade.

— Eu tenho a opinião pública a meu favor. Já pensou, estampados nos jornais em letras garrafais “Promotor de Justiça tenta a todo custo destruir família, aliciando a lei a seu favor? E não ficaria por aí, meu caro doutor, eu iria além, vasculharia cada canto de sua medíocre vida, cada passo seu, cada infração sua, até de trânsito, eu estaria em sua casa, em seus pensamentos dia e noite, eu seria seu maior pesadelo.

— Chega, Matteo! Para com isso! Eu não quero um escândalo. Vamos embora daqui. Perdoe- me mais uma vez, Rodrigo. Por favor, eu não queria te magoar novamente.

— Luna, eu não te reconheço mais. Você era forte, tinha sonhos e agora está acabada, fragilizada por conta desse velho? Isso é próprio da síndrome de Estocolmo. Ele é um doente, Luna.

— Cuidado, Dr. Rodrigo, eu oavisei.

— Por favor, Rodrigo, me perdoe. Eu falo com você depois.

 Não fala não, querida. Acho melhor você dizer a ele que nos pertencemos, meu amor. Isso há muito tempo. – E virando-se para Rodrigo disse — Um telefonema só, uma mensagem de texto sequer para minha esposa, e você é um homem destruído.

— Isso é uma ameaça?

— Eu não ameaço ratos. Vamos, Luna!

E ele me levou, segurando-me pelo cotovelo. Eu já o havia visto zangado comigo, mas pensei que as ameaças se resumissem apenas a mim e não aos outros. Fomos no carro dele, eu indaguei sobre o meu carro, mas ele disse que o levariam para casa. Quem o levaria, eu perguntei. Seus capangas?

— Você pode, por favor, me levar para o trabalho?

— De jeito nenhum. Você não trabalha mais hoje. Vamos para casa.

— Eu tenho muito que fazer.

— Não tem mais. Avisei a todos que você iria tirar a tarde de folga.

— Você é louco!

Num movimento brusco, ele acelerou o carro e mudou de faixa, fazendo um retorno, e nos levou diretamente para nossa casa. Subi de imediato para o quarto, e, em seguida, ele subiu atrás de mim. Mantive-me calma, não iria provocar sua ira ainda mais, não queria que ele falasse alto para a empregada não ouvir. Ainda bem que Sol ficava três vezes por semana o dia inteiro na escola por causa do ballet e dos esportes que praticava.

Ele trancou a porta atrás de si e, na sequência, veio ao meu encontro e me beijou. E, por mais que eu estivesse pensando em como tudo aquilo era loucura, não conseguia dizer não, não conseguia empurrá-lo e não querer seus beijos, pelo contrário, queria sempre, queria mais e mais, queria quando não estava com ele, quando não brigávamos, quando eu acordava e ele estava abraçado a  mim com suas mãos em minha cintura e a perna prendendo as minhas. Eu não podia negar isso a mim mesma; também sentia que ele me queria, talvez não me amasse, mas me desejava assim como eu o desejava. Talvez fossem seus instintos de macho alfa que o faziam se comportar assim. Eu não posso dizer sobre outros, pois nunca os havia conhecido, mas Matteo, para mim, era o amante perfeito, sempre cuidadoso, carinhoso e preocupado com o meu prazer. Ele sabia exatamente onde me tocar, onde me beijar e a intensidade dos movimentos que me faziam gritar de prazer. Olhávamo-nos todas as vezes em que íamos atingir o clímax, nos beijávamos e eu sentia seu líquido jorrando dentro de mim através de seus espasmos de prazer. Eu queria decifrar seu olhar nesse momento. Eu podia jurar que ele era o mesmo Matteo que conheci há anos. Eu o olhava e sentia que estávamos perdendo muito tempo agindo daquela maneira. Eu não queria viver assim, não conseguiria aguentar dois anos brigando com alguém quando, na verdade, queria paz. Eu sabia que tínhamos uma ligação, deveria haver mais do que só desejo entre nós, eu podia sentir, mas não iria dizer isso a ele, ele teria que perceber.

— Você é minha, Luna.

— Eu não sou de ninguém, Matteo. Eu não sou sua, não sou seu brinquedo, seu fantoche. Você não é meu dono. – Eu disse isso com os olhos cheios de lágrimas. Não sei até quando aguentaria aquela situação.

— Você é minha, sim. – Ele falou, se aproximando de mim e me abraçando.

— Eu quero ficar sozinha, por favor.

— Nada disso. Vamos tomar um banho juntos. Temos a tarde toda para nós.

— Matteo...

— Chega, Luna. Eu já tive paciência demais com suas atitudes. Somos casados e está na hora de você compreender isso. Você é minha mulher e será em todos os sentidos daqui pra frente.

Então era isso, eu era apenas sua propriedade. Ele preparou um banho relaxante na banheira e, em seguida, puxou minha mão, me levando até o banheiro. E foi como se um botão fosse ligado em meu corpo, eu ansiava de desejo por aquele homem, ele havia se tornado meu vício em tão pouco tempo que era assustador.

— Somos muito bons juntos, Luna. Você me enlouquece. Nós somos como brasa e podemos causar um incêndio de grandes proporções.— Quando entramos na banheira, me cobri com os braços por instinto, e ele me lançou um olhar de espanto — Você está com vergonha de mim? Não acha que passamos desse estágio? — ele me perguntou, tirando o roupão e despudoradamente exibindo aquele corpo maravilhoso, cópia perfeita da estátua de David, monumental em toda a sua glória, exposta em Firenze, em seguida entrando na banheira também.

Senti vergonha por isso, pois pensava que antes ele não tinha tempo de olhar meu corpo e agora, ali, ele estava me analisando de cima a baixo, e totalmente desnudo de roupas e de pudores se mostrava pra mim. Percebi que, apesar do contato físico que tivemos nas últimas horas, eu nunca o olhara daquela maneira, não olhara seu corpo por inteiro. Ali, fechei os olhos e me descobri até ele chegar perto de mim e me abraçar. Entreguei-me ao abraço dele, aos seus beijos, queria que o tempo parasse, que ficássemos para sempre naquela sintonia, naquela união, naquele momento do mais puro amor. Dei-me conta de que a nossa conexão não era apenas desejo, sexo, eu não o havia esquecido, não fazia sentido dizer que não o amava quando eu percebi que, desde o primeiro dia em que o vi, me apaixonei por ele e o amo até agora. Percebi que não importava mais o que havia acontecido entrenós, não importava se, no passado, ele não preferiu a mim, aquele momento não era nosso, o agora, sim. Chegou nossa vez.

Eu só tinha medo de dizer isso novamente... a ele. Eu não queria sofrer. Não podia permitir que ele me controlasse dessa maneira e foi então que eu falei:

— Você pode possuir meu corpo, mas não minha alma.

— Não importa, eu quero qualquer um dos dois.

Nos amamos não uma, mas várias vezes, não entendia onde buscávamos tanto desejo, a brasa que havia em nossos corpos rapidamente incendiava ao simples contato de nossas mãos, sentíamo-nosinsaciáveis. A delicadeza de seu toque em minha pele era excitante, quando ele sugava meus mamilos e sua língua descia em carícias ousadas por minha barriga e suas mãos em meu corpo até encontrar o centro onde mais me despertava prazer, era alucinante.

A paz reinou entre nós por alguns dias. E quão maravilhosos eles foram. Mas eu não me sentia inteira, feliz por completo. Não brigávamos, mas também não conversávamos. Ele era carinhoso e atencioso comigo, mas faltava diálogo. Eu não conseguia perdoar sem falar o que estava sentindo, por outro lado, o orgulho não permitia que eu dissesse que o amava. Acho que, na verdade, eu tinha medo de admitir para ele os meus sentimentos antes de saber o que ele sentia.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...