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História Acordo com benefícios - Capítulo 2


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Notas do Autor


Me desculpem, mas tive que apagar e postar de novo o primeiro capítulo, porque fiz algumas modificações e umas correções.

Capítulo 2 - Reencontro


Um mês depois...

— Tem um ômega na recepção que deseja falar com o senhor.

Jungkook continuou assinando documentos.

— Pode manda-lo embora. — não tolerava qualquer interrupção no trabalho. Provavelmente seria algum ômega que teve algum breve envolvimento, que erroneamente, achava que o elemento surpresa e drama lhe atrairia a atenção. Seus funcionários tinham experiência em lidar com a situação, e ele só queria saber como o ômega conseguiu chegar ao escritório principal.

— Ele insiste em passar o dia inteiro na recepção — continuou a beta, dessa vez demostrando uma pontinha de simpatia pela pessoa. — Disse que era urgente.

Todos dizem, decidiu enquanto lia outra carta antes de assiná-la. Isso deixava mais irritado do que curioso ou orgulhoso. Não entendia como ômegas e betas tão sofisticados podiam se expor e ter explosões de raiva em público quando o relacionamento terminava.

— Mande o segurança tirá-lo.

A assistente pigarreou e, nervosa, ajeitou a gravata.

— Pensei na possibilidade, mas ele insiste em dizer que o senhor tem alguma coisa dele. Não quis me informa o que era, alegando ser um assunto pessoal. Por isso veio aqui discutir sobre o assunto.

Impossível. Franzir o cenho, escrevendo nome em outro documento. Não era sentimental. Não guardava troféus ou lembranças das suas conquistas amorosas.

— Descobriu pelo menos o nome dele?

A assistente se encolheu de medo por causa do tom de voz utilizado pelo alfa.

— Park — mencionou apressada — Park Jimin.

Jungkook ficou paralisado, e a caneta continuou no ar. Olhou o documento, as palavras borradas, as lembranças de Park Jimin desabou em cima dele. Se lembrou daquele cabelo loiro revoltado. Da energia vital e da gargalhada. Do seu cheiro incrível mente bom e único. O seu corpo ficou tenso, a excitação pulsou em suas veias ao pensar na pele dourada pelo sol e na boca farta e rosada.

O ômega lúpus que assombrava seus sonhos a um mês. Ele tentou expulsar Jimin da mente, dedicando-se ao trabalho e aos encontros casuais com ômegas e betas, porém não conseguia esquecer sua postura desinibida e a rejeição esnobe.

Jungkook trazia a lembrança daquela manhã gravada em sua mente. Jimin ainda nu na cama, avisou a ele que só estava interessado numa aventura. Ele o deu acesso ao seu corpo naquela noite, contudo não o julgava bom o bastante para respirar seu ilustre ar. Embora os lábios estivessem avermelhados de seus beijos, ele não se dignava a olha-lo nos olhos.

Jimin não fazia ideia de que Jungkook era o solteiro mais cobiçado de Miame. Um bilionário com uma notável influência. Ômegas e betas de destaque, ricos, membros da realeza andavam atrás dele. Ele saiu do gueto há alguns anos e agora pertencia à alta sociedade. Mais no final de tudo, Jimin o dispensou, como se fosse um príncipe instalado na torre de marfim e o lugar dele fosse nas ruas imundas. Quem ele pensava que era? Jimin nunca levantou um dedo para conquistar o seu estilo de vida, enquanto Jungkook teve que lutar pelo império que construiu com as próprias mãos.

— Acho que ele é filho daquele famoso jogador de tênis — falou a assistente no sussurro escandalissado — sabe, aquele que foi assassinado pela amante. Foi um grande escândalo na época.

Park Jihyun. As narinas de Jungkook relataram ao tentar conter a raiva crescente. Sabia de tudo sobre o jogador tênis e sua família. Tomara a decisão de saber tudo sobre Jimin.

Apesar de algumas surpresas ao encontrá-lo, a primeira impressão foi correta. Era um herdeiro mimado morando no paraíso. Não sabia o significado de sofrer ou sobreviver. Para ômegas como Park Jimin, o mundo estava aos seus pés.

Por enquanto. Jungkook franziu os olhos, tendo uma ótima ideia. Considerou as possibilidades. Sabia o motivo de sua presença no seu escritório. Ele queria descobrir como ele conseguiu sua preciosa ilha e como obtê-la de volta.

E com isso ele se divertiu saboreando a doce vingança. Agora ele não teria tanta presa em dispensa-lo, pois Jungkook possuía algo que o interessava. Agora chegou a hora de vê-lo se curvando e perdendo aquele ar de superioridade. Jungkook queria virar o jogo e tirar daquele ômega o seu orgulho e posição social. Levá-lo para cama uma noite apenas, entregasse ao delicioso prazer que faria o mais cínico amante acreditar no destino, e depois descarta-lo.

— Pode pedir que entre — ordenou em tom frio e firme quando a chama para a caçada ressurgiu em seu sangue. — E depois pode ir embora.

[...]


Jimin se sentou na beirada da poltrona de couro marfim, admirando o pôr do sol no horizonte de Miami. Nesse momento sentiu saudades de casa ao ver os arranha-céus. Sentia-se desconfortável quando cercado de aço e vidro, barulho e gente. Sentia saudades de ficar no seu lugar favorito no seu ninho, na sua ilha, contemplando o sol descer no infinito oceano turquesa.

Talvez nunca mais o visse. O medo tomou o seu coração; os dedos apertaram a cadeira. Sentia o gosto do bile ao lembrar-se da carta de despejo. Ainda sentia o mesmo horror agonizante de quando descobriu que Jeon Jungkook comprou sua hipoteca e era o novo dono da ilha de sua família, por ele ter deixado de pagar dois meses.

Jimin comprimiu os lábios e rezou, pedindo que conseguisse encontrar o Sr. Jeon e que chegassem a um acordo. Queria obter sua ilha de volta o mais rápido possível. O que faria caso não conseguisse convence o sujeito?

Não poderia pensar assim. Respirou de vagar, tentando expulsar o pânico do peito.

A derrota não era uma das opções. Essa era a sua última chance, no entanto daria um jeito de obter o seu lar de volta.

Jimin olhou a sala de espera, notando que agora, depois que a maioria dos funcionários tinham ido embora, estava mais silenciosa. O que não tornava o lugar menos intimidante. Quase não entrou no prédio ao se deparar com a altura e as linhas agressivas. Precisou reunir mais coragem do que ousava admitir para permanecer sentado o dia inteiro na recepção, com a sensação de ter se tornado invisível, enquanto esperava e observava os funcionários se dedicando ao trabalho com uma incansável energia.

Girou a cabeça ao ouvir os passos, de saltos, determinados ecoando no piso preto. A mulher beta, alta de terno de grife e gravata com o cronograma de uma conceituada universidade com quem falará antes se aproximava.

— Sr. Park? O Sr. Jeon vai recebê-lo.

Jimin meneou a cabeça. Tinha um no na garganta, tamanha era a ansiedade. As mãos ficaram frias ao se levantar. Se sentiu desajeitado, as pernas rígidas e os sapatos sociais emprestados pesavam aos mesmo tempo que seguia a mulher de terno.

" Você pode da um jeito ", repetiu ajeitando o cabelo. Ele levou séculos para conseguir ajeitar o cabelo rebelde e temia que as ondas dos fios acabassem soltando e bagunçando. Já que o seu cabelo estava totalmente para trás, graças ao gel que usou.

No mesmo instante que seguia a mulher, sem dúvida a secretaria, tentou não se deixar impressionar com o corredor imponente. Não sabia como esse tal de Jeon Jungkook conseguiu comprar Inez Key, entretanto sabia que se tratava de um erro. Não conseguia se quer imaginar como alguém com tanto dinheiro iria querer uma ilha em estar o precário.

Jimin olhou a secretaria. Ficou tentado a perguntar sobre o seu chefe, Jeon Jungkook, mas certamente a beta não revelaria muita coisa. Lamentou não ter pesquisado sobre o dono da Jeon conglomerate. Se o escritório do executivo indicava algo, suspeitava que Jeon Jungkook fosse um homem idoso e formal, dos que priorizam a qualidade e o status.

Jimin ajeitou o seu terno preto, herança do pai. Boa opção. Embora fora de moda, dava a ele uma aparência séria e elegante.

Seria ótimo se lembrar como um homem sério falava. Jimin parou diante das grandes portas do escritório do Sr. Jeon. Tudo girou em câmera lenta quando a secretaria bateu e abriu a porta. "Controle as palavras". Jimin passou a ponta da língua nos lábios ressecados. Sabia melhor do que ninguém como uma palavra descuidada podia arruinar tudo ao seu redor.

Mal ouviu a apresentação da secretaria, tamanho foi o barulho das batidas do seu coração. A sala era magnífica, porém controlou o impulso de examinar mais detalhadamente. Colocou um sorriso educado nos lábios estendeu a mão e congelou ao ver Jeon Jungkook.

— Você! — exclamou instintivamente, abaixando a mão. Parado à sua frente o único homem que pretendia nunca mais voltar a encontrar. Então esse era Jeon Jungkook? O homem que há um mês deixar a seu mundo virado de pernas para o ar, que derrubou todas as suas defesas e o induziu a um mundo de prazer e promessas.

Jimin tentava respirar, o corpo rijido, pronto para escapar dali. Esse não poderia ser Jeon Jungkook. Era Jung Jungkook. O nome gravado para sempre em sua mente. Um ômega jamais esquece o primeiro alfa de sua vida.

Contudo, esse homem em nada se parecia com o alfa misterioso que se hospedou o final de semana em Inez Key. O jens desbotado e o sorriso malicioso tinham sido substituídos pelo terno e sua severidade. O olhar percorreu o cabelo negro curto, os grandes olhos escuros e o maxilar perfeito. Ele era atraente, todavia hostil. Ameaçador. A presença do seu lobo era forte e constante agora, e isso o fazia parecer ainda mais intimidador. Aparentava ser um homem que sabia lutar e jogar sujo. Já que todo mundo sabia que ômegas lúpus são mais sensível na presença forte de alfas, era visível que aquele alfa estava tentando o intimidar.

Ele sorriu, e uma sensação de desconforto fez Jimin arrepiar todo. Desta vez, o sorriso não fez o seu coração pular. Os dentes brancos o fizeram se remeter a um animal de sangue frio destroçado a sua presa
Nesse momento Jimin sentiu um aperto no coração, sentiu saudades do sorriso que antigamente era direcionado a si, aquele sorriso fofo de coelhinho.

Um tanto quanto abalado, Jimin recuou. Jungkook era maravilhoso, no entanto suas lembranças tinham bloqueado seu poder incrível e beleza indescritível.

— Jimin — pronunciou como gesto, convidando a instalação na poltrona a frente da escrivaninha. Não parecia surpreso.

— O que está fazendo aqui? — perguntou, tomado por emoções conflitantes. Se sentia tonto. Vulnerável. Queria sentar e se encolher, no entanto sabia que não poderia demostrar fraqueza. — Não entendo. Ela o chamou se Sr. Jeon.

— É o meu nome — revelou, se acomodando.

— Desde quando? — Perguntou em um tom estridente. Assim que percebeu tentou se controlar. — Você se apresentou como Jung Jungkook.

— Também é o meu nome. Jung é meu nome por parte de mãe. — Os olhos negros eram penetrantes. Como se o nome devesse ter algum significado para Jimin. — Sou Jung Jeon Jungkook.

E isso era a sua justificativa? Encarou ele esperando mais explicações. Ele se reclinou na poltrona como se fosse um grande trono e o fitou com ar impaciente. Não pediria desculpas.

— Por que mentiu pra mim? Fazia parte do seu jogo sujo? — bastava olhar para Jeon Jungkook para constatar que ele era um destruidor de corações. Jimin achou que poderia manter o seu coração a salvo limitando o encontro por uma noite. Estava mais que óbvio que ele se enganou.

Mas durante aquele final de semana sensual, perdeu o juízo, refletiu arrependido. Seguiu um chamado primitivo e acabou na cama de Jungkook.

Devia ter sido mais prudente. Tendo sido criado por um pai namorador, ele reconheceu os mesmo sinais em Jungkook. Não devia ter se esquecido da devastação que sempre vem acompanhada com a promessa do paraíso.

— Quando uma pessoa rica se interessa de comprar uma propriedade, não deve revelar quem é — alegou sem mostrar arrependimento — caso contrário, o preço da venda sobe.

— A ilha não estava á venda — informou enfurecido. Agora entendia o motivo dele ter ido visitar a sua ilha. Pretendia roubar o seu lar desdo início!

— Como insistia em repetir. — Deu de ombros. — Vários representantes meus o procuraram e tiveram a mesma resposta. O preço das ofertas era exatamente generoso. Fui pessoalmente na esperança de te convencer a vender.

Jimin até achou estranho um homem como Jungkook ter ido descansar em sua ilha. Ele era visivelmente o tipo de alfa movido por desafios e disposto a conquistar territórios.

— Em vez disso você roubou ela de mim — sussurrou. — Faz sentido.

— Não roubei — corrigiu ele. — Você não pagou o empréstimo na data marcada. E agora Inez Key é minha.

Jimin odiou o tom de triunfo.
Apertando ainda mais a cadeira, colocando a fúria pra fora do jeito que pode.

— O empréstimo não era da sua conta! Eu fiz um acordo com Raymond Casillas.

— E eu comprei o empréstimo de Casillas. Não deveria ter dado a ilha como garantia. — Debochado, estalou a língua e balançou a cabeça.

— Eu não tive outra opção — argumentou. Como esse alfa ousava questionar sua decisão? As finanças do pai estavam em pedaços quando ele morreu. Jungkook não fazia ideia do que ele precisou sacrificar para manter Inez Key. — Era o meu único bem.

Jungkook inclinou a cabeça e capturou o seu olhar — É mesmo? — indagou baixinho.

Jimin pressentiu o perigo. O quanto esse alfa sabia? Precisava assumir o controle. As pernas tremiam, estava inquieto, porém se obrigou a se manter em pé.

— Inez Key sofreu grandes danos durante o furacão, e o seguro não cobriu tudo.

Jungkook deu de ombros.

— Pouco me importa como contraiu a dívida.

Jimin teve vontade de tacar uma tapa naquele rosto debochado. Fechou o punho.

— Não fechei nem um negócio com você, e sim com Raymond.

— Contudo, não conseguiu pagar. Apostou alto e perdeu tudo.

Jimin trincou os dentes. Ele tinha razão, era inegável. Assumiu muitos riscos ao aceitar o empréstimo. Não conseguiu pagar, mais em todo caso não entregaria os pontos. Precisava recuperar Inez Key.

— Raymond compreendeu o motivo de eu encontrar dificuldade em fazer os pagamentos - confessou, com a voz trêmula de emoção. — Ele aceitou aumentar o prazo pois era o melhor amigo do meu pai.

— Posso garante que ele é um poço de compreensão e da compaixão. Foi esperto em não procurar empréstimos bancários — apontou o dedo. — Eu teria descoberto antes.

Ele achava graça? Seria um jogo? Seu futuro estava em jogo ali.

— E você não teria dormido comigo para obter esse tipo de informação — retorquiu ele.

Jungkook percorreu o olhar sobre o corpo tenso, detendo-se nas curvas delicadas do ômega.

— Não foi por esse motivo que o levei pra cama.

Jimin não consegui expulsar as memórias fragmentadas da mente. Lembrou do seu cheiro forte de limão com hortelã, e do gosto da pele dele, do prazer que ele lhe proporcionou e da pontada de dor que sentiu quando ele enroscou os dedos em seu cabelo enquanto faziam sexo.

Abruptamente, jimin desviou o olhar. Tinha a tendência de se lembrar daquela noite nos momentos mais inconvenientes. O seu coração batia forte naquele momento.

— Então me seduzir não fazia parte dos seus planos ao chegar a Inez Key. Acho isso bastante improvável.

— Eu não poderia imaginar que depois do sexo você contaria alguns segredos — argumentou, recostando-se e unindo as mãos. — Certamente não esperava que revelasse o seu acordo com Casillas. Foi um bônus. Foi impossível não usar a informação a meu favor.

Jimin o encarou. Como podia ser tão cínico? Será que ele não tinha percebido que ele nunca tinha confiado em ninguém? Que tinha se sentido a salvo com ele e por isso confessou as suas preocupações? Ele ficou interessado na sua opinião, em seus conselhos. Apenas a luz do dia deu-se conta de ter sido levado por uma falsa sensação de segurança.

De alguma forma, soube que aquele raro momento de soltar a língua voltaria para assombrá-lo. Ele usou o seu momento de fraqueza para tirar vantagem e roubar a única coisa que Jimin tinha.

— Não vou permitir que roube a ilha de mim!

Jungkook não se emocionou com essa declaração.

— Tarde de mais.

— Por que tanta irracionalidade? — A voz ecoava em seus ouvidos. Jimin abaixou as mãos e retomou. — Por que não me da uma segunda chance de recuperar a ilha?

Jungkook pareceu sinceramente surpreso com a pergunta. Esse ômega parecia mais ingênuo do que imaginava.

— Por que eu deveria? Você fez alguma coisa que sugerisse uma segunda chance?

Havia certa insinuação na escolha das palavras. Jimin cruzou os braços.

— Tudo isso só porque eu o dispensei no outro dia?

Jimin teve vontade de morder a própria língua por falar sem pensar. Sabia que precisava tomar cuidado com as palavras. Involuntariamente contraiu os músculos ao ouvir a gargalhada.

— Não se superestime assim.

Jimin não era tão tolo quanto ele o julgava. Ele foi pego de surpresa quando Jimin recusou sua proposta de continuar o relacionamento. Jungkook jamais saberia o quanto a ideia o encantava e assustara. Se percebesse sua fraqueza, acabaria com ele. Assim sendo, ele rejeitou a sugestão com frieza e percebeu o quanto a rejeição abalou Jungkook.

Em pensar em quanto Jimin se sentiu mal! Passou horas recordando aquele momento e desejando ter recusado de modo mais gentil. E, mais de uma vez, desejou ter tido a coragem de aceitar.

No entanto, mesmo depois de uma noite gloriosa, tinha consciência de correr o risco de se torna o tipo de ômega que odioava profundamente. Um objeto sexual. Um ômega movido pelas emoções e instintos. Por isso decidiu fugir, a fim de se proteger.

— Sua atitude me parece pessoal demais — disse sorrindo.

Jungkook arqueou a sobrancelha.

— Como é possível? Se nunca tínhamos nos encontrado antes de eu chegar a Inez Key? — murmurou.

Jimin deu-se conta que faltava alguma peça desse quebra cabeça. Nunca tinham se encontrado. Ninguém esqueceria mesmo um breve encontro com Jeon Jungkook.

— Você me enganou. Mentiu sobre o seu nome, tinha tudo planejado, não é mesmo? Me seduziu. Pensando bem, eu fiz muito bem em seguir os meus instintos e me livrar de você.

— E eu fiz bem em seguir meus instintos e tirar você da ilha imediatamente — retrucou Jungkook, voltando a usar o computador, como se estivesse dado por encerrado a discussão.

Imediatamente? Jimin foi invadido pelo pânico. Antes de chegar no escritório, fora avisado de que tinha duas semanas para deixar a ilha.

Ele só piorou a situação indo ali.

— Escute, Inez Key é tudo o que possuo. Sem a ilha, fico sem casa, sem dinheiro...

Ele não afastou os olhos da tela. Apenas deu de ombros.

— Isso não me diz respeito.

Jimin plantou as mãos na beirada da escrivaninha. Exigiria sua atenção mesmo que fosse preciso apertar-lhe o pescoço.

— Como pode ser tão cruel? — questionou com a voz já alterada.

Jungkook ergueu a cabeça.

— Cruel? Você não conhece o real significado dessa palavra.

Jimin se inclinou para trás. Completamente frustrado.

— Não posso perde Inez Key. É a minha casa, meu único meio de sobrevivência.

— Sobrevivência? Você nunca trabalhou um único dia da sua vida. Alugar a casa a ricaços nos finais de semana nem é um trabalho.

Não se abalaria com a crítica dele. Podia não ter um emprego formal, entretanto isso não significava não ter trabalhado arduamente para manter tudo o que lhe era valioso.

— Eles pagam um bom dinheiro por privacidade. Como você pagou. O que te faz pensar que os outros não procuram a mesma coisa?

Ele apenas o observou por um tempo e depois o respondeu:

— Não há muitas celebridades ricas buscando privacidade para quitar o seu empréstimo.

— Comecei a receber hóspedes a pouco tempo — insistiu. Precisava ganhar tempo pra pensar em uma solução — Raymond entendia.

Jungkook balançou a cabeça, descrente no que ouvia.

— Raymond Casillas queria que você cavasse a própria cova. Sabia que jamais conseguiria quitar a dívida. Por que acha que ele te ofereceu o empréstimo?

Jimin se aprumou e retrocedeu.

— Não sei — náuseado, não queria conversar sobre o assunto.

— Ele esperava que pagasse de outro jeito. E acho que você sabia. Em outra circunstâncias, teria sido uma boa jogada.

— Foi uma grande ideia ter assinado o contrato — falou entre dentes. Agora aquele documento estava nas mãos do implacável Jeon Jungkook.

— Você não quis mal-entendidos. Ofereceu a ilha como garantia, e não seu corpo. — Jungkook fez uma pausa. — Ou sua virgindade.

Ruborizado, evitou o olhar. — Então sabia? — sussurrou. Jimin tentou a todo o custo esconder a falta de experiência. Por orgulho, proteção. Não podia permitir que Jungkook soubesse. Como ele descobriu? Como foi que Jimin se denunciou?

Ele repousou a caneta.

— Devia ter me contado. — O tom era quase gentil.

Jimin recuou outro passo. Se sentindo exposto. Gostaria de sair daquele escritório, mas os sapatos sociais pesavam como chumbo.

— Eu já tinha contado demais. Como descobriu o que Raymond queria? — engoliu em seco.

— Casillas tem a fama de gostar de ômegas inocentes. — mencionou enjoado, recostando na poltrona. — Principalmente de ômegas lúpus, tive informações de que ele tinha uma certa preferência por aqueles que possuem o aroma único como você. E quando ele descobriu que nós já tínhamos transado, perdeu o interesse em ajudar você.

Jimin fechou os olhos, mortificado. Jungkook discutiu um momento de intimidade com Raymond? Ele era igualzinho ao seu pai e seus amigos beberrões. Uma onda de decepção abateu-se sobre Jimin. No fundo ele esperava mais de Jungkook.

— Você é nojento — murmurou.

— Faço o que é preciso para vencer.

Ele era um oponente respeitável. Não importa se essa indiscrição o livrou de Raymond. Ele era um inimigo bastante perigoso e não poderia nunca se esquecer disso.

— Isso ainda não acabou. Vejo você no tribunal — declarou de saída.

— Boa sorte. Não pode pagar um bom advogado, e mesmo que tivesse dinheiro, ele lhe diria que não pode ganhar o caso.

— Não me subestime — avisou.

— O que faria para conseguir Inez Key? — interrogou indiferente quando Jimin segurou a maçaneta.

Ele inclinou a cabeça e considerou a pergunta. Para ele, Inez Key era mais do que simplesmente seu lar. Era a única coisa que sobrou de sua família e, ao mesmo tempo, uma constante indesejada lembrança. Era seu santuário e também sua masmorra. Exercia tanto papel de guardar quanto de aprisionar. Estava determinado a viver ali até exorcizar os seus demônios internos.

— Provavelmente tanto quanto você.

A gargalhada de Jungkook lhe deu um arrepio na espinha.

— Não deveria ter me dito isso.

Jimin se virou e estreitou os olhos. Jungkook parecia tão calmo e controlado. No olhar havia até um ar divertido.

— O que você quer, Jeon?

O sorriso dele causou-lhe um grande arrepio.

— Você.

Com amor, Zoy.


Notas Finais


Gostaram da capa que a @Morguew_Ktrouxa fez?

Eu super amei como sempre 😍👏🏼


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