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História Acordo Mútuo - Capítulo 2


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Notas do Autor


demorei, mas cheguei hehe

eu demorei, porque não sabia direito o que mais incluir nesse capítulo e como finalizá-lo, o que resultou em eu apagando e reescrevendo muitas cenas k enfim, espero que tenha ficado bom e que vocês gostem! <3

obs.: capítulo porcamente revisado rs

Capítulo 2 - Matemática


Depois da rápida reunião com a diretora, Jeno foi o primeiro a se retirar, sem dizer uma única palavra ou sequer olhar em sua direção. Logo em seguida, a diretora o dispensou e desejou-lhe boa sorte. Jaemin não soube dizer se era para sua perna engessada e o campeonato próximo ou se era para os estudos com matemática. De qualquer forma, ele iria precisar de sorte em qualquer um dos dois.

Saiu da sala e viu que Renjun estava sentado no sofá vermelho e pequeno da recepção que ficava em frente à sala da diretora.

— E aí, como foi? Está tudo bem? Fiquei preocupado quando a diretora te convocou — explicou, estendendo sua mochila. — Aqui. A aula já acabou.

Jaemin agradeceu, aceitando a ajuda de Renjun para colocar a bolsa nas costas. 

— Como se não bastasse toda essa maré de azar com o pé trincado, eu estou quase reprovando em matemática — riu, sem humor. Os olhos do chinês triplicaram de tamanho. — Mas parece que receberei ajuda do grande Lee Jeno para os estudos.

Renjun piscou uma, duas, três vezes antes de formular uma resposta.

— Uau, você está ferrado.

O Na riu em escárnio. Ele sabia muito bem daquilo. Jeno não tinha uma reputação muito boa quando se tratava de questões sociais com outros alunos, apesar da ótima fama em relação às notas — ele era o melhor da escola. Mas ele estava muito mais que ferrado do que Renjun imaginava. O chinês só sabia da fama de Jeno, mas não tinha conhecimento do que aconteceu há alguns anos. E, se dependesse de Jaemin, ele não ficaria sabendo.

— Eu sei que estou — resmungou. Os dois começaram a andar, o jogador ainda pegando o jeito com as muletas. — Mas estou contando com o fato de que ele é muito bom, então as chances de eu reprovar diminuem em, pelo menos, 50%.

Eles ficaram em silêncio conforme caminhavam pelos corredores quase vazios do colégio e iam em direção aos portões.

— Quer que eu te acompanhe até em casa? — Renjun perguntou, olhando para as muletas. Jaemin negou com a cabeça.

— Não precisa. Minha mãe vai me buscar de carro. — Aliás, já era para ela ter chegado.

Normalmente, sua mãe não o buscava na escola — não só porque ela estava trabalhando naquele horário, mas também porque dava para Jaemin caminhar até em casa tranquilamente, mesmo o caminho não sendo tão curto e rápido —, contudo, como ele estava com o gesso, não havia chances de caminhar toda a distância daquela forma parcialmente debilitada e a mulher conseguiu permissão para sair do trabalho rapidamente e buscar o filho.

— Ah, tudo bem. Vou indo, então — sorriu. — Até amanhã, Jaem. — Acenou rapidamente, o Na fez o mesmo, e caminhou rua abaixo até sumir.

No momento em que não conseguia mais ver Renjun, sua mãe chegou. Com a ajuda dela, ele colocou as muletas e a mochila no banco de trás e saltitou em um pé só — o que não tinha gesso — até o banco do passageiro e fechou a porta. A mulher deu partida no carro.

— Desculpa pelo atraso, filho. — A mulher comentou assim que viraram uma rua, incapacitando Jaemin de ver o lote do colégio onde estudava e continuar a remoer tudo que havia acontecido em tão pouco tempo.

— Ah, não tem problema. Eu fiquei conversando com Renjun até um pouco antes de você chegar. — Respondeu, não mencionando sobre a convocação da diretora. Sua mãe já possuía muito com o que se preocupar, não queria ser mais um peso, então manteria o probleminha com matemática e as aulas com Jeno em segredo até que não houvesse como fugir e precisasse contar.

Ela nada proferiu, dirigindo rápido até em casa. Assim que chegaram, Jaemin catou as muletas e a mochila do banco de trás e despediu-se rapidamente da mãe — que iria voltar correndo para o serviço —, indo em direção à casa, que, por sorte, estava vazia no momento, pois seu pai também estava trabalhando. Precisaria daquele momento a sós para digerir tudo que aconteceu.

[...]

Encarar Jaemin tão próximo depois de tanto tempo foi tão sufocante que só conseguiu respirar normalmente depois que deixou a sala da diretora Kim. Viu um dos jogadores sentado no sofá da recepção com duas mochilas, a segunda provavelmente sendo do Na. Eles trocaram olhares rápidos antes que Jeno deixasse o lugar, indo à própria sala para pegar a sua mochila, afinal, não possuía nenhum amigo para que fizesse aquele favor igual ao garoto da recepção fez para Jaemin.

Ainda não conseguiu digerir direito o fato de que logo dividiria um espaço com Jaemin e, ainda por cima, o ajudaria estudar. Seu corpo todo fervilhava de raiva só de lembrar que iria ajudar alguém que o abandonara quando mais precisou. Mas não havia o que fazer. Essa era a punição por cometer um delito. E não havia mais como conseguir dinheiro — pelo menos não por enquanto. Pensaria numa outra forma depois — para a faculdade, apesar da diretora Kim lhe garantir que faria o máximo para que conseguisse a bolsa na faculdade de sua escolha, restava-lhe apenas que mantivesse as boas notas. Mesmo assim, ainda queria ter dinheiro para qualquer imprevisto.

Depois que pegou a mochila na sala vazia, cumprimentou a equipe de limpeza que chegava para limpar o local e saiu, indo para a biblioteca. Ficava no lugar até a hora que fechasse apenas para não ter que ir para casa tão cedo. Quanto menos tempo passasse lá e mais tempo ficasse longe de sua mãe, melhor. Tanto para ela, quanto para si mesmo.

Estudou e revisou tudo que pôde, ou seja, todas as matérias que estavam nos cadernos dentro da mochila. Quando deu próximo das dez da noite, ele guardou tudo e ajudou a bibliotecária a arrumar o que faltava para fechar o lugar. Ele havia se tornado próximo dela nas horas que ficava ali e acabava sempre a ajudando a arrumar tudo, mesmo que ela repetisse que não precisava. 

Os dois deixaram a escola junto da diretora. Os três sempre saíam do local conversando, a diretora e a bibliotecária sendo amigas desde a faculdade. As duas, de alguma forma, sempre queriam cuidar de si — mas só a diretora Kim sabia de sua situação — e até ofereciam carona para casa, mas Jeno sempre recusava e preferia pegar um dos últimos ônibus. Não havia por que se preocupar. A cidade ainda estava movimentada naquele horário e ele sabia se defender caso algo acontecesse, então estava seguro.

Despediu-se delas e foi para o ponto, aguardando o transporte que, pelo horário, chegaria dali dois minutos. Nesse tempo, colocou os fones de ouvido e demorou um pouco escolhendo qual música ouviria, sendo tirado do foco da árdua missão de escolher qual faixa escutaria assim que viu o ônibus chegando. Deu sinal e subiu. Seria um caminho de vinte minutos até em casa.

[...]

Quando chegou, sua mãe já estava jogada no sofá ainda vestida com a roupa do trabalho e algumas garrafas de cerveja sobre a pequena e surrada mesa de centro. Catou-as, jogando no lixo em seguida. Verificou o fogão e viu que, novamente, a mulher não se incomodou em deixar qualquer comida pronta ou perguntar por que não havia chegado em casa mesmo já estando tarde. Já estava habituado. 

Largou a mochila no minúsculo quarto e voltou à cozinha para fazer algo para comer e o almoço do dia seguinte e notou que quase não havia nada na geladeira. Bufou. Não sabia quando a mãe iria fazer a humilde compra da semana, então apenas catou um pouco do dinheiro que conseguira fazendo os trabalhos de química do primeiro ano e foi até a loja de conveniência na rua debaixo e comprou um macarrão instantâneo para jantar e o resto que precisava para o almoço.

Voltou para casa, cortou a cenoura e a batata e as cozinhou junto do arroz, enquanto comia o macarrão com gosto forte de produto industrializado. Sentia falta da comida gostosa da avó, mas, infelizmente, sua mãe não cozinhava — e, quando o fazia, cometia um crime contra o paladar de qualquer um — e ele não era tão bom quanto a mulher que mais amou na vida, sua avó. Mesmo assim, deixava almoço pronto toda noite para levar para a escola e para a mãe levar ao trabalho.

Jogou o pote vazio no lixo e terminou de arrumar a marmita, guardando tudo na geladeira em seguida e indo tomar um banho para, enfim, dormir. 

Assim que se deitou, sentiu o peso e o cansaço tomar conta de todo o seu corpo. Sua mente insistiu em relembrar a cena na direção, impedindo-o de dormir. Mas, antes que pudesse ficar irritado por lembrar de sentir um lampejo de pena de Jaemin pela perna engessada — afinal, ele merecia —, Jeno se tocou de que não havia pedido o número do Na para que marcassem as aulas na biblioteca.

Resmungou e bufou, enfiando a cara no travesseiro até que quase sufocasse. Aquilo significava que teria que falar com Jaemin no dia seguinte. 

[...]

Depois de arrumar a mochila e a si mesmo, deixou a casa, mas não sem antes verificar rapidamente a mãe ainda desmaiada no sofá, pegou o ônibus e foi para a escola.

Jeno precisava falar com Jaemin e queria fazer aquilo o quanto antes possível, então, assim que o visse sozinho na primeira oportunidade, falaria com ele e tiraria o peso das costas.

Mas o universo não parecia estar conspirando ao seu favor.

Jaemin parecia que nunca ficava sozinho. Havia o observado todas as aulas antes do intervalo e nada. Ele continuava rodeado de inúmeras pessoas, principalmente do time de futebol. Ele tinha amigos demais, pensou. Então, aquilo implicava em que teria que falar com o Na enquanto ele estivesse envolto de pessoas. Engoliu em seco. Era o único jeito. 

O sinal tocou e Jeno deixou que o jogador junto do resto do time saíssem da sala e fossem para seu destino habitual: o refeitório. O Lee não costumava ir para lá no intervalo — na verdade, ele preferia a calmaria da natureza próxima ao campo de futebol, que ficava vazio naquele período —, mas teria que ir, afinal, era a única forma de falar de uma vez com Jaemin.

Assim que entrou no lugar, seu ouvido doeu com a gritaria incessante. Caminhou por entre as mesas lotadas de alunos, e alguns se calavam conforme ele passava, sua aura fria e nada amigável pairando ao seu redor. 

Assim que se deteve na mesa do time de futebol, todos pareceram parar de respirar, até mesmo Jaemin que estava rindo e calou-se assim que notou a sua presença. Bom. Isso implicava que realmente ninguém ali naquele colégio iria ousar importuná-lo. 

— Jaemin — pronunciou, todos os olhos da mesa caindo nele. — Preciso falar com você. Em particular. 

Os jogadores engoliram em seco e o Na piscou, atônito. Levantou-se rapidamente, pegando as muletas. Jeno não se incomodou em oferecer ajuda.

— Já volto. — Os jogadores apenas acenaram com a cabeça, observando o garoto deixar a mesa e aproximar-se de Jeno. Demorou um pouco até que eles retomassem o assunto de antes e descontraíssem o clima novamente. 

Enquanto isso, Jaemin seguia o Lee para fora do refeitório sob o olhar curioso de algumas pessoas. De fato, o destaque do time de futebol e o aluno mais inteligente da escola e nada amigável andarem juntos pelo refeitório era realmente algo que agarrava todas as atenções.

— O que foi? — O futebolista perguntou, apertando com um pouco de força o apoio das muletas assim que pararam de andar. Já estavam fora do refeitório naquele ponto.

— Esqueci de pedir seu número ontem para marcarmos as aulas. Aviso logo que serão na biblioteca.

Jaemin apenas concordou, digitando o número no celular meio velho do Lee após ele entregá-lo em suas mãos enquanto apoiava as muletas embaixo do braço. No processo, escondeu o alívio por saber que as aulas ocorreriam na escola. Sabia que jamais seria na casa de Jeno, afinal, ele tinha motivos — muitos — para não convidá-lo e também não queria que fosse na sua para que seus pais não descobrissem que estava quase reprovando em matemática ou que havia tido a audácia de chamar Lee Jeno para sua casa. Se estava proibido de ser amigo do garoto há alguns anos, quem dirá invitá-lo para a residência. Aliás, esse era o motivo pelo qual havia se afastado. E ele se arrependia. E muito.

— Aqui está. 

Jeno pegou o celular de sua mão e não fez questão de se despedir antes de virar as costas e ir embora. Jaemin não sabia para onde ele iria — o garoto carregava uma sacola com uma marmita dentro. Seu almoço, provavelmente — e também não fez questão de segui-lo ou dizer algo. Não tinha direito. Então se limitou em permanecer no lugar, observando o Lee sumir junto da barreira de gelo invisível que ele construíra desde que a avó morrera.

[...]

Ir em um treino de futebol e não poder jogar ainda soava como um universo paralelo, mas lá estava Na Jaemin sentado nas arquibancadas enquanto via os colegas de time se aquecerem no campo. O treinador perguntou como estava seu pé antes de voltar a gritar para os jogadores.

O clima no time ainda estava tenso pelo seu acidente, e a culpa não largava os ombros de Jaemin. Ele precisava estar bem de qualquer jeito até o dia do jogo. Nem que tirasse o gesso no dia apenas para jogar e depois o colocasse de volta.

Os olhos do garoto estavam fixos no campo. Jungwoo estava jogando na posição de ataque que anteriormente o Na ocupava. Ao menos, o Kim estava fazendo um bom trabalho. Isso significava que não teriam tanto com o que se preocupar no dia da final, apesar de que ainda não havia a mesma sintonia que existia entre si e Jisung quando ocorria as finalizações para o gol.

O médico havia dito para que descansasse o máximo para que seu pé melhorasse, mesmo assim, ele ainda insistia em comparecer aos treinos. Renjun e Chenle até resmungaram em seus ouvidos sobre o cuidado com a própria saúde, mas o time era mais importante. Ele deveria estar por dentro das decisões do treinador, das táticas e posições de todos. Não podia negligenciar tudo tão fácil só porque foi um azarado. E, de qualquer maneira, ele estava sentado, sem andar ou correr. A única coisa que exercitava no momento era o seu cérebro, mantendo o foco no campo e no que acontecia ali. Seu pé estava ótimo e bem descansado.

As duas horas se passaram mais arrastadas do que costumavam — pelo fato dele estar sentado e não correndo igual a uma gazela pelo campo — e Jaemin nunca havia ficado tão aliviado com um fim de um treino. Não que se lembrasse, pelo menos.

Os colegas de time passaram por si, cumprimentando-o, e o Na catou as muletas e foi em direção ao vestiário junto de todos eles. Jogaram conversa fora enquanto alguns arrumavam a mochila e o armário ou tomavam duchas rápidas para limpar o suor e a sujeira da grama. Nenhum deles ousou tocar no assunto do campeonato. Ainda era muito delicado e todos repararam como Jaemin estava muito para baixo e parecia sempre nervoso em torno do time. 

Todos ali eram ótimos jogadores e esforçados. Ainda possuíam chances de ganhar na final mesmo sem o Na, ele sabia, contudo, era como um castelo de cartas. Cada um tinha a sua função e, se retirar um dali, podia desmoronar. Ou seja, havia chances de uma derrota vergonhosa… A não ser que Jungwoo conseguisse cobrir Jaemin muito bem — o que, parcialmente, estava acontecendo. Talvez ele não precisasse se desesperar tanto caso não tivesse permissão para jogar. Kim Jungwoo seria capaz de equilibrar tudo.

[...]

Era o seu quarto dia usando o maldito gesso — havia o colocado no domingo e já estava doido para tirá-lo de uma vez — e Jaemin passava o fim da tarde de quarta-feira com a bunda no sofá da sala, impossibilitado de treinar ou fazer qualquer um de seus hobbies, pois eles exigiam que seu pé estivesse bem. Nem mesmo correr pelo bairro para espairecer ele podia. Uma vontade súbita de bater o pé até quebrar o gesso surgiu, mas Jaemin teve que se segurar, pois só causaria mais problemas com a ideia idiota. Não havia nada para fazer.

Na verdade, havia sim.

Jeno já estava há uns cinco minutos encarando o maldito contato salvo de Jaemin no celular velho. Havia voltado cedo aquele dia, pois estava morrendo de dor de cabeça, mas tinha planos ainda de ir à loja de conveniência na rua debaixo para ficar estudando — estava sem paciência para lidar com a mãe naquele dia. Todavia, seus planos estavam travados graças à maldita mensagem que precisava enviar a Jaemin para marcar a aula o quanto antes possível.

O garoto suspirou audivelmente e apoiou a cabeça na cama, resmungando diversos xingamentos. Ele não estava com vontade de mandar mensagem nenhuma para o Na, muito menos ter que dar continuidade à conversa, ainda que pudesse ser no máximo cinco mensagens trocadas.

A dor de cabeça pareceu se intensificar. Onde estava o maldito efeito do remédio?

Irritado como nunca, Jeno finalmente abriu o chat com Jaemin e enviou a maldita mensagem que tanto o atormentava, sendo o mais direto que conseguia.

[18:01] Jeno: Que horas e dia você está livre para estudar?

 

Quando Jaemin catou o celular após o ouvir o apito da notificação, ele estranhou ao ver o número desconhecido. Mas, então, ele leu o conteúdo da mensagem e todo seu corpo entendeu de quem e sobre o que se tratava.

O jogador engoliu em seco. Estava realmente entediado e não havia nada para fazer, exceto…

Matemática. Com “M” de maldita.

Ficou encarando o telefone como se houvesse visto um fantasma, mordendo os lábios com tanta força que achou que sangrariam. Estou livre a qualquer hora e qualquer dia. Foi o impulso que o fez responder à mensagem. Entretanto, depois que raciocinou coerentemente, ele teve vontade de cavar um buraco e enfiar a cara ali e nunca mais sair. Estava tão nervoso que estava falando idiotices. Aquilo daria a entender que era um desocupado vagabundo — tudo bem que ele realmente era um, mas Jeno não precisava saber —, mas agora já estava feito. Não havia mais como apagar a mensagem, porque o Lee já a visualizou.

[18:04] Jeno: Amanhã depois da aula, então.

 

Jeno demorou um pouco para responder, mas ali estava. Suas mais diretas palavras.

A cabeça latejou de dor. Gastou palavras demais com o Na. E isso estava deixando-o mais mal humorado ainda.

A mensagem anterior de Jaemin tinha implícito o maldito tom de flerte que o jogador sempre usava. Era uma das coisas que ele mais odiava no futebolista. E o pior é que o Na nem tentava se autocensurar quanto ao mau hábito. E usava o tom com qualquer um, até mesmo ele, Lee Jeno, depois de tudo que aconteceu. Jaemin era um sem noção, desmiolado, desrespeitoso, atrevido, desaforado e estúpido. Era quase uma criança mal criada. Quem sabe, pior.

E, enquanto Jeno direcionava todos os xingamentos do mundo ao jogador, Jaemin se encontrava inquieto demais para o dia seguinte, quando estaria confinado com Jeno e sendo torturado com matemática.

Que o universo tivesse pena deles.

[...]

Jaemin estava nervoso. Mais do que gostaria de admitir, na verdade. Havia tido bastante contato com Jeno depois do encontro deles com a diretora, quando descobriu que ele seria seu tutor — e salvador — em matemática, entretanto, só de pensar que passaria mais de duas horas seguidas junto dele deixava seus nervos à flor da pele. Mas não que o Lee o incomodasse — mesmo que lhe lançasse respostas ácidas e fosse envolto daquela barreira de gelo —, o que incomodava realmente era o peso do arrependimento que se esticava sorrateiramente em cima de seus ombros, sentimento este que ele se esforçou durante os últimos anos em sufocar o máximo que conseguisse para que se tornasse suportável de se lidar. Mas ali estava ele, arrancando a sua paz e a sua facilidade de respirar, como em forma de vingança por afugentá-lo por tanto tempo.

Depois que a aula acabou, Jaemin jogou a mochila sobre os ombros e despediu-se rapidamente dos amigos — em sua maioria do time. Não fez questão de contar a ninguém sobre a sua situação com matemática e o que iria fazer após a aula, com exceção de Renjun, que entendeu para onde ele iria apenas com uma troca de olhares rápida.

Assim que empurrou a porta de vidro pesada da biblioteca, o ar do ambiente parecia mais denso do que seria normalmente. Por fim, depois de cumprimentar silenciosa e rapidamente a bibliotecária, viu Jeno sentando em uma das mesas grandes e redondas que ficavam logo na entrada. Havia também as mesas que ficavam localizadas após algumas estantes abarrotadas de livros, parcialmente escondidas para aqueles que queriam mais privacidade para estudar ou ler, mas talvez Jeno não as tivesse escolhido para que Jaemin não perdesse tempo o procurando. Ou porque queria ficar o mais perto da porta possível para que, assim que o tempo de estudo acabasse, ele saísse do lugar o mais rápido que conseguisse; o mais longe do Na que podia. Ele tinha os próprios motivos para querer agir daquela forma. E muita razão também.

Não tentou cumprimentá-lo ao se sentar na cadeira ao lado, e Jeno muito menos fez questão de dizer qualquer coisa minimamente amigável ou quem dirá se importar. Apenas lhe estendeu uma folha com algumas poucas questões complexas da matéria do início do bimestres — que Jaemin compreendera um total de 0 coisas.

— Responda. Quero ter noção do que sabe e não sabe para saber por onde começar. Não tem tanto tempo até a última prova.

Jaemin segurou a vontade de rir em escárnio. Não sabia nada. Ou seja, Jeno teria que começar desde os primórdios. Esperava mesmo que aquela inteligência toda servisse não só para notas máximas em todas as provas, mas também para ensiná-lo e prepará-lo o suficiente, fazendo com que atingisse a nota necessária, nada a menos. Ele não queria ser desligado do time. E, quem sabe, Jeno não queria manchar a reputação ao falhar em passar Jaemin em matemática.

Então, respondeu — ou, pelo menos, tentou — cada questão da folha, entendendo quase nada do que se pedia, completamente confuso por onde começar e terminar cada conta. Mesmo assim, o fez.

Quando devolveu a folha para Jeno, ele olhou para o papel e depois para si, repetidas vezes, incredulidade em seus olhos. 

— Você só pode estar brincando comigo — resmungou. Jaemin arqueou uma sobrancelha, desafiando-o; dizendo que aquela era a mais pura realidade e não estava sacaneando-o. — Você, por um acaso, é burro?

— Não sou burro só porque não sei matemática, Jeno. — Disparou, não contendo a amargura ao reproduzir a frase. Sabia que estava sendo tão ácido quanto o gênio ao lado e, principalmente, que não tinha aquele direito, não depois do que dizera, mas não se importava o suficiente no momento. O Lee estava sendo babaca ao o julgar de burro apenas por não ser bom em algo; em matemática.

Enfim, o moreno suspirou, passando a mão pelos fios negros, bagunçando-os. Parecia pensar profundamente.

— Certo. Pelo visto, teremos muito trabalho pela frente — comentou. — E não pretendo pegar leve com você, Na Jaemin. — O sorriso que deu não foi nada gentil. Um calafrio percorreu a espinha do jogador.

E, então, Jeno se deteve em explicar toda a base da matéria para si, tirando todas as suas dúvidas e, depois, passou-lhe uma longa lista de exercícios para fazer e fixar o que passou mais de meia hora explicando. 

Quando se cansou, quando a sua mente já não aguentava mais olhar para mais nenhuma letra ou número e a cabeça latejava, ele tomou coragem para finalmente perguntar.

— Por que você quis me ajudar? — Murmurando, graças ao fato de estarem em uma biblioteca, ele empurrou a folha que lhe causava náuseas para longe, o lápis rolando e quase caindo no chão, caso Jeno não houvesse o segurado.

— Já acabou? — Questionou, pegando a folha e notando que ainda faltava metade dos exercícios para ser finalizado. Encarou Jaemin, as sobrancelhas arqueadas em uma pergunta silenciosa. Por que está puxando conversa se não finalizou as questões?

— Você não respondeu minha pergunta. — Retrucou o questionamento nos olhos do Lee.

— E é da sua conta? — Não poupou a acidez na fala.

— Imagino que sim.

Jeno apenas revirou os olhos e jogou a folha contra ele, mandando que terminasse. Jaemin a jogou em cima da mesa.

— Não vou até que você me responda.

A vontade do mais velho foi se levantar e sair da biblioteca. Se Jaemin não se importava se estava quase reprovando em matemática, por que então ele deveria se importar? Contudo, não era tão simples. Era uma obrigação, e uma promessa implícita à diretora — e, também, uma punição.

— Você é muito mimado e curioso, Jaemin. Não sabe aceitar um não?

— Não? — Respondeu, zombando do Lee com o olhar. Sabia que podia tomar um soco com aquela atitude, mas realmente estava curioso dos motivos de Jeno, além de que não estava conseguindo lembrar direito das explicações do moreno para responder cada exercício que cobrava algo diferente.

Um lampejo de raiva cobriu Jeno e ele suspirou, tentando se acalmar. Estava morrendo de vontade de dar uma surra no jogador, mas não queria cometer mais nenhum delito e manchar seu histórico impecável. Mesmo se lembrando disso, a vontade permaneceu, porém, controlável.

— Não estou te ajudando, seu egocêntrico — cruzou os braços. Jaemin piscou. — É uma consequência de meus atos.

Oh — ele respondeu. Por mais que Jeno tenha pensado nas melhores palavras, não foi o suficiente para não estimular a malícia e maldade que acenderam nos olhos do Na. — Então, quer dizer que gente do seu tipo também podem cometer infrações e serem delinquentes? 

Gente do seu tipo. Os “nerds politicamente corretos”.

Jeno apertou as mãos em forma de punho com mais força do que conseguiu controlar. Deveria ter colocado tanta força que as palmas estariam marcadas em formato de meia-lua pelas unhas curtas. Ele não se incomodou em responder e empurrou a folha de volta para Jaemin.

— Termine. — Ordenou. Jaemin deteve o olhar nele por mais alguns segundos antes de suspirar e retornar finalmente aos exercícios. Nenhuma pergunta a mais foi feita.

Depois de um pouco mais que duas horas de aula passaram, Jeno a deu como encerrada e liberou Jaemin. O jogador guardou os materiais na mochila, mas notou que o Lee não fizera o mesmo, retirando mais coisa da bolsa e organizando pela mesa da biblioteca. Ele ainda ficaria ali?

Terminou de guardar tudo e não fez questão de dizer tchau, pois sabia que seria ignorado. Também não soube como agradecê-lo, mesmo que ele só o estivesse ajudando como punição por cometer algum delito que não quis revelar. 

Deixou a biblioteca, mas não sem antes acenar para a bibliotecária gentil e dar uma última olhada para Jeno, que estava curvado sobre a mesa enquanto lia algo, ainda envolto da muralha de gelo.

 


Notas Finais


bem, that's it a
eu não faço a mínima ideia de quando vou voltar com o capítulo três até porque minhas aulas voltam dia 10kkkk estudar no ifes me suga muito então pode ser que eu apareça de novo só em julho kk......... até lá, então, não sei


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