História Acrimony - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Drama, Idade Média, Irlanda, Medieval
Visualizações 197
Palavras 2.135
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Estupro, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Mutilação, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Estou oficialmente abrindo as portas para os meus projetos originais aqui no Spirit, até que enfim! haha
Estou escrevendo essa história desde Agosto e não via a hora de postá-la! Sou apaixonada pelo universo medieval e faz tempo que não escrevo nada sobre essa época, então precisava de dar vida para isso aqui xD E não, dessa vez não vai ser nenhuma fantasia ou história épica, até porque isso já tem por demais por aí e tem pessoas melhores do que eu para escrever esse tipo de coisa haha

Bom, espero que gostem e tenham uma boa leitura! Esse primeiro capítulo é só uma introdução, mas espero que os leitores possam dar uma chance para essa história a partir daqui ^^
PS: As notas finais são importantes, chequem depois da leitura porque vai ter links legais lá

Capítulo 1 - The Lone Rider


Fanfic / Fanfiction Acrimony - Capítulo 1 - The Lone Rider

Já se passava da hora de dormir, mas a aura pesada e esquisita daquela noite mantinha Brianna de olhos e orelhas em pé. Sua atenção percebia todo e qualquer mínimo ruído que vinha lá de fora e que sobressaísse ao chiado constante da chuva grossa que caía. Ela contava os últimos momentos de luminosidade que ainda teria em seu quarto ao perceber que a cera das velas estava chegando ao fim e tentava anular sua mente assustada do sentimento inexplicável que tomava seu corpo frio debaixo do cobertor.

Mal fechara os olhos para se obrigar a cair no sono quando seus ouvidos se prenderam ao barulho de trotes que se aproximavam de pouco a pouco. Encolheu-se outra vez, mas manteve a cabeça para fora do cobertor, atenta.

Primeiro o cavalo parou. Ela sentia como se ele estivesse estacionado bem do outro lado da parede de pedras do seu quarto. Um ruído abafado lhe fez acreditar que alguém saltara do cavalo, e logo em seguida um trovão rugiu aos céus fazendo-a estremecer e lembrar-se de imediato das vezes em que o padre Finley dizia que os trovões e raios eram resultado da ira de Deus.

Ela ouviu cuidadosamente aos sons de couro e metal, resmungos fracos de voz rouca e um resfôlego alto vindo das narinas do cavalo. Brianna atentou-se para ouvir os passos, mas só percebeu quando três batidas rudes e estrondosas foram dadas contra a porta de madeira lateral da capela. Aquele punho certamente tinha se afundado numa dose desmedida de ódio – ou, talvez, desespero.

A porta ranhosa do quarto do padre ao fim do corredor abriu-se devagar e a garota, de sua cama, ouviu o homem sussurrar algo consigo mesmo. Viu a luz do candelabro que ele carregava aparecer na fresta da porta de seu quarto e a sombra de Finley vir em seguida.

Brianna se obrigou a levantar da cama devido à curiosidade que acelerava seu coração. Puxou o cobertor para cima dos ombros e foi devagar até sua porta para enxergar a sombra do tio puxando os trincos enferrujados da porta lateral grossa de madeira e fazendo o ruído da chuva soar mais alto.

— Sim? — Finley ergueu a cabeça para o estranho esguio, tentando enxergar o rosto escondido atrás do capuz.

— Um abrigo por uma noite, padre? — a voz que soou tinha um sotaque irlandês arrastado e era grave e profunda, áspera como a casca seca de árvore num verão muito quente. — Estarei bem longe assim que o sol nascer.

— Então será um abrigo para somente algumas poucas horas. — Finley remexeu as sobrancelhas e fez uma pausa pensativa. — Entre.

O padre cedeu espaço para o homem passar e enxergou, por fim, um perfil jovem por debaixo do capuz encharcado. Abaixou os olhos para fechar a porta, mas as pupilas se voltaram ao rastro de sangue que fora deixado pelos passos do homem.

— Você está ferido? — perguntou para as costas altas do outro. — Por favor, venha até a cozinha!

— Nada de que se preocupar, padre.

— Não pretendo acudir um morto sangrento quando acordar pela manhã, então venha comigo, meu filho.

Finley seguiu para a cozinha ali ao lado com o jovem que arrastou suas pernas pesadas e desmoronou na primeira cadeira que lhe foi cedida.

— Brianna! — Finley berrou para o corredor vazio. — Brianna, acorde!

Ela sentiu o coração dar um salto e fez uma pausa silenciosa como quem fingia ainda dormir.

— Brianna, temos um ferido aqui!

Ela ouviu a porta à frente de seu quarto abrir e se apressou para pegar o necessário para ir até a cozinha, passando por Roland que coçava um olho e tentava se situar no tempo após ser acordado de seu profundo sono.

Ela arfava – mais de medo do que de falta de ar – quando chegou à cozinha e esperava ter a visão de qualquer coisa horrenda e grosseira, menos a feição que seus olhos enxergaram.

— Aí está você! — Finley já havia retirado as vestes superiores molhadas de chuva e sangue do estranho. — Vá, cuide do ferimento dele, eu já estou me sentindo um pouco tonto.

O padre, ao contrário de Brianna, sentia vertigens com o mínimo cheiro de sangue e preferia ficar o mais longe possível do ferido. Brianna sempre se machucava muito desde ainda criança, então acabou se acostumando a cuidar de seus ferimentos e, consequentemente, dos outros.

— O que está acontecendo? — Roland ainda tinha uma voz sonolenta e o cabelo acobreado estava desgrenhado de forma a parecer um ninho de aves selvagens.

— Roland, cozinhe algumas folhas de manjericão para mim, por favor.

— Agora?

— Agora!

Ela sentiu outro tremor pelo corpo quando percebeu que estava sendo analisada pelo estranho. Ele tinha olhos duros, pupilas dilatadas fixas em cada movimento de Brianna e íris com coloração semelhante a dos riachos cristalinos que refletem o céu da manhã.

O homem sentia dor, isso ela podia perceber mesmo que ele não deixasse transparecer. A velocidade e a quantidade de sangue que era cuspida pelo seu corpo faria qualquer um estremecer e desmaiar, mas ele se mantinha rígido colado à cadeira.

Ela cortou a camisa de algodão dele, a última peça restante em seu tronco, porque sabia que qualquer movimento dos braços dele para subir a roupa pela cabeça faria o corte na barriga piorar, então poupou-o da dor. Agachou-se para ver de perto a profundidade do corte com o auxílio da luz de uma vela e foi tomada pelo cheiro desagradável e reconhecível.

— Talvez precisemos chamar um curador na cidade.

— Não. — a voz rouca bradou de uma única vez, impedindo que qualquer outra pessoa falasse.

Brianna ergueu o rosto e ele a respondeu com um ranger de dentes e uma mandíbula tensa.

— Tudo bem. Mas então precisarei costurá-lo. Padre me dê uma bebida forte. — pediu. — Roland, passe uma agulha no fogo e pegue o carretel de linha.

— O que acha que está fazendo? — o homem franziu o cenho que se enrugou por completo.

— Precisamos evitar que o ferimento infeccione.

Finley passou uma garrafa de rum para Brianna com as mãos ligeiramente trêmulas. Ela ofereceu uma dose longa ao ferido antes de pedir que ele esticasse as pernas para frente e as costas para trás. Derramou a bebida direto na ferida, que fez a garganta do rapaz vibrar num rugido e Finley fazer uma careta enojada para o sofrimento que presenciava.

Roland entregou a agulha grossa e Brianna a molhou com rum para que esfriasse. Ordenou que Roland tirasse as folhas do fogo assim que começassem a ferver e que separasse os panos limpos.

— Isso vai ser agoniante. — ela alertou ao ferido. — Beba mais rum e não se mova bruscamente.

O homem não a respondeu, mas jogou outro gole de bebida garganta abaixo, se agarrando à mesa com a outra mão.

Ela furou a primeira parte da abertura e tentou ser rápida ao passar a agulha. O homem fechou os olhos e tombou a cabeça para trás durante todo o processo, e apesar de segurar a dor na garganta ela sabia o quanto aquilo era ruim para ele.

A costura amenizou o sangramento, mas foram as folhas mornas e cozidas que ela pressionou contra o corpo dele que ajudaram a estancar quase que completamente. Roland ajudou Brianna a enrolar a cintura dele em panos limpos e deu instruções para que ele se movesse pouco e lentamente nos próximos dias ou abriria novamente o ferimento.

— Não posso passar dias parado. Preciso ir embora. — ele se opôs.

— É ficar quieto ou vai abrir o seu corte na primeira cavalgada que der. Precisa de repouso até que a pele comece a grudar uma à outra. Além de que perdeu muito sangue e vai se sentir tonto se quiser levantar dessa cadeira.

Ele quis se revoltar, mas sentia o corpo fraco demais para sequer se mover, então decidiu obedecer, mesmo que contrariado.

* * *

Brianna não conseguiu mais dormir pelo resto da noite sabendo que o estranho – que tudo o que conseguiram descobrir sobre ele era seu nome, Keelan McLain – dividia o quarto à frente junto com Roland. Havia algo nele que a fazia se sentir desconfortável, mas ela não sabia dizer se era apenas a falta de costume de receber visitantes para passar a noite na capela, ou se era um problema que ela tinha com os homens em geral.

Levantou-se bem cedo, como de costume, para preparar o desjejum que foi servido às sete. Reuniram-se os quatro na mesa da cozinha depois de Finley fazer a longa e repetitiva oração matinal.

Keelan chamou atenção por sua fome. Os outros três se entreolharam enquanto o homem mastigava todo seu pedaço de pão e preparava espaço na boca para receber os ovos e a espiga de milho. Brianna cutucou Roland para que parasse de encarar e Finley quebrou o silêncio.

— Então Keelan... você não nos disse de onde vem. Ou para onde vai...

— Ou como conseguiu esse corte. — Roland adicionou.

— Vocês já perguntaram isso. — disse com a boca ainda cheia, ficando difícil de entendê-lo.

— E por que não nos dá uma resposta, filho?

— Talvez não seja de sua conta, padre.

Finley recuou, franzindo as sobrancelhas e não apreciando a rudeza do mais novo.

— Sabe filho, se você precisar se confessar com Deus, tirar algum peso do seu peito, estarei na capela daqui a pouco.

— Procurarei se precisar. — disse com a atenção voltada ao prato de comida.

Evitaram manter assunto com Keelan durante a refeição por causa de sua teimosia e acidez e ele apreciou ser deixado em silêncio como uma simples sombra passageira que era. Brianna, por outro lado, ainda se incomodava com a presença quase invisível e silenciosa sentada ao canto.

Depois do café Finley saiu para a capela e Roland avisou que seguiria para a aldeia em busca de mantimentos. Ofereceu-se para conseguir algo que Keelan quisesse, e esse ponderou por um longo tempo antes de esticar uma moeda para o ruivo, pedindo que lhe comprasse uma camisa nova e cenouras frescas para seu cavalo.

Brianna passou as horas seguintes entrando e saindo da cozinha, carregando baldes de água que buscava no poço e limpando tudo sob o olhar silencioso de Keelan, que recusava a se mover – certamente por sentir ainda mais dor depois do sangue ter se aquietado. Ela, que já não aguentava mais perceber os olhos dele seguindo-a como um gavião faminto, resmungou a primeira coisa que lhe veio à cabeça:

— Eu não me confessaria com Finley se fosse você.

Ele demorou um tempo para perceber que ela falava diretamente com ele, apesar de continuar de costas.

— Não?

— Não. — disse esfregando uma panela de ferro. — Deve ter algo de muito ruim sobre sua alma para que não queira nos dizer nada sobre você. Então eu não contaria nada incriminador para os ouvidos curiosos e hipócritas de padre Finley.

Keelan se mexeu um pouco na cadeira, mudando o peso de seu corpo para o lado direito e apoiando o cotovelo na mesa.

— É incomum aconselharem a não confessar os pecados. O que há de tão errado com o padre?

Era provavelmente a fala mais longa que ele tivera desde que chegara ali. Brianna se virou para ele, secado a mão no avental preso à sua cintura.

— A pergunta é: o que há de errado com você, forasteiro?

Ela enxergou o canto dos lábios dele tremularem por um segundo e se erguerem um centímetro. Ela sentiu um frio ruim na base de sua espinha e prendeu a respiração.

— Eu perguntei primeiro. Talvez eu lhe diga, se me contar sobre você.

Ela engoliu a saliva e deu-lhe as costas novamente. Brianna tinha vontade de contá-lo sobre sua vida. Na verdade, ela tinha vontade de abrir a boca para qualquer um que lhe desse a oportunidade, mas não confiava em Keelan o suficiente para deixar a língua correr. Por mais que precisasse conversar e se libertar de seus segredos impuros, não sentia como se ele pudesse entendê-la e salvá-la de sua realidade. Não ainda.

— Finley... — Keelan continuou. — Ele te adotou?

Ela suspirou profundamente e largou outra vez o esfregão velho na poça de água da pia.

— Por que vive aqui?

— Ele é meu tio. — se permitiu dizer. — Eu não me lembro de minha mãe, ela ficou doente de uma forma feia quando eu tinha dois anos. Papai quis se mudar para a Inglaterra e me deixou aqui. Prometeu que voltaria em cinco anos...

— E não voltou?

— Já se passaram dez. Vivo aqui desde os nove anos. — mordeu o lábio quando se pegou falando além do que deveria.

— E por que seu tio não lhe casa? Roland... — enrolou o nome na língua. — Ele é seu marido?

Ela apenas sacudiu a cabeça sentindo um arrepio e negando em resposta, então voltou a esfregar. Desta vez tinha menos força no braço e segurava um conhecido e indesejado sabor amargo que lhe vinha à boca toda vez que sua mente perambulava pelo assunto em que pensava.


Notas Finais


O que eu realmente quero saber é: o que acham que acontece aí nessa capela? Não é muito difícil de adivinhar...
Agora vamos aos links!
[PLAYLIST]
Acrimony tem playlist no Spotify, caso queiram dar uma olhada e ouvir durante a leitura (ou em outros momentos né) vocês podem achar aqui: https://open.spotify.com/user/elusiveside/playlist/4X8PHOdJGtROpkQBNwfP42
Mas se não conseguirem acessar o link, basta procurar no aplicativo pela playlist com o nome da história feita pelo usuário elusiveside.

[PERSONAGENS]
Para quem gosta de visualizar os personagens como pessoas reais, ou o mais parecido com o que se tem na cabeça do escritor:
A Brianna, para mim, é a imagem da Anna Friel no filme Timeline > http://2.bp.blogspot.com/-XDHrnakMPog/Uyoa1Dq2quI/AAAAAAAAF5s/i3IUpOzPhA0/s1600/anna-in-timeline-anna-friel-midsummer-night-dream-1569297055.jpg
O boyzinho Keelan, como podem ver pela capa da fic, é o Charlie Hunnam em Rei Arthur (precisa de link pra essa belezinha de pessoa? Não né).
Padre Finley é parecido com o Jeremy Irons na série The Borgias (tirando um pouco de todo o cabelo, eu acho haha) > http://cdn1-www.craveonline.com/assets/uploads/2012/04/file_187737_0_Jeremy_Irons.jpg
E o Roland para mim é como o Eddie Redmayne em Pilares da Terra > http://68.media.tumblr.com/c827c7ec4a5c05df6aee6e3874a38ea6/tumblr_o0dvsqfLf41v3hf7po2_1280.jpg

É isso aí! xD
Pretendo atualizar AC uma vez por semana, nas sextas-feiras. Espero que o primeiro capítulo possa dar um gostinho do que vem por aí! Obrigada a todos que passarem para dar uma olhadinha e ler. Não se acanhem em comentar também kk
Até breve!


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