História Acting Loving - Capítulo 22


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Postado
Categorias Killing Stalking
Personagens Oh Sangwoo, Personagens Originais, Yoon Bum
Tags Actiing Au, Acting Loving, Jieun, Killing Stalking, Sangwoo, Sangwooxbum, Seungbae, Shipp, Universo Alternativo, Yaoi, Yoon Bum
Visualizações 255
Palavras 4.004
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Ficção, Fluffy, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Esse capítulo é um especial de Halloween postado muuuuitos dias depois. Desculpem por isso.
Espero que gostem.

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"Você finalmente pega no sono e me faz prometer que não vou soltar sua mão."
{Gabito Nunes}

Capítulo 22 - Gostosuras e Travessuras


Los Angeles – Califórnia

— Então você se veste com uma fantasia, provavelmente desconfortável, e fica andando a noite toda de porta em porta pra pedir doces.

— Err.. Sim, é isso que é o Halloween. — Alek respondeu. — Na Coreia vocês não ouvem sobre isso?

— Sim, eu sei o que é, nós temos algo parecido no mês de Agosto, se chama Chuseok. A questão é que não faz sentido, só isso.

— Como assim doces de graça não faz sentido? Que tipo de criança é você Hyung?

— De graça? — O garoto ergueu uma sobrancelha. —  O senhor tem certeza de que é um adulto e contador?

— Hã?

— Você tem as despesas da fantasia, de comprar seus próprios doces para entregar as crianças que passarem na sua casa, decoração... Etc e etc. Não é nada de graça.

Alek revirou os olhos.

— E você? Tem certeza de que é uma criança? — Hyung fixou o olhar no painel de embarque e desembarque. — Bom, de qualquer forma eu entendo que de dentro desse aeroporto não deve parecer nada legal...

— Sua aeronave está em solo e já começou o embarque — O menino respondeu se levantando. — É melhor eu não te atrasar.

— Espera aí garoto. — Alek se pôs na frente dele. — Você, sabichão, sabe então o que se diz no Halloween?

Hyung ergueu uma das sobrancelhas. “Ele acha que sou tão idiota só por que não sou daqui?”

— Claro, gostosuras ou travessuras? — Alek puxou uma barra de chocolate de dentro do paletó e estendeu ao menino.

— Eu realmente odiaria se um moleque esperto como você resolvesse aprontar comigo.

— Mas... — Hyung não soube o que falar e, conforme a voz no autofalante anunciava o embarque imediato do voo de Alek, este entregou a barra de chocolate ao menino e saiu apresado.

— Feliz Halloween! — Gritou de longe.

Hyung observou a barra e não pode conter o sorriso largo que se formou sem seu rosto ao ver a marca Wonka no papel.

— Parece que já fez amigos por aqui, não? — Sua mãe se aproximou falando em coreano.

— Hum... Sabe Umma, fico me perguntando como será que ele descobriu que eu sempre quis uma barra dessa por causa do filme.

— Eu também... Afinal, quem fala bem a língua deles aqui é você, querido. — Deu uma piscadinha. — Feliz Halloween.

— Obrigado mãe.

ᴥᴥᴥ

O relógio transcorria seus segundos normalmente acima da lareira. Mas para o pequeno garoto de lentes de contato com tinta e maquiagem pelo rosto e corpo inteiro que esperava alguém, o relógio parecia correr mais rápido.

— Ahh! Já está de noite! — Hyung falava impaciente andando em círculos. — Cadê ela?

— Calma, querido. — Sua mãe o confortava sorrindo. — Se ficar agitado assim vai estragar toda sua maquiagem. — Hyung parou cruzando os braços. — Vem, vamos por a peruca e os sapatos enquanto esperamos a Jiune.

— Eu ainda acho uma péssima ideia. — Alek falou baixo sentando numa das poltronas com a cara emburrada. — Vocês vão acabar sendo reconhecidos.

— Se isso acontecer o Will vai tomar conta deles.

— Muita gente sabe que o Will é motorista do Hyung, ele estar lá assim vai levantar mais suspeitas.

— Chamamos os melhores maquiadores da cidade e fizemos eles assinarem um termo de confidencialidade. — Eunjae retrucou calmamente colocando a peruca vermelha e longa no filho.

— É Alek, estamos de rosto pintado e modificado. O que pode dar errado? — O garoto riu.

— E crianças estarem tão bem produzidas assim pro Halloween é super comum também né. Ai... Vocês são impossíveis. — Resmungou cruzando os braços em desistência, mas apesar da carranca não estava realmente irritado, apenas preocupado. E estar preocupado era seu trabalho. — Mas vem cá... Com tantos personagens, tantos filmes, por que resolveram escolher logo esses?

— Uê, eu amo Tim Burton. Mas a ideia toda foi da Jiune, ela não para de cantar as músicas— Hyung falou se levantando, já de peruca colocada e sapatos calçados. Completamente pronto.

— Eu que diga, nos fez ver esse filme umas quinze vezes nos últimos dias.

O barulho de um carro estacionando do lado de fora fez todos desviarem a atenção. E então, antes que Hyung tivesse chance de sair correndo, Jiune irrompeu na sala gritando.

— O REI DAS ABÓBORAS CHEGOU PARA ANUNCIAR QUE AGORA SIM O HALLOWEEN COMEÇA!

— JIUNE EU VOU TE MATAR!

A visão de uma Sally completamente furiosa e berrando a sua frente fazia com que Jiune não soubesse se ria ou corria de medo.

— Você está uma hora atrasada!

— Nossa, que drama. Não vamos perder o Halloween por causa de uma horinha só. — Hyung botou as mãos na cintura fazendo cara de bravo e arrancando um riso de Jiune.

— Só vou te perdoar porque aparentemente valeu muito a pena. Sua maquiagem está ótima. O melhor Jack que já vi.

— Né! — Falou saltitando em seu terno preto riscado. — Nem acredito que vamos fazer isso!

— Nem me fale... — Amber falou ao fundo, ela também não parecia muito animada. — Então, vamos logo?

— Espera aí! — Jiune olhou para os pés de Hyung  que desviou o olhar. — Botas? E os saltos que eu te dei? Eram exatamente como os da Sally!

— Exatamente! Altos pra caramba! Eu quase torci o pé tentando andar naquilo. Então peguei essa bota, coturno sei lá. Ficou ótimo.

Jiune fez um biquinho.

— Ai... Eu juro que aprendo a andar de salto e a gente usa das fantasias de novo, mas agora não dá. Além disso, é bom que fico ainda mais baixo que você, né? — Sorriu.

— Sinto que alguém tá sempre me chamando de girafona, mas hoje eu não vou reclamar. Graças a isso eu posso ser o Jack.

— Certo, certo. — Eunjae se aproximou entregando as cestas, mas que em vez de uma abobora com rosto assustador, era branca com o rosto do Zero. E o nariz acendia de verdade. — É melhor irem logo. Se divirtam mais tomem cuidado.

— Ah e Jiune, nada de começar a cantar no meio da rua. — Hyung falou enquanto caminhavam para fora.

— Haha! Até parece que eu me dei ao trabalho de me vestir de Jack Esqueleto para não cantar Isso é Halloween.

— Tecnicamente não é ele que canta e eu não vou...

— Então vai ser Pobre Jack. — Jiune piscou pra ele. — Eu decorei todas as músicas, você não me escapa.

— Eu criei um monstro. Onde estava com a cabeça pra te apresentar Tim Burton?

— Ah... Como diria o Jack. — Jiune limpou a garganta e cantarolou. — Eu sei que todos vão gritar pra mim, quando virem o que eu vou preparar para o próximo Halloween.

— Você é assustadora. — Hyung falou rindo e entrando no carro com ela e Amber.

Na porta da mansão se despedindo estavam sua mãe e Alek, que era -tecnicamente- seu pai. Hyung ainda não entendia bem o halloween como um todo, mas naquele ano havia feito sua primeira e melhor amiga, estava concorrendo ao Oscar e Jiune lançado seu primeiro álbum e várias de suas músicas alcançaram as paradas de sucesso.

Então eles podiam ao menos comemorar isso e, por que não, fantasiados de um de seus filmes favoritos comendo doces grátis?

— Estou impressionado. — Alek comentou ao lado de Eunjae.

— É, o Hyung mudou bastante. Nunca esperei ter que fazer um vestido para o meu filho. — Ela riu. — Mas o que posso fazer? Sou mãe coruja e ele ficou uma graça.

— É... Definitivamente ele mudou desde que o conheci. Nunca pensei que me divertiria tanto vendo ele tentar andar de salto. — Alek se permitiu dar um sorriso também. — Mas eu estava falando de você.

— De mim?

— Não esperava que você aceitasse tão bem ele ser a Sally nem o deixaria ir ficar solto nas ruas pedindo doces.

A mulher fitou o céu escuro por um momento e respondeu.

— É que, apesar de tudo, você o conheceu quando ele já estava... Como posso dizer... Quando ele já era esse Hyung.

— Como assim?

— O brilho nos olhos dele. Quando ensaia as falas, quando está na frente das câmeras, quando está com a Jiune, quando disse que queria o vestido da Sally... Eu me lembro com muita clareza quando vi esse brilho pela primeira vez. Foi quando ele me levou numa peça de teatro do seu professor da escola. Naquele dia eu soube... — Ela abaixou o olhar. — Que meu filho era muito infeliz antes. Que ele se preocupava com coisas demais para uma criança, coisas que nem mesmo adultos deveriam se preocupar tanto.

— Ele sempre foi muito precoce mesmo.

— Depois disso eu fiz questão de ir mais ao teatro com ele, de incentivá-lo a participar do clube da escola e não perder uma única peça dele. Até hoje ele ainda é muito inteligente e dedicado aos estudos, mas isso porque ele sabe que precisa ir bem neles para atuar e não simplesmente por pressão dos outros e dele próprio inclusive.

— É, ele até hoje não gosta de falar muito da Coreia e todos os problemas que tiveram na família por conta dele não se encaixar no padrão.

— Eu não me importo, de verdade. Eu já os perdoei. E nada me deixa mais satisfeita do que ver o brilho nos olhinhos dele e da Jiune também. Eu sempre fiz o que amo então sei como ele se sente. Agora sim eu tenho certeza de que ele está feliz. E por mais estranho que pareça, eu acredito que tudo começou exatamente com e por causa do Halloween.

— Morton foi mesmo um professor incrível pra ele, né?

— Sim, Euan-sshi foi o melhor.

ᴥᴥᴥ

Já tarde da noite os dois se encontravam no terraço da mansão completamente exaustos e tontos de tanto comer doce. Jiune e Hyung se deitaram das espreguiçadeiras que haviam ali. O céu estava limpo e claro. Era possível contar cada estrela se quisessem

— Eu acho que vou explodir. — Jiune falou com a mão na barriga. Um pouco de sua maquiagem já havia borrado e ela se livrado do terno e da incômoda gravata.

— Eu disse pra parar, mas você não me ouviu. — Hyung respondeu não mais animado, também sentia que havia comido demais.

— Ah, valeu a pena. — falou rindo. — E no fim das contas deu tudo certo, ninguém nos reconheceu.

— Foi uma sorte mesmo, ainda mais com você cantando O que é isso? pra cada coisa que via na rua.

Jiune riu lembrando-se de Hyung desesperado e bravo com ela. Ele irritado com as implicâncias dela era algo que achava extremamente fofo e único nele. Fantasiado de Sally, usando vestido e peruca então... Foi uma atração a parte.

— Ah, eu camuflei bem minha voz, chegaram a achar que eu era mesmo um menino.

— Ai ai... Só você mesmo Jiu.

— Mas você se divertiu, não é? — Ela o fitou seriamente e Hyung sabia que a resposta era importante para ela.

— É claro.

— Então, não está mais triste? — perguntou num tom animado e imediatamente o olhar de Hyung desviou para outro ponto. — Desculpe, eu achei que...

— Na verdade sim e não... Eu ainda estou triste, mas não pelo mesmo motivo. — Voltou a olhar para a garota. — É mais uma nostalgia, sabe. Acho que o Ajeosshi ia querer que eu pensasse e me sentisse assim.

— Uma vez você me disse que da Coreia só sentia falta de uma coisa. Estava falando dele, não é?

— Uhum... Mas você sabe né, ele sumiu antes de nós virmos pra cá.

— É, ouvi Amber comentando.

— É estranho... Ele apareceu do nada e sumiu do nada. Como se... Sei lá, como se fosse algo do destino, como se ele soubesse o tempo todo que precisava estar lá, naquele dia e lugar só pra me conhecer e então...

— Você nunca soube porque ele foi para a Coreia? — Jiune aproveitou que aquele era um dos rompantes em que Hyung falava muito e resolveu tirar suas dúvidas para entende-lo melhor.

— Segundo ele, ele se apaixonou e ficou noivo de uma moça coreana. Eles se mudaram para seu próprio apartamento em Seul e tudo ia bem, mas a família dela era contra. As pessoas lá tendem a ser muito conservadoras e a família dela em específico era bem racista e xenófobos.

— E o que houve?

— Eu nunca soube direito, mas ela acabou rompendo o noivado. Acho que não aguentou a pressão e humilhação e se rendeu as vontades do pai.

— Que triste. Talvez ela não gostasse tanto dele assim, senão teria lutado por ele.

— Hum... Eu não sei, entendo mais que bem o lado dela. De qualquer forma, ele conseguiu o emprego no colégio que eu estudava e continuou no país. Foi assim que nos conhecemos e eu acabei entrando na turma de teatro dele e... Bom, você sabe o resto da história.

— Sim... Sua mãe ia perder sua guarda para seu avós, só que para sua surpresa ele era um advogado antes de ser professor e ator e aceitou pegar o caso contanto que, caso ganhasse, você pagaria os honorários atuando numa peça de teatro. — Jiune narrou emocionantemente fazendo Hyung rir. — Daria um bom filme isso, hein.

— Sabe qual a melhor parte? Eu nunca soube de verdade se ele era advogado.

— Uê, como assim? E o diploma e tudo mais dele?

— Pode muito bem ter sido falsificado, até porque, pensa bem, ele nem morava na Coreia.

— Mas ele não fez a prova pra validar e poder representar vocês?

— Sim e passou com louvor. Eu não duvido que ele realmente soubesse o que estava fazendo e falando ao nos representar. Mas... Você se esquece que Direito é muito decoreba de lei? E ele tinha uma memória quase fotográfica, decorava monólogos inteiros lendo apenas uma vez.

— Uau... Então ele foi incrível. Fez a melhor performance da vida dele, pois acabou com seus avós no tribunal, não foi?

— Sim! — Hyung respondeu rindo ao se lembrar da cara deles. Mas mesmo assim Jiune pôde ver uma sombra passar por seus olhos. A notícia de que a polícia considerou que Euan Morton não estava desaparecido, mas havia apenas saído da Coreia para outro país, muito provavelmente de modo ilegal e por isso não havia informações quanto a uso de passaporte ou cartão de crédito, acabaram com todas as esperanças de Hyung de vê-lo novamente um dia.

— Hum... — Jiune se levantou lentamente. — Sabe algumas pessoas são assim mesmo, aparecem na hora que menos esperamos e ficam lá quando precisamos mesmo que a gente não as queira por perto. E vão embora quando é a hora, mesmo que a gente então as queira por perto.

Hyung devia admitir que estava impressionado com a fala tão profunda e filosófica da garota. Até lembrar-se do filme onde a ouviu. Sorriu de canto.

Jiune pegou o violão que sempre deixava ali e voltou a se sentar do lado dele.

— Acabo de notar que, como estou de Jack eu só cantei músicas dele a noite inteira. Então... — Começou a dedilhar as cordas com suavidade e precisão. Hyung reconheceu de imediato o toque da música e se sentou para ouvi-la.

Eu vejo o céu escurecer. — Jiune começou a cantar a música principal de Sally. — E não há lua a brilhar. Embora eu tente lhe entender, o medo vem me assombrar.

Ela desviou o olhar das cordas e olhou diretamente para as órbes negras de Hyung.

Sei que o pior está por vir. Se ele soubesse... o que eu sinto. Meu coração, pulsando com paixão, vivendo na ilusão.

Hyung sentiu o olhar de Jiune penetrar até sua alma e, embora sentisse uma palpitação em seu peito e quisesse desviar os olhos não conseguia.

O que será do meu amor? Terminará somente em dor? Embora eu tente não pensar o que o futuro irá trazer. O medo volta a me assustar. E eu me pergunto... se um dia junto... ao meu amor... eu poderei viver. Quem poderá dizer?

Jiune terminou de cantar, mas continuou alguns acordes e então, se saber de onde veio tal ímpeto Hyung resolveu cantar também.

Minha querida, por favor. — Jiune pega um pouco de surpresa quase esqueceu-se de continuar tocando, mas acertou as notas. — Escute a voz do seu amor e juntos vamos descobrir...

Um novo mundo. — Jiune o acompanhou, concluindo o dueto do final do filme. — Bem lá no fundo... Do coração. E sempre caminhar sob a luz do luar.

Jiune sorriu de orelha a orelha o que a deixava com uma expressão um tanto estranha considerando a maquiagem borrada o que fez com que Hyung sorrisse ainda mais.

— Você promete? — Hyung ergueu o dedo mindinho.

— O que?

— Que vai ser sempre minha melhor amiga? — Jiune o encarou catatônica. E então entrelaçou seu mindinho com o dele.

— Sob a luz do luar, em nome do Rei das Abóboras, sempre seremos amigos e vamos fazer dupla todos os Halloweens daqui pra frente. Promessa de dedo mindinho...

— Se eu estiver mentindo, — falaram juntos. — Terei que engolir mil agulhas e cortarei meu dedo. — Acenaram positivamente com a cabeça.

ᴥᴥᴥᴥᴥᴥ

Boston – Massachusetts

Kailan observava a irmã correr de um lado para o outro com seu vestido rosa oriental de calda e mangas longas. Os cabelos compridos foram presos no penteado exato ao da Mulan e ela usava um batom vermelho de sua mãe. Esta tentava acalmá-la e fazer os últimos ajustes para que tudo funcionasse perfeitamente.

“Isso foi uma péssima ideia.” Pensava o garoto sentado a mesa devorando um sanduíche. Olhou para o relógio. “E ele está quase chegando.”

— Kristen, fique quieta! — Bradou a mãe fazendo a garota parar.

— Ele vai me pegar.

— Não vai não. — A mãe ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha enquanto ajeitava o cabelo da menina. — É só fazer como eu falei, não vai dar nada errado. E o Kailan vai te acompanhar, não precisa se preocupar.

— O que? Por que o Kai tem que ir? Eu não sou mais criança, mãe!

— Ora, é halloween e eu também posso pedir doces. — Retrucou de boca cheia.

— Você nem está fantasiado. — Kristen cruzou os braços emburrada e murmurou. — Podia muito bem ter feito o Shang comigo.

Kailan parou o trajeto do sanduíche até sua boca no ar e o devolveu ao prato. Ficou encarando o pão até que o silêncio se instaurou sobre eles.

— Não fale assim com seu irmão. — A mãe disse simplesmente.

— Desculpe, Kai.

— Talvez... Ano que vem... Quem sabe... — Kailan deu um sorriso fraco para a menina no momento que os faróis de carro passaram pela janela.

— Ah, droga. — Kristen engoliu em seco.

— Façam como eu disse e ajam naturalmente. — A mulher olhou diretamente para Kristen que, diferente de Kailan, não conseguia camuflar suas expressões de nervosismo.

Não demorou muito até que o homem passasse pela porta de entrada e entrasse na sala carregando consigo o cheiro de bebida e cigarro.

— Boa noite, querido. — A mulher se aproximou pegando o seu casaco e o pendurando. — Como foi? Conseguiu os doces?

— Sim, estão no carro. — O homem se jogou no sofá. — Ah que noite infernal, halloween é mesmo uma porcaria. — Com um sinal da mãe, Kristen entrou na sala com Kailan.

— Papai, papai, olha! — A menina girou nos calcanhares e fez sua voz mais feliz. — Olha a fantasia que a mamãe fez pra mim? — O pai ergueu uma sobrancelha.

— Que diabos de roupa é essa?

— É uma princesa oriental. — A mãe explicou. — Esse é o traje do casamento. Ela não está linda?

O homem olhou da mãe para a menina e então para Kailan que estava encostado na parede de braços cruzados.

— O que estão tramando?

— Kristen quer ir pedir doces. — Kailan falou antes que qualquer uma das duas tivesse chance. — E eu prometi que levaria ela, então... Vamos indo Kris.

Começou a caminhar até a porta pegando seu casaco e, diante do silêncio do pai Kristen também se dirigiu para a saída pegando uma cesta toda adornada para colocar os doces.

— Kailan... — A voz do pai vinda de trás deles fez com que gelassem e Kristen já podia sentir a bronca vindo e ela tendo que se desmontar toda. — Não chegue tarde com sua irmã.

— Sim, senhor.

E antes que o pai pudesse dizer mais alguma coisa saiu rapidamente puxando a irmã pela mão. Passaram a varanda e atravessaram o portão ganhando as ruas. Lá, correram como o vestido de Kristen permitia, para o fim do quarteirão.

— Ah, mas que droga de saia. — A garota fez menção de puxar ou rasgar o tecido.

— Não! Espera até chegarmos na esquina.

Tendo deixado a casa para trás e dobrando a esquina os dois pararam. Ali havia um grande arbusto bem podado. Kristen imediatamente começou a soltar os cabelos e dessamarar alguns nós do vestido. Se desfez da cinta apertada e tirou a parte de cima do vestido se livrando das mangas compridas e da saia.

Por baixo usava a roupa de treino do exército do filme.

— Nossa que troço horroroso, como alguém andava com roupas assim? — Reclamou juntando tudo num bolo e escondendo no meio dos arbustos.

— Você e a mamãe são doidas. — Kailan falou rindo puxando um grande saco. — Então eu resolvi ser também.

— O que é isso? — A garota não esperava que outras pessoas escondessem coisas ali.

— Isso... — Abriu o saco revelando várias peças pretas que pareciam metálicas. — É o que faltava para sua Mulan ficar completa.

— Não acredito Kai... Você... Isso... — Kristen não acreditava no que seus olhos viam. Puxou o objeto dourado que chamou sua atenção na hora. — Você fez até a espada?

— Todas aquelas horas com o papai me ensinado a ter habilidades masculinas tinham que servir pra algo, né? — Sorriu vendo a expressão de alegria no rosto da irmã ao desembainhar a espada. — Claro, não ficou cem por cento porque não sirvo pra essas coisas de carpinteiro e tal, mas tentei fazer o mais parecido e leve possível e...

— É perfeito. — Ela o interrompeu completamente admirada com a espada, mesmo que fosse de madeira. — Obrigada Kai.. — Correu até ele e o abraçou. — Você é o melhor irmão do mundo.

Kailan se permitiu abrir um sorriso de orelha a orelha e dar um tapinha nas costas da irmã.

— Tá, tá... — Afastou a menina quando sentiu que os olhos enchiam de água. — Anda, vamos por sua armadura pra você salvar a China.

Kristen mal podia se conter de alegria e Kailan tinha que dizer toda hora para ela ficar parada para que pudesse colocar as ombreiras nela.

— Ah é, qual é mesmo o personagem que você vai fazer?

— Erik.

— Ele é o fantasma né?

— Sim.

— Uau, então você vai cantar?

— Ah não, não. — Kailan respondeu logo. — Ópera ninguém consegue. A gente já deixou tudo gravado, mas pra poder passar nos programas de edição e só dublarmos.

— Ah poxa. E você nem canta tão mal assim. — Kristen provocou colocando a espada na cintura. — O barulho do chuveiro ajuda.

— Ei! — Deu um soco no ombro dela. — Mais respeito com seu irmão, hein.

— Ata. — Eles riram.

— Certo, lembre-se do que combinamos. — Kailan mudou o tom ficando muito sério. — Fique dentro dos limites, não deixe que os amigos do papai te vejam ou te reconheçam. E me encontre aqui ás onze em ponto. Eu vou sair correndo do teatro, mas vai se trocando como puder.

— Pode deixar.

— Ah e... De verdade, não arrume confusão nem bata em ninguém.

— Tá... — Respondeu revirando os olhos. — Mas poxa, eu sou a Mulan.

— Não, você é a boa filha do papai. Kris eu sei que é difícil, mas se ele te pega assim vai acabar brigando com nós dois.

— Eu sei, mas... Ahh não aguento bancar a Barbie mais.

Kailan foi até ela e a puxou para um abraço.

— Eu sei, não vai ser pra sempre. Eu ainda vou tirar a gente daqui. Um dia ainda vamos poder ser quem nós quisermos ser, fazendo o que quisermos fazer. Até lá... Aguente firme as aulas de balé e eu serei o melhor na marcenaria e farei todas as armas e armaduras que quiser.

— Você promete Kai?

O garoto a afastou e se abaixou para ficar na altura dela. Kristen tinha a expressão muito séria.

— Eu prometo. — Kristen sorriu.

— Eu queria muito ir te ver atuando hoje.

— É halloween e você sempre quis participar. E tivemos todo o esse trabalho com a roupa. Curta sua noite e não se preocupe. — Kailan falou sorrindo.

— Mas talvez eu possa passar lá no finalzinho e... — Kailan a interrompeu cutucando de leve sua testa com dois dedos.

— Fica pra próxima, ok.

— Ok.


Notas Finais


UFA!
Gente, você não tem noção do trabalho que tive... Eu tava com esse cap quase pronto e perdi um bom pedaço dele. E mesmo que eu tenha tentado reescrever o máximo que me lembrava obviamente não saiu como a primeira vez (que eu considerei ter ficado muito boa), mas finalmente tá aí.
Especial de Halloween postado depois do Dia dos Finados. XD
Sim, enrolei... eu sei. Me desculpe. Eu queria postar tudo junto (o cap e o especial), mas além de tá travada na escrita tô sofrendo com Enem também então... é, tempo tá difícil.

Bom, dramas a parte...Esse capítulo é a pura referência, então caso não tenha entendido ou não viu alguma, vamos lá

->Barras Wonka é a marca que existe nos filmes da Fantástica Fábrica de Chocolate e acabaram se tornando reais.

->As fantasias da Jiune e do Hyung são de Jack e Sally de O Estanho Mundo de Jack do Tim Burton.
Eu pensei a principio de o Hyu ser o Jack e a Jiu a Sally, mas depois eu pensei: Hum... tão "comum e óbvio".
Daí pensei em fazer eles usando versões genderbend, ou seja, Jack feminino e Sally masculino e por fim, enquanto começava a escrever essa parte eu pensei: Ah, a Jiune é maior que o Hyung mesmo e é cantora, porque não inverter de vez?
Eu realmente achei a visão do Hyu de Sally muito cute cute e a Jiune cantando o Lamento de Jack é meu eros agora. ashaushausha

->As partes em itálico nas falas do Hyu e da Jiu são nomes ou trechos de músicas do filme.

->Sobre a roupa da Kristen: Ela começa usando o vestido que a Mulan usa pra ir na casamenteira (mas sem toda aquela maquiagem), mas por baixo ela usa a roupa/uniforme de soldado que a Mulan usa durante o treinamento. E por cima disso vai a armadura.

->Erik, o personagem do Kailan, é o nome do fantasma da ópera.

->O toque na testa que o Kailan faz na Kristen é o "poke do Itachi"
Não sei se consegui descrever direito então aqui um gif bem bonitinho pra entenderem: https://media.giphy.com/media/13sHNWWvaRqHyo/giphy.gif
Pra quem nunca assistiu Naturo é um gesto de carinho que simboliza amor/pedido de desculpas/um jeito de dizer até logo que o Itachi vive fazendo no seu irmãozinho Sasuke e ele depois faz isso com sua esposa e filha. É descrito em muitos manuais, databooks, fandom e afins de Naruto como "expressão máxima de amor" e como lá tem todo um contexto de irmãos, amor fraternal eu resolvi usar com o Kailan e a Kristen.
Até o contexto da fala é o mesmo, pois o Sasuke vivia pedindo para o Itachi treinar ele, mas o irmão nunca podia, pois vivia ocupado. Então ele fazia o poke na testa do Sasuke e dizia sempre algo como "na próxima vez".

É isso Stalkillers O/
Até o próximo


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