História Acting Loving - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Killing Stalking
Personagens Oh Sangwoo, Personagens Originais, Yoon Bum
Tags Actiing Au, Acting Loving, Jieun, Killing Stalking, Sangwoo, Sangwooxbum, Seungbae, Shipp, Universo Alternativo, Yaoi, Yoon Bum
Visualizações 347
Palavras 4.104
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Ficção, Fluffy, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


"Possivelmente..
ele apenas...
Não queria se tornar um "adulto"?
Se tornar um "adulto" como todo mundo ...
Era muito assustador."
{Annarasumanara}

Capítulo 8 - Vínculos


— Projete mais sua voz. — O homem falava gesticulando, tinha cabelos castanhos anelados na altura das orelhas e óculos arredondados. - Você deve ser ouvido da primeira à última fileira. 

— Acima de tudo sê fiel a ti mesmo. Disso se segue, como a noite¹... — Hyung falou mais alto, quase gritando quando foi interrompido pelo homem.

— Eu disse para projetar Hyung. Não é a mesma coisa que gritar. — O homem o repreendeu gentilmente. O menino de apenas 7 anos só conseguia ver sua silhueta e cabelos bagunçados ao fundo do teatro andando entre as últimas fileiras. — Se eu consigo fazer com que você me entenda dessa distância sem gritar você pode fazer o mesmo. Lembra do que eu te disse?

— Sim. A voz emite ondas sonoras.

— É quais são as características de ondas sonoras?

— Elas se propagam no ar. —  Ele respondia tentando se fazer o mais audível possível. —  Batem em outros objetos sendo propagadas de novo em outra direção.

— Isso. Faça com que sua voz seja rebatida pelas paredes e cadeiras e alcance todas as pessoas. — A luz do holofote deixava o garoto meio tonto e quando ela passou novamente por seus olhos o cegou por um instante.

O clarão de luz fez a mente de Hyung girar e todo o lugar se desmaterializar.

— Isso é ridículo! — Hyung gritou com o homem jogando o script no chão. — Atuar é ridículo! O que você acha que sabe? Você é só um ator, um cara que se acha inteligente, mas teatro e arte são coisas inúteis! Essas coisas nem devia ser consideradas disciplinas, você nem devia estar numa escola, não é um professor. Você não é nem um adulto de verdade. — O menino bufava de raiva.

— Certo Hyung... Se acalme. Você não devia tomar nenhuma decisão sem...

— Não tem decisão. Essa é a coisa certa a fazer. — Ele pegou sua mochila e colocou nas costas marchando para a porta. — Eu não posso perder tempo com essas bobagens que você diz que ensina. — Saiu batendo à porta da sala.

— Sua vida definitivamente parece cansativa. — O mesmo homem agora usava roupas mais formais, afinal era um dia importante. A cerimônia de encerramento do bimestre onde os melhores alunos eram condecorados. 

— Se não for significa que não estou me esforçando o bastante para ser um bom aluno.

— Sim claro, isso também parece bem desgastante. Mas eu me refiro ao fato de que, mesmo saindo do teatro e dizendo como tudo que nós fazemos nas artes é fútil, você Hyung, não deixa de atuar por um minuto de toda sua vida. E viver vestindo um mesmo personagem o tempo todo parece bem cansativo na minha opinião. 

O sinal tocou e o professor se afastou entrando no ginásio antes que o menino tivesse a chance de responder. 

— É bem fria não é? — A voz do homem fez Hyung erguer os olhos vermelhos de tanto chorar. Estava encolhido no terraço do colégio com o rosto escondido entre os joelhos.

— E-Eu... nem vi que começou a nevar. — Ele respondeu limpando o nariz na manga da blusa enquanto encava o céu nublado.

— Não quis dizer isso. — O homem as sentou ao seu lado. — Falo dessa estrada de asfalto que você está caminhando. Parece muito solitária e fria. 

— O que? — O menino fez uma cara de confuso por um instante, mas suspirou fundo. — Ah você sempre fala assim, nem sei porque ainda tento te atender.

— Quer me contar o que aconteceu então?

— Eles vão me levar embora. Para longe da minha mãe. — murmurou enxugando o rosto. — Eles dizem que ela não é uma boa mãe, que não sabe me educar e que se eu continuar com ela não terei um futuro melhor... Não querem que eu seja uma vergonha e fardo para a família também. — Ele tentou se controlar, mas logo estava chorando de novo. — Mesmo eu... Me esforçando tanto... Eu pensei que... Ah eu só queria ser grande logo.

— Eu lamento muito. Não há nada que sua mãe possa fazer?

— Ela está tentando, mas a ouvi conversando com alguém no telefone e acho que ela não vai ter outra escolha. Não pode pagar um advogado se meus avós entrarem na justiça. 

— Entendi. Engraçado como mesmo sendo uma adulta às vezes isso não ajuda em nada. — Hyung o encarou um tanto perplexo. — E também é engraçado como mesmo sendo uma criança você pode fazer tanta coisa, não acha?

— O que quer dizer?

— Que tal você pagar os honorários do advogado?

— Pagar os honorários? 

— Sim, é a retribuição aos que exercem uma profissão liberal como os advogados, neste caso a porcentagem que o cliente deve pagá-lo para que ele defenda sua causa e...

— Eu sei, mas não tenho como pagar isso. 

— Claro que tem.

Ajeosshi², eu não tenho idade nem para trabalhar ainda, tudo que tenho é o dinheiro do lanche que minha mãe me deu e eu nem quis gastar.

— Não se preocupe Hyung. — Ele se levantou batendo a neve do casaco e esticou a mão para o menino. — Eu não cobro em dinheiro. 

— Hã?

— Hyu! — Jiune chacoalhava seu ombro. — Você está bem? 

— Hein? Estou, claro. — respondeu massageando os olhos. — Já chegamos? — Ele olhou pela pequena janela do avião.

— Estamos quase, mas você parecia bem agitado e começou a falar então achei que estivesse tendo um pesadelo. 

— É mesmo? Nem era um pesadelo.

— Pelo menos isso então. Está com fome? — A moça parecia bem animada para uma madrugada, mas suas olheiras não condiziam com isso. — A comissária passou tem pouco tempo e adivinha só, tem um pacote enorme de batata.

— Jiu... Você não dormiu?

— Dormi sim. Relaxa. Eu tbm dormi antes do programa, tô em fusso horário também... Meu relógio tá uma bagunça. — Hyung analisou o rosto sorridente dela. Ela parecia um pouco melhor.

— Certo. Vamos comer alguma coisa então. 

ᴥᴥᴥᴥᴥᴥ

Kailan estava completamente imerso na sua playlist enquanto corria pelas ruas quase desertas. Já devia ser bem tarde, havia poucos carros, a maioria das pessoas estavam indo ou voltando de boates. Ainda mais sendo madrugada de sábado. Algumas prostitutas andavam sensualmente em seus saltos altos, traficantes se esgueiravam pelas sombras repassando sua produtos e bandidos se aproveitavam de quem ousasse andar bêbado por ali.

O rapaz passava por todos rápido demais para prestar atenção. Não tinha com o que se preocupar. Mesmo já estando um tanto longe do seu bairro ninguém mexeria com ele. Primeiro não andava com nada de valor além de seu celular quebrado e os tênis novos, mas principalmente por morar ali a bastante tempo para conhecer bem os grupos e suas fronteiras.

Se eu me manter nos limites dos Kelvin não devo ter problemas. E caso alguém insistisse em abordá-lo Kailan tinha três táticas perfeitas para lidar com eles. Primeira: mostrar que não tinha nada de valor. Segundo: falar as palavras certas para provar que era dali, que conhecia os termos e não estava infringindo nenhum deles. Terceiro: se tudo falhasse bastava deixar quem o importunasse inconsciente e seguir seu caminho.

Felizmente tudo indicava que não precisaria usar nenhuma delas. Não demorou e logo estava suado. Avistou a pequena praça que havia naquela região e caminhou pela grama recuperando o fôlego. Chegou no parquinho e sentou-se num dos balanços de pneus sentindo o ar gelado da noite em seu rosto. Tirou a touca e bagunçou os cabelos se refrescando.

A sede fazia sua garganta arder, era hora de voltar para casa. Kailan se balançou um pouco enquanto fitava o céu negro com poucas estrelas e sem lua. É mesmo... Ele se virou para uma das ruas laterais vendo um carro cheio de pessoas passar em alta velocidade. Não está muito longe, talvez eu deva..  Se levantou e colocou a touca de novo voltando a caminhar. 

O Rick's Pub era a maior casa noturna da região. Dividido em três partes que ocupava um quarteirão inteiro. O bar, a boate e o clube de stripper. Kailan se dirigiu para a porta que levava ao bar onde poderia entrar gratuitamente. O lugar já estava lotado e a música alta.

Se dirigiu de imediato ao balcão de madeira onde diversos barmans e bargirls trabalhavam no outro lado vestindo seus uniformes clássicos. Claro, isso eles nunca mudam. Kailan encontrou um espaço e esperou.

— Olha só! Não estou acreditando nos meus olhos. — Uma das mulheres se dirigiu a ele. Tinha os cabelos loiros trançados e caidos sobre um dos ombros. — Kailan Mooron é você mesmo?

— Oi, Cindy.

— Meu Deus Kailan! — A mulher se apoiou no balcão chegando perto dele para vê-lo melhor e puxou sua touca. — Faz anos que não te vejo, como está diferente. Esse cabelo... Uau!

— Ah não é nada demais. Para com isso. — Ele pegou a touca de volta e a colocou imediatamente.

— Uii, parece que alguém continua emburrado como sempre. — Um dos rapazes falou enquanto segurava uma garrada de vodka em cada mão. — Nem pra cumprimentar depois de tanto tempo?

— Vocês são exagerados demais Fred. Deve ter no máximo um ano desde que vim aqui.

— E você acha isso pouco? — Cindy falou.

— É, parando pra pensar... As coisas aqui mudaram bastante.

— Hum... você nem faz ideia. Aguenta aí. — Fred comentou indo atender outro cliente.

— Pelo menos vocês dois ainda estão aqui. Não reconheço mais ninguém. — Kailan passou os olhos pelo local, até as cores das paredes estavam diferentes.

— Sabe como é... Ampliação, mudança de público, sem falar que o Rick ficou completamente cismado depois da tentativa de incêndio.

— Eu ouvi falar. Ele está bem?

— Melhor do que nunca. Agora anda com três seguranças. — A moça riu e Kailan a acompanhou. — De qualquer forma, o que posso servi para tão ilustre cliente?

— Ah não, não vim aqui para isso. Na verdade, queria saber se podia falar com o Rick, mas pelo jeito ele anda bem importante para isso. Então se puder passar um recado eu...

— Do que está falando? — A loira o interrompeu. — Está na cara que precisa de uma bebida.

— Não Cindy eu...

— Relaxa, é por conta da casa. — Ela se virou e logo tinha um copo na frente de Kailan. Com movimentos graciosos ela pegou alguns morangos e os colocou no copo jogando bastante açúcar por cima. Começou a macerar. — E a propósito o Rick está aqui hoje e não deve estar ocupado. Vou avisar que você quer falar com ele.

— Valeu Cindy. — A moça finalizou o drink colocando bastante gelo e decorou com um kiwi em formato de estrela na borda do copo.

— Que nada. Espero que sakerinha ainda seja seu drink favorito. — Cindy colocou o canudo empurrando a bebida para ele.

— É sim.

— Então aproveite, vou avisar o Rick. — A loira piscou para ele se retirando apresada de trás do balcão e indo em direção a porta que levava para as alas internas, que eram mais caras e luxuosas. Claro, Rick deve estar no clube de stripers.

Começou a tomar seu drink. Adorava aquela bebida, especialmente preparada por Cindy e não era tão forte. De uma só vez Kailan tomou metade do copo o que fez seu corpo esquentar ainda mais. Ele fez uma pausa comendo a rodela de kiwi e se virou apoiando as costas no balcão e fitando o grande salão. Definitivamente estou mau vestido para o lugar. Mas mesmo assim não me sinto nenhum pouco mal. Além do mais, todos estão bem ocupados para reparar em alguém como eu. Ele riu com esses pensamentos tomando mais um gole da bebida. Até que seus olhos se encontraram com os de alguém... O que? Kailan quase engasgou com a bebida quando viu os dois homens entrando.

Um tinha a expressão carrancuda, usava terno marrom avermelhado com gravata, devia estar na casa dos 40 ou 50 anos e tinha uma leve calvície no topo da cabeça. Em uma das mãos ele avaliava um charuto que havia acabo de pegar da caixa que uma das garçonetes lhe servia. Estava tão concentrado cheirando os charutos que nem percebeu quando o homem ao seu lado, mesmo agarrado ao seu braço fitava Kailan.

Esse outro aparentava ser bem mais jovens, tinha a pele morena radiante, os cabelos castanhos com luzes bem penteados num topete e vestia roupas bem mais despojadas. Ele acenou discretamente para Kailan que engoliu em seco e se virou para o balcão de novo. Só pode ser piada. Ele bebeu de uma vez só o restante do seu drink.

— Isso que eu chamo de coragem. — O homem falou abrindo espaço e ficando do lado dele. Kailan se virou para trás e viu que o homem com quem ele estava acompanhado conversava com algumas pessoas, mas sem tirar os olhos dele. — Relaxa, ele não faz mal a uma mosca. Principalmente se ela for você. — ele riu. — Seria uma mosca incrivelmente difícil de acertar.

— Não devia estar aqui Ethan.

— E nem você me chamando por esse nome em público. — falou chegando perto do loiro sussurrando. — Mas nunca fomos bons com regras, não é Kailan? — Um barman apareceu e ele pediu um cosmopolitan.

— Mesmo assim... Eu vim aqui para resolver encrencas e não arrumar mais nenhuma Jeff.

— O senhor Callinen é um cliente muito sensato, não gosta de escândalos.

— E mesmo assim anda com você? — Kailan provocou enquanto Jeff tomava seu drink.

— Sabe que posso ser comportado quando quero. Já você... — Kailan baixou o olhar para o copo vazio. — Ah, droga não faça essa cara. Só estou te implicando porque o fato de eu não te ver a tanto tempo, principalmente aqui, é um bom sinal. Parece que tem se mantido sobre controle e conseguiu superar aquelas coisas. — Kailan encarou os olhos verdes do rapaz. E diferente do que acontecia com a maioria das pessoas que os fitava, para Kailan, Jeff lhe transmitia um olhar de conforto.

— Acho que sim. — respondeu. — Em parte, pelo menos.

— Entendo. Não é à toa que não quer me ver. Mas eu não podia deixar de vim dar um oi e... Parabenizá-lo pelo papel. — Kailan relaxou as sobrancelhas um tanto confuso enquanto o homem passava o drink pela metade para ele. — Ora essa, eu sempre te digo... Não subestime meus contatos.

— É claro. — respondeu aceitando a bebida.

— Ainda mantenho aquele antigo número e esses são os novos. — Kailan levantou a taça vendo o cartão que ele colocara discretamente sob ela. O homem que acompanhava Jeff fez um sinal com a mão e ele assentiu. — Bom, só para o caso de precisar... Mantive o antigo número por sua causa. Inclusive. Vai que... né? — Ele se levantou indo em direção ao homem de terno.

Kailan que fitava o cartão de visitas de Jeff trincou os dentes e socou de leve o balcão, virando-se num movimento rápido segurou o braço do rapaz fazendo-o parar. O homem de terno os observou com o olhar cerrado. Kailan afrouxou o aperto vendo que devia estar machucando-o e se aproximou do seu ouvido.

— Eu... Eu vou pagar tudo que te devo e com todos os juros. — Soltou o braço de Jeff sob o olhar indignado do homem de terno.

— Não fique tão tenso com isso Kai. — ele respondeu rindo. — Sabe que sempre tem crédito comigo. — Jeff beijou a ponta dos dedos e depois tocou os lábios de Kailan se despedindo. Voltou ao homem de terno que o encarou severamente, mas logo melhorou sua expressão quando Jeff se agarrou ao seu braço falando animadamente e fazendo suas melhores expressões.

É mesmo... Você também é um excelente ator Ethan.

— Kailan? — Cindy havia voltado e trazia um crachá escrito VIP. — Aqui. Ele está no reservado 14.

— Ok, obrigado.

ᴥᴥᴥᴥᴥᴥ

— Fala sério! — Amber reclamou vendo os fotógrafos na saída da sala de embarque. — Já passou das quatro da manhã, que povo mais desocupado.

— Ah merda. — Jiune reclamou abrindo a bolsa e pegando seus óculos e os de Hyung.

— Eu vou na frente para pegar o carro, senhor. — William se pronunciou saindo discretamente.

— É melhor vocês esperarem aqui enquanto pegamos as malas. — Alek falou num bocejo se dirigindo as esteiras do aeroporto com Amber enquanto os dois se sentavam num local afastado das lentes.

— Aposto que a produção do programa falou todos os detalhes do nosso voo pra imprensa. Não tem sentido eles aparecerem bem na porta nesse horário. — Hyung reclamou pegando o celular do bolso. — Tomara que o Will chegue aqui rápido.

— Droga, eu tô com muita mala. Vai levar um século para colocar tudo no carro. — Jiune massageou as têmporas exausta.

— Que o Alek e a Amber se divirtam com isso. Eles que nos meteram nesse programa pra começo de conversa. — Hyung falou fazendo a moça rir. Ligou o celular e foi logo ver as mensagens. — Will já está na porta, eles vão levar as malas. Vamos relaxar enquanto isso. — Jiune deitou a cabeça no ombro do moreno.

— Certo... Esse é o Kailan? — Ela perguntou vendo a tela do celular onde Hyung passava as conversas muito rápido.

— Hã? Ah ele... É esse sim. — espondeu notando as mensagens nova. — Parece que ele gostou da gente no programa e quer te conhecer. — Jiune se aconchegou mais e falou bocejando:

— Ele parece legal. Devíamos chamar ele para almoçar ou jantar qualquer dia.

— É... — Hyung voltou a olhar as outras mensagens, muitas ele não respondia na hora até porque precisaria conversar com Alek primeiro. — Vamos fazer isso amanhã, que tal?

— Uê por que não hoje mais tarde? É sábado. Provavelmente vamos dormir o dia todo, daí depois podemos ir jantar no...

— Não, não. Hoje não. — O rapaz se apressou em falar. — Eu já fiz planos pra gente. — Jiune ergueu a cabeça se endireitando na cadeira. — Eu tô te devendo o presente de aniversário.

— Mas você me mandou aquela gargantilha.

— Sim, eu realmente mandei ela para o seu aniversário não passar batido, mas a ideia foi do Alek e da Amber também. Aposto que milagrosamente seu vestido para o baile do MET vai combinar com ela. — Jiune revirou os olhos. — Então eu quero te dar um presente totalmente meu, uma comemoração de verdade. Ainda mais depois dessa merda de entrevista.

— Ai, ai Hyu... Só você mesmo. — Suspirou. — Que seja então. Não estou com energia para ser mais teimosa que você hoje.

— Perfeito. — Uma notificação chegou no celular. — O carro está pronto. Vamos?

— Finalmente. Só mais uma manada de fotógrafos e vamos ter paz.

Alek, Amber e William ajudaram a abrir caminho e eles passaram o mais rápido que puderam pelos fotógrafos, sem falar com ninguém. Entraram no carro que disparou em seguida pelas ruas de Los Angeles. Finalmente em casa. – os dois pensaram aliviados.

ᴥᴥᴥᴥᴥᴥ

— Quem é vivo sempre aparece. — Rick era um homem já de idade, mas sua presença ainda era bem marcante. Usava um terno azul marinho feito sob medida, mas sem gravata. Odiava gravatas. Os cabelos já grisalhos ainda eram volumosos e bem penteados para trás. No pulso um relógio importado e na mão um dos melhores charutos de seu estoque particular.

— É, faz um tempo Rick. — Kailan se aproximou e o homem se levantou sorridente. Pousou o charuto no cinzeiro e abraçou o rapaz como se fosse seu próprio filho.

— Kailan... — falou segurando os ombros do rapaz. — Quase não acreditei quando me contaram. Mas venha sente-se. O que diabos está vestindo? Já bebeu alguma coisa? Vamos peça o que quiser, garoto.

— Não, estou bem a Cindy já se encarregou de me paparicar e... — Ele parou subitamente quando Rick arrancou sua touca.

— Hum... belo cabelo. — Kailan passou as mãos na cabeça meio nervoso.

— Valeu. Eu... Eu andei mudando um pouco.

— Um pouco bastante, hein. — O homem tragou seu charuto soltando a fumaça lentamente. — Não que eu não esteja feliz por te ver Kailan, mas o fato de estar aqui... Tenho que perguntar não é? O que posso fazer por você? Em que encrenca se meteu agora?

— Ah não. Não é nada sobre isso. Na verdade, é o oposto. — Kailan se acomodou melhor no assento estofado. — Eu tomei coragem de voltar aqui justamente porque agora posso olhar nos seus olhos e dizer que vou poder quitar minha dívida com você.

— É mesmo? — Rick o fitou curiosos com seus olhos verdes. — Mas isso não implica você fazer nenhuma loucura certo? Não voltou a ir naquele lugar...

— Não! Não, claro que não. Eu disse aquele dia para você que estava fora, que ia parar e parei. Dessa vez é um emprego de verdade e um dinheiro limpo.

— Tudo bem então, garoto. Nesse caso eu vou aceitar seus pagamentos. Mas não se esforce demais Kailan. Eu não arquei com suas dívidas para que você acabasse se matando para me pagar também, sabe disso.

— Claro. Sempre serei grato e por isso mesmo faço questão de pagar até o último centavo. E o trabalho... Bom, com certeza é uma loucura em parte, mas definitivamente é bem melhor do que as outras que já fiz antes.

— Hum... — ele voltou a analisar o rapaz. — Você realmente está brincando com a minha curiosidade Kailan. Sabe que não gosto disso. No que está se metendo? E não minta para mim.

— Desculpa Rick, não posso falar. — Ele se levantou sorrindo de canto. — Mas garanto que logo, logo você vai ficar sabendo e entenderá. — Pegou sua touca de cima da mesa e a vestiu de novo. — Por favor, avise todos os outros também que estarei repassando as quantias para você.

— Pode deixar. E neste caso... — Rick se levantou também tragando mais um pouco do charuto. — Agora que você é um novo e controlado homem, por que não fica e aproveita a noite então? Por conta da casa, viu. Nem pense em colocar isso no seu débito.

Kailan olhou ao redor rindo. Estavam no segundo andar onde havia o bar e banheiros. No andar de baixo a música tocava alto enquanto um grupo de stripers se apresentava no palco principal. Além dele havia outros pequenos palcos para as dançarinas solos e uma porta que levava aos quartos para apresentações particulares.

— Agradeço a oferta, mas vou ter que passar Rick. Esse... Não é mais o meu mundo.

— Claro. — Rick deu um passo à frente abraçando o rapaz novamente e dando tapinhas em suas costas. Típico dele essa marra de poderoso chefão. — Você nunca combinou com essas coisas mesmo. Você nasceu para lidar com ambientes e pessoas mais elegantes. — Kailan deixou um sorriso de canto escapar.

— Mesmo que o Rick’s Pub tenha todas as paredes derrubadas e seja reconstruído do zero isso aqui nunca muda porque você continua o mesmo tiozão.

— Ora essa, moleque! — Rick cerrou os olhos um tanto ofendido enquanto Kailan que ria alto levou um tapa no ombro. — Tsk! Continua o mesmo pirralho também. Vai logo, dá o fora.

Kailan se dirigiu para a saída e ganhou as ruas novamente. Sentia-se mais leve. Pela primeira vez em anos tinha esperanças, tinha um plano e confiança o suficiente para pisar naquele lugar de novo. Respirou fundo o ar da noite se preparando para voltar para casa. Já é bem tarde mesmo. Pegou o celular desenrolando o fone de ouvido quando chegou a notificação.

Hyung
Jiune adorou a ideia. Está livre domingo para o almoço ou jantar?

Kailan não conseguiu conter o sorriso vendo a resposta de Hyung. Começou a digitar enquanto andava tranquilamente.

Kailan
Estou sim, para os dois. Kkkkkk
O que ficar melhor pra vocês.

Hyung
Heeey famoso Kailan. É a Jiune. O/
Então pode vim para o almoço e ficar pro jantar. Ashuashau

Kailan arregalou os olhos e parou relendo a mensagem pare ver se não tinha se enganado. O Hyung quer que... Eles querem que eu passe o dia inteiro com eles? Em casa?

Hyung
Como pode ver a Jiune tá bem animada para receber visitas.
Você topa?

Kailan
Claro. Por que não?

Hyung
Que bom! Nesse caso...O que quer comer?
Tem alguma alergia, alguma coisa que não goste?

Kailan
Não tenho nenhuma alergia e como qualquer coisa.
Não se preocupem com isso.

Hyung
Kailan, por favor não começa. Para com isso, é o convidado. -_-
Vou reformular então. Qual sua comida favorita?

Kailan
Ai, caramba. Ok.
Mas acontece que minha comida preferida é qualquer besteira de fast food ou pizzaria.
Mas entrei naquela dieta dos infernos tbm...

Hyung
Hum... interessante. Já tive uma ideia. Te esperamos amanhã então.
Estou no trânsito, assim que chegar te mando a localização.

Kailan
Ok.

Hyung
Não fique bravo nem nada, mas a Jiune insiste que eu devo perguntar...
Quer que mande o carro te buscar?

Kailan
Definitivamente não.

Hyung
Kkkk como eu esperava.

Kailan riu da resposta, mas começava a se sentir nervoso e ansioso. Achou que eles o convidariam para algum restaurante chique e isso já seria bastante desconfortável, mas ir para casa de Hyung... deveria ser mais cômodo, não? Por que me sinto assim então? Afastou os pensamentos, deu play na música e voltou a sua corrida. Acho que faz muito tempo desde que tive amigos, parece que me desacostumei.  


Notas Finais


¹Trecho da peça de Hamlet.
²Ajeosshi é uma forma em coreano de se chamar pessoas mais velhas, um senhor, um tio e etc. Não que o homem em questão seja extremamente velho.

A frase de abertura do capítulo é deu manhwa lindo que eu descobri por acaso e devorei em praticamente um dia e recomendo muito. Esse lance da "estrada de asfalto" também foi retirado de lá. Quem já tiver lido deve ter sacado a vibe do Hyung. Mas se você não ler, calma que pretendo explicar melhor também. ^^

Até semana que vem Stalkillers.
Abraços,
Vic.

Ps.: Qualquer referência no capítulo à "Destinados...?" não é mera coincidência. XD
Ainda vou fazer a ceninha do sapo, mas queria já de cara te fazer uma homenagenzinha também Mika.


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