História Açúcar - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Atrasado de novo? Sim! Posta do de madrugada? Também. Mas o dia só vira se eu dormir então ainda tô no prazo danese.

Mais um da TdbkWeek!!!

day 5: Age gap!

espero que gostem 🥰

Capítulo 1 - Capítulo único


Bakugou olhou pro teto mais uma vez. O espelho acima da cama era uma das coisas que mais o deixava envergonhado, porque ele lembrava de todas as coisas sujas que fizera com Shouto naquele lugar. Não se arrependia. 

Respirou fundo, sentando-se. Analisou o quarto. O lugar exalava riqueza. Tudo ali presente custava muito mais do que a casa e o carro — popular — de Katsuki. Todoroki tinha tanto dinheiro que se ele jogasse alguns milhões fora, ainda teria mais que o suficiente. Como Bakugou havia parado num lugar tao chique assim? Ele se perguntava todo dia. Só que sabia muito bem a resposta.

A ideia tinha sido de Kaminari. Bakugou completara 19 anos e conseguira passar em uma das melhores faculdades do Japão. Todos ficaram orgulhosos e muito felizes com a notícia, sempre souberam que o loiro era esperto dessa forma — além do mais, ele passou o ano todo se preparando.

Depois de muita festa e gritaria, Bakugou notou que ele jamais poderia pagar a universidade. Primeiro, era na capital, ou seja, um lugar relativamente caro para se viver e segundo, não dispunha da grana para pagar a faculdade. Seus pais tentaram convencê-lo que podiam pagar, porém Katsuki sabia que ia dar merda alguma hora, então não aceitou.

Quando estava com tudo pronto para se matricular na faculdade local, um pouco decepcionado e com vontade de explodir o capitalismo, seu amigo tagarela deu uma possível solução — que talvez não parecesse uma das mais agradaveis, mas era a melhor tendo em mente as circunstâncias.

— Que tal cê procurar um sugar daddy?

— Mas que porra? — o loiro perguntou carregando uma expressão carrancuda no rosto.

— Pensa bem, vei, cê é bonitão, jovem, seu pé não é um dos piores que já vi e tá precisando de grana — mexia as mãos para explicar seu ponto — Claro, não é uma das melhores companhias, mas a depender do daddy sua companhia não vai ser tão requisitada.

Denki recebeu um pescotapa pela última frase.

— Você tá sugerindo que eu transe com um babaca rico pra ganhar grana?

— Não precisa ser um babaca — recebeu um olhar feio de Bakugou — Enfim, se cê deixar por escrito as coisas que faria os que querem sexo num vão aparecer, né ó, bocó. E tu é pan, não precisa ser um daddy, uma mommy, ou ume theyddy também servem. — pensou um pouco — Mas não acho que sua sexualidade importe se tu não quer se envolver.

A princípio, o loiro negou. Não porque achava errado, as pessoas faziam o que bem entendiam, ele não tava nem aí pra isso. Só que havia uma vozinha dentro dele, um tabu talvez, dizendo que aquilo era errado.

Felizmente, esse pensamento sumiu quando percebeu que estaria tirando dinheiro de burguês, nada poderia ser melhor do que tirar dinheiro de burguês.

Dois dias depois, tinha uma conta no aplicativo. Sua bio dizia com todos os caracteres que ele não tinha interesse em sexo, ou contato físico e que outras coisas poderiam ser acordadas em uma conversa. Assim, curto e grosso.

Levou um tempo pra encontrar um cara que não fosse bizarro, na verdade, acabou ficando com uns caras bizarros só pra conseguir o valor da matrícula e dos primeiros meses, depois cortou relações com os mais “estranhos”.

Finalizava um trabalho quando recebeu a mensagem de Todoroki. Quando olhou sua foto ficou supreso. Aquele cara deveria ter a idade dele. Bakugou tinha feito questão de colocar caras ao menos uns 10 anos mais velhos, então por que aquele gostosão estava ali?

— Só pode ser fake essa porra — clicou na conversa meio descrente.

Shotodoroki: Olá

Sukiba: e aí

Shotodoroki: Você é muito bonito

Sukiba: obrigado

Shouto ficou um tempo sem dar uma resposta. Katsuki não estranhou, alguns caras ali costumavam ser bem lerdos, ou ocupados. Decidiu voltar sua atenção para seu trabalho. O fim do semestre se aproximava e as matérias estavam uma loucura. Entrara naquele aplicativo para estudar, não ia se distrair dos estudos porque dele — ainda mais por causa de um fake.

Shotodoroki: Eu sou novo aqui. Acho que não sei fazer isso haha

Enfia o haha no cu”, Bakugou pensou.

Sukiba: alguns caras começam com elogios, ent vc tá pelo caminho certo

Sukiba: mas vc sempre pode ir falando o que quer também

Sukiba: menos conversa fiada

Shotodoroki: Você é direto.

Sukiba: e vc é fake

Shotodoroki: Fake?

Sukiba: eu não ligo se vc for velho demais, ou feio

Sukiba: pode mostrar sua cara

Sukiba: nem fudendo que essa pessoa que vc achou no google tem 32

Sukiba: daria uns 24 no máximo.

Shotodoroki: Obrigado? Eu não sou fake, Bakugou. Te garanto isso.

O loiro revirou os olhos. Tudo bem ter autoestima baixa, mas mentir daquela forma era algo que irritava Bakugou. Iria dar um Google nele.

Quase cuspiu a água que bebia quando achou uma página da Wikipédia sobre a família Todoroki e o rostinho dele brilhava em uma fotografia. Procurou mais informações sobre aquele Todoroki em específico e ficou embasbacado quando descobriu que o não-binário — esse fato estava em seu instagram — tinha realmente 32 anos.

Ok. Então o cara da foto tinha a idade que o fake dizia ter. Ainda assim, não significava que ele fosse realmente Todoroki Shouto. Podia ser um rico aleatório querendo umas fotos mais íntimas tentado esconder sua identidade. Nada fora do comum.

O celular de Bakugou vibrou.

Shotodoroki: O que acha da gente se encontrar?

Uh. Agora Katsuki achava que ele era um traficante de órgãos que queria seus jovens e saudáveis rins.

Sukiba: eu não costumo sair com caras daqui. Tá na bio

Shotodoroki: Poderia abrir essa exceção pra mim?

Sukiba: e por quê? O que eu ganharia com isso?

Shotodoroki: Eu preciso de um par para um evento beneficente.

Shotodoroki: Mas queria te conhecer antes. Acho que ainda sou daqueles que preferem falar pessoalmente.

Sukiba: quanto?

Shotodoroki: Você pode decidir o preço.

Bakugou pensou um pouco. Se não fosse um fake, ele poderia lucrar muito com apenas um encontro e, caso houvessem outros, seu bolso ia ficar cheio. Tinha visto o patrimônio líquido da família dele. Era imenso.

Sukiba: me prove que não é fake

Shotodoroki: Posso te dar meu número?

Sukiba: sim

E ele mandou. Agora só bastava Bakugou chamá-lo. 

(...)

Shouto não soube ao certo quando, nem porque, se apaixonou por Bakugou.

O loiro tinha um temperamento divertido, quase sempre gritando e falando tantos palavrões que os ouvidos de Todoroki derretiam — isso quando ele não estava distraído demais admirando Bakugou, para escutar.

Talvez tivesse começado a gostar de verdade dele depois do terceiro baile que foram juntos.

Bakugou trajava um terno escarlate de linho, Shouto achou que combinaria com os olhos dele, tinha razão. A camisa social preta com a gravata na mesma cor, parecia incomodar o irritadinho, que mexia toda hora no acessório.

— Se continuar mexendo assim, vai estar todo amassado quando chegarmos — observou Shouto.

— Odeio essa merda — reclamou — Aperta.

O bicolor sorriu.

— Mas te deixa lindo.

Bakugou sentiu o rosto esquentar. Estava naquela para ganhar um dinheiro, então odiava quando Todoroki o fazia corar com seus elogios nada sutis.

— Cala boca.

O sorriso de Shouto surgiu mais uma vez. Como aquele filha da puta era lindo.

Antes, o baile era sempre a mesma chatice, pessoas fazendo discursos como se realmente se importassem sobre a causa exibindo seus altos cheques para pousarem de bondosos. Não que Todoroki ligasse para a motivação das pessoas, ao menos elas estavam doando o dinheiro ao invés de manter pra si mesmas. Mas era insuportável ver todos aqueles riquinhos agindo como salvadores.

Quando Bakugou começou a ir com ele, a situação inverteu. Claro, os riquinhos com síndrome de salvador ainda discursavam, porém a diversão se dava no momento em que ele o loiro começavam a fazer piadinhas sobre essas pessoas. Infantil? Talvez, contudo era o que deixava a festa menos chata.

— O bocudo do Monoma tá falando a mesma coisa do evento passado — Bakugou sussurrou no ouvido de Shouto, que riu baixo. Os dois perceram um flash na direção deles. Ah, a mídia.

Para a mídia, Katsuki e Shouto eram namorados de longa data, e Bakugou havia aparecido para as câmeras por agora. No geral, ele não se incomodava com as manchetes sobre eles dois, só que quando as pessoas na faculdade começaram a sussurrar por onde ele passava. As coisas mudaram.

— Aqueles filhos de uma desgraça tão falando de mim de novo — reclamou Bakugou enquanto se jogava na imensa cama de Todoroki.

Shouto era o daddy de Bakugou há quase um ano. Tinham passado por muitos bailes beneficentes juntos, além dos grandes jantares com outras famílias ricas. Possuíam história e intimidade. Acabaram virando amigos.

— Pensei que não ligasse.

— Não ligava, porra, mas é muito chato ouvir coisas como “só tá aqui porque é bancado pelo namorado rico” — resmungou.

Aquilo não deixava de ser verdade. Ele era bancado por Shouto, só que tinham um contrato. Era trabalho. Além disso, eles nem namoravam, mesmo que Bakugou quisesse muito — só não admitia que caíra nos encantos do meio-a-meio.

Todoroki olhou para o loiro. Sua posição era risível. Jogado na cama com as pernas e braços abertos enquanto olhava para si mesmo no espelho do teto.

— E qual o problema nisso? São só boatos, você sabe a verdade — se aproximou da cama.

— É, mas irrita pra caralho — deu espaço para Todoroki quase que automaticamente.

O meio ruivo deitou ao lado de Bakugou. Gostava da companhia dele. As vezes o convidava só pra ouvi-lo reclamar da vida, ou para vê-lo estudar, Bakugou ficava muito bonito quando se concentrava.

Todoroki ficou encarando Katsuki por um tempo. Tempo demais.

— Que é, porra?

— Eu posso te beijar? — perguntou sem pensar.

Depois de se dar conta do que disse Shouto tentou voltar atrás.

— Perdão, não precisa levar essa pergunta a sério.

— Ah, que pena. Adoraria te beijar

Foi naquele dia que eles se beijaram pela primeira vez. Bakugou adorou cada segundo — de todos os vários beijos.

(...)

A primeira briga deles dois foi confusa. O aniversário de 21 anos do loiro se aproximava. Bakugou deixou claro que não queria uma festa, várias vezes. Só que Shouto deu uma festa. E isso irritou o loiro profundamente.

— Caralho, bicolor de merda, te falei umas cem vezes que não queria a porra de uma festa — gritou quando todos foram embora — Pra piorar uma festa SURPRESA. Odeio surpresas, que porra.

Todoroki sabia que estava errado.

— Desculpa. É que você fala umas coisas que me deixa confuso — coçou a cabeça — Pensei que o não era um sim.

— Não. Meus nãos sempre são nãos — bufou alto.

— Eu posso fazer algo pra compensar? Há algo que você queira?

— Puta que pariu. Tu tá tentado comprar meu perdão? — olhou para Todoroki com nojo.

— Não, não foi isso que eu-

— Mano, vai se fuder.

Emburrado, Bakugou pegou suas coisas e saiu do quarto. Não queria conversar com Shouto. Não depois dele ter sugerido que Katsuki não passava de um interesseiro que poderia ser comprado assim sem mais nem menos. Precisava esfriar a cabeça.

Dentro o quarto, um Todoroki frustrado segurava o rosto nas mãos. Sentado na cama, pensava que possivelmente tinha fodido tudo com Bakugou.

A surpresa não foi ideia totalmente dele. Sua mãe queria porque queria que o namorado do seu filho tivesse um aniversário legal. Bem, mamãe, a surpresa foi uma péssima ideia. Suspirou. E, mais, pra piorar a situação Shouto ainda foi babaca o suficiente pra sugerir que Bakugou era fácil de comprar — não tinha sido a intenção dele, mas acabou soando dessa forma.

Sentiu uma vibração no bolso. O celular. Pegou com certa pressa para conferir se era Bakugou.

Katuski: ei, babaca

Shouto: olá

Katsuki: esqueci meu notebook aí traga pra mim

Shouto: ok

Era quase duas da manhã. Entretanto, Todoroki não se importava, queria resolver aquele mal entendido. Levantou da cama e, ao pegar o notebook, pode perceber que estava ligado e desbloqueado. Não entendia como tinha demorado pra notar, mas o papel de parede era uma foto deles dois. A primeira selfie, tirada há quase dois anos atrás. Respirou fundo e fechou a tela do notebook. Merda.

Chegou na casa de Bakugou rápido, graças ao seu carro caro de 490 cavalos. Tocou a campainha esperando ser atendido pela mãe dele. Sentia uma aflição subindo no seu peito, tinha medo de ter fodido com tudo.

Surpreendeu-se quando a porta abriu. Bakugou o recebera aos beijos, literalmente. A aflição foi sendo substituída por confusão. Que porra tava acontecendo?

— Bakugou eu- — tentou falar entre os beijos.

— Cala boca, porra — o puxou pela gravata para dentro da casa.

— Nós precisamos-

— Não precisamos não — Todoroki não conhecia a casa do loiro tão bem, mas pôde perceber que estava sendo guiado para o quarto.

— Bakugou, nós-

— Acabamos de brigar é, eu sei — abriu a porta do seu covil.

Katsuki era muito organizado. Shouto sabia disso, então não foi surpresa quando entrou no quarto dele e tudo estava em seu devido lugar.

— Desculpa por dizer aquilo — falou — Eu não estava me referindo a dinheiro, bem, não necessariamente.

O loiro olhou para a boca do não-binário a sua frente, depois para os olhos. O arrependimento e culpa eram visíveis.

— Tsc. Desculpa por ter ficado puto — disse — Não queria uma festa. Sério.

— Eu deveria ter te ouvido.

— Deveria mesmo, seu bastardo de merda. Agora cala a boca e me come.

Shouto riu. E fez assim como Bakugou pediu. Então era aquilo que os livros chamavam de sexo de reconciliação?

(...)

— Acordou cedo — Todoroki chegou com uma bandeja de comida.

— Sempre acordo — disse Katsuki sendo puxado de volta para a terra, ou melhor, para o presente.

— Porém não precisava — deixou a bandeja na mesa de cabeceira e andou até Bakugou, depositando um beijo em sua testa, ato que fez o loiro corar — A formatura é hoje a noite, precisa estar descansado.

Bakugou revirou os olhos.

— Não é como se eu fosse fazer muita coisa lá.

— Ah, não, você é só o orador — brincou. A convivência tinha deixado alguns traços de Bakugou em Shouto, a ironia foi um deles.

— Idiota — mostrou o dedo do meio.

Todoroki olhou para o gesto obsceno que Bakugou fazia com a mão e sorriu. Ele estava usando o anel de noivado no dedo do meio — o que era bem estranho, mas o fato dele estar usando o anel deixava Shouto bobo.

O acordo deles dois havia acabado há um tempo, quando Bakugou conseguiu um estágio remunerado na área dele — já tinha um emprego nessa altura do campeonato. Só no final do último semestre da faculdade, que Todoroki propôs. Bakugou quase não acreditou — tanto que disse “não” quando Shouto pediu, o bicolor ficou realmente triste, até o loiro mudar a resposta desesperadamente.

— Posso perguntar algo? — disse o meio ruivo.

— Fala — Katsuki respondeu enquanto abocanhava um pedaço de torrada.

— Por que você usa o anel no dedo médio?

— Ah, essa é fácil — sorriu maldoso — É pra mostrar toda vez que eu mandar alguém ir se foder.

Todoroki riu alto. Deveria ter esperado uma resposta assim, afinal, aquele era Bakugou. Seu Bakugou — e futuramente, quem sabe, Todoroki.

Alerta de spoiler: acabaram tendo que decidir no par ou impar quem mudaria o sobrenome. Bakugou perdeu — mesmo tendo esfregado o novo sobrenome na cara de todo mundo que conhecia um tempo depois.



Notas Finais


então? sou muito apaixonado nesses dois então faço gayzisses fodase.

espero que tenham gostado (deixem uns comentários preu saber o que cês acabaram). obrigado por ler até aqui!

that's it!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...