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História Ad Astra per Aspera - Capítulo 8


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Notas do Autor


Obrigada‌ ‌Mary ‌pela‌ ‌betagem‌ ‌e‌ ‌pelas‌ ‌dicas.‌

Capítulo 8 - Crescit eundo


Capítulo 7 - Crescit eundo

(Cresce conforme vai)

    Sirius estava sentado em sua cama, os braços apoiados nos joelhos e a cabeça apoiada nas mãos. Sua mente estava uma bagunça; os eventos da noite anterior se reprisavam sem parar em sua cabeça. Ele não queria nem imaginar o que poderia ter acontecido se James não houvesse chegado a tempo. Sirius havia pregado uma peça estúpida em Snape. Num momento de impulsividade devido à raiva que sentia do sonserino, ele colocara a vida de Snape em perigo. Quando ele disse para Snape como acessar a Casa dos Gritos, ele não havia pensado nas consequências. No entanto, agora ele percebia o quanto fora idiota.

    Ele deveria ter pensado além de sua tentativa de vingança contra Snape. O segredo de Remus era algo completamente torturante para o garoto. Remus se sentia mal por ser quem ele era, sentia que era um perigo para todos, se sentia inferior. Sirius agora pensava em como Remus teria se sentido se ele houvesse acidentalmente ferido ou até matado Snape em seu estado de lobisomem. Seria um trauma que Remus jamais superaria. Sirius não podia acreditar que fora tão egoísta em relação ao segredo de Remus. A condição de Remus não era uma arma para ser usada quando algum de seus amigos quisesse vingança contra seus desafetos, era algo sério que causava uma profunda dor no amigo.

    Por outro lado, havia também todas as implicações que um eventual ferimento ou morte de Snape trariam. Se Snape houvesse morrido, Sirius teria que carregar essa culpa pelo resto da vida. Ele nunca gostara de Snape, ele não negava isso, mas não significava que ele queria vê-lo morto ou ser responsável pela morte dele. Sirius não era um assassino. Se houvesse acontecido algo grave com Snape, muito provavelmente o segredo de Remus teria sido exposto para todos, arruinando a vida do garoto. Além disso, Sirius enfrentaria graves consequências pela brincadeira sem graça que fizera.

    Sirius seria eternamente grato a James por ter salvo Snape de ser atacado por Remus. Naquela noite, quando Snape fora até o Salgueiro Lutador, Remus sentira seu cheiro. Apesar de estar sob o efeito da poção Mata-Cão, Remus conseguira se soltar das correntes que o prendiam. Os Marotos não sabiam ao certo porque, talvez ele tenha se irritado com a presença incomum no local, talvez fosse por não gostar de Snape, ou até mesmo a poção poderia não ter sido tão bem preparada, mas Remus, mesmo enfraquecido, perseguira Snape pelo túnel, até os terrenos de Hogwarts. James e Peter, de início não souberam o que estava acontecendo, mas Sirius, quando viu que sua brincadeira havia saído completamente de controle, alertou os amigos. James foi quem conseguiu localizar Snape. Ele estava na Floresta Proibida, prestes a ser atacado por Remus. James, em sua forma animaga, lutou contra o lobisomem, permitindo que Snape escapasse ileso.

    Era claro que, com aquele incidente, Snape odiaria os Marotos, e principalmente Sirius, mais do que nunca. Pelo menos Dumbledore se encarregaria de que Snape não revelasse o segredo de Remus a ninguém. Quanto a isso Sirius poderia ficar tranquilo. No entanto, o garoto ainda estava tendo que lidar com as reações dos amigos ao que ele fizera. Ele havia contado tudo a Remus assim que ele voltara a sua forma humana. Remus havia ficado chateado, mas o perdoara, dizendo a Sirius que ele precisava aprender a controlar sua natureza impulsiva. Remus sempre fora o melhor dos quatro amigos, mesmo que ele não acreditasse nisso. Sirius estava muito grato por ele tê-lo perdoado. James e Peter lhe disseram o quanto ele fora idiota, mas não se prenderam muito ao assunto, deixando que Sirius ficasse sozinho. Eles já não estavam bravos com o amigo, apenas queriam lhe dar espaço e, enquanto Sirius refletia, eles prestavam apoio a Remus.

Sirius se deitara em sua cama. Depois de muito refletir, sua mente agora focava em Emilly. Ele pensava no que ela diria se soubesse do que ele fez. Ele tinha certeza de que ela o acharia um monstro, um inconsequente. E ele não poderia culpá-la por isso. Sirius precisava amadurecer, parar de gracinhas contra Snape. Por mais que o sonserino fosse uma pessoa ruim, Sirius precisava evitar brigas com ele. Ele precisava se tornar uma pessoa melhor, por Emilly.

-x-

     Emilly estava sentada em cima de uma das mesas da sala de Defesa Contra as Artes das Trevas, suas pernas balançando ligeiramente. Ela conversava com Sirius enquanto esperava a aula começar.

    – Hoje tem jogo contra a Lufa-lufa, não é? – ela perguntou.

    – Tem. Espero que dessa vez a gente ganhe – Sirius respondeu, dando um meio sorriso. Ele estava em pé em frente à ela. As amigas de Emilly estavam conversando entre si ali perto, e Emilly vira que os amigos de Sirius faziam o mesmo. Era engraçado que, depois de se preocupar tanto com Sirius, agora ela gostasse da companhia dele a ponto de estar conversando com ele ao invés de Lily e Alice. Eles haviam ficado muito próximos ao longo das últimas semanas, e Emilly estava feliz em retomar sua antiga amizade com ele.

    – Vocês vão bem! Vocês têm treinado muito – ela sorriu. Sirius havia lhe contado da rotina de treinos do time da Grifinória. Eles estavam se esforçando para tentar compensar a última derrota.

    – Oi, Emilly! – A garota foi surpreendida por duas mãos em sua cintura. Era Jack. Ele lhe deu um beijo e, em seguida, cumprimentou Sirius.

    – Eu guardei um lugar para você – Emilly disse, apontando para a mesa ao lado da qual ela estava sentada.

    – Eu vou me sentar antes que o professor chegue – disse Sirius, se despedindo de Emilly e Jack. Ele foi em direção ao seu típico lugar no fundo da sala se juntar aos seus amigos.

    Pouco tempo depois, a aula começou. Tudo transcorreu como de costume e, após o professor dispensar a classe, Emilly se dirigiu a Jack, animada:

    – Vamos para os jardins? – ela perguntou. Ela e Jack haviam combinado há alguns dias que passariam aquela tarde juntos.

    – Emilly… – Jack hesitou. Emilly franziu as sobrancelhas, esperando pelo que ele iria dizer. Ela já imaginava o que poderia ser. – Eu não vou poder ir hoje.

    – Você anda meio enrolado ultimamente, Jack – Emilly disse, a irritação transparecendo em sua voz, embora ela tentasse permanecer calma.

    – É que eu e meus amigos estamos com muita lição atrasada para entregar na segunda – argumentou Jack.

    – Você poderia ter se planejado melhor ou, no mínimo, não ter me avisado em cima da hora! – Emilly não cedeu.

    – Me desculpa, Em. Eu não queria ter que desmarcar assim, mas eu preciso – Jack se lamentou. Em seguida, dois alunos da Corvinal, um garoto e uma garota, se aproximaram dele. – Eu tenho que ir – ele disse, se inclinando na direção de Emilly e lhe dando um beijo de leve na bochecha antes de sair da sala.

    Emilly ficou parada em frente à sua mesa por alguns instantes, tentando absorver o que acabara de acontecer. Ela recolheu seu material e guardou na mochila, segurando as lágrimas que teimavam em querer cair. Ela olhou ao redor, suas amigas já haviam ido embora para sabe-se lá onde, achando que ela estaria com Jack pelo resto da tarde daquele dia. Ela queria alguém para poder conversar, mas ela não sabia onde Lily e Alice haviam ido, então ela saiu da sala apressada, pensando em se trancar em seu quarto no Salão Comunal.

    – Emilly. – Ela ouviu a voz familiar de Sirius chamando. – Você está bem? – Ele se aproximou dela. Emilly não fazia ideia de porquê Sirius não estava com seus amigos, mas ela não pensou muito sobre isso. Ela podia sentir que seu rosto estava quente. Sirius provavelmente percebera que ela estava tentando segurar o choro.

    – Estou… – ela disse. Sua voz fraca,  no entanto, dizia o contrário.

    Sirius a olhava atentamente, como se tentasse ler suas expressões faciais. Ela desviou o olhar do dele e tentou respirar fundo. Antes que ela se desse conta, as lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. Sirius se aproximou mais.

    – Emilly – ele disse, soando preocupado.

    – É só que… O Jack. – Emilly tentava dizer por entre o choro. Nesse momento, antes que ela pudesse perceber, Sirius a abraçou. Ela ficou imóvel por alguns instantes, tentando entender o que estava acontecendo, até que decidiu que precisava ser confortada por um amigo e abraçou o garoto de volta. Ela respirou fundo algumas vezes, enquanto Sirius simplesmente mantinha seus braços em volta dela. Quando ela se acalmou, se afastou lentamente dele, corando de leve.

– O Jack, ele inventou mais uma desculpa para não sair comigo. Ele vem fazendo isso ultimamente –  ela explicou, já mais calma. – Ele diz que não é nada de mais, mas eu não consigo acreditar. Eu fico pensando se ele não está me traindo ou algo assim.

    – Calma, Em – Sirius falou, gentilmente. – Provavelmente não é nada. Ele não seria louco de fazer isso, você é incrível! – Emilly sorriu com o elogio e Sirius prosseguiu. – Talvez você devesse falar com ele que o que ele está fazendo está te magoando, ele vai entender.

    – Obrigada, Sirius! – ela sorriu. Ela teria uma conversa séria com Jack da próxima vez que o visse.

    – Por que você não vai ao jogo de quadribol hoje com suas amigas? – Sirius sugeriu. – Aí você se distrai um pouco dessa confusão.

    – Ok! – ela disse, se sentindo um pouco melhor. – Boa ideia!

    Eles seguiram juntos até o Salão Comunal da Grifinória, conversando sobre a partida.

    – Boa sorte no jogo, Sirius! – desejou Emilly, quando eles chegaram ao Salão. Em seguida, ela subiu para seu quarto para procurar por suas amigas.

-x-

– Almofadinhas. – Sirius ouviu James chamar. Ele se virou e notou que os amigos estavam sentados nas poltronas num dos cantos do salão. Ele foi até eles, já prevendo o que James diria. – Ah, então é por isso que você pediu para a gente vir na frente! Você queria falar com a Emilly! – Exatamente o que Sirius achara que ele diria. James gargalhava, sendo acompanhado pelos amigos.

    – Claro que não, Pontas! Foi só uma coincidência – ele mentiu. A verdade é que ele havia escutado parcialmente a conversa entre Emilly e Jack enquanto saía da sala de aula, então decidira esperar por ela na porta, imaginando que ela ficaria triste com o idiota do Jack.

    – Sei! – provocou James, rindo ainda mais alto. – O Sirius está apaixonadinho pela Emilly! – ele zombou.

    – Cala a boca, Pontas! – Sirius se apressou em dizer, olhando ao redor para ver se mais alguém além dos Marotos havia escutado. – Para de berrar essas idiotices antes que alguém escute! A Emilly tem namorado.

    – Ah, se não tivesse então… – falou Peter.

    – Merlin! Não tem nada a ver! – Sirius tentou disfarçar. – Nós somos só amigos.

    Remus pareceu deixar o assunto de lado ao ver a irritação de Sirius; James e Peter, no entanto, continuaram rindo do amigo por um bom tempo.

-x-

    Mais tarde naquele dia, Emilly estava com suas amigas na arquibancada da torcida, esperando o jogo da Grifinória contra a Lufa-lufa começar.

    – Então o Sirius te convidou para ver o jogo? – perguntou Alice, aparentemente de forma inocente, mas Emilly conhecia a garota.

    – Ele não me convidou, ele sugeriu que nós três viéssemos ver já que o Jack furou comigo – Emilly explicou.

    – Não deixa de ser fofo. – ponderou Alice, ao que Emilly revirou os olhos. – Que foi? – respondeu a garota. – Ele tem estado bem mais próximo de você, não é?

    – Sim. – Emilly ergueu uma sobrancelha, aborrecida. – Nós somos amigos.

    – Ninguém está duvidando que você veja ele como amigo, Em – disse Lily, tentando acalmar a amiga.

    – Mas nós achamos que ele gosta de você! – interrompeu Alice. Emilly corou, fazendo com que a amiga risse.

    – Você é impossível, Allie! – Emilly falou. – Não é nada disso, vocês ficam vendo coisas onde não tem nada.

    Vendo que Alice resolvera não insistir mais no assunto, Emilly decidiu mudar o tópico da conversa:

    – Vocês acham que temos chance? – ela perguntou. Alice abriu um largo sorriso e Emilly franziu o cenho, sem entender. Até que ela percebeu o que Alice estava fazendo. – Você é impossível, Allie! Estou falando do jogo!

    Alice gargalhou.

    – Você sabe que eu gosto do Jack! – Protestou Emilly. Mencionar o namorado agora ainda a incomodava um pouco, ela ainda estava magoada com ele.

    – É brincadeira, Em. É claro que eu sei! – Alice resolveu apaziguar os ânimos. – Eu acho que a Grifinória tem chances – acrescentou após alguns instantes.

    – Espero que a gente vença! Já tem um tempo que a Grifinória não ganha o campeonato – disse Lily.

    Os jogadores de ambos os times entraram em campo, montando em suas vassouras e alçando voo. Emilly localizou Sirius, que segurava seu bastão de batedor, e depois James, que mantinha uma pose arrogante em cima da vassoura.

    Quando a partida começou, os apanhadores voaram para o alto, ficando acima dos outros jogadores, observando o campo atrás do pomo de ouro. James conseguiu pegar a goles e marcara um gol logo no início, abrindo uma pequena vantagem contra os adversários. Os artilheiros da Grifinória estavam trabalhando duro para manterem a goles em suas mãos, marcando alguns pontos e expandindo a vantagem sobre a Lufa-lufa. Emilly viu Sirius defender um dos artilheiros de um balaço, acertando a bola com o bastão e desviando-a na direção do time adversário. Os artilheiros da Lufa-lufa foram obrigados a interromper sua sequência de passes em direção aos aros da Grifinória. Fora uma boa jogada de Sirius, que possibilitou que a Grifinória recuperasse a goles. Ele realmente era muito bom, estava jogando até melhor que no ano passado.

    A Lufa-lufa acabou marcando alguns gols, porém a Grifinória continuava na frente. Emilly observou Sirius mergulhar com sua vassoura rapidamente na direção de James, salvando-o de um balaço lançado pelo batedor da Lufa-lufa. 

“Merlin! Quadribol podia ser um esporte bem perigoso. Ainda bem que Sirius agiu rápido” pensou Emilly, que ainda cobria a boca com as mãos devido ao susto. Ela achou que James seria atingido.

Quando o apanhador da Grifinória pegou o pomo de ouro, a torcida da casa explodiu em gritos de vitória. Emilly sorriu; fora uma ótima ideia de Sirius que ela fosse ao jogo. Até que sua tarde não fora tão ruim quanto ela imaginava que iria ser.

-x-


Notas Finais


Chegamos no meio da fic yey! Até semana que vem com mais um capítulo!


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