História Addiction - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Reita, Ruki, Uruha
Tags Aoiha, Reituki, Yaoi
Visualizações 88
Palavras 4.167
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oioioi, amanhã tem Deux e não sei como vai rolar, normalmente posto junto, mas como agora posto nos sábados então já vou deixando ae.
Espero que curtam.

FABIANAAAAA obrigado por essa revisada e corrigida marota cheia das perfeição :p

Boa leitura.

Capítulo 7 - Na teia.


Fanfic / Fanfiction Addiction - Capítulo 7 - Na teia.

A taça de vinho foi colocada diante dele assim que saiu de seus lábios rosados, mas não foi acompanhado pelos olhos de Shiroyama Yuu por que eles permaneceram naquela perfeição que olhava para fora, não podia simplesmente tirar os olhos dele.

Sabia perfeitamente que dia era aquele; o dia de sentir os sinais que sua teia deu certo e agora poderia tecer em volta dele com toda a vontade que tinha de venera-lo, de fazer com que ele soubesse que era sua inspiração pela vida.

E Kouyou gostava de se sentir “abstratamente” importante.

O mundo de Shiroyama era todo composto por abstração, nada era realmente resumido em um foco comum, nada era muito simples e nem logico. Ele apenas... Sentia.

E sentir é abstrato.

Talvez devesse responder isso na próxima vez que aquele baixinho mala que Kouyou sempre arrastava para os encontros perguntasse o que era um maldito livro abstrato.

Mas acreditava que ele não tinha sensibilidade para compreender os fatores divinos do sentir.

Não como Kouyou.

Kouyou era um típico produto da perfeição, aquele tipo de perfeição cruel que os Deuses gostam de por na terra para testar outros mortais e fazer com que sentissem inveja. Aos olhos de Shiroyama até os Deuses deveriam ter inveja de Kouyou.

Sabia que ele não tinha um caráter divino, mas não eram assim as beldades que ele tanto viu se criarem mitos ao redor?

Se pudesse comparar, poderia dizer que Kouyou era seu próprio Dorian Gray; belo, jovem, perfeito e formoso, mas como todas as coisas belas estão fadadas de características cruéis levadas pelo hedonismo.

Para Shiroyama pouco importava desde que ele pudesse ser e agir com perfeição enquanto estavam juntos; isso sim valia a pena quase levar uma bala na cabeça, isso sim valia a pena estar cada dia mais distante de sua esposa, a Escrita, valia a pena tudo.

Seus instintos humanos, instintos de Homem já lhe alertavam que mal podia esperar para colocar as mãos naquele corpo físico e explora-lo em cada pedaço de pele que ele expunha.

Mal podia controlar o ímpeto de lhe arrancar aquelas roupas e sentir qual seria verdadeiramente o gosto da sua pele, de seus lábios.

— Você é muito criativo quando se trata do caráter de certos personagens, Yuu. — ele comentava enquanto olhava para o amplo jardim da pequena mansarda que Yuu se escondia.

A casa estava atrás deles, enquanto ali fora naquele pergolado feito de bambu onde trepadeiras faziam sombra, abaixo deles, um chão de tablado clarinho onde almofadas eram jogadas em volta da pequena mesa de madeira branca. Mais a frente, podiam ver o jardim com flores variadas para aquela época amena do ano enquanto a fonte transformava a tranquilidade da água corrente em uma eterna cantoria, atraindo pequenos pássaros e borboletas.

— Qual deles, em especifico? — Shiroyama disse atirando um pedaço do queijo disposto na bandeja no centro da grama, e sorriu quando um passarinho o levou com o bico.

Kouyou riu daquele gesto de Yuu e quando ambos se entreolharam, qualquer outra fonte de atenção foi esquecida.

— Hmm... Sabe em A Grande Ponte? — Kouyou disse. — Este último que comprei... Você escreveu sobre a criada da casa, a menina cega que conhecia tão bem a casa que não precisava enxergar lá dentro. Mas no fundo ela era a vilã da história, era ela a causadora daqueles monstruosos ataques “fantasmas” acontecerem. Ela não sofria por que não via, e ficava satisfeita por isso.

Yuu soltou uma gargalhada.

— Acha que a Ceci era uma vilã? Ela só era uma pobre moça cega, Kouyou. Era a heroína da historia.

Kouyou entornou mais um gole de vinho, contrariado.

— Pois eu não vejo assim. Ela era uma sem vergonha!  Além de seduzir o filho da Madame Fleuri, ela fazia tudo para ser digna de compaixão...

— Ela é cega, Kouyou. — replicou sarcasticamente.

— Ela não é cega quando erguia a saia. — retrucou em tom de deboche. — É disso que estou falando. Você consegue deturpar a visão que tem do caráter de certas pessoas e acho que você como escritor só enxerga o que quer, mas mesmo assim... Você mostra o pior lado pro leitor e torce que acreditemos no que você diz.

— Desta vez não colou. — disse orgulhoso por Kouyou ver algo a mais naquele lixo que escreveu e sequer sabia que havia algum tipo de profundidade a não ser seu natural ponto de vista. — Acho que as pessoas são mais complexas que apenas “bom e mau”. Tudo depende de um ponto de vista. Como na vida. Há pessoas que gosto e outras que não gosto. Não necessariamente meu ponto de vista de pessoas que não gosto é o correto.

Kouyou se debruçou sobre a mesa com aquele sorriso brincalhão em seus lábios.

— E de mim? O que acha de mim se eu fosse um personagem?

Yuu o encarou por alguns segundos e bebeu um gole do vinho sem tirar os olhos dele.

— Você não precisa ser classificado como bom ou mau, você é perfeito.

Aquela frase trincou a expressão segura dele, sabia que aquela frase iria direto no seu ego e se instalaria lá.

Enrolar a teia, enrolar a teia, enrolar...

— Eu não sou perfeito. — replicou desviando o olhar. — Tenho tantos defeitos quanto qualquer pessoa.

— Irrelevantes. — contestou. — A perfeição pode ser definida não como não ter defeitos. Mas sim como algo ou alguém que apresenta defeitos, mas que esses seus defeitos são ofuscados pelas suas qualidades, fazendo com que eles se tornem invisíveis aos olhos das pessoas.

— E qual é a minha qualidade? — perguntou confuso, sentindo que estava facilmente caindo em alguma armadilha que queria cair. — E já que sabe tanto sobre mim quero saber.

Yuu o encarou com aquele olhar sedutor, o resquício de um sorriso, deu de ombros.

— Acha que as flores se importam de terem defeitos ou qualidades? Elas apenas o são perfeitas e nada disso tem o menor valor.

Kouyou mordeu o canto dos lábios e abaixou a cabeça.

— Você é engraçado, Yuu.

— Eu sou imperfeito, Kouyou.

— Ah, você é? — disse sem graça.

— “O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor é levar o ser humano a perfeição”.

Os olhos felinos de Kouyou o encararam. Gostava daquele modo surreal que Shiroyama sempre falava com ele, como se estivesse ali disposto apenas para massagear seu ego.

— É uma música?

— Não. – riu achando adorável o modo tímido que ele estava se portando. — É Aristóteles.

Kouyou saia com todos os homens que apareciam pela frente, havia lhe confidenciado que dormia com todos eles, mas estavam saindo há quase três ou quatro meses e até agora ele parecia estar se guardando. Isso fazia Shiroyama sentir que deveria ser especial de alguma forma.

Mas não queria mais ser especial, já era hora do próximo passo. Era hora de se sentir imperfeito corrompendo a perfeição.

Era hora de não serem abstratos, era hora de se tornar profano e carne.

Puramente carne.

Kouyou sentia aquele olhar penetrando em suas células, se instalando dentro dele como um vírus. Não sentia nada tão genuíno havia muito tempo.

Não houve tempo para mais nada ser dito.

Não precisava.

Quando Kouyou se arrastou pelas almofadas em um gesto único e se atirou contra os lábios de Yuu, foi como se nem todos os chapéus e joias caras que Kai lhe dava pudessem pagar por aquilo.

Kouyou o queria, queria tanto que sentia-se cada dia um pouco pior por ser uma pessoa tão mesquinha e desleal como era, mas Shiroyama via nele algo que ninguém mais via e isso aquecia seu peito.

Não era apenas um interesse como com os outros.

Quando sentiu o gosto daquela respiração, Kouyou ficou á par do que há muito tempo um dia Takanori lhe falou e ele jamais experimentou; estava apaixonado.

Era Shiroyama quem ele queria.

Enquanto as mãos dóceis dele tirava suas roupas, enquanto acariciava seu rosto e analisava a pele que havia por baixo daqueles tecidos de grife, Kouyou já arfava. Queria mais que ele arrancasse toda aquela hipocrisia que revestia sua carne, queria que jogasse em alguma fogueira os resquícios de Kai, queria jamais precisar voltar para aquele apartamento e ter que mentir, mentir, mentir...

Kouyou apenas queria ser amado, ele próprio se via como um clichê, mas era a grande verdade. Queria ser amado do jeito certo.

Embora Kai lhe amasse do modo conveniente, nada superava a paixão que via nos toques e olhares de Yuu sobre si, como se o venerasse, como se amasse cada pedaço de seu ser.

Nunca foi de implorar, mas estava quase chorando baixinho e implorando que “por tudo que ele mais amava” queria o sentir dentro de si logo, urgente, já haviam perdido tempo de mais. Queria saber como era receber alguém em seu corpo que o amava e não que estava pagando por ele.

Enquanto empurrava aquela irritante calça de Shiroyama com os pés, passando as pernas em volta de seu corpo, Kouyou se ouvia gemendo tão alto quanto um descontrolado. Deitado naquelas almofadas e rodeado de uma natureza artificial em volta de si, nada parecia mais romântico, mais puro, mais verdadeiro.

— Pelo amor de Deus... — finalmente chegou no ponto de implorar enquanto o puxava contra si.

Yuu sequer havia tirado as roupas, tinha as calças nos joelhos, era sarcástico aquilo, nada parecia mais vil e profano que se deleitar de uma beldade com as calças nos joelhos.

Se não fosse tão insuportavelmente engraçado, se não fosse um detalhe que lhe fazia rir de amargura, teria a tirado completamente, mas assim podia sentir-se mais terrível que sabia que era.

Quase como um simbolismo de um abuso, o simbolismo de sua índole ruim.

Ao entrar nele, encarou seu rosto se modificando para aquela expressão de dor e êxtase que tanto imaginou como seria. Sentia as unhas bem feitas e pintadas de negro apertando seus braços, as coxas bem delineadas comprimindo sua cintura enquanto o encarava para gravar cada pequeno detalhe.

Era assim que se desgraça uma flor então.

Era essa a sensação de se sentir profanando a perfeição.

Sem delicadeza, sem parecer sequer haver amor, Shiroyama apoiou-se nos braços ao lado do corpo dele enquanto via a respiração sair de seus lábios cheios carregadas de um gemido selvagem de loucura.

Quando ouviu com aquela voz sensual que ele tinha seu nome ser chamado, gritado, proferido como a uma oração, Shiroyama sabia que não precisavam de um sexo cinematográfico, que durasse horas. Pois tudo o que seus corpos queriam, desde o inicio era aquilo.

Seu corpo pelo menos, seu corpo queria o atirar no chão, vê-lo desfazer aquela perfeição, borrar a maquiagem entre o suor e as suplicas, desfazer seu cabelo bem feito. Ia além, queria rasgar suas roupas, deixar marcas em sua pele de marfim, queria vira-lo do avesso se fosse possível e provar de seu sangue.

Queria saber qual era o gosto das vísceras de um anjo.

Queria cair com ele em completa e total danação.

Já não restava mais nada além de prazer carnal ali. Quando Kouyou abriu os olhos e procurou pelos lábios de Yuu, esperando assim ver um semblante apaixonado, deparou-se com uma expressão fria, quase inanimada que o assustou.

Por alguns segundos foi como se um arrepio de terror lhe percorresse o corpo suado embaixo daquele corpo completamente vestido sobre ele.

Yuu não parecia apaixonado como via tantos homens com aquela expressão de deleite, não, ele parecia algo muito mais primitivo. Era como se estivesse o estudando.

Kouyou quase pediu para que ele parasse, pois sentia-se sendo devorado de uma forma que acreditava que ser humano nenhum poderia ser.

Yuu não era o Yuu romântico, não era aquele homem que lhe sorria tão sedutor e lhe falava frases bonitas, ali era...

Um louco.

Não parecia amor, parecia um fanatismo que o assustava.

Ou não? Podia muito bem ser coisa da sua cabeça, destreinada para qualquer emoção que fugisse daquele automático de Kai que se pudesse leria o jornal enquanto estava sobre ele.

Kou sentiu seus olhos se encherem, quase transbordarem de lágrimas, sentiu o terror invadindo seu corpo...

Invadido não, ele já estava lá. Estava já dentro dele, invadido, dilacerando-o, tocando tão fundo em sua alma que cada vez que o sentia em um ponto sensível seu, um gemido escapava de seus lábios, mas nada, nada parecia escapar daquele olhar que por muito tempo lhe pareceu bestial, maligno.

Kou cobriu o rosto com as mãos, seus olhos não suportaram tantas lágrimas, não suportaram saber que em cima dele o montando como a um animal estava um sujeito que o invadia com a certeza de um dono que marca o gado.

Ou seria imaginação?

Não sabia o que estava acontecendo ali, mas seja lá o que fosse não era assim que queria as coisas. Não foi assim que imaginou-se entregando-se a ele, mas chorou por outras razões que não sabia classificar.

Uma delas, entre tantas era que os lábios de Yuu pela primeira vez se mostraram com uma reação, um sorrisinho maléfico quando ele passou a chorar.

A segunda das infinitas razões era justamente que ele não parou para lhe perguntar por que chorava, por que estava aterrorizado, afinal, não era um choro de emoção, Kou pode ler claramente a satisfação no rosto dele quando o pegou sentindo pavor.

E mesclando tudo aquilo, embalando a sinfonia infernal como um laço bonito de fita que fechava uma elegante caixa de presente recheada de escorpiões venenosos, havia o prazer sufocante que a frieza e bestialidade dele o causava.

Queria perguntar por que. Por que ele era daquele jeito, mas as palavras ficaram engasgadas em sua garganta junto com os gemidos de pavor e vergonha enquanto se derramava entre seus corpos, sujando a camisa de linho de Shiroyama que pareceu achar aquele gesto de uma nobreza tão fascinante que presenteou-o com seu próprio prazer.

Ele nem gemia, pensava Kouyou, apenas respirava descompassado como se estivesse praticando um exercício, um treino.

Shiroyama sequer caiu sobre ele como tantas vezes Kai fazia.

Cristo, até mesmo Kai que controlava a tudo e todos depois de algum tempo de sexo mecânico se deixava cair sobre seu corpo, receber pequenos afagos na nuca.

Até mesmo o diabo do Kai fazia aquilo, mas não Shiroyama que apenas voltou para o seu antigo lugar, enquanto fechava os botões abertos da calça e tirava a camiseta agora maculada com sêmen.

Kouyou permaneceu com as mãos no rosto. Soluçava baixinho, não tinha coragem de tirar as mãos de frente ao rosto e constatar que Shiroyama Yuu havia tirado a roupagem de homem e agora provavelmente era alguma espécie de monstro alienígena ali.

Estava totalmente nu, sujo, sujo como jamais achou que alguém poderia suja-lo. Não com os resquícios do sexo, mas sentia-se tão sujo por ter permitido aquilo, por ter se doado gratuitamente.

Se houvesse dinheiro envolvido, pelo menos poderia justificar.

Fiz por dinheiro”, mas assim, de livre e espontânea vontade...

Não, isso estava muito errado.

O que ele se tornava por ter acasalado com um homem duplo que agora sequer reconhecia mais?

O que ele se tornava se não uma besta também?

Relutante, tirou as mãos de frente ao rosto destruído de maquiagem borrada, os cabelos suados colados à testa.

Estava tão tremulo quanto era possível de uma vitima de um acidente aéreo. Sentou-se novamente, sentia-se dolorido. Muito dolorido.

Quando levou um cigarro aos lábios, via as mãos tremendo tanto que não podiam sequer acender seu cigarro, mas logo uma delicada mão tirou o isqueiro e lhe ofereceu o fogo.

Temia, Kouyou temia muito girar a cabeça e ver aquele olhar assassino voltado para ele, mas assim que o olhou de soslaio, viu apenas o Yuu, o antigo e agradável Yuu lhe lançando um meio sorriso.

Desgraçado, sequer perguntava se ele estava bem, por que estava tão desesperado. Sequer perguntava nada, nada, nada.

Se não perguntava havia duas hipóteses; a) não se importava como ele se sentia e b) ele sabia exatamente como Kouyou se sentia e por isso sequer se dava ao trabalho de perguntar.

Tragueou a fumaça do cigarro olhando agora o quão mórbido já parecia aquele jardim, o quão doentio parecia aquela fonte que nunca parava de correr água, o quão artificial sugeria ser a grama. O céu mesmo, claro e limpo apenas o lembrava o que acabara de fazer e não pediu em momento algum para ter fim.

O mais horroroso de tudo era a constatação final daquele espetáculo de mórbido de autodestruição; ele estava mesmo apaixonado.

Kouyou sabia em seu intimo que era isso. Estava apaixonado por Shiroyama Yuu e agora compreendia o que havia nele de tão errado.

Era ele. Ele era a peça errada, era ele a presença funesta por trás daquelas historias de terror que nunca compreendeu como surgiam da cabeça de um homem tão doce.

Não, deveria ter compreendido.

Se Kouyou sentia que as pessoas de seu mundo eram o que vestiam, o que usavam, onde iam, o que comiam, deveria ter sido mais atento, mais critico; Shiroyama era exatamente aquilo que ele escrevia.

Shiroyama era o próprio fantasma das suas historias, Shiroyama era a voz sussurrante na casa vazia, Shiroyama era a maldita aranha que espreita com olhos famintos no canto de um quarto enquanto você a observa suando de pavor a noite inteira.

Sem um único movimento ela te apavora, e quando finalmente você prega seus olhinhos... É tarde de mais.

Você se apaixona pela aranha e é devorado por ela.

Kou sentiu a crise de choro voltar a sua garganta, mas desta vez não a controlou colocando as mãos para não ver.

Queria ver, queria olhar diretamente para ele e tentar entender, tentar entender que inferno havia acontecido ali entre eles.

Mas tudo que teve para si foi uma taça de vinho sendo estendida e um sorriso compreensivo.

— Sabe o que é que dói tanto, Kouyou? Sabe por que está assim, em choque? Sabe o que aconteceu aqui?

— O-o-o-o oque? — gaguejou entre aquele choro que apenas vinha quando era criança e não podia controlar seus sentimentos, quando chorava desesperadamente sem conseguir parar!

Shiroyama tragou a fumaça enquanto olhava os pássaros voando ao redor da pequena área de bambus, casualmente sorrindo satisfeito e se voltando a ele.

— O choque da perfeição com a imperfeição.

O que doía era estar apaixonado por ele.

 

***

Takanori olhava com desdém para o vídeo que a tela do notebook lhe oferecia, seu rosto estava escorado na mão enquanto ele ouvia o sábado à noite lá fora tão silencioso quanto a morte. Sons não o alcançavam naquele andar do prédio. Nada o alcançava.

O trabalho estava negligenciado próximo á mesa, quase intacto depois daquela maldita ligação de Kai.

Que absurdo. Quem ele pensava que era por lhe pedir uma coisa daquelas?

Talvez Kai achasse que todos eram vendidos sem valor algum como o Kouyou. Ao pensar em Kouyou seu estomago deu uma pequena volta de repulsa.

Provavelmente havia transado a tarde inteira enquanto o corno do Kai se divertia nas festinhas depravadas dele regada a mentiras, mulheres, álcool e pó.

Takanori sorriu amargamente, tão amargamente que aquilo jamais poderia ser chamado de um sorriso. Koron estava arranhando a porta.

Mas que inferno, Koron sabia que quando ele se trancava no quarto não podia entrar. Era uma regra sua.

Deus, quem quer olhar vídeos pornográficos com a presença inocente e o olhar doce de seu cachorrinho direcionado a si?

Se era uma fraude como todos afirmavam, tinha que admitir que era uma fraude muito bem feita. Sequer do cachorro ele deixava a fachada cair.

Não podia esperar menos de si mesmo que uma boa fraude. Era o mestre na arte da fraude uma vez que desde o momento que se lembrava estar vivo era uma típica criança japonesa criada em uma classe relativamente alta. Boas escolas e uma agenda lotada que poucos adultos poderiam suportar.

Natação, aulas extras de japonês, aulas de canto, piano — sua mãe achava que um homem que não toca piano não atrai mulheres boas —, futebol, judô e nos finais de semana tinha trabalhos extracurriculares para “aprender a responsabilidade”.

Sua irmã mais velha tinha a mesma rotina. Não era a toa que depois de adulta se atirou no primeiro canalha que seu pai disse que tinha dinheiro o suficiente para engorda-la como uma porca e tratou de ter um filho para assegurar seu lugar de esposa e dona de casa que sequer o filho criava deixando a cargo das babás e do mesmo sistema infeliz que os criou.

Você é uma fraude”.

Quantas vezes teria que escutar aquilo?

Você é um hipócrita”.

O primeiro casamento que recusou tinha ainda vinte e três anos. Seu pai disse que foi com aquela idade que se casou. Takanori poderia ter lhe dito aquilo que lhe veio a cabeça, que justamente por aquela razão não seria o frustrado que ele é, mas sua mente foi muito além atirando na frente dele e de todos naquela mesa de jantar o mais obvio que obvio; que não iria jamais se casar com uma mulher por que gostava de homens.

Homens! Homens! Homens!

Ao que parece não era novidade pra ninguém, mas aquela primeira vez na vida que não foi um hipócrita resultou mais ou menos como se houvesse gritado pra todos ouvirem que o que gostava era de paus! Paus! Paus!

Pelo menos foi assim que soou pelas expressões deles. Sua irmã até mesmo cobriu os ouvidos do filho.

“Vovó, por que o tio Takanori parece uma garota?”

“Vovó, por que o tio Takanori gosta de homens?

Por que tio Takanori gosta que metam com força, moleque.

A primeira vez sendo sincero talvez houvesse sido a ultima.

— Você é uma fraude — acusou seu pai com aquele olhar de decepção.

Fraude como era estava trancado naquele quarto tentando achar algum tipo de salvação naqueles vídeos pornográficos da internet que sequer o faziam sentir um pingo de testosterona subindo ao seu cérebro. Alias, não era apenas testosterona que já não subia mais com tais vídeos.

Era mais como uma necessidade, um ato que se permitia fazer puramente por que agora ele podia. Podia fazer, podia olhar.

Quando a vida estava muito pesada haviam aqueles vídeos. Quem pensa no grande bosta que virou e se deixou tornar enquanto olha vídeos pornográficos?

Apenas vídeos de gatinhos o salvavam, mas sempre haveria a aba aberta com um texto descritivo do vídeo. Sempre o mais explicito, o mais vulgar. Os mais vulgares eram sempre os melhores.

Vídeos pornográficos, dormir com o namorado do melhor amigo, odiar os dentinhos perfeitos do melhor amigo... Meu Deus, que tipo de homem havia se tornado?

Reita tinha razão sobre tudo, Kai tinha razão sobre tudo.

Até quando ia negar aquela existência pérfida do sujeito que havia dentro dele enquanto comprava roupinhas customizadas de cachorro e se sentia feliz com aquilo?

O quão patético podia ter se tornado?

Fechou o notebook com ódio, levantou-se e abriu a porta olhando as expressões chorosas de Koron que como havia lhe dito estava de castigo por ter se rendido ao sujeito da faixa.

Entreolharam-se e ele abaixou-se o pegando no colo e beijando sua cabeça vendo o quão feliz apenas por um gesto tão pobre podia fazer ao bichinho.

— Me desculpa, não é nada culpa sua. — soltou-o sobre a cama e o viu se aninhar no lado direito da cama onde sempre ele ocupava.

— O que a mamãe diria disso, Koron-chan... — gemeu com tristeza enquanto abria a porta espelhada do closet onde entrou acendendo a luz e olhando dos dois lados de prateleiras abarrotadas de roupa a procura daquela caixa onde guardava lenços.

Colocou os lenços sobre a mesinha ao fundo com o espelho e as maquiagens e andou tristemente pelo corredor com a caixa vazia na mão.

A encheu das coisas que julgou necessárias, todas elas e voltou para o quarto em seguida fechando a porta do closet. Koron dormia satisfeito agora. Sequer tchau poderia dar a ele, não queria que ele visse a burrada que ia fazer.

Fechou a caixa e ao chegar no hall, calçou as botas e jogou um comprido cardigã vermelho no corpo em seguida saindo com a caixa de baixo de um dos braços.

Não pegou o carro, sabia que aquela noite não seria muito proveitosa para dirigir, optando pelo primeiro taxi que passou.

Quando o senhor que dirigia sugeriu colocar a caixa no porta-malas Takanori negou veemente, talvez negou com mais entusiasmo que gostaria fazendo o motorista o encarar com suspeita.

— Não é uma bomba. — Takanori disse baixinho para ele. — Se fosse eu já a teria explodido há cinco minutos, não se preocupe.

Mas aquele comentário não agradou o homem que apenas dirigiu em silencio até o local indicado por ele enquanto o olhava com curiosidade, optando por vezes tentar compreender que tipo de corrida estranha era aquela.

Takanori não se importava, naquele momento na verdade estava pouco se importando com qualquer coisa, pelo menos enquanto as acusações soavam tão altas e dolorosas em seus ouvidos.

Você é uma fraude. Você é um hipócrita”.

Desceu do taxi e suspirou. Era exatamente ali que sua mente hipócrita o guiava, então que assim fosse.


Notas Finais


Eita Yuu, isso não foi nada uhum.
E ai? que acharam? :B
Até o próximo, Hai-ô, Silver!


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