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História Además de la mirada - Capítulo 10


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Capítulo 10 - Capítulo 9


Luna

A boca macia se encaixou na minha e se moveu, me provando, lenta e quente. Os lábios saborearam os meus e os abri, buscando-os, me encantando com o hálito gostoso que senti, com o primeiro toque da língua experiente.

Gemi sem nem sentir, enfiei os dedos nos cachos macios do seu cabelo, cheguei tão perto que nossas línguas se enroscaram e seu gosto me deixou arrepiada de tão gostoso. Havia paixão e entrega, mas não pressa. Era como se o mundo tivesse parado só pra gente se beijar.

Uma emoção profunda se espalhou no mais profundo do meu ser e gemi de novo com os pelos da barba roçando minha face, com o cheiro bom que me inebriava e com aquela boca deliciosa que tomava a minha, que bebia meus beijos.

Sua mão era firme agarrando meu cabelo, a outra subia e passava os dedos no meu rosto, no meu queixo, como se não fosse possível só beijar; era preciso acariciar, cheirar, sentir e se dar. Uma loucura de sentimentos me arrastou com tudo para Matteo e eu me dei conta que nem em meus sonhos mais íntimos tinha esperado aquilo, aquela entrega intensa.

Nossos peitos se encontraram, nossas peles se fundiram, eu arquejei, queimei e me dei, indo para a ponta da cadeira, querendo me jogar contra ele e rodopiar naquela magia de sentimentos. Era como comer, comer, e nunca ficar satisfeita. Uma necessidade pungente por mais.

Foram longos beijos, roçar de mãos na pele, no cabelo, em sua barba. E eu senti bem fundo que estava vivendo um momento único na minha vida, um encontro perfeito de desejo e sentimento, sem dúvidas ou faltas. Era completo, maravilhoso. Inimaginável.

Quando nossas bocas pararam, descolamos os lábios devagar, mas não nos soltamos. A respiração era entrecortada, de ambos. Abrimos os olhos como se fosse combinado, ao mesmo tempo.

Matteo deixou a testa encostada na minha enquanto nos olhávamos. Tudo era tão perfeito que dispensava palavras e levamos nosso tempo sentindo a sintonia, engolindo a respiração um do outro. Suas mãos seguravam meu rosto, como se o emoldurasse. Cobri as duas com as minhas e nossos dedos se entrelaçaram. Como nosso olhar já tinha feito.

As bocas se buscaram, lentas, sedentas.

Demos beijos suaves. Ele mordiscou meu lábio inferior, eu lambi o seu superior. Era uma vontade pungente de tocar e sentir, de não parar nunca mais de provar. Seus olhos ardiam nos meus, tão escuros e profundos, que eu mergulhava neles. Eu nadava, submergia, afundava e voltava, sem fôlego, sem voz, ansiando por mais. 

Paramos de novo os beijos, deixamos os sentidos se encontrarem, respiramos um pouco mais até recuperar algum controle.

Eu estava abalada, enlevada, embevecida. E podia jurar que Matteo sentia o mesmo. Ainda mais quando murmurou:

— Eu tinha medo disso.

— De quê? — Sussurrei de volta. Minha voz saiu estranha, rouca, pesada.

— De gostar tanto assim do seu beijo. De querer mais.

— Qual o problema ... se gostei tanto também? Se quero muito mais?

Não respondeu. Tirei uma das mãos de sobre a dele e levei até seu rosto, acariciei com prazer a sua barba macia. Corri o indicador por seu lábio inferior, olhando aquela boca linda, ansiando por ela em mim. Havia um tremor no centro do meu corpo, no mais profundo da minha alma. Tão desconhecido quanto desejável.

— Desde que fiquei assim, nessa cadeira, eu... — Matteo parecia buscar palavras para se confessar. — Não me envolvi com ninguém.

Eu me surpreendi. Lamentei por ele, por sua perda e solidão, mas senti também uma alegria sem fim ao pensar que ele estava ali comigo, que de alguma maneira se rendeu ao que havia entre nós. Que confiava ao ponto de se arriscar.

Olhei-o com paixão e com carinho. Nunca tinha me sentido tão envolvida, tão ligada a outra pessoa. E aquilo me encantava.

— Não sei o que você pode esperar de mim, Luna. Não sei se vou te decepcionar.

— Isso nunca — garanti com certeza, nossos narizes se roçando de leve, nossos lábios se paquerando. A vontade de beijá-lo de novo chegava a causar dor.

— Estou inseguro com meu corpo, com o homem que me tornei.

Uma de suas mãos escorregou por meu pescoço, queimou minha pele, se envolveu em meu cabelo. A outra espalmava minha face.

— Sei o que fui antes. Agora eu ainda preciso descobrir.

— Vamos descobrir juntos.

Seus olhos eram brasas vivas, cheios de sentimentos, ao encarar os meus. Toquei seu cabelo, murmurei:

— Eu já estou feliz aqui, Matteo, só olhando pra você. Só sentindo seu cheiro, tocando seu cabelo. Podemos ir com calma.

Não disse nada por um momento. Inclinou a cabeça e me beijou. Sua língua e seu gosto me seduziram ainda mais e vi que era verdade: o pouco que eu pudesse ter dele já parecia muito mais do que já tive na vida. Emocionada, o beijei de volta.

Paramos excitados, tocados. Não pude me conter:

— Eu admiro muito você. Tem medo, mas não se impede. É o homem mais corajoso que já conheci.

— Não, você não sabe o que está dizendo.

— Sei, Matteo.

— Não sou nenhum herói. Eu apenas estou tentando viver com o que a vida me deixou, me readaptar.

— E está conseguindo. Vai conseguir muito mais. Eu sei. Não se envergonhe do que é nem de suas limitações. Você é mais forte que tudo isso.

— Vem aqui.

Matteo era forte e me surpreendeu ao me puxar para seu colo. Fui envolvida por seus braços e seu corpo quente, fui engolida por sua boca tomando a minha. Rodopiei em sensações deliciosas e me dei sem pensar, com uma fome que era exigente.

Fiquei de lado, minhas pernas para fora da cadeira, toda caída em seu peito, com braços em volta do seu pescoço. Meu corpo reagiu excitado com a ereção dura contra minha bunda. Tudo era tão perfeito que dava vontade de chorar.

Nossas respirações ficaram mais agitadas, o desejo estava presente latejando. Gemi e me dei, também tomei, numa entrega tão deliciosa que eu rezava para que nunca acabasse. A cada beijo Matteo me deixava mais apaixonada e rendida.

Sua mão passava em minhas costas, descia, rondava, sentia. Voltava por minha cintura, enquanto a língua entrava e saía, se enroscava, lambia. Senti seus dedos sob a blusa, na barriga, queimando na pele. Eu me movi, agarrei sua nuca, me rocei em seu corpo. Foi uma loucura, um aumento de sensações. Quando a mão se fechou em volta do meu seio sobre o sutiã, meu mamilo se arrepiou e senti a boceta latejar, molhada. O tesão veio com tudo e Matteo estava na mesma sintonia, duro, gemendo contra meus lábios. Afastou a boca, sussurrou algo, mordeu meu queixo. Gemi também, fiquei fora de mim com suas carícias.

Minha vontade era ficar nua e grudar minha pele na dele. Era montar seu corpo e o colocar todo dentro de mim, enquanto o beijava para sempre. Eu estava enlouquecida, pronta para tudo, tonta daquela luxúria me consumindo.

Mas então, tive um lampejo de lucidez.

Pensei que a qualquer momento alguém podia entrar ali, que no corredor sempre passava gente. E mais: me dei conta de como aquilo tudo devia ser para Matteo. Sua vida tinha virado pelo avesso e, em três anos, eu era a única mulher com quem ele se arriscava. Como desmerecer aquilo com rapidez e medo de ser pega? Como, se era tudo tão especial?

Desgrudei a boca, lutei para me controlar. Quando Matteo quis me beijar de novo, eu segurei seu rosto, busquei seus olhos, disse baixinho:

— Não precisamos de pressa. Você merece carinho, cuidado, tempo.

Ele parou, surpreendido. Acabou confessando:

— Estou me sentindo virgem de novo.

— E é quase isso. Aqui não é o lugar. Não para nossa primeira vez.

Concordou com a cabeça e sorriu:

— Sou um bobo.

— Não você. Nunca.

Acariciou minha face, olhos nos meus.

— Vamos para o meu apartamento, Luna. Nada de aulas hoje, nem fisioterapia, nem ensaios. Só eu e você. O tempo todo nosso.

— Só nosso.

Concordei envolvida, ansiosa. E o beijei com loucura.

Matteo

Eu fui em meu carro e Luna me seguiu no dela.

Antes de dirigir, liguei para Rui e remarquei a fisioterapia. Não tinha nada mais para resolver, somente aproveitar a tarde, viver momentos únicos na minha vida. Totalmente diferentes dos que se fizeram presentes nos últimos anos.

Meu corpo ardia, mais vivo do que nunca. Minha boca guardava os beijos dela, como se seu gosto estivesse lá, deslizando em minha língua, tocando o céu da boca. E minha mente girava, cheia de pensamentos e sensações, surpreendida por tudo.

Em um momento eu tinha medo de viver e me arriscar, em outro me jogava com tudo na loucura que Luna despertava em mim.

— Meu Deus ...

Murmurei no carro, sozinho, um tanto chocado.

Parecia estar vivendo um sonho, um a parte da minha realidade desde que fiquei paraplégico. Se não fosse meu corpo queimando de desejo e meus sentimentos embaralhados, eu juraria que tinha imaginado tudo. Mas não. Era real. Tão real que me deixava nervoso, ansioso, querendo mais.

Ela deixou o carro ao lado do meu, quando paramos no estacionamento do meu prédio. Abri a porta e veio perto, sua visão linda enchendo meus olhos, deixando meu coração acelerado. Era perfeita demais fisicamente, mas seu olhar quente e profundo para mim era o que mais me deixava abalado. Dava para ver que me desejava tanto quanto eu a ela. E não dava para duvidar daquilo.

Ficava mais decidido, mais forte com aquele olhar. Mais dono de mim, empurrando dúvidas e medos para bem longe.

— Quer ajuda, Matteo?

— Não precisa. Obrigado.

Tirei a cadeira de rodas do carro e a abri ao meu lado.

Gostei que ela tivesse perguntado antes.

Tinha pessoas que iam ajudar sem perguntar e acabavam atrapalhando. Uma vez quase prendi a mão entre as rodas, pois um amigo foi empurrar a cadeira sem indagar o que eu queria, me pegando desprevenido. Não fez por mal, mas por pouco não me machucou feio.

Não senti vergonha por ela estar ali, olhando-me fazer a transferência do banco do carro para a cadeira, ajeitar as minhas pernas. De alguma maneira eu sentia que Luna olhava para mim e não via só um cadeirante. Nem me olhava com pena. Ela via um homem. Não sei como tinha tanta certeza daquilo, mas me fez bem.

Quando fiquei pronto, olhei-a de pé na minha frente.

Ficamos imóveis, nos encarando. Luna mordeu os lábios e, sem que eu esperasse, se debruçou na cadeira, apoiou as mãos nos braços e quase encostou o nariz no meu. Murmurou:

— Nem acredito nisso tudo. Jura que está acontecendo?

— Era isso que eu estava me perguntando. Você é mesmo real?

— Vai ver o quanto sou.

Sorriu de modo provocativo e um vulcão pareceu entrar em erupção dentro de mim. Beijei suavemente a sua boca, só para ter um pouco mais dela. Falei baixo:

— Então não vamos esperar mais. Vem.

Ela se ajeitou, com um sorriso e com os olhos verdes brilhando.

Entramos no prédio em silêncio, seguimos para o elevador. O que mais fizemos foi olhar um para o outro, enquanto ele subia. Um olhar que guardava promessas e expectativas.

Eu me sentia como se fosse um homem diferente. Desde nosso primeiro beijo na sala de audição, o antigo Matteo tinha voltado quase inteiro para mim, decidido, firme. Quase, pois as inseguranças estavam ali na superfície, como se lutassem para sair e eu as afogasse. Era um limite obscuro, ainda desconhecido, mas que eu estava pronto para explorar. O medo estava sufocado em algum lugar dentro de mim e era assim que eu queria que ficasse.

Tudo foi como em câmera lenta. Ouvia só seus saltos ecoando no corredor ao sair do elevador e caminhar até a porta larga do meu apartamento.

Eu a abri e lhe dei passagem, dizendo rouco:

— Entre. Seja bem-vinda.

— Obrigada.

Seu sorriso arrasava com meu coração. Seu andar me deixava ainda mais tenso com tudo que aconteceria ali dentro.

Fechei a porta atrás de mim e vi Luna andar pela sala espaçosa, olhando em volta, se familiarizando. Empurrei minha cadeira, meu estômago frio alertando do meu nervosismo, meu corpo parecendo tão quente como se estivesse em brasa.

Fiquei consciente de cada detalhe. Do seu cabelo longo em ondas sensuais por suas costas, o contorno pronunciado da sua cintura, as pernas longas. De como se movia, de cada coisa nela que me encantava demais. Tentei não me abalar, mas foi impossível. Era coisa demais acontecendo ao mesmo tempo dentro de mim.

— É lindo — virou-se, admirando partituras penduradas na parede, os espaços amplos, as plantas no terraço, a luz entrando. — Tem a sua cara.

— Quer dizer que sou lindo?

— E você não sabe disso?

Seu sorriso era a minha perdição. Mesmo apreensivo, inquieto, eu não conseguia esperar mais. Queria sua boca na minha, queria descobrir como seria toda aquela loucura. O medo não podia me impedir e apontei para o corredor:

— Vem comigo.

Luna me seguiu. Entramos no quarto grande, com espaço para a cadeira circular sem impedimentos. A cama enorme ocupava todo o espaço embaixo da janela, de onde entrava luz suficiente pelas persianas abertas para quebrar a penumbra.

Na brancura do lençol estava a calcinha vermelha dela. Eu até tinha esquecido daquele detalhe e fiquei um pouco constrangido.

Fui até perto da cama e virei a cadeira para poder olhar Luna, de pé ali, me fitando de modo penetrante. Ela sorriu e comentou:

— Não sabia que a minha calcinha te fazia companhia.

— Toda noite. Vai pensar que sou alguma espécie de tarado, mas gosto de dormir com ela em meu rosto, sentindo seu cheiro.

Luna entreabriu os lábios e seus olhos brilharam. A voz saiu enrouquecida:

— Você sempre me surpreendendo, Matteo. E eu gosto.

Não sorri, mas me senti bem, dono de mim mesmo.

Eu a convidei com o olhar e se aproximou devagar, com seu andar de gata e sua beleza arrebatadora. Não me contive e falei baixo:

— Não sei ainda em que posições posso ficar nem se eu vou conseguir agradar você como merece, mas ...

— Xiii ... — Luna acariciou minha barba, colocou o dedo indicador contra meus lábios. Estava muito perto, inclinada, olhos consumindo os meus. Sua voz nunca foi tão doce: — Depois vamos achar nossas posições, vamos saber o que é melhor para a gente. Agora eu não tenho dúvida nenhuma que vai ser maravilhoso. Com o tempo a gente se acerta. Mas hoje ... hoje eu vou fazer amor com você, vou te adorar com meu corpo, minhas mãos e minha boca. E só peço que você deixe.

Fiquei imóvel, seduzido, mexido. Minhas emoções se embaralhavam, minha pele ansiava por tudo, eu nunca fui tão acarinhado com palavras e com olhares como ali. E entendi o que me oferecia: que daquela vez eu não me enervasse querendo agradá-la. Primeiro faria aquilo comigo.

Minha vontade era puxá-la para o colo, beijá-la até não poder mais, estar dentro dela. Mas fiquei tão balançado com sua sedução, que por um momento não pude fazer nada mais do que admirá-la, não apenas por ser tão linda. Mas pela ternura que demonstrava por mim.

— Vá para a cama, Matteo.

Não era ordem. Era um pedido, voz e olhar em comunhão suave.

Apoie-me nos braços, passei para a cama. Sentei contra os travesseiros, colocando as pernas esticadas. O tempo todo olhando-a, meu coração martelando forte contra o peito.

Luna sorriu lentamente. Deixou sua bolsa sobre a mesinha ao lado e, hipnotizando-me, levou as mãos até o cinto da calça. Eu soube que tiraria a roupa para mim e me agitei todo, desejoso.

A luz que vinha de fora iluminava sua pele bronzeada, criava luzes mais claras nas mechas dos seus cabelos, deixava seus olhos num tom quase azulado. Era uma sereia, perfeitamente linda, uma mulher no auge da sua feminilidade.

Abriu a calça. Desceu-a por seus quadris de modo sensual, sem pressa. Vi seu contorno, suas coxas modeladas, cada palmo que me mostrava.

Meu pau doeu e soube que estava duro, querendo achar espaço dentro da cueca e da calça. A sensibilidade recuperada ali era levemente dolorosa e bastante prazerosa.

Fiquei com a boca seca quando tirou os sapatos e passou a calça para fora das pernas. Largou-a no chão ao seu lado e se ergueu, buscando meu olhar, seus dedos desabotoando de modo lento a blusa amarela. Eu estava paralisado, punhos cerrados sobre a cama, com uma ereção muito dura. Até respirar parecia difícil.

Senti vontade de tocar uma música pra ela. Uma bem linda, que fosse páreo para Luna, que embalasse seus movimentos sexys e belos. Meus dedos ansiaram pelo violoncelo e ansiaram por ela, duas paixões que me dominavam, contornos do instrumento e de seu corpo enchendo a minha mente. E nela eu deixei uma melodia linda fluir, enquanto a olhava.

A blusa caiu sobre a calça e ficaram lá, aguardando por mais. Pelo sutiã e pela calcinha pretos e pequenos, que ainda assim escondiam partes dela de mim. Não por muito tempo. Bem lentamente me deu as costas e levou as mãos para trás, abrindo o fecho do sutiã. Largou-o. Fiquei com a boca seca.

A calcinha deslizou pela bunda firme, empinada, redonda, com dois furinhos aos lados do cóccix. Desceu, foi largada sem importância. Deixou-me imobilizado de tesão e admiração.

Então se voltou, completamente nua, corpo espetacular, seios redondos com mamilos rosados. A barriga era chapada, torneada. A boceta completamente depilada, lisa.

Não precisei tocar nela para ficar louco. Soube com cada célula do meu corpo que eu a queria e que estava pronto. Que viveria momentos inesquecíveis e muito importantes na minha vida.

— Como você é linda ... — Minha voz não passou de um murmúrio.

Luna veio para a cama, sem vergonha de nada, sem medo. Mas seu olhar estava cheio de sentimentos, cheios de coisas pulsantes e de desejo, o que me excitou ainda mais.

— Tudo que é meu, hoje é pra você, Matteo — ajoelhou-se na ponta da cama e, sem deixar de me fitar, segurou um dos meus sapatos e o tirou, jogando no chão. Fez o mesmo com o outro. Subiu as mãos por minhas pernas sobre a calça. Eu via e parecia sentir cada toque, embora soubesse que a maior parte ali estivesse insensível. Mas minha mente reconhecia, lembrava, me enviava sinais. Outras partes eu sentia de verdade, mesmo que diferente de antes, de modo incompleto.

Quando as mãos resvalaram meu pau, seu sorriso ficou mais safado.

— Está tão duro que parece grudado aqui dentro.

Fui abrir o cinto da calça, mas segurou meus pulsos, pediu:

— Deixa que eu faço isso. Quero muito tirar a sua roupa, cheirar seu corpo, conhecer sua pele.

— Porra ...

O palavrão saiu sem que eu pudesse impedir. Sempre fui homem de tomar a iniciativa, de despir a mulher e fazer de tudo, mas ali eu era como um garoto na sua primeira vez, ansioso, sendo seduzido e convencido por uma mulher linda, que sabia o que queria. Luna me deixava completamente desequilibrado e ávido.

Abriu minha calça. Apoiei o peso do corpo nos braços e ergui os quadris enquanto puxava para baixo. Deixou-a no meio das minhas coxas enquanto descia os olhos até o volume na cueca preta. Eu cerrei os punhos, sem tocá-la, mas meu olhar a consumindo, meu corpo pegando fogo.

— Luna ...

O nome escapou junto com a respiração pesada quando, com as mãos espalmadas na cama, aos lados dos meus quadris, montada sobre meus joelhos, Luna baixou a cabeça e seu cabelo se esparramou em minha pele. Passou a ponta do nariz sobre a cueca, me cheirando, me sentindo, uma expressão de enlevo em seu rosto.

Não pude resistir. Agarrei punhados daqueles cabelos, fechei os olhos brevemente, em busca de ar. E ainda assim ele me faltou, pois seus dedos desciam o tecido, me despiam, e meu pau ficava livre diante dos seus olhos, ereto, pronto e ansioso por ela.

Os lábios provaram a ponta com delicadeza. Foi apenas como o toque de uma borboleta o que senti, bem ínfimo, com sensações cortadas, muito pouco em relação à sensibilidade de antes da tragédia. Mas então eu a fitei, vi o que fazia, e tudo tomou dimensões maiores. Sua boca carnuda estava agarrada no meu pau, me provando com prazer.

— Ah ...

Tudo veio junto, forte como um raio, atravessando meus nervos e sentidos, fazendo-me pulsar e crescer ainda mais. Meu ventre se contorceu, minhas pernas sofreram espasmos e eu me paralisei com aquilo, um tanto envergonhado. Ainda mais quando Marcella parou o que fazia e buscou o meu olhar.

— Desculpe, eu ... não tenho muito controle.

— Por que está se desculpando? Está tudo uma delícia. Seu cheiro me deixa doida, seu pau é lindo. Estou pingando, Matteo. Tão molhada que sinto escorrer.

A voz me faltou, imaginando aquilo, ansiando por senti-la nos dedos e na boca. Luna continuou doce, mas seus olhos ardentes:

— Só quero que me diga se algo o incomodar, se eu machucar você.

— Não sou de vidro. Não vou quebrar, Luna.

Sorriu e, sem poder evitar tanto tesão, puxei-a para mim ainda agarrado em seu cabelo, tomando sua boca em um beijo apaixonado. Nossos lábios se grudaram, nossas línguas rolaram uma na outra em uma entrega gostosa.

Luna puxou minha blusa para cima. Eu me afastei o suficiente para agarrar o tecido e arrancá-lo pela cabeça. Então voltei a beijá-la, meus dedos queimando em sua pele quente, envolvendo seus seios. Apertei-os e gemeu na minha boca.

Também me tocou. Meio sentada em minhas pernas, acariciou minha barriga, meu peito, meus ombros. Os toques eram terrenos sendo descobertos, eram peles se conhecendo, sensações a mais naquela paixão toda. Gememos em expectativa, ambos prontos, ansiosos.

Arrepios desceram e subiram por meu corpo quando mordiscou o meu queixo, quando beijou meu pescoço. Joguei a cabeça para trás, deixando-a me explorar com a boca, maravilhado com a delícia daquilo. Apertei sua bunda, a arrastei mais perto do meu pau.

Estava sensível demais ali e isso me surpreendeu. Nunca tinha me dado conta de como era delicioso ser beijado no pescoço, atrás das orelhas, como se meu corpo tivesse espalhado mais sensibilidade naquelas partes, para compensar o pouco que eu tinha abaixo da cintura. Tudo comichava, ardia, latejava. Eu tinha virado um centro vivo de puro prazer.

Passei as mãos por seu corpo, virei o rosto e capturei de novo a sua boca. Senti a boceta com as pontas dos dedos e a alisei ali, encantado com a cremosidade que senti, com a lubrificação que a enchia por toda parte. Quando esfreguei suavemente o seu clitóris inchadinho, Luna estremeceu em minha boca, agarrada, entregue.

Puxei-a mais, toquei aquela parte tão íntima dela contra a grossura longa do meu pau ereto. Ela ficou doida, rebolando, arfando, agarrando meu cabelo.

Não conseguia mais saber o que eu sentia de verdade, o que eu via ou o que eu imaginava, recordava. Era tudo misturado, confuso, extraordinariamente novo. Transar não era mais tão simples como quando eu era andante, era muito mais intenso, espalhado, faltando em um lado e sobrando em outro. Talvez levasse tempo até eu identificar tudo, até mesmo controlar. Naquele momento eu não me esforçava para nada, só deixava fluir, pois era gostoso demais, inebriante demais.

Luna desgrudou a boca, sua boceta palpitou em volta dos meus dedos que conheciam suas dobras e contornos. Seu olhar era surpreso e pesado. Murmurou:

— Então é assim ...

— Assim como?

Mordi seu ombro. Puxei-a mais e, sem que esperasse, a ergui um pouco. Seu mamilo entrou por meus lábios e o chupei firme, forte. Suspirou, me apertou e se esfregou, jogando os cabelos para trás.

Ficou ensandecida, pois com a mão direita eu a masturbava devagarzinho e meu dedo do meio entrava lento, só até a metade, torturando-a.

Perdi a razão. Suguei o mamilo e o mordi. Depois fiz o mesmo com o outro. Meti o dedo todo, encharcado na sua boceta. Ela arquejou, disse coisas sem sentido, me apertou dentro de si. Suas mãos percorriam minha pele, meu peito, me deixavam cheio de deleite e êxtase. Lambi, beijei, mordi. E depois subi até seu pescoço, seu queixo, sua boca.

Nos beijamos esfomeados. Eu metia e tirava o dedo da sua boceta. Esfregava o polegar em seu clitóris e a apertava contra mim, deliciosa demais, quente demais.

— Por favor ... Ah, Matteo ...

Luna se afastou e me olhou. Parei com o dedo todo dentro dela, suas unhas agarradas em meus ombros. Respirávamos de modo pesado, olhos fundidos um no outro, corpos prontos e ligados. Sussurrou:

— Eu quero te lamber, te chupar, te agradar ...

— Já está me agradando.

— Quero que se sinta feliz comigo, que tenha prazer ...

— Mas do que já estou? Do que já tenho?

Parecia confusa, perplexa com o que sentíamos tão forte. Quando a penetrei mais fundo, perdeu a fala, gemeu. E eu a ataquei de novo, apertando sua bunda, enfiando a cabeça em seu peito para me fartar em seus seios.

Agarrou meu pau e me masturbou. Novamente os sentidos eram confusos, mas estavam ali, deixando-me mais duro. Ignorei alguns espasmos da minha perna, assim como algumas pontadas de dor que surgiram. E me dei ao prazer sem limites, aos píncaros extraordinários do tesão absoluto.

— Preciso de você ... — Ela me empurrou, enlouquecida, pulando da cama com a respiração entrecortada, os cabelos longos espalhados por sua pele.

Pegou sua bolsa, tirou dela um preservativo e se voltou de novo para mim. Mas não veio de imediato. Parou e me olhou todo.

Eu cerrei o maxilar, com medo que algo a incomodasse em mim. Talvez as pernas mais finas que o resto ou então as cicatrizes em minha barriga.

Mas seu olhar não era de pena ou repulsa. Era de uma mulher excitada, admirada, fervendo de paixão.

— Como você é lindo ... lindo ...

E veio.

Eu não queria esperar mais. Puxei-a para meus braços, passei a mão em sua carne, doído de tanto tesão. Luna agarrou meu pau e, sem que eu esperasse, meteu-o na boca, chupando, babando. Vi aquilo e senti como se uma corrente elétrica passasse dentro dele. Gemi alto, fora de mim.

Quando parou e me cobriu com a camisinha, eu a arrastei e a fiz me montar. Pude sentir um calor abrasador me envolver, uma coisa macia me apertar. Sim, não era como antes, as sensações em meu pau se mesclavam, não estavam tão lúcidas. Mas também não era uma parte insensível, pelo contrário. Era apenas tudo muito diferente.

Gemeu quando sentou toda no meu pau e eu prendi seus braços para trás, lambendo seus seios. Moveu os quadris, cavalgou, ficou ensandecida jogando a cabeça para trás. Eu olhava tudo, admirava, recebia estímulos visuais. Sentia-me estupefato com o impacto dos sentidos no meu corpo, nos abalos e alvoroços das sensações.

Soltei-a e me abraçou, suspirando a cada descida sobre meu pau, engolindo-me esfomeada. Quando mordeu meu pescoço, eu me perdi de vez, enterrando os dedos em sua bunda, trazendo-a mais e mais para mim. Arrepios se espalharam, fiquei louco com aquela lascívia desgovernada.

Jurei que sentia perfeitamente sua boceta apertando meu pau, mas não soube se era real, ou se outras partes do meu corpo enviavam os estímulos e tornava tudo maior, mais eloquente.

— Não aguento ... Ah, Matteo ...

Senti os espasmos e contrações do seu corpo em minhas mãos, abalando meu controle, levando-me junto. Luna gemeu e eu afastei a cabeça para vê-la gozar, ver como ondulava e se dava, como seu rosto se contorcia de prazer. Aquilo foi meu fim.

Enrijeci completamente e o orgasmo veio com tudo, tirando meu ar. Seus olhos satisfeitos bateram nos meus e foi a vez dela me observar, maravilhada, com a prova do que causava em mim.

Foi meu primeiro gozo com uma mulher desde que fiquei paraplégico e, tão intenso, tão perfeito, que por um momento não pude ter noção da grandiosidade e da liberdade de tudo aquilo.

Foi espetacular, confuso, misturado. Não era só meu pau, era meu corpo todo, onde ela beijou e onde ela tocou, onde encostou em mim. Na verdade, meu pau parecia o que menos contava ali. Eu estava concentrado em várias partes, como se o gozo viesse da pele, do cheiro, do olhar, da penetração, da mulher que estava comigo. De Luna para mim.

Puxei-a, ainda dentro dela, ainda duro. Não soube se ejaculei, se o esperma teve forças para sair ou não. Soube que tinha sido maravilhoso e eu estava completamente satisfeito.

Abracei-a, sua cabeça em meu ombro, acariciando seu cabelo, beijando sua testa.

Murmurei:

— Você está bem?

— Bem?

Ergueu um pouco o rosto, encontrou o meu olhar. Seus dedos brincaram em minha barba e deu um leve arfar:

— Foi perfeito, Matteo. Eu estou muito mais do que bem. Muito mais do que sei explicar.

— Sei como é — sorri, pois me sentia do mesmo jeito.

Encostei a cabeça no espaldar acolchoado da cama e fechei os olhos. Ainda estava sensível demais, novos espasmos varreram minhas pernas. Minha coluna deu uma pontada e pequenas agulhadas de dor começaram a aparecer nas coxas.

Mas não a soltei um milímetro sequer nem me incomodei. O prazer, o êxtase era muito maior do que aquilo.

Senti-me um homem inteiro, como ainda não tinha acontecido desde que fiquei cadeirante. E isso fez uma felicidade intrometida pôr um sorriso em meus lábios. Esperanças, desejos, motivações, expectativas, tudo veio como um clarão.

Abracei Luna mais forte, abri os olhos.

Era meu quarto adaptado, eram as coisas em volta que faziam parte do meu cotidiano de cadeirante, eram pequenos detalhes que nunca me agradaram, que estavam ali por necessidade. Como se eu também só sobrevivesse por necessidade. No entanto, naquele momento, eram apenas testemunhas da minha libertação. De uma maravilha que vivi com plenitude naquela cama com Luna.

Meus olhos bateram na cama, na calcinha que continuava ali, num canto. Vermelha como sangue. E me dei conta que não precisava mais me contentar com ela. Eu tinha a sua dona em meus braços, perfeita, única, linda. A mulher que me deixava ali completamente feliz.



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