História Adeus ! - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 1.404
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Drabs, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Ahh , eu tô amando escrever , por isso continuo ... Espero que gostem ! ❤️

Beijinhos ❤️

Boa leitura ! ❤️

Capítulo 2 - 1936 - Pouco antes da II Guerra


1936 - Pouco antes da 2° Guerra 



Thomas Beckster pode ser considerado por mim como : a figura mais estranha que já foi um soldado . Geralmente , os Ex-soldados , como meu pai , ficam traumatizados com a guerra ou só sabem falar dela , já Thomas , não . Thomas , conhecido pelos seus amigos como Tom e , na época da guerra como : Soldado 92 , não é um típico ex-combatente . Ele sempre procura dizer que a guerra foi só mais um mal entendido e foi basicamente uma ilusão . Não suporta ouvir rumores de uma nova guerra e , quando ouve , desmente e acha outra solução . É como se ele fugisse para não se magoar . 

— Se mudaram para perto , não é ? — falei tentando puxar um assunto menos caótico para a cabeça do menino .

— Sim ... — ele sorriu timidamente fitando o horizonte de campo . — Nos mudamos por causa dos medos de meu pai por conta da guerra ...

— Seu pai ? — me surpreendi . — Podia jurar que ele não possuía medo nenhum da guerra ... Ou da nova ... 

Ele suspirou e me olhou friamente .

— Acontece que eu posso ser chamado caso aconteça ... — ele pausou . — E esse é o maior medo dos meus pais .

Mesmo tentando fugir do assunto , a guerra nos acompanha . Fiquei estática por alguns segundos e depois movi meu olhar para meus pés . Eles se mudaram e tornaram-se nossos vizinhos ( o que era ótimo para meu pai ter uma amigo por perto ) , mas o motivo era bárbaro .

— Desculpe tocar nessa assunto mais uma vez ! — exclamei sem jeito . 

— Eu me acostumei — ele riu . — Você pelo menos não ficou falando da morte o tempo todo ... 

Ri e considerei como um elogio . Não sou uma pessoa comum , mas , como ele disse , " pelo menos não fico falando da morte o tempo inteiro " . 

Um silêncio tomou conta do ambiente calmo , sem nenhuma fala de ninguém . Eu , contemplava a paisagem enquanto ele apenas olhava para uma árvore bem em frente . Depois desse momento constrangedor , nossos pais surgem e quebram essa "parte chata" da conversa .

— Ah , estão aqui ! — Alex diz como se houvesse se surpreendido , o que não era verdade . — Como estão seus irmãos ? — Meu pai se dirigiu ao menino ao meu lado .

— Bem ... — ele sorriu como se houvesse respondido a pergunta apenas por educação .

— Que bom ! Seu pai e eu vamos ficar muito mais unidos a partir de agora , não é Tom ? — Alex sorri dando batidinhas no ombro esquerdo do amigo .

— Isso mesmo Alex ! — Thomas sorri contente enquanto ajeita o paletó amarrotado . — Temos muito o que conversar depois de todos esses anos ! 

Meu pai assentiu sorrindo . 

— Mas , acho melhor irmos ... Seus irmãos estão sozinhos em casa ! — Thomas se dirigiu ao filho tirando um charuto do bolso .

— Eles não quiseram vir ? — Alexander diz decepcionado .

— Ah ... Não , eles não quiseram ! Mas , não se preocupe , qualquer dia virão ! — riu seguindo caminho . — Vamos , filho ! 

      

Eles foram embora rapidamente . Os três estavam , aparentemente , exaustos e isso era normal depois de uma mudança . Nunca vi meu pai tão feliz em tantos anos . Era como se uma ideia lhe surgisse a cabeça cada segundo . Seu sorriso se pregou em seu rosto e recusou sair . Enquanto dava adeus ao carro que sumia na curva da estrada , minha mãe segurava em minhas mãos fortemente .

— Está tudo bem ? — disse estranhando a atitude .

— Tenho medo do que esse soldado pode desencadear em seu pai — ela sussurrou preocupada .

— Mas ele é só um amigo , meu pai não tem uma crise há tempos ! Não vai ser com uma amizade antiga que ela ressurgirá ! — retribuí o sussurro .


                       

                          ...


Já era noite e não se falava em outra coisa naquela casa . Meu pai havia dado novamente uma crise , conhecida como trauma pós-guerra . Digamos que essa crise não é nada gentil , mas sim , muito grave . Quando meu pai se encontra nesse estado é melhor não cruzar seu caminho ou ele pensa que somos granadas . 

Minha mãe colocava o jantar e tentava acalmar Alexander , paralelamente . O Ex-soldado , que agora é frustrado , estava sentado na ponta da mesa com os dedos cruzados e o olhar fixo e perplexo.  

— Você não tem medo , Jane ? — ele esbravejava — Mais uma guerra e estamos perdidos ! 

— Alex , já acabou ! Você lutou na guerra que promete acabar com todas as outras ! — ela falou colocando seu prato em sua frente . 

— Nada , nesse mundo , é cumprido com severidade , Jane ! Você sabe que não era para nem mesmo a primeira guerra ter começado ! — Ele falou suspirando — Não quero nem pensar no que pode acontecer com a Mary se ... 

Ela o interrompeu jogando um prato na mesa e fechando os olhos com raiva . 

— Não fala da Mary ... — ela suspirou nervosa — Ela é uma jovem de dezesseis anos . Nada vai acontecer com ela porque nada vai mudar ! Entende isso de uma vez por todas , Alex ! — gritou deixando o maior assustado .

Eu não fazia ideia do que poderia acontecer , mas , assim como Thomas , eu tentava não pensar nos fantasmas da guerra . Meu pai lutou nela , mas nada disso me fez ter uma visão tão ruim  , a não ser o medo . Minhas aulas foram suspensas e tudo e todos não saiam de suas casas , como se estivessem confinados , mas não fazia ideia do futuro . 

Estava na sala enquanto a discussão acontecia , mas resolvi me juntar a eles o mais rápido , antes que meu pai imaginasse que eu houvesse sido levada por algum soldado.  

Sentei no lado esquerdo da mesa antiga de madeira desgastada e apenas fitei meu prato , vazio.  

— Por que não se serve , Mary ? — meu pai sorriu tentando disfarçar a breve briga entre os mais velhos . 

— Eu ... Vou me servir ! — foi o que fiz . Comecei a colocar pequenos pedaços do pão e me senti na obrigação de perguntar porque tinha tanto medo do que aconteceria comigo na guerra .

Ele olhava para a mesa com um olhar perdido que me causava medo , mas não me adimiraria tanto pavor .

— Pai — eu engoli em seco o último pedaço , o olhando perdida e com receio da resposta . — O que acontece comigo se mais uma guerra ... 

Fui interrompida pelo maior . 

— Se outra guerra acontecer , Mary , você morre ! Todas as granadas , as explosões , os tiros . Tudo pega fogo e nos destrói . Nós , alemães não-puros morremos , e tudo se acaba em um piscar de ...

— Alex , para ! — minha mãe tentou interrompe-lo . 

— Todos nós mortos e você verá . Tentará nos salvar mas será tudo em vão , então tudo o que conhece é destruído . Seus pais , seus amigos , sua família ! 

— Alexander ! Para ! — Jane gritou socando a mesa , fazendo com que Alexander se assustasse .

Ele me olhou ofegante e perdido , com uma raiva fulminante nos olhos . Eu me senti péssima . Meus olhos esvairavam lágrimas que me deixavam tonta . Tudo o que ele disse , da forma como disse , me assustou como nunca antes e isso não era fácil .

Saí da mesa ainda em transe e fui direto para o quarto do andar de cima . A escada de madeira foi o lugar mais longo pelo qual já passei . Todos os barulhos estavam me assustando , desde um simples galho esbarrando em outro , até um objeto que despencava de uma prateleira . Meu medo , agora , é real .

 

       






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