História Adivinha Quem Sou- Fillie - Capítulo 2


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Categorias Stranger Things
Personagens Dustin Henderson, Eleven (Onze), Lucas Sinclair, Maxine "Max" Mayfield / "Madmax", Mike Wheeler, Will Byers
Tags Fileven, Fillie, Finn Wolfhard, Mileven, Millie Bobby Brown
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Palavras 3.943
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Luta, Mistério, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


BOA LEITURA!❤^^

Capítulo 2 - Impermeável



Pipipipí... Pipipipí... Pipipipí...

Estico a mão e desligo o despertador. Acordar cedo me mata, mas hoje é a minha vez de abrir a loja de souvenirs. Pego o relógio e aproximo do meu rosto. Sou míope e sem óculos ou lentes de contato não vejo nada. Uma vez que eu verifico a hora, me levanto, coloco meus óculos e caminho para o banho. Em seguida, já vestida e com as lentes colocadas, desço para a cozinha, onde sorrio ao ver uma das minhas avós.

Wionona, minha avó paterna é holandesa. Anos atrás, quando meu avô morreu, ela mudou-se para viver conosco. É engraçada e, às vezes, louca para a sua idade, mas eu gosto e aproveito de sua loucura. É uma mulher atual e moderna e me entende melhor do que ninguém; além disso, ambas somos artistas.

— Bom dia, querida, você dormiu bem?

Eu digo sim com a cabeça e me sento em uma cadeira. Ela coloca à minha frente um suco de laranja espremido na hora e bebo com prazer.

Enquanto ela vibra em torno da cozinha, eu pergunto:

— Onde está vovó Nira?

Vejo-a sorrir

 – eu amo seu sorriso maroto – e, aproximando-se diz baixinho:

— Fofocando com as vizinhas. Olha que gosta de fofoca!

Nós rimos. É verdade que vovó Nira adora uma fofoca.

— Não reclame. – respondo no mesmo tom de voz — Afinal, você gosta que te conte.Minha avó e eu rimos. 

Win é uma figura. Pra começar, não gosta que eu ou meus irmãos a chamemos de avó, ou qualquer coisa parecida. Desde pequeninhos nos deixou muito claro que ela é Winona, nem mais nem menos.

Em sua juventude, fez parte de uma banda da moda na Holanda e abandonou por amor, e agora na maturidade, é a guitarrista de uma banda que montou com algumas amigas na ilha. Tem uma engrenagem que ninguém pode igualar.

Vejo o pote de Nesquik, que é o meu vício! Pego, abro e coloco uma colherada na boca. Saboreio com alegria e, como sempre, me engasgo com o achocolatado!

— Tome um copo de leite, céus e pare de comer o cacau assim, cru – repreende minha avó ao me ver.

Olho para a embalagem de leite integral e me dá arrepios. Eu nunca gostei muito de leite, então murmuro, fechando o pote de Nesquik:

— Tudo bem... Agora eu vou.

— Hoje é o grande dia, não é mesmo, querida?

— Sim. Hoje começo no Grand Hotel Mencey. – digo feliz.

Finalmente consegui alguém para me contratar para cantar, mesmo que seja em uma banda. No entanto, é um começo. É o momento. Acabaram de me demitir ou faço agora, ou sei que não farei nunca.

Minha avó e eu nos esbarramos em uma conversa sobre música e canções e se esquece do copo de leite. Bem! Winona é entendida na matéria e eu adoro conversar com ela, sendo a paixão de ambas.

Conversar com sua avó sobre os grupos de pop e rock atuais não é normal, mas ela é tão entendida quanto eu sobre o assunto.

De repente, na rádio soam as primeiras notas de uma música e eu digo:

— Ouça, Win. Eu amo essa música.

— Quem canta?— Pixie Lott, a música se chama Cry me out. Tem alguns anos, mas eu acho linda.

Winona a escuta. Sorri e olhando para mim, e pergunta:

— Você sabe, querida? – eu confirmo — Anda, cante-a. 

Com uma concha da cozinha como um microfone faço o que me pede, sem nenhuma vergonha e começo:

“Você terá que clamar por mim

Você terá que clamar por mim

As lágrimas que deixei cair, não significam absolutamente nada,

É hora de superar

Baby, você é tudo isso

Talvez não haja volta

Você pode continuar falando

Mas, baby, estou indo embora.

Aproveito... Aproveito e aproveito.”

Eu amo cantar e músicas como esta que se ajustam perfeitamente ao "tom da minha voz”, como disse minha avó. Enquanto canto, minha outra avó, Nira, entra na cozinha e fica junto de Win. Ambas me olham encantadas.

Para elas sou um orgulho, cada uma à sua maneira. Para Win sou a jovem cantora que deseja ter sucesso na vida com a música e para Nira sou a neta que ela espera que um dia se case e lhe dê netos belíssimos. Vamos que logo tenho algo complicado para torná-las felizes.

Uma vez terminada a música, eu rio e elas aplaudem emocionadas.

— Ah, minha menina, você canta tão bem! – suspira minha avó Nira.

— Você tem um futuro brilhante, Mills– Winona me diz.

Estamos nos divertindo, quando entram pela cozinha meus irmãos Noah e Will. Embora gêmeos, são diferentes. Noah me olha e ao ver aconcha na mão, diz com uma de suas citações famosas de Guerra nas Estrelas:

— Sem dúvida, a voz é maravilhosa.

— Obrigada, mestre Yoda. – zombo.

Ele leva uma mão ao seu coração e diz:

— Que a força esteja com você, pequena.

— A uivadora da casa já está cantando? – zomba Will.

Eu rio. Meus irmãos são a bomba para mim.

Noah é um nerd por excelência e em nossa família acho que todos nós já assumimos. Ouvi-lo falar com as suas frases da saga Star Wars é normal.

Tão normal que em ocasiões como esta, o resto dizemos sem perceber.

Will, no entanto, é outra história. É o mais belo de nossa família e o amante latino da nossa linda ilha. Todas caem rendidas a seus pés. Todas babam quando ele passa. E todas acabam chorando no final.

Minha avó Winona lhe dá um cascudo ao ouvir seu comentário.

— Ai! – ele protesta com seu vozeirão.

Começo a rir quando minha avó diz:

— Um pouco de respeito, sem vergonha. Sua irmã é uma artista e devemos respeitar os artistas.

— Não convém despertar uma wookie* – sussurra Noah  me fazendo rir.

— Você dirá para uma bruxa montada em uma guitarra elétrica – Will zomba olhando para Win.

*Os Wookies são seres do universo de Star Wars que habitam o planeta Kashyyyk. São peludos, falam grunhindo e parecem cachorrões.

A avó Nira sorri ao ver o rosto de minha outra avó e para acalmar o tumulto, diz

— Vamos, meninos, tomem o café, está ficando tarde.

Com o olhar, eu peço a Will que se cale. Ele me entende e nós cinco tomamos o café na mesa da cozinha, entre risadas e confidências.

Meia hora depois, meus dois irmãos e eu entramos no meu carro e nos dirigimos a Santa Cruz de Tenerife para abrir a loja. Durante horas, os dois e eu atendemos aos clientes que entram para comprar e fofocar. Às vezes, o trabalho aqui é exaustivo e hoje é uma dessas ocasiões. A uma da tarde, aparece o meu irmão Charlie.

— Noah, Will – grita – vocês podem ir!

Will se aproxima de nós e subindo a gola da polo vermelha escura, sussurra ao ver uma das turistas que o admira.

— O dever me chama... Que os deem irmãozinhos!

Noah, para não ficar atrás, acrescenta:

— E que a força esteja com vocês, humanos.

Feliz, os observo indo, e então Charlie pergunta:

— Por que são tão nerds?

Eu, sorrindo e olhando respondo:

— Se mamãe te ouvisse, diria não são nerds, são apaixonados.

— Porra, Millie... Eles tem quase 35 anos, será que nunca vão mudar?

Respiro fundo, coço a cabeça e digo:

— Parece-me que não. Por certo, seu nível de açúcar esta bom?

Charlie me olha e assente sorrindo.

— Sim, mãe. Insulina administrada e ingeridos os hidratos de carboidratos necessários. Tudo ótimo.

Sorrio e olho como ele começa a atender alguns turistas. Charlie sempre me preocupa. Tem diabetes desde que era pequeno e, embora ele tenha uma vida normal, não me permito esquecer que tem que controlar sua doença.

Somos quatro irmãos, cada um mais diferente que o outro. Charlie é o mais velho e tem 40 anos. É o louco da cerâmica. Trabalha em seu próprio estúdio e ajuda na loja de meus pais durante a semana. 

Em seguida, vêm Noah e Will, cerca de trinta e cinco anos, dois nerds declarados e, por último sou eu, a menina. A pequena. A inesperada da casa com vinte e cinco anos e cantora.

Papai, Charlie e eu somos um pouco loiros, os holandeses da família, enquanto

Noah, Will e mamãe são morenos e os nativos da ilha.

Vamos, teremos tudo.

Depois de atender a vários turistas que compram algumas lembranças, meu irmão se aproxima e pergunta:

— Você está nervosa por esta noite?

Ao pensar em minha apresentação, dou de ombros e eu respondo:

— Um pouco.

Charlie sorri. Nós dois temos uma ligação muito especial apesar de ele ser mais velho e eu a caçula. É meu maior fã e melhor irmão do mundo. Agora animado, me diz:

— Você vai se sair maravilhosamente bem e quando ouvirem você cantar, eles vão pirar.

Um cliente me traz algumas conchas para que eu embrulhe, e enquanto faço, digo a meu irmão:

— Eu apenas faço parte da banda.

— E o quê?

— Não acho que alguém preste muita atenção em mim.

— Tão bonita como é e bem como canta, eles vão!

Nós rimos, enquanto continuamos a atender os clientes que nos entregam as suas compras.Às quatro da tarde, meus pais Kelly e Robert aparecem. Um casal original. Mamãe fala pelos cotovelos e papai é exatamente o oposto, mas com o olhar diz tudo. Acho que é essa maneira de ser tão diferente que os torna tão apaixonados um pelo outro.

Todos estão envolvidos no negócio familiar. Um negócio que nos dá o que comer e nos permite viver tranquilos.

Vejo que minha mãe se aproxima de Charlie e por seus gestos sei que esta perguntando como está. Todos nos preocupamos com ele, e como sempre, meu irmão apenas sorri.

Papai que, como eu, observa a situação, se aproximando de mim me pergunta:

— Você está nervosa, bufadorazinha?

Sorrio ao ouvi-lo, fazendo ao nome, respiro antes de responder:

— Um pouco, papai.

Mamãe da um beijo em Charlie e depois vem até mim e me beija também.

— Minha menina, vá agora e descanse – ela me diz — Esta noite você tem que estar relaxada. Deixei seu vestido passado e pendurado no armário e antes de ir para o hotel, tome um bom copo de leite, ok?

Eu concordo. Não vou criar um caso por causa do leite, mas concordo.

— Por falar nisso, minha vida – acrescenta — podemos ir te ver.

Depois de dar um beijo em meus pais e uma piscada para o meu irmão, vou para casa. Uma vez lá, pego minha mochila e me dirijo para minha aula de dança, onde me divirto. Dançamos salsa, dança do ventre e hip-hop, de tudo.

Quando retorno, entro em meu quarto e me atiro na cama. Oh, Deus...

Eu amo dormir. Isso é um dos maiores prazeres da vida, mas se eu dormir a esta hora levantarei de mau humor e ninguém me aguentará, então eu decido tomar banho para despertar.

Ao sair do chuveiro, desço para conversar um pouco mais com minhas avós, as sete coloco um vestido preto, como me disseram para fazer aqueles que me contrataram e sapatos de salto. Em seguida, pego o carro e me dirijo para o Grand Hotel Mencey para a minha estréia.

Ok, eu admito, agora eu estou um pouco nervosa!

Ser a garota da banda não é o emprego dos meus sonhos, mas pelo menos me permitirá subir ao palco e me divertir.

Ao estacionar o carro próximo do hotel, fico chocada ao ver Romeo, meu ex, do outro lado da rua. Veio me ver? Mas então percebo que eu não sou a razão de ele estar aqui, mas certamente uma ruiva com a qual se vê muito meloso.

Inacreditável. Eu vejo que a pena por nossa separação não o deixa viver.

De certa forma, isso me faz rir. Esta claro que Romeo e eu não fomos feitos para outro e confirmo que o melhor foi deixá-lo.

Uma vez que fechei o carro, cumprimento vários amigos ao entrar pela cozinha do hotel. Ali trabalha minha amiga Sadie que faz uns bolos maravilhosos. Ao ver-me, pega minha mão e pergunta:

— É verdade que você terminou com o Romeo?

— Sim.

— Por que? – E ao me ver bufar, acena com a cabeça — Tudo bem... Não há necessidade de me dizer, e eu imagino. No final, você percebeu que é um chato e vocês não tem nada para fazer juntos, certo? Olha, minha pequena, eu já dizia que esse cara não é para você. Você precisa de outro tipo de homem. Você sempre insiste em ir com os mais velhos que você, mas eu acho que você deve encontrar um cara da sua idade e que goste das mesmas coisas que você.

— Sadie, está enganada se você acha que eu vou me apaixonar por alguém.

Minha amiga, a grande romântica por excelência, responde:

— Você tem que parar de ir de flor em flor e encontrar um homem como meu Toño. De qualquer forma, outro dia, em uma revista, vi um vestido de noiva lindo. Quando ele me pedir em casamento, te asseguro que vou fazer esse vestido.

Eu rio. Ela, Toño e seu casamento.

Se tem algo que Sadie quer neste mundo é se casar, ter uma família grande e ser feliz. Para mim, em vez disso, tudo o que me dá mais alergia. Eu acho que no mundo em que vivemos, a família é uma instituição jurássica, mas bom, respeito que ela seja tão romântica e deseje ter seu belo casamento e sua história de amor.

Por outro lado, insiste em que eu tenho que gostar de alguém da nossa idade e não entende que rapazes me aborrecem extremamente. Eu gosto dos homens maduros, interessantes, aqueles que se pode falar e que na hora do sexo sabem o que fazem.

Quando apresentei o Romeo, ela o olhou de cima a baixo e sei que não gostou dele. Deu-me um prazo de dois meses. No final, eles eram quase sete, mas vamos, que sua intuição não falha!

Por alguns minutos a ouço reclamando sobre o pobre do Romeo enquanto eu rio. Sadie é única. Fala pelos cotovelos, como mamãe, e acho que isso é o que faz com que eu a adore e a queira bem. Quando finalmente vou dizer algo, aparece Maya, sua irmã.

— Olá, Millie. – me cumprimenta.

Fico vermelha como um tomate.

Sadie me olha de forma estranha.

Ao ver Maya me lembrei do que a vi fazendo na praia com seu marido e com outro homem e eu sou incapaz de dissimular.

Ela me olha e eu me abano com a mão, enquanto exclamo:

— Ufa... Está quente aqui, certo?

Sadie franzi o cenho. Ela me conhece e sabe que se eu reagi assim é por algo, mas quando vai perguntar, sua irmã se adianta e diz:

— Você esta muito vermelha. Você está bem, Millie?

Oh... Oh... Oh... O que eu digo? O que respondo?

Plano A: Eu rio.

Plano B: Eu faço de sueca, mas sou metade holandesa e metade espanhola.

Plano C: Tento disfarçar.

Sem dúvida, o plano C é o melhor e, tocando o meu olho, eu digo:

— Esta chata hoje esta rebelde e me sacaneando.

Maya sorri e piscando para mim diz:

— Cantar não é como trabalhar na creche. Está nervosa?

Em minha cabeça não deixam de passar imagens dela com os dois homens, mas me ofereceu uma saída fácil e digo que sim com a cabeça e respondo:

— Sim, é verdade. Estou um pouco nervosa.

Quando pega o que veio buscar e sai, eu olho para Sadie, que, com a faca na mão, sussurra em tom maternal: 

— Millie bobby brown, o que acontece?

— Nada.

Mas minha amiga é muito persistente e sem tirar os olhos, insiste:

— Ou você me diz ou quando casar não te convido para o casamento.

Isso me faz rir, mas como vejo que ela não sorri, finalmente respondo:

— Estou maravilhada pela atuação, é só isso.

Sadie levanta uma sobrancelha. Sei que não acredita em mim, mas sem dizer mais nada, começa a bater as claras em neve em uma velocidade queme deixa atônita. Logo retorna a um de seus temas favoritos: as virtudes seu amado e pegajoso Toño, até que de repente pára e diz:

— Wyatt me disse que Jaeden e ele passarão esta noite para te ver.

— Sério? – Sorrio ao pensar em meus bons amigos.

— Sim. Você sabe que beijam onde pisa. Você é sua Tulipa!

Jaeden e Wyatt são um casal incrível. No ano passado, eles se casaram e eu fui madrinha. Foi um dia mágico para todos e nós três confessamos o amor incondicional. Além disso, Wyatt é um homem aberto a qualquer tipo de conversa, algo que é uma pérola porque, embora converse quase tudo com Sadie em determinados assuntos ela é muito limitada.

Depois de alguns minutos em silêncio, eu me inclino em uma prateleira e como quem não quer nada, eu digo:

— Sua irmã e Joe abriram um bar, certo?

Ela concorda para de cortar a verdura olha para mim e sussurra:

— Isso é... É isso que acontece? Quem te disse isso?

— Você certamente não! – a censuro.

Sadie continua com suas verduras e, sem olhar para mim, sussurrando:

— Quando eu descobri, estava tudo decidido. Meu Toño está chocado e minha mãe envergonhada de Maya por ter montado um local assim. Eu ainda estou sem palavras. Foda-se... Eu não sou uma puritana, mas não quero que me relacionem com sua depravação.

— Depravação?

Ela solta um bufo de frustração e depois de olhar ao nosso redor se certificando que ninguém nos que escuta, continua:

— Você melhor do que ninguém sabe que para o sexo sou muito tradicional. Apesar de bom, meu Toño e eu nos damos nossa homenagem ocasionalmente. Mas uma coisa é uma coisa...

— E outra... É outra – finalizo e Sadie confirma.Depois de alguns segundos de silêncio, ela acrescenta:

— Minha filha, quando minha mãe descobriu que lá há trocas de casais como se fossem figurinhas, não parou de chorar em quarenta e oito horas. Esta desgostosa.

Figurinhas?

Essa comparação me faz rir, mas dissimulo. Não sei o que dizer. Meu rosto é um poema de sua reação. Estou surpresa com seus comentários. Diga o que diga, não é puritana em matéria de sexo.

— Esta é a mesma cara que eu fiz quando a desmiolada da minha irmã me explicou o que ela e seu marido iriam fazer. Eu disse que mamãe não entenderia, mas Maya não quis saber. Que é um negócio rentável e na verdade é, mesmo que não me faça gosto, reconheço que só em um mês de funcionamento, o bar está muito bem. Aparentemente, muitas pessoas frequentam – E baixando a voz, repete: — Meu Toño está chocado.

Mas não podemos continuar falando, porque o chef nos olha e diz:

— Vamos, vamos lá, meninas, parem de falar e voltem ao trabalho.

Sadie segue cortando as verduras rapidamente e eu me despeço com uma piscadela.

A apresentação sai muito bem. É meu batismo sobre um palco que não seja um karaokê e agradeço muito a Asher, um amigo que trabalha nesta banda, que pensara em mim.

Em um momento, vejo ao fundo minha avó Winona com algumas amigas.

Estão coladas no hotel e aplaudindo como loucas. E quando sinto que vou explodir de satisfação vejo Jaeden e Wyatt dançando na pista, enquanto cantamos Mamma mia.

Quando a apresentação termina, busco minha avó, mas não a vejo. Ela se foi com o grupo de amigas. Mas Jaeden e Wyatt e aproximam contentes.

— Ah, minha Tulipa, quão bem você fez! – Jaeden grita, me abraçando.Ele sempre me faz rir quando me chama de Tulipa, como a flor. Tulipa é uma flor da Holanda e meu pai é de lá, Jaeden decidiu me batizar assim.

Wyatt espera sua vez para me abraçar e quando o faz:

— Parabéns, artista. Você foi fabulosa.

Vou com eles para pegar uma bebida. Temos que comemorar a minha estréia e, como sempre, nós três passamos um grande momento.


 Duas horas mais tarde, depois de me despedir, pego o carro e volto para casa feliz.

Ao entrar, minha avó Nira, que está fazendo crochê sentada em uma cadeira de balanço, me cumprimenta:

— Olá, minha menina, como foi a apresentação?

Enquanto deixo minha bolsa em uma cadeira e chaves na bandeja de cerâmica na entrada, respondo, tirando meus saltos que estão me matando:

— Bem, vó, grande tudo. – E olhando em volta, eu pergunto — Está sozinha?

Ela sorri. Minha avó sempre sorrindo.

— Seus irmãos se foram faz horas, Winona está com suas amigas e eu fiquei aqui, feliz e tranquila, assistindo aquelas brigas na TV. Certamente, você sabe que a neta de Manolín Martinez se casou com o neto de Luciano Llorente?

Assustada, eu olho e me pergunto:

— E quem são eles?

Sem deixar o gancho, minha avó diz:

— São toureiros do meu tempo. E para que você me entenda, as duas famílias não se dão bem e seus netos se casaram em segredo. Você acredita?

— Sim, se você me disse eu acredito – disse zombando.

Ela assente com a cabeça ao ver meu riso e continua:

— Eu gostaria que você trabalhasse nas creches com as crianças e que não se dedicasse a cantar. Uma coisa é fazer o coro para Winona em suas apresentações e outra que você também queira ser artista como ela. Preocupo- me, Millie. Este mundo não é para você. 

Solto uma gargalhada.

— Vovó, o que você disse?

— O que você ouve, minha menina. Já te disse que estou preocupada. O que deveria fazer é encontrar um namorado, como sua amiga Sadie. Um rapaz decente e com boas intenções e formar sua própria família.

— Vovó...

— Ah, pequena, o dia que você casar será um dos mais felizes da minha vida. Lembre-se.

— Vovó, não vamos começar.

— Você estará linda vestida de noiva...

E como faz sempre que quer falar sobre um assunto que eu não quero, me olha com olhos de filhote de cachorro abandonado. E então ela acrescenta, com voz emocionada:

— Tão linda e loira como é, você estará tão bela que só de imaginar me emociono!

— Vovóóóóó!!! – protesto com carinho.

Conversamos um pouco sobre o que ela quer, é impossível não fazer, e depois me despeço e vou direto para o meu quarto. Não quero mais falar sobre casamentos.

Uma vez no meu quarto, retiro as lentes, retiro a maquiagem, coloco meu pijama e os óculos e ligo o laptop para me conectar ao Facebook. Quero que minhas amigas, virtuais ou não, saibam que a apresentação foi maravilhosa. Recebo parabéns e quando vou desligar o computador lembro algo e pesquiso no Google sobre a palavra Swinger.

Espantada, vejo que existem centenas de páginas dedicadas a uma atividade que até agora era desconhecida para mim e encontro vários bares swingers pelo mundo. Mesmo em Tenerife, como o da irmã de Coral, há mais três.

Leio com curiosidade um monte de páginas que explicam o que é o movimento Swinger e finalmente, visito virtualmente alguns locais. Ainda incrédula pela descoberta, me pergunto se as pessoas realmente trocam de parceiro nesses locais. Pensar nisso me provoca uma doença.

Deus, se Sadie e seu Toño descobrem, pensarão que eu sou outra degenerada como Maya.

O sexo, jogar com meus parceiros e minha imaginação sempre foram uma grande fonte de prazer para mim e de repente eu percebo que nada que leio ou vejo nestas páginas me escandalizam como aconteceu com Sadie.

Quando finalmente me deito, não paro de pensar sobre esses lugares.

Atraem-me.


Notas Finais


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