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História Admirador Secreto. - Capítulo 10


Escrita por:


Notas do Autor


oi
kkjj.................
EH EU SEI EU DEI MANCADA 6 MESES SEM POSTAR NADA NEM DAR SINAL DE VIDA P CHEGAR AQUI AS 3 DA MANHA C UM CAPITULO DE >>>QUINZE MIL<<< PALAVRAS EU SEI OKAY EH FODA

ta desculpa o surto
ENFIM
sim, vai ter muito chororô nessas notas porque eu tenho direito a isso nesse final de temporada, okay?
A baitolagem de verdade vai estar nas notas finais, alias. Por enquanto eu vou só explicar o que vai acontecer com a fic

A fanfic acaba de completar sua primeira temporada, e logo após a postagem do capitulo 10 eu vou, em cerca de alguns minutos, postar o trailer da proxima temporada, que será postada no meu perfil em breve (a data vai estar no trailer, não se preocupem). O spin off tambem será "anunciado" no trailer, apenas sua data e titulo
ENFIM
boa leitura, gente
como eu disse, a verdadeira baitolagem vai estar nas notas finais, boa sorte pra me aguentar

~Hope U Enjoy...

Capítulo 10 - 10- Quase Meia-Noite de Ano Novo. - The Night We Met.


Fanfic / Fanfiction Admirador Secreto. - Capítulo 10 - 10- Quase Meia-Noite de Ano Novo. - The Night We Met.

{Recapitulação}

 

Os ultimos a saírem, os quatro garotos. Tawan passava o braço por cima dos ombros de MeiaUm, que entrelaçava sua mão na dele, esperando Saiko pegar sua nova carta. Ycaro conversava tranquilamente com o casal, por isso não percebeu a demora de Saiko. O garoto havia aberto a carta e começado a ler, apenas o começo, curioso e ansioso para ver o seu conteúdo, porém dessa vez havia algo diferente nela. Ximenes franziu o cenho, olhando as palavras que se repetiam em sua cabeça.

 

Eai, Saiko.

 

 

"Eai, Saiko". Afinal, eram apenas duas palavras mas, de alguma forma, lhe faziam pensar.

Apenas seus amigos mais íntimos lhe chamavam por seu apelido. Apenas os três a sua frente lhe chamavam por seu apelido.

Apenas os três...

 

 

You've been pickin' it up like Groundhog Day

'Cause it might've been somethin', don't say

'Cause it has to get lost in yesterday

 

 

 

(Você esteve vivendo como no filme Feitiço do Tempo)

(Porque pode ter sido algo importante, não diga)

(É preciso se perder no passado)

 

 

- Saiko! - Carlos o chamou, rindo alto com os outros dois amigos. Seu sorriso e seu olhar lhe diziam algo que preferia ignorar ao menos no momento. - Vem logo, doido, a gente vai no fliperama, cê vai junto?

- Já tô indo.

 

 

If it calls you, embrace it

If it haunts you, face it

 

 

(Se as lembranças chamarem por você, abrace-as)

(Se elas te assustarem, enfrente-as)

 

{Capitulo 10}

{10- Quase Meia Noite de Ano novo}

{Musica: The Night We Met.}

 

- VOCÊ O QUE? - André quase cospe seu suco de laranja, indignado com o que acabara de ouvir. Carlos olha em volta, todos na lanchonete olhando para os dois com os olhos arregalados. Se escorou contra a parede, com o rosto fervendo de vergonha e desejando não estar ali.

- Fala baixo, caralho! - O loiro o repreende, levantando o cardápio para esconder seu rosto das pessoas em volta, deixando que apenas André, de frente para ele, visse sua carranca brava e corada.

- Eu não acredito que você beijou o Rodrigo e só me falou agora, Ycaro! - André limpou os lábios sujos de suco, debruçando na mesa para ficar atrás do livro de pé na mesa.

- Para de drama, foi ontem, Meia Um. - Carlos revira os olhos.

- Como, onde, em que situação e com qual reação? - Felipe perguntou rapidamente antes de dar uma garfada em sua panqueca, coberta de mel e canela. Observou Ycaro se encolher no banco vermelho com seu olhar desviado, o rosto ainda vermelho e os labios crispados. Sabia o que isso significava. - Ycaro que que você tá escondendo?

- É que assim... - As orbes da mesma cor e doçura de caramelos subiram até encararem os olhos negros, impacientes e curiosos de Felipe. - Meio que não foi só uma vez... - Bateu as pontas dos indicadores como uma criança com medo de falar para sua mãe o que fez de errado. André parou de mastigar, com uma feição quase que inexpressiva.

- Ycaro vocês se pegaram quantas vezes de madrugada? - André perguntou com uma falsa decepção na voz, fechando os olhos enquanto perguntava.

- Ehh... - Engoliu a seco, antes de falar demoradamente. - Seis...

- O QUE?!

Ycaro bateu em sua própria testa, mesmo sabendo que ele iria surtar exatamente desse jeito. Sinalizou com as mãos para o amigo abaixar seu tom de voz, com os olhos cerrados, sentindo os olhares alheios sobre si. André respirou fundo pela centésima vez naquele dia. Não esperava que fosse se estressar tanto com a teimosia do amigo.

- Você vai assumir pra ele e vai fazer isso rápido, Ycaro. - André disse quase que sério, como um conselho de verdade. Iria continuar a falar se o celular de Ycaro não denunciasse uma notificação; Ele sabia qual era apenas de ouvir. Saiko. - Desliga essa porra desse celular, Ycaro.

Fazendo exatamente o contrário do que Meia Um disse, ele desbloqueou a tela do celular e foi direto para a notificação.

- É o Rodrigo. - Falou com o celular nas mãos, e um moreno impaciente a sua frente, batendo a ponta dos dedos calejados sobre a mesa.

 

 

[saikomene]: ycro

/08:47\

 

- Ótimo, vai falar é agora pra ele. - Meia Um parecia bravo em sua fala, o que não era mentira. Porém, por trás da raiva de Ycaro estava uma curiosidade tremenda para saber o que estava acontecendo.

- Calma aê doido. - Carlos começou a digitar, e André viu suas sobrancelhas juntarem conforme os segundos se passavam.

 

 

[ycro]: que foi homi?

/08:51\

[saikomene]: cê vai passar o ano novo lá na casa do meiaum?

/08:52\

[ycro]: vc vai?

/08:53\

[saikomene]: vou né

[saikomene]: depois de você ter me enchido o saco quatro dias pra essa porra

/08:53\

[ycro]: então eu não vou mais
/08:54\

 

- Que que ele tá falando? - Finalmente perguntou Felipe para matar sua curiosidade. A ponta de seus dedos continuavam a bater contra a mesa de madeira, e sua perna balançava por debaixo dela.

- Tá me perguntando se eu vou passar o ano novo contigo também.. - Murmurou, sem tirar os olhos do celular. Foi respondido apenas com um "hum".

 

[saikomene]: vai a merda

/08:55\

 

- Ele me ama. - Carlos sorriu sem mostrar os dentes, ironico no que dizia enquanto virava a tela do celular para André. Felipe, ao ler, teve vontade de rir. Logo depois de soltar um risinho que não conseguiu segurar, assumiu novamente sua pose "severa".

- Você tem que falar pra ele, Ycaro, é sério. - André falou, gesticulando com as mãos e olhando direto nos olhos de Ycaro, que apenas assentiu.

Passou-se um tempo e ambos começaram a conversar normalmente, sobre vários assuntos mas, principalmente, sobre o ano novo. A pose severa e séria de André desmoronou quando Ycaro lhe perguntou sobre, tomando uma feição ansiosa e preocupada em relação ao assunto. Faltava três dias para o ano novo e todos estavam ansiosos para a viagem que André havia preparado desde o começo do ano. Seu tio tinha uma casa de praia que ele deixaria-o usar, pois iria passar o ano novo em outro país. Aproveitou-se da situação e convidou mais gente do que pensou que ia, mas ainda sim, apenas amigos próximos. Para ser sincero, nem sabia que podia ter tantos amigos assim, passava a maior parte de seu tempo apenas com os três que, quando contou nos dedos e se lembrou de tanta gente que era especial para si que nem coube em sua mão, se surpreendeu de verdade.

- Vai eu, você, o Tawan, o Saiko, a Fran, a Maethe, o Alan, o Felps... - Ycaro parou para pensar, olhando o teto. Contava nos dedos, porém sua memória falhava.

- O Rafa e eu também convidei a novata que tá sempre grudada com eles. Além disso o Rafael e o Felipe também vão trazer o Matheus, o Thiago e o outro Rafael. - André deu um gole em seu chá, que havia sido pedido a pouco tempo junto com um café com leite para Ycaro. A “novata” foi a única pessoa além de Cellbit que Ycaro reconheceu. Meia Um não tinha tanta intimidade com os quatro citados mas ainda sim gostava de sua companhia, quanto a novata, nunca havia conversado com ela, mas confiava no bom gosto para amizades de Rafael, Felipe e Fran. Mesmo assim, sentia quase vergonha de tentar lembrar seu nome e não conseguir. Isabel? Isabele? Não conseguia se lembrar por mais que tentasse, só sabia que começava com “i”.

-Quem é essa gente que eu nem conheço? E a Ingrid, mano? Por que ela? Cê nem fala com ela, doido - Carlos retorceu o rosto, confuso. Os fios loiros escorridos brilhavam dourado com o sol que saia da janela da mesa, batendo diretamente no rosto do amigo; Fazendo ele cerrar os olhos castanhos, de vez em quando colocando a mão na lateral do rosto para evitar a luz.

- Sei lá, mano, ela parece ser legal e a Skii pediu pra ela ir junto quando eu fui convidar ela. E os três amigos do Rafa, acho que cê não conhece,mas eles são legais também, cê vai gostar. - Meia Um suspirou brevemente, se ajeitou na cadeira e pegou seu celular, dando uma breve olhada nas notificações e logo depois o colocando em seu bolso novamente.  - Minha mãe tá me chamando pra voltar pra casa, bora rachar a conta, de boa?

- De boa, mano.

 

(...)

 

Ycaro não esperou que os três dias seguintes fossem passar tão rápido. Eram 6 da manhã e ele estava se despedindo de sua mãe, sorridente, com um beijo na bochecha quando Rodrigo pousou a mão sobre seu ombro, fazendo um sinal para entrarem no onibus.Lembrava-se bem do que André havia dito para todos, afinal, ficou repetindo aquilo em sua cabeça mais vezes do que poderia contar. Haviam apenas três regras impostas pelo dono da festa:

 

1- "Tragam comida e bebida para vocês e para mais uma pessoa, assim todo mundo vai ter o que comer e beber de sobra"

2- "Cada um paga a própria passagem de ônibus"

3- "Se alguém quebrar alguma coisa da casa vai ter que pagar o dobro do preço"

 

Entrou no ônibus mandando beijinhos para sua mãe, que lhe havia dado carona até o ponto de partida do ônibus mesmo que cedo. Quando, no corredor estreito entre os pares de assentos, Carlos olhou para todas as pessoas que haviam vindo ele engoliu a seco, sabendo – ou melhor, sentindo -  que aquela festa iria mudar muita coisa. A maioria do grupo levou as roupas que usariam de noite em suas mochilas, junto com roupas de banho por que, obviamente, em algum momento iriam pular no mar.

Todos estavam cientes que metade de suas bolsas estavam cheias de bebidas alcoólicas e em algumas até alguns cigarros ou baseados, mas caso alguém – Ainda mais um adulto - perguntasse, cada pessoa naquele ônibus iria lhe falar que não sabia do que estava falando, e que seria apenas uma festa boba; quando na verdade todos ali estavam cientes que isso tudo era mentira. Estavam planejando muito mais do que uma pequena festa, mesmo sendo um pequeno grupo – comparado as “festas de verdade”.

Foi pensando que Carlos de repente sentiu um empurrão em suas costas que lhe fez tropeçar para frente. Reconheceu a risada maldosa atrás de si; Ximenes.

- Empurre a mãe, vá - Carlos resmunga ao se virar para trás, batendo no peito de Saiko e, com uma cara emburrada, indo para seu lugar.

Rodrigo olhou para o ônibus e viu, no fundo, Franciele conversando com outra garota que não conhecia – Cujo os cabelos, assim como o de Skii, eram pintados, porém de roxo e assim como Franciele também, as raízes denunciavam a cor castanha natural de seus cabelos. Junto das duas haviam Rafael, Felipe e mais outros três rapazes que pareciam entretidos demais dentro da própria bolha.  Engoliu a seco quando os olhos verde água se encontraram com os seus, imaginou que ela não iria querer nenhum tipo de contato consigo; e foi por isso que se surpreendeu quando ela lhe deu um sorriso meigo, acenando. Suspirou tranquilo, sorriu e acenou de volta sem perceber o leve olhar enciumado de outra cabeleira loira. Skii não era uma pessoa ruim, e Saiko apenas percebeu isso depois de superar tudo o que aconteceu. No fim, apesar de ainda sim ter ficado obviamente chateado com o que ela fez, entendeu o por que disso.

Fran nunca teve uma pessoa que lhe tratasse bem de verdade, e quando começou a namorar Saiko ela achou que se fingisse gostar de alguém que sabia que era legal iria finalmente ter alguém que a amasse de verdade e não a tratasse como travavam em seus relacionamentos anteriores. Porém Skii não gostava de Rodrigo, mesmo que tentasse se forçar a isso, e ele só percebeu que ela apenas queria alguém descente quando reencontrou ela naquele momento; e com aquele simples gesto, soube que estava tudo bem entre eles. Não sentiu rancor nem raiva, por que sabia que no fundo Skii não queria magoar ninguém, apenas não ser mais magoada. Se sentou ao lado de Carlos, sorridente, porém quando virou para olhar o loiro e comentar sobre isso, viu o mesmo de cara fechada, olhando através da janela com o celular na mão. Levantou uma sobrancelha, confuso.

 Do outro lado dos assentos de Ycaro e Saiko, e mais para frente, estavam os assentos de Meia Um e Tawan. André estava nervoso, definitivamente muito nervoso. Queria que ocorresse tudo bem na festa, e ainda teria que certificar-se que Ycaro iria de fato se declarar para Saiko. Sua perna balançava freneticamente, se lembrando do que havia dito para Ycaro alguns dias atrás com a respiração desregulada e o coração batendo rápido.

 

 

- Ycaro, tá brincando que você não vai falar pra ele? Vocês já tão nessa porra de Admirador Secreto faz quase QUATRO MESES, Ycaro. – Meia Um repreendia, apesar de saber que o amigo era teimoso e ignoraria tudo que estava falando. – Esse ano novo é a oportunidade perfeita pra você se declarar pra ele.

- Não, nem fudendo. – O loiro afirma, cruzando as pernas sentado sobre sua cama. – Se ele não aceitar, vai estragar o ano novo de todo mundo, e isso é o que eu menos quero.

André suspirou, sabendo que não iria conseguir mudar a opinião do loiro, afinal, já tentou antes e ele nunca lhe ouvia.

- Você vai passar o dia com o Tawan ou com sua mãe? – Carlos perguntou apenas por curiosidade,ou talvez para mudar de assunto. Muito provavelmente os dois.

- Acho que com o Tawan. Minha mãe quer convidar pra casa um cara que ela conheceu faz uns meses, e sinceramente eu não tô afim de ser empata-foda – Felipe riu. – Apesar que eu tenho quase certeza que não vai dar nada.

- Não fala assim, pode ser que esse seja realmente o seu padrasto definitivo, vai que... – Ycaro dá uma risada, recebendo um soquinho no ombro do moreno.

- Tá, okay, não vou ficar aguentando as suas piadinhas escrotas com a minha mãe, já vou indo, abre lá o portão pra mim. – Meia Um pega seu celular e sai do quarto de Carlos, sendo seguido pelo próprio.

- Não aguentou foi, bichinho?

- Vá pra merda, Ycaro.

 

Afinal, e se realmente Rodrigo o recusasse e estragasse o ano novo de todos?

Ele sabia que o amigo poderia ser muitas vezes um babaca, ou um completo confuso que não sabe o que quer.

 Ou os dois.

A ultima coisa que queria é que Ycaro saísse da festa com o coração partido, mas não aguentava mais o simples termo “Admirador Secreto”. Até quando procurando algum filme para assistir retorcia o rosto de nojo ao ver os romances clichês, tudo graças ao joguinho de esconde esconde dos dois. Além disso, e se alguém quebrasse alguma coisa? Fizesse merda? Afinal, um bando de adolescentes bêbados sozinhos numa casa isolada da maioria poderia muito facilmente acabar em problemas.

Estava tudo em sua responsabilidade. Apesar do que havia falado para os pais dos amigos – Algo como: “Meu tio deixou a gente ficar lá com ele e eu queria muito levar o grupo todo junto, por favor, vai” -, seus tios não estariam em casa em nenhum momento, e eles apenas deram permissão para André porque pensavam que apenas ele e Tawan iriam ficar na casa. No fim, se alguém quebrasse algo não saberia o que fazer, por que não saberia como explicar tudo para seus tios caso fosse descoberto.

Quando se deu conta, estava mordiscando seu dedo indicador, deixando seu nervosismo transparecer drasticamente. Olhando para o chão, não se deu conta que era observado pelo namorado.

- Dré, tá tudo bem contigo? – Tawan, ao seu lado, afasta sua mão direita de sua boca, olhando seus olhos com preocupação.

- Tá, eu só... Tô um pouco nervoso. – André sorriu falsamente mesmo sabendo que Tawan sabia quando estava sorrindo de verdade ou não. Mexeu a cabeça, suspirando; em seu semblante ainda permanecia a energia de quem estava cansado e preocupado.

- Eu tô aqui, tá bom? – Anci deixa um beijo em seu ombro na tentativa inocente e amorosa de demonstrar apoio incondicional enquanto segurava sua mão. E então, com um suspiro, André relaxou. Por que ele se lembrou que algumas coisas não dependem dele para dar certo, e estava tudo bem nisso.

Ingrid parecia animada com aquilo. Seria o primeiro “rolê” de verdade que daria com seus novos amigos, e estava ansiosa para isso. E novos amigos haviam sido apresentados para si a poucos dias. Quando conheceu Matheus, Thiago e Rafael – ou melhor, PK, Calango e Guaxinim -, ficou tímida, como o usual, mas acabou percebendo que assim como os outros três amigos, eles eram pessoas que, de alguma forma, lhe faziam sorrir sem que nem percebesse e lhe distraiam de qualquer coisa, não importa o quão ruim seja. Ingrid estava genuinamente feliz, por que não podia pedir por algo a mais. Na verdade, parecia tudo bom demais para ser real.

 Skii estava sorridente ao seu lado, e Rafael e Felipe não soltavam as mãos um do outro em nenhum momento, ao contrário de Rodrigo e Ycaro, que não paravam de se xingar e se bater, disputando espaço no banco ou brigando por qualquer coisa. Quase como Alan e Maethe, que implicavam por que a garota queria dormir e Alan a atrapalhava.

O ônibus começou a andar, e a viagem seria demorada.

A primeira hora de viagem, a maioria das pessoas já estavam dormindo. Alan roncava baixo no colo de Maethe – No fim ela ficou tão brava que perdeu o sono, mas seu coração amoleceu ao ver o, amigo que agora era namorado, bocejando cheio de sono -. André ameaçava fechar seus olhos por causa da sonolência, mas tentava os manter abertos até que, com um sorrisinho, Anci o puxou para um abraço, embalando seu sono. Thiago dormia com um travesseiro em seu pescoço – o qual Matheus julgou ser ridículo – mesmo com a conversa alta entre Matheus e Guaxinim lhe atrapalhando. Rodrigo mexia em seu celular, e Carlos dormia com o rosto prensado contra o vidro sem que o moreno visse; E quando Ximenes, por curiosidade olhou para o lado, gargalhou com a cena imediatamente.

Não demorou para logo ligar a câmera, e fez questão de tirar várias fotos, como o bom cretino que era. O loiro estava encolhido no banco, com a bochecha prensada no vidro, babando com o rosto quase que amassado graças a pose. 

Skii, no banco de trás, viu a situação e riu junto, se debruçando no banco da frente quando Saiko lhe mostrou a tela do celular, as fotos de Carlos. Fran tentou prender a risada, com a mão sobre o ombro de Rodrigo.

Felipe cutucou Rafael, que estava prestes a dormir quando viu o namorado sinalizar com a cabeça  para olhar. Lange, quando viu o antigo casal rindo juntos como se fossem bons amigos, arregalou seus olhos, olhando de volta para Felps com um sorrisinho incrédulo. Aiko, vendo a cena e a reação do casal a ela, ficou confusa. O que tinha demais naquilo para tal reação?

- Calma, tive uma ideia.. – Skii disse, dando dois tapinhas no ombro de Ximenes antes de pegar sua bolsa e começar a procurar algo nela. Tirou de dentro do bolso um canetão permanente, e todos ali souberam que a farra iria começar quando Fran abriu um sorriso típico de quem vai fazer algo maldoso.

Skii e Saiko se aproximaram de Ycaro, e para as outras pessoas – agora todas exceto as que estavam dormindo prestavam atenção na cena, segurando a risada ou murmurando – impedindo de ver o que acontecia, já que a única coisa que podiam ver era as costas dos dois. Enquanto Saiko e Skii revezavam o canetão para rabiscar no rosto de Carlos, riam e se entreolhavam, dando sugestões do que fazer e tirando foto vez ou outra. Pobre coitado de Ycaro, que com seu sono tão pesado nem mesmo sentiu a ponta áspera e cheia de tinta passeando por seu rosto.

Porém o karma vem rápido. Na estrada, o motorista acaba passando por uma lombada e, além de Franciele deslizar sem querer o canetão e enfia-lo no nariz de Carlos, tanto ela quanto Rodrigo perdem o equilíbrio, fazendo Ximenes cair para trás e Fran para frente, direto no loiro que acordou num pulo após sentir a caneta adentrar brutamente seu nariz.

- Que porra é essa?! – Falou alto, observando Ximenes esparramado no chão do ônibus e Franciele jogada sobre si, segurando a risada que todos os outros não seguravam. Até mesmo Ingrid estava rindo. – Que porra cês fizeram?!

- NADA! – Rodrigo berrou, gargalhando desesperadamente, pôs a mão sobre a barriga enquanto tentava se recompor e voltar a se sentar assim que Skii saiu de seu assento.  Imediatamente, Carlos suspeitou, principalmente com Ingrid gravando a cena – a pedido de Rafael -. Pegou seu celular e olhou na tela desligada o seu reflexo. Suas bochechas imediatamente coraram de vergonha e raiva.

- NOSSA MANO EU VOU TE MATAR, DOIDO! – Carlos gritou antes de abandonar o celular em seu banco e levantar a mão para bater no amigo, porém quando viu o mesmo já estava correndo pelo corredor curto, mas mesmo assim tentando fugir do loiro rindo ainda mais alto. A cena seria cômica se não fosse trágica, Ycaro correndo atrás de Saiko com o rosto cheio de desenhos de pintos, um bigode e frases como “dar o cu é vitamina dou pra tu e tua prima” e no fim, Saiko apanhando por ele e por Skii.

 

(...)

 

Quando o ônibus parou, Carlos foi o primeiro a sair, com sua mochila com roupas, comidas e bebidas quase caindo de seus braços de tão rápido que andava. Logo atrás dele, Rodrigo, que colocou a mochila nas costas e chamava não só Skii mas como o resto do grupo, rindo alto. Os últimos a sair foram Tawan e André, de mãos dadas. André pagou o motorista, e num curto dialogo determinou que ele voltaria ás 10:00 do dia seguinte, e enquanto conversava com o homem, Anci olhou para o pescoço de Felipe. A gola alta de sua camisa estava amassada, revelando então as manchas roxas do dia anterior. Desviou o olhar e segurou a risada pondo a mão sobre a boca. Desceram do ônibus, e só então Anci murmurou:

- Levanta a gola. – André lhe olhou confuso por um segundo, mas logo depois se lembrou das marcas como se uma luz se acendesse em sua mente. Levantou a gola com o rosto completamente vermelho.

A casa era simples e parecia ser aconchegante. Haviam janelas grandes e resistentes do chão ao teto que possibilitavam a visão de dentro da casa. Era uma casa aberta, sem muros, talvez porque não havia vizinho nenhum. Era cercada da areia quente da praia e tinha uma vista linda para o mar, que ficava a poucos metros dela. André sorriu, mas o sorriso se desfez quando baixou o olhar e viu Carlos com a cabeça enfiada debaixo d’água da torneira da lavanderia – que consistia apenas em uma maquina de lavar, uma secadora e um tanque -, a qual ficava ao lado da entrada; que um pouco antes, havia um pequeno deque com pequenos degraus. Atrás dele, como em quase toda a viagem, Rodrigo segurando a risada, assistindo o loiro de cabelos presos lavando seu rosto – ou melhor, tentando.

- ESSA PORRA NÃO TÁ SAINDO, RODRIGO, EU VOU PEGAR ESSE CANETÃO E ENFIAR ELE ATRAVESSADO NO SEU CU, MANCHO! – Carlos gritou antes de voltar a esfregar seu rosto com as mãos. Saiko não conseguiu prender a risada, gargalhou da cena; Ycro esfregando seu rosto até ficar vermelho, murmurando xingamentos que saiam ininteligíveis graças a água que escorria de seu rosto. Apesar de não sair, parte da tinta agora estava borrada e seus dedos cinzas.

- Meu deus, Ycaro, tá borrando tudo – Rodrigo limpou as lágrimas que deslizaram de tanto rir, mas voltou a gargalhar mudo quando Carlos levantou o rosto enfurecido, vermelho e encharcado, pingando água por seu queixo. - Parece que as rola tão gozando agora, parabéns, abestado.

- Vai se foder, seu bosta!

 

(...)

 

No fim, Ycaro só conseguiu tirar a tinta de caneta de seu rosto duas horas depois, depois de esfregar mais o seu rosto do que jurou que esfregaria o de Ximenes no asfalto.Todos permaneceram conversando uma ou duas horas antes de começarem os “preparativos” para a festa.

Alan e Felps conversavam enquanto montavam juntos a playlist da festa, recolhendo pedidos do resto do grupo. Substituíram as típicas musicas ridículas que pessoas de suas idades tocavam em festas pelas suas próprias musicas,

 Fran e Rafael estavam abrindo os pacotes de salgados e comidas e os colocando em tigelas separadas, as vezes jogando a embalagem vazia um no outro e comendo algum salgado escondido e sempre sendo repreendidos por Aiko, que insistiu em ajudar – talvez por se sentir intrusa naquele grupo de amigos tão antigos. Por ser novata na escola e no grupo, acabava perdendo vários acontecimentos e varias piadas internas, e isso de certa forma lhe chateava.

Thiago assistia Rafael e Matheus discutirem sobre uma decoração que nem mesmo era para existir. PK insistiu que devia ter – principalmente pelo fato de já ter trazido todos os enfeites – uma decoração, mas precisava de ajuda para isso. Rafael, porém, retrucava que não havia necessidade daquilo, principalmente porque não havia sido combinado em momento nenhum alguém decorar a casa – mas no fundo ele apenas não queria falar que estava com preguiça demais para aquilo -. No fim Guaxinim acabou não resistindo ao pedido de Matheus, principalmente quando Calango finalmente ofereceu ajudar também.

 Rodrigo, Ycaro e Tawan estavam aos murros no mar. Brincando de se bater no pior lugar possível, mesmo que não fosse uma área tão funda. Nem sabiam porque a “briga” começou, Carlos apenas revidou quando Ximenes lhe socou o braço, e depois de ver os dois brigando Anci se enfiou no meio.

André estava debaixo de um guarda-sol, vendo Rodrigo afundar a cabeça de Carlos na água para logo em seguida o loiro se jogar para o fundo, levando junto Rodrigo e Anci. Enquanto tudo isso acontecia, André surtava por dentro e se sentia como um típico adolescente de filme de romance americano, onde os pais saem de casa e o filho dá uma festa que destrói tudo. Porém, um fato que deve ser lembrado é que em nenhum filme de romance americano que Felipe já viu, jamais o filho santo que, do nada dá uma festa e deixa a casa uma bagunça se dá bem. No fim, ele estava com um mal pressentimento enorme sobre isso, e no fim nem sabia o por que.

No momento seguinte estavam todos encharcados conversando, sentados sobre a toalha que Meia Um havia colocado ali. Alguns momentos jogavam areia uns nos outros, outros riam juntos, as vezes espiavam os celulares ou comentavam sobre a festa que iria acontecer.  No fim só o que importava era aquela pequena calmaria antes da tempestade, aquele fim de tarde aconchegante, os grãos de areia grudando contra as peles úmidas e as risadas altas acompanhadas de sorrisos singelos.

- Mas quando que ela vai começar mesmo? – Ycaro pergunta após olhar o céu escurecendo, sorrindo sem perceber, tranquilo. Rodrigo, do outro lado, não conseguia tirar os olhos daquele sorriso, revezando entre encarar os olhos cor de mel e os lábios avermelhados, numa feição tão serena e despreocupada.

“Não pensa, Rodrigo, não pensa. Ignora”, repassava o Saiko mais vezes do que podia contar dentro de sua mente agitada. A ansiedade lhe corroía por dentro, Tinha certeza, mas não absoluta, sabia certamente, mas não podia arriscar. Só percebeu agora que mesmo sentado, sua perna ainda sim balançava em nervosismo. Ele tinha medo de ser verdade e de não ser, no fim só tinha medo de suas paranoias estarem certas.

- Daqui a uns quarenta minutos – Meia Um falou após checar o relógio do celular, era 18:52 e o sol já estava sumindo quase que completamente do céu. Carlos arregalou os olhos, Tawan levantou uma sobrancelha e Rodrigo resmungou um alto e sonoro “Ah não!”. Se arrependeu de ter deixado Ycaro lhe arrastar para aquela festa. Queria aproveitar o tempo com os amigos, e não queria chatear Meia Um, mas ainda continuava odiando festas. Na verdade, ambos não gostavam. André só ia nas festas de Skii por causa de Tawan, e só estava dando essa festa por que era apenas com seus amigos. – Ué, que foi? – Meia Um estranhou a reação dos dois, principalmente de Ycaro, que logo depois disso levantou-se e foi em direção a casa apressadamente.

- A gente tem que se vestir, o pessoal já deve tá tudo pronto, doido, vamo logo! – Virou para trás para falar a frase, chamando os amigos. Tawan logo se levantou e foi atrás de Carlos, sendo seguido por André. O ultimo a se levantar foi Rodrigo, com os cabelos molhados e as pernas cheias de areia, tentando afastar os pensamentos insistentes de sua mente ansiosa.

Chegando na entrada, viu pelo vidro a sala de estar vazia, apenas com Alan, Cellbit e Felps. Entrou apressado, quase tropeçando nos próprios pés.

- Onde o resto do povo? – Foi direto. Como o esperado, os três já estavam arrumados. Rafael vestia calças e uma camisa branca, com seu tênis vermelho que sempre usava. Felps, uma camisa de alguma banda que não conhecia e uma jeans rasgada – ele não acreditava nas “baboseiras” de ano novo, nem Alan, mas por insistência de Maethe acabou por vestir roupas brancas também.

- Tão tudo lá em cima. – Felipe murmurou, sem tirar os olhos da tela da TV, assistindo Alan jogar enquanto fazia cafuné nos fios loiros encostados sobre seu ombro. O resto do Quase Meia-Noite entrou pela porta logo depois.

- O Thiago e o Matheus tão terminando de arrumar as coisas na cozinha, o Guaxinim tá lá em cima – Alan olha brevemente para Ycaro antes de voltar a jogar, sinalizando com a cabeça para a cozinha e para a escada.

- Onde tem banheiro aqui, Meia Um? A gente precisa tomar um banho antes. – Disse Carlos, esperando a resposta de André que veio como um sinal com a cabeça pra segui-lo. Atravessou a sala, num corredor que, caso seguisse em frente daria até a cozinha, estava um banheiro, pequeno mas ainda sim com um chuveiro e um pequeno Box.

- Só tem dois, esse aí e um outro lá em cima. – André disse com as mãos na cintura. Os quatro se entreolharam por um segundo.

Alan tomou um susto e derrubou o controle quando viu Ycaro correndo para subir as escadas, com Tawan o seguindo e tentando lhe puxar, gritando algo como “nem fodendo desgranhado, eu vou primeiro e pronto”, e Cellbit, que estava quase dormindo no ombro do namorado, acordou assustado com Saiko batendo na porta do banheiro.

- NÃO É JUSTO MEIA UM, EU TAVA AI PRIMEIRO, ABESTADO!

 

(...)

 

No fim o banho de Meia Um e de Ycaro nem durou tanto assim. Estavam com pressa e com dois idiotas batendo na porta do banheiro e os xingando, o banho não pôde durar mais que 15 minutos. Carlos saiu enrolado com sua toalha na cintura, mostrando o dedo do meio para Tawan, que logo que entrou no banheiro gritou seu nome, bravo, o xingando ainda mais. Havia molhado a toalha de Anci, que estava sobre a pia antes de sair do banho. Seguiu andando no corredor com um sorrisinho cretino no rosto.

Passando pelo corredor de dois quartos, um – o quarto de hospedes – estava uma completa bagunça; Mesmo com a porta fechada, conseguia ouvir as vozes de Ingrid, Skii, Maethe e mais um garoto cuja a voz não conseguia reconhecer. E o outro cômodo – o quarto dos tios de André – estava vazio, e foi esse que entrou para se vestir. Secou o Maximo que podia os seus cabelos com a toalha, mas por mais que os esfregasse eles ainda sim não secavam, precisava de um secador. Vestiu sua roupa; Uma calça jeans cinza com correntes penduradas na barra perto dos bolsos e uma camisa de manga longa colada ao corpo de cor vermelho escuro, e por cima uma camiseta preta com uma frase em japonês que, sinceramente, até hoje não sabia o que significava. Enquanto passava perfume – algo que trouxe apenas na esperança de, talvez, passar o ano novo ao lado de Rodrigo -, lembrou-se da forma engraçada de como escolheu as roupas que vestiria no dia.

 

- São três da manhã, porra Ycaro, depois de amanhã é a viagem e cê quer resolver isso bem agora, caralho? – Meia Um falou alto, enfurecido. Era de madrugada e estava tendo talvez o melhor sono de sua vida, se não fosse interrompido por um loiro burro que não sabia que roupa escolher.

- Por favor, mancho, prometo que nunca mais colo de você em nenhuma prova, nem roubar pedaço do lanche que você junta dinheiro pra comprar na cantina e nem... – André parou de prestar atenção, mas sabia que Ycaro continuava prometendo desesperadamente coisas que com certeza não iria cumprir. Massageou as pálpebras, respirou fundo e contou até três. Já havia acordado e passado raiva, não iria adiantar, seu sono já fora embora.

- Eu vou te ajudar, mas depois disso você vai me deixar em paz dormindo numa boa. – André falou pausadamente, se sentando na cama e colocando no vivo a voz num volume baixo. Ouvindo Carlos lhe agradecendo diversas vezes e fingiu ignorar, mas deixou escapar um sorrisinho. – Okay, que roupas novas ou que pareçam novas você tem? – Levantou-se para acender a luz.

- Xô ver aqui, man. – Ouviu no fundo os passos de Ycaro, junto do ranger de uma porta. – Mancho, o que exatamente é novo pra você?

- Roupa bonita, Ycaro, qualquer coisa que não esteja manchada, rasgada, velha ou que você use pra dançar, inclusive a sua touca. – André abriu seu guarda-roupa, remexendo os cabides.

- EI! Qual o problema com as minhas roupa que eu uso pra dançar? Minha touca é linda, cê tá é com inveja. – Carlos bufou, e André teve certeza que ele estava com o nariz empinado e expressão falsamente ofendida, sem nem precisar perguntar.

- O problema das roupas que você usa pra dançar é que todas as camisas são o dobro do tamanho que você devia usar enquanto as calças são a metade do numero que você devia usar e todas dão a impressão que ou você vai cheirar dois quilo de cocaína do pau de algum cara, e a sua touca é brega, Ycaro.

- Minha touca não é brega, abestado! E eu gosto das minhas roupa de Dan-

- Tá, quer saber? Foda-se, fala tudo que você tem que não esteja velho, rasgado ou manchado. – André o interrompeu, impaciente. Separou algumas peças de roupa, e continuou a mexer em suas outras roupas, com o celular em cima da prateleira ao lado dos cabides.

- Okay, deixa eu ver, primeiro calça ou primeiro camisa? – Ycaro perguntou, abrindo suas gavetas.

- Primeiro camisa, eu também tô vendo umas roupas minhas aqui caso alguma fique legal em você. – André olhou um moletom preto que nem mesmo lembrava que tinha. Deu de ombros e o jogou em cima de sua mochila, para depois colocar dentro dela.

- Okay, eu tenho uma camisa com as manga longa com tipo umas flor meio que bordada nas manga.. – Ycaro prensava o celular no ouvido esquerdo enquanto tentava explicar, olhando a camisa e a girando através do cabide.

- Meu deus, Ycaro, você é péssimo explicando, manda foto, seu bosta. – Felipe resmungou, desejando não ter acordado com o toque do telefone. Isso iria demorar.

 

No fim, acabou pegando a camisa preta de Meia Um, a sua camisa de “flores bordadas nas mangas” por baixo e uma jeans de André, a adaptando com sua corrente e, como o bom teimoso que era, insistiu em colocar a touca na cabeça mesmo com os cabelos molhados. Não bastou dois minutos para perceber que não iria dar certo, e que precisava de um secador o mais rápido possível, afinal, Tawan e Rodrigo já estavam terminando seus banhos quando terminou de se trocar.

Correu ao único quarto barulhento da casa, abriu a porta sem bater e distraído ajeitando a corrente de suas calças não olhou para o quarto, perguntando:

- Alguém aí trouxe secador? – Carlos bufou com a corrente que insistia em sair do lugar, mas quando olhou para cima não sabia se ria ou perguntava que porra era aquela. Ingrid estava sentada no chão, na beira da cama, com Skii passando babyliss em seu cabelo roxo enquanto Maethe e outro garoto que não conhecia maquiavam Meia Um, os três sentados no chão, André com a boca lotada de batom vermelho e as pernas cruzadas enquanto a garota esfregava um pincel cheio de sombra em suas pálpebras e o garoto lhe passava as maquiagens. Assim que olhou a cena, todos pararam no mesmo momento, como alguém que é pego quando faz algo errado. Maethe largou o pincel, e Meia Um segurou a risada, com apenas um olho aberto. Porém, Ycaro temeu quando viu o sorriso travesso de Skii. – Meia Um que porra é essa?

- Elas queriam me maquiar e eu deixei, ué. – André disse com simplicidade e um sorrisinho. – Tô bonito? – Felipe virou o rosto para o loiro, ficando de frente para ele. Ycaro conseguia ver que fizeram realmente um trabalho muito bom, conseguia ver iluminador em suas bochechas e nariz, fizeram até contorno em seu rosto. Olhou para o outro garoto ao lado dele e viu que ele também estava maquiado igualmente, mas não conseguia ver sombra em seus olhos e seu batom era azul. Engoliu a seco, ao entender o sorriso de Fran e o cochicho delas com as outras garotas.

- Sim...? – Disse com duvida, fechando a porta do quarto sem tirar os olhos do moreno sentado sobre as pernas. Seu rosto retorceu numa fase confusa. – Eu só não tô acostumado a te ver maquiado. – Meia Um soltou um suspiro de alivio. O resto das meninas que estavam no quarto apenas fingiam continuar o que estavam fazendo normalmente, mas era evidente que não desgrudavam os olhos do loiro. André entendeu o que elas queriam, mesmo que não tivessem coragem para...

- Deixa a gente maquiar você também? – Skii pergunta o que todas queriam. Ingrid segura o riso, pondo a mão na boca – tentando não borrar seu batom rosa -, e então o silencio se instala imediatamente. Todos olhando para Franciele. Carlos olhou para a platinada quase boquiaberto, observando seu rosto sereno como se não tivesse dito nada demais.

- Nem fodendo! – Sentiu todos no cômodo lhe julgarem internamente quando disse isso. As sobrancelhas se juntaram numa carranca rabugenta.

- Ah, por que não? – O garoto insiste. Ycaro bufou, enquanto todos os outros no quarto apenas assistiam a cena. Carlos olhou Skii sorrindo radiante enquanto ia em sua direção. Como um looping, sua mente continuava revirando o que aconteceu no ônibus, a troca de olhares e sorrisos dela e de Rodrigo, e como ambos riam em sintonia quando viram seu rosto todo rabiscado, coisa que também fizeram juntos. Assim como, parte de sua mente dizia que estava sendo idiota, que era um ciúmes totalmente irracional e que a garota a sua frente era uma pessoa incrível e nem mesmo pensava em lhe fazer ciúmes propositalmente. Porém ainda não conseguia parar de repetir aquilo em sua mente.

- Por que não, oras, eu odeio maquiagem, não combina comigo e eu não vou, de jeito nenhum, deixar alguém me...

 

(...)

 

- Se você enfiar essa porra no meu olho, eu juro que eu te mato. – Carlos fingia braveza quando, na verdade segurava a vontade de rir. Skii estava aplicando rimel em seus cílios, e era tortuosamente agoniante ter de observar aquele pincel na mão de outra pessoa se mexendo a milímetros de seus olhos, principalmente quando outra pessoa remexia seus cabelos, os secando.

- Eu sei o que eu to fazendo, Ycaro. – Skii riu baixo, olhando Ingrid com os olhinhos verdes brilhando. E a garota, como quase sempre, estava lendo, porém ao descer os olhos esverdeados e curiosos, Fran se surpreendeu, e então, com um olhar cheio de ternura, sorriu carinhosamente.

 

- Puta que pariu, que tédio. – Ingrid murmura, coçando seus olhos com as pernas levantadas e os pés na parede, deitada na cama de Franciele na direção contraria da cabeceira da cama. A mesma, que estava deitada na direção oposta que ela – com os rostos ao lado um do outro -, riu nasalado e virou o rosto para olhar o de Aiko.

- “Puta que pariu”? Pensei que não falasse palavrão, e onde tá um dos seus mil livros que você sempre tá lendo? – Fran parecia calma, mas algo dentro dela estava mais agitado do que poderia dizer em palavras. Seu peito subia e descia rapidamente, ondulando as costelas de seu corpo magro.

- É, você sabe que eu não gosto de falar palavrão mas, meu deus, se você soubesse o tédio que eu to passando nesses últimos dias, olha... – Aiko suspirou, olhando a garota ao seu lado. – Já acabei de ler.

- Todos?! – Skii pergunta confusa e boquiaberta.

- Todos os da minha estante. – Fran tentou ignorar quando sentiu o halito de cereja da garota bater contra a pele pálida de seu rosto. Ignorou como os olhos castanhos lhe olhavam de  tão perto, e ignorou o turbilhão de pensamentos que sua mente não conseguia processar. Pigarreou e se levantou num pulo, fingindo que nada aconteceu. Ingrid piscou varias vezes antes se respirar fundo, se sentando normalmente na cama da amiga.

- Eu não leio tanto quanto você, tu sabe, mas acho que esse livro aqui você não leu e é um dos únicos que eu li então, acho que você vai gostar – Fran procurava em seu guarda-roupa enquanto comentava com Aiko, de costas para ela. Ingrid agradeceu por ela não ver suas bochechas esquentarem e a pequena falta de ar que lhe tomou o peito quando disse a simples frase “acho que tu vai gostar”. – Aqui, achei. – Franciele se virou com um sorrisinho adorável em seu rosto e um livro de capa cinzenta nas mãos. Quando lhe entregou o livro, conseguiu ver o titulo “A Rainha Vermelha”, e não conteve um sorriso agradecido. – Eu até ia te falar sobre o que é mas tenho medo de acabar te dando spoiler, então acho melhor você..

- Valeu, Skii – Aiko lhe abraçou,segurando o livro mesmo com as mãos ao redor de seu pescoço. Fran se surpreendeu,mas logo correspondeu ao abraço, aproveitando cada segundo que ainda poderia tocar em Aiko sem se sentir estranha, ou fazê-la pensar que era.

 

Franciele sacudiu a cabeça, afastando os pensamentos insistentes que sempre voltavam a sua cabeça. Era algo tão bobo, mas vê-la lendo o livro que recomendou a ela lhe faz ter borboletas no estomago.

- Para de mexer a cabeça, Ycaro. – Maethe deu-lhe um peteleco na orelha quando tentou ajeitar seu pescoço. Murmurou um “ai” que arrancou risadas da garota. Ycaro nunca se sentiu tão estranho na vida. Os pinceis faziam cócegas e não fazia ideia do que servia para que, e ver os olhares de julgamento de Meia Um e do outro garoto – cujo nome agora sabia que era Rafael -, ambos de pé no outro canto da sala, apenas lhe fazia ficar mais inseguro ainda.

- Vala, agora eu sei como aquelas boneca de criança se sente. – Ycaro murmurou, sentindo Fran esfregar um pincel levemente em seu rosto, e não fazia a mínima ideia se era algo bom ou ruim, já que a ultima coisa que tocou seu rosto daquela maneira acabou com o rosto ardendo e tinta de caneta escorrendo de dois pintos por seu pescoço. No fim, estava com medo de não ficar “apresentável”, principalmente por causa de Rodrigo. – Pera, onde tá a minha touca?

- Tá brincando que você quer usar aquilo em pleno ano novo? – Maethe falou em puro e explicito tom de julgamento, desligando o secador de cabelo.

- Qual o problema da minha touca? – Carlos retorceu a face, indignado. André cruzou os braços. Era engraçado vê-lo com jaqueta de couro e ao mesmo tempo batom vermelhos nos lábios, de uma forma estranha combinava com ele, e alem de tudo isso, as garotas – provavelmente Ingrid – haviam passado algum tipo de gel em seus cachos, fazendo-os ficarem escorridos para trás e apenas uma mecha encaracolada caindo sobre seu rosto. Ycaro achava que André parecia, naquele momento, um tipo “bad boy gay” dos anos 70, mas isso estava longe de ser algo ruim. No fim, Ycaro poderia facilmente dizer que André parecia mais um dos personagens de Grease, Nos Tempos da Brilhantina.

- Todo?! – Meia Um fala alto, com o cenho franzido. Ao olhar para o amigo de novo se lembrou que ainda não havia se acostumado com o amigo maquiado. – Você usa aquela porra todo dia.

- E daí? – Carlos parecia ainda mais indignado, com as mãos na cintura. – Primeiro vocês me obrigam a usar maquiagem, depois me proíbem de usar a minha touca, vala meu deus, eu só queria um secador de cabelo.

- Eu e o Guaxi já temos uma ideia do que fazer com o seu cabelo, okay? – Maethe pega alguns elásticos e grampos de cabelo, olhando o garoto e sinalizando com a cabeça para ele se aproximar, começando a escovar os fios loiros do garoto. – Só fica parado.

- Gente vocês tem secador... – Tawan abre a porta do quarto, com uma jeans azul e uma camisa vermelha e os cabelos pingando. Foi então que franziu a testa, abrindo um pouco a boca para falar algo que simplesmente não saia de sua garganta. Silencio, todos olhando para ele. Então, ele saiu e fechou a porta, sem falar nada, com os olhos castanhos arregalados. Ycaro massageou as pálpebras antes de Skii continuar a lhe maquiar, suspirando e murmurando:

- Quem mais quer usar a porra do secador de-

- GENTE, VEM VER O YCARO MAQUIADO! – ouviram Tawan gritar do outro lado da porta, e logo em seguida um “QUÊ?!” do andar de baixo. Carlos bufou, batendo na própria testa e depois recebendo um tapa das duas garotas a sua volta, porque fez Fran borrar sua maquiagem e Maethe soltar seu cabelo, que de tão liso apenas escorregou entre os dedos da amiga. Seria uma longa noite.

 

(...)

 

A festa já havia começado quando Skii, Maethe e Rafael finalmente lhe “liberaram”, saindo todos juntos do quarto. Ingrid e Meia Um já haviam ido “na frente”, mas sabia que era apenas uma desculpa de André para ir ver o namorado antes de todos.

Quando Skii saiu pela porta, não esperou que Ingrid estivesse lhe esperando. Sorriu antes de falar qualquer coisa, a olhando de cima a baixo. Um vestido azul que ia até seus joelhos parecia combinar perfeitamente com ela, deixava seus ombros a mostra, exibindo a pele pálida de modo tão casto quanto só ela poderia ser. Ironicamente, vestia um tênis preto e meia arrastão juntamente do vestido, o que, aos olhos da loira, parecia ainda mais perfeito.

- Bora? – Sinalizou com a cabeça, sorrindo. Skii havia prendido o cabelo em um rabo de cavalo, e o ondulado com o babyliss. Vestia uma regata folgada e jeans pretas com rasgos, um tênis comum e uma blusa fina cinza sobra seus ombros.

- Bora.  – Sorriu, desviando o olhar.

Descendo as escadas, Ycaro pensou imediatamente em procurar André ou Rodrigo. A musica estava alta, assim como em qualquer outra festa, mas ao contrario das outras, estava tocando Kero Kero Bonito, uma das bandas que mais gostava. Sorriu, e foi no primeiro espelho que conseguiu achar. No fim, estava muito mais que apresentável. Mesmo que Rodrigo tivesse rido de si, falando que parecia uma garota, sabia que havia falado aquilo para lhe irritar, como sempre. Maethe havia prendido seus cabelos num coque, deixando apenas duas mechas escorridas por seu rosto. Franciele, alem do rimel preto e azul que passou em seus olhos, encheu seu rosto e parte de seu cabelo de glitter dourado, e também passou blush em suas bochechas e nariz. No fim não ficou tão ruim. Não estava nem com a metade da maquiagem que repousava sobre o rosto de André ou Rafael, mas ainda sim havia ficado legal, até.

 Desceu as escadas, procurando Meia Um. Alan ainda parecia configurar algumas coisas da Playlist, Guaxinim ajudava Matheus a cobrir a lâmpada de uma fita adesiva vermelha, que deixava a sala toda colorida. Felps e Maethe comiam alguns salgadinhos da mesa, Ingrid e Skii conversavam sentadas no sofá, mas nada de Tawan, André ou Rodrigo. Olhou o horário no celular, e viu que era quase 20:26.

Saiu para os fundos da casa, que era parte da praia, e só então achou-os. A festa havia começado a quase uma hora, porém quando atravessou a porta e olhou para os bancos que ficavam ao lado dela, viu André agarrado ao namorado, aos beijos. Boquiaberto, Ycaro entrou novamente antes mesmo do casal parar de se beijar, respirando fundo; Tentando esquecer a cena.

Foi para a cozinha e pegou um copo de refrigerante, observando os copos vermelhos e se perguntando quem os comprou apenas por estética. Olhou para a mesa, o cômodo todo estava inundado com aquela luz vermelha. Viu varias garrafas de vidro, cada uma de uma bebida diferente, desde vodka a cerveja. Realmente se empolgaram com isso, não?

Quando finalmente se deu por vencido e parou de procurar Ximenes, o avistou no canto da cozinha, sentado com um copo vermelho na mão e o celular na outra. Com seus cabelos bagunçados e seus óculos cobrindo os olhos negros. Vestindo uma calça preta e camisa amarela, com seu all star manchado e surrado.

- Sério que você veio numa festa pra ficar parado mexendo no celular? – Carlos se sentou ao lado dele, sorrindo e bebericando sua Coca-cola.

- Você sabe que por mim eu nem teria vindo aqui, Ycaro. – Saiko disse ainda com os olhos grudados na tela, porém quando finalmente olhou para o loiro, teve de respirar fundo ao ver o sorriso dele direcionado a si. Seus lábios brilhavam, e pareciam ainda mais tentadores, o que caralhos Skii fez para deixar Carlos tão bonito assim?

- Mas mancho, já que tu veio aproveita. – Carlos aproveitou a distração de Rodrigo para puxar-lhe o celular, tirando-o de suas mãos e colocando em seu bolso. – Se tá na chuva é pra se molhar, Saiko.

- Vai pra merda. – Rodrigo bufou, se ajeitando na cadeira. – Cadê o Meia Um e o Tawan? – Perguntou olhando em volta.

- O que você acha?- Ycaro disse antes de beber um gole de seu refrigerante, com os olhos castanhos cheios de malicia, e só quando Ximenes olhou para ele que entendeu o que quis dizer.

- Mas já? Como assim, véi. – Arregalou os olhos, ouvindo a risada de Ycaro.

- Nem eu sei, mano. – Carlos terminou de esvaziar seu copo, e quando viu que o de Saiko também estava vazio o cutucou. – Bora pegar alguma coisa pra beber. – Sinalizou com a cabeça, sorrindo sem mostrar os dentes. Ele e Rodrigo se levantaram, indo juntos para a cozinha. Ambos colocaram seus copos na mesa para pegarem as garrafas, mas quando viu as mãos de Rodrigo indo para a vodka, pigarreou forte.

- Saiko, não é uma boa ideia isso aí não. – Engoliu a seco, olhando para os olhos negros que pareciam mostrar divertimento naquilo. Seu coração estava acelerado, e ficou mais ainda quando Saiko encheu ambos os copos.

- Se tá na chuva é pra se molhar.

 

(...)

 

Era a oitava vez que Carlos enchia o copo vermelho com a vodka de morango. Não sabia como suas pernas não estavam dormentes, de tanto que já havia dançado. Um de seus braços estava sobre o ombro de Rodrigo. Não sabiam mais quantas loucuras já haviam feito desde o primeiro copo, mas a ultima coisa que eles estavam se preocupando, naquele momento, era sobre o amanha ou o dia seguinte. Na televisão dos tios de André haviam ligado um Karaoke, e – ao menos naquele momento - todos estavam mais que distraídos cantando qualquer tipo de musica, desde Kpop – o qual todos apenas resmungavam coisas aleatórias ao invés de se quer tentar cantar a musica – até sertanejo.

- Ycaro, vem logo! – Maethe grita seu nome, lhe chamando. Talvez ela fosse a mais fora de si ali. Thiago – como era muito fraco para bebidas – estava desmaiado no chão, com copos vermelhos cheios de cerveja rodeando seu corpo, e alguns com algumas bolinhas de ping pong boiando sobre o liquido alcoólico. Tawan e André haviam perdido quase a festa toda – faltava meia hora para a meia noite -, já que foram direto para o quarto de hospedes depois de ficarem meia hora se agarrando do lado de fora da casa. A garrafa na qual jogaram verdade ou desafio agora estava quebrada em algum canto da casa, e a residência toda estava uma bagunça. Rodrigo olhou para os bancos da cozinha e viu que Felipe ainda tentava consolar Matheus, que chorava por que “iria morrer sozinho” – No fim, ele apenas era do tipo que quando bebia relembrava de todas as coisas ruins de sua vida -.

- Seu guarda eu não sou vagabundo, eu não sou delinquente, sou um cara carente, EU DORMI NA PRAÇA, PENSANDO NELA! – Carlos gargalhou quando reconheceu a musica, olhando Rodrigo rindo também. Guaxinim e Maethe pareciam mais preocupados em cantar, mesmo que com as vozes completamente enroladas, e não demorou para serem acompanhados por Ingrid, Ycaro e – surpreendentemente – Saiko, que por mais surreal que parecesse, era um dos menos bêbados ali, mas queria continuar a ver Carlos sorrir daquele jeito tão bobo quando cantava junto. Lange, ao contrario dos outros, parecia mais preocupado em gravar a cena – assim como estava fazendo em quase toda a festa, já que não gostava de beber e não tinha mais nada pra fazer -. Até mesmo Ingrid, que não via sentido na bebida estava tropeçando em seus próprios pés, rindo de tudo e de nada ao mesmo tempo.

- “Seu guarda seja meu amigo, me bata, me prenda, mas não me deixe, ficar sem ela!” – Ingrid teve de se apoiar no ombro de Maethe, que estava apoiada no ombro de Alan, e Alan no de Rafael, de jeito que caso um deles caíssem, todos iriam cair juntos. Carlos, talvez pela bebida, puxou Rodrigo, o fazendo sentar no sofá e sentando sobre seu colo, do outro lado do sofá Lange e Fran – que também não estava bêbada - deram uma risada, vendo Carlos estendendo seu copo vermelho e berrando as letras da musica sobre o colo de Rodrigo, cuja as bochechas pareciam quase tão vermelhas quando os mil copos de plástico espalhados pela casa.

- Vem cá, que porra é essa?! – Quase não ouviram a voz indignada de Meia Um, já que a musica estava quase ensurdecedora. Cellbit desligou a musica, e todos olharam para o pé da escada, onde André estava. Quando os quatro bêbados olharam para trás, Rafael perdeu o equilíbrio, levando todos os outros consigo para o chão, derramando a bebida de seus copos e rindo como se fossem simplesmente inabaláveis.

- André! Você perdeu a festa toda, seu idiota – Ycaro tinha a voz um pouco enrolada, as bochechas mais vermelhas do que o blush proporcionava, e quando saiu do colo de Saiko para caminhar até Meia Um quase deixou seu copo de vodka cair.

- Gente, vocês sabem que falta meia hora pra meia noite, né? – André já havia desistido de esconder os borrões roxos de seu pescoço, a base que Fran havia espalhado pela área já havia saído quase que completamente; mas pelo menos havia limpados os borrados de seu batom, ao contrario de Tawan, que quando apareceu atrás de si parecia ter mais batom em seus lábios do que o namorado no começo da festa. Carlos riu ao perceber isso, fazendo Meia Um puxar a gola da jaqueta de couro para cima, envergonhado.

- O QUE?! – Os quatro falaram em uníssono, se entreolharam e em seguida se levantaram com dificuldade e quase que desespero. Um dando a mão para o outro, se puxando e tentando na cair.

- Bora pra praia, gente. – Alan sugere, pegando uma garrafa de bebida – que nem mesmo havia visto qual era – e acenando com a mão para ser seguido. Maethe concordou com um riso, passando o braço pelo ombro do namorado e indo na frente junto a ele. Logo foram seguidos pelos outros; Fran, Ingrid, Rafael – ambos -, Felipe – que veio quase que arrastando Matheus – e Tawan, de mãos dadas com André.

- Vem, gente! – Meia Um disse, olhando para trás sorrindo, gesticulando para ambos virem junto. Logo depois viram todos reunidos do lado de fora, sorridentes. Carlos estava prestes a correr para fora junto, se não sentisse uma mão agarrando seu pulso.

Virou para trás, sorrindo alegremente; Entretanto, quando viu a feição de Rodrigo e o que estava em suas mãos, seu sorriso se desfez imediatamente. Lentamente, Ximenes soltou seu pulso

- Quando você planejava me contar? – Ximenes parecia inexpressivo, mas Carlos conhecia-o muito bem, sabia que esse era seu mecanismo de defesa. Engoliu a seco, ver a carta que deveria entregar para ele na meia noite de ano novo era desolador; Metade de si estava bêbada demais pra se preocupar, titubeando em falar para Ximenes ignorar isso e vir comemorar junto a ele, enquanto a outra metade havia tomado um banho de água gelada tão forte que não se importava mais com a festa ou com qualquer outra coisa, e era esse lado que predominava naquele momento, por que bebida nenhuma o faria deixar de se importar com Saiko.

- O-Olha, Rodrigo eu posso explicar. – Ergueu as mãos, olhando para a carta, suando frio, tremendo. Não sabia o que falar, todos seus medos e paranoias estavam fadados a se tornar realidade naquele dia desde o momento que bebeu o primeiro copo de vodka. Caso não tivesse ficado bêbado, não se esqueceria de pegar a carta, ou de pelo menos fechar sua mochila.

 

Faltavam dois dias para a viagem quando Ycaro decidiu seguir os conselhos de André e, finalmente, tentar confessar a Rodrigo que ele era seu Admirador Secreto. Sabia que nunca teria coragem de falar isso cara a cara, então fez do melhor modo, do modo que fazia até agora. Trancou a porta de seu quarto, abriu sua gaveta de cuecas e tirou de lá o seu caderno de paginas decoradas, e em seguida puxou de debaixo da cama sua caixa de materiais. Se sentou em sua cama, e respirou fundo antes de começar a escrever.

 

Então, Rodrigo, infelizmente tenho que te contar que essa é a minha ultima carta pra você.

Depois disso, espero que possa falar todas as coisas ridiculamente gays que eu falava aqui para você, diretamente pra você, sem papel nem caneta te impedindo de ver quem eu sou.

Bem, se você tá lendo isso, é porque já sabe quem eu sou, já que se tudo ocorrer como eu planejo eu vou te entregar essa carta enquanto eu te beijo, porque nunca ia conseguir olhar pro seu rosto enquanto entrego ela na sua mão.

Eu to escrevendo essa ultima carta porque quero te explicar, por mais vergonhoso ou baitola que pareça, quando eu percebi que o que eu sentia por você já não era mais só amizade.

 

Começou quando a gente tinha uns 14, mesmo que nem eu tenha percebido isso na época, quando a gente ficava indo um na casa do outro e eu sentia falta de ficar deitado no chão conversando com você na sua cama, ou quando a gente passava a madrugada toda conversando no celular sobre tudo e porra nenhuma ao mesmo tempo. Mas a gente não chegou lá ainda, não foi nessa época que eu percebi que tava realmente me apaixonando por você.

 

Ai veio de novo quando a gente tinha 15, e eu ficava sem fôlego toda vez que você sorria. Ou quando eu percebi que não conseguia ficar muito tempo olhando pra você no olho sem querer te beijar. E foi ai que eu comecei a me sentir estranho, por que nunca tinha sentido isso com ninguém antes, principalmente com um garoto, principalmente com meu melhor amigo. Nas minhas crises eu achava que eu era nojento, e tinha nojo de sentir aquilo. No fim, foi um ano bem difícil pra mim por eu descobrir que gosto de garotos, e você não sendo um babaca e me dando apoio só fez eu titubear mais ainda estar apaixonado por você.

 

O que eu nunca te contei sobre aquele ano era que nunca foi medo de me assumir pra minha mãe e pros meus amigos. Nunca foi sobre gostar de garotos, mas sim sobre gostar de você. Eu nunca tive medo da minha mãe saber da minha sexualidade mas sim que ela soubesse que eu gostava de você. Eu tinha medo dela achar que você não era o melhor pra mim, mesmo que eu e ela soubéssemos eu não ia desistir tão fácil, afinal eu ainda tô a anos apaixonado por você, não é?

 

No dia que eu falei que ia falar pra ela sobre gostar de garotos, eu falei pra ela sobre o que sentia por você e ela me apoiou tanto quanto se eu realmente me assumi pra ela.

 

Então eu pensei que tinha parado enquanto a gente tinha 16, por que a gente não tava se vendo muito graças ao seu curso de espanhol, sim, esse mesmo, o que você abandonou no fim do ano só por que achou que era “complicado demais”, não que não fosse, mas você não deixa de ser um preguiçoso do caralho. Acontece que você ia pro curso logo depois do colégio e quando chegava em casa não pegava o telefone por que tinha um monte de coisa pra fazer, e quando não tava se matando de fazer as lições da escola e do curso, tava desenhando ou reclamando do curso.

 

Mas eu percebi que não tinha passado quando, depois da primeira semana, a saudade veio e eu soube que não era o tipo de saudade que um amigo sentiria por outro. A gente só tinha a escola pra se falar, e algumas vezes você madrugava pra gente ficar conversando por ligação e ia virado pra escola, ou dormia na ligação e eu tinha dó demais de desligar. Parecia que eu não tinha te visto a uma semana todo dia que eu ia falar com você na escola, e ficava aliviado de saber que você tava conseguindo ir até que bem no curso mesmo que você estivesse começando a odiar ele. Quando chegou o fim do ano você tava com tanta raiva desse curso que nem sabia mais por que havia pedido para seus pais, e a única coisa que você queria era sair daquela rotina cansativa, você não tinha tempo nem pra jogar, que eu me lembre.

 

Mas eu realmente percebi e admiti pra mim mesmo que tava apaixonado por você quando você me disse que tinha arranjado uma namorada. O que eu senti naquele dia foi a mais simples e exata definição de coração partido, como se eu tivesse perdido alguma coisa. Com o tempo essa sensação foi passando e dando lugar pro ciúmes que eu criei da Skii. Mesmo sabendo, no fundo, que ela não era nem de longe culpada de querer aproveitar com o namorado dela, ainda tinha uma vozinha na minha cabeça que continuava a me martelar toda vez que eu via ela com você. Eu até hoje me sinto meio culpado pelo que eu disse, na forma que eu disse, e acho que a forma que vocês terminaram foi por minha culpa, mas fico imaginando se o que tivesse terminado não fosse o namoro de vocês e sim o Quase Meia Noite. Mas no fim esse não é o ponto, a carta é sobre você e eu, afinal?

 

Acho que eu já tagarelei demais e evitei demais isso, mas eu te amo, Rodrigo, como eu não amei ninguém. E mesmo que você não me aceite ou fique bravo por eu não ter te contado antes, eu só quero que você saiba que eu vou continuar te amando do mesmo jeito. Não importa se for como amigo ou namorado, ou sei lá mais o que, se eu tiver o seu apoio e você do meu lado, eu ainda sim vou estar mais que satisfeito. Eu me apaixonei por você porque você me fez e me faz bem, por que eu confio em você, por que você me fez rir em momentos que eu não conseguia pensar em algum motivo pra continuar. Sim, ao mesmo tempo que você é a pior pessoa que eu conheço (a mais escrota, pelo menos), você é uma das melhores, sem duvida.

 

~Ycro, Seu Admirador Secreto

 

Ycaro arrancou a folha com cuidado, e nos minutos seguintes tirou-lhe as rebarbas, a decorou e dobrou, colocando em seu envelope vermelho pastel, fechado com um adesivo. Ao contrario das outras cartas, depositou um pequeno beijo sobre o papel, e dormiu torcendo unicamente para os próximos dias apenas darem certo.

 

- Eu não acredito, esse tempo todo eu tava suspeitando, mas com tanto medo de ser e você não ter me contado esse tempo todo, sabendo o quanto que eu me importava com isso! – Rodrigo, talvez por estar bêbado, desmancha sua feição indiferente para dar espaço para um rosto distorcido por indignação e tristeza, decepção. A carta era apertada em suas mãos, mas Ycaro não conseguia ver se o envelope estava aberto ou não.

Quase que em choque, com os olhos marejados e a mão se erguendo enquanto tremia, Carlos apenas sussurrou, com a voz falhada, uma pergunta simples.

- Você leu o que eu escrevi aí? – Engoliu a seco antes de subir o olhar para o olhar de Rodrigo. Seus olhos foram para si, suas sobrancelhas estavam juntas, a testa franzida e a boca entreaberta, com uma respiração quase ofegante saindo dela.

- Isso importa agora? – O sarcasmo em seu tom de voz era palpável. Ycaro balançou a cabeça, desviando olhar. Agora sabia, Saiko era um babaca do caralho quando bebia. Estava com vontade de chorar, seus olhos ardiam e não conseguia olhar para o moreno. Se sentia culpado, por que poderia ter evitado isso e sabia que aquilo iria estragar o ano novo assim que soubessem. Passou a mão no rosto,  segurando o choro antes de olhar Saiko, que não estava tão diferente de si. – Eu pensava que pelo menos em você eu podia confiar – O moreno sussurrou, com um tom furioso e decepcionado ao mesmo tempo. Sentiu-se como no dia em que Saiko lhe apresentou Skii. Enquanto todos estavam sorrindo do lado de fora, conversando todos meio – ou totalmente – bêbados enquanto esperavam a queima de fogos, Ycaro experimentava, mais uma vez, a sensação de ter seu coração partido, mas dessa vez foi de propósito, e oh deus, dessa vez doeu muito mais do que a outra.

- Como você consegue ser tão egocêntrico, Rodrigo? – Uma lagrima solitária rolou por seu rosto. Sua testa se franziu quando a raiva lhe invadiu, dividindo espaço com a culpa e tristeza dentro de si. – Você só pensa na porra do seu lado, sempre! – Seu tom de voz aumentou, e Ximenes se perguntou se sua voz estava tão embargada daquele jeito também.

- Eu, egocêntrico?! EU CONFIEI EM VOCÊ, PORRA! – O primeiro grito foi de Rodrigo, que mostrou mais uma vez a carta antes de coloca-la no bolso com raiva. Então Ycaro conseguiu ver; O envelope estava fechado. Ele sequer leu.

- Você nem leu a carta.. – Carlos dá dois passos para trás, e Saiko não sabia se a expressão em seu rosto corado era de indignação, decepção, ódio ou nojo. Talvez os quatro. Com certeza os quatro. – VOCÊ NEM LEU A PORRA DA CARTA E QUER VIR FALAR ALGUMA COISA!

- DO QUE QUE ADIANTA SE A MERDA JÁ TÁ FEITA, YCARO?! – Ambos já estavam perdidos em meio aos gestos bruscos, expressões agressivas e gritos furiosos antes mesmo que se dessem conta. – Como caralhos você acha que eu me senti?!

- E você por acaso já perguntou como eu me senti tendo que segurar isso tudo dentro de mim por anos e anos, te assistindo namorar com a Franciele sem poder fazer porra nenhuma, hein Rodrigo? PORRA NENHUMA! – Carlos apontou o dedo para Saiko, coisa que ele sabia que o amigo odiava, mas quem se importava, afinal? Estavam bêbados e com raiva de algo que, caso sóbrios, nem mesmo teria começado. – Você acha mesmo que eu não teria falado isso pra você antes se tivesse coragem?!

- E desde quando você tem coragem pra alguma coisa, não é, Carlos? – Talvez como mesquinhez pelos dedos apontados e berros dados, Saiko chama o loiro pelo primeiro nome, sabendo o quanto ele odiava, porque o fazia se sentir como uma criança que fez algo errado, já que sua mãe lhe chamava assim toda vez que fazia algo do tipo. Mas não foi só isso que contribuiu para Ycaro ficar ainda mais alterado, mas sim o deboche e o sarcasmo na voz de Ximenes, aquele tom de superioridade que ele sempre assumia em toda maldita briga que começava.

Ambos estavam tão entretidos na briga que nem mesmo devia ter começado que não viram que já era quase meia noite, muito menos quando André e Tawan foram na direção da porta de vidro ao ver através dela Saiko apontando para Ycaro, que gritava – assim como o moreno – com as mãos espalmadas, e se preocupou quando viu as bochechas de Ycaro brilhando de algo que não era apenas glitter. Era longe demais para escutar o que eles gritavam, mas por suas expressões e gestos, coisa boa não era. Quando entraram lá, parecia que ambos estavam presos na sua própria bolha de ódio, embriaguez e decepção, se afogando nas palavras um do outro.

- NÃO FUI EU QUE QUASE ESTRAGUEI A PORRA DE UM GRUPO DE AMIGOS POR CAUSA DE UMA GAROTA QUE VOCÊ CONHECEU EM TRÊS MESES! – André não tinha palavras, seus olhos arregalados acompanhavam as lagrimas de Ycaro jorrando, ao contrario das de Rodrigo, que permaneciam presas em seus olhos negros. Ambos estavam tão bêbados que André se perguntou se um dia eles já estiveram tão alterados – em todos os sentidos da palavra – antes.

- A Fran não era uma garota qualquer e você sabe disso! – Saiko retruca, sua voz começava a falhar e isso era um sinal que não iria continuar firme por muito tempo sem chorar. – Ah, o que adianta falar disso com você? Eu esqueci que você não gosta de porra de garota nenhuma.

- CHEGA! – Pela primeira vez na briga o berro não veio dos dois, e só então eles notaram a presença de mais alguém no cômodo. Rodrigo e Carlos olharam para o casal, e o loiro engoliu a seco, derramando mais uma única lagrima. – Porra, você tão parecendo duas crianças! Dois bêbados sem noção do que tão fazendo! Era pra gente estar se divertindo, caralho, mas vocês dois tão estragando a porra toda, inclusive a relação de vocês. – Meia Um parecia mais desabafar, liberando uma parcela do que pensava na mesma intensidade de sua ansiedade. Passou dias pensando sobre essa festa, sobre o quanto queria que o casal se desse bem, para no fim ser tudo estragado pelos dois apenas por causa de bebida. As lágrimas se formavam em seus olhos marejados, e parecia tão abalado quanto os outros dois, o que contribuiu para que Tawan também começasse a se emocionar. – Essa porra toda já deu, a muito tempo atrás, e se vocês querem discutir sobre isso, que não seja bêbados, na porra de uma festa que era pra todo mundo só se divertir.  É Quase Meia-Noite de ano novo, e vocês tão aí, brigando como se não tivessem amigos, como se não fossem amigos.

Meia Um passou a manga de sua jaqueta de couro nos olhos, enxugando os cílios molhados antes de dar uma ultima olhada no casal, com o olhar pesando decepção, por que a ultima coisa que esperava de seus amigos era uma briga tão infantil como essa. Talvez se não estivessem bêbados não teria se sentido tão mal, mas a possibilidade de isso nunca ter começado caso ambos não tivessem bebido lhe dava vontade de socar ambos, por que aqueles não pareciam seus amigos, não o Saiko e o Ycro que conhecia. Após isso, simplesmente se virou e foi embora, sendo seguido e logo depois abraçado pelo namorado.

Cinco, quatro, três, dois... Um.

Feliz ano novo!

Todos pularam ao mesmo tempo, molhando seus pés na beira do mar. Rafael e Felipe deram um longo selinho, sorrindo contra os lábios um do outro, enquanto Maethe beijou Alan como se estivessem sozinhos naquela praia, com os braços enrolados em volta de seu pescoço. Matheus, Thiago e Guaxinim cantavam musicas de ano novo, um apoiado nos ombros do outro.

 Quando viram o céu ser iluminado pelos fogos de artifício, Ingrid e Fran se entreolharam, com um clima ridiculamente constrangedor, e com seus corpos ridiculamente perto um do outro. Ingrid, talvez por estar completamente bêbada, não escondeu quando olhou diretamente para a boca da garota, e não sentiu vergonha de vê-la olhando para a sua. E quando estava preparada para fechar seus olhos, viu Skii se afastar e estender sua mão, agarrando a sua quase que desesperada.

- Feliz ano novo, A-Aiko – Franciele dá um sorriso amarelo, olhando para o lado enquanto balançava freneticamente a mão. Ingrid desfez o aperto com nítido desanimo, fingindo um sorriso logo depois, mesmo que fosse evidente a desilusão em sua face.

- Feliz ano... Novo.. – Foi abaixando seu tom de voz quando viu a platinada se afastar, indo em direção a Rafael e Felipe. Deu um longo suspiro, passando a mão no rosto antes de ir em direção ao trio que cantava e comemorava com as mãos ocupadas com copos de bebidas.

Ycaro se sentou na beira do sofá e saiko permaneceu de pé, de cabeça baixa. Então era isso? No fim, ambos eram realmente culpados. Ambos haviam estragado a festa. Ambos...

- Olha, é tudo culpa minha, eu... – Ycaro lastimou, com as mãos cobrindo o rosto cabisbaixo, mas foi interrompido por uma voz falha sussurrando.

- Fica longe de mim, Ycaro. – Levantou a cabeça imediatamente, e se surpreendeu com o que viu. Em sua vida, podia contar nos dedos quantas vezes viu Rodrigo chorar, ainda mais por sua causa, e naquele momento, Ximenes estava chorando como nunca viu antes. Não eram apenas algumas lagrimas, ele estava liberando tudo que havia segurado até agora. Antes de sair, olhou Ycaro começar a chorar também enquanto soluçava e enxugava suas lagrimas na mão. – Feliz ano novo, por sinal. – Foi a ultima coisa que disse antes de sair, abraçando os próprios braços e tentando esconder seu rosto, por que não era segredo que ele odiava ser visto chorando.

- Rodrigo, es-s-pera... – Carlos se levantou para ir atrás de Ximenes, mas no fim apenas ficou ali, o vendo ir embora pela porta da frente, sem conseguir fazer nada, por que simplesmente estava congelado, não conseguia sair do lugar, e a única coisa que fez depois disso foi deixar-se desmoronar. Caiu de joelhos no chão, se deixando chorar.

Do lado de fora, André ainda parecia chateado com o que havia acontecido, mesmo com Tawan tentando a todo custo lhe distrair. No final Anci desistiu, por que sabia que algumas vezes não adiantava tentar distrair ou tentar fazer alguma pessoa sorrir, e sim apenas chorar junto, sentir junto, principalmente quando também se sentia como essa pessoa. Não se importavam se os outros vissem, apenas queriam seu próprio momento quando Tawan abraçou André, amaciando seus cabelos.

- Vai ficar tudo bem, Dré... A gente vai fazer ficar. – Anci sussurrava, apenas para o namorado ouvir.

- Eu to exausto, Tawan, só exausto. – André suspira, derramando algumas lagrimas contra o peito do namorado.

Do outro lado da praia, Rafael simplesmente surtava com a amiga, que havia quase que interrompido um momento romântico – não que o casal ligasse para isso -.

- Eu não posso simplesmente beijar ela do nada, porra. – Fran queria esconder seu rosto em algum canto da praia, tendo de explicar para Rafael e Felipe o por que de não ter beijado Ingrid quando teve a chance.

- Você vai voltar lá e beijar essa garota, pela sua própria segurança – Ameaçou, e Fran por um momento não soube se ele estava brincando ou falando serio, mesmo que por trás daqueles óculos de coração ridículos.

- Não dá mais tempo, panaca. – Franciele massageou as têmporas, se perguntando porque havia contado para ele sobre isso.

- Dá sim. – O loiro pôs as mãos em seu ombro, com um tom compreensivo. – Só vai lá, fala com ela e... – Skii olhou para Lange quando ele simplesmente parou de falar do nada. Olhou para ele e seu namorado e ambos pareciam estar olhando para trás de si, e no mesmo momento ouviu Matheus, Thiago, Alan e Maethe comemorando, completamente bêbados.

- O que...? – Quando tentou virar para olhar o que era, Cellbit apertou uma de suas mãos em seu ombro, e a outra puxou seu rosto de volta ao lugar, fazendo-a olhar para os olhos azuis espantados por trás dos óculos. – Que foi?

- Não olha pra trás, okay? – Falou apressado, Felps, atrás dele, parecia quase com medo, assim como o loiro.

- Por que? – Tentou se virar, mas Lange fez o mesmo que da outra vez,  e Skii estava cada vez mais desconfiada.

- Só não olha, confia em mim, Fra. – Rafael tenta impedir que ela se virasse mais uma vez, mas quando Franciele se debateu não conseguiu a segurar. Skii se virou e olhou, então entendeu a reação dos amigos. Ingrid, beijando Rafael, ambos completamente bêbados mas ainda sim se beijando. Se beijando. Ficou com vontade de chorar mas não soube o por que. Sentia que precisava urgentemente sair dali, o mais rápido possível. Não podia chorar na frente de todos, de jeito nenhum. Ela balançou a cabeça, antes de a abaixar.

- Eu tentei te avisar... – Lange parecia com culpa na voz, e tentou por a mão em seu ombro novamente, se não tivesse caminhado para frente.

 - Tá tudo bem, fica tranquilo, Rafa. – Olhou para trás e sorriu para o loiro, que lhe olhava com os olhos azuis cheios de pena – havia tirado os óculos -. Depois disso, apenas caminhou para longe com seu exterior em completa calmaria e seu interior chorando sem saber realmente o por que.

Deu a volta na casa, e quanto mais se afastava de Rafael, mais rápido andava. Apalpava seus bolsos para certificar que seus cigarros estavam lá. Estava ofegante, correndo para a única parte da casa que tinha certeza que não teria ninguém e que poderia liberar aqueles sentimentos tão estranhos.

Mas quando chegou lá, já ouviu outro choro. Se aproximou lentamente, a lâmpada da entrada estava acesa, lhe permitindo ver uma cena que nunca viu antes. Rodrigo estava chorando, com a cabeça baixa sentado no deque da lavanderia. Não demorou muito para ele perceber sua presença, e esconder algo de cor vermelha onde não podia mais ver, enxugando porcamente suas lagrimas e se segurando para não derramar as demais.

- Veio aqui achando que não ia ter ninguém também? – Fran deu um sorriso de lado, porém não havia felicidade alguma em seus olhos ou em seu sorriso.  Rodrigo riu entre as lagrimas que ainda caiam, assentindo e olhando para baixo. Estava um clima gélido, e Skii colocou suas mãos no seu casaco, tendo a certeza que o vermelho do nariz de Ximenes não era apenas o frio. – Posso sentar aqui? – Apontou para seu lado, e ele assentiu, olhando para cima por um segundo. Seus olhos estavam sem vida, e cheios de lagrimas, com as pálpebras inchadas de tanto chorar.

- Problemas também? – Franciele nunca, mesmo quando terminaram o namoro, havia visto Rodrigo tão abalado, desolado e vulnerável daquele jeito. Ela assentiu, e sua vontade de chorar só aumentou. – Quer falar sobre isso? – A platinada lhe olhou, mordendo o lábio inferior, por que sabia que iria chorar caso não o fizesse. Suas sobrancelhas e lábios tremiam, e seus olhos verdes estavam marejados. Queria falar, como queria, mas simplesmente não conseguia, nada saia de seus lábios, absolutamente nada, nenhuma palavra de consolo ou de desabafo. – Tudo bem, eu conto primeiro... – Ximenes soluça, e novas lagrimas escorrem de seus olhos sem que ele percebesse, ele pegou o envelope vermelho rasgado e as folhas preenchidas com as letras de Ycaro. Preenchidas de amor.

- Lê isso. Ele escreveu pra mim, era a ultima carta que ele ia me dar. Ele ia me falar hoje. – Skii sabia do que ele estava falando, ficou sabendo de seu admirador secreto porque André lhe contou enquanto o maquiava. Ficou preocupada, mas começou a ler a carta. Alguns segundos se passaram, e quando terminou de ler, Skii olhou para si, pôs a mão em seu ombro demonstrando o maximo de apoio que conseguia. – Eu gritei com ele sem nem ler, sem nem saber. Eu disse tudo aquilo pra ele sem nem ler isso...

- Rodrigo, você tava e tá bêbado, vai ficar tudo...

- Não, não vai ficar tudo bem. – Ximenes tira seus óculos, pois não conseguia enxergar mais nada de tão embaçado. Sua voz estava enrolada e chorosa. – Eu magoei ele, Fran... Eu só queria que ele me perdoasse, que eu nunca tivesse dito tudo aquilo... – Rodrigo começa a desmanchar em lagrimas, cobrindo seu rosto com as mãos, e mesmo que odiasse chorar na frente de pessoas, Skii também odiava, sabia como era e isso de alguma forma lhe reconfortava. – Eu só queria não me sentir tão confuso... – Ele murmura com a voz rouca e falha, e aceita quando Skii lhe abraça, chorando alto em seu ombro. A vontade de acompanhar o choro de Saiko era forte, mais forte do que poderia aguentar. Afinal, ele confiava em si, porque não confiar aquilo a ele?

- Ele vai te entender, Rodrigo, eu conheço o Ycaro. – Fran diz, começando a chorar também. Ela funga, fazendo carinho nos cabelos negros enquanto o garoto lhe apertava contra si. Suas sobrancelhas se entortaram e fechou os olhos quando começou a chorar. Ximenes se afastou lentamente, para olhar seu rosto tão choroso quanto si mesmo. Skii iria enxugar suas lagrimas se o garoto não segurasse seu pulso.

- Sua vez, Fran. – Rodrigo sorri sem humor,  ainda chorando, tentando aguentar firme. Observou ela acender um cigarro, tragando lentamente.

- Eu devia ter beijado ela, Rodrigo, eu realmente devia... – Sussurra após quase um minuto inteiro de silencio. Suspirou a fumaça para fora de si, olhando para o nada com o ombro encostado no dele, sentindo seu braço contornado seus ombros num “meio abraço”. As lagrimas jorravam de seus olhos sem que nem sentisse, embora sua expressão não mudasse. Ofereceu o cigarro entre os dedos para o moreno, que aceitou.

- A novata? – Disse enquanto soltava a fumaça, Ximenes fez um breve carinho em seu ombro esquerdo antes de desfazer o abraço para guardar os óculos em seu bolso, e Skii olhou para o lado para dar de encontro com seus olhos. – A ultima vez que a gente dividiu um cigarro, a gente tava fodendo a nossa vida amorosa, e agora estamos comentando sobre o quanto ela tá fodida. Pode ser coincidência mas eu diria que é um avanço – Rodrigo riu sem graça, batendo o ombro com o dela e recebendo o mesmo de volta, com um sorriso deprimente.

- Sim, ela mesma... – Fran assenti, e soluça. – Eu devia mesmo ter beijado ela naquela hora... – Rodrigo ouve ela começar a chorar; Ambos se abraçam novamente, chorando juntos. E nas horas seguintes os soluços se misturavam com tragadas profundas e olhares tristonhos, mas tudo com um fundo de preocupação; por mais que o garoto estivesse bêbado, ainda sim se importava muito com sua amiga. No horizonte, conseguiam ver os últimos fogos de artifício iluminando o céu numa cena que deveria ser bonita, caso não estivessem naquele momento. E claro, caso Rodrigo estivesse com seus óculos e sem mil lagrimas em seus olhos, lhe embaçando a visão. Franciele se apoiou no peito de Ximenes, imaginando como estaria caso tivesse a beijado naquele momento.

 No fim, por volta de 04:30 da manha – Um chute, já que Skii estava sem seu celular -, Saiko se levantou e pediu alguns cigarros de Skii, e ela lhe deu os últimos que sobraram – 12, diga-se de passagem -. Viu-o indo embora, dizendo ir dar uma caminhada para pensar e tentar passar o efeito da bebida.

Skii perguntou quando ele voltaria, mas ele não respondeu. Ao invés disso, pôs as mãos no bolso e suspirou, então foi embora, caminhando pela estrada de paralelepípedos.

 

(...)

 

 

Talvez no fim nem importasse. Se Ycaro já estava bêbado, ficaria ainda mais, por que a única coisa que queria agora é esquecer o fato que ele teve, por um minuto, tudo o que queria, e logo depois jogou fora e pisou em cima. Normalmente, nunca faria isso, e se o mesmo se visse bêbado, entornando uma garrafa de vodka de morango em sua garganta, ficaria com nojo dele mesmo.

Ele nem percebia mais as lagrimas correndo, desesperadas, por seu rosto. Continuava andando desengonçado – graças a embriaguez extrema – pela beira da praia, sentindo o mar bater em seus pés e voltar, tranquilo. O céu estava lindo, estrelado e com a lua brilhando, porem Carlos estava bêbado demais para ver isso. Chorando demais para ver isso. Se odiando demais para ver isso. No fim, ele não se importava mais com isso, não depois que perdeu uma das pessoas mais importantes da vida dele – ou pelo menos era isso que ele achava.

Soluçou, sem saber se era por causa da bebida ou do choro. Seu rosto formou uma expressão tão abatida e tão chorosa que ainda teria nojo de si mesmo caso se visse naquele estado. Então, se deixou chorar de vez. Rendeu-se ás lágrimas desesperadas para sair, perguntando aos céus porque diabos seu coração doía tanto assim.

 Com uma garrafa de vodka em cada mão, sentou – se jogou – na areia úmida e olhou o céu. Seus lábios tremiam, as sobrancelhas torcidas e os cílios encharcados. Deus, ele estava tão bonito, por que que não conseguia sentir prazer em olhar as estrelas como antes?

Deu mais alguns goles na bebida que desceu corroendo sua garganta, e chorou mais alto do que poderia imaginar. Liberando todos seus sentimentos naquelas lagrimas, tão grossas e tão dolorosas, de dar pena. Por sua sorte, ou por seu azar, ninguém ouvia seu choro urgente; Todos estavam lá dentro, se divertindo, ouvindo a musica estourando a caixa de som, se agarrando pelos cantos, fazendo qualquer coisa a não ser se preocupar com o bêbado berrando do lado de fora.

Largou a garrafa que ainda não estava aberta na areia, para cobrir o rosto com a mão livre. Ideias deploráveis invadiam sua mente. Talvez nunca fosse suficiente mesmo, talvez a única coisa que fizesse bem fosse estragar tudo no fim, extinguir qualquer resquício de felicidade sua ou dos que amava. Bebeu mais, soluçando e se engasgando com a bebida e com suas próprias lagrimas. Seu coque estava quase se desfazendo, e seu rimel a essa altura estava mais em suas bochechas do que em seus cílios. Queria ir para casa, abraçar sua mãe; A única pessoa que mais se importava e que não estava envolvida nessa bagunça toda. A única que ele não havia feito infeliz, ainda.

Lembrou-se dos beijos, das risadas e de todos os momentos ruins e bons que ele e Rodrigo passaram juntos, se lamentando por saber que nunca iriam continuar. Nunca mais iria beijar ele, ou rir ou chorar com ele, abraça-lo muito menos. Tinha que aceitar que agora era odiado por ele e por André, e provavelmente por Tawan também. 

Quando a primeira garrafa de vodka acabou, Carlos estava completamente fora de si, e ainda sim continuou bebendo. Nem sentia mais o gosto da bebida, apenas a engolia quase desesperado, como se fosse o antídoto para seu veneno, como se fosse o antídoto para Rodrigo. O mar, em algum momento que a embriaguez lhe impediu de determinar, molhou suas pernas e deixou metade de suas calças ensopadas. Conseguia ouvir longe a musica que tocava na festa. Talvez fosse uma musica de baile, ou um lofi? Não conseguia identificar, mas agradeceu aos céus por ela consolar suas lagrimas, apesar de apenas incentiva-las a cair dos olhos caramelo. Bebeu mais, e mais, e em algum momento, por um milagre, reconheceu a musica. Talvez tivessem aumentado o volume. E então seu choro só piorou, ficou ainda mais alto, porque era exatamente isso que ele queria dizer a Rodrigo. Era exatamente isso que queria, que lhe definia naquele momento tão infeliz.

 

I am not the only traveler

Who has not repaid his debt

I've been searching for a trail to follow again

Take me back to the night we met

 

(Não sou o único viajante)

(Que não pagou sua dívida)

(Estive buscando um caminho para seguir novamente)

(Me leve de volta para a noite em que nos conhecemos)

 

 

- T-Take me back... – Murmurou, choroso, rindo sem humor e engolindo suas lagrimas, secando-as mesmo que elas voltassem a cair. Se deitou, novamente apenas deixando seu corpo cair sem a menor importância – assim como achava que merecia – na areia, com os grãos úmidos se infiltrando entre seus cabelos e bochecha.  – Me Le-leva de volta... – Carlos abraçou os joelhos, com a mão na cabeça apertando os fios dourados em desespero. Ficou em silencio por algum tempo que não conseguiu contar, mas o resquício de sentidos que lhe sobravam lhe sussurravam que já haviam passado três musicas, e ele ainda estava jogado na areia, chorando mudo.

 

And then I can tell myself

What the hell I'm supposed to do

And then I can tell myself

Not to ride along with you

 

(E então eu posso dizer a mim mesmo)

(Que diabos devo fazer)

(E então eu posso dizer a mim mesmo)

(Para não andar ao seu lado)

 

 

 Havia perdido sua voz, estava rouco de tanto chorar, e seus olhos doíam como o inferno. A garrafa estava em sua outra mão, e continuava a beber seu liquido como se fosse simplesmente água. E se não estivesse bêbado, ouviria os passos e cochichos a poucos metros de seu corpo abandonado contra a areia fria, molhado e fedendo a álcool.

 

I had all and then most of you

Some and now none of you

Take me back to the night we met

 

(Eu tive tudo, e então a maior parte de você)

(Um tanto, e agora nada de você)

(Me leve de volta para a noite em que nos conhecemos)

 

 

- Ycaro? – Uma voz familiar lhe chamou, então olhou para cima, sem acreditar no que via. Saiko, havia voltado. Estava tão embriagado que via tudo embaçado e duplicado, quase que girando; Mas ainda sim conseguiu ver com muita dificuldade, Ximenes se ajoelhou ao seu lado, pondo a mão em seu ombro. Carlos se sentou, largando a garrafa de vodka e consequentemente despejando seus últimos dois goles na areia. – Cê tá bem, cara? Levanta, vamo.

- Rodri-go... – Foi interrompido por um soluço. Chamou o nome do mais velho, choroso. As lagrimas voltaram a escorrer e pôs a mão na bochecha do moreno, aproximando seu rosto do dele. – Me d-desculpa, por favor eu-

 

I don't know what I'm supposed to do

Haunted by the ghost of you

Take me back to the night we met

 

(Eu não sei o que devo fazer)

(Assombrado pelo seu fantasma)

(Me leve de volta para a noite em que nos conhecemos)

 

 

- Carlos, que que cê tá fazendo? – Se Rodrigo não tivesse o impedido, ele teria o beijado. Carlos voltou a soluçar. De repente, sem nem mesmo ele perceber, seu estomago revirou completamente e ele tentou, mas não conseguiu segurar, vomitando um terço de tudo que havia bebido – que ainda sim era muito – direto no peito de Ximenes. Tentou tampar a boca, mas com isso apenas vomitou ainda mais, sentindo o cheiro acido da bebida forte que bebeu e de toda a comida que comeu que, agora, estava fermentada e com um cheiro horrendo. Se desesperou ainda mais, erguendo as mãos sem saber o que fazer, murmurando e implorando perdão.

Estava vendo tudo embaçado naquele momento, mas franziu o cenho quando olhou para as mãos dele agarrando as suas. Rodrigo era pálido como um sulfite, e não tinha cabelo cacheado. Aquele era mesmo Rodrigo? Seja quem fosse, ouviu o mesmo falar algo como “me ajuda a carregar ele”, ouvindo também alguns barulhos típicos de ânsia de vomito. Falou algo que nem ele soube o que era, enquanto tentava se levantar. Assim que se levantou, cambaleou dois passos, vendo as duas figuras e as ouvindo falar algo para si, mas não conseguia ouvir ou entender. Era como se estivessem ficando cada vez mais longe, e falando cada vez mais embaralhado. Deu mais um passo em direção ao mar sem nem mesmo perceber. Soluçou mais uma vez, e tudo ficou ainda mais embaralhado e embaçado, já não conseguia mais se manter de pé.

 

When the night was full of terrors

And your eyes were filled with tears

When you had not touched me yet

Take me back to the night we met

 

(Quando a noite estava cheia de terrores)

(E seus olhos cheios de lágrimas)

(Quando você ainda não tinha me tocado)

(Me leve de volta para a noite em que nos conhecemos)

 

 

 A ultima coisa que lembrou ter visto foi as duas figuras mais altas que ele correndo em sua direção enquanto perdia o equilíbrio e o resto de capacidade que tinha de se manter acordado, sentiu-se afundando na água congelante do mar antes de fechar seus olhos, sem conseguir mais mantê-los abertos.

 

I had all and then most of you
Some and now none of you
Take me back to the night we met


(Eu tive tudo, e então a maior parte de você)
(Um tanto, e agora nada de você)
(Me leve de volta para a noite em que nos conhecemos)


Notas Finais


Primeiramente, o link da musica usada no capitulo: https://www.youtube.com/watch?v=KtlgYxa6BMU

Agora sim a gente pode começar com as boiolagem.
Bem, não sei se vocês perceberam mas a um ano atrás, mais ou menos nesse horario, eu postei o primeiro capitulo dessa fanfic, e sinceramente não esperava que metade das coisas que aconteceram por causa dela acontecessem de verdade. Surpreendentemente, uma fanfic boba me trouxe coisas completamente inesperadas; amigos que hoje em dia eu não consigo me imaginar sem; evolução pessoal e também na escrita.
Sim, minhas escrita evoluiu pra caralho nesse um ano, e eu também.
Eu as vezes me pergunto o que teria acontecido, como eu estaria caso nunca tivesse criado essa historia. As pessoas que não teria conhecido, o amor que não teria recebido, as coisas que não teria aprendido e muito, muito mais.
O que eu quero dizer é que, a um ano atrás, eu, moonzinha, não fazia IDEIA o quanto essa fanfic e seus leitores iriam mudar a minha vida. E eu não to exagerando, não
Por isso, meus amigos, muito obrigada mesmo, de coração, pra cada um de vocês que me acompanharam até aqui. Que acompanharam os altos e baixos nesse um ano, que leram cada palavra que eu escrevi aqui (e olha que algumas vezes tava muito ruim), e que obviamente leram essas >>>quinze MIL PALAVRAS<<<. Obrigada, a você, leitor e leitora, que acompanhou não só a evolução de uma história, de uma fanfic boba, mas de uma escrita e de uma pessoa. E eu tô muito ansiosa pra saber se a segunda temporada vai render tantas coisas boas quanto essa rendeu, tantos comentários carinhosos e quem sabe até mais alguns amigos, huh?
E eu tô ansiosa, é claro, pra ver você, caro leitor, cara leitora, na proxima temporada dessa fanfic ❤❤

XOXO
kisses, by moonzinha ❤


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