História Adolescência à Flor da Pele - Segredos e Mentiras - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Comedia, Dominação, Drama, Gay, Lemon, Lgbt, Romance, Romance Gay, Yaoi
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Palavras 1.518
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - O Desconhecido, a Gazela e o Celular Quebrado


GABRIEL

 

Você sabe como é o primeiro dia de faculdade, não é?

Caso você ainda não saiba, eu irei te dizer agora.

CHATO.

É isso mesmo, é um dia em que você fica se apresentando e dizendo o porquê escolheu o curso, mas você nunca diz a verdade. As outras pessoas — os seus queridos colegas de classe —, também não. Não diria “eu o escolhi porque era o único que a nota de corte do Prouni permitiu que eu entrasse”. Então, disse que era um ótimo curso, falei coisas como “ele é muito amplo” e “é o que eu realmente quero”, pura mentira.

Digamos que fazer faculdade de Administração nunca foi o que eu realmente quis. Sempre desejei algo relacionado com a escrita. É isso aí, eu sempre quis ser escritor, mas, como no Brasil ninguém realmente lê, as coisas são complicadas para quem tem um sonho parecido com o meu.

Voltando a faculdade de Administração, realmente trata-se de um bom curso, mas, ao mesmo tempo, o sentimento que tenho ao assistir uma aula — por mais agradável que ela esteja sendo —, é de que estou desperdiçando tempo com algo que sei que não irá para frente.

Pior que ter que ir para um curso do qual não é nem a sua segunda opção, é precisar se deslocar até o outro lado da cidade para ir trabalhar. E se você não tem carro, fará isso como eu, com o maravilhoso — só que não! — transporte público.

Mas existe algo interessantíssimo sobre transportes públicos: às vezes, você cruza com pessoas bonitas. Mas isso é raro, geralmente as pessoas que se sentam perto de você estão fedendo por falta de desodorante. No entanto, num dia desses encontrei-me com um garoto bonitinho, que aparentava ter por volta de dezoito anos, mas — como sou péssimo em deduzir a idade — não me surpreenderia se ele tivesse vinte e cinco.

Eu sou aquele que odeia com todas as forças matemática, mas que, mesmo assim, entra para o curso de administração. Aquele que pode parecer tímido, mas que de tímido tem apenas o modo desajeitado de andar.

Esse sou eu.

E todas essas coisas acima são, evidentemente, os meus pensamentos. E enquanto eu penso em todas essas baboseiras, estou no meio da rua, tentando cruzá-la.

Segui apressado para o outro lado da rua e, infelizmente, acabei tropeçando, o que me rendeu inúmeros olhares de desconhecidos.

Sabe quando você tropeça e finge que está correndo? Então, vou te contar um segredo, meu amigo: as pessoas sabem que você tropeçou.

Após entrar no prédio, fui direto para a minha sala. Ou melhor, para o meu cubículo ao lado de vários outros cubículos idênticos, no call center em que trabalhava como telemarketing.

O meu telefone tocou assim que me sentei.

“É o destino”, pensei, completamente desanimado. “Um péssimo e horrível destino”.

— Escritório de Oliver Creer, bom dia. — Assim que a pessoa se identificou, prossegui: — Como eu posso ajudá-lo?

— Preciso que o boleto seja enviado para o meu e-mail — disse a voz irritante do outro lado da linha. — Vocês ficaram de me enviar isso há quase uma semana...

E o dia se estendeu de várias coisas chatas que fazemos para sobreviver.

A verdade é que você termina o colégio pensando que terá o trabalho que sempre sonhou em ter, mas não é bem assim. É bem mais provável que você sirva cafézinho em uma lanchonete próxima da sua casa.

Quando deram seis horas, eu me dirigi para fora do prédio, corri até o ponto de ônibus — que estava atrasado, por sinal. E isso também significava que eu chegaria atrasado à minha faculdade. Quando o ônibus finalmente apareceu, eu tive que ir de pé até o terminal e só rezava para que no próximo eu conseguisse ir sentado.

Quando a porta do ônibus abriu, eu me senti um participante dos Jogos Vorazes — a própria Katniss Everdeen furando fila —, quase passei por cima de uns, mas garanti um assento.

Sentado ao meu lado, estava um garoto dormindo.

“Como alguém dorme em um ônibus?” não consegui deixar de questionar.  “E se roubassem as suas coisas?”.

As pessoas ainda me encaravam com fúria nos olhos, nada que eu não merecesse, mas eu precisava do banco, então, não me arrependi de nada.

Olhei novamente para o garoto dormindo.

Parecia ter uns vinte e dois anos, mas, novamente, eu era péssimo em deduzir idade. Sem nenhum pudor, continuei secando o menino com os meus olhos.

Ele tinha lábios muito convidativos, daqueles que pareciam gritar, implorando para serem beijados e olhos cuja cor eu não sabia, já que estavam fechados. Os fios escuros de seu cabelo estavam jogados sobre os olhos, seu nariz era bonitinho — eu invejava o nariz dele, porque o meu, definitivamente, era um nariz de coxinha —, os seus braços musculosos estavam soltos sobre a sua barriga.

Sabe quando você está muito próximo de alguém que te chama à atenção, daquele ser que te faz sentir “coisas”? Eu estava exatamente assim, já havia até me esquecido de que chegaria atrasado.

Desviei o olhar, porque não queria ficar secando alguém desacordado, isso soava um pouco errado para mim.

Ele encostou seus dedos nos meus braços e começou a se mexer, como se estivesse procurando por algo. Seus olhos estavam abertos agora e eram tão verdes quanto às folhas das árvores na primavera.

— Meu celular — disse ele com uma voz sonolenta, encarando-me.

Eu havia entendido direito?

— O quê?

— O meu celular, você viu? — perguntou-me o garoto em um tom alto, como se eu tivesse problemas de audição.

— Não!

— Caralho! — resmungou ele, com o rosto inchado por causa de sua soneca dentro do ônibus. — Ele estava bem na minha mão...

— Espera um pouco... Deixa-me ver se entendi bem? Você está insinuando que eu peguei o seu celular? — questionei, já sem paciência.

— Você, uma gazelinha dessas? Até parece...

— Do que você me chamou?

— Você viu quem estava aqui antes de se sentar? — ele tornou a questionar, ignorando o que eu tinha lhe perguntado.

— Nem tente mudar de assunto!

— Eu te chamei de gazela, veado. Agora, você viu quem estava próximo deste banco?

— Gazela é o seu pai, seu babaca... — Como se isso já não fosse infantil o suficiente, prossegui: — e a sua mãe é uma puta.

Ele me encarou com uma expressão séria, chocado com as coisas que eu estava dizendo. E, nesse instante, pensei que fosse apanhar muito daquele cara, mas, em vez disso, o garoto apenas desviou o olhar.

— Acho meio difícil essa ofensa pegar. Eu sou órfão, perdi meus pais em um acidente de carro quando eu ainda era criança — respondeu-me a pessoa ao meu lado, sem me encarar.

Droga.

Que fora, hein?

— Não foi nada legal, me desculpe. Eu não sei o que deu em mim... Não sou desses que ficam ofendendo os pais mortos das pessoas nos ônibus. Novamente, me desculpe...

Antes que eu terminasse o meu pedido de desculpas — um realmente sincero —, ele começou a rir, como se eu estivesse contando uma boa piada.

— Não acredito que você caiu nessa? Ainda te fiz pedir desculpas — disse ele, obviamente curtindo muito com a minha cara.

— Idiota! — rebati, sentindo-me a pessoa mais estúpida do universo. — Eu retiro as minhas desculpas.

— Calma aí, gazelinha.

Tentei me controlar, mesmo sendo praticamente impossível com alguém usando um sinônimo para “veado”. E, neste meio tempo, voltei o meu olhar para o chão e observei de relance o celular dele caído.

Sem dizer nada, levantei-me do banco e, “sem querer”, pisei em cima da tela. Em seguida, pisei de novo, de novo, de novo e de novo. E eu fiz isso até quebrar.

— Achei o seu celular — disse, apontando para os meus pés.

O que aconteceu depois foi bem interessante.

Ele se levantou e eu não me deixei intimidar, afinal, ele estava me chamando de gazela. Pensei que fosse levar um soco, mas estava errado, de novo. Ele apenas passou por mim e se dirigiu até a porta. Encarei o celular espatifado no chão e senti uma pontada de culpa.

Um homem diferente se aproximou e se abaixou próximo ao celular quebrado — ou o que havia restado dele.

— Quem foi que quebrou o meu celular? — disse ele, já me encarando. Eu era o mais próximo, então, meio que a distância dos pedaços do celular e o meu pé me entregava.

— Foi ele — disse um garoto, apontando o dedo em minha direção. — Pisou em cima até quebrar.

Antes de tentar me defender, eu fui empurrado para o outro lado do ônibus e bati minhas costas contra o cano de metal amarelo.

— Eu posso explicar — disse, com muito esforço.

Outro empurrão e eu caí.

As outras cenas seguintes eu não consegui ver muito bem. Depois do segundo chute, alguém entrou na frente do meu agressor e me defendeu. Demorou um pouco até que eu percebesse que o meu defensor era justamente o cara que me ofendeu.

Minha cabeça ardia bastante e, ao passar os dedos no lugar que estava doendo, minha mão se encheu de sangue e isso me apavorou completamente. Observar a coloração vermelha e preta em minha mão direita fez com que eu desmaiasse no mesmo instante.

 

 



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