História Adolescência à Flor da Pele - Segredos e Mentiras - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Tags Comedia, Dominação, Drama, Gay, Lemon, Lgbt, Romance, Romance Gay, Yaoi
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Palavras 1.215
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Na Cama de Hospital


GABRIEL

 

Quando os meus olhos se abriram novamente, descobri que estava em uma espécie de hospital. A porta estava entreaberta e pude notar alguém dormindo em um dos bancos do corredor. Era o dorminhoco do ônibus, o cara que me ofendeu e, logo em seguida, me defendeu.

Eu estava deitado em uma cama e tinha inúmeros curativos espalhados pelo meu corpo, o que não parecia ser muito bom. O culpado por tudo — ao menos, no meu ponto de vista — estava do lado de fora, sentado, esperando até que eu acordasse.

Precisava pensar em uma maneira de deixar toda aquela situação um pouco melhor.

Como é que eu diria aos meus pais o que havia acontecido comigo?

“Então pai, eu pisei várias vezes em cima de um celular, porque pensava que era de outra pessoa, mas ai o verdadeiro dono apareceu e me deu uma surra... É isso, fim da história”.

Eu não queria parecer um idiota, não quando eles estavam orgulhosos de mim por ter finalmente arrumado um empreso e, principalmente, por estar matriculado em uma faculdade de verdade.

Não tinha ideia de como lidaria com aquele problema, ainda nem sabia exatamente a gravidade da situação.

Havia fraturado algum osso ou seria algo ainda pior? E, o mais importante, eu realmente queria saber ou preferia continuar na ignorância?

Para a minha sorte, em alguns poucos minutos, uma enfermeira entrou no quarto e, aparentemente, se surpreendeu por já me ver acordado. Ela me cumprimentou como se eu estivesse desacordado há mais de um ano.

— Quantas horas se passaram desde que cheguei? — perguntei a ela, torcendo para não ter sido mais de dez horas, pois isso significaria perder um dia inteirinho de trabalho, o que ocasionaria um rombo na minha comissão mensal.

Ela hesitou por alguns segundos e então finalmente respondeu: — horas? Querido, faz umas duas semanas!

Duas semanas?

— Mas...

Eu não consegui nem completar aquela frase.

— O médico irá te dar todas as informações mais tarde, mas, por enquanto, apenas descanse — disse a enfermeira, de uma forma bem gentil.

Tentei relaxar, mas era óbvio que não conseguiria. Eu havia passado duas semanas no além. O engraçado é que, para mim, pareceram poucas horas. Eu não havia ouvido nada neste tempo desacordado, não viajei para um lugar mágico no meu subconsciente e nem mesmo saí do meu corpo, como era sempre relatado nesses casos de comas e experiências de quase morte.

A porta do quarto se abriu novamente, revelando um garoto de cabelos escuros, que se aproximou lentamente da minha cama. Aqueles olhos verdes me encararam com uma profundidade estranha. Nunca ninguém havia me olhado daquela maneira.

Um sorriso tímido formou-se naqueles lábios.

— Então, você acordou, não é gazeli...

Ele interrompeu a sua frase e olhou para o lado. Um senhor de cabelos brancos também havia entrado no quarto. Ao ver o seu jaleco branco, deduzi que ele fosse o médico.

Ele conversou comigo, contou sobre o meu estado de saúdo, disse que eu fiquei em coma por uma semana e seis dias e também comentou sobre os hematomas causados pela agressão que eu havia sofrido.

Resumindo, eu estava bem e tinha sorte por ter acordado, porque, de acordo com ele, alguns não se recuperavam tão rapidamente.

Após me confortar, ele deixou o quarto, abandonando-me ali com o garoto do ônibus.

— Você por aqui? — eu disse a ele, sem muita emoção.

— Não, na verdade, eu estou em casa, apenas projetei o meu espírito para cá.

Eu revirei os olhos.

— Engraçadinho.

Eu não estava com ânimo para o “papo fiado” com o cara do ônibus.

Qual era mesmo o nome dele?

— Eu não sei nem o seu nome...

— Você não sabe o meu nome, Gabriel? — respondeu-me ele, com um sorrisinho idiota. — Que feio, gazelinha... Afinal, fui eu quem te salvou, não é?

Como ele sabia o meu nome?

Eu não me lembrava de ter dito.

“Ah é, passei duas semanas em coma, o tempo passou e agora nada é como antes” pensei, ainda inconformado.

— Eu não sei e também não faço ideia de como você sabe o meu? E, só pra constar, você não me salvou, apenas consertou um erro que causou.

— Eu mexi no seu celular. Como é que acha que eu liguei para os seus pais? Ah, e sim, eu te salvei! — Aqueles olhos verdes brilhavam de uma forma única.

O meu celular tinha senha.

— Ele tem senha — disse, quase que de imediato.

— Você coloca um “1, 2, 3, 4” como senha e não quer que as pessoas descubram?

Após ouvi-lo dizer daquele jeito, eu me senti um pouco idiota. Sempre achei que como essa era uma senha óbvia demais, ninguém tentaria usá-la para desbloquear o meu celular.

— Você só ligou para os meus pais? — perguntei certo de que ele havia bisbilhotado as minhas mensagens e todo o restante.

Ele abriu um sorrisinho malicioso.

— É claro que fiz só isso.

“Droga, ele viu!”

A última pessoa no mundo que eu queria que visse a minha intimidade, acabou sendo a primeira.

É como dizem: o celular é a alma de uma pessoa.

E a minha era podre, lotada de mensagens inapropriadas e imagens de homens nus.

Tudo isso seria completamente normal, tratando-se de um garoto homossexual. No entanto, eu ainda não tinha contado para ninguém que era gay, estava enfiado dentro do armário ao ponto dos meus pais nem suspeitarem dessa possibilidade.

Desabei sobre a cama ruim do hospital.

— Aquelas mensagens... — respirei fundo, esforçando-me para não desmaiar e entrar em coma por mais duas semanas. — Eu posso explicar.

— O.K, gazelinha — ele respondeu, irritantemente. — Então me explique!

— Eu conheci uma pessoa na internet, em um chat cujo nome não me sinto a vontade em dizer... E meio que ela começou a me mandar fotos sem roupa e eu parei de responder na mesma hora, mas ela continuou me mandando.

— Aham, sei.

— É a mais pura verdade.

E realmente era.

Por mais que eu apagasse aquelas mensagens com fotos nojentas, aquele idiota continuava a mandar mais e mais. Ao pensar mais um pouco sobre o assunto, percebi que foi bom o garoto do ônibus ter visto, porque, desta forma, a minha mãe não veria.

Ele não a deixaria ver, não é?

— O meu nome é Gustavo.

— Você não tem cara de Gustavo, tem cara de Rodrigo! — disparei.

— E você também não tem cara de Gabriel, porque anjo não fica trocando fotos nuas por mensagens.

— Eu nunca mandei nenhuma foto minha!

Era tão óbvio que ele não esqueceria aquela história.

Perfeito, agora eu seria zoado pelo idiota do Gustavo.

— Achou seu celular, Gustavo?

— Pode me chamar de Guto, todos me chamam assim. E não, mas já comprei outro.

Se eu perdesse o meu celular, então, só compraria outro quando surgisse uma superpromoção e ainda parcelaria em dez vezes sem juros.

Falando em celular... O Gustavo ainda estava com o meu?

— Eu não vou te chamar de Guto, porque não tenho intimidade com você e assim você também não terá comigo. Então, Gustavo, cadê o meu celular?

— Com os seus pais.

O quê?

— Diga que você apagou as mensagens?

— Mas eu precisaria de intimidade para isso, não? — perguntou-me ele, me tirando do sério.

— Não é o momento para brincadeiras, Guto!

— Infelizmente não apaguei, mas como a sua senha é supersecreta, você nem vai ter problema.

Não.

Não.

Não.

E não.



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