História Adolescência à Flor da Pele - Segredos e Mentiras - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Tags Comedia, Dominação, Drama, Gay, Lemon, Lgbt, Romance, Romance Gay, Yaoi
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Palavras 1.709
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Tons de Sacanagem


GABRIEL

 

Quando o ônibus finalmente chegou ao terminal, tentei alimentar a esperança de pegar um assento vago, mesmo sabendo que, muito provavelmente, não conseguiria nem mesmo ficar em pé ao lado de uma janela.

Essa era a minha vida.

Na semana anterior, eu estava em coma. Cinco dias depois, eu já havia voltado a trabalhar como tele atendente e, agora, estava prestes a retornar para a faculdade de Administração.

Ao descobrirem sobre isso, as pessoas tendiam a pensar que eu era um jovem exemplar, que não conseguia me manter muito tempo longe das responsabilidades, mas não era bem assim, por mais que me agradasse ouvir a todos esses elogios. Depois que recebi alta do hospital, o meu médico me deu apenas dois dias de atestado, dizendo-me que os hematomas espalhados pelo meu corpo não me impediriam de trabalhar.

O aperto causado pela lotação me fez desejar ter continuado em estado de coma. Ao menos, dessa forma, eu ainda estaria deitado em uma cama, com bastante espaço e, apesar dos pesares, conforto.

Mas a minha vida não tem apenas espinhos — tem espinhas também —, por incrível que pareça, algumas rosas floresceram em meu jardim. Meus pais não viram as mensagens pervertidas em meu celular, o que significava que, por enquanto, a minha sexualidade continuava sendo um segredo bem guardado.

Sobre o garoto do ônibus — Guto, Gustavo ou quaisquer outros nomes que ele possua — não cruzou comigo novamente. 

Ainda que minha mente negasse, gritando “babaca”, parte de mim queria encontrá-lo novamente. Eu precisava saber mais coisas sobre ele, precisava conversar e me irritar com as suas brincadeirinhas bobas, mas da mesma maneira que Gustavo entrou em minha vida, ele também saiu, sem deixar nenhum vestígio.

Quando os meus pés tocaram na sala de aula, todos me encararam de uma forma estranha, como se eu fosse um extraterrestre. Naquele instante, tornei-me o centro das atenções, o milagre vivo. Em toda a minha vida, nunca recebi tantos sorrisos e cumprimentos de pessoas que eu mal conhecia. Todo mundo parecia estar mais feliz com a minha recuperação do que eu mesmo.

Sentei-me no fundo, como de costume.

Eu estava me preparando para uma aula totalmente normal e aparentemente chata, mas algo aconteceu e mudou totalmente o rumo das coisas.

Algo que fez com que o meu queixo caísse.

Literalmente.

Ao ver aquela cena, acabei caindo junto com a minha mesa, que fez um estrondo enorme ao atingir o chão. E comigo, derrubei outros dois garotos. Todos olharam para trás, enquanto eu pedia mil e uma desculpas, todo envergonhado.

O culpado por tudo havia acabado de passar pela porta.

Gustavo estava usando uma camisa xadrez, totalmente lindo, enquanto me encarava. Ao vê-lo, acabei me atrapalhando e causando todo aquele alvoroço.

Eu me levantei com a cabeça erguida, não iria me humilhar mais, não em frente ao garoto que tornou a minha vida um verdadeiro inferno. Era estranho que horas antes eu estivesse sentindo a sua falta, que estivesse querendo vê-lo. Agora, fogo podia sair por meus olhos, mas nem mesmo isso seria capaz de transmitir toda a raiva que eu sentia.

E como se não bastasse isso, ele escolheu a carteira ao lado da minha. Gustavo olhou para mim com aquele sorriso idiota do qual eu adorava odiar.

— Você por aqui? — perguntou ele, como se não soubesse do fato antes de entrar na sala.

Optei por ficar em silêncio.

— Nossa, gazelinha, como você é atrapalhado... O seu showzinho a parte tirou toda a atenção de mim, o aluno novo, muito obrigado.

Isso já era demais.

— Você sabe que eu posso denunciá-lo por me perseguir, não sabe? — disse a ele, sem muita paciência.

— Você pode me denunciar frequentar uma faculdade? Legal. Mas sabe o que será ainda mais legal? A história de como eu salvei a sua vida, acho que a galera vai se amarrar.

Eu poderia me fazer de difícil e testar, ver se ele estava blefando ou não, mas a simples ideia de todo mundo saber o que realmente tinha me feito entrar em coma me apavorou.

— Por favor, não me exponha ao ridículo, Gustavo... Até porque eu consigo fazer isso sozinho!

Ele sorriu.

— Por favor? Olha, quem aprendeu bons modos.

Quando ia responder, vários celulares apitaram ao mesmo tempo, incluindo o meu.

"FESTA!

ISSO MESMO.

VOCÊ, CALOURO, ACABA DE SER CONVIDADO PARA UMA FESTA.

QUANDO AS AULAS SE ENCERRAREM, DIRIJA-SE PARA A CASA DO ROMANECK, O ANFITRIÃO.

— EDU".

Eu não sabia quem era o Edu, o cara que me enviou a mensagem. Não sabia quem era o tal do Romaneck, o anfitrião. Então, o que eu faria em um lugar assim?

Todos estavam comentando sobre o convite para a festa. A questão era que somente alguns haviam recebido aquela mensagem e, diferente do que a mesma insinuava, nem todos os calouros tiveram essa sorte. Mais tarde, ouvi alguns alunos comentarem que apenas as pessoas mais jovens e divertidas da turma haviam recebido. Os mais velhos e os “chatos” passaram minutos olhando para a tela do celular, na esperança de ver o toque de mensagem soar, mas ele não veio.

Por ter apenas dezessete anos, acabei sendo beneficiado com o convite. No entanto, eu era assumidamente chato e antissocial, e isso me levava a questionar quem, em sã consciência, gostaria da minha companhia em uma festa?

Detalhe muito estranho: Guto também havia recebido a mensagem, o que era um pouco bizarro, uma vez que ele havia acabado de chegar e ninguém ainda possuía o seu número.

— Você vai ir? — perguntei a ele, como quem não quer nada.

Ele me encarou com um olhar misterioso e respondeu: — e tem como faltar à própria festa?

Minha pergunta havia sido respondida, mas a resposta veio com um bônus de outra resposta.

Havia sido convidado porque o Guto era o Romanack.

— E você, gazelinha, vai? — Gustavo repetiu a minha pergunta.

— É claro... Que não!

— Eu pensei que você fosse dizer isso.

— Pensou, é? — respondi, alterando a voz, o imitando.

— Sim, então, encontrei uma maneira de te fazer mudar de ideia... — Antes que pudesse questionar como ele me forçaria a participar daquela festa, ele prosseguiu, dando-me a resposta: — Todas as pessoas que receberem o convite e não forem para a minha casa vão ganhar um presentinho, um nada legal. — Depois de rir de uma forma irritantemente sexy, ele concluiu: — se eu fosse você, não faltava.

Após dizer isso, ele se levantou e deixou a sala, o que era estranho, porque estava no meio da aula.

O Henrique, o garoto a minha frente — que tinha dezoito anos —, se virou, voltando a sua atenção para mim.

— Você conhece o Romanack?

— O aluno novo?

— Aluno novo? Não, ele está no último período de Administração. — Após me deixar grogue com aquela informação, ele continuou: — Eu vi vocês dois conversando... Como é que você não o conhece?

— Eu o conheço, mas não tanto assim — continuei, respondendo-o o mais vagamente possível.

— Então, amigo... Será que você não me descolaria um convite?

— Convite físico?

— Uma mensagem, só entra quem estiver com a mensagem no celular.

— Entendi... Eu posso tentar convencer ele a te enviar uma.

— Sério?

Eu confirmei com a cabeça.

E com isso, eu me levantei como se fosse ir ao banheiro, mas, na verdade, estava indo procurar o Guto. Henrique havia me falado onde era a sala dele. Subi vários e vários degraus até estar no último andar do prédio. E, quando visualizei a porta da sala, encontrei dois garotos sentados no banco próximo a uma porta fechada.

Um deles era o Guto. Eu me aproximei meio tímido, pois eu nunca falei com Gustavo perto de alguém que ele conhecia. Eu estava muito desconfortável.

— Oi.

— Se você veio avisar que não vai, sinto muito, mas não é opcional...

— Você contou sobre o trote pra ele? — o garoto ao lado dele indagou.

Trote?

— Como? — questionei, torcendo para ter entendido errado.

— Selecionamos alguns calouros. Alguns legais e alguns não tão legais, então, quando chegar a hora, faremos uma brincadeira para os "não tão legais". Mas não se preocupe, porque você, definitivamente, está nos legais, mas se faltar à festa, então, automaticamente estará incluso com os outros na brincadeira, entendeu?

Era muita informação, mas apenas acenei com a cabeça, como se realmente tivesse entendido tudo.

— Não foi por isso que eu vim. Na verdade, um colega me pediu para conseguir um convite para essa festa.

Henrique mudaria de ideia se soubesse da brincadeira?

O garoto ao lado do Guto parecia ser ainda mais debochado. Seus olhos eram escuros, mais que os meus. Seus cabelos eram um tom de dourado vivo, deixavam o meu cabelo, também loiro, no chinelo.

— Desculpe, mas não dá. Se ele não recebeu a mensagem, então, não pode ir — disse o garoto ao lado do Gustavo.

— Eu não perguntei pra você — disparei, enquanto olhava para Guto, com uma expressão de cachorro abandonado.

— É só me dar o número dele — respondeu-me o moreno, fazendo-me sorrir.

— Você sabe que não podemos incluir mais ninguém. — O outro garoto parecia irritado. — E não se esqueça de que você já nos deve um favor.

— Calma aí, Edu! O negócio vai continuar perfeitamente bem e esse convidado  poderá substituir o lugar daquele outro... O que você acha?

Edu sorriu, e isso era muito estranho, pois há alguns poucos segundos, ele estava com cara de poucos amigos. Ainda com o sorriso no rosto, ele pegou o papel com o número da minha mão e enviou a mensagem.

— Muito obrigado — respondi, não controlando o meu deboche. — Viu só como foi fácil?

— Fácil? Que nada, planejar tudo isso foi muito difícil. E, para inicio de conversa, foi você que complicou tudo... — Ele não me deu tempo de questionar o que eu havia complicado. — Mas pode relaxar, afinal, você encontrou um substituto perfeito pra você na brincadeira.

Substituto pra mim?

— Espere, eu estava incluso nesse trote aí?

Edu sorriu.

— No início, mas ai o Gustavo inventou de tirar você, com a condição de encontrar outra pessoa para preencher o lugar, mas, aparentemente, você mesmo acabou de fazer isso.

— Não serão apenas alguns dos calouros que participarão da brincadeira de mau gosto de vocês, mas todos os jovens — pensei em voz alta, detestando-me por ter enfiado no trote alguém que nem precisaria passar por aquilo.

— É isso ai — Edu confirmou, divertindo-se com a situação.



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