História Adolescência à Flor da Pele - Segredos e Mentiras - Capítulo 4


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Tags Comedia, Dominação, Drama, Gay, Lemon, Lgbt, Romance, Romance Gay, Yaoi
Visualizações 14
Palavras 1.422
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Calouros


GABRIEL

 

Todos estavam animados para a festa que se iniciaria e eu não poderia me sentir mais culpado por não poder avisá-los, nem mesmo ao Henrique, que só havia sido incluso no trote por minha culpa.

Como pude ser tão burro e inocente ao ponto de pensar que havia sido convidado para uma festa de verdade?

Que idiotice.

Ao menos, agora estava tudo explicado.

— Olha só esse lugar... — dizia Henrique, enquanto se maravilhava com a vista da propriedade.

— Incrível mesmo, os pais do Romanack devem ter bastante grana — respondi, observando os detalhes do lugar, que esbanjava luxo.

— Com toda a certeza! — Depois de caminharmos por mais alguns segundos, Henrique parou e voltou o seu olhar para mim. — Ei, eu ainda não te agradeci por ter conseguido o convite pra mim. Muito obrigado.

Se eu já não estivesse me sentindo um lixo, passaria a me sentir naquele instante.

— Não precisa agradecer... Não precisa mesmo — disse a ele, realmente não mentindo sobre a parte de não precisar de agradecimentos.

Todos estavam bebendo, completamente animados. A festa estava apenas começando, mas porque eu tinha a impressão de que ela não duraria muito?

Após me agradecer, Henrique se afastou para conversar com os seus amigos. E eu fiquei ali, encarando a água da piscina. Não tinha muitos amigos, pois, na primeira semana de aula, eu bati com a cabeça e, logo depois, fiquei desacordado por duas semanas. Agora, depois de todo esse tempo, parecia ser tarde demais para mim, todos já tinham seus grupos e, ao que tudo indicava, eles se esqueceram de me incluir.

— Você está muito pensativo, espero que não seja sobre o lance do trote — disse a voz familiar vindo por trás de mim.

Vi o reflexo de Gustavo na água.

Ele sentou-se ao meu lado.

Era estranho como a sua presença fazia com que eu me sentisse um pouco mais à vontade com a festa, mesmo ele praticamente não passando de um desconhecido. De repente, não estava mais tão deslocado e conseguia até sorrir um pouquinho.

— Às vezes, me pergunto se você ainda se sente culpado por ter quase me matado — eu disse, olhando-o pelo canto do olho.

— Eu nunca "quase te matei", mas eu me lembro de ter salvado você algumas vezes.

— É exatamente o que eu quero saber... Se você não me livrou dessa por culpa, então, foi pelo quê? — perguntei, encarando a água.

Ele não respondeu.

— E o que esse Edu é seu? — tornei a perguntar, como se estivesse interrogando-o.

Ele riu de um modo que me deixou vermelho.

— Meu irmão.

Irmão?

Interessante.

— Vocês não se parecem, não tem nenhuma semelhança física. E sinceramente? Eu não gostei muito dele.

— Às vezes, eu também não gosto.

Eu me virei e o encarei com um olhar sério.

— Por que você me tirou da brincadeira?

— Se você soubesse o que é a brincadeira, apenas me agradeceria — continuou ele, querendo mudar de assunto.

Eu sabia a resposta para a pergunta.

Só podia ser pena.

Afinal, eu era uma pessoa digna de pena.

— Se não é algo legal, qual a razão de fazer isso com os outros? Eles também optariam por sair se pudessem, assim como eu consegui... Por sua causa.

— É uma tradição estúpida, eu não controlo isso... Acontece todo o ano. Mas eu não vou mentir e dizer que eu não gosto de participar, porque eu gosto. Só não iria gostar se você estivesse envolvido... — Gustavo se aproximou ainda mais de mim. — Neste caso, eu odiaria.

— O que traz de volta a minha pergunta — continuei insistindo.

— Eu...

— Olha, Gustavo Romanack, eu posso ser um cara sem amigos e posso ter quase morrido naquele ônibus, mas não preciso da sua pena... — eu disse, interrompendo-o. — Eu não quero ela.

— Ei, eu não tenho pena de você, O.K? — ele disse, tocando a minha mão, em um gesto delicado.

Era estranho, mas, ao ser tocado por ele, eu me senti... Eu nem mesmo sabia descrever, era como se eu fosse ter um infarto ou como se o meu coração fosse sair pela minha boca a qualquer momento.

— Eu te tirei da brincadeira porque me importo com você... — Ao notar que o clima ficou tenso, ele tornou a falar: — Acho que aquele incidente nos tornou amigos.

Algo ainda mais estranho aconteceu. Ao ouvir a palavrinha "amigo", tudo ao meu redor se calou. Eu não sabia o porquê, mas não queria ser o amigo dele.

Na verdade, meio que sabia exatamente o porquê, eu estava gostando do garoto do ônibus.

 Não, gostando não.

Eu estava amando-o.

— Ai está você! — disse o insuportável do irmão dele.

— O que foi? — Guto indagou.

— Nós precisamos começar a nossa brincadeirinha.

Quando o irmão dele se aproximou de onde estávamos conversando, simplesmente me afastei, justando-me ao restante do pessoal, que foi para o mesmo lugar, ouvir o que um dos anfitriões tinha para nos dizer.

Quando todos os calouros estavam reunidos em frente à piscina, Edu deu três passos a frente e encarou a todos.

— Então galera, o que vocês acham de uma brincadeira?

Todos adoraram a ideia e comemoravam, sem nem mesmo saber onde estavam se metendo.

— É o seguinte — disse Gustavo enquanto apontava para uma caixa bem a minha frente. — Estão vendo essa caixa? Então, ela está cheia de ovos.

Os olhares se voltaram para a caixa e, consequentemente, para mim, que não estava do lado deles — onde deveria estar.

— O negócio é o seguinte. Estamos em uma casa de campo, como vocês devem ter percebido. Nela tem muito espaço... Tem uma floresta atrás da casa e é ai que a brincadeira entra. O jogo será uma caça aos calouros, por nós, os veteranos — disse Gustavo, todo entusiasmado.

Ao ouvir as palavras do garoto do ônibus, os veteranos gritaram.

— Vocês podem correr e se esconder, mas não podem deixar a reserva. Nós caçaremos vocês e aqueles que a gente achar será amarrado, levará um banho de ovos podres e só será desamarrado quando o sol nascer.

Toda a animação deixou os olhos dos calouros. Eu ainda estava absorvendo a ideia. Quase fiquei grato pelo Gustavo ter me tirado daquela. O meu único problema era ser moralista demais. Ao ver os olhares deles em minha direção — o do Henrique, principalmente — a culpa me tomou.

Eu era o vilão, o calouro traidor.

Sem aviso prévio, saí de perto de Gustavo e me dirigi aos outros calouros. Parei ao lado de Henrique. Guto não estava entendendo a minha atitude, mas, ainda assim, eu voltei o meu olhar para Henrique e forcei um sorriso, que foi retribuído.

Nós, os calouros, éramos um grupo e ficaríamos unidos.

— Gabriel, eu posso falar com você? — perguntou-me Gustavo, assim que terminou de explicar a brincadeira para os outros alunos.

Nós nos dirigimos para dentro da casa.

Tudo era tão bonito. Eu analisei rapidamente as coisas enquanto pensava no que ele iria me falar, no que era tão importante para que precisássemos conversar longe de todo o restante dos alunos.

Encarei os quadros, o papel de parede, o sofá bege, os degraus da escada e...

— Que porra é essa? — começou o garoto próximo de mim, acabando com a minha análise.

Eu nunca o vi tão irritado e era a primeira vez que eu o ouvia falar um palavrão na minha frente.

— Eu... eu não entendi — respondi, espantado com aquela atitude.

— Você ignorou tudo o que eu fiz para te proteger!

— E você achou que eu ficaria aqui, assistindo a todos eles serem amarrados? Eu não sou esse tipo de pessoa — respondi, com ódio.

Ele riu, mas não era aquele riso do qual eu estava acostumado, era um riso de ódio — um ainda maior que o meu.

— Você não vai participar e pronto.

Agora, estava na minha vez de rir.

— Você não manda em mim e, principalmente, não decide nada por mim.

Ele passou a mão sobre a testa, empurrando os cabelos escuros para o lado.

— Eu não quero discutir com você, O.K? E desculpe por gritar também, mas eu não vou te deixar participar e fim de papo.

— Que autoridade você acha que tem pra interferir na minha vida?

— Tudo bem, se você quer assim!

— Ótimo, agora, por favor, saia da minha frente para que eu possa me juntar ao meu grupo e correr de você na floresta.

— Eu nunca disse que te deixaria participar, eu não mudo de opinião tão fácil assim.

— Você não pode me segurar aqui.

— Ah é? Então, vamos ver.

Ele simplesmente saiu correndo, passou pela porta e a fechou, trancando-a por fora. E tudo isso antes que eu percebesse o que estava acontecendo.

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...