História Adolescência à Flor da Pele - Segredos e Mentiras - Capítulo 5


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Tags Comedia, Dominação, Drama, Gay, Lemon, Lgbt, Romance, Romance Gay, Yaoi
Visualizações 12
Palavras 862
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Cachinhos Dourados


GABRIEL

 

Perdi a conta de quantas vezes esmurrei a porta, mas não tinha efeito algum, ninguém se importava. Os calouros corriam, eu podia ouvi-los de dentro da casa. A brincadeira havia começado sem mim e, pelo jeito, terminaria assim também.

O cretino havia me prendido.

Trinta minutos se passou desde que fui preso na casa do garoto do ônibus. Tentei abrir as janelas, mas estavam todas fechadas com cadeados grossos, certamente colocados para a segurança do local, já que se tratava de uma casa ao lado de uma reserva.

Eu não sabia o que fazer.

A minha grande dúvida era se deveria mesmo encontrar um modo de sair da casa, pois, por mais que eu quisesse muito ignorar, aquela era uma ótima oportunidade para mexer nas coisas de Gustavo, conhecendo-o melhor.

O que será que ele escondia no quarto?

Quais eram as coisas que ele gostava?

Não.

Não.

Não.

Espantei todos esses pensamentos.

O cara me trancou na casa dele e eu estava perdendo tempo pensando sobre as coisas que ele gostava? Eu tinha que bolar uma estratégia para sair e participar do trote, junto com o restante dos alunos.

Onde poderia ter uma chave reserva?

“Talvez no quarto do Gustavo” a minha mente gritou.

O meu subconsciente estava jogando contra mim, usando o que eu sentia por aquele completo estranho como uma forma de me manter na casa.

Assim que terminei de procurar no primeiro andar, subi os degraus da escada e segui com a minha busca.

O segundo andar era dividido em quartos. Mesmo jurando que não entraria no de Gustavo, estava disposto a quebrar a promessa para achar a chave. E isso me levou a um quarto com as paredes brancas, onde um guarda-roupa planejado imenso cobria quase todo o ambiente. No entanto, um quadro na parede me disse que aquele não era o quarto do Gustavo. Na foto, estava um casal, que devia ser os pais dele.

Procurei nas gavetas, embaixo da cama e no banheiro que tinha no quarto.

Nada.

Eu mudei de quarto.

As paredes no tom azul-escuro mostraram-me que aquele devia ser o quarto de Guto. Tudo ali combinava com ele e, estranhamente, comigo. No centro da parede, havia uma estante com vários livros, livros dos quais eu adorava — li e reli vários títulos da estante. Foi chocante descobrir que os nossos gostos eram parecidos. E isso não se limitava apenas a literatura, mas na música também, pois, segundo o CD na prateleira, ele também ouvia uma das minhas bandas preferidas.

Fechei a porta do quarto e me dirigi à cama, sentando-me ali. Eu ainda estava impressionado com a semelhança entre os nossos gostos. Mas tudo se intensificou no momento em que olhei para o teto.

Um nó se formou em minha garganta.

Gustavo tinha adesivos de teto, daqueles que brilham no escuro. Eu também gostava, mesmo não possuindo em meu quarto. Sempre quis ter, mas nunca encontrava um que realmente brilhasse, comprava e descobria que era propaganda enganosa quando chegava em casa.

Levantei-me da cama, apaguei a luz e tornei a me deitar, enquanto me maravilhava com aquela visão. Ele tinha o sistema solar inteiro, tornando incrível a simples experiência de olhar para cima.

Será que seria muito indecente da minha parte mexer nas roupas dele?

“Com certeza” minha mente respondeu.

Se ele não soubesse, isso faria com que se tornasse menos indecente?

Sem esperar por mais respostas — talvez porque eu não queria ouvi-las —, levantei-me, liguei a luz e fui bisbilhotar. Ao abrir o guarda-roupa cinzento de Gustavo, notei que havia várias fotos coladas em seu interior.

Só tinha um probleminha.

Não era Gustavo quem estampava a maior parte delas, mas Eduardo, o irmão irritante dele.

Aparentemente, esse também não era o quarto de Gustavo.

Nessa altura do campeonato, eu sabia que não havia chave ali, pois bisbilhotei tudo quando pensei que ele fosse do garoto do ônibus.

Saí daquelas quatro paredes tão rápido quanto entrei.

Havia mais três. Após deixar aquele, eu entrei no que ficava ao lado. As paredes eram vermelhas, em um tom escurecido. Não havia estante de livros, mas uma televisão que devia ter umas cinquenta polegadas. A cama de casal era espaçosa, com vários travesseiros. O guarda-roupa marrom escuro com portas de correr tampava uma enorme parede. Ao lado, tinha um espelho que dava duas portas.

Era o quarto mais bonito da casa, o mais organizado, entretanto, o que eu menos havia me identificado.

Impressionei-me com as roupas todas muito bem organizadas. O dono do quarto colocava cor com cor, camisas com camisas, camisetas com camisetas, calças sociais em um lugar, calças jeans em outro, tudo muito bem arrumado.

“Não tenho tanta roupa pra organizar por cor” foi tudo o que consegui pensar.

Ao espirrar um dos perfumes da prateleira, acabei descobrindo de quem era o quarto fabuloso. Esse, pelo cheiro familiar, pertencia ao Gustavo.

No fim das contas, fui encontrar as chaves dentro de uma lata prateada, em cima de um compartimento do armário do banheiro.  E enquanto descia as escadas, não pude deixar de pensar no quanto tudo havia sido estranho. A pessoa que eu mais odiava na faculdade era a que mais se parecia comigo.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...