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História Adolescência e Outras Drogas - Capítulo 3


Escrita por: littlebutterfly_

Notas do Autor


Esse capítulo era pra sair sexta, mas a minha internet deu problema >:(
Mas fazer o que né? KJKKKKK paciência
Meu presente de páscoa para vocês! <3
Boa leitura meus xuxusss

Capítulo 3 - As primeiras impressões são as que ficam


Fanfic / Fanfiction Adolescência e Outras Drogas - Capítulo 3 - As primeiras impressões são as que ficam



Já há alguns quarteirões longe de casa, Max  caminhava em direção ao ponto de ônibus, com os pensamentos a mil. 

 Foi acordada dos seus devaneios ao observar sua amiga Rachel chegando ao longe, cada vez mais próxima dela. A sua melhor amiga corria e os seus longos cabelos loiros se moviam junto com o vento. 


 — E aí, Max! — Rachel a abraçou, ofegante. Parecendo que correu uma maratona. — Pronta para um dia cheio de responsabilidades?

— Nem um pouco, Rach — Max fez bico, ato que fez a amiga sorrir. — Queria estar dormindo ainda... 

— Relaxa, sei que você vai superar de novo o Warren nas notas — As duas passaram a andar juntas. — Essa é a minha aposta! 

— E o que apostaram dessa vez? — Max perguntou, começando a sorrir. Todas semana os amigos apostavam quem estaria no topo da lista de honra.

— Se for o Warren, sou obrigada a dar US$10 para o Nathan — Rachel fez uma careta, costume que tinha quando não concordava com alguma coisa. — Agora, se for você, o que sinto que será — Ela enroscou o seu braço ao de Max, agora a sorrir. — Ele me dá US$15! 

— Desse jeito o Nathan vai a falência — A de cabelos curtos sorriu vitoriosa. 

— E essa é a meta! — As duas gargalharam juntas.


Ter alguém em quem confiar é algo preciso para todo mundo, certo? E essa pessoa para Max, era a Rachel. As duas se conheciam desde o fundamental, quando a Rachel a convidou para o seu aniversário de 11 anos. E, a partir dali, a amizade das duas continuou, cada dia se tornando ainda mais forte. 

— Sabe, Rach — Max começou, ouvindo em resposta da amiga um "uh?". — As vezes nem parece que estamos no último ano.

— Passou tão rápido, né? — A loira a olhou, recebendo a concordância da menor que acenou com a cabeça.

— Parece que foi ontem.

— Sim, quando nós discutíamos com o grupo que Os Simpsons é melhor que O Máscara! — Rachel formou um sorriso, se recordando dos bons momentos.

— Os Simpsons sempre será melhor — Max retribuiu o gesto da amiga. — Não tem nem comparação! 

— É exatamente sobre isso! — Rachel concordou. — Só o Nathan mesmo para fazer uma comparação assim. 

Gargalhadas foram emitidas pelas duas novamente. 

— Lembra de quando colocamos siris na sala do diretor, no primeiro ano? — Max se deixou levar pelas recordações também.

— Meu Deus! — Rachel riu. — A gente não presta. Mas somos ótimas espiãs, até hoje não descobriram quem foi.

— E nem devem, bom, isso até a gente sair da escola! — Dividiram risadas juntas novamente.

No primeiro ano, o diretor da Blackwell — vulgo Raymond careca brilhante Wells —, tinha decidido por vez dar um fim na turma de vôlei, já que o pessoal do futebol era mais influente na escola. E, naquela época, a Rachel e a Max faziam parte da galera do vôlei e ficaram simplesmente furiosas com aquilo. 

E, para não deixar barato, as duas lotaram a prestigiosa sala dele com um monte de siris! É lembrada até os dias de hoje da expressão furiosa dele e do desespero dos espetores em tirar todos aqueles animais dali. 

Parece bobo — e foi bem bobo —, mas de alguma forma isso funcionou. O vôlei continua até hoje na escola, mas elas já não fazem mais parte dele. No ano seguinte — depois de várias súplicas da Victória —, Max e Rachel decidiram entrar para a turma de líderes de torcida, estando lá até hoje. 


Quando as duas menos perceberam, já estavam a frente do ponto de ônibus. Ficar perto de pessoas de gostamos é assim, o tempo passa voando.

— É, chegamos a nossa carruagem. — Rachel ironizou. 

— Mas que decadência! — Max entrou na onda da amiga, tirando risadas dela. 

Sem nenhuma opção, as duas foram em direção ao meio de transporte. Na entrada, foram nada surpreendidas por Hayden estar lá, encostado no veículo. 

Buenos dias, bellas chicas! — Ele as recepcionou com animação na porta do ônibus. 

— Só aprendeu isso no curso de espanhol? — Max brincou, um pouco incomodada. Todos os dias ele repetia exatamente a mesma coisa, como uma máquina travada. 

— Não, mas com vocês tenho que usar essas mesmas palavras, bellas chicas — Tentou dar um daqueles seus sorrisos sedutores, o que fazia todas as garotas talvez caírem aos seus pés. 

Mas, felizmente, isso não funcionou com Rachel e Max. A loira revirou os olhos e a morena se segurou para não fazer o mesmo. 

— Vai a merda, Hayden. — Rachel mostrou o dedo do meio a ele, puxando a amiga em seguida para dentro do ônibus. 

As duas puderam ouvir as risadas dele no lado de fora do veículo. Fala sério. 



Chloe


 Era de se notar que estava um dia muito bonito. E o clima tropical era, de fato, bem consistente logo pela manhã, mesmo não sendo totalmente verão.

 Eu caminhava pelas ruas daquela que seria a minha nova cidade, observando as casinhas dos bairros. Eram todas tão pequenas e rústicas, um estilo como as da Noruega. Pareciam que tinham parado no tempo, talvez seria um ótimo ponto turístico. 

Chutei pedras, eu não sabia como seria nessa nova escola. Não tinha ideia, real. Sentia falta dos seus amigos na outra cidade, eu tinha prometido que iria enviar cartas, mensagens ou até mesmo telefonar para eles. Isso era cobrado por parte deles também.

Antes de eu ir embora para cá, eles haviam feito uma festa de despedida para mim, tamanha a consideração deles. Dei um jeito de ludibriar a minha mãe e sai de madrugada para os ver. Fiquei bem surpreendida quando vi tudo aquilo para mim, na sacada da escola, e tive vontade de chorar. 

Eu não tinha ideia do quão importante eu era. 

“Prometa que vai manter contato!” A voz de Lyla ainda ecoava na minha cabeça. 

Eu prometo, sua dramática.” Ela me deu um soco falso, o sorriso em seu rosto entrava em conflito com os olhos marejados. 

“Um viva à Chloe Price!” Sean ergueu seu copo com cerveja, fazendo todos ali repetirem seu ato. 

À nossa Chloe Price!” Finn gritou, todos gritaram depois em total sincronia. 

Naquele momento, queria abandonar tudo, apenas para ficar ali em Seattle, a cidade que eu pertenço. Mas, entrar em uma viatura em Arcadia Bay por ter fugido de casa não estava em meus planos. 

Enfim, não tive escolha. 

Mas a certeza que eu tinha, era que eu iria sentir a falta de todos, um por um. Das saídas de sábado com o pessoal, das broncas da Lyla, de matar as aulas para ir se chapar com o Finn. 

Eu iria sentir falta de tudo aquilo. Talvez nunca mais encontraria amigos como eles e eu quero manter isso, essas amizades que são tão especiais para mim. 



Toda experiência em uma nova escola é tão complexa, sempre nos sentimos muito intimidados. É como se estivéssemos passando por um corredor com vários dragões, que a qualquer momento podem cuspir fogo contra você. 

Nada mais resume o ensino médio do que isso. 

Por cada local que passava na cidade, não deixei de notar os olhares alheios. Eu sentia eles e os vía. As pessoas me olhavam torto, como se eu fosse algum alienígena. Sim, um alienígena.

Não haviam tantas pessoas com o mesmo estilo que o meu. Nem com cabelos azuis. Talvez no ônibus haveria, era uma esperança.

Se não, eu seria uma edição limitada. E confesso que prefiro que seja assim.

Por fim, percebi que cheguei ao meu ônibus graças às altas conversas que vinham de um, logo a minha frente.

Conforme fui se aproximando do transporte, as conversas animadas se transformaram em uma baita gritaria. 


Assistir uma briga seria um ótimo começo de dia.


Subi as escadas do veículo, podendo ver logo após claramente a cena que acontecia. E fiquei ali, observando, até notarem a minha presença. O que acabou não demorando, já que rapidamente os olhares pairaram sobre mim.

É, o ensino médio. Segurei toda a minha vontade de revirar os olhos e me esforcei para não ficar com raiva ou surtar. Eu não era de arrumar problemas logo no primeiro dia, talvez nos próximos.

Ajeitei a mochila no ombro e continuei a caminhar. A cada passo que eu dava, pude ouvir sussurros, observar olhares duvidosos, lugares sendo ocupados por objetos.

O meu olhar parou sobre uma garota de cabelos curtos e com franja — um corte fofo, confesso —, que lia um livro. O lugar ao lado dela estava vazio e aquela era uma chance para mim não ir em pé todo o trajeto.

Me aproximei dela, sentindo estranhamente as minhas mãos suarem.

— Posso me sentar aqui? — Eu disse, chamando a atenção dela, que levantou os seus olhos azuis para mim. — Parece que é o único lugar sobrando.

Antes de me responder, ela pareceu pensar um pouco, o olhar ainda em mim. Por um momento torci para que ela não fosse como aqueles outros alunos.

— Claro — Disse por fim. Ela segurou as suas coisas e pulou para o assento da janela.

— Valeu... — Eu disse me sentando no banco, totalmente agradecida e finalizando aquela breve conversa.

Para evitar assunto, resolvi escutar música no meu walkman. O tirei da minha mochila e o levei aos meus ouvidos.

Em meus sentidos, o silêncio daquele ônibus finalmente terminou e eu fui purificada com o som Guns N' Roses sendo ouvido apenas por mim.


[...]



O percurso daquela vez foi tão estranho. Max sempre teve um banco só para ela, e agora estava o dividindo com uma outra pessoa. Foi um sentimento muito estranho. 



[...]



Já no corredor da escola, Max e suas amigas estavam cada uma em seu respectivo armário, todas organizando os materiais para a primeira aula.


— Que saco, acho que esqueci o meu estojo — Victória parecia frustada.

— Isso que dá ficar fofocando ao invés de prestar atenção na aula... — Steph soltou, vasculhando o seu armário ao lado.

— Falou a mais fofoqueira daqui — Victória retrucou, cruzando os braços.

— Fofoca é universal, cara Vic — Steph deu tapinhas nas costas da amiga.

Eu concordo, uma fofoca une as pessoas. 


— Que aula você vai ter agora, Max? — Rachel, no armário de trás, perguntou.

— Literatura, com o Sr. Jefferson — Max guardou alguns livros da mochila.

— É triste que minha aula com ele só vai ser na última... — Victória choramingou.

— Ah, sim. Ele só é uns 20 anos mais velho que todas vocês — Max não pôde deixar de dizer, tirando uma risadinha da Rachel.

— Para de ser careta, Max. — Victória revirou os olhos. — Parece a minha mãe!

— Sua mãe é muito legal, me cai como um elogio! — Max formou um sorriso, fazendo a amiga a empurrar de brincadeira.

— É por que você não convive com ela 24hrs.

— Tirando sua puritanice, Max, o Mark Jefferson não deixa de ser um gato... — Steph fechou o armário. — Mesmo não sendo o meu tipo. 

— Sabemos bem o seu tipo, Steph... — Max deu ênfase na palavra tipo. Steph olhou para a amiga com um sorriso lateral. 

— O que estão conversando, meninas? — Nathan chegou abraçando Victória por trás.

— Assunto de garotas, seu intrometido — Rachel cortou seu primo, o fazendo fingir uma expressão triste. 

— Não liga para elas, Nate. — Victória selou os seus lábios aos do garoto.

— Se cuida hein, Max — O garoto disse logo após. — Estamos fazendo uma aposta. 

— Pode ficar tranquilo que você vai perder ela. — Max sorriu de forma cínica, arrancando risos das amigas. 

Qualquer momento para tirar sarro de Nathan Prescott não podia ser perdido. 

— Eu agora terei prova de química — Steph enroscou um dos braços pelo pescoço de Max. — Me desejem sorte.

Boa sorte, Steph! — Todos os amigos que estavam ali disseram em coro, a fazendo sorrir. 

— Cuidado para não explodir a sala dele de novo. — Max relembrou esse momento desastre da amiga. 

Pff, nem me lembre disso — Ela fugiu do assunto, arrumando os livros em mãos. — Vejo vocês no horário de almoço. 





A sala de literatura realmente parecia uma sala de literatura. Várias estantes de livros, mesas espalhadas, quadros com grandes escritores e suas frases marcantes. Tinha o ar de uma biblioteca, além daquele costumeiro cheiro viciante dos livros.

Todos os alunos já estavam naquela sala, assim como o professor. Era possível se ouvir os sussurros das alunas a respeito do sr. Jefferson, enquanto Max apenas terminava a leitura do seu livro, querendo ignorar tudo aquilo. 


— Foi mal o atraso! — Uma voz ligeiramente conhecida por Max proferiu, chamando toda a atenção para si. 

Era a garota de quem todos falavam no momento. A garota de cabelos azuis. 

— A desculpo se me disser quais foram os criadores dessas frases — Mark Jefferson sempre tinha isso. Talvez era por isso que os alunos nunca se atrasavam para a aula dele.

— Manda a ver. — Ela cruzou os braços, com uma expressão de quem não pareceu se intimidar.

— “Nem tudo que reluz é ouro”? — Ele deu início. 

— Fácil, William Shakespeare. — Ela respondeu prontamente.

— Muito bem! — O professor formou um sorriso, talvez pensando em aumentar a dificuldade.—  E agora, “A imaginação é mais importante que o conhecimento”?

— Essa aí foi Albert Einstein. — O sr. Jefferson parecia estar impressionado. A sala toda também, Max sendo uma delas.

— Para finalizar, “O sábio nunca diz tudo o que pensa, mas pensa sempre tudo o que diz”?

— O gênio Aristóteles. — Os lábios dela formaram um meio sorriso. 

— Fantástico, srta. Chloe Price! — O professor estava de queixo caído.


Então o nome dela é Chloe... Chloe Price. 


— Não parece... Mas eu também gosto de ler, Sr. Jefferson — A piada sobre ela mesma fez o professor rir. 

— É impressionante! Então vai gostar da minha aula. — Ele parecia até mais animado. — Está perdoada! Pode sentar ali, atrás da Brooke.

A garota caminhou pelo corredor do seu lugar marcado, sob os olhares de todos. Após ela se sentar, a aula teve o seu início.

— Alunos, na aula de hoje marcamos de discutir sobre a peça de ballet “O lago dos cisnes” — O homem alto com barba se levantou da sua mesa. — Acho que todos aqui nessa sala conhecem, certo?

Se pode ouvir um longo “sim” de todos os alunos presentes na sala.

— Muito bem. — O professor se escorou em sua mesa, o olhar ainda sobre todos os alunos. — Alguém poderia me dizer sobre do que se trata a história?

— É uma história de amor, trágica como Romeu e Julieta. — Dana, uma das alunas, disse.

— Sim, está certa. Mas eu preciso de detalhes — Ele caminhou por toda a sala, atônito, a procura de uma vítima. — Max! Você. — Apontou para a garota, que não sabia onde enfiar a cara. — Conte para a turma sobre o que é a peça.

Max não era do tipo introvertida — tá, em alguns momentos ela poderia ser —, mas todas as vezes se sentia nervosa com alguma demonstração social pública.

— É sobre a história de uma mulher, a Odette, que foi condenada para sempre a ser um cisne depois de receber uma maldição — A garota se ajeitou na cadeira, inquieta. — E essa maldição só podia ser quebrada caso alguém a amasse e nunca a traísse.

— Ótimo. — O professor pareceu se agradar. — E que opinião você tem a respeito?

— Que o príncipe não a amava de verdade, nem a conhecia... — A garota disse, por fim. 

— Isso é triste, por quê? — Ele se aproximou mais da aluna. 

— Ele não sabia nem como era a personalidade da Odette e se deixou levar pela sedução da Odile, sua gêmea.

— Eu concordo. — Todos os olhares que estavam em Max se dirigiram para a aluna nova. Inclusive até a própria Max a olhou. — Era notável a diferença entre as duas.

— Mas elas eram idênticas, meninas — O Sr. Jefferson começou um debate. — Era o rosto da mulher que ele amava.

— Isso só prova o quanto ele não conhecia a Odette — Chloe disse, totalmente convicta. 

— E que não era amor como ele dizia, e sim paixão. — Max terminou aquele diálogo, acabando por trocar olhares com Chloe. 

— E poderia me dizer então, srta. Caulfield, o que é o amor? — Sr. Jefferson ainda não estava com aquela opinião das meninas em mente. 

Max não tinha uma total certeza do que era o amor, nunca havia vivido de fato aquele sentimento. Mas, não deixaria o sr. Jefferson ganhar dessa vez. 

— Amor é o que acontece com o tempo, com a convivência... Paixão é apenas você se encantar por alguém, como acontece com o príncipe Siegfried. Ele se encantou com a Odette por ela se tornar um cisne. 

— Mas não vão me dizer que isso não acontece diariamente com vocês? De vocês se encantarem por alguém? — O professor ainda levava aquele debate em frente. 

— Acontece, sim. Com todo mundo — Agora foi Chloe quem debateu. — Mas a questão é... Ninguém conhece verdadeiramente ninguém, Sr. Jefferson. Muitos seriais killers antes de terem seus crimes descobertos tinham família, amigos, uma vida.

Todos prestavam atenção em absolutamente todas as palavras que ela dizia.

— Estar perto demais de alguém não significa que você conheça a pessoa, e muito menos que seja íntimo dela. — Chloe terminou aquela discussão, fazendo toda a turma a aplaudir. 

A garota mal tinha chego na escola, mas com certeza já estava deixando a sua marca ali, uma delas sendo deixar o sr. Jefferson sem palavras, o que não acontecia tão facilmente. Max não pôde deixar de sorrir pensando nisso. 

As primeiras impressões são as que ficam. 


[...]



Chloe adentrou uma sala, que mais parecia um escritório, pressentindo ser a do Conselho Estudantil. O diretor Wells havia dito que um garoto de lá estava encarregado de mostrar toda a escola para ela, e ela foi ao seu encontro.

Vendo um moço alto — quase da altura da mesma —, em frente a uma mesa cheia de livros, Chloe supôs que seria ele.

— Você é o Eliot, né? — Ela disse o fazendo levar o olhar para si. — O vice-presidente do Conselho Estudantil?

— Sim, sou eu — Lentamente um sorriso se formou no rosto dele.

— Chloe Price, pra...

— Eu sei, eu te conheço! — Eliot a cortou. Como ele pode conhecer alguém que nunca nem falou direito? — A aluna nova! Me falaram muito bem de você.

— Sério? Que estranho... Não costumo receber elogios. — Ela brincou, o fazendo sorrir.

— Tenho que mostrar a escola para você.

— É por isso que tô aqui — Ela colocou as mãos nos bolsos. 

— Me siga. — Ele pegou a sua mochila, saindo da sala junto com ela.



Chloe nunca pensou que uma escola poderia ser tão grande. , a sua escola em Seattle já era considerada grande, mas a Blackwell era duas vezes maior que a antiga. E mesmo com o esforço do Eliot em mostrar cada cômodo com detalhes para ela, com certeza a mesma já tinha esquecido a metade de todos eles ao ter que subir aquelas várias escadas. Imagina ter que fazer todo esse trajeto a semana toda?! 

Finalizando aquela “breve” tour — que, suponhando, tinha durado uns 30 minutos — Eliot agora mostrava o último lugar da escola, uma grande quadra de esportes, onde já haviam algumas pessoas por lá.

— Aqui, é a quadra de esportes — Ele apresentou. — Agora, as líderes de torcida estão treinando.

— Posso ver... — Chloe cruzou os braços, tá aí uma coisa que ela nunca seria. Por dois motivos: Não era tão elástica. Mesmo sendo uma adolescente e tendo muito vigor, às vezes suas junções eram parecidas com as de uma velhinha. E também, por causa de ter que usar aquele uniforme. Talvez verde não era uma das suas cores.

As garotas treinavam animadamente. Cercada de gritarias, movimentos rápidos. Haviam alguns garotos lá também, sendo eles os que participavam da torcida e outros intrometidos na arquibancada que lá foram apenas para assistir.

Entre vários pompons coloridos e balançantes, Chloe percebeu uma presença familiar.

E mesmo olhando de uma distância, ela conseguiu ver claramente quem era.


Era ela. A garota legal do ônibus. Max. 


Junto com outras duas meninas, ela seguia a coreografia da música. E era, de uma certa forma, hipnotizante a ver dançar.

Ela se movia em uma sincronia perfeita com a música, parecendo se divertir bastante, mostrado por suas gargalhadas e sorrisos. Chloe pensou que poderia ficar o dia todo a assistindo, sem se cansar.

— Acho que você seria uma ótima líder de torcida também. — Eliot a tirou de seus pensamentos. Chloe franziu o cenho, ele realmente não a conhecia.

— Não é a minha onda, cara — Ela cruzou os braços. 

— Não parece ser mesmo — Ele riu, a fazendo revirar os olhos e segurar o riso. — Peço perdão, a julguei errado então.

— Não perdôo. — Ela disse seriamente, o que o fez pensar se era verdade mesmo. 




Talvez aquele tenha sido o pior tour da sua vida, sério. Não por causa de Eliot, e sim pelo tamanho daquela escola. Chloe estava cansada de tanto que teve que andar e desejou nunca mais ter que caminhar tanto assim na sua vida.

 

— Com certeza vou esquecer tudo de novo — Agora, no corredor principal da escola, Chloe se escorou em uma parede para descansar. 

— Não esquenta, com o tempo você decora — O garoto tentou a acalmar. 

Talvez, depois de uns dois meses. 


Uma folha presa na parede cutucou o seu pescoço, o que fez a garota se virar instintivamente para ver o que é. 

— O que é isso? — Chloe passou a observar aquilo que seria um cartaz. 


Procura-se alunos para a banda escolar BlackDeckers! 

Audições nessa semana! 


— Ah! Esqueci de te dizer — Eliot se colocou ao lado da garota. — Estão procurando pessoas para a banda da escola.

— Isso é ótimo! — O olhar dela até se iluminou. 

Chloe nunca tinha participado de uma banda. Com os seus amigos de Seattle, eles já tinham conversado a respeito de formar uma, mas isso nunca aconteceu. E aquele poderia ser um chamado do universo para ela se inscrever nessa. 

— Devia fazer uma audição. — Eliot a encorajou. 

— Farei isso amanhã, tô cansada demais para pensar nisso. 

— Se acostume com a Blackwell, pois todos os dias são assim. 

Que saco. 

Ele formou um sorriso, e se acostou na parede para a acompanhar. 

— Eu posso saber em que aula você vai tá amanhã? — Eliot levou o seu olhar para Chloe. 

— Não. — A garota disse simplesmente, fazendo ele fechar a cara. — Descubra sozinho.

Ela se desencostou da parede com rapidez, para evitar aquela proximidade dele. Aquele mesmo truquezinho de sempre... 

— Mas valeu, Eliot — Chloe deu tapinhas no ombro do garoto, que ainda estava desacreditado. — Você quebrou um galho pra mim.


A garota seguiu o caminho para fora da escola, se sentindo finalmente livre de tudo aquilo, pelo menos por ora. O primeiro dia não tinha sido tão ruim, e ela esperava que continuasse desse jeito. 


Todo aquele trajeto desconhecido para a sua casa, perto de mercearias e de uma praça com várias crianças brincando, foi marcado por apenas um pensamento: aquela garota de cabelos castanhos.


Max. 


Notas Finais


Glossário:

Guns N' Roses - Banda banda norte-americana de hard rock, formada em 1985.


Feliz páscoa, gente! Muitos chocolates na vida de vocês. <3
O que acharam?

Vejo vocês semana que vem! ;)


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