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História Adolescentes em Crise - Capítulo 19


Escrita por:


Notas do Autor


SIM! APENAS UMA SEMANA DEPOIS TEM CAPÍTULO POSTADOO!
Novamente, vamos torcer para dar certo as atualizações semanais! Não tenho muito o que dizer gente, o capítulo tá lindo, tá engraçado e é sempre divertido escrever essa fanfic.
Espero muito que gostem!!
Boa leitura! <3

Capítulo 19 - Os desastres podem ser resolvidos com esforço


Juvia Lockser

Em um fatídico dia de vento em junho, descobri que consigo desejar matar alguém de tanta raiva.

Assim como qualquer escola japonesa, a Fairy Tail resolveu parar a semana de estudos para realizar o undoukai¹. Meu pequeno grupo de amigos foram separados em dois: na equipe A ficou eu, Erza, Levy e Natsu; já na B estava Lucy, Gray, Gajeel e Jellal. Devo confessar que gostaria muito de ter ido para o time B, já que estão pessoas muito boas no esporte, exceto Lucy. Ela é uma porcaria em atividades físicas. Mas foi muito engraçado ver o olhar assustador que Gaj deu a sua querida namorada quando soube que eles eram inimigos por agora. Espero que o casal tenha maturidade para quando perder.

Durante a organização da gincana, estava muito animada com os treinos e a torcida — já que fui escolhida pra participar da equipe de torcida, oremos para que não caguemos². Meu problema estava sendo Natsu, uma questão muito complicada, aliás. Diz Levy que ele foi conversar com Lucy, mas eu não estava satisfeita com isso. Para mim, ele tinha que parecer mais miserável, só que toda vez que olhava pra cara porca dele, Natsu estava sereno e pleno. Me chame do que quiser, quem merece sofrer nessa situação é ele e não minha amiga.

Mas pra ser sincera, nesse momento eu tava pouco me fodendo pra Natsu e Lucy e suas questões pessoais. A realidade exigia que todo meu ódio, rancor e ranço fossem todos para uma única população: a equipe de basquete do time A. Parte dos alunos estão na quadra interna para torcer pros meninos do basquete, mas para o nosso azar, quase não tínhamos pontos marcados. Olha, eu só queria que eles ganhassem, porque tá um jogo muito feio.

Sorte deles que estou no segundo andar, porque se estivesse no térreo, só Erza pra evitar que eu batesse neles.

— Vem cá, o nosso time é uma merda ou é ilusão minha? — olhei para Lyon — Corre atrás da bola, porra! — gritou pra um menino parado.

— Isso — apontei pro time — foi o melhor que vocês conseguiram arrumar? — ele bufou — Até o cachorro da minha família consegue pegar em uma bola. E o cachorro é velho — enfatizei.

— A gente queria que o Natsu participasse, já que ele é do time de basquete — se apoiou na grade — Mas proibiram de colocar os participantes dos times em todas as competições.

Lyon faltava pular daqui e sair pra brigar com todo mundo. Eu que não tentaria pará-lo, muito pelo contrário, me jogaria também. O jogo acabou com o time B ganhando com tantos pontos que não vale a pena nem mencionar, já basta a humilhação que sofrerei quando encontrar meus amigos para almoçar. Espero que ganhemos nas outras competições, porque olha, a coisa tá horrorosa.

— Você foi escalada para a torcida? — assenti em resposta — Que massa!

— É, nem tanto — dei de ombros — Já me viu dançar? — ele negou — Então, deixa eu te falar uma coisa: tenho zero senso de coordenação motora.

Lyon riu da minha estupidez e disse estar ansioso para a apresentação. São nesses momentos que agradeço aos deuses que os celulares são proibidos. A dança era simples, só eu que tinha zero senso de ritmo mesmo. E para agourentar ainda mais essa situação, Lucy também foi chamada para participar da torcida. A filha da puta dança bem desde sempre, já estou vendo meu fracasso. Deuses, por favor, me abençoe nesta dança.

Descemos do segundo andar para ajudar a arrumar a quadra, mais tarde aconteceria o vôlei feminino. No entanto, não estarei aqui para torcer, e sei que nem vou precisar. A queridíssima Erza vai jogar nessa modalidade e posso dizer, com toda certeza, que ela vai massacrar a equipe B. Não faço a mínima ideia de quem tá na outra equipe, apenas desejo sorte para os futuros falecidos. Não tinha muita coisa pra fazer, só passar um pano na quadra e organizar as garrafinhas de água.

— E então, quando que vai me convidar para sua casa de novo? — Lyon se aproximou de mim com um sorriso safado no rosto — Acho que esqueci uma coisa minha lá.

— Uma coisa? — o olhei, que desculpa esfarrapada — Você é muito sem vergonha, Lyon — ele riu de mim — Você não está de conversinha com a kouhai³ bonitinha lá?

— Estou, mas não sei no que vai dar. Ela é bem fofa, mas… — suspirou tão apaixonado, que só revirei os olhos.

— Ai Lyon, você é tão idiota. Querendo isso aqui — apontei pra mim — quando tá todo bobo apaixonado pela menina.

— Não estou assim, pode parar — ficou na defensiva, não sei pra que — Ela quer namorar, nós tivemos um encontro esses dias e ela disse que quer ter um relacionamento mais sério comigo, mas sei lá — soltou outro suspiro, ai deus — Nunca namorei, acredita? — acredito e muito, mas tudo bem — Não sei como agir em um namoro.

— Ué, namora com ela e descobre, vai esperar a menina perceber que você é um idiota pra ela ir atrás de outro? — ele olhou nervoso pra mim — Você sabe que é um idiota, não me olha assim.

Continuei com os conselhos amorosos pra cima de Lyon. Sou uma excelente cupido, mas não espalhe isso por aí. Tinha tudo pra dar certo, mas ele tava empatando a situação. A kouhai é uma gracinha, e pelo que ele diz, ela é bem objetiva. O que é ótimo pra alguém tão pateta e indeciso como Lyon. Espero que eles fiquem juntos e deem certo, mas se não, a porta da minha casa e minhas pernas estarão bem abertas para ele. Não me julgue, há certos contatinhos que não devemos perder, principalmente os que são bons em sexo. Mas se for babaca, esquece o que falei.

Me separei do Vastia com um peso no coração, daqui a pouco serei obrigada a vestir as roupas esquisitas da torcida.

— Vai ficar com essa cara de bosta até quando? — a amada amiga Lucy surgiu do meu lado. Mostrei o dedo do meio pra ela. Que desnecessária! — Soube que Erza vai participar da próxima competição, meu time tá tão fodido — concordei com ela.

— Soube que vai ser uma turma de calouros — a gente começou a rir dos pobres coitados.

É bem provável que depois dessa vida, nós vamos ter uma conversa com Izanami no Yomi. Erza é conhecida na escola por ser o pior tipo de ser humano para arrumar confusão. Todos sabem disso, até mesmo os veteranos. Só a presença dela bota medo em qualquer um. Só que vai ser graças a essa ser humana impiedosa que meu time vai vencer no vôlei.

Pelo menos isso, né?

— O pessoal tá reunido aonde? — entrelacei nossos braços — Não sei se quero ver a cara deles, ainda mais do Gaj.

— Achei que ele fosse seu melhor amigo — ela soergueu uma sobrancelha.

— E é, mas ele é filho da puta — vi Natsu paparicando Lisanna e minha cara de nojo foi involuntária — Como que ele pode tá tão pleno assim? — paramos de andar, Lucy olhou para ele também, mas ela não tinha cara de raiva — Você perdoou ele, não né?

— Não completamente. Durante o tempo que ficamos sem conversar, comecei a pensar em muita coisa e isso tem me deixado com muita raiva, ainda mais que são coisas que ele faz e não percebe — Natsu olhou para nós e acenou com a mão, Lucy retribuiu. Eu olhava incrédula para ele — Só que agora não dá para falar nada, porque não estamos bem resolvidos.

— Lucy, se você não for para o céu, ninguém mais vai — ela riu e nos abraçamos de lado — Mas sério, ele pagando de santo pra cima de Lisanna, não faz sentido algum.

Ela nem me respondeu, só foi me puxando para dentro do prédio. Tinha muitos alunos circulando pelos corredores, alguns carregavam objetos referentes ao resto das competições. Perguntei a Lucy onde que iríamos almoçar, ela me respondeu que o grupo já estava no refeitório e só faltava nós duas. O lugar tava muito cheio, ainda bem que os nossos amigos estão bonitinhos em uma mesa.

Na mesa já tinha alguns lanches separados. Enquanto Lucy se enturmava na conversa do pessoal, me preocupei em comer. Estava com muita fome e ainda seria obrigada a participar de algumas competições antes da torcida. Se tem uma coisa que aprendi com essa minha vida, é que não dá pra vencer uma luta com a barriga vazia. Ainda mais que os meus inimigos são três jovens meninos bem competitivos.

— Então deixa eu ver se entendi direito, só falta o Natsu se resolver com Lucy e Juvia? — o pessoal olhou para nós duas, a loira assentiu.

— Estou chocada que ele conseguiu conversar com Erza e sair vivo pra contar história — rimos da cara da ruiva, Levy apontou pra ela — Você é muito explosiva.

— Sou uma pessoa muito gentil — nós começamos a fazer chacota dela, se Erza é gentil, preciso de um novo significado da palavra — Calem a boca!

— Isso não é gentileza! — Gray apontou pra loira — Devia aprender mais com Lucy.

— Não, não — Gaj se enfiou na confusão — Erza precisa aprender com a Levy — olhamos pra ele — Ela é um amor de pessoa! — apontou para a namorada com o rosto todo vermelho.

Queria dizer que a partir daqui o foco da conversa mudou completamente, mas isso não fez Erza esquecer de punir os três idiotas. Novamente, se Erza é gentil, precisam criar um significado de gentileza! A gente viajou muito, a conversa fluiu desde as características fofas de Levy para as fofocas da escola. Até os assuntos desnecessários sobre sexo nós tocamos. Foi meio desconfortável saber sobre as intimidades de Jellal e Erza — como sempre foi —, mas foi engraçado ver Gaj e Gray ensinando ao encantador Jellal a flertar.

Não sei porque eles querem se humilhar assim, já que o Fernandes só precisa estalar o dedo que qualquer menina se põe de prontidão. E as técnicas de seduzir deles eram muito falhas, tanto que me pergunto como as meninas aceitaram ficar com eles, deve ter sido por pena. Vou perguntar para Aria depois se Gaj realmente tinha uma habilidade tão horrível de flertar. Os meninos diziam pro Jellal falar elogios baratos; o jeito certo de piscar o olho, que de certo só tinha um olho aberto; até a maneira como o garoto tinha que andar, eles comentaram.

Eu e as meninas os observavam com exímia atenção, era tanta coisa idiota. O melhor disso tudo, foi quando os meninos resolveram colocar em prática as habilidades. Gaj virou-se para Levy e ficou jogando o charme horroroso dele; Gray piscava o olho meio bizarro para Lucy, parecia que tinha uma sujeira no olho dele e tava tentando tirar; Jellal, por outro lado, realmente foi seduzir sua parceira. Ele se aproximou dela, sussurrou alguma coisa e Erza rapidamente ficou rubra.

Nesses momentos queria um contatinho comigo. Acho que vou mandar mensagem pro Sting, estou me sentindo necessitada.

— Credo Gray, se é assim que você conseguiu os seus contatos… — Lucy colocou a mão dela em frente o rosto dele — Tenho pena de você — ele riu dela.

— Ah para, minhas habilidades são sensacionais — dessa vez ele piscou certo, só que para mim — Posso dizer, com certeza, que Juvia se sente apaixonada por mim agora — fez uma pose de poderoso e apontou para si mesmo.

— Só em outra vida, anjo — fiz uma bolinha de papel e joguei nele.

Começamos a zoar com ele a sua inabilidade em seduzir, Jellal e Gaj até iniciaram a dar novas dicas, mas agora realmente certas. Como se não fosse o suficiente, Lucy se juntou e passou a opinar as cantadas horríveis. A gente teria continuado a falar mais merdas, porém um professor chegou no refeitório e disse que éramos para sair, estava na hora de voltar com as competições e nos divertirem.

A diversão era só pra ele, porque para mim era uma tortura. Se tem uma coisa que eu gosto, é de ficar sentada quietinha. Detesto suar, o único exercício que aceito suar é sexo, além dele, sem condição. Erza e Levy foram para a quadra interna enquanto o resto de nós fomos para fora. Em silêncio, rezei pela alma da equipe de calouras do time B, elas vão precisar desse sentimento de compaixão.

[…]

Certo, respira. Um, dois. Um, dois. Um, dois, três. Um… O que vem depois do “um” mesmo?

Estava eu em pé, do lado de várias meninas superanimadas, com um uniforme estranho demais para o meu bom-senso e muito desconfortável no pátio externo da escola. O momento chegou, aquele que a equipe A se preparou muito, a que vai dar fim nesse dia competitivo, a que as meninas vão esbanjar sensualidade e os meninos masculinidade em dar os gritos horríveis: a torcida.

A organização da nossa torcida era a seguinte: os meninos na frente com os instrumentos musicais e as meninas atrás com os pompons. Nós usávamos saia e uma blusa curta, os meninos com o uniforme completo. Queria saber quem foi o idiota que decidiu colocar as meninas para usarem roupas curtas justo no dia que está ventando pra cacete. Tinha garota que tava agitada desnecessariamente, que é o caso de todo o primeiro ano e parte do terceiro. Algumas meninas do segundo estavam animadas, que é o caso da Milliana.

Que bicha animada, puta que pariu. Me tirem de perto dela!

A batida dos tambores começou. Ai meus bons deuses! Os meninos começaram a gritar e a liderar o caminho para o meio do pátio. Nós começamos a acompanhar os gritos e a levantar os pompons para o alto. Assim que começamos a chegar no meio, os meninos abriram espaço para nós passarmos. As meninas se colocaram em frente a eles, ficando diante a plateia que gritavam animados. Depois, os meninos se colocaram em volta de nós, e a todo momento tocavam os benditos tambores.

As meninas começaram a se movimentar, eu nem lembrava a coreografia mais, só seguia o fluxo. Levantamos os braços para a esquerda, depois para a direita, balançamos animadas e até giramos os pompons. Teve um momento que as meninas da frente começaram a andar para mais perto dos alunos, eu não entendi nada, mas tudo bem.

Os meninos aumentaram o ritmo nos tambores, as gritarias ficaram mais intensas. A dança ficou ainda mais ritmada com a música. As meninas moveram os braços para a esquerda e direita, depois para cima e para baixo, deram uns pulos para animar mais ainda a nossa equipe e para finalizar, jogaram os pompons para cima e se ajoelharam. Queria dizer que consegui seguir o protocolo certinho, mas infelizmente isso não aconteceu. Quando as meninas jogaram os braços pro lado esquerdo, eu joguei pro direito.

Os pulos não foram juntos também, então imagine que, enquanto umas 35 garotas pulavam bonito, tinha uma jovem adolescente que pulava quando não deveria. De longe, eu conseguia ouvir gritos animadores, felizes e algumas risadas pertencentes ao meu grupo de amigos. Nesse momento infame, duvido que meus amigos não estão com seus celulares. Olha queridos deuses que estão no céu, podem me levar, porque a minha dignidade foi toda pro lixo.

Nós nos curvamos para a plateia e nos retiramos para a equipe B se apresentar. Passei sem olhar pra cara de Lucy, mais humilhada, impossível. O pessoal do meu time estava confiante que ganharia, ainda mais que as meninas sensualizam maravilhosamente. Ainda me pergunto se elas tem bom-senso em querer seduzir os meninos da Fairy Tail, a maioria é estúpida e me admira que alguns estejam se formando. Se meus pais estivessem aqui para assistir essa palhaçada, é mais que certo que ambos sairiam de seus lugares e mandariam todas as meninas para dentro.

Ou me mandariam para uma escola de dança. Vai saber, meus pais são meio aleatórios.

Não foi novidade nenhuma que, no final do dia, a equipe B ganhou com 100 pontos a mais que a gente. O que mais me irrita, é que perdemos por culpa de muitos sujeitos que se tornaram incapazes do NADA. E todos esses idiotas faziam parte de algum clube e tinha a capacidade de ganhar ponto, mas não, todos eles pareciam verdadeiros animais que são inúteis no reino animal. Até xingá-los assim é um insulto aos pobres animais.

Os meus amigos que estavam na equipe B esfregavam a vitória. Gaj era o mais filha da puta, óbvio. Jellal e Lucy só nos abraçaram e falaram “foi um bom jogo”, o que custava esse ser provindo do Yomi a fazer o mesmo?! Se existisse um troféu físico, Gaj esfregaria na minha cara. O arrombado falava da minha incapacidade de dançar e ainda me culpava pela minha equipe perder. O que não melhorava em nada, porque Erza me olhava como se fosse me matar. Sabe aqueles momentos que você pensa: por favor, deus, me leva? Então, é assim que me sinto quando a ruiva parece carregar duas espadas em sua mão. E como se isso não fosse humilhação o suficiente, Gaj e Gray, o arrombado número dois, me entregaram seus sapatos e disseram que a perdedora precisava carregar os objetos.

Isso foi a gota d’água! Mas em vez de jogar neles, decidi fazer pior. Sorri como o anjo que sou e corri para dentro da escola com o destino calculado. Conseguia ouvir os idiotas gritando pelo meu nome, olhei para trás e quase me arrependi. Eles estavam para me alcançar, esqueci que correm para um caralho! Forcei minhas pernas a correr ainda mais rápido, precisava muito chegar em meu objetivo. Passei pela população de alunos com certa dificuldade, e fiquei feliz que os idiotas estavam sofrendo.

Subi para o segundo andar, virei o corredor e entrei no meu lugar seguro: o vestiário feminino. Eles, sem prestarem atenção, entraram logo atrás de mim. Para a surpresa deles, um bando de garotas começou a gritar, chamá-los de pervertidos e, obviamente, a jogar tudo que é possível neles para que saíssem. Inspirada por todas as meninas, joguei os sapatos em seus rostos com força. Os meninos nem tiveram tempo de se desculpar e correr, a enfermeira apareceu na porta e pegou os dois pelo colarinho da blusa.

Com a cara igual de um demônio, a enfermeira saiu com eles pelo corredor. Os dois ainda tentavam dar desculpas esfarrapas e me culpar por isso, mas a mulher nem queria escutar. Eles estavam errados em ter entrado no vestiário feminino, justamente no momento em que muitas meninas estavam trocando de roupa. Até aproveitei para trocar o uniforme. Só isso para fazer meu dia feliz. Rumei pra minha sala para arrumar as minhas coisas e ir embora. Ainda tinha muita coisa para organizar do festival, mas o querido e maravilhoso diretor disse que já fizemos muito por hoje. Com certeza teremos muito trabalho semana que vem, mas, pelo menos, o fim de semana será de descanso.

Só digo uma coisa: amém, meus consagrados. A M É M.

A sala estava um pouco cheia, e para minha surpresa, Natsu estava sentado na minha cadeira. Ele tava meio viajado, olhava pro nada e balançava a perna sem parar. Ignorei sua existência, seria melhor para a minha saúde mental. Queria pegar a mochila sem acordá-lo de seus devaneios, mas não deu certo. Parece que o menino tava sensitivo, porque assim que toquei na minha bolsa, ele se virou pra mim.

Fiquei parada com medo dele me atacar. Ué, a pessoa do nada se vira para mim com o semblante sério, e para piorar a minha situação, a sala ficou vazia. Não daria nem pra gritar por socorro. Tem um bom tempo que não olho pro Natsu, não com tanta atenção assim. Não queria admitir, mas era preciso: Natsu é muito bonito. É incrível uma coisa dessas, agora entendo mais o motivo dele ser popular. Além de forte, o rosto é lindo, o sorriso dele é muito caloroso e o cabelo, além de uma cor muito diferente dos japoneses normais, é um bagunçado-organizado. Sei lá se isso faz sentido.

— Juvia, a gente precisa consertar nossa situação — soergui a sobrancelha.

— Como é? A gente? Natsu, quem vez a merda foi você — apontei pra ele — quem tem que consertar é você. E nós não temos uma situação, pelo que me lembro — ele suspirou.

— Temos sim, e você tem razão, quem fez a merda sou eu — ele se levantou, me afastei dele na pretensão de correr qualquer coisa — Calma, não vou te bater.

— Acho bom — cruzei os braços pra controlar o pouquinho de medo que estou sentindo, ele não precisa saber disso — Se me fizer mal, Gaj sai das profundezas do inferno e mata você — Natsu arregalou os olhos — Nunca, em hipótese alguma, duvide da capacidade dele me defender — ainda mais que Gaj é realmente doido.

— Você tá fazendo ficar mais difícil, porra — ele voltou a sentar — Já foi complicado pra caralho com Lucy, e olha que eu tava com medo da Erza.

— Claro que vai ser difícil, Natsu — sentei do seu lado — Você insultou minha amiga de maneiras absurdas e agora quer que eu faça o quê? Passe a mão na sua cabeça? Só Buda pra te perdoar assim.

— Eu sei disso… — virou o rosto para mim — Juvia, é muito difícil aceitar que Lucy confiou em você aquele segredo, porque somos amigos há mais de dez anos. Eu estive com ela em todos os momentos. Dos mais complicados aos mais engraçados, então doeu em mim saber que Lucy confiou em vocês primeiro — suspirou — Fui um completo idiota e deveria ter falado com ela assim que descobri — assenti, é bom saber que ele percebeu isso — Então, me desculpa por ter falado tanta merda e… Obrigado por ter cuidado dela quando eu não estava por perto.

— O prazer é meu, idiota — ele sorriu, o que me fez sorrir. O babaca tem um sorriso contagiante — E, Gray já tinha conversado comigo antes sobre isso. Eu entendi o lado de vocês, mas não concordei com o jeito que resolveram lidar — apoiei o braço na mesa — Espero que tenha aprendido alguma lição.

— Ah, com certeza — levantou e foi pra sua cadeira, pegou a mochila e foi em direção a porta — A mais importante foi que, minha vida é completamente sem graça sem a presença de Lucy — opa, isso é interessante. Peguei minha mochila e saímos da sala — Sério, sem ela não consigo avançar com Lisanna — rolei os olhos, era só o que me faltava.

Quis muito responder que ele aprendeu foi porra nenhuma, mas resolvi deixar pra lá. Se nenhuma das meninas falou pra ele sobre os sentimentos de Lucy, eu que não seria a doida de fazer isso. Prezo muito pela minha vida plena e saudável. Pela conversa, me pareceu que Natsu pensou muito a sério sobre o que aconteceu esse tempo todo, só se fazia de santo para que a gente não percebesse a bagunça que a cabeça dele tava. Vou confessar que uma parte sádica minha queria muito vê-lo sofrer, mas tudo bem.

Não sei se as coisas estarão 100% resolvidas na segunda, ainda que esse rolê todo demorou meses para ser arrumado. Mas, estou feliz que Natsu teve a capacidade de vir até nós e pedir desculpas por sua estupidez. Isso só mostra que as pessoas podem evoluir, até mesmo as mais idiotas. Espero que ele evolua mais, porque olha, estupidez tem limite.


Notas Finais


1. Undoukai: gincana esportiva. No Japão, as gincanas esportivas são preparadas em conjunto da escola e os pais dos alunos, já que é uma forma de interação da comunidade e escola.
2."Oremos para que não caguemos": Frase bordão da youtuber Karen Bachini. Fez muito sentido aqui!
3. Kouhai: Calouro.
É isso minha gente, Natsu fez as pazes com todosss. Mas isso, definitivamente, não quer dizer que as tretas terminaram, só que esse ciclo terminou kkkkk Sério, tem muita água pra passar debaixo da ponte ainda. Posso dizer com felicidade que ainda vai ter muitos capítulos postados. Já dizia Gina Linetti: Awoman.
Muito obrigada pelos comentários e favoritos, de verdade! Fico cada vez mais feliz em ver novos favoritos, de verdade. Saber que a estória tá crescendo me traz um sentimento de euforia que olha, posso até chorar kkkkk Enfim, obrigada por terem lido até aqui.
Vejo vocês nos comentários?
Beijos beijos! <3


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